Durante uns breves minutos olhei especada para o prato com a comida à minha frente. Se tinha estado com fome minutos antes, esta havia sumido com Draco definitivamente. Afastei o prato para o lado com força a mais e levantei-me exaltada da cadeira. Parecia que o mundo não se cansava de se desmoronar em cima de mim. Eu deveria ter as costas muito largas para aguentar com toda a pressão. Era como se uma nuvem cinzenta pairasse sobre a minha cabeça, fazendo com que a tempestade se tornasse cada vez mais forte.

Fui para o meu escritório sem vontade nenhuma para trabalhar. Estava triste, porque tudo o que acontecia à minha volta estava a magoar-me e sobretudo estava a magoar o Draco. Por mais nula que fosse a vontade que eu tinha para trabalhar, mais era ainda a de ir para casa ao final do dia. Estava com medo de voltar para a minha própria casa e isso parecia-me tão absurdo. Mas não era. Eu estava revoltada, para além de triste, por não conseguir fazer com que o Draco se deixasse de preocupar comigo. A culpa de tudo isso era só minha, pois não tinha conseguido agir com naturalidade como se nada tivesse acontecido. Não tinha conseguido evitar fraquejar diante dele, o que não deixara margem para dúvidas: eu estava mal. Por mais que agora eu tentasse garantir que estava tudo bem, ele não acreditaria.

Estive durante toda a tarde com uma pequena esperança que Draco aparecesse no meu gabinete para falarmos, sem discussões. Havia tanto para falarmos, mas a ideia de que não lhe poderia dizer nada invadiu a minha mente. Pousei o cotovelo na mesa e encostei a minha face à mão. Suspirei com brusquidão. Era tão injusto! Draco tinha todo o direito de saber, mas eu não poderia fazer isso. Achei que por não lhe contar o que se passava estava a ser egoísta, mas ao mesmo tempo também achava que o seria se lhe contasse. Tratava-se do próprio pai. De qualquer das formas, eu sempre iria ser egoísta.

Uma leve batida na porta fez com que um meio sorriso se formasse nos meus lábios. A pequena chama de esperança incendiou-se no meu peito, o meu coração pulou e as minhas pernas - sem qualquer ordem do meu cérebro - apressaram-se a correr em direcção à porta. A minha mão precipitou-se para a maçaneta da porta para a abrir. O meu sorriso desfez-se e o brilho do meu olhar sumiu quando não se deparou com a figura loira por quem eu tanto ansiava. Em vez de Draco, surgiu diante de mim Josie com as mãos cheias de pergaminhos.

- Ah, és tu… - não consegui disfarçar a desilusão na voz.

- Desculpe, Miss Granger. Eu vinha só… entregar isto. – justificou-se ao notar toda a minha decepção.

Virei-lhe costas e respirei fundo. Tudo o que eu queria era ver Draco, vê-lo entrar por aquela porta e dizer que tudo ia ficar bem. Mas ele não apareceu e eu não consegui disfarçar a desilusão que senti ao ver Josie em vez de Draco.

- Podes deixar aí em cima da secretária. – disse secamente.

- Miss Granger, desculpe, mas está tudo bem? – perguntou um pouco hesitante.

- Está tudo bem. Podes sair. – respondi sem me virar de frente para ela. Não era capaz de enfrentá-la e dizer que estava tudo mal, porque o pai do meu namorado me andava a perseguir com o objectivo de nos ver separados.

- De certeza… de que não precisa de nada?

- O que eu preciso é de sossego. Vai-te embora, Josie. Deixa-me em paz! – quando dei por mim já estava praticamente aos berros e a bater com a porta.

Eu só queria o Draco. Eu só queria fazê-lo entender pelo que eu estava a passar, o dilema em que me encontrava. Alguém me poderia dar isso? Não. Voltei a sentar-me na cadeira e esfreguei a cara com as mãos. Tive vontade de gritar e sobretudo de chorar. Mas não tive tempo de fazer nem uma coisa nem outra, pois alguém bateu novamente à porta. Dessa vez, não me precipitei em direcção à porta. Não precisei de ordenar que entrassem, pois instantes depois Draco abriu a porta e entrou. Tomou o cuidado de a fechar antes de se dirigir a mim.

Draco parecia estar tão preocupado. O rosto dele estava carregado de preocupação, os olhos adquiriram um tom cinza escuro. Não tive forças para me levantar e ir ter com ele, nem com a vontade de correr para os braços dele a invadir-me o peito. Draco pareceu perceber isso, pois aproximou-se da minha secretária. Beijou-me a testa e deu-me o abraço que eu tinha pedido silenciosamente. Fechei os olhos com força, impedindo que as lágrimas que se começavam a formar caíssem.

- Por que trataste assim a Josie? Não é normal vindo de ti, Hermione. O que te deixa preocupada dessa maneira? Fala comigo, se não queres que eu enlouqueça. – Draco usou um tom de voz baixo e grave.

- Eu… eu estou cansada. É só isso! – justifiquei-me, deixando-me ficar envolvida naquele abraço tão protector.

- Não me faças de parvo. – o tom de voz já tinha começado a aumentar.

- Tu não entendes, Draco. Não entendes! Ninguém entende. Se eu pudesse… - já me tinha soltado do abraço de Draco e estava de pé aos berros.

- De uma vez por todas: o que se passa contigo? Pelas barbas de Merlin! – gritou com as bochechas a ficarem coradas.

- Eu tenho medo… não posso contar. – senti-me como uma criança e mais uma vez as lágrimas venceram-me e rolaram pela minha face. Sentei-me no chão e tentei aguentar o choro mas em vão.

Draco entretanto apercebera-se que eu estava novamente a chorar pela milésima vez naquela semana e baixou-se ao pé de mim. Sentia-me tão fraca por estar sempre a chorar diante dele. Mas era incontrolável e eu abominava-me por não ter forças suficientes para aguentar.

- Ei… - disse, baixinho, encostando a minha cabeça ao peito dele. – Não chores! Eu estou aqui. Seja o que for que te deixa assim, nós vamos resolver.

- Não podemos resolver… juntos. – murmurei entre soluços descontrolados.

- Porquê que não queres a minha ajuda? – perguntou também num murmúrio, fazendo-me levantar um pouco para fitá-lo. De seguida encostou a testa à minha e fez-me aprofundar o meu olhar no dele.

- Eu quero… mas não posso. Oh Draco se eu pudesse ao menos explicar. Mas, não dá. Perdoa-me por tudo o que te estou a fazer passar. Desculpa-me se estou a ser egoísta, mas vejo-me sem alternativas. Ninguém consegue entender o que eu estou a passar e não te censuro pelas tuas reacções, mas acredita em mim, por favor. Desta vez não me podes ajudar. – falei rápido, apenas com umas breves pausas para respirar fundo.

Por breves momentos Draco ficou a encarar-me sem que palavras fossem proferidas. Consegui perceber pelo olhar dele que ele estava confuso, o que não era para menos. Rapidamente me envolveu num novo abraço, reconfortante e protector. Os braços fortes dele fizeram-me sentir aquela protecção da qual precisava já há algum tempo. Encolhida nos braços dele e por entre soluços sufocados deixei-me ficar.

- Vai ficar tudo bem. – disse num sussurro. A minha pele ficou arrepiada e eu fiquei sem saber se foi por causa da melodia da voz dele perto do meu ouvido ou se por saber que o que ele estava a dizer era mentira. Nada iria ficar bem, não com Lucius Malfoy por perto.

Caímos novamente naquele silêncio incomodativo. E eu deixei-me ficar ali protegida por aquele que eu sentia que estava a perder a cada dia. Foram tantos os pensamentos que passaram pela minha cabeça. O medo de perdê-lo apoderou-se de todo o meu corpo e eu apertei-o com força. Ele retribuiu, beijando-me por diversas vezes a testa. Recusei-me voltar a fitá-lo, pois a tristeza no olhar dele partia-me o coração.

Não soube ao certo quanto tempo estivemos abraçados. Naquela tarde não fiz mais nada no trabalho. Deixei a minha cabeça cair sobre o meu braço que estava pousado na secretária e por bastante tempo estive ali com todos os pensamentos a baloiçarem e a magoarem-me.

Por mais que eu quisesse evitar ir para casa, eu não podia fazer isso para sempre. Vesti o meu casaco e fechei a porta do gabinete com cuidado. Olhei para os dois corredores que se seguiam e respirei fundo antes de ir pelo que era mais demorado até chegar à escadaria principal do ministério. Cheguei a ter medo que Lucius estivesse a vigiar-me durante o dia, à espera do momento em que eu me afastasse de vez de Draco.

Durante todo o caminho até à estação de metro senti-me observada. Enquanto caminhava olhava para todos os lados, pedindo a Merlin que não me aparecesse Lucius Malfoy. Mas eu sabia que não poderia evitá-lo por muito mais tempo. Eu não poderia deixar de ir para casa e de fazer as coisas do dia a dia.

Quando saí do metro fui pela viela escura que dava acesso directo à minha casa. Os meus pés pareciam cada vez menos certos de que era aquele o caminho correcto. Ordenei ao meu cérebro para que eles continuassem a levar-me até casa. Quando cheguei a casa tudo me pareceu silencioso e mórbido. Pousei as chaves no armário da entrada e caminhei até à cozinha. Estava escura e sem qualquer sinal de vida, a não ser o ressonar ruidoso de Crookshanks que estava deitado no tapete em frente ao sofá. Era tão estranha a sensação de desconforto na minha própria casa! Senti-me como se estivesse num local desconhecido com armadilhas em qualquer parte. Aproximei-me cautelosamente do sofá e Crookshanks, que finalmente dera pela minha presença, fitou-me a bocejar. De seguida lançou as patas para a frente e espreguiçou-se, abrindo a boca para mais um longo bocejo. Observei a casa à minha volta como se não a conhecesse.

Os passos pesados no andar de cima fizeram-me suster a respiração. Crookshanks, como se nada compreendesse, enroscou-se nas minhas pernas. E eu sabia que ele ia descer as escadas com aquele sorriso maldoso nos lábios. Estremeci só de pensar nisso. Não demorou muito para que isso acontecesse. Lucius aproximou-se de mim e logo de seguida sentou-se no sofá muito comodamente. Os meus olhos fixaram os dele.

- Ora, Granger, espero que já tenhas dito ao Draco que não existe mais nada entre vocês.

- Eu… - a minha voz saiu rouca e insegura – Eu ainda não falei com ele.

Lucius levantou-se ainda com o sorriso estampado no rosto. A minha respiração parou enquanto ele me rodeava em silêncio. Fechei os olhos e uma dor surgiu-me no coração ao ver a face de Draco. Pressionei os lábios numa linha recta, evitando um gemido angustiante.

- Dou-te mais um dia, sangue de lama. – murmurou atrás de mim, frisando bem as últimas palavras com prazer e ao mesmo tempo com repugnância.

De seguida passou atrás do sofá, colocando-se à minha frente. Rapidamente desapareceu e eu deixei-me cair no sofá de forma brusca. Puxei as pernas para cima e agarrei-me aos meus próprios joelhos. Pousei o queixo nas pernas e deixei que o tormento passasse. Estava a ser torturante não ter descanso. Lucius Malfoy estava empenhado em me separar de Draco e cada vez que eu fechava os olhos via-me a perdê-lo.

Estava numa floresta e o sol iluminava tudo, excepto as zonas em que as árvores faziam sombra. Observei lentamente tudo à minha volta e senti a terra nos meus pés descalços. Suspeitei que se tratasse da floresta proibida de Hogwarts, pois era me demasiado familiar: as árvores altas, as marcas na terra denunciavam a recente presença de centauros e a cabana de Hagrid do outro lado da floresta. Caminhei tranquilamente, procurando a razão de eu estar ali. Foi então que eu vi uma silhueta que me chamou a atenção. Olhei para ele e a sensação de conforto aumentou.

Draco estava encostado numa das árvores com o ombro e de braços cruzados. Sorriu-me inesperadamente assim que me avistou. Um sorriso rasgou-se no meu rosto e, como uma criança, desatei a correr na direcção dele. A felicidade pulava no meu peito. Draco abriu os braços, esperando que eu fosse ao encontro dele para o abraçar. E a distância que me parecia pequena tornou-se infinita, fazendo com que eu nunca conseguisse alcançá-lo. O sorriso no rosto de Draco desvaneceu-se e o meu também. Sem parar de correr, comecei a chorar, tentando alcançar o braço dele que estava esticado na minha direcção. Não parei de correr e estiquei o braço na direcção dele. À medida que eu tentava avançar e não conseguia, Draco tomava uma expressão de profunda tristeza. E o meu coração despedaçava-se por vê-lo assim. De repente o sol desapareceu, dando lugar a uma escuridão imprevisível. Os nossos dedos tocaram-se, mas repentinamente a figura perfeita de Draco desapareceu como se ele se tratasse apenas de uma ilusão e as minhas pernas fraquejaram.

Acordei sobressaltada e passei a mão na testa para limpar o suor. Aquele sonho simbolizava todo o meu receio de perder Draco. Relembrei cada momento do sonho. Por momentos eu tinha conseguido tocar nos dedos dele, só poderia querer dizer que depois de tanto esforço para alcançá-lo iria perdê-lo num piscar de olhos. Esfreguei a cara, comprimindo um grito de desespero. Olhei para o relógio suspenso na parede da cozinha e levantei-me num ápice. Já eram oito e meia da manhã e eu ainda estava em casa. Corri para o andar de cima com as pernas a fraquejarem-me, como no sonho. Peguei na primeira roupa que me apareceu à frente e vesti-me. Arranjei o cabelo com um breve aceno da varinha e desapareci de imediato. Não tinha tempo de tomar o pequeno-almoço e dirigi-me logo para o meu escritório.

- Josie, por favor, traz-me um café. – pedi e abri a porta do gabinete.

- Com certeza, Miss Granger. – disse, acelerando o passo em direcção ao bufete.

Atirei com o casaco para cima do bengaleiro e sentei-me na cadeira, exausta. Ainda era de manhã e eu já me sentia tão cansada. Os acontecimentos da noite anterior estavam ainda bem presentes na minha mente. Lucius dissera de forma tão áspera que eu só tinha mais um dia. Apenas mais um. Evitei fechar os olhos para não ver novamente o rosto de Draco contorcido em dor. Não queria magoá-lo mais. Mas o que quer que fosse que eu fizesse iria sempre magoá-lo e isso estava a matar-me por dentro. Suspirei insatisfeita.

Minutos depois Josie bateu à porta e trouxe-me uma chávena de café.

- Obrigada. – agradeci com um sorriso que rapidamente se desvaneceu.

Levei a chávena à boca, bebendo o seu conteúdo em segundos. Senti o líquido quente queimar-me a garganta. Já há muito que precisava de sentir alguma coisa, que não fosse a dor profunda no peito. Debrucei-me sobre a secretária e apressei-me a arquivar toda a papelada.

Estava a vestir o meu casaco preto para ir almoçar quando bateram à porta. Depois de proferir um 'Entre' quase inaudível, surgiu Josie com um pergaminho na mão.

- Miss Granger, fui ao corujal buscar a correspondência do ministro e tinha esta carta para si.

- Obrigada, Josie.

- De nada. Com licença… - disse, virando-se de costas para mim.

- Espera, Josie. Eu tenho de te pedir desculpas. Fui muito rude contigo ontem. Desculpa. Só quero que saibas que não tem nada a ver contigo.

- Ora, eu compreendo. Desculpe-me também se fui demasiado intrometida.

- Não tens que pedir desculpas por te teres preocupado. – disse-lhe a sorrir.

Josie retribui-me o sorriso e saiu educadamente. A carta era de Luna Lovegood, reconheci devido à caligrafia divertida em que o meu nome estava escrito. Tinha vários desenhos no envelope e eu não pude conter um sorriso. Abri o envelope e li o conteúdo:

" Hermione,

Só quero que saibas que está tudo bem com a Maggy. Tem passado o tempo todo aqui em casa e o meu pai afeiçoou-se muito a ela. Está a ser bem tratada e já decidimos que vai ficar a viver connosco. Ontem durante a hora do jantar o meu pai convidou-a para viver connosco e ela ficou tão comovida que não conseguiu falar. Mas nós compreendemos logo que significava um sim.

Espero passar no ministério com a Maggy em breve.

Luna Lovegood. "

Fiquei bastante contente por saber alguma coisa da Maggy. Era tão bom que ela estivesse com a Luna, pois assim eu tinha a certeza de que seria bem tratada. Eu tive a certeza de que os Lovegood não a iriam tratar como uma escrava, mas sim como um membro da família e isso deixou-me bastante satisfeita.

Apressei-me em ir para o bufete. Antes de ir para a fila do almoço, procurei com o olhar por Draco. Estava sentado numa mesa sozinho com um ar extremamente aborrecido a olhar para o prato de comida. Remexeu com o garfo na comida e respirou fundo. Deve-se ter sentido momentaneamente observado, pois olhou para os lados. Quando os nossos olhares se cruzaram eu senti a mágoa. Sem pensar no que estava a fazer, aproximei-me da mesa dele e puxei a cadeira à frente dele para me sentar.

- Olá. – disse-lhe sem grande emoção na voz.

Draco abanou com a cabeça para cima. Eu precisava de ouvi-lo.

- Como estás? – perguntei com a voz a tremer.

- Como é que tu achas? – perguntou furiosamente, encarando-me. O olhar dele penetrou o meu, fazendo-me sentir arrepios por todo o corpo, mas não desviei o olhar.

- Draco, eu não aguento mais estar assim. – confessei, já sentada, quase num sussurro.

- Tu é que queres estar assim, Hermione. – Draco largou o garfo, fazendo um barulho estridente.

- Não percebes? Eu não aguento! Estou farta… - disse entre dentes. – Por favor, vamos conversar?

- Não temos nada para conversar. – disse, colocando-se de pé rapidamente. – Até logo.

Fiquei especada no mesmo sítio, fitando o prato cheio de comida de Draco. Minutos mais tarde, dirigi-me para a fila do bufete que já se encontrava bem mais pequena. Não que estivesse com fome, mas tinha de comer alguma coisa, uma vez que não tinha tomado sequer o pequeno-almoço.

Almocei calmamente e depois dirige-me ao meu escritório para continuar a trabalhar. Tive uma reunião importante com Mayer e depois deixei-me ficar à secretária até escurecer lá fora. Sem olhar para as horas, levantei-me disposta a ir apanhar o metro. Eu sabia que Lucius me esperava para saber se tinha deixado Draco. Não poderia evitá-lo e senti-me pela enésima vez ficar fraca nesse dia. Um turbilhão de pensamentos veio à minha mente e eu suspirei, cansada do rumo que a minha vida tinha tomado. Estava virada de pernas para o ar e eu via-me num beco sem saída. Não tinha alternativas. Desci a escadaria principal do ministério com passos lentos e arrastados.

A minha vida estava numa escuridão e nada poderia nesse momento iluminá-la. Caminhei vagarosamente até à estação. Senti uma mão forte apertar-me o braço e eu assustei-me, sem conseguir reprimir um grito.

- Calma! – disse Draco, largando-me o braço.

Lancei-me para o pescoço dele e abracei-o necessitadamente. Draco retribuiu o abraço, mesmo sem perceber o que se tinha passado. Quando finalmente o larguei e o encarei olhos nos olhos consegui constatar que o olhar dele estava confuso.

- Por que reagiste assim? – perguntou, arregalando um pouco os olhos cinzas.

- Eu… assustaste-me, Draco. Já é tardíssimo e não estava a contar contigo. Foi isso! – disse a gaguejar.

- Pois. Mas foi muito estranha a tua reacção, Hermione. – disse, já a caminhar ao meu lado.

- Desculpa. – disse, fazendo o meu melhor sorriso. Mas isso não pareceu convencê-lo, uma vez que ele não retribuiu.

- Estou cada vez mais preocupado contigo. Gostava mesmo de conseguir entender o que se passa. – parou no caminho, parecendo que estava a reflectir em alguma coisa. – Foi alguma coisa que eu te fiz?

- Não! – disse num grito. Não queria de todo que ele pensasse que estava a fazer alguma coisa de errado. A culpa era minha e apenas minha. Não queria que ele se culpasse por isso.

Draco ficou a observar-me, entediado. Revirei os olhos sem saber o que dizer mais ao certo. Eu precisava de me ir embora. Aliás, eu tinha de me ir embora. O meu coração batia fortemente que por momentos eu tive a certeza de que Draco o ouvia. O silêncio mais uma vez se instalou entre nós e eu interrompi-o minutos mais tarde:

- Eu tenho coisas combinadas para logo… - disse, engolindo em seco. – Tenho de ir. – disse, colocando-me em bicos de pés para lhe beijar a face rosada.

As minhas pernas levaram-me a correr até à estação, mas de forma inconsciente virei para uma viela para respirar fundo. O que é que eu estava a fazer? Estava a pôr o Draco em risco! Não me iria perdoar se Lucius nos estivesse a espiar e visse que eu não tinha feito o que ele me tinha ordenado. Depois de me acalmar um pouco, apareci em casa e para minha grande surpresa Lucius encontrava-se sentado no meu sofá com Crookshanks a bufar-lhe nos pés.

- Boa noite para ti também. – disse Lucius, ao ver a minha cara de surpreendida. – Não me digas que não estavas a contar comigo. Ora, Granger, pensei que fosses mais perspicaz e soubesses que um Malfoy cumpre sempre as suas promessas. – continuou sem me dar qualquer oportunidade para falar.

- Não tive hipótese de falar com o Draco. – menti, sem grandes rodeios. – Ele estava cheio de trabalho e não pôde falar comigo. – acrescentei firmemente.

Lucius riu-se e apontou para o meu próprio sofá para que eu me sentasse. Era preciso ter lata para me convidar a sentar na minha própria sala. Revirei os olhos, passando a mão no bolso do casaco para sentir a varinha. Hesitante, sentei-me no sofá. Lucius ajeitou-se de maneira a conseguir-me fitar de frente.

- Granger, eu pensei que o meu filho me tinha dito há algum tempo atrás que tu eras a bruxa mais inteligente de Hogwarts… - disse, abanando a cabeça repetidamente. – Parece que se enganou redondamente. – disse, retirando do bolso da camisa escura um pedaço de pergaminho.

Desdobrou-o e eu pude ver a minha morada escrita com a minha caligrafia. Semi-cerrei os olhos para poder verificar melhor. Mas as dúvidas dissiparam-se: era o bilhete que eu tinha enviado ao Nathan O'Conner para agendar a reunião! Levantei-me bruscamente e apontei para o papel com um ar indignado.

- Nathan… - murmurei com a voz a escapar-me. – Não! Não pode ser… - gritei furiosa com a constatação.

Não poderia ser, todo este tempo Draco a alertar-me do Nathan e eu sem querer dar-lhe ouvidos. Mordisquei o lábio inferior com raiva. Como pudera ser tão burra? O Draco tinha razão e eu agora sentia a culpa borbulhar por todo o meu corpo como uma doença. Se eu lhe tivesse dado ouvidos…

Assim que saí do transe em que me encontrava, notei que Lucius se ria às gargalhadas como se tivesse sido contada a piada do ano.

- É verdade. O O'Conner trabalhou para mim. Não imaginas o sacrifício que teve de fazer para parecer minimamente interessado. Quantas vezes mesmo o Draco te avisou do Nathan? – perguntou quando finalmente se conseguiu controlar.

Agora doía ainda mais ouvir a pergunta, que eu apenas tinha em mente, ser formulada. Doía ainda mais sendo feita por Lucius.

- Inúmeras vezes, certo? O Nathan estava receoso que tu te tornasses mais difícil por causa do Draco… Mas esse teu feitiozinho de quem sabe tudo não permitiu que o Draco se intrometesse. És tão idiota, Granger. Nem desconfiaste do facto de o Nathan ter desaparecido…

- Ele parecia tão sincero… tão interessado…

- … na tua patética associação? – interrompeu-me divertido. – Nem Merlim se interessaria pela tua inútil associação!

Lucius levantou-se do sofá e sentou-se novamente mas bastante mais perto de mim. Senti a respiração dele no meu pescoço, o que me fez fechar os olhos com força. Os lábios dele roçaram ao de leve na minha pele, descendo até aos ombros. Não me atrevi a abrir os olhos, pois não queria encontrar a malícia no olhar cinza dele.

- Por que não me deixa em paz? – perguntei com a voz rouca. Estava tão farta de tudo: das perseguições de Lucius, do afastamento de Draco e de descobrir que tinha sido bem enganada.

- Se queres que eu te deixe em paz, tens de deixar o Draco, Granger. – a voz saiu-lhe estranhamente solene.

- Mas nós gostamos um do outro. Não percebe que o Draco vai ser infeliz? É isso que quer? Tirar-lhe a felicidade? – as perguntas saíram da minha boca como mísseis mas pareciam não lhe afectar.

Uma das mãos de Lucius agarrou a minha cintura com força, puxando-me o máximo que conseguiu para perto dele. Mas o toque estridente da campainha fê-lo empurrar o meu corpo para longe dele. Abri os olhos e vi a fúria apoderar-se dele.

- Quem é que vem aí? – perguntou tão baixo que só eu poderia ouvir.

- Não faço ideia. – respondi, erguendo-me para a porta. – Quem é?

- Hermione, abre a porta, se faz favor. – exclamou a voz autoritária de Ginny.

- Weasley intrometida… - vociferou entre dentes. – Eu vou voltar para acabar aquilo que comecei. – disse em tom ameaçador.

Lucius cerrou os punhos e desapareceu sem deixar rasto. Estava tão grata a Ginny por ter aparecido. Não queria sequer imaginar o que poderia ter acontecido. Ajeitei-me e abri a porta à minha amiga que se lançou para o meu pescoço.

Depois de ficar abraçada a mim durante algum tempo entrou pela sala dentro e sentou-se no sofá com os olhos vermelhos e inchados. Teria sido mais uma das discussões com o meu melhor amigo Harry que a tinham deixado nesse estado lastimável? Conjurei dois chás e tentei acalmá-la.

- Estou tão irritada, Hermione! – disse como se me estivesse a dar uma grande novidade. Poderia ver a léguas que ela estava irritada e infelicíssima.

- Agora que já estás mais calma posso saber o que se passou?

- Adivinha? Não é preciso teres sido a melhor aluna de Hogwarts para conseguires adivinhar… - Ginny revirou os olhos.

- Discutiste outra vez com o Harry?

Ginny consentiu com a cabeça. Eu tinha a certeza de que o Harry amava a Ginny e a Ginny também o amava. Mas a verdade é que eles passavam a vida a discutir.

- Afinal qual foi o motivo desta vez? – eu não queria parecer intrometida, mas por outro lado não queria também parecer desinteressada naquilo que a minha amiga dizia.

- Fui destacada para uma missão na América. Pensei que o ia deixar orgulhoso e fui toda contente para casa contar-lhe. Porém, ele chamou-me de egoísta e disse que eu só estava a pensar em mim. Fiquei furiosa, Hermione! Ele não tinha o direito… ele sempre soube que eu queria fazer isto da minha vida.

- Eu compreendo-vos aos dois, Ginny. – a ruiva lançou-me um olhar mortífero – Sabes, faz todo o sentido quereres seguir os teus sonhos. E o Harry não tem o direito de te cortar as asas nem tem o direito de te chamar egoísta, só porque estás a pensar um bocadinho mais em ti. Eu tenho a certeza de que se o Harry te pudesse acompanhar…

- Ele recusou! Pedi-lhe que viesse comigo, pois são só dois meses…

- Tu irias com ele se fosse ao contrário? Mesmo que isso implicasse passares o teu trabalho para segundo plano? Não te esqueças que o Harry vive para o quidditch… Além disso, o torneio aproxima-se e ele não pode estar sem treinar…

Ginny voltou a revirar os olhos e eu percebi que ela daria o braço a torcer.

- Tens razão. Mas ele tem de compreender… se ele me ama como diz vai ter de aguentar os dois meses.

- Fá-lo ver isso. Mas não fales com ele hoje, porque estão ambos de cabeça quente e poderia dar mau resultado.

- Obrigada por me ouvires mais uma vez. Detesto chatear as pessoas com os meus problemas, mas és a única pessoa que me ouve e me dá uma opinião sensata. Os meus irmãos são uns machistas que acabariam por dar razão ao Harry. A minha mãe quase que me atreveria a dizer que gosta tanto do Harry como de mim e as relações que mantenho no trabalho são estritamente profissionais.

- Não te preocupes. Tu sabes que podes contar comigo sempre que precisares. – disse, retribuindo um sorriso à minha amiga. – Quando partes para a América?

- Depois de amanhã bem cedo.

- Queres ficar cá esta noite? – perguntei com esperança de uma resposta positiva.

- Eu não quero incomodar. – disse bastante hesitante.

- Não incomodas. Aliás, fazes-me um grande favor. Estou a precisar de uma boa companhia.

- Não vais estar com o Draco?

Mexi-me no sofá, incomodada com a pergunta. Eu gostaria de estar com ele, mas ele nunca mais tinha aparecido. Às vezes sentia como se já o tivesse perdido, mesmo sem estar a fazer o que Lucius desejava. Eu sentia que estava a afastá-lo. E o Draco não aparecia para acabar com este sentimento de perda.

- Hoje não… - respondi simplesmente.

- Já percebi que as coisas para esse lado não estão muito melhores. – constatou, agarrando a minha mão.

- Não vamos falar de coisas tristes. – levantei-me de rompante e subi as escadas, sentindo Ginny mesmo atrás de mim.

- Tens a certeza de que não queres falar? O Malfoy fez-te alguma coisa?

- Ginny, por favor. – doía demasiado falar sobre o assunto.

- Compreendo. – disse sem aceitar muito bem.

As duas descemos novamente e preparamos umas sandes para comermos antes de nos deitarmos no sofá a conversar sobre acontecimentos passados. Era tão bom recordar esses momentos de Hogwarts. E reconfortava-me tanto a companhia da minha amiga. Por vários momentos tive para lhe contar o que se estava a passar, mas controlei-me. Era melhor que ficasse um segredo meu.

Na manhã seguinte quando acordei Ginny já não estava em casa. Porém, tinha deixado um bilhete a dizer que iria tentar resolver as coisas com o Harry. Fiquei contente por ela ter tomado a decisão correcta.

Todavia, o facto de estar novamente sozinha na minha casa fazia-me sentir melancólica. Quem me dera que Draco estivesse comigo. Pensar nele e no quanto eu o desejava causava-me um aperto no coração. Teria de quebrar a minha relação com ele o mais rápido possível. Conhecia minimamente Lucius Malfoy para saber que ele seria capaz de magoar o próprio filho se quisesse atingir os seus objectivos. Não lhe importavam os meios que usaria para obter a meta que tanto desejava. Imaginar Draco magoado trazia-me sentimentos de culpa.

Já tinham passado dois dias e Lucius não tinha voltado. Os dias no ministério tinham sido bastante atarefados. Só tinha visto o Draco de relance na hora de almoço. Cruzei-me com Draco na escadaria principal.

- Draco? – exclamei espantada por vê-lo tão tarde no trabalho.

- Nós precisamos de conversar, Hermione. – disse, passando a mão no cabelo. Eu sabia que ele estava nervoso.

- Mas… eu agora não posso, Draco. Tenho uns assuntos para tratar. – disse de olhos fechados, pois queria evitar a dor que sentiria se o visse encarar-me.

Draco riu-se sem vontade. Observei-o durante algum tempo: as mãos perfeitas, que eu desejei por uma fracção de segundos agarrar, denunciavam o nervosismo dele; a boca abria-se e voltava-se a fechar como se quisesse dizer alguma coisa e os pés "dançavam" para a frente e para trás como se a qualquer momento desatasse a correr atrás de mim. Queria tanto que ele me envolvesse nos braços dele. Tentei a todo o custo afastar esses desejos da minha mente para que me pudesse concentrar no que ele realmente era importante.

- Desculpa, mas hoje não dá mesmo. Amanhã à hora do almoço passo no teu escritório, pode ser? – voltei a desculpar-me com dificuldade em olhá-lo nos olhos.

- Já percebi, está bem? – disse irritado. – Já percebi que tu não queres falar comigo, Hermione. Mas garanto-te que hoje descubro o que se passa. Aliás, eu já estive mais longe de o conseguir. – as bochechas de Draco estavam vermelhas por ter falado rápido e talvez um pouco mais alto do que o necessário.

Fiquei um pouco assustada quando ele disse que descobriria o que se andava a passar. Qual seria a reacção de Draco? Ficaria chateado por lhe ter escondido um assunto tão grave e sério? Ou simplesmente compreenderia a minha posição e iria tentar minimizar os meus sentimentos de culpa?

- O que vais fazer, Draco? – perguntei assim que caí na realidade.

- O que já devia ter feito há algum tempo… - disse, desaparecendo na escuridão.

- Draco? – chamei em vão. Eu sabia perfeitamente que ele já tinha desaparecido. Se não estivesse no meio de uma viela sinuosa teria gritado e barafustado de irritação. ´

Apesar de serem poucas paragens até casa, sentei-me no metro, observando as pessoas à minha volta. Algumas riam-se de coisas que outras diziam, outras estavam demasiado preocupadas em ler as mensagens escritas que tinham recebido, umas ligavam de volta aos números de quem tinham chamadas perdidas – supus eu – e, por fim, outras estavam simplesmente apáticas como eu.

Coloquei a chave na fechadura mas a porta não se abriu. Rodei mais uma vez, sem grande paciência, mas nenhum efeito surgiu. Retirei a varinha do bolso do meu casaco e apontei para a fechadura:

- Alohomora! – murmurei e o efeito foi imediato. Entrei e com passos lentos aproximei-me do sofá onde já se encontrava alguém. Não precisei de acender a luz para reconhecer Lucius Malfoy sentado comodamente no meu sofá.

Lucius agitou a varinha e a porta fechou-se rapidamente com um estrondo. Apontou com a varinha para duas velas que estavam pousadas sobre o móvel da sala.

- Eu detesto que me façam esperar. – disse, quebrando o silêncio.

- Mr. Malfoy, dê-me mais uns dias… - as lágrimas vieram-me automaticamente aos olhos. – Eu estou à espera da melhor oportunidade para falar com o Draco.

Lucius riu-se sarcasticamente.

- Sempre com a mesma desculpa, Granger. – levantou-se, dirigindo-se em passos lentos na minha direcção.

À medida que ele se aproximava de mim, eu afastava-me para trás. Quando já estava no meu limite – a parede da cozinha – Lucius esticou a mão para tocar a minha face. Baixei o olhar para o chão, evitando ter de fitar aqueles olhos cinza malvados. Contudo, Lucius colocou o dedo no meu queixo, obrigando-me a encará-lo. Semi-cerrei os olhos, aprofundando o olhar. O que é que ele queria afinal? Não bastava ter me de afastar do Draco? Parecia querer um pouco mais do que isso.

A minha respiração ficou descontrolada e ele pareceu reparar nisso, pois não conseguiu evitar um sorriso malicioso nos lábios. A mão direita de Lucius percorreu o meu corpo até à minha cintura fina. Apertou-me contra ele, fazendo-me odiá-lo ainda mais.

- Mr. Malfoy…

- Shhh… - murmurou ao mesmo tempo que colocava um dedo na frente da minha boca. A outra mão continuou a pressionar o meu corpo contra o dele.

Desceu a mão um pouco mais e eu coloquei a mão no peito de Lucius para afastá-lo. Inesperadamente, Lucius afastou-se, permitindo que eu me deslocasse até ao outro lado da sala. Veio ao meu encontro e praticamente atirou-me contra o sofá.

- Por favor, Mr. Malfoy. – pedi quase num gemido.

- Cala-te! – ordenou solenemente. Puxou as minhas pernas de modo que eu ficasse deitada no sofá. Com algum cuidado – que contrastava com o restante procedimento dele – deitou-se por cima de mim, beijando-me o pescoço.

Fechei os olhos, sem acreditar no que me estava a acontecer. Queria acreditar que estava noutro sítio com Draco ao meu lado e não Lucius. Mas a realidade era mais forte do que qualquer tentativa de imaginação naquele momento.

- Reage. – disse baixinho ao meu ouvido.

De quê que Lucius estava à espera? De gemidos de prazer? Eu estava enojada com toda a situação. As lágrimas percorriam o meu rosto sem que eu sequer me preocupasse em limpá-las. As minhas mãos pressionavam o cobertor que estava por baixo de mim no sofá. O meu corpo estava completamente imóvel. Lucius enquanto me beijava o pescoço cada vez mais ferozmente com uma das mãos rasgou-me a camisa, deixando-me apenas com o soutien vestido. Passou com a boca perto dos meus seios para logo de seguida começar a beijá-los desesperadamente. Pegou na varinha que tinha no bolso das calças e apontou para o soutien, abrindo-o ao meio com um feitiço silencioso. Chorei desesperadamente por ele estar a fazer isso comigo. Era no mínimo nojento. Estava a descer cada vez mais e eu aproveitei o momento de distracção para pegar na varinha que estava pousada no sofá, encostada ao meu corpo.

- Alarte Ascendare! – murmurei com a varinha apontada para uma taça que ascendeu rapidamente e caiu directamente em cima da cabeça de Lucius Malfoy que desmaiou.

Por entre choros incontroláveis afastei o corpo inconsciente de Lucius de cima de mim e corri, sem me esquecer de pegar na minha varinha. Assim que me apoderei dela, corri pelas escadas até à saída do meu prédio. Certifiquei-me que ninguém me estava a ver em trajes menores e Apareci em frente à casa de Harry e Ginny. Corri desajeitadamente com a varinha na mão até à porta e verifiquei – quase inconscientemente – que havia luz dentro de casa. Agradeci a Merlin mentalmente e tentei tapar-me o máximo que consegui antes de tocar à porta.

Harry e Ron surgiram na porta e os seus rostos tomaram expressões graves e preocupadas. Pareciam não acreditar no que estavam a ver e depois de trocarem olhares cúmplices, Harry lançou-se para a frente e abraçou-me.

- Hermione! – disse, protegendo-me com aquele abraço tão protector que o meu corpo exigia naquele momento.