"A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte".
Oscar Wilde
Capítulo 9
A fragilidade de Sakura
Em uma tarde qualquer de sábado...
- Sakura-chan, que bom que aceitou meu convite para almoçar. – Sorriu tímida. – Quase não temos tempo para conversar no hospital, a pediatria é sempre bastante agitada.
Adorava aquela amiga, Hinata com seu jeito meigo e recatado conquistava facilmente a amizade de qualquer pessoa. E Haruno não fugira à regra: rendera-se ao carisma dela desde o início da Faculdade de Medicina, que cursaram juntas. Sempre que podia trocar uma palavra ou outra com a morena, fazia questão de colocar os assuntos em dia. E novos assuntos elas sempre possuíam.
- Claro, Hinata-chan, eu adoro sair com você. – Fez uma careta enquanto fitava o apetitoso mousse de chocolate à sua frente. – Só é uma pena que eu esteja tão enjoada essa semana. Nem agüento nem olhar pra isso! – Fez um sinal para o garçom se aproximar e pediram a conta. – Então, como está o seu lance com Naruto-kun?
Era sempre a mesma coisa, Hinata não podia ouvir o nome do Uzumaki que corava instantaneamente. Era apaixonada pelo loirinho há anos, mas nunca tivera coragem de se declarar, até que semana passada...
- Sakura-chan... – Ficou ainda mais vermelha ao notar que Haruno prestava muita atenção nas reações da amiga. – Naruto-kun me pediu em namoro...
- Ah! Kawaii! – O grito de felicidade da rosada podia ser ouvido por toda Ásia. – Que felicidade! Até que enfim aquele baka te pediu em namoro! Pensei que fosse levar a vida toda! – Disse sorridente, dando uma piscadela faceira para sua amiga.
E já temendo um novo repente histérico de Sakura, Hyuuga mudara completamente de assunto para astutamente tirar-se do foco das atenções. – E você e Itachi-san, quando vão se casar?
Assim que cada sílaba do nome dele penetrou-lhe os ouvidos, começou a sonhar, esquecendo-se completamente do assunto HinaNaru, e concentrando-se apenas em SakuIta. – Ah Hinata-chan... – A expressão sonhadora, olhar perdido no brilho da magnífica pedra de seu anel de brilhantes que ele lhe dera. – Não falamos ainda sobre datas... Mas realmente não estou preocupada com isso agora, temos tantas coisas pra acertar antes de casarmos... – Abriu um sorriso lindo ao lembrar-se dele. – Estamos tão felizes essas últimas semanas que nem percebemos que não somos casados, afinal pra isso só falta assinar um papel.
Hyuuga admirou a felicidade de sua amiga. Nunca imaginara que Sakura algum dia esquecer-se-ia de Sasuke e que logo, dentre todos os homens do mundo, ela se apaixonaria pelo irmão dele. Estava feliz por sua melhor amiga, acompanhou o sofrimento de Haruno por causa das aprontas do Uchiha mais novo e por isso, sabia que ela merecia, mais do que ninguém, ser muito feliz. E pelo que Haruno havia lhe contado, Sasuke já não lhe procurava mais desde o incidente entre os irmãos, em que Itachi deixou bem claro que não deixaria barato caso ele tornasse a incomodar sua mulher.
Haruno caiu em si, assim que notara que Hinata esperta mudara de assunto facilmente, dissimulando o que havia acontecido entre ela e Naruto. E quando deu por si, viu Hinata arrumando sua bolsa para ir para casa. – Ah não! A senhorita ainda não me contou sobre o Naruto-kun. O que vocês dois andam aprontando hein? Quero saber tudinho...
Hinata corou novamente, e muito sem graça, escondendo o rosto nas palmas das mãos, balançou a cabeça de um lado para o outro freneticamente. – Sakura-chan... – Murmurou baixinho. – A gente só... se beijou até agora... – Disse num fio de voz, se Haruno não estivesse muito compenetrada no que Hyuuga estava dizendo, provavelmente não ouviria.
- Sugoi! – Levantou da cadeira num pulo repentino para abraçar a amiga. – Hinata-chan, estou tão feliz por vocês dois! Kawaii, Hina-chan, futura senhora Uzumaki, quem diria hein. – Disse brincalhona, cutucando a amiga, que a essa altura estava mais vermelha que um tomate.
...
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Após despedir-se de Hyuuga, Haruno seguiu para o apartamento de Itachi, que na verdade, passara a ser sua nova moradia desde de que voltaram das férias nas Montanhas há cerca de um mês. Desde a última vez que vira Sasuke naquele encontro infeliz...
No caminho de casa, passou por um amplo mercado e comprou uma dúzia de flores campestres. Adorava decorar o luxuoso apartamento de seu noivo com aquelas maravilhas perfumadas e Itachi por sua vez, apesar de nada falar, orgulhava-se e maravilhava-se com a forma como ela estava desenvolta em sua mais nova casa. Surpreendia-se toda vez que via sua pequena mudando móveis de lugar, porque lera em alguma revista feminina sobre as mais atuais notícias sobre Feng Shui ou de como ela ficava linda passeando pelo local, enquanto cantava e espalhava flores por todo canto da casa em lindos vasos decorados.
Um casal perfeito...
Pensava Haruno, perdida em seus devaneios sobre seu achado. Porque Itachi fora um achado. Um precioso tesouro que gostaria de manter para o resto de sua vida.
Entrou distraída no elevador, apertou o botão para subir até a cobertura e estava tão sonhadora, perdida em seus próprios pensamentos que nem percebera que não estava sozinha.
Pelo que parece, a paz não é duradoura na vida da moçoila...
Percebeu isso quando uma voz rouca chamou-lhe atrás de si ao pé do ouvido, enquanto duas mãos másculas lhe circundavam fortemente sua cintura, aproximando-a vorazmente de si. – Sakura...
A rosada estremeceu ao notar que aquela voz pertencia a Sasuke, seu inferno pessoal.
Virou-se vagarosamente para fitá-lo. E quando os ônix encontram as esmeraldas, o frágil coração atordoado bateu acelerado com o que constatara. – S-sasuke... O q-que você tá fazen...
- Shiii... – Pressionou o corpo dela no canto do elevador, mantendo-a submissa sob seu forte enlace. – Só assim eu consigo me aproximar de você, não é? – um sorriso cínico estampou em sua face já praticamente recuperada dos ferimentos que sofrera na luta contra seu irmão mais velho.
- Como eu senti sua falta... – Disse-lhe baixinho, sentindo o perfume feminino em seu pescoço. Deixou que a ponta de seu nariz passeasse pela superfície da pele dela, enquanto a mantinha completamente subjugada em seus braços. – Sakura... – Chamava o nome dela baixinho, dando-lhe beijinhos em toda extensão do colo nu debaixo do bonito decote do vestido que usava, subindo em direção à boca rosada. Quando a encontrou, tentou tomá-la para si, entretanto sua dona esquivou-se ligeira, livrando-se rapidamente de seus braços, pulando para o outro lado do elevador, torcendo para que este chegasse logo em seu destino e ela pudesse correr para fora dali.
Deixou que a bolsa e as flores caíssem de suas mãos, espalhando-se por todo local. Assim que um clic a avisou que o elevador havia chegado na cobertura, correu o mais rápido que pôde para alcançar a porta do apartamento, para afastar Sasuke de si.
No entanto, ele a frustrou no meio do caminho, agarrando seu braço com força assim que chegara à porta, pressionando-a contra o madeiramento maciço da imensa superfície dupla do apartamento de Itachi.
Sasuke a manteve sob seu forte e ameaçador enlace por longos segundos, enquanto fitava curioso os orbes marejados de Haruno. – Por que você ta fugindo de mim, Sakura?
- E-eu não q-quero, S-sasuke... – Algumas lágrimas já escorriam pesadas. – Me deixa em paz, por favor... Eu não te quero mais... eu amo seu irmão!
A última frase ecoou nos ouvidos dele asperamente, eram palavras cortantes demais, não conseguia aceitar que ela não o desejava mais, que não fazia mais parte da vida dela. Que a havia perdido para seu aniki.
Sasuke ficou sério, encarando-a bem próximo, irritado por ela estar se debatendo em seus braços tentando fugir dele.
Perder definitivamente não era algo ao qual estava acostumado...
E por mais que tivesse esperado quase um mês para aproximar-se dela na melhor oportunidade que teve, quando ela estava completamente sozinha e quando seu aniki estaria com certeza no escritório de advocacia trabalhando num caso importante junto com seu pai, ainda assim, no dia perfeito, ela não cooperava.
Haruno não queria conversar.
Não perdoaria sua traição.
Não voltaria mais para ele.
Sasuke nunca mais a teria como mulher...
Sim, nesse momento Sasuke teve certeza de que a havia perdido para seu irmão.
Isso o matava por dentro.
A perda.
O orgulho ferido.
A rejeição.
A maldita perda!
Não, ele não aceitaria perder para Itachi.
Nunca!
Afinal, Haruno sempre fora dele e ela somente poderia deixá-lo se ele assim o permitisse. E não fora o caso. Portanto, recuperaria a todo custo aquilo que o pertencia.
- Vem cá... – Tomou-lhe a boca de forma selvagem, forçando caminho para o seu interior, esperando ser, em algum momento, correspondido.
Mas não o fora...
Em vez disso...
- Droga, Sakura! – Amaldiçoou Haruno quando sentiu o lábio inferior mordido por ela.
E nesse instante, por causa de um momento de distração de Sasuke, Haruno teve tempo de sair de seus braços e correr para porta do apartamento. Muito nervosa, conseguiu abri-la, colocando-se rapidamente em seu interior e tentou trancar-se lá. No entanto, ele foi mais rápido e com um empurrão violento, impediu que ela o deixasse trancado do lado de fora.
- S-sauke ... – A voz feminina tremulava. – P-por favor... vai embora... – Ela estava ficando preocupada, ele estava tão assustador e parecia muito motivado em conseguir o que queria. Aproximava-se dela devagarzinho, fitando-a com um brilho totalmente novo no olhar. – Vai embora... Por favor...
- Não, amor... – Respondeu sarcástico, dando passos em direção a ela, enquanto Haruno se afastava cada vez que ele se aproximava. – Ah... não vou não... Você é minha, Sakura! – E subitamente, agarrando-a pelos braços, disse-lhe num tom nunca antes ouvido. Um misto de sarcasmo e ameaça. – Seja uma boa menina... Nós vamos nos divertir como sempre nos divertimos... Você sempre gostou... Lembra?
E suas últimas palavras a assustaram tremendamente sobre o porvir que a esperava.
- Depois de hoje, meu amor, você nunca mais vai desejar outro homem. Meu aniki será apenas uma lembrança infeliz que talvez você guardará, mas seu dono continua sendo eu.
Eu vou te provar isso!
Haruno estava assustada demais para conseguir raciocinar. Somente dava passos para trás, tentando afastar-se dele.
Seus olhos arregalaram-se quando Sasuke fechou a porta atrás de si esboçando na face um sorriso tremendamente malicioso, e lentamente se aproximava deixando que seu olhar passeasse por toda extensão de seu corpo frágil.
- Você vai me escutar agora! – Segurou-a firme pelos ombros e disse-lhe sincero. – Eu não te trai com a Karin!
Haruno não sabia o que dizer sobre aquela declaração tão surpreendente. Como assim não a havia traído com Karin? Eles sumiram durante meses e quando Sasuke finalmente retornou, simplesmente achou que podia voltar para Sakura, dizendo-lhe que não a traíra?
- Mas... – Sakura estava confusa e com medo, num misto de diversas emoções. – Eu vi... Vocês se beijando... E depois você foi embora...
- Não tive escolha, Sakura... – Fechou os olhos, mantendo-a sob seu forte enlace, para dizer-lhe num tom baixo, porém cheio de emoção, enquanto certas lembranças vinham à tona naquele exato momento. – Aquela maldita ta me chantageando...
Sakura ficou boquiaberta. Sempre indagou a si mesma, por tantas e tantas vezes o porquê dele tê-la abandonado tão subitamente. Nunca lhe passara pela cabeça que Karin pudesse ter um trunfo tão forte nas mãos a ponto de fazer o todo-poderoso Uchiha Sasuke render-se a ela. Entretanto, a seriedade nas palavras dele não podia de forma alguma ser ignorada.
Estava dizendo a verdade.
- Confia em mim, Sakura... – Falou baixinho no ouvido dela, deixando que suas mãos deslizassem lentamente pelos braços femininos, chegando à frágil cintura de Haruno. Puxou-a para si e abraçou-a como sempre gostou de fazer e como sempre o fizera. Adorava aspirar o doce perfume dela. – Eu nunca te trairia com aquela mulher, Sakura... Você sabe que não... Me dá um tempo pra eu resolver as coisas com essa maldita e a gente pode tentar de novo... – Beijou-lhe ternamente os lábios rosados, para finalmente concluir sua bombástica declaração fitando seriamente aqueles orbes verdes confusos pelas verdades recém-descobertas. – Eu sempre te quis e não vou deixá-la com outro homem... Nunca!
- Sasuke-kun... – A voz fraca, a mente atordoada, não sabia exatamente como agir. – Eu acredito em você...
O Uchiha ficou tão aliviado, pensou que Haruno não acreditaria na veracidade de suas palavras. Imaginou que talvez fosse mais difícil convencê-la de que realmente estava com problemas e que Karin, como ela havia pensado, não era sua amante, mas sim sua carcereira.
- Oh Sakura... – Um fino sorriso esboçou nos lábios masculinos, sua expressão de alívio era evidente. – Eu sabia que quando você me ouvisse, compreenderia. Você sabe que eu nunca sumiria sem te avisar. Aquela mulher ameaçou revelar um segredo sobre meu ...
Continuaria sua revelação, entretanto Haruno o impediu. – Sasuke, se está com problemas, podemos te ajudar... Você não é obrigado a ficar à mercê de ninguém. – Colocou a mão direita em cima do ombro dele e continuou benevolente. -Sabe que pode contar comigo, serei sempre sua amiga...
Não era nem de perto o que o Uchiha pretendia ouvir da mulher que desejava ter em sua vida, em sua cama e sob sua proteção.
Definitivamente não queria sua amizade.
Ele queria tudo!
- Sakura! Eu já disse que não quero ser seu amigo. – Falou sério, mantendo-a em seus braços, aproximando-a mais e mais para finalmente falar-lhe ao ouvido. – Eu quero você completamente. Já disse que não pretendo te deixar com meu aniki, você pode parar com esse joguinho de me fazer sentir ciúmes. – Afastou-se um pouco para fitá-la arqueando uma sobrancelha em seu rosto perfeito. - Eu já entendi tudo, você ta fazendo isso por uma vingancinha estúpida contra mim. Tudo porque achou que tivesse sido trocada pela Karin. Bom, sua vingança fez efeito. Fiquei com ciúmes. Pronto, reconheço! Mas agora, chega! Essa palhaçada chegou ao fim.
Haruno ficou indignada. No instante em que Sakura ouviu as duras palavras dele percebeu que o amor que nutriu por Sasuke durante tantos anos foi em vão. Ele nunca a amou de verdade. O que o unia a ela era definitivamente um sentimento doente de possessividade que anteriormente ela não conseguia enxergar, mas agora podia ver com total clareza. Apesar de não ter sido realmente abandonada e uma questão muito séria houvesse separado seus caminhos, Sakura sabia nesse exato instante que Sasuke nutria pura e simplesmente posse por ela. Ela era um troféu, um motivo de disputa, algo que ele precisava imediatamente tomar de Itachi.
- Sasuke... – Sussurrou afastando-se lentamente dele. – E-eu... – A voz falhava, as pernas bambeavam, a coragem sumia. Até que a imagem do homem que lhe dava amor e segurança lhe veio subitamente à mente, dando-lhe forças para continuar seu discurso. – Não estou com seu irmão porque você me abandonou... Ou por vingança contra você... Ou porque não havia ninguém melhor ou qualquer outra bobagem que você esteja pensando... – Olhou-o decidida e prosseguiu. – Estou com seu irmão porque eu o amo!
Sasuke ficou transtornado com o que acabara de ouvir. Era impossível, não podia ser verdade. Entretanto, a certeza absoluta foi confirmada quando ele se aproximou novamente dela para tentar dissuadi-la daquela idéia insana e voltar para ele. Mas ela se afastou, ameaçando ligar para Itachi.
- Sasuke... – Fitou-o séria. – Se você precisa de ajuda, Itachi e eu estamos aqui para ajudar você, em breve seremos da mesma família... – Uma sobrancelha arqueou no rosto da rosada. – Mas, coloque na sua cabeça de uma vez por todas: Eu não vou voltar pra você!
E decidida, prosseguiu num tom firme. – Por favor, vai embora agora. Se você quiser conversar comigo, será sempre bem vindo, mas hoje não... E nunca quando eu estiver sozinha... Venha quando Itachi estiver em casa, marque uma hora e aí...
Após aquelas últimas recomendações secas, o Uchiha não conseguia mais se manter calmo. Marcar hora? Perguntou-se irônico, desde quando Uchiha Sasuke marcaria hora para encontrar-se com a mulher que lhe pertencia?
Nunca!
Sasuke ficou furioso com a audácia dela. Maldita! Você pensa que pode me dar o fora? A mente borbulhava de ódio, estava cego pelo orgulho ferido. Caminhou a passos firmes em direção a ela, que continuava séria pedindo que ele se retirasse. Agarrou-a violentamente pelos ombros e fitou bem no fundo de seus orbes verdes. – Eu não vou marcar hora alguma!
Sacudiu-a para aterrorizá-la, jogou-a bruscamente no sofá e perguntou-lhe grosso. – Será que você não entende?
Você é minha!
Haruno tentou levantar-se, mas ele a impediu. Colocou-se por cima dela, pressionando-a contra o sofá, imobilizando-a completamente. – Pára de tentar fugir. – Disse sério, segurando os pulsos femininos sob um enlace forte. – Você só está confusa... Eu entendo... Mas, depois do que fizermos hoje, você não terá mais dúvidas de que é comigo que quer ficar.
Tais palavras soaram cortantes aos ouvidos de Haruno, que estava submissa aos desejos insanos de um homem que parecia nem ao menos ligar para o que ela dizia querer ou não.
Tremeu ao sentir a língua masculina percorrer por toda a extensão de seu pescoço e chegar até sua boca. Ele a beijava faminto, voraz, seus beijos eram insanos...
- Sasuke, me larga! – Sacudia-se, reclamava, lutava contra aqueles carinhos indesejados. Mas era inútil. Ele era infinitamente mais forte que ela.
- Oh... – Murmurou baixinho, apreciava o som da voz feminina e mesmo que clamasse em negação, não podia negar que a recusa dela oferecia a cada segundo um prazer maior a ele. – Sakura... – Rasgou a alça do vestido dela, mantendo-a presa sob si, enquanto tomava em sua boca um de seus seios.
- Não! – Agitava-se sob ele, algumas lágrimas rolavam pesadas em seu rosto. – Me solta! Eu não quero!
- Ah você quer sim... Diz que não quer isso? – E mordeu-lhe o seio, sugando-o com força, enquanto sua mão procurava partes mais sensíveis de Haruno.
- Não, eu não quero! – e num deslize de Sasuke, ela conseguiu se soltar e correr desesperada em direção à porta, segurando parte do vestido retalhado que sobrara sobre seu corpo.
Correu numa urgência incrível até que alcançou a porta e abriu-a, no entanto ao tentar sair, fora rispidamente agarrada pela cintura e puxada de volta para dentro, enquanto via impotente a porta fechando-se atrás de si.
...
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No escritório de Advocacia da Família Uchiha no centro de Tokyo...
O celular de Uchiha Itachi tocou interrompendo uma reunião importante entre os sócios e alguns clientes influentes.
Pensou em ignorar a chamada quando olhou o visor e percebeu que não reconhecia o número. Mas algo lhe dizia para atender... Se acreditasse em pressentimentos, diria que acabara de ter um. Mas preferia não acreditar em crendices populares.
- Sim?
- Uchiha Itachi? – Uma voz feminina perguntou do outro lado da linha, parecia impaciente.
- O próprio... Quem está falando?
- Meu nome não interessa... – Itachi arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquelas palavras audazes da mulher desconhecida. - O que vou te falar é uma informação de seu interesse: Sua noivinha querida está em perigo, é melhor correr pro seu apartamento antes que seja tarde demais...
Desligou o telefone antes mesmo que ele pudesse dizer alguma coisa.
Ficou intrigado, não costumava preocupar-se com assunto algum, entretanto foi o nome de Haruno que havia sido mencionado ao telefone. Se o que a mulher misteriosa do telefonema estivesse falando a verdade, Sakura estava em algum tipo de situação difícil, e ele não poderia arriscar deixá-la à mercê de qualquer um que fosse.
Discou rapidamente o número dela, mas não conseguiu encontrá-la. Maldita caixa postal! Amaldiçoou silencioso. Discou o número de sua casa, porém ninguém atendia.
Aquilo começou a preocupá-lo internamente.
Discou o número da portaria de seu prédio, mas ninguém atendera. Aquela velha do 10º andar deve estar monopolizando o porteiro de novo! Amaldiçoou a vizinha.
Maldição! Despediu-se dos presentes rapidamente com a desculpa de que um problema surgira e merecia sua atenção, e partira ligeiro em direção ao seu apartamento. Tentou diversas vezes falar com Haruno, mas ninguém atendia.
Dirigiu insanamente pelas ruas do centro movimentado, evitando as avenidas principais para que chegasse o mais rápido possível em seu destino. A preocupação com sua noiva estava corroendo-o por dentro, acabando com sua paz.
Quando finalmente chegou à garagem do luxuoso prédio, estacionou e rumou rapidamente para o elevador. Surpreendeu-se com o que vira: o chão repleto das flores preferidas de Haruno e sua bolsa jogada ao canto.
Apreensão o tomava, a espera até a cobertura estava durando uma eternidade.
Assim que chegara em seu destino, o coração apertou quando notou a porta do apartamento escancarada.
Sakura...
Caminhou a passos largos, nunca temeu nada em toda sua vida. Mas a possibilidade de algo terrível ter acontecido à sua pequena, o estava matando. Não poderia viver se soubesse que ela não estava a salvo, que havia chegado tarde demais para impedir...
- Sakura...
O nome feminino escapou-lhe baixinho, horrorizado com a cena que vislumbrara e odiando-se por não ter conseguido evitar aquilo.
Em posição fetal, tremendo e chorando no chão da sala.
Seu vestido florido rasgado, marcas vermelhas estampavam grande parte de sua pele alva.
Uma imagem horrível de se ver...
O impacto da cena o pegou de surpresa. Jamais imaginava algo tão doloroso ter acontecido a ela. Tão logo se recuperou do efeito que aquela imagem terrível lhe causara, aproximou-se, tocou-lhe levemente o rosto e chamou novamente seu nome.
- Sakura...
Ela não respondia. Seu olhar perdido em algum ponto imaginário no chão da sala. Ouvia uma voz chamar-lhe, mas o som parecia tão distante...
Está em choque... Pensou atordoado, precisava levá-la ao hospital o quanto antes.
- Sakura! – Chamou-a novamente, erguendo a parte superior de seu corpo frágil e tomando seu rosto alvo na proteção de suas mãos. – Olha pra mim! – Fitou-a profundamente em seus orbes esverdeados, chamando várias vezes pelo seu nome. Até que...
- I-ta..chi... – Silabou seu nome com dificuldade, sua visão turva pouco a pouco conseguia focalizar o rosto dele. A mente antes vazia, evitando lembrar dos momentos horríveis que acabara de vivenciar sob a tutela de seu cruel algoz, agora só conseguia vislumbrar a imagem do homem que amava. – I-ta-kun... – Sussurrou novamente numa voz entrecortada, saindo finalmente do torpor das sensações, agarrando-se a ele fortemente, enlaçando seus braços no entorno do pescoço masculino, enquanto diversas lágrimas escorriam pesadas pelo rosto.
Ele a abraçou forte, ambos sentados no chão, acarinhou seus cabelos rosados, deixando que ela chorasse em seu peito. Os soluços de sua amada o incomodavam demasiadamente. Quando eu descobrir quem foi o canalha... Sua mente já elaborava formas, das mais diabólicas, sobre o que faria assim que encontrasse o cretino que havia violado sua pequena.
- Sakura... – Chamou baixinho, puxando seu rosto pelo queixo. – Quem fez isso com você?
Os profundos orbes esverdeados encheram-se de lágrimas, os soluços recomeçaram altos, enquanto tentava sem sucesso articular uma resposta.
– Ah.. eu n-não .. foi.. horrível... e-eu sinto.. muito.. ta doendo tanto... Argh!
Levou as mãos ao ventre e começou a chorar desesperada ao vislumbrar uma pequena quantidade de sangue escorrendo por entre suas pernas. – Agrh! – Encolheu-se no colo masculino e pediu baixinho. – Me leva pro hospital...
Desmaiando nos braços dele completamente exausta.
Continua...
Proximo capítulo: Para o final de Janeiro.
Ok flores! Finalmente consegui repostar todos os cpts (prontos) dessa Itasaku *ufa* Deu trabalho!
mas vamos ao que importa! E então, o que acharam do cpt? *super tenso neh...* Bem, as coisas ficaram difícies pra nossa heroína... Sasuke foi um cretino!
Bom, como o Ita irá reagir e o que virá após isso tudo,ainda é inédito e pretendo postar a continuação no finalzinho deste mês ;D
É isso aí, flores, muito obrigada aos que acompanham, se deixarem um recadinho eu darei pulinhos alegres ;)
Beijinhos
Hime-chan.
