Isto não poderia estar a acontecer comigo. Enfiei-me por uma viela, receosa de voltarem a aparecer aqueles três homens, mas ao mesmo tempo ansiosa por me ver livre daquele loiro sem escrúpulos, arrogante. Rapidamente cheguei a casa. Abri a porta e pousei as chaves na mesa da entrada, atirei com a mala para cima do sofá, furiosa, e deixei o meu corpo cair com a mesma violência no sofá.
Precisava de falar com alguém e esquecer tudo o que se tinha passado. Maldita a hora em que decidi ir até à Diagon-Al. Como é que eu poderia me ter esquecido que aquela zona nunca deixaria de ser negra? Uma zona de perigos… Isso não mudaria só porque o Voldemort tinha sido derrotado e eu já devia de saber disso. Estúpida!
Subitamente lembrei-me de Ginny. Já era tarde para eu estar a ir ter com ela ou convidá-la para ela vir aqui. Por isso, decidi deitar-me e na manhã seguinte quando chegasse ao ministério iria falar com ela. Dirigi-me para o quarto e peguei no livro que estava na mesinha de cabeceira e comecei a ler na parte onde tinha ficado.
Eu não tinha, obviamente, perdido o hábito da leitura. Acho que isso nascera comigo. Continuava a devorar livros como nos tempos de Hogwarts. No entanto, agora os livros não eram só para aprendizagens mas mais para entretenimento.
Na manhã seguinte acordei com o despertador. Levantei-me de imediato e fui tomar um duche. De seguida tomei o pequeno-almoço na cozinha, sozinha. Lembrei-me do quão frustrante era estar sozinha e fazer tudo sozinha naquela casa. Mas fui eu quem optara por não continuar a viver com os meus pais. Já era uma mulher independente e tinha de me comportar como tal.
Apanhei o metro que ficava mesmo na esquina da rua de minha casa. Podia perfeitamente ir a pé, pois o ministério ficava a quinze minutos, mas eu preferia várias vezes ir de metro, não só pelo tempo horrível que estava, como também pelo facto de que eu adorava ir a observar as pessoas à minha volta. Outro hábito que eu não perdera. Durante o minúsculo tempo que eu estava no metro, observava as pessoas apressadas para chegarem à paragem de destino, a lerem livros, ouvirem música e outras ao telemóvel. Apesar de ser filha de pais Muggles eu acho que nunca entenderia os Muggles por desperdiçarem tanto tempo ao telemóvel.
Cheguei ao ministério vinte minutos antes da hora de entrar ao serviço. Decidi ir à procura de Ginny, os acontecimentos da noite anterior ainda estavam presos na minha mente. Não foi difícil encontrar Ginny, pois todos os dias à mesma hora ela já estava sentada no bufete do ministério a comer pão com recheio de framboesa e um café. Eu nunca entenderia como ela gostava daquela compota toda no pão.
- Olá, Ginny! – disse, sem reparar no meu tom de voz desanimado.
- Estás felicíssima. O que se passou? – perguntou, com recheio à volta da boca. Aquela imagem deu-me vontade de rir, mas contive-me.
- Nem me digas nada. Estou furiosa, Ginny! – disse, puxando a cadeira para me sentar e esticando-lhe um guardanapo para que ela limpasse a boca.
- Diz logo, Hermione! Estás me a deixar preocupada.
- Ontem fui à Diagon-Al depois de sair do trabalho.
- O que foste lá fazer tão tarde? – interrompeu-me.
- Posso falar? – perguntei, irritada. Ela consentiu com a cabeça e revirou os olhos. Já estava tão habituada que tive pena dela naquele momento. Mas prossegui – Então eu fui lá, porque ia comprar umas prendas de Natal que me faltam. Contudo, apareceram-me três homens com um aspecto horrendo, Ginny. E eles tentaram… fazer coisas comigo. Mas tenta adivinhar quem apareceu? O Draco Malfoy! E safou-me desses nojentos!
- Tu não podes estar a falar a sério. – simplesmente respondeu.
- É verdade! Eu nem sei o que é pior se o facto daqueles homens nojentos estarem com as mãos em cima de mim ou ver aquele loiro estúpido.
- Loiro estúpido? Hermione, se ele não aparecesse tinhas sido violada!
- Pois, eu sei. Por um lado ainda bem que ele apareceu. Por outro ele continua a mesma pessoa arrogante e sem escrúpulos.
- Mas ficaste bem? Os outros não te fizeram nada de mais, pois não? – perguntou Ginny visivelmente preocupada.
- Não. Não fizeram nada de mais. – disse, recordando-me das mãos sujas do último homem por dentro da minha camisola, apalpando-me o peito com brusquidão.
- Ainda bem – Ginny fez uma pausa para engolir o último pedaço de pão que tinha na boca - Ele continua bonito?
- Ah? – perguntei, sem realmente perceber.
- O Malfoy. Ele continua bonito?
- Está igual, Ginny. – respondi-lhe, revirando os olhos.
Não tinha pensado no aspecto físico dele depois do que se passara. Deixei as imagens de Draco com braços musculados e de sorriso perfeito virem à minha mente. Já em Hogwarts ele não passava despercebido a nenhuma rapariga, mas agora ele estava muito mais bonito. Corpo de homem, voz perfeita sem falhas, olhar ainda mais sedutor.
Olhei para o relógio e reparei que eram horas de ir trabalhar. Despedi-me de Ginny com um beijo na testa e fui para o escritório. À porta do meu escritório estava Mike a falar com… um rapaz loiro. Calma, Hermione Jane Granger, há mais loiros em Inglaterra.
N/A: Espero que gostem desta fic :) tenho muitos capítulos escritos... mas preciso de um incentivozinho, ou seja, umas reviews :D
