Já era época de Natal e em breve estaria com Harry e Ron na Toca a festejar e a matar as saudades. A minha família também tinha sido convidada por Mrs. Weasley para ir lá passar o Natal, o que era óptimo para mim, pois não teria de optar.

Sai do trabalho quase à hora do jantar e estava sem a mínima vontade de cozinhar. Decidi, portanto, ir até à Diagon-Al. Enquanto caminhava pelas ruas estreitas, espreitava para os poucos cafés abertos e inspirava, mas ainda não me cheirava a jantar. Continuei a caminhar e olhar as montras: um livro de capa dourada chamou-me a atenção com as letras encarnadas salientes "As melhores tácticas do quidditch dos tempos modernos" de Hannah Wolfman. Subitamente lembrei-me de Harry, era perfeito para lhe oferecer no Natal. Mas às tantas ele nem iria ler o livro. Entrei na loja que tinha a porta entreaberta.

- Desculpe, será que tem mais exemplares daquele livro que está na montra? – perguntei ao senhor baixinho.

- Penso que ainda tenho um exemplar lá dentro! – disse, sorridente, retirando-se da minha vista. Um minuto depois voltou com o livro na mão. – É único, menina, teve uma grande sorte, porque estes livros têm voado completamente. – disse, esperando interiormente que eu não mudasse de ideias.

- Vou levá-lo. – disse-lhe, tirando a carteira da mala.

Não dei pelo tempo passar e pelo escurecer das ruas enquanto via as restantes montras já enfeitadas para o Natal. Senti uma mão forte sobre o meu ombro. Questão de milésimos e eu já me tinha virado e fitado aquele rosto desconhecido e medonho. Virei-lhe costas e tentei seguir o meu caminho por uma rua mais iluminada. Mas agora estava encurralada não por um homem mas sim por três homens com rostos desagradáveis e assustadores.

- Onde vais, cara linda? – perguntou-me o primeiro homem.

Decidi não responder. Mas o facto de não lhe responder estava a atiçá-lo ainda mais. Vi-o olhar o meu corpo de cima a baixo e então prendeu os olhos pretos e pequenos no meu peito. Estava completamente enojada com a situação, mas não tinha como escapar. Agora o homem mais alto aproximava-se de mim, puxando-me pela cintura contra ele, senti o cheiro a cerveja da boca dele, mais um pouco eu jurava que vomitaria.

- Largue-me imediatamente! – ordenei, tentando manter firmeza na voz. O efeito pareceu exactamente o contrário, uma vez que ele se riu e aconchegou ainda mais o meu corpo ao dele.

O último homem tirou-me dos braços do outro e encostou-me contra a parede gelada. Não contive um grito quando ele me beijou o pescoço desesperadamente e colocou uma mão por dentro da minha camisola, agarrando os meus seios com força. O acto fez-me gemer de dor. Naquele momento fiquei sem reacção sem conseguir me lembrar de nada, nem sequer da minha varinha que estava no bolso das calças.

- Vocês aí! – disse uma voz ríspida que me era familiar mas não tanto para eu reconhecer de imediato. – Têm algum problema com ela?

A voz conhecida fez-me girar o pescoço na direcção dela. O homem automaticamente largou-me e os outros já tinham ido embora. Aproximei-me da pessoa que me tinha 'salvo' para agradecer.

- Eu acho que te conheço… – eu ainda não lhe tinha visto o rosto. Aproximei-me para ver a cara. Estava escuro.

- Não sei o que andas a fazer por aqui, Granger – disse o rapaz e eu reconheci logo a pessoa.

- Malfoy? Porque fizeste isso? – senti a raiva do passado apoderar-se de mim.

- O quê? Salvar-te? – perguntou, irónico.

- És tão imbecil! – disse repentinamente.

- Não tens de quê, Granger. Eles deviam estar a divertir-se imenso – disse-me entre risos, fitando o meu decote.

- Eu odeio-te Malfoy!

- Ainda bem, porque assim é recíproco. – ele nunca perderia aquela arrogância.

Sai da viela, tentando manter um passo firme e ainda o ouvi dizer:

- Para a próxima vê se tens mais cuidado, Granger, pode ser que o Super-Homem não esteja por perto para te salvar!