A vontade que tivera no dia anterior de ver Draco mesmo que ele estivesse chateado desaparecera por completo. Sentia raiva, talvez até excessiva. Mas a verdade é que os ciúmes tinham mexido comigo e a voz de Ellen não me saía da cabeça. Draco não perdera a oportunidade para me tirar do sério. Por momentos tive a certeza que tinha sido por pura vingança.
Estava eu absorta nos meus pensamentos – falhando na promessa que tinha feito a mim mesma de "nada de Draco naquele dia" – quando alguém bateu à porta. Desejei interiormente que não fosse Draco, pois eu não iria falar por mim e isso só iria piorar a situação.
- Entre. – disse desanimada, continuando a pedir mentalmente que não fosse ele.
Uma rapariga com longos cabelos loiros um tanto ondulados entrou quase que aos pulinhos. Levantei-me de imediato e apressei o passo na sua direcção.
- Luna! Estou tão feliz por te ver. – exclamei, envolvendo a pequena silhueta num abraço apertado.
- Hermione! Que saudades. – disse com a sua característica voz suave.
Luna Lovegood podia não ser das primeiras pessoas com quem tinha começado a desenvolver uma amizade em Hogwarts. Contudo, a partir do meu quinto ano a nossa amizade sem dúvida desenvolvera-se bastante. Luna apoiou-me em vários momentos difíceis e mostrou-se sempre disposta a lutar na guerra contra o Voldemort.
- Senta-te, então. Vamos conversar. – disse-lhe, apontando para a cadeira em frente à minha secretária.
- Sabes, Hermione, acho que é do teu interesse aquilo que te vou contar. – Luna disse um pouco misteriosa, embora que isso já fosse habitual nela. Eu remexi-me na minha cadeira, ansiosa para que Luna prosseguisse. – Eu vivo perto de uma família que tem uma elfo, a Maggy. E infelizmente tenho observado que a tratam muito mal. É rara a noite que não ouço o choro da pobrezinha.
Levei as mãos à boca, sem querer acreditar. Eu tinha fundado a Associação com o objectivo de retirar os elfos dessas famílias.
- É muito triste saber disso, Luna. Obrigada por me transmitires, é muito importante podermos ajudar a Maggy.
- Eu estou a contar com a ajuda da associação. – disse, abanando a cabeça afirmativamente.
- Não te preocupes. Eu vou convocar uma reunião com todos os membros para entrarmos ainda hoje em acção.
- Tudo bem. Não te chateio mais, Hermione.
- Nunca chateias, Luna. – disse-lhe, levantando-me para acompanhá-la à porta. – Aliás, não queres ficar para o almoço?
- Obrigada, mas já combinei ir almoçar com o Ron. – disse com um sorriso tímido.
Fiquei surpreendida por saber que Luna e Ron iam almoçar juntos. Mas agradou-me saber que o meu amigo Ron estava a fazer progressos. Nunca tinha pensado que eles se pudessem dar bem ao ponto de irem almoçar sozinhos, mas fiquei feliz por ambos.
- Fazem muito bem. – disse sem saber o que dizer.
- É verdade que tu e o Draco Malfoy estão juntos? – perguntou, surpreendendo-me novamente. Abri a boca para dizer algo que não saiu – Desculpa, não me quero estar a intrometer.
- Não faz mal. Sim, é verdade, estamos juntos.
- Bem que o meu pai diz que o ódio e o amor andam sempre de mãos dadas. – sorriu-me e eu retribui, pensando ainda no comentário. – Até logo!
- Até logo, Luna. – disse, fechando a porta quando ela virou costas.
Luna poderia estar muito semelhante em termos mentais, pois continuava distraída, pensativa e aluada como nos tempos de Hogwarts. No entanto, estava sem dúvida uma mulher muito bonita, o cabelo e os olhos davam nas vistas e as formas do seu corpo tinham-se acentuado.
Antes de ir almoçar, sentei-me a escrever para os membros da associação a alertar a reunião de última hora. Quando finalmente terminei de enviar as dez corujas, levantei-me para ir ao bufete buscar alguma coisa para comer. Suspirei de alívio, quando me apercebi que não me cruzava com Draco.
- Boa tarde. Quero uma água e o prato do dia, por favor.
- Com certeza, miss Granger. – disse-me com um sorriso a senhora Durston.
Murmurei um wingardium leviosa para o tabuleiro que de imediato se levitou no ar até ao meu escritório. Sentei-me a almoçar enquanto pegava no trabalho que tinha de fazer. Mayer tinha sem dúvida me deixado um grande trabalho. Nunca tinha tido grandes problemas com responsabilidades, mas desta vez estava com algum receio que algumas delas me escapassem. Tinha prometido que nunca iria colocar a Associação à frente do trabalho como Ministra temporária, por isso achei melhor agendar a reunião para depois do jantar em minha casa. Já tinha acabado de almoçar quando Josie me foi entregar algumas cartas que eu tinha recebido.
- Obrigada, Josie.
- De nada, miss Granger. – disse, retirando-se do gabinete.
Não demorei até ler todos os pergaminhos, pois todos tinham pequenos conteúdos, confirmando apenas a presença na reunião. O de Nathan O'Conner era o maior, o qual eu tinha deixado para último lugar, sem saber bem o porquê. Levei a mão a cabeça, como é que eu podia ser tão esquecida? O Nathan não sabia onde é que eu morava. Rapidamente, escrevi no pergaminho a combinar uma hora com ele no ministério.
- Josie, podes ir enviar esta coruja? Nathan O'Conner, por favor.
- Com certeza. Mas quer que fique a aguardar a resposta?
- Oh não há necessidade, Josie. Daqui a uma hora passas lá no corujal e verificas.
Voltei a ir para o meu gabinete. Não valia a pena me estar a massacrar com o trabalho. Ele não me saía da cabeça. Por mais que eu me quisesse concentrar naquilo que estava a fazer, eu não conseguia. Draco sempre perturbava os meus pensamentos! Levantei-me furiosa com ele, mas ainda mais comigo e saí porta fora. Eu tinha de falar com ele. Não podíamos continuar chateados por muito mais tempo.
Virei no corredor à esquerda e permaneci durante segundos, que me pareceram uma eternidade, especada a olhar para a porta do escritório dele. Respirei fundo, antes de bater à porta. Ajeitei a saia e engoli em seco quando a voz perfeita dele me autorizou a entrar.
- Hermione? – perguntou surpreendido.
Draco estava atrás da secretária com meia dúzia de papéis rabiscados numa capa. O corpo que estava descontraído até então, contraiu-se num posição severa. Passou a mão esquerda pelo cabelo, despenteando-o. Parecia um tanto nervoso com a minha presença. Os meus olhos observavam-no atentamente. Draco largou a pena que tinha na mão e levantou-se, ajeitando a gravata.
- Draco… eu tinha de vir falar contigo. – aproximei-me dele ao ponto de ficar a centímetros de distância. – Não consigo mais estar assim contigo. Vamos resolver as coisas como adultos? – pedi, aproximando-me mais um pouco e à medida que eu me aproximava Draco recuava.
- Eu também não gosto de estar assim contigo, Hermione. – a voz rouca de Draco fez com que um arrepio percorresse o meu corpo.
Cada vez tinha mais certezas de que o amava. Qualquer movimento dele me fazia ficar mais ansiosa. Só olhar para os lábios dele dava-me sede. Humedeci os meus lábios quando o vi fitá-los ansiosamente. Voltei a olhá-lo nos olhos e senti o desejo que ele tinha. Draco também me queria beijar ali, naquele exacto momento naquele mesmo lugar. Não consegui voltar a desviar o meu olhar dos olhos azuis-acizentados dele, perdi-me naquele olhar.
Draco aproximou os lábios dos meus e beijou-me de forma selvagem. Voltei a sentir o sabor delicioso do beijo dele e envolvi os meus braços à volta do seu pescoço. Os nossos corpos juntaram-se e Draco deslizou com uma das suas mãos que estava nos meus cabelos até às minhas costas. O beijo terminou e Draco puxou-me para ele. Uma das minhas mãos estava no pescoço dele e outra por dentro da camisa. Sorri-lhe e ele retribuiu.
- Desculpa. – pedi-lhe, reconhecendo que também tinha errado.
- Desculpo-te. E tu desculpas-me? – perguntou baixinho, sentando-se na cadeira. Puxou-me para que me sentasse no colo dele.
- Desculpo. – disse, roçando o meu nariz no dele. Quantas saudades eu tive daqueles beijos! Beijei-lhe o pescoço, sentindo-o arrepiar-se.
Draco respondeu aos beijos, apertando-me com alguma força na cintura. De seguida, colocou uma das mãos na minha coxa, subindo um pouco a minha saia. O meu corpo cedeu e eu desabotoei-lhe os primeiros botões da camisa. O peito nu de Draco fez-me apenas desejá-lo ainda mais. Já estava de pé em frente a ele quando Draco atirou a camisa dele para o chão.
- Draco… pode aparecer alguém. – disse baixinho, tentando não interromper o momento.
- Isso resolve-se facilmente. – Draco disse com aquele meu sorriso favorito nos lábios. Dirigiu-se, sem camisa, até à porta e fechou-a com um feitiço. Não tive tempo de pensar se seria correcto termos sexo ali, pois Draco arrastou-me até à secretária. Fez-me sentar em cima dela, enquanto me beijava o pescoço e com as mãos subia-me a saia.
- Draco… aqui não. – pedi-lhe, sem desejar que ele parasse. Estava desesperada dele. Precisava dele tanto quanto precisava de respirar naquele momento.
Draco roçou os lábios no meu ouvido, fazendo-me arrepiar ainda mais de desejo.
- Eu quero-te aqui e agora. – sussurrou sensualmente com a voz rouca. Todo o meu corpo vibrou com a frase dele.
As minhas mãos passearam pelas costas largas dele com vontade de as marcar com as unhas. O meu rosto estava encostado ao peito nu e transpirado de Draco que com a mão direita acariciava a minha parte interior da coxa, fazendo-me gemer o nome dele. Ousadamente, desci com o meu rosto até à barriga de Draco, passando a língua em redor do umbigo dele, descendo um pouco até lhe desapertar as calças com a boca. O gemido de Draco fez-me subir para o calar com um beijo fogoso.
- Eu quero-te tanto, Hermione. – ele disse quando se livrou do meu beijo, encarando-me com um olhar desconcertado e as bochechas vermelhas a ferverem. – Deixas-me louco! – exclamou baixinho, trincando o lábio inferior. A minha mão desceu até as calças dele, libertando o membro, pronto para o acto futuro, do boxer preto.
Draco inclinou-se sobre a secretária para facilitar o acto propriamente dito. As minhas pernas afastaram-se e as minhas mãos agarraram o corpo de Draco, puxando-o ritmicamente para mim. Não precisei de gastar toda a minha energia, pois Draco tal como eu estava sedento de mim. Ele ansiava por aquele momento, tanto quanto eu. Draco ajeitou as calças e vestiu a camisa que estava no chão. Tinha a respiração ofegante e, exausto, atirou-se para a cadeira.
- És fogo, Hermione Granger. Dás cabo de um homem! – os cabelos molhados de Draco devido à transpiração caíam-lhe na testa. E ele bufou, afastando-os para o lado.
Eu sorri-lhe e ajeitei a saia, sem grandes pressas. Prendi o cabelo desajeitadamente e sentei-me no colo do meu namorado. Quantas saudades eu tinha sentido de estar assim com ele! Era bom quando as discussões não nos separavam.
- Deixaste-me de rastos agora, Mr. Malfoy. Era bom demais ir para casa e tomar um banho agora. – disse-lhe, agarrando-me ao seu pescoço humedecido.
- Por que não vamos os dois? Podíamos por o resto do dia de folga! – Draco pareceu impressionadíssimo com a sua súbita ideia.
- Não, Draco, hoje não dá. Tenho muito trabalho para fazer. – desculpei-me com o olhar. Draco revirou os olhos, quase como se estivesse esperando aquela resposta.
- O que tens para fazer que seja mais importante do que eu? – Draco fez aquele sorriso que eu tanto adorava.
- Uma reunião com a associação logo à noite.
- Fora do horário de trabalho, Hermione? – Draco parecia um pouco chateado.
- Não tive oportunidade de marcá-la para antes. Estou cheia de trabalho, Draco. Nem devia ter vindo aqui.
- Tudo bem. Já percebi que este bocadinho foi o único a sós hoje. – Draco disse, desviando o olhar pela janela. Detestava quando ele fazia birra. Peguei no queixo dele, fazendo-o encarar-me com bastante paciência.
- Não sejas assim, Draco. Estive aqui contigo, não estive? – tentei chamá-lo à razão.
- Eu continuo com saudades tuas. – disse-me meio entristecido.
- Oh Draco, eu também. – disse, completando com um beijo na bochecha ainda corada.
- Posso pelo menos te vir buscar depois da reunião? E depois podíamos dormir juntos. – sugeriu com um sorriso nos lábios.
- A reunião não vai ser aqui. Mas podes ir ter a minha casa para dormirmos juntos… - disse-lhe, retribuindo o sorriso.
- Se a reunião não vai ser aqui, então vai ser onde? – perguntou confuso.
- Em minha casa.
Draco não pareceu achar boa ideia o que acabara de saber. Contudo, conteve-se para não contestar. Eu sabia que ele queria muito estar de bem comigo. Não queria levantar mais discussões, assim como eu também não queria.
- A que horas posso estar lá? – perguntou sem sorrir, mas acariciando a minha face.
- Combinei às nove a reunião. Penso que lá para as dez horas poderei ser totalmente tua. – respondi, fazendo um olhar misterioso. Draco sorriu e beijou-me. – Até logo, então. – disse, já me levantando.
O resto do dia passou calmamente e eu finalmente já me sentia melhor comigo mesma. Estar de bem com Draco sem dúvida que tirava um peso muito grande de cima das minhas costas. Consegui terminar todo o trabalho antes da hora de saída, por isso apressei-me a sair do ministério para Aparecer em casa.
Eram quase oito e meia quando terminei de jantar. Arrumei a cozinha rapidamente e esperei que os membros chegassem. Luna e Ginny foram as primeiras a chegar.
- Olá meninas. Então, vieram juntas? – perguntei, apontando para a sala a fim de que entrassem.
- Olá Hermione. O Ron esteve com a Luna na Toca e eu apareci lá com o Harry e viemos juntas. Como estás? – Ginny parecia animada.
- Estou bem. E vocês?
- Também, Hermione. Já chegou mais alguém da associação? – perguntou Luna curiosa, sentando-se no sofá.
- Ainda não. – disse, olhando para as horas. Ninguém estava atrasado.
- O Draco não faz parte da Associação? – Luna perguntou.
- Não Luna, os rapazes da minha vida não parecem se interessar muito pela minha Associação. O Harry e o Ron também nunca quiseram fazer parte. – comentei, praticamente num desabafo para de seguida me rir juntamente com elas. Era um pouco irónico nenhum dos três se interessar.
Alguém tocou à porta e eu apressei-me em ir abri-la. A silhueta de Nathan surgiu e ouvi Ginny comentar algo com Luna que se riu.
- Nathan entra. Ainda não chegaram todos, mas entra. – informei-o, acompanhando até à sala. – Luna e Ginny este é o Nathan O'Conner, o mais recente membro da Associação.
- Olá. – elas disseram quase em uníssono e Nathan correspondeu com um sorriso.
- Senta-te, por favor. – sugeri, apontando para um espaço de vago no sofá. – Vocês querem beber alguma coisa?
- Whisky de fogo, Hermione. – Ginny pediu não contendo um sorriso. Luna agradeceu mas disse que não com a cabeça.
Olhei para Nathan à espera da resposta dele.
- Eu… acompanho a Ginny com whisky de fogo. – disse com um sorriso para a minha amiga ruiva.
Dirigi-me até à cozinha para ir buscar dois copos e virei cuidadosamente o líquido. Apesar de não beber whisky de fogo, eu tinha o hábito de ter sempre uma garrafa em casa para quando os meus amigos, Harry, Ron e Ginny decidiam fazer-me uma visita.
Quando cheguei à sala verifiquei que Nathan e Ginny conversavam animadamente sobre uma equipa de quidditch. Passei-lhes os copos e debrucei-me no sofá de modo a ficar virada para Luna.
Não tardou para chegar Neville Longbottom acompanhado pela sua namorada Susan Bonnes que também fazia parte da associação. Colin Crevery também era membro e apareceu com a sua típica máquina fotográfica.
- Hermione, depois deixas-me tirar uma foto de grupo? Por favor? – ele pediu educadamente antes de ter entrado na sala.
- Sim, Colin, acho que não há problema nenhum. – respondi-lhe com um sorriso na cara.
Cormac McLaggen também fazia parte da Associação. Ginny continuava a achar que ele tinha um fraquinho por mim, mas eu rejeitava a pés juntos a ideia. Apesar de o achar irritante, ele tinha charme e por várias vezes após Hogwarts tínhamos saído juntos. Dessas vezes, Cormac mostrou-se uma pessoa razoável e bastante cavalheiro. Tinha deixado os velhos costumes medíocres de lado e já nos dávamos como duas pessoas normais.
- Olá, Hermione.
- Cormac. Como estás? – perguntei, observando a silhueta perfeita em que ele se tinha tornado.
- Continuas linda. – disse, fazendo-me corar. Se Draco estivesse presente não tinha dúvidas de que lhe lançava um Stupefy naquele momento.
- Obrigada. Entra e senta-te, estamos quase todos. – respondi, tentando desviar o assunto.
Cormac sentou-se ao lado de Luna que lhe lançou um sorriso tímido. Cinco minutos depois da chegada de Cormac chegaram as duas amigas Emily Evans e Christie Lewis. Lembrava-me perfeitamente da entrevista que fizera aquelas duas raparigas, pois fora em conjunto. Ambas queriam ajudar os hipogrifos, porque tinham medo que aquelas belas criaturas se extinguissem, o que me pareceu uma grande parvoíce na altura, pois uma tia de Christie uma vez tinha-lhes dito que aquelas criaturas eram tão preciosas como unicórnios, apenas que não eram vistas como tal.
- Bem pessoal agora que já estamos todos presentes, eu pedia que dessem atenção ao que a Luna vai dizer. É algo de extrema importância para a Associação e por isso pedia a colaboração… Que barulho foi este? – interrompi-me a mim própria quando ouvi um estrondo no andar de cima. Crookshanks seria incapaz de fazer todo aquele barulho. E ouvi duas vozes discutirem que me eram extremamente familiares. Harry e Ron surgiram de imediato no cimo das escadas, encarando os olhares de todos os presentes na minha humilde sala. – Harry! Ron! O que estão a fazer aqui?
- Desculpa, Hermione. Eu disse ao Ron – Harry lançou um olhar mortífero a Ron – que seria melhor nós aparecermos lá fora e tocar a campainha, mas ele disse que não, conhecia um atalho e…
- Ei, Harry, está tudo bem. Mas neste momento estou a começar a reunião, seja o que for que vocês queiram têm de aguardar. – informei-os sem evitar um sorriso.
- Nós queremos fazer parte da Associação. – a resposta de Ron apanhou-me de surpresa, mas não poderia ter deixado de ficar feliz. Ordenei que se sentassem e eles debaixo de todos aqueles olhares e meios sorrisos sentaram-se nas cadeiras que eu tinha conjurado.
- Como eu estava a dizer – recomecei, tentando me concentrar o máximo que consegui – a Luna tem algo para nos dizer a todos. Luna, por favor, podes começar.
Luna pareceu um tanto surpreendida por eu lhe ter passado a palavra. Contudo, levantou-se e dirigiu-se para o centro da sala para tomar a palavra.
- Olá – disse timidamente. Falar em público era notável que não era dos fortes da Luna. – O que vos tenho a dizer é o seguinte: uma família perto de minha casa tem uma elfo, a Maggy, que sofre de maus-tratos. Como devem imaginar o nosso dever é ir lá e retirá-la dessa família.
Christie Lewis levantou o braço.
- Nós podemos fazer isso? Quero dizer, os elfos não foram praticamente concebidos para servirem as famílias?
- Christie, digamos que nós não queremos que eles deixem de servir famílias. Apenas as famílias não precisam de tratá-los mal, pois não deixam de ser seres vivos com sentimentos. – Luna respondeu sem precisar do meu auxílio. Sorri-lhe e acenei com a cabeça para que ela prosseguisse.
- Além disso, desde que o Ministro Mike Mayer está no poder surgiu uma lei que protege todas as criaturas mágicas de maus-tratos.
- E o que acontece a quem não cumprir a lei?
- Paga uma coima. – interrompi. – Pode ir de dois galeões até quatro.
Ouvi uns burburinhos dos membros, pois sabiam que era uma coima elevada.
- O que vamos fazer para salvar a Maggy? – Harry perguntou genuinamente preocupado. No fundo, eu sabia que Harry gostava de elfos, pois tinha nutrido um carinho especial por Dobby que infelizmente já tinha morrido.
- Como é óbvio não vamos poder ir os dez, quero dizer, doze. – corrigi, virando-me imediatamente para Harry e Ron e pedindo desculpa com olhares – Por isso, vamos apenas alguns de nós alertar a família da Maggy.
- Eu gostava muito de ir, Hermione. – Luna disse e eu nunca teria pensado noutra coisa se não em levá-la.
- Claro Luna, tu precisas mesmo de ir. Acho que era bom que eu e a Luna fôssemos acompanhados por um rapaz. – eu conclui, olhando para Neville, Nathan, Colin, Cormac, Harry e por fim para Ron.
- Eu gostava de ir, Hermione. – Cormac disse, lançando-me um olhar que eu reparei que não passou despercebido a Nathan.
- Eu também. – Nathan apressou-se a acrescentar.
- Pois, acho que irmos quatro já é demais. Um de vocês basta. Depois se for necessário de tomar medidas mais drásticas aí pedia a colaboração de todos.
- Eu vou. – Cormac disse, não deixando que Nathan acrescentasse algo.
- Se ele mudar de ideias, sempre podes contar comigo, Hermione. – Nathan acrescentou, arqueando as sobrancelhas em direcção a Cormac.
- Eu não me acredito que vocês estão assim tão empenhados para ir salvar um elfo! – Ron disse, recebendo de imediato um olhar desaprovador vindo de mim. – Desculpa, estava só a dar a minha opinião.
- Nem vou comentar, Ronald Weasley. – eu disse sem paciência para o meu melhor amigo e as suas parvoíces. – Pronto, então vamos amanhã de manhã tratar disso. Às dez no ministério.
- Boa sorte aos que vão. – Christie disse sorrindo para os três que iríamos.
- Obrigada. Nós depois damos novidades sobre o que se suceder. – disse Luna com um sorriso simpático em direcção a Christie.
Rapidamente me despedi de todos os presentes, ficando por fim só os meus três melhores amigos e Nathan O'Conner. Ron de vez em quando lançava olhares desconfiados a Nathan quando este fazia algum comentário dirigido a mim.
- Tenho pena de não poder participar. – disse Nathan, quase fazendo beicinho como as crianças. Ele parecia realmente interessado nas actividades da Associação e eu tive pena de ele não ir também.
- Não te preocupes. Prometo que da próxima vez tu participas, Nathan. – eu disse-lhe, tentando reconfortá-lo. Ele sorriu-me e eu retribui. – Harry e Ron, obrigada por terem vindo. Não estava a contar convosco mas foi uma surpresa bastante agradável. Só espero que não me tenham estragado nada lá em cima.
- Aterrámos na tua casa de banho, Hermione. – Ron disse com um esgar.
Eu ri-me ao imaginar os dois enfiados dentro da minha casa de banho.
- Ginny, vamos para casa. – Harry disse gentilmente estendendo a mão para a ruiva.
- Acho que hoje vou dormir à Toca. – disse, piscando-me o olho.
- Oh, Ginny, por favor, vamos para nossa casa. – Harry insistiu não se apercebendo que a namorada estava a brincar com ele. – Tenho saudades tuas. – disse quase a sorrir abertamente.
Harry sabia ser persistente. Mas era impossível ser mais teimoso do que Ginny.
- Vamos lá embora, Harry Potter. – disse Ginny a rir-se da figura do namorado. Harry despenteou os próprios cabelos e despediu-se de mim com um abraço.
- Vemo-nos depois, Hermione. Ah! E bom trabalho para amanhã. Se o McLaggen te chatear muito, dizes-me que eu vou lá falar com ele. – Harry fez-me subitamente lembrar de Ron. Eu nunca contara a Harry ou Ron sobre as minhas saídas com o Cormac depois de Hogwarts. Eles não sabiam que depois de tudo, eu até o achei um rapaz interessante.
- Não te preocupes. Antes de tu lá chegares, o Draco já lá está a desfazer-lhe o pescoço. – eu disse a rir-me, fazendo Harry e Ginny rirem-se comigo. Nathan pareceu incomodado e afastou-se um pouco. Ron, por sua vez, fixou o olhar em Nathan, demasiado concentrado nos passos do outro para ter ouvido o que eu tinha dito. – Até logo! – dei um beijo na testa de Ginny e eles saíram pela porta para de certeza desaparecerem lá fora.
- Hermione, eu também vou embora. – Ron disse, aproximando-se de mim. – Tu vais ficar aqui…? – Ron perguntou atrapalhado.
- Claro, estou em minha casa, Ron.
- Mas… - Ron ia continuar a protestar quando Nathan o interrompeu:
- Não te preocupes, Weasley. Eu estou de saída.
Ron fulminou-o com o olhar e de seguida despediu-se de mim com um beijo carinhoso na face.
- Se precisares de alguma coisa já sabes.
- Não te preocupes, Ron. Já não sou uma criança. – eu respondi um pouco irritada com a preocupação excessiva dos meus amigos.
Ron, ao contrário de Ginny e Harry, desapareceu imediatamente na minha sala. Nathan que outrora estava de costas, virou-se de frente para mim.
- Tenho mesmo pena de não ir. Mas para a próxima espero poder ir. Espero que façam um bom trabalho, Hermione. – disse Nathan um pouco mais perto de mim.
- Sim, eu também espero que façamos um bom trabalho. – olhei para o relógio, Draco deveria estar mesmo a chegar. Se ele visse Nathan sozinho em minha casa comigo, iria explodir com certeza. E eu não tinha a mínima vontade de discutir com ele.
- Até amanhã, Hermione. Se nos virmos, é claro. – apressou-se a acrescentar.
- Até amanhã, Nathan. – apressei o passo até à porta para lhe abrir. – Draco! – exclamei, quando o vi diante de nós.
- Boa noite, Malfoy. – Nathan sorriu ao passar por Draco. – Hermione, foi um prazer. – acrescentou, sorrindo demasiadamente forçado para mim. Eu retribui com um sorriso mais ameno.
- O'Conner, ainda bem que estás de saída! – Draco sabia mesmo ser desagradável. Ignorei os comentários de ambos e entrei, sentindo os passos pesados de Draco atrás de mim. Bateu a porta com alguma força a mais.
- Já saíram todos? – Draco perguntou num tom espantado. – Estavas aqui sozinha com ele, portanto… - concluiu com alguma desilusão na voz.
Virei-me de frente para ele para encará-lo.
- Draco, não é nada do que possas estar para aí a pensar.
- Não estou a pensar em absolutamente nada. Detesto aquele tipo! – Draco disse com a raiva contida na voz. – A maneira como ele olha para ti tira-me do sério. Da próxima vez… juro que não falo por mim. – disse entre dentes.
- Pára, Draco. Escusas de estar com tanta raiva dele.
- Tu vês como ele olha para ti? – Draco encarou-me e eu vi raiva nos olhos azuis acizentados.
- Ele só o fez para te irritar. Enquanto não chegaste, estava tudo normal. – disse-lhe eu, pensando que estava a amenizar toda a situação.
- Ai sim? Então eu juro que da próxima vez que o vir, dou-lhe um soco que ele vai desejar nunca ter olhado para ti, não daquela forma.
- Draco, estás louco?
- Sim, Hermione, estou louco de ciúmes! – disse quase a berrar. Assim que viu a minha cara de assustada com a reacção dele, Draco abanou a cabeça e sentou-se no sofá. Abanou com uma das pernas durante vários minutos. – Hermione, vem cá. – Draco disse quando se encontrou finalmente mais calmo. – Desculpa-me. Eu simplesmente não me consigo controlar. – continuou a falar.
- Draco, estás a exagerar um bocado e isso assusta-me. Não há nada entre mim e o Nathan e tu sabes perfeitamente que eu seria incapaz de te trair.
- Eu não disse que me traías. Mas ele… ele faz-me perder todo o meu controle. Desculpa-me. – voltou a pedir, agarrando as minhas mãos. – Amo-te demais, é só isso. – disse, abanando os ombros e com o meu meio sorriso favorito formado. Eu iria entregar-me a ele, porque estava farta de discussões. E amava-o tanto ao ponto de ser capaz de esquecer os inoportunos ataques de ciúmes dele.
Beijei-o nos lábios docemente. Não iríamos discutir novamente. Depois deitei-o no sofá e encostei a minha cabeça ao peito dele.
- A tua sorte, Draco Malfoy, é que te amo demais. – disse, sentindo os braços dele em minha volta.
- É assim que te sentes quando vês a Ellen perto de mim? – perguntou, parecendo um desafio.
Apesar da pergunta me ter apanhado de surpresa, eu respondi o mais sinceramente que pude.
- Eu sinto vontade de lhe arrancar a cabeça. E a ti também.
Draco soltou uma gargalhada por causa da minha resposta. Depois beijou-me a testa e acabamos por adormecer na sala. Na manhã seguinte, acordei com uma grande dor de costas por causa da posição em que acabara por adormecer.
- Draco, acorda. São horas de irmos trabalhar. – disse baixinho, abanando-lhe os ombros.
- Já vai. – respondeu, colocando uma das almofadas por cima da cabeça.
- Draco, agora! – falei um pouco mais alto.
- Dói-me o corpo, Hermione. Deixa-me ficar a dormir.
Comecei-me a rir sem achar piada nenhuma. A mim também me doíam as costas e não era por isso que iria deixar de trabalhar.
- O pequeno-almoço está na mesa. É bom que te despaches, já não tens tempo sequer de tomar banho.
Frustradamente, Draco levantou-se e só com aquele maldito boxer sentou-se à mesa. Eu já estava vestida e de banho tomado. Draco pegou numa das tostas e barrou a manteiga.
- Hoje vou resgatar um elfo. – disse, demasiado excitada para conseguir comer o resto da tosta.
- Óptimo. Eu tenho de fazer umas pesquisas. – Draco disse, pestanejando vezes sem conta para se manter acordado. – Com uma cama tão grande lá em cima, tínhamos mesmo de adormecer no sofá? – perguntou, bufando com as dores de costas.
Levantei-me e passei-lhe um frasco com uma poção esverdeada dentro. Com certeza que lhe iria aliviar as dores, pois eu já tinha tomado antes de ir tomar banho e encontrava-me bastante melhor.
- Quantas gotas?
- Três. E põe logo o pão à boca se não vais vomitar aqui.
Draco revirou os olhos e fez o que eu disse. Chegamos ao ministério a passar das horas e antes de Draco virar para o corredor 13 que iria dar ao gabinete de entidades mágicas, despediu-se de mim com um beijo.
Arquivei todos os documentos antes das dez horas. E à hora em ponto, bateram ao meu escritório e entraram Luna e Cormac juntos.
- Bom dia. Preparados?
- Claro. – Cormac disse, parecendo bastante entusiasmado.
- Bom dia, Hermione. Estava mesmo a dizer ao Cormac que ainda ontem ouvi o choro da pobrezinha Maggy.
- Vamos já resolver isso, Luna.
Aparecemos directamente em frente a casa de Luna e ela garantiu-nos que a casa onde Maggy estava era na esquina. Andamos até à esquina e Luna apontou para uma casa grande e com um ar pouco acolhedor. Por isso mesmo é que eu sempre detestava casas grandes. Só havia um sítio que fosse grande e eu considerava acolhedor: Hogwarts. De todos os outros, sempre gostei mais de casas pequenas como a Toca.
- É ali mesmo.
- Peguem. – disse, retirando dos bolsos uns cartões identificativos. – Arranjei essas fotos nas entidades mágicas do ministério. – acrescentei, ao ver o ar apavorado de Cormac a olhar para a fotografia.
- Tenho fotos bem melhores e mais recentes, Hermione. – disse, colocando a língua de fora.
Abanei a cabeça com um sorriso nos lábios.
- Vamos ao que interessa. – disse e ambos me acompanharam lado a lado até ao portão gigantesco daquela casa.
