Senti as minhas pernas ficarem tensas com o soar da voz dele. E talvez ele tenha percebido isso, uma vez que puxou o meu corpo para mais perto do dele.
- Sim? – a minha voz rouca soou muito insegura.
- Não estás brava comigo? – Draco parecia um tanto surpreendido.
- Deveria estar? – perguntei, levantando um pouco a cabeça para fitá-lo.
- Não é isso. – Draco tentou mostrar-se calmo, mas a respiração ofegante dele traiu-o – Não estás arrependida? – Draco levantou um pouco o corpo para que eu o conseguisse fitar melhor sem esforçar o pescoço.
- Não, não estou – finalmente a confiança e a segurança apoderaram-se da minha voz. E Draco fez novamente aquele meio sorriso que o tornava ainda mais perfeito. Mordi o lábio inferior, a felicidade que sentia era tanta que quase explodia no meu peito. Parecia que todas as inseguranças e receios, todas as barreiras e muros que eu tinha construído, se desmoronavam para deixar aquele novo Draco entrar na minha vida.
Voltei a deitar a minha cabeça no peito nu e soado de Draco e senti novamente aquele cheiro convidativo invadir-me as narinas. Fechei os olhos, absorta nos meus pensamentos. Draco brincava com uns fios do meu cabelo e essa era a última coisa que me lembrava na manhã seguinte. Acordei, sem ter qualquer noção do tempo, permaneci de olhos fechados e novamente os receios da noite anterior invadiram toda a minha pessoa. Estava a tentar reunir coragem para abrir os olhos e verificar se Draco continuava ao meu lado. Contei mentalmente até três. 1, 2, 3… O meu coração quase que saltou quando não vi a figura loira ao meu lado. Levantei meio corpo da cama e suspirei tristemente. Era óbvio que Draco não ficaria ao meu lado para me ver acordar e dar os bons dias com um beijo apaixonado e o tal sorriso perfeito.
Algo interrompeu o meu momento infeliz quando ouvi um estrondo vindo da minha casa de banho do quarto.
- Auch! – aquele guincho fez-me sorrir. Draco estava lá, ainda. Decidi levantar-me e ir ver o que se tinha passado, não sem antes agarrar o lençol e cobrir o meu corpo nu.
- O que aconteceu? – perguntei já dentro da casa de banho.
Draco estava enrolado numa toalha, com o tronco destapado, visão essa que me estava a tirar o raciocínio. O espelho estava embaçado e tinha no mínimo dez toalhas espalhadas pelo chão. A porta do armário de onde essas toalhas tinham caído estava partida.
- Estava a sair do banho e escorreguei. Estupidamente agarrei-me a essa porta – reclamou, apontando para o armário partido – e caí.
Controlei-me para não me rir. Realmente imaginar Draco a escorregar e agarrar-se a um armário para não cair dava-me vontade de rir.
- Tinhas mesmo de me partir o armário? – perguntei em tom de gozo.
- Não fiz de propósito! – disse quase a fazer biquinho.
- Deixa cá ver se te magoaste… - aproximei-me para ver se ele tinha algum ferimento. Draco de imediato levou a mão à cabeça. – Que grande abertura que fizeste aí! – constatei assim que vi o lanho aberto que ele tinha.
- Bati com a cabeça aí – disse, apontando para a esquina do lavatório.
- Anda aqui para o quarto que eu trato disso. – segurei a mão dele e fiz sinal para ele se sentar na cama. Draco continuava com a mão agarrada à cabeça. Abanei a cabeça, escondendo um sorriso. Seria possível que ele fosse tão desastrado?
Peguei na minha varinha e aproximei-me dele para ver a abertura de mais perto. Enquanto murmurei o feitiço, notei que Draco fitava o lençol que tapava o meu corpo com um sorriso travesso.
- Não é seguro que te aproximares tanto de mim. – disse em tom de aviso.
- Não? – fiz-me despercebida enquanto verificava se já estava completamente fechado o lanho.
Draco continuou com um sorriso estampado e puxou o meu corpo para cima dele. Rapidamente baixou um pouco o lençol de modo que pudesse ver os meus seios.
- Draco – queria repreendê-lo mas o nome dele saiu num gemido.
Deixou de fitar os meus seios e começou a beijá-los com desejo como fizera na noite anterior. Queria parar mas ao mesmo tempo queria que ele continuasse porque estava a gostar. Não passou muito tempo até eu começar a perder o raciocínio, o que me acontecia agora frequentemente quando Draco estava por perto.
- Draco – tentei novamente repreendê-lo.
Draco olhou para mim enquanto beijava os meus seios e os agarrava com as mãos. Aquela imagem estava a tirar-me o pouco controle que ainda me restava. As minhas mãos bagunçavam o cabelo dele enquanto lhe beijava o pescoço. Draco apertou as minhas costas de modo a fazer pressão contra o corpo dele. Não tardou até ele tirar o lençol à volta do meu corpo, lançando-o para o chão onde ainda estava a roupa do dia anterior. Será que ele era mesmo insaciável? E eu? Por Merlin! Fiz pressão no tórax dele, deitando-o na cama. Fiquei por cima dele e continuou a apreciar o meu corpo com o desejo estampado no rosto.
Dessa vez foi mais rápido que na noite anterior e nem sequer deu tempo de ficar deitada no peito dele, pois já era quase hora de ir para o ministério.
- Vou tomar banho rapidamente – informei, pegando em roupas limpas do guarda-fatos.
- Eu vou contigo! – Draco ofereceu-se de imediato. Ele reparou que eu ia protestar e então continuou, revirando os olhos – Eu já vi isso tudo.
Dei de ombros e deixei que ele me acompanhasse.
- Nem penses que vai haver brincadeiras, Draco, estamos atrasados! – repliquei quando vi surgir aquele sorriso travesso tão típico dele. Draco não respondeu.
Chegamos ao ministério juntos e eu pude ver que algumas pessoas olhavam para nós com curiosidade, pois sem nos apercebermos estávamos de mãos dadas. Lá porque tínhamos feito sexo duas vezes isso não significava que tivéssemos um compromisso, significava? Revirei os olhos com a estupidez das pessoas em nosso redor e fomos tomar o pequeno-almoço antes de entrarmos ao serviço.
- Por favor, pede o pequeno-almoço por mim, eu vou só à casa de banho. – pedi-lhe enquanto me dirigia à casa de banho mais próxima.
Quando cheguei à casa de banho encontrei Ellen que vestia uma saia curta semelhante à que eu tinha levado no dia anterior e uma camisola de gola alta. Um sapato alto que lhe favorecia as pernas.
- Então tu e o Draco…
Olhei para ela, semi-cerrando os olhos. O que ela queria afinal? Não lhe devia explicação alguma! Draco era solteiro assim como eu. Fazíamos o que bem nos apetecesse e quando nos apetecesse!
- O que tem?
- Andas com ele? – perguntou com a voz cheia de curiosidade.
- Não tens nada a ver com isso. – respondi secamente.
- Tu sabias que eu estava atrás dele, Granger! – ela falou com acusação enquanto eu entrava numa das casas de banho livres.
- Eu não sabia de nada, Rowland. Nem faço questões de saber.
- Eu não vou desistir. Podes ter a certeza! – revirei os olhos e fui directa para o lavatório, sem a encarar, para lavar as mãos.
- Eu e o Dr… Malfoy não somos comprometidos, estás a vontade! Ele ainda tem opção se te preferir a ti – disse, retirando-me rapidamente da casa de banho.
Argh! Tinha vontade novamente de arrancar a cabeça a Ellen Rowland. Que perseguição! Eu não queria ter dito nada do que disse, porque no fundo eu desejava que Draco pertencesse apenas a mim depois do que tínhamos passado. Suspirei de irritação e sentei-me na cadeira em frente a Draco com força a mais.
- Então?
- Então? – "Então? A tua amiguinha Ellen veio dar cabo do meu juízo! Estou-te avisar Draco Malfoy eu não sou uma bonequinha de trapos com que brincas e deitas fora!", tive vontade de lhe dizer isso que passava na minha mente com todas as palavras. Mas respirei fundo e contive-me – Então que todas as casas de banho estavam cheias! – menti.
Draco riu-se da minha impaciência e passou-me para a mão o copo de leite.
- Está aqui o teu pequeno-almoço, madame. – disse, tentando ser gentil. Sorri-lhe ainda com todas as coisas na minha cabeça e bebi o leite. Assim que acabamos de tomar o pequeno-almoço, dirigimo-nos pelo mesmo corredor e Draco levou-me até ao escritório.
- Até logo! – disse-lhe, abrindo a porta.
- Ei, onde pensas que vais? – perguntou, fingindo uma cara chateada.
- Trabalhar – respondi secamente. Ele não tinha culpa do que se tinha passado com Ellen. Mas a rapariga tirava-me do sério e eu tinha de descontar em alguém, como Draco estava envolvido quem melhor para eu descontar se não ele?
- Não, sem antes te despedires de mim. – respondeu a sorrir. De seguida aproximou-se de mim, fazendo com que novamente as minhas pernas ficassem bambas e beijou-me. Foi um beijo rápido mas delicioso. Tentei sorrir-lhe e entrei dentro do escritório.
Quando me sentei na secretária fui directamente ver a correspondência como geralmente fazia sempre. Contas novamente, correspondência para a associação e um pergaminho gasto. Abri o pergaminho e li atentamente a caligrafia desalinhada que parecia ter sido escrita com raiva.
" Granger, Granger,
Vamos ver quem ele prefere. Ao almoço!
Ellen Rowland "
Muiiito obrigada a todas vocês! Os comentários têm sido de grande incentivo. Estava um pouco receosa ao postar o capítulo anterior... porque tem aquela cena mais íntima :S mas pelos vistos vocês gostaram. Reviews! Prometo tentar ainda colocar outro hoje...
