Quando vi um sorriso formado nos lábios de Ron não quis acreditar. Senti o meu coração pular novamente de felicidade, como tinha acontecido com Harry. Eu não queria acreditar no que os meus olhos viam.
- Só espero que ele não te magoe! Sabes o que lhe acontece, não sabes Hermione? – Ron perguntou um pouco mais à vontade, mas não me soltou.
- Como se eu não te conhecesse, Ronald… - disse, evitando imaginar o que aconteceria a Draco se ele eventualmente me magoasse.
Ron voltou apertar-me num abraço caloroso. O meu amigo só me soltou quando ouviu alguém tossir para chamar a nossa atenção. Draco. Coloquei-me ao lado de Ron e sorri para o meu namorado. Ron colocou o braço em redor do meu pescoço de forma possessiva, o que foi um exagero no meu ponto de vista. Vi o olhar de Draco pousado no braço de Ron e voltar a fitar-me.
- Afinal estavas aqui. – Draco disse com um meio sorriso. – Vejo que já resolveram as coisas. – acrescentou quando me viu abanar a cabeça afirmativamente.
- Ainda bem que apareceste, Malfoy. – Ron disse, soltando-me e indo em direcção a Draco que continuou com um sorriso estampado no rosto. – O aviso assim fica já dado: não te atrevas a magoá-la.
- Por favor, deixa-te de coisas, Weasley. Eu não vou magoá-la. – Draco revirou os olhos. Primeiro Harry fez-lhe esse aviso e agora Ron.
- Acho bem, porque se não…
- Se não o quê, Weasley? – Draco perguntou, simulando um ar assustado e eu não o censurei por isso.
- Não vais querer saber. – Ron disse arqueando as sobrancelhas.
- Pronto, acabou. – eu disse, embora eles não estivessem propriamente a discutir. – Ron, eu sei me defender sozinha. – disse, tentando ser o mais simpática possível. - Além disso, o Draco não me vai magoar. Vamos dormir, se não ainda acordamos os restantes.
- Até amanhã, Hermione. – Ron aproximou-se de mim e beijou-me a testa. Draco desviou o olhar.
Draco e eu fomos directamente para o quarto sem falar um com o outro. Estaria ele chateado por ter ido a meio da noite falar com Ron? O único som que eu conseguia ouvir era o da respiração dele. Mal chegamos ao quarto, Draco atirou-se para a cama, virado de costas para cima. Cautelosamente, deitei-me ao lado dele e ele virou-se de frente para mim. O rosto dele que estava contraído até então, deixou formar um sorriso simpático.
- Desculpa, Draco. Eu tinha de resolver as coisas com o Ron. Na verdade, eu precisava. – falei baixinho, despenteando-lhe ainda mais os cabelos platinados.
- Não há problema, mas deixaste-me preocupado. Podias-me ter acordado.
- Não havia necessidade disso.
- Tudo bem, esquece isso. – Draco disse, ajeitando-se na cama. Depois apertou-me mais contra ele, fazendo-me sentir o calor do seu corpo. – Amanhã vamos embora? – eu sabia que ele queria ir embora. Não se estava a sentir muito bem naquele ambiente e eu só tinha de compreender isso, pois ele já fizera um grande sacrifício por vir comigo.
- Só ao final do dia.
Draco assentiu com a cabeça e beijou-me o pescoço. Depois beijou-me levemente a testa.
- Dorme que já são quase seis horas da manhã. – informou-me, passando a mão pelo meu cabelo.
- Daqui a uma hora está aqui a Mrs Weasley para irmos tomar o pequeno-almoço! – disse, colocando uma mão na testa dramaticamente.
Draco riu-se da minha infantilidade e depois só me lembro de ter acordado com Harry e Ginny a abanarem-me os ombros. Abri os olhos com alguma dificuldade e fitei Draco que abria as cortinas do quarto, deixando entrar aquela incomodativa claridade.
- Deixem-me dormir. – pedi, colocando os cobertores por cima da minha cabeça. Mas Ginny foi mais rápida e insistentemente puxou-os para baixo.
- Não sejas teimosa, Hermione. – a voz da ruiva lembrou-me imediatamente a da sua mãe. Gemi de nervos e levantei-me contrariada, ouvindo Draco e Harry rirem-se. Eu estava cheia de sono, não tinha dormido nada e quando finalmente tinha a minha consciência tranquila para poder voltar a dormir é que me vinham acordar?
- Vai-se lá saber o que andaste a fazer para não acordares logo. – Harry disse, evitando uma gargalhada quando viu o meu olhar desaprovador.
Antes de sair para tomar o pequeno-almoço, fiquei um pouco com Draco a arrumar as minhas coisas na mala, pois já tínhamos decidido que antes do jantar iríamos para a minha casa, pois no dia a seguir teríamos de estar cedo no ministério ou pelo menos eu teria.
- Hermione! – Draco chamou a minha atenção enquanto eu dobrava as minhas roupas na mala. – Por favor, faz logo assim. – e com um feitiço arrumou rapidamente todas as minhas roupas dentro da mala de forma ordenada e assídua – Às vezes não pareces uma feiticeira. – comentou a sorrir.
- Eu sou feiticeira mas gosto de fazer as coisas com as minhas mãos. – disse simplesmente. Às vezes nem eu conseguia perceber muito bem porque fazia tanta coisa com as mãos quando que com um toque de varinha poderia fazer em muito menos tempo de forma tão boa ou até melhor.
O dia passou rapidamente e eu pude desfrutar da presença de Draco juntamente com os meus amigos. Era bom sentir que podia contar com todos. Era bom sentir que todos me completavam de uma maneira ou de outra. A vontade de ir para casa era nula, inexistente. Mas eu tinha de ir adiantar alguns documentos para o trabalho. Com Mayer ausente eu teria o dobro do trabalho.
- Ginny, eu vou embora. – informei a minha amiga enquanto ela comia uma fatia de bolo rei.
- Já? Mas Hermione porquê que não ficam para o jantar? – perguntou com a boca cheia.
- Não dá. Tenho uns documentos para adiantar para o trabalho.
- É natal! Não vais trabalhar, pois não? – perguntou como se fosse alguma coisa muito óbvia.
- Vou e ainda tenho de escrever aos meus pais. Amanhã falamos no ministério se quiseres.
- Já percebi que não adianta insistir. – disse, levantando-se para me dar dois beijinhos. Despedi-me de Harry e de Ron e só depois é que me despedi dos restantes Weasley. Draco disse um 'adeus' quase sussurrado e saiu de mãos dadas comigo para o jardim. Aparecemos em casa e Draco pegou numa revista que estava pousada na mesa de centro para ler, sentando-se no sofá confortavelmente. Eu subi e fui buscar os documentos. Concentrei-me de tal forma no trabalho que quando parei para me espreguiçar e bocejar reparei que Draco já não estava mais a ler uma revista no sofá. Olhei para as horas: duas da manhã.
Subi para ir dormir, pois no dia a seguir teria de acordar cedo. Enquanto me despi para tomar um duche rápido, observei Draco a dormir. Tinha os cabelos molhados e desalinhados. Depois de um duche rápido mas relaxante vesti o meu pijama de flanela aos quadrados e fui me deitar claramente exausta. Estes três dias pareciam ter passado a correr, supostamente eu deveria ter aproveitado para descansar.
Na manhã seguinte quando me levantei às oito, Draco ainda estava a dormir. Enquanto Draco ainda resmungava na cama, eu estava a escolher a minha melhor roupa. Uma saia travada preta e uma camisa acetinada branca. De seguida, coloquei um pouco de rímel e batom e sacudi os cabelos. Olhei ao espelho mas senti que faltava algo.
- Draco, levanta-te. Vamos fazer o pequeno-almoço! – disse exasperada, enquanto coloquei um gancho a apanhar uma madeixa do lado esquerdo.
- Onde vais assim tão produzida? – perguntou ainda meio ensonado enquanto eu calçava os sapatos de salto alto.
- Trabalhar. – respondi já a sair do quarto.
Cinco minutos depois de eu ter o pequeno-almoço feito, Draco apareceu exibindo um fato prateado brilhante e uma camisa branca por dentro. O cabelo estava desalinhado e as maçãs do rosto ainda meias avermelhadas devido ao sono. Estava simplesmente perfeito. Sorri-lhe e apontei para a cadeira à minha frente para que se sentasse. Draco retribuiu o sorriso e sentou-se, pegando numa torrada de manteiga.
- Estás perfeito! – exclamei, sem encontrar melhores palavras.
- Parecia mal se não me tivesse arranjado e aparecesse no ministério contigo ao lado… - Draco disse divertido.
Depois de acabarmos de tomar o pequeno-almoço, insisti com Draco para irmos de metro até ao ministério. A princípio ele contestou, pois achava absurdo a ideia de irmos de metro quando poderíamos perfeitamente estar lá em segundos por materialização. Acabou por aceitar, mesmo sem perceber.
- Tu gostas de fazer o mais difícil e menos óbvio, não é? – Draco perguntou quando estávamos a entrar no ministério.
- Nem te vou responder. – disse-lhe simplesmente, enquanto subia as escadas.
Draco riu-se e continuou a andar ao meu lado. Dirigi-me directamente para a minha sala para começar a trabalhar. Draco continuou pelo corredor para ir para o escritório dele. Mas alguém embateu em mim na esquina, fazendo com que eu me desequilibrasse e me segurasse ao braço dessa pessoa para não cair.
- Peço imensa desculpa. – pediu um rapaz alto e moreno.
- Não há problema. – disse imediatamente largando o braço dele.
- A propósito, chamo-me Nathan O'Conner. – disse, estendendo a mão em minha direcção.
