"A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida."

Charles Chaplin

Capítulo 7

Inevitável

Através da ampla janela da sala podia vislumbrar os brilhantes raios de sol que iluminavam uniformemente o belo jardim de sua casa. Ficava maravilhada sempre que olhava para aquela beleza natural que enfeitava sua propriedade. Guardaria ótimas lembranças daquele lugar, quando voltasse à rotina normal no dia seguinte. Lembranças dele...

As preciosas esmeraldas marejaram ao se lembrar do incidente que ocorrera minutos atrás com aquele que quase destruiu sua vida. Como pôde ter sido tão fraca a ponto de ceder a Sasuke depois de tudo que passou por causa das suas mentiras e traição? Ele não a merecia e mesmo assim, sem muito esforço quase a levou para cama. Como poderia olhar novamente nos olhos de Itachi depois disso?

Haruno sentia-se horrível, suja e maldita. Onde foi parar seu amor próprio porque com certeza se perdera em algum lugar, pois a ela já não mais pertencia. Tentava elaborar um tipo de estratégia, precisava contar a ele, mas como? Como diria algo tão horrível para aquele que dentre todos no mundo inteiro, não merecia ser traído.

Estava tão perdida em seus pensamentos que nem percebera ele chegar.

- Bom dia... – Disse baixinho ao pé do ouvido enquanto a enlaçava em seus braços e dava-lhe um beijo doce no pescoço.

Sakura tremeu ao ouvir a voz dele.

Finalmente a hora da verdade. Precisava contar a ele o que acontecera com seu irmão mais novo:

Que Sasuke voltou e que eles quase se pegaram na cozinha?

Não!

Impossível!

Como é que Itachi receberia uma notícia dessas? Com certeza da pior forma possível.

Por isso, resolveu esperar um pouco mais, talvez...

à noite

ou no dia seguinte

ou de preferência nunca!

Mas isso ela sabia que não poderia fazer...

Então decidiu por fim que diria a verdade, mas não agora, porque esse momento era deles, só deles. Não deixaria que "Sasuke" impedisse que o penúltimo dia de férias fosse perfeito.

- Bom dia... – Virou-se para ele esboçando um belo sorriso nos lábios. – Senti sua falta.

Ele tocou sua face numa carícia doce e ela aproveitava ao máximo daquele toque quente em contato com sua pele. Fechou os olhos e sorriu novamente.

Como eu pude fazer isso com você...?

Tal pensamento invadiu subitamente sua mente, tirando-lhe a paz e fazendo com que uma carranca feia inevitavelmente aparecesse.

Isso não passou despercebido por ele que indagou arqueando uma sobrancelha. – O que houve?

Haruno deu-lhe um sorriso amarelo e tentou dissimular. – Não é nada...

No entanto, ele obviamente não acreditou. E chegando novamente próximo ao ouvido dela, disse-lhe baixinho – Mentirosa!

Sakura tremeu novamente.

Será que ele sabe? Mas como? Será que ele nos viu? Kami-sama, e agora...?

Enquanto a mente dela produzia diversas teorias sobre o que ele poderia saber, sua pele ficara mais pálida que de costume.

Ele sentiu o abalo dela e tomou seu rosto na proteção de suas mãos para, olhando dentro de seus orbes verdes, lhe falar seriamente. – Sei o que você esconde...

- V-você sabe? – Mal conseguia articular a pergunta, tamanha era a ansiedade e receio que a aquela situação provocara nela.

- Sei... – Não desviava o olhar por nenhum minuto sequer. – Você tem medo...

- I-tachi... eu... por favor, escuta... e-eu posso explicar... – Haruno ficou tão atordoada, não falava mais coisa com coisa e quando estava prestes a explicar para ele sobre seu incidente com Sasuke, foi interrompida por dois dedos que ele levou aos seus lábios rosados.

- Sakura... – Olhou-a fixamente. – Eu entendo...

- Você entende? Jura? Mas... – Estava mais confusa do que antes, como assim ele a entendia?

Ele sorriu benevolente para ela.

Isso definitivamente a agoniou ainda mais.

– Eu sei... Você está nervosa porque amanhã temos que voltar a nossa vida normal e isso está te deixando tensa. Talvez não esteja preparada para morar comigo, mas não se preocupe, tudo vai dar certo. – Tocou-lhe a face e beijou sua testa. – Vamos fazer dar certo. – Disse num fio de voz.

...

.

.

Depois dela ter se livrado de ter sido pega sobre o caso Sasuke, Haruno foi deitar-se, com a desculpa de que estava cansada e com dor de cabeça. Na verdade, precisava pensar em como diria a verdade para ele, além disso, encarar aqueles ônix profundos estava cada vez mais difícil. Não se sentia mais merecedora deles, precisava livrar-se daquela culpa o quanto antes.

...

.

.

Acordou com o dia quase escurecendo.

– Kami-sama, dormi o dia inteiro... – Murmurou preguiçosa, levando a mão à cabeça enquanto olhava a hora avançada no relógio em cima do criado-mudo.

Espreguiçou-se manhosa e quando desviou o olhar para o lado esquerdo da cama encontrou um lindo vestido longo preto, com uma fenda sensual até a altura da metade da coxa. Sorriu ao lembrar-se que ele havia preparado alguma surpresa para ela e imaginou que o vestido fizesse parte do plano. Aproximou-se da bela peça e deixou que os dedos passeassem pela seda pura, alisando o tecido tão delicadamente que parecia perder-se em pensamentos outros naquele momento.

Tomou uma ducha e vestiu-se. Ficou magnífica naquele traje e o penteado que deixava alguns fios dos belos cabelos rosados caírem insistentes por cima da face, completava-lhe o ar elegante e sensual que nunca fizera seu estilo, mas ele com certeza apreciaria...

Caminhou até a escada e surpreendeu-se com o lindo tapete vermelho formado por uma centena de pétalas de rosas que a guiaram em direção a sala de estar.

E no meio da ampla e aconchegante sala havia uma mesa posta para dois com uma louça fina e ao redor e por toda a extensão do local estava repleto de velas perfumadas e rosas por toda parte. Era uma visão linda. A coisa mais romântica que alguém havia feito para ela em toda sua vida.

Lindo e ao mesmo tempo aterrorizante...

Porque ela não merecia aquilo.

E no mesmo instante que se lembrara tê-lo traído horas atrás, sentiu-se novamente maldita. Queria sair correndo e esconder-se, porque a verdade que precisava ser dita, ela não tinha coragem de falar. O sorriso que esboçava na face esvaeceu assim que lembrou de tudo que fizera com Sasuke enquanto seu verdadeiro amor estava fora preparando aquela surpresa linda para ela.

- Gostou?

A pergunta dele dilacerou-a de dentro para fora. Como poderia merecer alguém tão gentil como ele?

Definitivamente não merecia...

Precisava reparar seu erro o quanto antes, precisava aliviar o peso que sentia. Resolveu contar-lhe tudo.

- I-ita-kun... – A voz lhe falhava, era tão difícil. – Não precisava... – E com um sorriso amarelo, continuou. – Eu não mereço isso...

E subitamente ele a tomou em seus braços e a beijou. Docemente, num beijo profundo e gentil. A tomava com calma enquanto a aproximava de seu corpo de forma sensual e possessiva, deslizando suas mãos ao longo da extensão das costas femininas. E por fim, falou-lhe ao ouvido: Você merece tudo...

E antes mesmo que ela tivesse tempo de dizer qualquer coisa, ele prosseguiu. – Você gosta de Fettuccine? – Acarinhou a face dela e deu um sorrisinho de canto de boca. – Comprei um livro e segui uma receita italiana... Você gosta de massas, não gosta?

Pois é, ele cozinhou para ela.

E mesmo imaginando que devia ter ficado uma gororoba capaz de quebrar a cabeça de alguém se lançado ao longe, Sakura estava feliz por ele ter demonstrado todo aquele carinho e cuidado por ela.

O remorso doía-lhe. Traidora! A mente lhe gritava, maldizendo sua falha de caráter de mais cedo. Conta logo para ele! A voz ressonava cada vez mais alta no fundo de sua consciência.

- I-ita-kun... – Não sabia como começar um assunto tão delicado, mas precisava, então tomou coragem e prosseguiu. – Eu preciso te contar uma coisa...

- O que foi? – Os ônix a fitaram tão profundamente, sua atenção estava voltada totalmente para as brilhantes e atordoadas esmeraldas, que ao perceber a intensidade do calor que aquele olhar emanava somente para ela, perdeu completamente a coragem. – Deixa pra lá... – Enterrou o rosto no peito dele e disse baixinho. – Essa noite é só nossa.

Ele sabia que havia algo estranho com sua pequena, mas se fosse sério ela com certeza o teria dito logo. Então, despreocupou-se a desenlaçando de si, indo em direção ao som. Ligou numa música suave, estendeu a mão a ela, num convite para uma dança. – Venha.

Tomou-a em seus braços novamente e a conduziu perfeitamente num ritmo lento e sensual, rostos colados. Ele sentia a respiração suave dela chocando-se contra sua pele e ela sentia os batimentos do coração dele por baixo da camisa.

As mãos dele deslizaram devagar num caminho que começava na nuca feminina seguindo até o final das costas, chegando a um lugar extremamente perigoso e se ele continuasse aqueles movimentos sensuais estimulando o corpo dela, com certeza eles não jantariam tão cedo.

Provavelmente a comida teria de esperar, pois ele parecia muito mais interessado em outro tipo de alimento...

- Ah... – Ela gemeu baixinho no ouvido dele mostrando que as carícias a agradavam. – Oh... meu amor... – Deixou que seus lábios róseos fossem finalmente arrebatados pelos dele num beijo profundo.

As preocupações dela esvaíram ao toque dele. Era incrível o poder que aqueles carinhos tinham sobre a razão dela. Não se lembrava de mais nada, nem de Sasuke e da quase traição nem de como contaria a Itachi a verdade.

Simplesmente se concentrava naquele momento.

- Amor... – Chamou baixinho, sua voz nublada pelas sensações. – Me faz esquecer os problemas... Me faz tua... Por favor...

Itachi afastou seus lábios dos dela devagarzinho para fitá-la nos olhos durante vários segundos.

Tomou seus lábios novamente, como se quisesse através daquele gesto arrancar todas as inseguranças de sua amada e livrá-la do peso, da dor...

Ela desabotoava a camisa social dele numa velocidade nunca vista antes, queria tê-lo logo. Tinha pressa. Muita pressa.

Ele abocanhava os lábios femininos com tanta necessidade, queria fazê-la feliz. Queria ser feliz, perdendo-se no calor de sua pequena. E quando as mãos másculas finalmente encontraram partes mais sensíveis do corpo dela, algo os atrapalhou.

- Deixa tocar... – Disse Sakura baixinho, no ouvido dele, continuando as carícias atordoantes.

E mesmo desejando ignorar o barulho insistente da campainha, foi inevitável atender. – Eu já volto... – Murmurou ele, beijando-a novamente, deixando-a a sua espera no belo sofá coberto de pétalas vermelhas.

Deixou uma Haruno sonhadora para trás enquanto abotoava a camisa e colocava-se a caminho da porta.

- Bom, dessa vez você não pode dizer que eu invadi...

Não pôde continuar a sentença, pois a visão que teve do anfitrião foi a mais surpreendente possível. – Aniki?

A visita inesperada pegou de surpresa não somente Itachi, mas também Sakura, que ao ouvir a voz de Sasuke vindo da porta principal, estremeceu.

O momento chegou...

- O que você ta fazendo aqui? – Sasuke indagou arqueando uma sobrancelha. E a voz engrossara ao notar que a camisa de seu aniki, além de toda amarrotada, estava entreaberta, como se ele não tivesse tido tempo de se arrumar para abrir a porta. – Cadê a Sakura?

Formulou aquela pergunta enquanto fazia caminho forçado até a sala.

E vislumbrou suspeito a atmosfera romântica cercada de flores e velas, entretanto o que mais o deixara irado foi ver Sakura no sofá deitada à espera, não dele, mas sim de seu irmão mais velho.

- O que é isso tudo? – Olhou para Sakura indignado e continuou sarcástico. – Vocês estão juntos?

Seu braço foi brutalmente agarrado pelo mais velho, que num fio de voz avisou ameaçador. – Vá embora, irmãozinho... Você não é bem vindo aqui...

Sasuke riu e respondeu a altura. – Não sou? Só pode ta de sacanagem com a minha cara, né? Ela é minha noiva ainda, sabia? – E livrando-se asperamente do enlace do irmão, prosseguiu arqueando uma sobrancelha. – Você é quem não deveria estar aqui.

Sakura assistia àquela cena apática, sabia que não daria em coisa boa.

Itachi deixou que um sorriso cínico esboçasse no canto da boca, enquanto as palavras lhe escapavam. – Pra sua informação, Haruno Sakura será sim uma Uchiha, e muito em breve. – E nesse momento o sorriso aumentara. – Porque ela é minha noiva!

Minha futura mulher!

Fez questão de enfatizar aquela última frase, deixando claro sua posse sobre aquela mulher.

- Agora, irmãozinho... – Fitou Sasuke com um brilho cínico no olhar. – Vai embora daqui antes que eu te faça ir...

Sasuke encarou seu irmão mais velho com ódio, parecia querer fuzilá-lo somente com o olhar. Isso não pode ser verdade... Eles estão juntos? Não pode ser... A mente de Sasuke perturbava-lhe com pensamentos atordoantes, até que finalmente virou-se para encontrar as esmeraldas que, durante tanto tempo, foram somente dele.

- Sakura... – Chamou-a num fio de voz. – Você é minha... e ... – Hesitou por um momento.

Aproximou-se dela, mas antes que chegasse tão perto para tocar-lhe a face, Itachi o impediu.

- Não toque na minha mulher! – Segurou-o pelo punho com violência e fitando-o bem fundo dos olhos, falou-lhe ameaçadoramente. – Não terá outro aviso...

Sasuke estava pasmo com aquela situação, sua noiva agora estava sob os cuidados de seu irmão mais velho. Isso era impossível!

Mas verdade...

Seu orgulho estava ferido, a mente atordoada e principalmente, a dor de cotovelo era imensa. Por isso, antes de partir pela porta principal, numa atitude mesquinha e egoísta disse em alto e bom tom.

- Você é minha, Sakura. – E depois de deixar escapar um risinho abafado, continuou. – Você sabe que ainda me pertence... – E desaparecendo na escuridão da noite, suas últimas palavras foram. – Lembra como você gemeu alto pra mim hoje de manhã? ...

Você ainda é minha!

Por essa ninguém esperava...

Sakura ficou estática, olhando para a porta por onde ele saíra terminando de estragar sua vida, novamente.

Quando finalmente acordou do torpor causado pelas horríveis emoções, sentiu o olhar dele sobre si e temeu o porvir.

Estremeceu ao som da pergunta que viera em seguida.

- Isso é verdade?

Lentamente deixou que seus olhos encontrassem os dele e por um segundo temeu-o. Itachi parecia tão gélido. A expressão de sempre, mas no fundo de seu olhar ela podia sentir a intensidade do ódio que emanava.

- Sakura! – Acordou-a de suas divagações com seu tom de voz frio e aquele olhar impassível por baixo de uma sobrancelha arqueada. – Sasuke tocou em você?

Ela não conseguia articular qualquer palavra, então balançou a cabeça em sinal de aprovação. E quando se deu conta, ele havia rapidamente pego as chaves do carro e rumando em direção à porta, disse-lhe.

- Você fica aqui!

- Aonde você vai...? – Gritou ela, mas ele já havia dado partida e numa velocidade alucinante seguiu caminho atrás de seu outou-to.

...

..

.

10 minutos depois...

-Kami-sama, por que Itachi não atende o celular? – Estava apreensiva, andando de um lado para outro da enorme sala de estar. – Atende, por favor...

Após diversas tentativas frustradas de entrar em contato com seu futuro marido, finalmente discou o número para o qual jurou nunca mais ligar, entretanto esse caso era uma emergência.

Primeira tentativa: nada.

Segunda: ainda nada.

Terceira...

- Sakura? – A voz alterada, não acreditava que ela o estava procurando. -Meu amor...

Continuaria, mas foi asperamente cortado por ela. – Mas que droga, Sasuke! Para com isso, eu te odeio, seu cretino! Você arruinou com a minha vida de novo!

- Sua vida? – Perguntou indignado. – E quanto a minha, hein? Sakura, você não entende, você é minha e eu não vou desistir entendeu?

- Cala a boca! – Irritou-se e com a voz muito alterada, avisou. – Itachi saiu depois que soube daquilo. Acho que ele está atrás de você!

- Sakura, não se preocupa... Mas que droga!

- Que foi isso? Que barulho é esse? – Indagou Haruno preocupada ao ouvir o estrondo repentino do outro lado da linha.

- Merda, Itachi! – Sasuke aos berros com o irmão. – Ta nervosinho só porque soube daquilo? – Deu uma bela gargalhada antes de continuar gritando as provocações para o irmão mais velho pela janela do carro em movimento. – Você tinha que ouvir como ela chamou meu nome, várias vezes...

E aquelas foram as últimas palavras que Haruno escutou do outro lado da linha, antes que o inevitável acontecesse.

Uma freada brusca.

Um estrondo violento.

Um grito.

Fim da ligação.

Continua...

Prox. Cpt: Não há dúvidas!


Oi, flores :)

Bom, taí mais um cpt da Itasaku, espero que tenha sido uma boa leitura :)

Se deixarem um review antes de partirem, ficarei super feliz :D

Beijinhos

Hime-chan