Os braços fortes de Harry envolveram todo o meu corpo. Senti-me tão pequena e frágil envolvida naquele abraço tão forte. Fechei os olhos com força como se isso afastasse o pesadelo pelo qual eu tinha acabado de passar. As mãos de Harry percorriam as minhas costas nuas, apertando com força. De seguida, afastou ligeiramente o meu corpo e colocou as duas mãos na minha face, segurando-a com firmeza. Abri os olhos com alguma dificuldade e fitei os olhos verdes do meu melhor amigo. Era tão reconfortante vê-los ao invés daquele olhar frio e cruel que pertencia a Lucius.

- O que se passou? Por que estás neste estado? – perguntou Harry quase num sussurro.

Não lhe consegui responder. As lágrimas rolavam-me pela face e o choro não me permitia falar. Sentia-me sufocada quando Harry me largou. De seguida, Ron abraçou-me fortemente, sem nada dizer. As mãos dele quentes pousadas na minha cinta fizeram-me sentir reconfortada.

Conduziram-me até à sala de estar, onde me sentei no sofá. Ron conjurou um copo com água e passou-me para as mãos que tremiam inevitavelmente. Estava sem forças sequer para segurar no copo e, por isso, Harry segurou-o por mim e foi-me ajudando a beber o líquido que supostamente me deveria acalmar.

- Quando te sentires melhor começa a explicar o que te aconteceu… - disse Harry, afastando-me uma madeixa de cabelo da frente dos olhos.

Ron parecia embasbacado com toda a situação. Andava de um lado para o outro na sala e se eu não estivesse naquele estado tão deprimente ter-lhe-ia dito que a qualquer momento faria um buraco no chão. Quando olhei para o meu lado esquerdo vi-me no enorme espelho que reflectia a minha imagem: fragilizada com apenas o soutien vestido, aberto ao meio, e com a saia preta demasiado subida, onde se poderiam ver até metade das coxas. Sentia-me constrangida por estar nesses trajes em frente aos meus melhores amigos. Contudo, estava tão assustada que se não tivesse olhado ao espelho nem me lembraria que estava apenas assim. Levei as mãos até ao soutien, apertando-o contra os peitos de modo a tapá-los. Harry que viu o meu constrangimento pediu a Ron:

- Ron, por favor, vai buscar umas roupas da Ginny ao quarto.

Ron acenou afirmativamente com a cabeça e, ainda desorientado, subiu a escadaria praticamente a correr, tropeçando nos seus próprios pés inúmeras vezes.

- Dói-me o coração ao ver-te assim. - disse Harry, beijando-me carinhosamente a testa. Retirou a camisa que tinha vestida e tapou-me a parte da frente do corpo.

- Harry… - proferi, fechando os olhos para me acalmar um pouco mais. – Não digas nada… – pedi, pois era doentio fazer toda a gente sofrer por minha causa. – Por favor. – acrescentei com a voz rouca devido ao choro.

Harry não teve tempo de dizer mais nada, porque Ron já tinha descido com umas roupas dobradas e cheirosas da minha amiga que estava na América. Estendeu os braços na minha direcção e eu peguei nelas, murmurando um "Obrigada" quase inaudível.

- Podes te ir vestir nesse quarto. Nós vamos preparar alguma coisa para comeres. – Harry disse, apontando para uma porta acastanhada baça do lado esquerdo do espelho. Por mais que não tivesse fome, não tive coragem de lhes dizer.

Vesti o pijama que Ron tinha trazido e senti-me mais confortável longe daquelas roupas rasgadas. Apontei com a varinha para as roupas e murmurei um feitiço que as fez desaparecer, como se nunca tivessem existido. Abri a porta e dirige-me para a sala, onde já tinha umas sandes e um copo de leite em cima da mesinha de centro.

- Já estás mais calma? – perguntou Harry, arrastando-se no sofá para que eu me sentasse entre ele e Ron.

Não respondi e hesitei em sentar-me ao lado deles. Teria mesmo de contar o que se tinha passado? Era o mínimo que lhes devia. Todavia, contar tudo o que tinha acontecido envolvia presenciar aquele momento novamente e eu não queria rever o olhar doentio de Lucius. Não queria sequer ter de pronunciar o nome dele. Sentei-me e permaneci calada.

- Diz alguma coisa, Hermione, estamos loucos de preocupação! – foi a vez de Ron falar, mas ao contrário de Harry não usou um tom carinhoso, mas antes um tom de agressividade devido à tremenda preocupação. – Primeiro aparece o Malfoy… - Ron foi interrompido por um pontapé mal disfarçado de Harry que lhe acertou no joelho. De seguida, lançou-lhe um olhar de "é-melhor-estares-calado!". – O que foi? A Hermione tem de saber. O Malfoy apareceu aqui para saber o que se passava contigo. Diz que ultimamente andas muito estranha…

- O Draco esteve aqui? – perguntei com a voz a falhar-me.

- Hermione, ele pediu que não te contássemos nada, mas o Ron não consegue estar calado. Podes dizer o que te aconteceu? É o que realmente importa neste momento.

- Diz-me, Ron, como estava o Draco? – perguntei, levantando-me exaltada.

- É contigo que temos de estar preocupados neste momento, Hermione! – gritou Harry, colocando-se igualmente de pé.

Ron colocou as mãos nos meus ombros e fez-me voltar a sentar no sofá. Agachou-se e agarrou-me nas mãos.

- O Harry tem razão. Não te preocupes, o Draco estava bem dentro dos possíveis.

- Dentro dos possíveis? – perguntei com as lágrimas a formarem-se novamente nos meus olhos.

- Estava mais pálido do que o natural e parecia preocupadíssimo, tal como nós estamos neste momento. Tenho a certeza de que se ele te visse nesse estado teria um ataque cardíaco. – continuou Harry mais calmo.

- Não é fácil para mim falar do que aconteceu. – disse, pegando no copo de leite sem ter qualquer intenção de ingeri-lo.

- Fizeram-te mal? – perguntou Ron, agarrando-me com mais força nas mãos.

- Prometam-me que não vão cometer nenhuma loucura quando souberem. – exigi antes de continuar a contar o que se tinha passado.

Harry e Ron trocaram olhares cúmplices e nada discretos. Mas, mesmo sem qualquer vontade de contar o que se tinha passado, comecei a falar:

- O Lucius…

- Lucius? O pai do Malfoy? – perguntou Ron surpreendido, pois não conseguia fazer a ligação de Lucius com o meu estado.

- Sim, ele tem andado… a perseguir-me. – disse, tentando utilizar as palavras correctas.

- Como assim, Hermione? – Harry perguntou nervoso.

Respirei fundo antes de voltar a falar.

- O Draco não sabe, mas o pai dele cruzou-se uma vez comigo na Diagon-Al e desde então persegue-me.

- Qual é a ideia dele? – Harry perguntou, quase aos berros. Estava furioso assim como Ron que tinha os punhos cerrados.

- Ele quer que tudo o que eu tenho com o Draco acabe. – continuei entre soluços. – Eu já tentei, mas eu gosto demasiado do Draco para acabar com ele. Mas o Lucius é capaz de tudo e ele já provou isso!

- O Draco sabe que o pai dele anda por aí?

- Não. Nunca falamos muito sobre os pais dele. Se ele soubesse…

- Ele tem de saber, Hermione. – disse Ron entre dentes. – A culpa de tudo isto… - eu sabia o que Ron iria dizer a seguir, mas ele interrompeu a frase, pois não me queria magoar ainda mais.

- Foi ele que te deixou no estado em que apareceste? – perguntou Harry, quebrando o silêncio aterrador que Ron tinha instalado.

- Sim, ele tentou… abusar de mim.

- Ordinário! – vociferou Ron, dando um soco na mesinha de centro. – Eu juro que o desfaço… - Ron preparava-se para ir em direcção à porta, mas Harry foi mais rápido e impediu-o.

- Não me parece que seja a melhor altura, Ron.

Ron revirou os olhos impacientemente e dirigiu-se até perto de mim.

- Magoou-te?

- Ele acabou por não conseguir fazer nada, porque eu consegui fugir a tempo. – disse, encolhendo os ombros. – Mas tem sido uma tortura de há tempos para cá. – confessei, deixando uma lágrima solitária percorrer o meu rosto.

- Não foi só uma vez? – perguntou Harry, ajeitando os óculos.

- Não. Ele cruzou-se comigo no beco Diagon-Al e depois conseguiu descobrir onde eu morava através do Nathan…

- Do O'Conner? – perguntou Ron.

- Sim, era tudo feito. Ele entrou na minha associação para descobrir onde eu morava. Estava feito com o Lucius… e o Draco fartou-se de me avisar que ele não prestava… mas eu… eu nunca lhe dei ouvidos. – estava a falar tão rápido que fiquei sem ar.

- Calma, Hermione. Tu não poderias ter adivinhado. – consolou-me Harry, pousando a mão no meu ombro.

- Mas eu deveria ter acreditado no Draco! – culpei-me, em voz baixa, pela milésima vez naquela noite.

- Alguém vai ter de fazer alguma coisa em relação ao Lucius… - começou Ron, fitando-me brevemente. – Quero dizer, isto não vai ficar assim, pois não?

- Eu queria falar com o Draco antes de tomar qualquer decisão. Mas antes preciso de descansar…

- Claro, vais para o quarto dormir… - ofereceu Harry, levantando-se para me acompanhar lá.

- Não. Deixa-me ficar aqui. – pedi e vendo que Harry estava pronto para ripostar, continuei – Eu prefiro, por favor.

- Tudo bem. Eu e o Ron vamos até à cozinha. – disse, fazendo sinal a Ron para que os dois se retirassem.

Harry voltou dois minutos depois com uma manta para que eu me cobrisse. Enrosquei-me nas minhas próprias pernas, formando quase uma concha. Era nessa posição que eu me colocava quando estava com medo. Não que eu tivesse mais necessidade de sentir medo, pois Lucius não me poderia encontrar na casa de Harry. Antes de se retirar, Harry beijou-me a testa com carinho e disse:

- Qualquer coisa que precises só tens de nos chamar. – falou em voz baixa.

- Harry? – chamei-o quando ele já estava de costas. – Obrigada.

O meu amigo sorriu-me e dirigiu-se para a cozinha. Deixei-me ficar enroscada a ouvir apenas os ponteiros do relógio e a minha respiração pouco controlada. O silêncio era aterrador e em vez de apaziguar a minha mente atormentava ainda mais. Os meus olhos por várias vezes que se tentaram fechar, mas o sono não vinha. Tinha demasiados pensamentos a vaguearem pela minha mente para que conseguisse adormecer.

Suspirei, cansada de todo o esforço que estava a fazer para tentar adormecer. Sempre que fechava os olhos via o desejo patente no olhar de Lucius. Dava-me náuseas e por isso evitava fechá-los. Não sabia ao certo há quanto tempo estava deitada naquele sofá, mas parecia uma eternidade. Saturada, levantei-me, pronta para ir em direcção à cozinha. Estava quase a chegar à porta quando ouvi alguém bater na mesa com alguma força. Supus que fosse Ron.

- C'os diabos, Harry! Nós temos de ir ter com o Malfoy… ele tem de saber o que Hermione está a passar por causa do pai dele. – a fúria contida na voz de Ron assustava-me.

- Tu ouviste o que a Hermione disse.

- Como é que depois daquilo tudo ela ainda se consegue preocupar com ele?

- Tu sabes perfeitamente que a Hermione coloca os outros sempre em primeiro lugar. Vamos esperar que ela esteja melhor para falarmos. Se a Hermione achar por bem falarmos com o Malfoy…

- Mas está claro que ela não vai querer… - interrompeu Ron.

- Então respeitemos isso. – Harry sobrepôs a sua voz à de Ron, apesar de mesmo assim continuarem a falar bastante baixo.

- Já percebi. – disse finalmente Ron entre dentes, sem aceitar muito bem o que Harry dissera.

Como eu me odiava por fazê-los preocuparem-se tanto! Recriminei-me interiormente por me ter lembrado de ir para casa do Harry ao fugir de Lucius. Não tinha o direito de os deixar nesse estado. Já bastava Draco estar extremamente preocupado. Harry e Ron estavam preocupados comigo, eu sabia que eles sentiam uma necessidade enorme de me proteger. Eu era demasiado importante para eles permitirem que alguém me fizesse mal. Eu também já sentira essa obrigação ou necessidade de protegê-los. Quando descobrimos que Lupin era um lobisomem e Sirius parecia ter intenções de matar Harry e na batalha final travada com Voldemort em Hogwarts o meu coração pulava no peito com o medo que eu tinha de poder perder um deles. Eu seria capaz de morrer por eles. Porém, eu não queria que eles estivessem assim por mim. Já éramos crescidos e eu tinha de resolver os meus problemas sozinha.

As lágrimas estavam novamente nos meus olhos. Sem me preocupar propriamente com isso, dei alguns passos em direcção à entrada da cozinha. Ron, que me viu primeiro, fez um ar de surpreendido como se acreditasse que eu estivesse realmente a dormir.

- Hermione, está tudo bem? Precisas de alguma coisa? – Por mais que eu quisesse falar as palavras não me saíam.

Subitamente lembrei-me que pelo Ron, Draco saberia o que me estava a acontecer. Ron não perderia a oportunidade de fazer com que Draco se sentisse mal ou até mesmo com sentimentos de culpa. Ron olhava-me nos olhos e eu tentei perceber no que ele estava a pensar. Outrora, não teria sido difícil adivinhar, era até fácil lê-lo, pois era demasiado previsível. Contudo, no estado lastimável em que me encontrava não conseguia sequer esforçar-me minimamente para o entender.

- Por favor, não lhe contem… ele não vai perceber… - pedi, sem eu mesma entender ao certo as palavras que dizia.

- Referes-te ao Malfoy? – perguntou Harry, trocando um olhar com Ron.

- Ele não sabe de nada… o Lucius fez-me um ultimato… mas eu não consigo fazer o que ele me pediu. – disse, levando as duas mãos à cabeça, agarrando os cabelos de forma desesperada.

- Calma, Hermione. Nós estamos aqui contigo…

- Mas eu tinha de ter feito isto sozinha! – gritei, furiosa.

- O que foi isso agora, Hermione? – Ron exaltou-se. – Nós sempre estivemos os três juntos e é assim que vai ser sempre.

- O Ron tem razão.

- Eu não tinha o direito de vos preocupar… - continuei em voz baixa.

Apesar de estar um pouco chateado, Ron abraçou-me, reconfortando-me de certa forma.

- Eu continuo a achar que ele deveria saber, mas tu é que sabes.

Depois de me acalmar um pouco, Harry e Ron acompanharam-me até ao quarto e prometeram ficar comigo até eu adormecer. Tinha tanto receio de adormecer e voltar a ter pesadelos com Lucius Malfoy.

Não sabia ao certo quantas horas tinha dormido ou se teriam sido apenas uns minutos, quando acordei ao sentir alguém segurar-me a mão. Aquele toque tão familiar fez-me sentir como se tivesse chegado ao meu porto de abrigo. Abri os olhos cuidadosamente e vi Draco com um ar extremamente sereno mas ao mesmo tempo preocupado.

- Draco… - a minha voz estava rouca por ter estado a dormir.

- Está tudo bem. – tranquilizou-me, aproximando o seu rosto para me beijar. – Agora está tudo bem. – disse, bastante perto de mim. Os lábios frios beijaram-me a testa e à medida que se foi afastando eu focalizei-me no rosto dele, perfeito. Contudo, pude verificar que tinha um pequeno lanho no canto esquerdo da boca. Além desse, tinha outros espalhados pelo rosto.

- O que se passou? O que andaste a fazer, Draco? – perguntei, tentando-me sentar na cama.

- Não te preocupes comigo.

- Como não me preocupo contigo? – perguntei em voz baixa, abanando desajeitadamente a cabeça. Aproximei o meu polegar do lanho que tinha visto primeiro. Tinha um aspecto recente e nada cuidado. Por isso, pude concluir que Draco não tinha tratado dele. – Chega a minha varinha, temos de tratar dele.

Draco fez um meio sorriso e, apesar de todos aqueles lanhos desenhados na face, ele continuava perfeito. Toda aquela beleza fez-me arrepiar e saber que por momentos podia estar a perdê-lo fez-me sentir perdida. Passou-me a mão no cabelo, puxando algumas mechas para trás. Olhamo-nos profundamente olhos nos olhos e mais uma vez não consegui conter o impulso de abraçá-lo. À medida que o apertava com mais necessidade os medos voltaram a apoderar-se de mim com grande facilidade. Eu não queria que Draco fosse embora da minha vida nem agora nem nunca. Era demasiado importante para que eu suportasse a dor de perdê-lo.

- Desculpa. – pedi com as lágrimas nos olhos e para que ele não as visse deixei-me ficar abraçada.

- Não tens que pedir desculpa.

- Tenho, Draco. Tenho de pedir desculpa por te fazer sofrer, por não ser perfeita como tu merecias que eu fosse, por não te ter dado ouvidos em relação ao Nathan…

Draco afastou-me um pouco dele para que eu o olhasse nos olhos novamente.

- Não te preocupes com o Nathan… esse já as pagou! – disse com alguma raiva patente na voz.

- Como é que tu soubeste? – questionei, bastante surpreendida. – O que lhe fizeste, Draco?

- É uma longa história e agora tu precisas de descansar. Mas eu prometo, Hermione, assim que acordares conto-te tudo o que aconteceu. – levantou-se, preparando-se para sair do quarto.

- Eu quero estar contigo… - pedi como uma menina mimada. Mas era mais forte do que eu, aquela necessidade de tê-lo junto a mim.

- Eu vou estar aqui com eles. – disse, apontando para os meus melhores amigos que estavam à porta do quarto.

Há quanto tempo estariam ali? Não me importando muito com esse pormenor, agarrei a mão de Draco e puxei-o para o beijar. Queria sentir mais uma vez o sabor do beijo dele. Draco beijou-me com alguma relutância por causa de Harry e Ron. Quando Draco virou as costas, fiz sinal a Harry para que se aproximasse de mim.

- Eu já vou ter convosco. – disse Harry.

Quando a porta se fechou debrucei-me sobre o meu melhor amigo.

- Harry, por favor, coloca feitiços em volta da tua casa.

- Não te preocupes com isso, Hermione. Precisas de descansar.

- A sério, Harry, não te esqueças. O Lucius é capaz de tudo. Basta colocares alguns dos que usamos quando estávamos a acampar, lembraste quais são?

- Sim, já te disse para não te preocupares com isso. Vá, descansa. Qualquer coisa tens três ao teu dispor – disse com um sorriso malandro.

Sorri-lhe e voltei a chamá-lo.

- Harry… Foste tu que trouxeste o Draco?

- O Ron fez questão de ir ao ministério avisar o Mayer que estavas com uns problemas pessoais e encontrou o Malfoy…

- Martirizou-o muito? – perguntei, preocupada.

- Não. Até já, Hermione. – disse Harry, já a sair do quarto, pois sabia que o interrogatório não acabaria tão rapidamente.

Antes de adormecer, fiquei a pensar em tudo o que tinha acontecido. Draco já saberia que Lucius tentara romper o nosso namoro? E que Lucius tinha tentado fazer coisas obscenas comigo? Se ele não soubesse dentro de momentos iria ficar a saber, talvez por mim, se Ron conseguisse estar a conviver com ele sem abrir a boca em relação a esse assunto. Como tinha descoberto sobre o Nathan O'Conner? O que lhe teria feito?

Momentos depois de Harry sair do quarto os meus olhos não se aguentaram mais e foram-se fechando aos poucos. O cansaço apoderava-se do meu corpo e eu estava a cair no sono. Como estava mais tranquilizada talvez não tivesse pesadelos com Lucius e pudesse descansar em condições.