Se eu bem conhecia Draco Malfoy, depois do sucedido ele estava a trepar paredes de raiva. E por incrível que pareça eu tinha vontade de fazer o mesmo, porque durante aqueles momentos em que estive colada ao corpo dele, senti arrepios no meu corpo de desejo. Odiei-me por desejá-lo tanto. Tive vontade de deitar o meu plano de irritá-lo por água abaixo e envolver-me no momento. Mas ele tinha de perceber que Hermione Granger não era uma presa fácil.
Difícil seria no dia a seguir ter de encará-lo. Acabei por adormecer perdida nesses pensamentos. Acordei cheia de vontade de estar com Draco e ver a cara dele. Assim que cheguei ao ministério, nesse dia fui a pé para puder pensar melhor, vi-o com um sorriso nos lábios a tomar um café. Associei o sorriso a um convite e juntei-me a ele para tomar um café.
- Bom dia – disse animadoramente Draco.
Estranhei aquele comportamento. Esperava que ele me espezinhasse de raiva assim que me visse.
- Bom dia para ti também – respondi num tom de voz igualmente animador.
E ele lá fez o meu sorriso favorito. Será que ele sabia como aquele sorriso me deixava tonta? Sem palavras? Ele também não precisava de saber de qualquer das formas. Retribui o sorriso e desviei o olhar. Era desconcertante logo às oito e meia da manhã olhar para um rosto tão perfeito que parecia que tinha sido esculpido pelos anjos. Suspirei e ele riu da minha reacção. Por momentos tive a certeza que ele sabia como palpitava mais rápido o meu coração quando estava com ele.
- Por que raio foste embora ontem?
- Já fiz o que tu querias. Estive contigo, não estive?
- Se estiveste… - disse a sorrir. – Não queres repetir?
- Não venhas, Malfoy. – disse com um tom de voz que me soou alto assim que vi Durston olhar para nós. – Eu não quero ter sexo contigo! – murmurei só para que ele ouvisse.
Draco riu-se cheio de vontade. Ignorei as gargalhadas e fui para o meu escritório com passos pesados. Senti-o atrás de mim e virei-me de frente para ele.
- Vai embora, Malfoy. Estou farta deste jogo teu.
- Quem te disse que é um jogo?
- Eu digo. Agora vai embora trabalhar que é para isso que te pagam! – ordenei irritada.
Será que ele se estava sempre a rir? Precisava de controlar o humor dele, porque já me estava a enjoar ouvi-lo rir a todo o momento. Entrei no meu escritório e vi a papelada toda amontoada juntamente com um recado de Mike.
"Granger,
o Mr. Malfoy pediu-me ontem que te deixasse um recado para ires ter com ele ao escritório de Entidades Mágicas porque precisa de falar contigo. Hoje não vou trabalhar, vou de fim-de-semana prolongado.
Bom trabalho,
Mike Mayer"
"O Malfoy quer falar comigo? Mas ontem ele esteve comigo e hoje também já esteve. O que raios é que ele quer? Merlin me dê paciência." Suspirei e sai da sala em direcção ao gabinete do Draco. Bati à porta levemente.
- Podes entrar, Granger. – disse-me a voz irritante que me tirava do sério.
- O que é que precisas de falar comigo? – perguntei com os braços cruzados.
Draco levantou-se e veio em minha direcção em passos lentos. Era óbvio que ele não queria nada. Que burra, Hermione! Ele só quer passar a vida a irritar-te para se sentir realizado. Respirei fundo, tentando não sair do sério. Draco fitava as minhas pernas atentamente com um sorriso perturbante nos lábios. Como sempre Draco ajeitou sedutoramente a gola da camisa. Tossi levemente para trazê-lo de volta à terra.
- O que é que queres afinal?
- Precisava que visses estes papéis, acho que estão no departamento errado. – disse, levando-me até perto da secretária dele.
Enquanto eu observava os papéis que realmente estavam no local errado, Draco sentou-se na cadeira e com os dedos gelados acariciou a minha coxa. Fixei o meu olhar no rosto dele e ele continuava aparvalhadamente a sorrir de lado enquanto se deliciava a tocar as minhas pernas.
- Uma pele bonita, realmente. – murmurou como se estivesse a falar para ele próprio.
- Importaste de parar de me assediar? – resmunguei, afastando-me do loiro ninfomaníaco que tinha ao meu lado.
Em vão, pois ele puxou-me mais para ele, sentando-me no colo dele.
- Vá lá, Granger, não te faças de difícil. Eu sei que tu queres…
- Eu não quero absolutamente nada, entendeste? – frisei bem cada palavra que proferi.
Levantei-me para sair do escritório, no entanto, Draco já estava com uma das mãos na minha anca. O meu reflexo instantâneo foi levantar a mão para lhe dar um estalo mas ele agarrou o meu pulso com firmeza e riu-se da minha atitude.
- Eu faço contigo o que eu quiser, Granger. És absurdamente fácil sem uma varinha na mão!
Mantive um olhar frio. Preferi não contestar, pois já sabia que ele era doido o suficiente para ter sexo comigo ali naquele momento. Quando ele me largou o pulso, saí da sala e fui para o escritório, sem me esquecer de levar a papelada que me pertencia.
