CAPÍTULO UM

— Prepare-se! Alerta vermelho! Alerta vermelho!

Bella Swan sorriu ao ver a maneira criativa que a recepcionista encontrou para avisar que o homem para quem Bella trabalhava havia retornado a Chicago, durante um dos invernos mais melancólicos da cidade.

— Obrigada, Betty. — Bella ligou o monitor do computador e esperou por ele.

Bella sabia que algo estava acontecendo com Edward Cullen. Nos cinco anos que havia trabalhado para ele, era a primeira vez que ele chegava tão tarde. Geralmente já estava lá quando ela chegava.

Mais cedo, ela checou a agenda dele para ver se havia algum compromisso fora da cidade naquela manhã, mas não havia nada escrito. Talvez tivesse decidido não ir trabalhar, já que era sexta-feira e ele li ia tirar férias que começavam naquele fim de semana. No entanto, não era do feitio do chefe. Ele teria ligado e lhe avisado.

E essas seriam as primeiras férias que iria tirar desde que ela começou a trabalhar para ele como secretária. Então aproveitaria para organizar alguns arquivos e documentos, e adiantar um pouco do trabalho.

Pelo menos, Betty já havia avisado que ele não estava de bom humor. Edward tinha o humor instável na maior parte do tempo. Mas não importava quão mal humorado ele estivesse naquela manhã, não seria problema aguentá-lo por mais um dia.

Edward era um astuto homem de negócios e trabalhara duro para construir seu negócio em segurança eletrônica. Ela não entendia por que ele nunca parecia estar satisfeito com o que já havia conquistado nos últimos 15 anos.

O homem se parecia mais com um jogador de futebol americano do que com um diretor de uma empresa multimilionária. Pena que raramente sorria. Não conseguia se lembrar de algum dia tê-lo visto sorrir. Ele não fazia o estilo jovial. O rosto dele parecia que havia sido esculpido em granito, de tão sério que era. As sobrancelhas grossas e os olhos azuis penetrantes não eram suficientes para que ele fosse selecionado para a lista dos solteiros mais sexys dos Estados Unidos.

Não que a aparência dele não atraísse um bando de mulheres bonitas. Havia várias, loucas para se tornar a Sra. Cullen. Pelo que Bella havia notado ele nem encorajava nem desencorajava as candidatas. Tanya Denali era a da vez. Estava saindo com ela há três meses, o que era um recorde para ele.

Bella sabia quando ele começava a sair com alguma nova mulher, porque ele a deixava encarregada de mandar flores para a nova paquera, comprar presentes, entradas para diferentes eventos e, às vezes, a fazia escutar os comentários sobre as mulheres que entraram e saíram de sua vida.

Ele sabia que a maioria só estava interessada em seu dinheiro e nos contatos que ele tinha. Escutava, cinicamente, as juras de amor eterno e os desejos de compromissos que ele era incapaz de corresponder.

Havia épocas em que Bella via a solidão nos olhos do chefe. Em algum momento da vida dele, Edward devia ter decidido fechar o coração e não se deixar envolver por mais ninguém. Ela achava aquilo muito triste. Nunca deixou que ele soubesse disso. Sempre ouvia quando ele precisava desabafar, mas não fazia comentários.

A irmã nunca acreditaria nisso, pois Bella era conhecida na família por expressar suas opiniões sobre assuntos delicados, não importando a ocasião. Ela sorriu ao pensar nisso.

— Bom di...

— Não, definitivamente esse não é um bom dia. — Ele parou em frente à mesa dela, tirou um envelope do paletó e lhe entregou. — Não vou precisar mais disso. — E foi para sua sala. — Pode pegar um café para mim, por favor? Estou com uma dor de cabeça insuportável.

— Claro. — Ela abriu o envelope e viu o conteúdo. Nele havia uma passagem de avião para o Havaí

Ela mesma havia reservado para Edward e Tanya.

Será que Tanya havia mudado de idéia e desistido da viagem?

Foi para a copa, encheu uma enorme caneca de café e foi para a sala do chefe.

Ela pulava com as mãos no bolso olhando para a caneca na mesa dele e sentou se na cadeira.

— O que foi, Edward? Ele demorou a responder. Ficou olhando a neve caindo contra a janela. Ela ficou esperando.

Depois de vários minutos de silêncio, ele se virou, sentou-se à mesa e apanhou o café.

— Você tem uma aspirina?

— Claro. — Ela foi até o pequeno bar e encheu um copo de água antes de pegar o comprimido e levar até ele.

Edward realmente estava atacado. Seu cenho franzido era sempre intimidador. Não era de surpreender que houvesse tantas pessoas que não gostassem dele. Achava que ele não devia ter a menor idéia de como soava assustador... isso nos melhores dias.

Quando começou a trabalhar para ele, soube que quatro outras secretárias haviam passado por lá, mas não aguentaram mais do que algumas semanas.

No entanto, ela não se intimidava facilmente. Havia crescido com três irmãos, e ela e a irmã tiveram que aprender a se virar com os meninos.

Depois de vários minutos de silêncio, Edward olhou para ela, intrigado.

— O que você está fazendo aqui?

— Trabalho aqui. — Respondeu sem titubear. Ele fechou os olhos.

— Desculpa. Não estou nos meus melhores dias. - Jura? O surpreendente foi ele ter se desculpado!

Precisava marcar aquele dia na agenda.

— Há quanto tempo trabalha para mim?

— Cinco anos.

— Por quê?

— Por que o quê?

— Sou um cara tão desagradável, por que você me aguenta?

— Quem disse que você é desagradável? Acho você uma pessoa ótima, contanto que as coisas aconteçam do seu jeito.

— Tanya disse que todo mundo aqui da empresa tem medo de mim. Menos você.

— Não sabia que essa era uma das minhas atribuições. É isso que está incomodando você hoje?

— Não.

— Você se preocupa com o que as pessoas da empresa pensam de você?

— Não, na verdade, com exceção de você. O que pensa de mim?

Voltou a sentar na cadeira e pensou no que dizer. Finalmente, o olhou nos olhos e disse:

— Acho que você é um homem brilhante, porém intolerante com as pessoas, um homem que construiu um império com muito esforço, seguindo seus próprios instintos, ignorando os pessimistas.

— Hum. — Ele tomou a aspirina e bebeu um gole da água. Então pegou a caneca de café e bebeu outro gole.

Os dois ficaram sentados por mais um tempo, em silêncio.

Finalmente, Edward disse:

— Tanya terminou comigo ontem.

Ela não conseguiu disfarçar a surpresa. Devia ter sido a primeira a ter feito isso com Edward. Geralmente, era ele quem terminava os relacionamentos.

— Porque você queria que ela fosse ao Havaí com você?

Ele deu um sorriso murcho.

— Na verdade, ela nem me deu a chance de mostrar a passagem. Antes disso, disse que nunca mais quer me ver.

— Não sabia que você ia fazer uma surpresa para ela?

— Pelo visto quem foi pego de surpresa fui eu.

— Mas o que aconteceu?

— Esqueci que a gente tinha marcado de ir à ópera, ontem à noite. — Quando escutei a mensagem no celular, já estava uma hora atrasado.

— Nossa!

— Ela estava furiosa quando cheguei lá. Falei que ainda dava tempo de chegar no intervalo, afinal a gente já conhece a história. Mas pelo visto a ópera era o de menos para ela. — Esfregou o rosto com as mãos. — Ela me deu uma bolsa com as coisas que tinha deixado no apartamento dela e me mandou embora.

— Com certeza, Tanya estava perturbada naquela hora — disse Bella. — Por que não liga para ela agora e fala da viagem? Não tenho dúvidas que vai perdoá-lo quando souber da surpresa que preparou para ela.

— Não vou fazer isso. Ela deixou bem claro que não quer mais nada comigo. Por que vou me preocupar, então? — Ele voltou a sorrir. — Tenho que admitir que meu ego foi ferido e fui para casa curtir a fossa depois que ela me chutou. Mas ela disse com todas as letras que não me quer mais. Posso viver com isso.

Ele apontou para o envelope que ela havia deixado sobre a mesa.

— Não vou precisar mais disso — ele disse, levantando os ombros.

Bella prometera a si mesma não dar sua opinião, a não ser que ele pedisse; e sempre que ele pedia alguma, era sobre trabalho. Mas sua consciência a incomodava e assim não podia mais ficar calada.

— Não concordo, acho que você precisa de umas férias, com ou sem Tanya. Você adora o Havaí e já faz três anos que comprou aquela casa lá sem nunca ter ido. Acho que você deveria ir e curtir a praia. Esqueça o trabalho por uns dias, coloque o sono em dia. Quando chegar lá, tenho certeza que vai se divertir.

Ele se inclinou na cadeira e ficou olhando para ela. Bella ficou esperando que ele a repreendesse, dizendo que não se metesse na sua vida. Ficou surpresa quando ele perguntou:

— Você acha que só vivo para o trabalho?

Ela ficou sem saber o que responder. Aquele homem nunca havia lhe perguntado algo tão pessoal. Agora que pedia sua opinião, não sabia se devia ser sincera ou não, visto que eleja estava de mau humor. Talvez — falou cautelosa.

Ele franziu as sobrancelhas.

— Nossa, obrigado.

— Acho que você precisou trabalhar muitas horas extras quando começou seu negócio e agora se acostumou a passar a maior parte do seu tempo aqui dentro. Hoje você tem empregados de confiança que podem muito bem cuidar da empresa enquanto estiver fora. Talvez esta seja a hora de descobrir outros prazeres na vida além do trabalho.

Ele cocou o queixo.

— Pode ser — balançou a cabeça. — Ainda não consigo esquecer a raiva que Tanya estava sentindo quando cheguei. Será que o que fiz foi tão ruim assim? Ela poderia muito bem ter chamado um táxi e ido sem mim.

— Você, por acaso, ligou para ela depois de ouvir as mensagens no celular?

— Para quê? Já estava indo buscá-la. Ela se esforçou para não rir.

— Acho que ela ficou irritada por que talvez não tenha sido a primeira vez que isso aconteceu. Algumas mulheres não conseguem tolerar muito tempo esse tipo de comportamento.

— Você não se irrita.

— Você me paga muito bem para não notar. Além disso, sou sua secretária, não sua namorada.

Ele a estudou, em silêncio, por um momento.

— Mas só por alguns meses. — Ele não parecia muito satisfeito com isso. — Em junho, você vai ser transferida para o departamento do Emmett.

Ela sorriu.

— Graças a você.

— Você me pegou num momento raro de gratidão pelo seu trabalho. Muito eficiente, por sinal. Você se forma em administração na primavera, é isso?

— É verdade. Nunca teria conseguido assistir às aulas da noite se você não tivesse ajudado a pagar as mensalidades.

— Não fui eu quem pagou e sim a empresa. Foi um investimento em um de nossos empregados. Com seu conhecimento sobre a companhia e seu potencial, seria burrice privá-la de aprimorar conhecimentos.

Ele esfregou a mão na testa, indicando que a dor de cabeça não havia passado.

— Claro que isso significa que em breve vou perder minha secretária e sofrer para encontrar alguém que queira trabalhar para mim.

— Não vai, não. Vou fazer uma triagem. Se achar alguém que possa trabalhar para você sem sair correndo na primeira vez que engrossar a voz, marco logo uma entrevista.

— Pode funcionar. — Ele não parecia nada contente com a idéia.

A decisão de promovê-la foi quase um sacrifício para ele. Atrás daquela armadura de ferro, havia um homem justo.

Claro que, como todo homem, ele não conseguia entender as mulheres.

— Você costuma sair com frequência? — ele perguntou, surpreendendo-a mais uma vez. Nunca demonstrara nenhum interesse pela vida pessoal de Bella. Ele realmente estava estranho naquela manhã.

— Por causa das aulas à noite e dos estudos, quase não me sobra tempo livre.

— Eu faço você trabalhar demais. Ela deu um sorriso.

— São ossos do ofício.

— A única razão pela qual inventei essa viagem foi para agradar a Tanya. Mas tem uma pessoa com quem queria me encontrar em Honolulu. Steve Furukawa é dono de vários negócios na ilha e quero oferecer-lhe nossos serviços. — Ficou olhando para ela. — Se ele estiver interessado, preciso da sua ajuda para preparar uma apresentação. Acho que devíamos viajar para lá. Passamos dois dias trabalhando e descansamos o resto da semana.

— Eu? — ela quase engasgou. — Não posso fazer isso!

— Por que não?

Ela ficou olhando para ele, pasma.

— Primeiro, porque estou em aulas e segundo, não fica bem nós dois juntos numa viagem ao Havaí.

— Vai ser uma viagem de negócios.

— Nunca precisou de mim numa antes.

— Bella, você é uma secretária exemplar. Quanto às aulas, duvido que faltar uma semana de aulas vai fazer você repetir o ano. Vai?

— Bem, não...

— Então não vejo problema algum. — Ele começou a mexer nos papéis sobre a mesa. — Pode checar com a contabilidade os valores da conta Malone? Gostaria de ver isso antes do almoço.

-N/A: Primeiro capitulo em homenagem a minha primeira leitora Christye-Lupin. E ai, gostou: continuo?