Nos primeiros segundos fiquei séria, fitando Draco em expectativa. Ficava perfeito enquanto agarrava as minhas mãos ainda com força, as bochechas levemente avermelhadas e os olhos percorrendo os meus olhos e lábios. Mordi o lábio inferior e sorri-lhe. Draco Malfoy estava mesmo a pedir-me em casamento. E eu não aguentei mais deixá-lo naquela ansiedade. Afinal de contas, apesar de ter sido apanhada desprevenida, não havia nada que nos impedisse de tomarmos esse passo.

- Eu aceito casar contigo, Draco! – a minha voz estava um pouco trémula, mas nem por isso Draco deixou de me agarrar e pegar em mim ao colo em plena pista de dança. Deixou escapar um grito abafado de alegria e beijou-me os lábios bastantes vezes seguidas. Ri-me, ainda sem acreditar que estava noiva de Draco Malfoy.

- Obrigada por fazeres de mim o homem mais feliz! – a voz dele estava em profunda euforia.

As pessoas no restaurante olhavam para nós com sorrisinhos e principalmente algumas mulheres pareciam deliciadas com Draco. Abracei-o fortemente e ele retribuiu. Segundos depois, afastou-me.

- Oh, quase que me esquecia… - disse, colocando a mão no casaco. Depois tirou uma pequena caixinha vermelha com uma fita dourada a decorar. Abriu a caixa e exibiu na minha direcção um deslumbrante anel.

- Draco! – disse, levando as duas mãos à boca em gesto de incredibilidade.

- Gostas? – perguntou, hesitante.

- Eu adoro, Draco. O anel é lindo! – a minha voz estava num fio. Não podia acreditar.

Draco tirou o objecto da caixa e delicadamente colocou no meu dedo. Fitei-o durante segundos, completamente deslumbrada. Era apenas um fio de ouro branco com um pequeno diamante. Quando finalmente consegui despregar os olhos do anel beijei Draco com intensidade.

- Obrigada – agradeci, fitando os olhos de Draco que me sorriam alegremente.

Draco abraçou-me, fazendo com que por momentos só existíssemos nós os dois. Mordi levemente o lábio inferior, sem acreditar no que estava a acontecer. Finalmente os problemas tinham desaparecido e nós poderíamos ser felizes.

A música já tinha parado quando nós regressamos à nossa mesa. Draco segurava com ternura a minha mão que exibia o anel. O misto de sensações que sentia cada vez que Draco me tocava só me levava a crer ainda mais que ele era o homem que eu queria para mim. Estava eufórica e o meu coração estava aos pulos no meu peito. Queria contar a novidade a todas as pessoas que eram importantes.

Quando voltamos para casa, Draco foi tomar um banho e eu deitei-me na cama, fitando a parede. Na minha cabeça passavam os últimos acontecimentos. Prendi-me um pouco em Lucius e Nathan. Dias antes estivera com receio que Draco não me perdoasse por ter omitido o que o pai dele andava a fazer. Tive medo que Lucius nos afastasse, mas ele não conseguiu o que queria. Aliás, pelo contrário, eu e Draco iríamos casar em breve. E não havia nada que Lucius pudesse fazer agora. Por um lado, gostaria que ele estivesse a par disso a fim de lhe poder atirar à cara que ele não conseguira. Mas eu sabia que era melhor que Lucius estivesse bem longe de nós.

- Eu a pensar que já estavas a dormir… - disse Draco, limpando os cabelos molhados à toalha.

- Eu… estava a tentar. – disse, fixando o meu olhar sobre o corpo de Draco.

- Vejo que ficaste abismada com tanta beleza. – disse, exibindo o sorriso mais convencido.

Deixei escapar uma gargalhada sarcástica que o fez acentuar ainda mais o sorriso. De seguida, debruçou-se e beijou-me de forma selvagem, ocupando o lugar ao lado na minha cama.

Passados quatro meses…

Estava a analisar uns documentos no meu escritório quando alguém bateu à porta. Como estava tão concentrada no que estava a fazer, apenas murmurei um "entre" que não tive a certeza se fora ouvido. Segundos depois, Mayer entrou e parou diante da minha secretária.

- Hermione Malfoy, encontras-te muito ocupada?

Hermione Malfoy. Soou um pouco estranho, pois ainda era muito recente. Talvez até fosse a primeira vez que o ministro me tratava assim. Normalmente era Hermione ou Granger. Mas eu adorava a maneira como soava o meu recente nome. Hermione Malfoy.

- Estou só acabar de ver uns documentos, mas precisa de alguma coisa?

- Precisava que me enviasses umas cartas ao ministro da magia dos Estados Unidos da América…

- Com certeza.

Levantei-me, mas rapidamente me voltei a sentar. Tive uma tontura tão forte que cheguei a gemer. Sentia as minhas pernas fraquejarem e uma ânsia de vomitar.

- Hermione, estás bem? – Mayer aproximou-se de mim, agarrando-me no braço. – O que se passa?

Fechei os olhos com força e reprimi o vómito.

- Eu… estou tonta e enjoada.

- Eu vou chamar o Draco…

- Não é necessário, Mayer. Eu vou tratar disso que me pediu e depois… - disse, tentando levantar-me.

O esforço pareceu piorar as sensações e quando Mayer voltou a afirmar que ia chamar Draco eu já não recusei. Cinco minutos depois de ter saído do meu gabinete, Mayer regressou com Draco bastante preocupado. Draco entrou pelo escritório e agarrou-me a mão. Eu estava de olhos fechados para afastar as sensações.

- Hermione, o que estás a sentir? Almoçaste?

- Almocei há menos de uma hora. Às tantas o almoço caiu-me mal… - disse, tentando com que ele não ficasse preocupado.

Draco ergueu uma sobrancelha e fitou-me durante segundos. Mayer assistia à cena sem dizer nada.

- Eu vou à casa de banho. – afirmei, levantando-me. Consegui dar dois passos, mas logo a seguir fui amparada por Draco.

- É melhor irmos a St. Mungus, não acha, Mayer? – Draco dirigiu-se ao ministro.

As vozes deles pareciam estar ao longe. Senti tudo a andar à roda e depois tudo ficou escuro. Acordei mais tarde deitada numa vulgar cama do hospital. Draco estava sentado na cadeira ao lado da cama, agarrando-me na mão. Parecia muito preocupado e eu perguntei-me há quanto tempo estaríamos ali.

- Draco… - a minha voz soou afectada pelo sono. – O que aconteceu exactamente?

- Hermione! Como te sentes? – Draco debruçou-se sobre mim para me beijar a testa.

- Sinto-me bem. Mas podes explicar-me o que aconteceu? – perguntei, endireitando-me na cama.

- Perdeste os sentidos e então eu trouxe-te até St. Mungus… a enfermeira deu-te uma poção e disse que acordavas dentro de instantes.

- Há quanto tempo estamos aqui? – a minha curiosidade fez Draco sorrir.

- Parece-me que já estás óptima. Tantas perguntas, Hermione. – disse, abanando a cabeça com um sorriso. - Estamos há cerca de cinco horas.

Não tive tempo de lhe responder, pois uma senhora de estatura baixa e cabelos encaracolados entrou pelo quarto a dentro. Draco e eu observamos a enfermeira atentamente.

- Boa noite, Hermione Malfoy. – a enfermeira colocou-se em frente aos pés da cama. – Como se sente?

- Estou bem, obrigada. Deve ter sido uma quebra de tensão… - eu nem sabia se os feiticeiros sabiam o que era uma quebra de tensão e por isso arrisquei um sorriso.

- Não, minha querida. Não me parece que tenha sido só isso. O médico vem já cá falar convosco. – disse, fitando também Draco.

- Mas está tudo bem com a Hermione, certo? – Draco perguntou já de pé.

Parecia-me um tanto impaciente.

- Não se preocupe, Mr. Malfoy, está tudo bem. A sua esposa só precisa de cuidar melhor da alimentação. – disse, estreitando o olhar na minha direcção, mas ainda assim saiu com um sorriso carinhoso na face.

Draco voltou a sentar-se ao meu lado e começou a mexer nos meus cabelos. Passaram-se cerca de vinte minutos até um homem bem parecido surgir. Tinha cerca de trinta anos e era muito atraente. Moreno de barba rasa e belos olhos esverdeados. Um médico digno de uma série de televisão. Draco deve ter notado que eu não ficara indiferente com a beleza do médico e lançou-me um olhar chateado. Comprimi um sorriso e o médico pigarreou, interrompendo o nosso pequeno momento.

- Boa noite. Já soube que está melhor, Mrs. Malfoy. – disse o médico com um sorriso simpático a dançar-lhe nos lábios.

- Sim, obrigada, doutor…

- Cole. – completou-me e eu sorri em resposta.

- E então, Dr. Cole, o que se passou realmente com a Hermione? Há horas que ando a tentar perceber por que motivo a minha mulher desmaiou… - o tom de voz de Draco era o normal, mas tanto eu como o Dr. Cole notamos alguma agressividade.

- Calma, Mr. Malfoy. Foi exactamente isso que eu vim aqui transmitir. – Draco revirou os olhos com a resposta do médico. E eu soube que ele estava a pensar que estavam a dar tantas voltas para dizerem o que se passava comigo. – Bom, sem mais rodeios… tenho a dizer-vos que vocês vão ter um bebé.

- N-nós… o quê? – Draco levantou-se da cadeira e fitou-me como se quisesse ter a certeza de que era realmente verdade.

Eu levei as mãos à boca sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. Estava grávida?

- Foi isso mesmo que ouviu, Mr. Malfoy.

- Mas… oh, por Merlin, que bom! – consegui finalmente dizer, controlando um pouco mais o misto de emoções que estava a sentir. – Draco… - disse, sentindo o olhar de Draco preso em mim.

Não estava a contar com essa novidade e muito menos Draco. Aliás, nós nunca tínhamos falado sobre ter bebés logo depois do casamento. Mas agora que sabia que estava à espera de um filho não podia ter ficado mais contente. Tentei decifrar o que os olhos azuis acinzentados me diziam. Soube imediatamente que Draco também estava a sentir um misto de emoções. Estava surpreendido, mas feliz.

Draco abraçou-me e eu adorei a sensação de estar novamente naqueles braços fortes. Acabei por concluir que Draco me poderia abraçar trinta vezes por dia que eu sempre sentiria a mesma sensação de conforto e até mesmo as borboletas no estômago como se me estivesse a abraçar pela primeira vez.

- Parabéns. Mrs. Malfoy, daqui para a frente terá de ter cuidado com a sua alimentação. Hoje sentiu-se mal porque não almoçou em condições.

- Eu vou tomar atenção a isso, Dr. Cole. – disse, ainda eufórica.

- Esteja de olho nela, Mr. Malfoy. – disse, rasgando um novo sorriso.

- Pode ter a certeza de que estarei. – Draco sorriu-me.

- Há quanto tempo é que eu estou grávida?

- Dois meses. – afirmou com outro sorriso. - Já tem alta, Mrs. Malfoy. Mas gostaria de voltar a vê-la daqui a seis semanas.

- Claro, Dr. Cole.

O Dr. Cole retirou-se depois de apertar a mão de Draco e a minha. Mal ficamos sozinhos olhamos um para o outro, à espera que fossem partilhadas emoções. Draco sorriu ao perceber que eu estava tão espantada que estava sem palavras. Apenas consegui retribuir o sorriso e baixei o olhar para a minha barriga. Como era de esperar ainda não se notava o crescimento, mas era delicioso saber que estava a conceber um ser dentro de mim. Um filho meu e de Draco.

- Acho melhor irmos andando, Hermione.

Consenti com a cabeça, ainda com um sorriso estampado no rosto. Peguei na minha mala e desapareci juntamente com Draco para o nosso novo apartamento no centro de Londres.

Não era uma casa muito grande, mas ainda assim maior do que a minha anterior. Era extremamente reconfortante entrar lá e saber que era o meu canto e o de Draco. Era uma espécie de nosso ninho, algo tão nosso.

Na manhã seguinte, contrariando a insistência de Draco para que ficássemos em casa, levantei-me para me arranjar. Estava desejosa de dar a notícia a Harry, Ginny, Ron, Luna, aos meus pais… Estávamos a tomar o pequeno-almoço na mesa da cozinha quando Draco me interrompeu os pensamentos eufóricos que passavam na mente:

- Eu acho que vai ser menino. – Draco fez um sorriso torto que me fez sentir deslumbrada logo de manhã.

- Não sei, mas seja menino ou menina…

- Vai ser menino. – interrompeu-me. – Já pensei no nome…

- Ai sim? Só tiveste uma noite para isso, Draco! Além disso, nem perguntaste a minha opinião. – disse, pousando a geleia na mesa.

Draco ergueu uma sobrancelha como se estivesse a perguntar se tinha mesmo de dar a minha opinião. Revirei os olhos e ele riu-se da minha atitude.

- Scorpius Granger Malfoy. – disse simplesmente, colocando os ovos mexidos à boca.

- Scorpius? Bem, eu não tinha pensado exactamente nesse nome. Mas até que me soa bem. E se for menina?

- Não vai ser menina. – insistiu chateado.

- Eu vou pensar no nome da menina então… - disse, sacudindo levemente os ombros.

Pus-me de pé, pronta para irmos trabalhar. Draco agarrou-me pela cintura e beijou-me o pescoço. Senti os meus pêlos eriçarem-se e então virei-me de frente para encará-lo. O meu cérebro perdeu qualquer lógica e raciocínio que possuísse e fechei os olhos para evitar perder-me ainda mais naquele olhar.

- Eu estou tão feliz, Hermione.

- Eu também. Nem consigo acreditar…

Draco colocou uma das mãos na minha face e segurou-a enquanto me beijava. Atrevia-me a afirmar que nós continuávamos tão apaixonados como no momento em que Draco me pediu em casamento, não é que tivesse passado muito tempo…

Assim que o beijo terminou desaparecemos para o ministério. Mayer veio logo de manhã ter comigo para saber como eu estava. Não lhe dei logo a novidade, porque queria que Harry, Ron, Ginny e Luna soubessem em primeiro lugar. Por isso, enviei uma coruja para os quatro e combinamos um jantar em casa de Harry e Ginny. Quando eu e Draco lá chegamos já estavam os quatro lá. Ginny e Luna estavam na cozinha a preparar a refeição e os rapazes estavam na sala a jogar xadrez bruxo. Draco juntou-se a eles e eu fui para a cozinha ajudar a fazer o jantar.

- E então, vais-nos contar que bomba vem aí? – perguntou Ginny mal entrei na cozinha.

- Eu e o Draco decidimos contar só na hora de jantar. Por isso, parece que vão ter de esperar. – disse, fazendo a minha melhor expressão de mistério.

Ginny e Luna trocaram olhares e continuaram a cozinhar. Eu tentei perceber o que faltava ser feito e então comecei a colocar a mesa com a ajuda de magia. Draco e Ron estavam a jogar xadrez, o que me levou a crer que Harry tinha perdido contra o Ron.

Meia hora depois já estávamos todos sentados à mesa e Draco deu-me a mão por debaixo da mesa. Apertei-a com força e trocamos um sorriso de incentivo. Já tínhamos decidido que seria eu a falar, por isso, comecei:

- Eu e o Draco temos uma novidade para vos dar…

- Pelas vossas caras já deu para perceber que é maravilhosa. – disse Ron, não resistindo a comer um pouco de pão.

- Sim, é óptima. – disse, sem controlar a minha felicidade.

- Oh não… já sei! – disse Ginny, levando as mãos à boca.

Abanei com a cabeça com um risinho abafado. Ginny já tinha percebido tudo, ao contrário de todos os outros que olhavam para mim e para Ginny à espera que disséssemos alguma coisa.

- Nós vamos ter um bebé.

- Um bebé? Mas como é que… - Ron estava com uma expressão tão atrapalhada que me deu vontade de rir.

- Não estás à espera que te ensine a fazer um bebé, pois não Ronald? – disse e todos me acompanharam na risota.

- Que bom! Parabéns aos dois. – disse Harry, levantando-se para me dar dois beijos e um aperto de mão a Draco.

- Obrigado. – ouvi Draco agradecer enquanto eu era apertada num forte abraço por Luna e Ginny.

- Vamos ser tios… nem acredito! – disse Ginny aos pulinhos. – Ai, de quanto tempo é que estás? – perguntou num tom de voz histérico.

- Apenas dois meses.

Ron dirigiu-se depois a nós para me abraçar e apertar a mão de Draco. Eles ainda não eram propriamente amigos, mas pelo menos Ron já conseguia conviver civilizadamente com Draco. A felicidade era abundante e Draco também a tinha estampada no rosto. Ginny dirigiu as atenções para a minha barriga e começou a falar para ela:

- Quem vai ser a coisinha mais linda da tia, quem vai? – Ginny usava um tom de voz infantil e divertido e todos nos rimos à custa disso. – Aposto que vai ser uma menina!

- Não… vai ser um menino. – Draco arqueou a sobrancelha e encarou Ginny. – Scorpius Granger Malfoy. – informou e eu não pude deixar de rir com as reacções dos meus melhores amigos.

- Malfoy, é bom que te habitues à ideia de que pode ser uma menina… - Ginny cruzou os braços e encarou-o também.

- Eu sei que vai ser menino, Weasley. – Draco deixou um sorriso torto formar-se nos lábios.

- Pronto, acabou a conversa. Seja o que for, vamos comer agora. Estou faminta! – disse, fazendo com que todos se sentassem para começarmos a refeição.

Já era tardíssimo quando chegamos a casa. Só tivemos tempo de tomar banho e deitarmo-nos. Adormeci com Draco a fazer-me festas na barriga. Os dias seguintes no ministério passaram rápido e eu estava cada vez mais entusiasmada com o facto de ter o fruto da minha relação com Draco a crescer dentro de mim. Por vezes dava por mim a sorrir com os pensamentos felizes que me passavam pela cabeça.

Na hora de almoço dirigi-me a uma livraria muggle em Londres. Não sabia ao certo o que procurava, mas soube logo assim que os meus olhos pararam sobre um livro que chamara a minha atenção. Peguei nele com um sorriso e dirigi-me à caixa para pagar. Quando regressei ao ministério já Draco tinha acabado de almoçar e assim tive que almoçar sozinha. Fui para o meu escritório para trabalhar. Já era fim da tarde quando peguei no livro grande e pesado e o carreguei nos braços até ao gabinete de Draco. Bati levemente na porta e entrei. Draco apenas me encarou quando eu pousei o livro com força a mais em cima da mesa, fazendo um barulho estrondoso. Draco arqueou a sobrancelha e fitou-me.

- Vamos ter de ler isto, Draco.

- Vamos? – disse, girando ligeiramente a cabeça para conseguir ler o título "Tudo sobre a gravidez".

- Sim, temos de saber tudo…

- Hermione, não me parece que vá ter tempo para ler isso em… sete meses! – Draco parecia um pouco apavorado com a ideia.

O livro era grosso e isso assustava-o. Perdi o ar tenso que carregava e desatei a rir. Depois de ter plena certeza que eu não estava séria, Draco acompanhou-me nas gargalhadas.

- Tudo bem. Eu leio e depois conto-te o mais importante, pode ser?

- Combinado. Apesar de saber que me vais contar o livro todo. Tudo é importante para ti, Mrs. Malfoy.

Sorri-lhe e abanei a cabeça em concordância.

Semanas depois fui ao médico juntamente com Draco e eu tinha decidido que não iríamos saber o sexo da criança. Só mesmo na hora do nascimento. Draco pareceu relutante em relação à minha decisão, mas acabou por respeitá-la.

… Passados sete meses …

- É um rapaz! – ouvi a feiticeira de cabelos brancos exclamar com entusiasmo.

De seguida, não ouvi mais nada, pois a minha mente fechou-se assim como os meus olhos. Tinha adormecido. Quando acordei horas mais tarde, Draco estava ao meu lado a mexer-me nos cabelos carinhosamente.

- Acordaste! – disse com um sorriso a esboçar-se no rosto.

- Onde está o nosso menino? – perguntei, ajeitando-me na cama e Draco ajudou-me com os movimentos.

- Está a ser analisado pelo Dr. Cole. Como é que sabes que é menino? – os olhos de Draco pareceram brilhar e as dúvidas dissiparam-se completamente.

- Eu ouvi alguém dizer.

- Sim, é um menino. Tivemos um lindo menino, Hermione. – disse, beijando-me a bochecha.

- Foi difícil o parto.

- Sim, o Doutor disse que tiveram de te dar uma poção para conseguires ter mais força.

Só me lembrava de ter estado a falar com Mayer no gabinete sobre a associação dos elfos. Depois conclui que tivesse sido desmaterializada para o hospital. Não tinha sentido as dores de costas que o livro tinha mencionado que sentiria quando estivesse a entrar em trabalho de parto. Mas também já não importava. O meu filho estava bem e eu também. Não me poderia sentir mais feliz.

- Quero vê-lo.

- Vem só aí uma enfermeira ver como tu estás e pedimos-lhe já para o veres. Vou só certificar-me de que a enfermeira está a vir.

Draco saiu do meu quarto e voltou logo a seguir com a enfermeira a caminhar ao lado dele. Aproximou-se de mim e verificou as minhas tensões. Deu-me um copo com um líquido escuro.

- Beba, querida. Vai sentir-se melhor.

- Mas eu estou bem, obrigada. Será que posso ver o meu filho?

- Primeiro tenho de ter a certeza de que vai tomar essa poção.

Revirei os olhos e fitei Draco que estava de braços cruzados em frente à minha cama. Depois de um sorriso de incentivo, levei o copo à boca e engoli a poção de uma só vez. Tinha um sabor amargo que me fez fazer uma careta. Draco riu-se juntamente com a enfermeira.

- Já posso ver o bebé?

- Vou buscar o pequeno, Mrs. Malfoy. É um lindo menino, minha querida.

A enfermeira retirou-se e enquanto esperávamos pelo bebé eu e Draco olhávamos um para o outro em expectativa. Cerca de cinco minutos depois a enfermeira trouxe o bebé embrulhado num cobertor azul. Colocou-o com bastante cuidado nos meus braços e um sorriso abriu-se no meu rosto ao ver aquele ser tão pequenino que eu tinha gerado com Draco.

- Scorpius. – disse num sussurro para o bebé.

Draco deixou escapar uma deliciosa gargalhada. Aproximou-se de nós os dois e beijou a testa de Scorpius que dormia tranquilamente nos meus braços.

Passara-se uma semana e eu estava em casa no meu quarto. Draco já tinha comprado um pequeno berço branco com pormenores em azul. Além disso, tinha colocado uma pequena poltrona ao lado do berço para o podermos vigiar de perto.

No meu primeiro sábado em casa, os meus amigos fizeram uma surpresa e apareceram todos juntos. Harry e Ginny foram os primeiros a chegar. Traziam uma caixinha com um presente para o bebé.

- Como está o meu sobrinho? – perguntou Ginny, abraçando-me.

- Está a dormir que nem um anjinho. – disse, apontando para o berço.

Ginny aproximou-se para vê-lo de perto.

- É um amor! Anda ver Harry. – disse, puxando o braço do meu melhor amigo que me beijava a face.

- Então campeão… está a fazer uma bela soneca, Ginny. Deixa-o estar. – disse, insistindo para que Ginny deixasse de observar Scorpius tão de perto.

A campainha voltou a tocar e Draco desceu para abrir a porta a Ron e Luna. Depois de me cumprimentarem também se apressaram para irem ver Scorpius a dormir no berço. Draco estava sentado na poltrona a observar os meus amigos a deliciarem-se com o nosso filho.

- Toma – disse, passando-me o embrulho para a mão. – É um presente meu e do Harry para o Scorpius. Depois damos-lhe algo melhor, confesso que foi comprado à pressão.

Desapertei o lacinho de cetim azul que envolvia a caixa e espreitei. Tinha um par de pantufas azuis e um roupão da mesma cor com um carapuço bastante engraçado, pois tinha umas orelhas salientes. Ron passou-me um embrulho de Mrs. Weasley que eu já calculava o que continha. Uma camisola de lã tricotada pela própria com um "S" muito bem desenhado de cor amarela. Luna e Ron ofereceram uma mala para que eu colocasse os acessórios básicos de higiene do bebé.

- Obrigada a todos.

Scorpius começou a chorar, pois já estava na hora de amamentar. Draco fez questão de levar todos para a sala para um convívio improvisado com bolos, sandes e sumos.

- Tens uns tios muito queridos, filho. Trouxeram-te presentes lindíssimos. – disse, enquanto lhe passava a mão pelos rasos cabelos loiros.

… Passados 11 anos …

Scorpius estava cada vez mais parecido com Draco quando tinha a idade dele. Os cabelos loiros despenteados a caírem-lhe sobre os mesmos olhos acinzentados de Draco. Tinha o nariz fino e levemente empinado e o mesmo sorriso torto nos lábios finos.

Faltavam dois dias para partir rumo a Hogwarts. Embora já soubesse que era um feiticeiro, Scorpius tinha ficado radiante quando eu e o pai lhe demos a carta selada de Hogwarts, escrita pela directora Minerva McGonagall. Contudo, Scorpius naquele dia estava particularmente calado. Após o jantar, o qual se desenrolou em pleno silêncio, com tentativas por minha parte e de Draco para que Scorpius falasse connosco, dirigiu-se para o quarto com passos firmes.

- Eu vou falar com ele. – disse a Draco que acabava de jantar.

Subi as escadas quase em silêncio absoluto e abri cuidadosamente a porta do quarto. Scorpius estava deitado de barriga para cima na cama, observando um ponto vazio em frente. Estava pensativo e nem dera pela minha presença.

- Está tudo bem, Scorpius? – perguntei, finalmente entrando no quarto.

- Mãe… - murmurou, deixando de fitar o nada para me encarar.

- Há alguma coisa que me queiras contar? – perguntei, hesitante.

- Não fiz nenhuma asneira, mãe! – disse, revirando os olhos.

Sorri perante a sua esperada resposta. Sempre que Scorpius fazia asneiras e se arrependia agia exactamente da mesma maneira. Fechava-se no quarto e ficava a horas a pensar. Sentei-me na beira da cama e continuei a fitar os olhos cinzentos.

- Então o que se passa?

- Daqui a dois dias vou para Hogwarts…

- Sim, querido. Vais adorar lá estar.

- Mas eu não tenho tanta certeza disso. – disse, cruzando os braços.

- Porquê?

Embora não tivesse ficado espantada com o que Scorpius afirmara, tinha de lhe perguntar. Ele precisava de dizer, sentir-se-ia melhor se o fizesse e, por isso, questionei-o como se não soubesse exactamente as dúvidas dele.

Scorpius tinha uma forte ligação comigo e com Draco. Parecia-lhe estranha a ideia de estar durante meses longe de nós.

- Eu só vou regressar no Natal, mãe. Além disso, o máximo que eu estive sem ti e sem o pai foi quando fui dormir à casa do tio Harry e da tia Ginny com o James. E foi uma noite! – disse, falando muito rápido.

- Scorpius, não te preocupes. O tempo passa rápido e tu vais adorar Hogwarts. Aposto que não vais querer voltar.

- O pai diz que tem regras a mais. E mãe tu sabes como as detesto: "Scorpius, vem jantar. Scorpius vai para a cama!" – disse numa imitação perfeita da minha voz.

Não consegui evitar rir-me e Scorpius acompanhou-me.

- Oh filho, vem cá… - disse num tom ternurento. – Vai correr tudo bem. Nós também vamos sentir a tua falta.

- Mas eu não disse que ia sentir a vossa falta. – disse, exibindo um sorriso torto nos lábios.

- Ai não? Então por que motivo estás assim?

- Porque… porque… lá não vou ter o pai para jogar quidditch comigo todos os sábados… não te vou ter a ti a desafiar-me para ver quem acaba de ler primeiro um livro…

Sorri, pois era uma boa maneira de dizer que ia sentir a nossa falta. Scorpius tinha herdado de Draco o gosto pela prática de quidditch e de mim o gosto pela leitura.

Draco estava parado à porta do quarto com um sorriso no rosto. Há quanto tempo ele estaria a ouvir a nossa conversa?

- Vais fazer amigos rapidamente. – disse, colocando-se ao meu lado com a mão pousada no meu ombro.

- Além disso, o teu primo James e a Sophie também irão para Hogwarts no ano seguinte. – disse, sabendo que iria tranquilizá-lo.

- Mas ainda há o problema da equipa… - Scorpius começou, assumindo uma expressão séria e grave.

- Isso é o que menos importa, querido. – garanti.

Todavia, ele parecia mais preocupado em encarar Draco. Por sua vez, Draco fitava-o com uma sobrancelha erguida.

- Eu não sei se quero ficar nos Gryffindor ou nos Slytherin… - disse, suspirando.

- Isso não importa, Scorpius. Eu e a tua mãe ficaremos feliz de qualquer das formas. - a voz paternal de Draco que pretendia acalmar Scorpius pareceu afligi-lo ainda mais.

- O James diz que a probabilidade de eu ficar nos Gryffindor ou nos Slytherin é igual. Mas ele diz que os Slytherin não se dão com mais ninguém…

- Isso não é verdade. Tu até podes ficar nos Ravenclaw ou Hufflepuff. Só o chapéu é que sabe onde te darás melhor, Scorpius. – disse-lhe e ri-me ao ver Scorpius fazer uma careta ao imaginar-se numa dessas equipas, de onde não tinha antecedentes.

- Não penses mais nisso, filho. Vamos dormir agora. – Draco aproximou-se de Scorpius e beijou-lhe a testa.

Segui-lhe o exemplo e dei outro beijo na bochecha de Scorpius. Quando estávamos a sair do quarto, Scorpius chamou:

- Pai… mãe… vocês não vão ficar chateados? Seja qual for a equipa em que calhe? – parecia incomodado por estar a fazer a pergunta.

Draco e eu sorrimos um para o outro e tranquilizamos Scorpius.

- Claro que não. Agora dorme, amanhã vamos à Diagonalley fazer as compras que faltam.

Eu sabia que Scorpius gostava de agradar sempre tanto a mim como a Draco. Se ele pudesse escolher, ele ficaria nas duas equipas. Não conseguia compreender que não me iria desiludir por ficar nos Slytherin nem iria desiludir Draco por ficar nos Gryffindor.

- Pareceu preocupado com a história das equipas. – disse Draco, quando já estávamos deitados na cama.

- Tem medo de nos desiludir, Draco. Nem ele sabe qual a equipa em que quer ficar.

- Isso é o menos importante. Boa noite, Hermione.

- Boa noite, Draco.

No dia seguinte iríamos os três até à Diagonalley comprar o material que faltava para o Scorpius. Draco e eu tínhamos tirado o dia no ministério para podermos ir os dois com ele, pois era importante para o Scorpius. Saímos cedo de casa, logo após o pequeno-almoço. Durante a manhã compramos o material básico, os livros, o caldeirão, telescópio e a balança.

- Ainda falta comprar algumas coisas. – disse Scorpius que ia no meio de mim e de Draco, a segurar o pergaminho na mão, o qual consultava de cinco em cinco minutos.

- Sim, mas eu acho melhor fazermos uma pausa para o almoço.

Entramos num café novo na Diagonalley. Sentamo-nos na primeira mesa e uma feiticeira de longos cabelos loiros dirigiu-se a nós. Fizemos o pedido e almoçamos descontraidamente. Comemos a sobremesa favorita de Scorpius, crepe com gelado e chocolate quente. De seguida, compramos o uniforme e o chapéu pontiagudo. Dirigimo-nos ao Olivander para comprar a varinha, a parte que Scorpius mais ansiava. Antes de a varinha o escolher, Mr. Olivender tentou três varinhas que o rejeitaram e Scorpius parecia preocupado com o facto de nenhuma varinha o estar a escolher.

- Boa varinha, Malfoy. – disse Mr. Olivender com a voz rouca. – Salgueiro, 34cm, pêlo de cauda de unicórnio, maleável.

- Obrigada, Mr. Olivander. – disse Draco, pagando com moedas de ouro.

Scorpius estava encantado com a varinha e guardou-a com cuidado.

- Agora vamos para casa? – perguntou, dando-me a mão.

- Ainda falta passarmos num sítio. – disse Draco com um sorriso para Scorpius. – Queres um gato, sapo ou coruja?

- Ora, eu queria um gato, mas desde que o Crookshanks morreu, eu não sei se quero… - disse Scorpius pensativo. Crookshanks tinha morrido quando Scorpius tinha cinco anos, mas ele ainda se lembrava dele. – Então eu acho que prefiro…

- Sapos não. O Longbottom tinha um e não servia para nada, Scorpius. E fazem um barulho horrível!

- Draco! – exclamei, reprovando-o com o olhar.

- O que foi? É verdade, Hermione. – contrapôs, indignado.

- Deixa ser o Scorpius a escolher.

- Eu quero uma coruja. Assim quando quiser enviar cartas não preciso de usar as de Hogwarts.

- Vamos ver as corujas então. – disse e subimos até à loja das corujas no cimo da rua.

Scorpius gostou imediatamente de uma coruja castanha com a cabeça branca. Pagamos ao senhor da loja e viemos embora com a gaiola a ser segurada por Draco com extremo cuidado a pedido de Scorpius. Quando chegamos a casa, pousamos as imensas sacas de compras no chão e Scorpius decidiu enviar uma carta para James a contar as novidades. Eu e Draco fomos preparar o jantar.

- Vamos ser nós os dois novamente. – disse Draco com um suspiro.

- O nosso filho cresceu tão rápido. Vai ser estranho não poder estar lá para protegê-lo.

- Hermione, o Scorpius sabe-se defender sozinho.

Quando acabamos de jantar, Scorpius foi arrumar o malão com a ajuda de Draco que obviamente usaria magia para "economizar tempo", como ele mesmo dizia. Deitou o Scorpius e desceu até à sala, onde eu estava a ler um livro muggle.

Draco beijou-me o pescoço e fez-me olhá-lo nos olhos. Tive o cuidado de marcar a página e fechei o livro. Abracei Draco e deitei a minha cabeça sobre o ombro dele. Draco puxou-me para perto dele e sussurrou ao meu ouvido:

- Vamos subir.

Draco pegou em mim ao colo e levou-me para a cama. Era impressionante como mesmo após tantos anos eu ainda o continuava a desejar da mesma maneira. Ele era importante para mim.

No dia a seguir acordamos cedo para ir levar Scorpius à estação de King's Cross. Assim que lá chegamos encontrei algumas pessoas conhecidas que tinham tido filhos e iam para Hogwarts. Neville Longbottom estava lá com a mulher e com o filho que parecia nervoso por estar prestes a entrar no comboio. Também vi Pansy Parkinson a despedir-se da filha que já estava a entrar para o comboio sem ele anunciar a partida.

- Scorpius, anda cá. – chamei para arranjar-lhe a gola da camisa.

- Está óptimo assim, mãe. – disse a reclamar, tentando desenvencilhar-se de mim. – Acho que é melhor eu entrar.

- Manda uma carta depois do banquete, Scorpius. – pediu Draco, abraçando o nosso pequeno.

- Vou tentar não me esquecer. – disse com um sorriso maroto. De seguida, colocou-se em bicos de pé para chegar a mim e beijar-me a face. – Até Dezembro! – disse, virando as costas para andar em direcção ao comboio. Mas eu puxei-o a fim de o abraçar mais uma vez.

- Vamos ter saudades, querido. – disse com a voz um pouco tremida e com as lágrimas nos olhos.

- Mãe… por favor. – Scorpius estava incomodado e olhou para Draco de forma suplicante.

- Hermione, o Scorpius está a ficar atrapalhado por estares a chorar.

- Oh… porta-te bem. Vai… vai lá. – disse e Scorpius voltou para trás para me abraçar mais uma vez.

- Por favor, estás a fazer-me passar vergonhas. O que achas que os meus colegas vão dizer na escola? Pai, toma conta da mãe. Adeus! – disse, correndo em direcção ao comboio que já anunciava a partida.

Draco colocou a mão no meu ombro e eu virei-me para ele ainda com as lágrimas nos olhos. Ele puxou-me pela cintura e envolveu-me num abraço. Acenamos para Scorpius que estava na janela do comboio com um sorriso gigantesco. Quando vi o comboio partir senti um aperto no coração. Esperava sinceramente que Scorpius se divertisse tanto quanto eu me tinha divertido em Hogwarts. Senti-me um pouco egoísta por querer Scorpius sempre comigo. Eu sabia que até Dezembro tinha de me contentar com as cartas.

- Vamos para casa, Hermione. Escusas de estar assim, o Scorpius está bem, garanto-te.

- Eu sei… mas eu queria tê-lo aqui sempre connosco. Desculpa, sei que estou a ser egoísta…

- Estás a ser mãe-galinha, Hermione. – disse a rir.

- Draco, ainda é tão cedo…

Draco olhou para o relógio e sorriu.

- Sim, talvez ainda possamos ir para casa dormir um pouco.

- Não. Eu pensei em irmos até aquela praia, onde fomos com o Harry, Ginny e com as crianças comer um gelado.

Draco arqueou a sobrancelha, mas sacudiu os ombros. Desmaterializamo-nos em conjunto até à praia. O sol estava fraco e ainda fazia um pouco de frio, pelo que Draco tirou o casaco preto que vestia para colocar às minhas costas quando já estávamos sentados na areia.

- Draco, lembraste quando o Scorpius ainda era um bebé?

Antes de me responder, deixou um sorriso iluminar-lhe o rosto.

- Perfeitamente, o rapaz era uma peste. Foram tantas as noites mal dormidas, fraldas para mudar e biberões…

- Estás… estás preparado para esse processo se repetir? – perguntei, mordendo ao de leve o lábio inferior em expectativa.

- Repetir o quê? – a expressão de Draco era tão engraçada entre o confuso e o descrente.

- Passar mal as noites, mudar a fralda e dar de biberões? – repeti tudo o que ele tinha dito e sorri sem desviar o olhar dele um segundo.

- Não! – disse num berro. – Quero dizer, estou. – corrigiu imediatamente. - Mas… Hermione, tu estás grávida?

Abanei a cabeça consequentemente com uma gargalhada nervosa a escapar-me pela boca. Draco olhou para a minha barriga como se esperasse que ela crescesse só por ele saber que eu estava à espera de mais um filho.

A ideia de ter mais um filho com Draco era estupenda e deixava o meu coração aos pulos. Como ainda estava de pouco tempo tinha optado por contar apenas a Draco. Scorpius saberia quando eu tivesse a certeza que estava tudo bem com o bebé. Mas eu tinha a certeza que ele iria adorar a ideia, pois quando Harry e a Ginny tiveram a pequena Lily, Scorpius insistiu comigo e com Draco para lhe darmos um irmão.

Se recuasse um pouco atrás na minha vida, poderia constatar que não tinha sido nada fácil ficar com Draco. Lucius Malfoy tinha feito de tudo para nos separar, mas ainda assim o amor entre nós tinha prevalecido. Tinha valido a pena passar por tanto para depois ficarmos juntos e termos o Scorpius e futuramente outro filho. E eu ainda amava Draco como no início e sabia que ele também me amava dessa forma arrebatadora. Podia ver isso nos olhos dele na expressão quente e avassaladora com que eles me diziam "Amo-te".


N/A: Antes de mais um muitissimo obrigada a todos os que leram e comentaram!

Custa-me muito ter de terminar a fic, mas tudo tem um fim. E esta já precisava de um faz tempos!

Espero que vocês gostem deste capítulo, foi um género de epílogo. E foi propositado não ter dito em que equipa fica o Scorpius... fica ao vosso critério!

Comentem muito pf. :)

Já há muito tempo que tenho outra fic deles em mente e mal posso esperar por começá-la a postar aqui!

Beijinhos

Sara Mendes*