Ainda não consegui perceber muito bem porquê que foi tão difícil para mim ter de afastá-lo. Estava a gostar da sensação de tê-lo tão perto ao ponto de sentir o seu hálito fresco a menta… E por Merlin, eu odiava-me por ter gostado tanto!

Afastei-o com a mão no peito, de olhos fechados, pois se tivesse a fitar os seus olhos cinzentos eu não saberia se seria capaz de me controlar. Senti a pressão do corpo dele a repreender-me por estar a afastá-lo.

- Pára, Draco! Por favor – pedi-lhe num sussurro, quase suplicando como se estivesse entre a vida e a morte.

Definitivamente eu não estava muito bem para estar a tratá-lo por Draco. Normalmente só nos meus pensamentos é que o concebia como Draco, mas quando falava com ele era Malfoy.

- Por que diabo me mandas parar quando eu sei que tu queres? – perguntou num tom de voz igualmente baixo.

- Eu… - hesitei – não quero... – mas o meu tom de voz trémulo e sem firmeza não soava credível nem a mim mesma.

Draco aproximou os lábios dos meus, mas eu fui a tempo de baixar a cabeça. Ouvi entrarem ruidosamente para dentro do meu escritório, o que foi o suficiente para Draco se afastar imediatamente de mim. Os meus olhos não queriam acreditar em quem estavam a ver: Ellen Rowland.

- Ah, estás aqui! – exclamou ela, colocando a mão na cintura, zangada.

Draco não sabia se havia de olhar para ela ou para mim.

- Vamos? Ou já te esqueceste do que combinamos? – era uma ordem em forma de pergunta. A sua voz tipicamente esganiçada fez-me ficar arrepiada.

- Dá-me só dois minutos – pediu Draco.

- Mais? Draco! Nós combinamos às oito horas, por acaso tu já viste que horas são? – Ellen tinha as bochechas vermelhas de raiva.

- Tudo bem – Draco a render-se tão facilmente? Não era típico dele.

Antes de sair pela porta com Ellen agarrada ao seu braço, Draco olhou para mim e pediu-me desculpas com o olhar. Não sei como é que no momento eu fiquei sem reacção. Fiz de imediato um paralelismo com o dia em que vi Ron e Lavender beijarem-se. Fugi como uma menina mimada nesse dia. Com Draco, porém, não fugi. Mas assisti aquela cena sem sequer abrir a boca. E depois não tive Harry para me reconfortar.

Gostava de poder dizer que tudo o que se tinha passado não me tinha afectado minimamente, mas a verdade é que eu me sentia despedaçada. Mas porquê? Como eu já estava farta de repetir a mesma era apenas um jogo esta história com o Draco! Eu não podia estar assim por ele. Não fazia qualquer sentido e, além disso, havia o facto de ele não merecer.

Depois do meu desgosto com Ron, prometi a mim mesma que nunca mais sofreria por um homem. Não me queria apaixonar nunca mais. Eu era dona dos meus sentimentos e podia dizer que amor nunca mais sentiria por ninguém, desejo sim. E era apenas isso que eu estava a sentir por Draco, desejo!

Após ele sair com Ellen não consegui terminar o meu trabalho. Sentei-me à secretária e vi as horas passarem. Onde estava Ginny quando eu precisava dela? Levantei-me e saí do ministério com passos firmes para ir apanhar o metro. Coloquei os fones nos ouvidos – uma prenda muggle que eu tinha recebido dos meus pais – e deixei os meus olhos aos poucos se fecharem. Visualizei novamente toda a cena de Ellen e Draco. Se fosse apenas desejo eu não me sentiria assim, certo? Trocada e magoada. Era estúpido no mínimo, uma vez que eu não tinha qualquer compromisso com Draco não deveria sentir que fui trocada e muito menos estar estupidamente magoada por dentro.

Eu nunca precisei de Draco para absolutamente nada. Não podia permitir que ele chegasse dois anos depois e desfizesse todo o ódio que eu sentia por ele, ou pior, chegasse e transformasse todo o ódio em amor. Eu e ele nunca funcionaríamos juntos. Draco Malfoy e Hermione Granger simplesmente não combinava. O puro não se misturava com o sujo, como diria Malfoy há uns anos atrás.

Pensei em Ginny e do quanto eu precisava dela nesse momento. Olhei para todos os lados no metro e lembrei-me de apartar na Toca. Contudo, o metro ainda tinha muita gente presente. Sai na paragem para ir para casa, desistindo da ideia de ir falar com Ginny. Ninguém precisava de saber da minha fraqueza.

Assim que cheguei a casa, tomei um banho de água fria e de seguida atirei-me para cima da minha cama. Quanto mais eu afastava aquela figura loira da minha cabeça, mais ela teimava em aparecer. Neste momento, talvez Ellen estivesse a atirar-se para os braços de Draco e ele deixar-se seduzir pela óbvia beleza dela. Muito provável!

Ciúmes… eu não podia estar com ciúmes do Malfoy! Era simplesmente absurdo!


Obrigada a todas que leiam e ainda um OBRIGADA maior às que se dão trabalho de comentar =)
Se quiserem passem nas minhas outras fics... São todas DHr, excepto uma que é HHr!
Espero que neste capítulo mais pessoas se lembrem de carregar nesse botãozinho aí em baixo! ihihihi *.*

Nikax-Granger