Draco segurou o meu rosto com as duas mãos, talvez com alguma firmeza a mais. Por momentos pensei que ele estava com medo de me perder para o Ron. Mas isso nunca aconteceria, pois desde que eu tinha entrado naquele jogo não pensava em mais nada a não ser nele. Eu precisava dele. Draco fazia parte de mim agora mais do que nunca. Não me conseguia imaginar a viver sem uma vez no dia ver aquele meu sorriso no rosto dele. Eu precisava disso. Mas como fazê-lo acreditar nisso?
- Promete-me que vamos assumir a nossa relação. – ele pediu com alguma necessidade explícita na voz.
- Eu prometo, Draco. – o meu olhar prendeu-se nos lábios perfeitos dele. Tive de exigir ao meu corpo que se controlasse para não me atirar para os braços dele e envolver-me num beijo apaixonado.
Draco largou o meu rosto e beijou-me a testa, apertando o meu corpo contra o dele. Assim que me soltei daquele abraço exagerado olhei para o relógio e quase que tive um ataque cardíaco.
- Oh Merlin! – disse, batendo com a mão na minha testa. – Tenho de ir à Diagon-Al comprar uns presentes. – informei-o assim que vi a sua cara confusa.
- Vê lá se tens cuidado… - ele disse, cauteloso.
- Não te preocupes porque desta vez não vou precisar do super-homem para me proteger – disse, pegando na minha mala e fazendo uma careta.
Draco sorriu-me de volta e eu saí pela porta do gabinete e Apareci directamente na Diagon-Al. Respirei fundo antes de me meter pela viela mais iluminada. Realmente as minhas últimas recordações daquele sítio não eram as melhores. Faltavam dois dias para o Natal. Apressei-me a comprar todas as prendas de Natal que ainda não tinha comprado e quando olhei para o relógio já eram dez e meia da noite. Estava prestes a ir embora quando me pareceu ver alguém familiar. Aproximei-me do vulto e então percebi que não era pelas melhores razões que eu reconhecia aquele cabelo platinado que agora se encontrava bastante mais comprido preso num rabo-de-cavalo. A luz foi tornou-se mais intensa e eu pude ver que aquele olhar sinistro continuava lá.
- O que é que uma sangue de lama está aqui a fazer a esta hora?
- Faça o favor de não me dirigir a palavra. – foi a única coisa que me ocorreu para lhe dizer no momento.
- Eu é que tenho de ter nojo de falar com alguém como tu. – ele disse com aquele sorriso malicioso nos lábios. As rugas eram visíveis em redor dos olhos.
Virei-lhe costas pronta para me ir embora quando a lembrança de que andava a namorar com o filho dele me veio à memória ao mesmo tempo que ele me tocou no braço.
- Não me toque! – ordenei entre dentes.
- És patética, Granger. – o sorriso malicioso desapareceu dos lábios dando lugar a uma expressão fria de superioridade típica de Lucius Malfoy.
Tirei a minha varinha do bolso quando reparei que se estava a aproximar demasiado de mim.
- Baixa isso, idiota. – ordenou irritado, aproximando-se demasiado.
- Stupefy! – uma luz intensa saiu da minha varinha atingindo-o. Lucius caiu no chão frio e duro daquela viela. Rapidamente se recuperou, levantando-se.
- Isto não vai ficar assim! - ele gritou irritado.
Antes de desaparecer daquele sítio horrível que só me trazia recordações desagradáveis ainda consegui ouvir Lucius Malfoy gritar:
- Eu descobrirei onde moras, sangue de lama.
Três segundos após aquela fatídica promessa e eu Apareci em casa. Depois de atirar com a minha mala para cima do sofá e pousar os sacos que tinha a encherem-me as mãos dirigi-me para a cozinha. Enchi um copo com água e bebi de lanço. Antes de me deitar precisava de jantar qualquer coisa. Sem grande vontade de me mexer, peguei numa cafeteira e fiz chá. Estava nervosa com o que tinha acontecido. Não sabia se havia de contar a Draco ou então guardar aquilo para mim. Talvez não fosse necessário preocupar Draco com isso. Lucius Malfoy poderia esquecer-se da sua promessa? Interiormente desejava que sim.
No dia a seguir quando cheguei ao ministério dei de caras com Ellen. Sorriu-me cinicamente e eu retribui-lhe seguido de um olhar sinistro. Procurei Draco pelos corredores, sentindo ainda o olhar preso de Ellen. Após percorrer vários corredores, fartei-me de sentir que estava a ser observada e, abruptamente, olhei para trás e disse num tom zangado:
- Precisas de alguma coisa? Estás me a irritar com essa perseguição…
Ellen não me respondeu de imediato, apenas sorriu. Após breves segundos que me pareceram uma eternidade ela abriu a boca para me responder.
- Estava apenas a seguir-te porque pensei que soubesses do Draco. Não fiques convencida, Granger.
A resposta de Ellen fez-me revirar os olhos. Aquela mania dela de irritar os outros tirava-me do sério.
- Pois, mas como já deves ter calculado eu não sei onde ele está. Por isso, agradeço-te que pares de me seguir… - respondi-lhe com frieza.
Eu já não esperava uma resposta dela. Ela não dizia nada de jeito quando abria aquela boca. Respirei fundo para não gritar com ela quando a vi sorrir na minha direcção novamente. Contudo, rapidamente me apercebi de que Ellen não estava a sorrir para mim mas sim para Draco que se encontrava agora atrás de mim com uma mão posta sobre o meu ombro.
- O que se passa? – Draco perguntou quando viu o meu olhar furioso.
- Pergunta à tua amiga que não desgrudava de mim até te encontrar.
- Precisas de alguma coisa, Ellen? – Draco perguntou educadamente o que me pareceu um exagero vindo dele.
- Quero falar contigo em particular. – Ellen manteve aquele sorriso amarelo estampado no rosto e acentuou bem a palavra particular, dirigindo-me um olhar fulminante.
Eu olhei para Draco à espera da reacção dele. Draco sorriu-me e beijou-me a testa.
- Já vou ter contigo ao teu gabinete. – disse-me num tom baixo.
Sem querer acreditar fiquei especada no lugar onde estava a ver os dois virarem à esquerda no corredor. Seria possível que o meu dia começasse da pior maneira? Já não bastava ontem não ter tido sorte por encontrar o pai de Draco? Só vim realmente à terra quando Mayer chegou perto de mim e abanou-me os ombros.
- Granger, está tudo bem?
- Sim, chefe. Está tudo bem. Como correram as férias? – tentei parecer lúcida.
- Como estão a correr, diz assim. Hoje só vim cá ver como estão as coisas, não é que não tenha plena confiança no trabalho que estás a fazer…
Eu sorri-lhe e segui-lhe os passos pesados até ao seu escritório. Sentámo-nos nas cadeiras, frente a frente. Mayer evocou dois chás e passou-me uma das chávenas para a mão. Durante os minutos que se seguiram tomamos o chá sem pronunciar assunto nenhum.
- Granger – Mayer interrompeu finalmente aquele silêncio aterrador – eu vou-me ausentar durante uns tempos.
- Uns tempos? – perguntei curiosa.
- Não te sei dizer ao certo. Tempos indefinidos. Posso vir já este mês como só vir para o próximo…
Arregalei os olhos. Mayer era o Ministro da Magia. Era essencial que ele estivesse por perto e estabelecesse todos os contactos.
- E tu como minha secretária vais fazer parte dos meus negócios mais importantes, Granger. Confio plenamente em ti.
- Mas… - eu não tinha palavras para dizer nada. Por um lado era um voto de confiança, muito grande na minha opinião. E eu queria fazer isso. No entanto, também tinha o lado negativo. E se eu o desiludisse? Desde os meus primeiros dias de trabalho que Mayer depositara em mim uma confiança absoluta e exagerada. Se eu o desiludisse, iria me desiludir a mim própria. Tinha medo de falhar. – Eu não sei se sou capaz, Mayer. – continuei, abanando a cabeça.
- É claro que és. Acredita que já trabalhei com muita gente e para mim tu foste de todas a mais profissional e ambiciosa. Tens qualidades suficientes para desempenhar o que eu pretendo. – os elogios do meu chefe estavam me a deixar ainda mais nervosa. – Além do mais é uma questão temporária. – disse com um sorriso simpático que me deixou claramente mais à vontade.
- Obrigada, Mayer, por confiares em mim e me dares este voto de confiança. – respondi-lhe finalmente a sorrir. – É muito agradável saber que achas que tenho qualidades. – a vaidade dançou ao som da minha voz.
- Vá, podes ir agora. Eu vou almoçar por aí e depois vou embora. Manda notícias semanalmente.
- Claro que sim. – levantei-me e apertei a mão ao meu chefe.
Estava prestes a sair do seu escritório quando ele me chamou.
- Eu sei que não me vais desiludir. – Mayer disse-me com aquele sorriso bastante agradável.
Sem ter mais palavras, concordei com a cabeça e dei o meu melhor sorriso como forma de agradecimento. Por momentos tinha-me esquecido de tudo: da minha manhã começada com a aparição da Ellen, Ellen a pedir para conversar em particular com o meu namorado, Draco a aceitar… Mas logo me recordei de tudo isso e com todos os pormenores assim que cheguei à porta do meu gabinete e vi Draco encostado à parede, à minha espera.
- Onde estiveste? – ele perguntou, levantando uma das sobrancelhas, mania que nunca havia de perder certamente.
- No escritório do chefe. – disse simplesmente, entrando no meu escritório.
- O que ele queria?
- O que é que ela queria, Draco? – perguntei, deixando a minha mala cair no chão.
Draco revirou os olhos.
- Obviamente que ela não queria nada. – ele respondeu, abanando os ombros.
- Não venhas com essa, Malfoy. – o sobrenome dele saiu-me da boca com alguma ferocidade desnecessária.
- Porquê, Granger? – ele acentuou bem o meu nome seguido de uma sonora gargalhada. Como era de esperar eu não resisti e comecei-me a rir juntamente com ele. Aproximei-me dele e beijei-o. Os lábios quentes dele convidaram-me a aprofundar o beijo.
- Uau. Se sempre que ficares com ciúmes me deres um beijo desses então vou-te provocar daqui em diante certamente. – disse Draco, divertido, ainda recuperando o fôlego.
- Eu não estou com ciúmes. – foi a minha vez de revirar os olhos. – Acho natural querer saber o que é que aquela… aquela… - não me saía nenhum nome apropriado para defini-la – vadia – vi-o sorrir com o nome que lhe arranjara - queria tanto falar com o meu namorado.
- Namorado? – ele disse com um sorriso no rosto e puxou o meu corpo para perto dele – Estou a gostar, Miss Granger.
- Não mudes de conversa. O que é que ela queria? – aquelas voltas na conversa estavam me a dar a volta à cabeça.
- Mais uma vez convidou-me para sair com ela logo.
- Só isso?
- Sim, porquê?
- O que lhe respondeste?
- Até parece que não sabes… - Draco fez um meio sorriso e beijou-me. – Quero estar contigo logo.
Senti vontade de contar a Draco tudo o que se tinha passado no dia anterior. Contudo, não tinha a mínima vontade de ver Draco furioso a andar de um lado para o outro como uma barata tonta. Afinal de contas não se tinha passado nada de especial. Agarrei-me na incerteza de que Lucius Malfoy não me voltaria a visitar.
Atirei-me para os braços de Draco e beijei-o. Tentei desprender a minha atenção de todos os pensamentos negativos que pairavam na minha mente… Ellen e Lucius.
Por hoje é tudo!
Beijinhos*
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