Draco fez questão de me acompanhar até casa depois do trabalho. Eu não sei se ele reparou ou não que eu estava mais distante, um pouco preocupada até. Eu fiz o meu melhor para esconder esses sentimentos dele. No meu interior, eu não queria que ele soubesse que o pai dele me ameaçara, não havia motivo para fazer alarido com isso. Além disso, a promessa de Lucius poderia nunca se cumprir. Pelo que eu sabia, supostamente Lucius deveria estar em Azkaban até ao resto dos seus dias. Mayer condenou todos os amigos de Voldemort a ficarem até à morte na cadeia. Para ele isso até era bem pouco, tendo em visto o mal que eles tinham causado às pessoas.

- Por favor fica comigo hoje – eu pedi quase suplicando. Acho que o medo que Lucius aparecesse se apoderou de mim, pois senti todos os músculos do meu corpo ficarem tensos, ansiando a resposta de Draco.

- Eu já tinha dito que ficava. – respondeu com um sorriso.

Suspirei de alívio e abri a porta para entrarmos. Já eram quase horas de jantar e decidimos que iríamos encomendar uma pizza, pois eu não estava com vontade de cozinhar e Draco também não sabia fazer nada.

- O Weasley nunca mais te disse nada? – Draco perguntou sem querer mostrar muito interesse.

- Nunca mais estive com ele. – respondi-lhe, dando uma trinca na minha fatia de pizza. – Nem quero falar sobre isso. – pousei a fatia e puxei-o pelo colarinho para beijá-lo.

Draco correspondeu ao beijo, começando de modo suave. Acariciou o meu rosto enquanto me beijava e eu aproveitei para passear as minhas mãos pelo corpo dele, livrando-me do casaco que o coloquei em cima do sofá. Tentei concentrar-me só naquele momento, afastando todos os pensamentos atormentadores. Era difícil, mas consegui. Draco já estava por cima de mim no sofá, com uma das mãos por dentro da minha roupa, apalpando-me os seios com desejo explícito. Expulsei um gemido que o deixou ainda mais excitado. Mais uma vez vivemos aquele momento juntos. Sem pudores, vergonha, pensamentos e ciúmes. Éramos apenas um do outro. Nada nem ninguém poderia estragar o que estávamos a viver.

Deitei a minha cabeça sobre o ombro dele. Aquele sofá era pequeno demais para nós. Mas assim poderíamos ver como encaixávamos perfeitamente um no outro, as minhas pernas estavam entrelaçadas nas dele. Um dos braços dele estava em redor do meu pescoço e o meu braço enrolava o tronco dele. Um só, a perfeição. Nesse momento eu tive a certeza de que não queria mais ninguém na minha vida. Ele bastava para me fazer sorrir a cada dia, só ele me dava o máximo prazer, só ele afastava os meus maiores medos para longe. Adormecer ali dava-me conforto e também segurança. Os braços fortes dele em minha volta faziam-me sentir mais segura do que nunca. Não temia nada nem ninguém, porque estava ali… nos braços de quem amava com todas as minhas forças, pois assim como algum dia eu o pude odiar de forma intensa, então eu agora também poderia amá-lo dessa maneira.

Na manhã seguinte era sábado de Natal, ninguém trabalharia até terça-feira. Praticamente eram esses três dias que eu iria estar sem Draco, porque ia para a Toca para estar com os meus amigos e família. Torci para que passasse rápido, eu não queria estar afastada de Draco, quem me iria fazer sentir tão segura e protegida? Sem Draco por perto eu acho que sentiria novamente o medo que Lucius aparecesse. Mesmo com o meu melhor amigo e herói Harry Potter por perto…

Draco continuou a dormir enquanto eu me levantava às onze da manhã. Vesti umas calças de ganga escura e uma camisola de lã justa. Depois aproveitei e fui evocar algumas coisas para colocar na minha mala que seriam necessárias nos dias que se seguiam. Estava no meu quarto a evocar o perfume de eleição quando fui agarrada na cintura por ele.

- Já acordaste? – perguntei, colocando o perfume na mala e virando-me de frente para ele com o corpo levemente inclinado para trás.

- Parece que sim. Deste-me uma noite maravilhosa ontem. – ele sorriu e beijou-me levemente os lábios. – Para que estás a fazer a mala? Vamos a algum lado? – perguntou Draco meio que confuso.

- Draco é Natal. Pensei que já te tinha dito que ia passar à Toca. – recordei-o.

- Pois, é verdade.

- Onde vais tu?

- A lado nenhum. – ele respondeu, abanando os ombros. Quase que me tinha esquecido que Draco já não tinha família.

Sentei-me na beira da cama, triste por saber que iria deixá-lo sozinho. Senti vontade de desmarcar a minha visita na Toca com uma desculpa esfarrapada. No entanto, os meus pais iriam estar lá, não poderia fazer isso. Surgiu-me uma ideia, a qual não consegui definir de imediato como boa ou má.

- E se tu também viesses? – sugeri com um sorriso rasgado e rapidamente defini a ideia como radiante, seria óptimo conciliar as duas coisas e poder sentir-me protegida, lá.

Draco riu-se sem grande vontade. Colocou dois fios do meu cabelo atrás da orelha e sentou-se ao meu lado.

- Achas mesmo que seria boa ideia? – perguntou com grandes dúvidas.

- Vá lá, Draco, não querias que assumíssemos a nossa relação? Por favor, seria perfeito.

- Não, Hermione. Não estás a ser racional… Com esta história toda do Weasley acredita que não seria uma boa ideia. Iria estragar o Natal a toda a gente. – Draco estava a falar a sério, sem sorrir mas de forma meiga para não me magoar.

- Eu não quero saber disso, Draco. Não quero ser racional uma vez na vida. Achas que é uma loucura fazer isso? Deixa-me cometer essa loucura por ti! – eu falei também a sério com grande determinação na voz.

Draco suspirou.

- Por favor. – pedi de uma maneira que eu sabia que ele não conseguiria dizer não.

- Eu não sou bem-vindo lá. – de certa forma ele tinha razão, mas eu não queria admitir isso. Draco nunca deixaria de ser um Malfoy nem que fosse viver para a China. O sangue corria-lhe nas veias e ninguém gostava dele lá na Toca. Mas pressentia que Harry, Ginny e até mesmo Mr e Mrs Weasley fariam um esforço para me agradar, pelo menos tentariam. Já não conseguia dizer o mesmo de Ron e dos gémeos. Os meus pais, por sua vez, nem sequer sabiam da história por isso aceitariam Draco como um outro rapaz qualquer.

- É assim tão difícil perceber que te quero ao meu lado? Não quero estar separada de ti um minuto que seja. - disse como se estivesse a falar para uma criança de três anos, frisando bem cada palavra.

- Como é que queres fazer? Aparecemos lá os dois de mão dada e desejamos um "Feliz Natal"? – pelo menos já indicava alguma aceitação.

- Podes ficar no jardim enquanto eu vou lá dentro dizer umas palavrinhas? Eu depois vou te buscar e vamos juntos.

Draco abanou a cabeça em discordância. Mas faria me a vontade, eu sabia que sim desde o início. Levantei-me da cama e dirige-me à casa de banho, evocando alguns haveres para Aparecermos nas proximidades da Toca. Eu sabia que seria uma tarefa difícil convencê-los a todos de que Draco tinha mudado. Ginny seria talvez a mais fácil, porque já tinha uma noção do que se passava entre mim e o meu ex-rival. Além disso, era ela a que tinha uma mente mais aberta, disposta a aceitar novidades.

Quando cheguei ao quarto minutos depois de ter saído, Draco estava mais do que pronto, segurando com a mão direita uma pequena mala de pele preta que, segundo o que eu julgava, não devia de ter mais do que duas mudas de roupa. Aparecemos no jardim mais próximo das traseiras da Toca.

- Eu vou só avisar-lhes da tua visita – disse-lhe a sorrir.

- Tudo bem. – Draco sorriu-me também, mas não foi um sorriso confiante. – Espera aí… - ele disse assim que eu lhe virei as costas. Virei-me novamente de frente para ele e ele agarrou-me pela cintura, envolvendo-me nos braços.

- Eu volto já, não fujas. – disse em tom de censura, vendo que aquele abraço parecia de despedida. Rapidamente me deixei levar pelo beijo dele. Beijá-lo era realmente algo que me agradava. Esquecia-me de tudo à nossa volta ou quase tudo…

- Hermione? – aquela voz forte que me era tão familiar chamou-me em tom de repreensão. – Eu não… não posso acreditar no que estou a ver!