CAPÍTULO QUATRO
Bella ficou aliviada ao sair do avião em Los Angeles e finalmente colocar os pés em terra firme. Terminou o livro e foi a uma livraria do aeroporto comprar mais alguma coisa para ler no próximo vôo.
— A gente tem tempo de comer alguma coisa, se você quiser — Edward disse, enquanto passavam por alguns restaurantes na praça de alimentação.
— Não estou com muita fome. Vai ter comida no próximo vôo, não vai?
— Vai.
— Então prefiro esperar.
Ela olhou por uma das janelas do aeroporto e viu o pôr-do-sol, um céu azul e palmeiras. Que diferença de Chicago.
— Nunca tinha estado em Los Angeles antes. Mas acho que dessa vez não conta, pois não vou sair do aeroporto, mesmo.
— Você gosta de viajar? — ele fez um gesto para que ela entrasse num café com ele.
—Viajei muito pouco. Já fui a Phoenix várias vezes para ver minha mãe. Teve um natal que a família se reuniu no Oregon, na casa do meu irmão: Não me sobrou tempo para viajar muito.
Eles compraram um café e foram procurar uma cadeira para sentar.
— Então foi ótimo ter trazido você nessa viagem.
— Obrigada.
— Sei que está fora de contexto, mas você fica tão diferente com o cabelo solto.
— Você pergunta sem nenhuma vergonha por que não sou casada e fica encabulado para falar do meu cabelo?
— É verdade. É tarde demais para eu me desculpar pelas perguntas que já fiz?
— Demais. Agora você conhece a minha triste novela. Mas você gostou do corte novo?
— Você cortou o cabelo?
— Ontem. Ainda estou me acostumando com a idéia de ter o cabelo mais curto.
— E, está... bem, gostei.
— Obrigada. Então, vamos procurar o portão de embarque do próximo vôo?
Ele se levantou e esticou-se, deixando um pouco da barriga à mostra, que era dura e bem definida. Ela pensou em como seria vê-lo de sunga.
Bella estava um pouco mais relaxada no segundo vôo. Estava até meio sonolenta, apesar do café que tinha tomado. Talvez conseguisse tirar uma soneca quando já estivessem no ar.
Bella acordou assustada ao ouvir o piloto anunciando que o avião estava descendo para aterrissar no aeroporto Kahului, em Maui, e que em 40 minutos estariam na ilha.
Não podia acreditar que havia dormido tanto. Olhou para a perna e viu a revista que estava lendo quando caiu no sono.
Olhou para Edward e o viu com os óculos de leitura e um manual técnico. Nada de mistérios e romances para ele.
— Vejo que encontrou algo bem leve para se entreter nas suas férias.
Ele abaixou o queixo e a olhou por cima dos óculos.
— Cada um sabe o que serve para relaxar. Dormiu bem?
— Surpreendentemente, sim. — Ela tapou a boca c bocejou. — Acho que posso me acostumar a viajar na primeira classe. — Esperou um pouco antes de dizer — Se você me der licença, quero jogar uma água no rosto antes de as luzes acenderem para colocar o cinto.
Edward se levantou do assento e deixou que ela passasse para o corredor. Por sorte, o banheiro estava desocupado. Lavou as mãos e pegou uma escova da bolsa para ajeitar os cabelos.
O novo corte realmente mudava a aparência dela. As ondas caíam no rosto e chamavam a atenção para ON olhos de Bella. Ficou surpresa que Edward não apenas notou como também comentou sobre o novo visual.
Quando saiu do banheiro, deu de cara com um passageiro da primeira classe. Sorriu para ele cordialmente e ele retornou o sorriso com entusiasmo.
Bella corou e voltou rapidamente para seu lugar. Edward já estava de pé para que ela pudesse se sentar.
— Obrigada. — Ela sentou-se apressadamente. Ele se sentou em seguida e fechou o manual que estava lendo.
Por 15 minutos, ele fez mais perguntas sobre a vida de Bella — hobby, filmes preferidos e programas de televisão. Depois, a deixou ler o livro que havia comprado.
Ela ainda se sentia desconfortável em viajar com ele. Mas, com certeza, iria acabar superando o mal-estar, uma vez que chegasse no apartamento e começasse a curtir o lugar.
Depois da aterrissagem, os dois pegaram suas malas de mão e saíram. Qualquer um diria que eram um casal que estava junto há muitos anos. Ela não sabia por que aquela idéia a deixava tão nervosa.
Já no terminal, Bella percebeu que muitas das pessoas que estavam partindo usavam um colar de flores. Ela sorriu e não via a hora de receber um também. Edward achou um táxi e, com o motorista, pôs as malas na mala do carro.
Edward se sentou ao lado dela, no carro.
— E então, o que acha?
— Estou impressionada. O ar puro é refrescante.
— Bem melhor que o cheiro do diesel e da gasolina da cidade.
Enquanto fazia perguntas ao taxista, olhou de relance para Edward, que apreciava a vista pela janela. Parecia estar bem menos tenso. Na verdade, Bella nunca o havia visto tão relaxado. Que bom. Tinha esperanças de que um pouco de descanso iria lhe fazer muito bem.
A paisagem era de tirar o fôlego, com enormes montanhas de um lado e o mar do outro. Seguiram a costa por alguns quilômetros, até que o motorista diminuiu a velocidade e virou numa travessa que dava num portão.
Edward deu o seu nome e o portão se abriu.
A vereda no interior do condomínio era cheia de árvores e vasta mata verde. Quando chegaram no prédio, ela se sentiu no paraíso com a vista panorâmica da praia.
Suspirou de prazer.
Edward a ajudou a sair do táxi e, enquanto tirava as malas do carro, Bella olhou o edifício. Varandas libertas, todas de frente para o mar. O extravagante perfume do desabrochar das flores flutuava no ambiente. Respirou fundo para que o aroma da primavera a invadisse.
— Pronta? — Edward a esperava na porta de entrada, com as malas nas mãos.
— Desculpe-me, é que estou maravilhada. — Ela abriu a porta e os dois entraram num amplo saguão e foram até o elevador. — Qual o andar?
— O último. — Ela então apertou o botão que indicava o quarto andar.
Quando as portas se abriram, Bella descobriu que o andar era todo de Edward, que pegou uma chave no bolso e abriu a porta dupla que dava para o apartamento.
— Primeiro você, senhorita Swan. — Ela entrou e parou em seguida.
— Meu Deus, nunca vi nada igual. Parece cenário de um filme de Hollywood sobre ricos e famosos.
— É bem impressionante, mesmo. Quer fazer um tour?
A área do apartamento era circular, com o elevador no meio, e todas as janelas tinham uma vista espetacular. A cozinha era bem equipada. A sala de jantar tinha uma bela mesa de mogno onde caberiam facilmente 12 pessoas. Os três amplos quartos tinham, cada um, banheiro e varanda.
— Pode escolher o quarto que preferir. — Disse Edward ao terminar o passeio pela casa.
— Qual você gosta mais?
— Tanto faz.
— Hum. — Parou à porta de um deles. O quarto parecia ter o tamanho de uma quadra de basquete. A vista era belíssima. — Acho que vou ficar com esse, então. — Murmurou enquanto abria uma das janelas.
Pôde ouvir o barulho das ondas batendo na areia da praia. Quando se virou novamente, Edward já não estava mais lá. Havia deixado a mala dela ao lado da porta.
Bella entrou no banheiro, que era maior que a sala da casa dela em Chicago. Como seria fácil acostumar-se a morar num lugar assim. Sorriu. Não conseguia nem pensar direito de tanto deslumbre.
De repente, sentiu-se cheia de energia, apesar da longa viagem, e desfez as malas. Trocou a roupa de frio que usava por um jeans e uma blusa sem manga, e foi até a sala principal. Edward estava no bar fazendo um drinque.
— Quer um? — perguntou ele, quando a viu entrar.
— Aceito um copo de água. Não sou de beber. Estou pensando em dar um pulo na praia.
— Não está com fome? A gente podia comer antes.
— Não é má idéia. Estou mesmo com fome. E, com certeza, ainda vai ter muito sol depois que acabarmos de comer.
O restaurante era ao lado do prédio, com mesas ao ar livre e no interior. Bella notou que havia poucas pessoas comendo. Olhou o relógio.
— Acho que é meio cedo para comer de acordo com a hora local, não?
— Não tem problema. Eles estão acostumados com hóspedes chegando em diferentes horários. O restaurante fica aberto 24 horas por dia.
Já sentada, Bella pegou o cardápio para escolher u comida. Bocejou. Edward ficou olhando-a por um tempo.
— Você deve querer dormir cedo hoje à noite, mesmo com o cochilo que tirou no avião. Mas o melhor seria se conseguisse ficar acordada para se acostumar logo com a mudança do fuso.
— O som das ondas é tão relaxante. Só espero não cair no sono em cima da salada.
— Um brinde às nossas férias a trabalho. Edward pegou o copo de água e o levantou.
Bella pegou seu copo e brindou com ele.
— Obrigada pelo convite. — Ela bocejou novamente. — Do jeito que estou, seria capaz de dormir a semana toda.
Ao acabarem de comer, o sol estava baixo ao oeste. Edward caminhava ao lado dela em silêncio, com as mãos no bolso, enquanto Bella ia até a praia.
O céu começou a escurecer e os dois ficaram assistindo às luzes das casas ao redor da praia se acenderem gradualmente. Depois voltaram para o condomínio. Se ela andasse na areia da praia todos os dias, iria voltar para casa em ótima forma; sorriu pensando.
— O que é tão engraçado? — ele perguntou, parando ao lado dela para tirar a areia dos sapatos.
— Estava pensando no ótimo exercício que é andar na areia. Se não estou em forma agora, com certeza vou estar no final da semana.
— Provavelmente.
Um homem de poucas palavras. Não que ela se importasse. Amanhã estaria de pé quando o sol nascesse e planejava aproveitar cada minuto no Havaí.
Depois que Bella foi para o quarto, Edward tomou um banho e foi se alongar na cama.
Ficou pensando em Tanya; sobre a raiva que estava pela forma abrupta como o expulsou. Há anos havia aprendido a controlar suas emoções. Considerava-se um homem racional, que não se deixava levar por sentimentos e sensações. Mas quando Tanya jogou na cara dele aquelas acusações: insensível e egoísta foram as palavras mais suaves que ela disse — ele sentiu uma raiva que há muito tempo não experimentava.
Não deu nenhuma chance a ele de se explicar e deixou claro que não queria mais vê-lo nem pintado de ouro.
Estava grato por não ter contado sobre seus planos. Bella estava certa quando disse que precisava descansar por uns dias. O entusiasmo e alegria por estar lá acabaram contagiando Edward. Não se lembrava da última vez que havia estado tão animado. Talvez a presença dela na viagem fosse ajudá-lo a aproveitar mais a vida.
Lembrou da experiência infeliz pela qual ela passou com o... namorado? Noivo? Ela não disse. Sorriu pensando na maneira com que Bella lidou com o incidente. Mas havia sofrido muito. Era a única explicação para que agora ela estivesse ocupada demais para ter um relacionamento sério.
Ele se virou na cama e ajeitou o travesseiro, disposto a dormir. No entanto, seus pensamentos estavam voltados para Bella. Estava tão diferente ao checar no aeroporto, vestindo um jeans justo, um suéter, botas e uma parca.
Não conseguia parar de pensar no motivo de não ter notado antes e de como
era atraente. Na verdade, mais do que atraente. Linda não seria um adjetivo n altura para descrevê-la, mas era algo próximo. Também gostava da franqueza de Bella, e de como ela não se deixava intimidar por ele. Trabalhava duro e merecia cada centavo que ganhava. Era inteligente, ele valorizava muito a sua opinião.
Estaria perdido sem ela.
Ao menos, continuaria na empresa. De qualquer forma, esperava encontrar alguém tão eficiente para substituí-la.
Queria que essa viagem fosse especial para ela. Entraria em contato com Furukawa no dia seguinte e marcaria uma reunião para descobrir se havia condições de fazer negócio com o havaiano.
Acabou caindo no sono enquanto planejava o dia seguinte.
— Tanto planejamento para nada — murmurou Edward ao descobrir que Bella não estava em casa na manhã seguinte. Havia pedido café-da-manhã do restaurante para os dois, e quando chegou, bateu na porta do quarto dela.
Como não houve resposta, ele abriu um pouco a porta e descobriu que o quarto estava vazio.
Sentou-se no bar da cozinha, tomou um gole do café e comeu algumas das deliciosas frutas. Havia pedido que vários jornais fossem entregues todas as manhãs no apartamento e folheou alguns enquanto comia.
Algum tempo depois, foi até a janela e olhou para a praia. O mar estava uma piscina e havia inúmeras pessoas na areia e na água.
Viu quando uma jovem saiu da água e apanhou toalha para se secar. Ficou olhando-a por vários minutos até reconhecer Bella. O rosto era pura satisfação. Ela secou-se e voltou a pôr a toalha na areia para se sentar. Passou as mãos nos cabelos molhados e depois os sacudiu. Fazia isso de uma maneira bastante sensual. Como nunca a havia notado?
Edward reparou que ele não era o único homem que a olhava naquele momento. Um deles foi até ela e puxou papo. Edward se virou e se afastou da janela. Não era problema seu o que ela fazia ou quem conhecia. Então por que o incomodou ver que outro homem falava com ela? Não existia razão nenhuma para que ele tivesse um sentimento de posse pela secretária. Ela era livre para aproveitar as férias como bem entendesse.
Olhou para a praia novamente. O homem disse algo para ela, e Bella riu e virou-se de costas.
Ela riu.
Nunca ria quando estava com ele.
Voltou para a mesa e começou a ler um dos jornais. Olhou para o relógio. Sentia-se inquieto e hesitante, e era cedo demais para ligar para seu possível cliente. Pensou em como estariam as coisas na empresa, mas o seu substituto sabia tanto do negócio tanto ele próprio.
Edward caminhou até a janela e olhou o mar, as montanhas e finalmente a praia. Estava sozinha novamente, mas os homens continuavam a secá-la com os filhos.
Edward se retirou da janela novamente. Poderia dar um pulinho na praia, dar um mergulho, apenas... o problema é que não tinha trazido roupa de banho. Bem, poderia passear pela praia, mas aí os sapatos se encheriam de areia.
As roupas que havia trazido não eram apropriadas para aquele lugar. Mas, provavelmente, iria passar a maior parte do tempo trabalhando, então não tinha importância. E se não trabalhasse o tempo todo? O que iria fazer? Sacudiu a cabeça, frustrado. O que as pessoas faziam nas férias? Pegou o telefone e ligou para a empresa.
O sol já estava forte demais quando Bella pegou sua toalha e a bolsa de praia e foi procurar algo para comer. Tomaria um banho e passearia pela orla em busca de um restaurante. Com certeza, teriam outros lugares além do restaurante do condomínio.
Havia se divertido muito naquela manhã e conhecido algumas pessoas interessantes, que da mesma forma estavam lá para curtir o calor e a natureza, sem qualquer arrependimento de ter deixado o inverno em casa.
Conheceu um casal em lua-de-mel, outro que estava celebrando o aniversário de 30 anos de casamento e um jovem casal com duas crianças que brincavam no rasinho da praia.
Dois ou três caras foram até ela e se apresentaram. Um deles disse que ia lá todas as manhãs e que provavelmente a veria novamente. Outro disse que aquele seria seu último dia na ilha e que pretendia curtir a água até o último minuto.
Ao entrar no condomínio, Bella não entendia como Edward conseguia ter uma energia tão carregada. Quando ele não estava, o lugar ficava bem mais sereno.
Olhou ao redor e viu uma pilha de jornais ao lado de uma cadeira e os restos do café da manhã. Ele havia pedido comida para ela também, notou. Comeu um brioche e uma banana. Delicioso. Aquilo forraria o estômago pelo menos até que tomasse banho, se trocasse e encontrasse algum lugar para almoçar.
Depois do banho, olhou-se no espelho e viu que já estava um pouco bronzeada. Ou melhor, estava bem bronzeada. Teria que tomar mais cuidado com o sol nos próximos dias.
Passou bastante protetor solar antes de ir para o quarto se vestir. Bella havia gastado uma nota com as novas roupas de verão. Afinal, não era sempre que alguém tinha a oportunidade de passar as férias no Havaí, de graça. Escolheu um par de sandálias, um short e uma camiseta que combinasse com seus olhos azuis.
Saiu do apartamento e chamou o elevador. Quando as portas se abriram, lá estava Edward.
— Vai descer? — perguntou ele, educadamente. Ela riu. — Sim, por favor — respondeu e entrou no elevador.
— Subi para ver se estava e chamá-la para comer alguma coisa.
— Você leu meus pensamentos. Estava indo procurar algum lugar para comer à beira da praia.
— Pelo visto, você aproveitou bem a manhã. — Disse depois de colocar as mãos no bolso.
— Muito. E você?
— Falei com Furukawa e ele disse que pode me ver depois de amanhã. Então, vou ficar por aqui por enquanto. — Ele olhou de relance para ela. — Pensei que talvez você pudesse me dar umas dicas do que fazer. — Bella sorriu.
— Não vai ser nenhum trabalho para mim. O elevador se abriu e eles saíram.
— Liguei para o escritório duas vezes hoje, com a esperança de que tivesse acontecido alguma crise por lá que só eu pudesse resolver. — Disse com um sorriso nos lábios. — Infelizmente, está tudo correndo muito bem.
Ele parecia tão decepcionado que Bella achou graça.
— Não é tão ruim assim, tenho certeza.
— Tentei descobrir o que as pessoas costumam fazer aqui além de ir à praia e me disseram que há vários passeios para se fazer, se estiver interessada.
Eles foram até a orla. Ele deu a ela alguns folhetos que ela leu com entusiasmo.
— Tem tanta coisa para ver!
Uma pequena lanchonete chamou a atenção dos dois e ali ficaram para almoçar. Bella pediu uma salada grande e Edward um sanduíche. Ela continuou concentrada nos folhetos com informações dos passeios.
— Estou impressionada. Poderíamos passar um mês aqui e não daria tempo de ver tudo que tem na ilha. — Apontou para um dos anúncios. — Podíamos participar de um luau. Você já esteve em um?
— Não. Quando estive aqui não tive tempo para fazer turismo. Topo qualquer coisa que você escolher.
— Hum. — Ela ficou pensativa tentando escolher qual dos folhetos lhe agradava mais. — Poderíamos visitar algumas outras ilhas, pegar um helicóptero e fazer um passeio aéreo pelas montanhas ou apenas ficar na areia da praia o dia inteiro sem fazer nada.
Ele não conseguia tirar os olhos dela. Ela vibrava de entusiasmo, algo que ele raramente sentia.
— Por mim, tudo bem. — Olhou o relógio e pegou o celular. — Vou fazer as reservas para o luau e depois pensei em alugar um carro para fazer umas compras.
Ela levantou as sobrancelhas.
— Você querendo ir a um shopping? Edward, você está me surpreendendo.
— Estou meio sem graça de dizer, mas a verdade é que não trouxe roupa de praia. — Olhou para os pés. — Preciso me vestir mais de acordo com o lugar, usar uns chinelos, shorts. Além disso, nenhum turista que se preze deve sair daqui sem ter comprado uma autentica camisa havaiana. — Ela riu.
— Muito bem, um ponto para você. Quer que eu vá com você?
Ele congelou. Claro que queria que ela fosse. Na verdade, não havia nem cogitado a hipótese dela não Ir. Ele limpou a garganta.
— Só se você quiser.
— Adoro shopping. Confie em mim, você está falando com um profissional do consumo.
— Obrigado — disse Edward tocando a mão dela.
Ela sorriu.
— Não tenho certeza se vai estar tão grato depois que eu arrastá-lo por um monte de lojas.
— Vou me arriscar.
Como regra geral, Edward detestava shopping, mas também nunca fora a um com Bella Swan. Foram a um pequeno shopping no centro onde nativos tocavam música com instrumentos típicos da região e a famosa guitarra ukulele para os clientes.
— Tocava ukulele quando era criança — confidenciou Bella, enquanto ouvia a música.
— Tocava bem?
— Não posso dizer isso, mas aprendi uns três ou quatro acordes que serviam para quase todas as músicas. O que me faltava em talento, me sobrava em entusiasmo. — Ela olhou para ele e riu, quase fechando os olhos.
Ela era encantadora.
— Vai ter que tocar para mim, um dia — ele disse.
— De jeito nenhum. Não toco há anos. Nem me lembro o que aconteceu com o que eu tinha.
— Então vamos ter que adicionar o ukulele na nossa lista de compras. Assim você vai poder tocar toda noite, lá em casa. Um trabalho de férias. Quem sabe você não começa uma nova carreira?
— Você não tem idéia do que está me pedindo. — Ela respondeu num tom grave, mas logo não aguentou e riu.
Edward seguiu Bella, entrando e saindo de várias lojas, impressionado com o talento que ela tinha para as compras. Sabia de cara se uma roupa iria ficar bem nele e não perdia tempo vendo o resto da loja. Enquanto estava no provador experimentando as roupas que ela escolhia, Bella procurava presentes para a família. Comprou um para cada familiar e outros para os amigos.
Já havia pago pelos presentes quando Edward saiu do provador, vestindo um short e uma camisa com um toque tropical.
— Uau, você está um gato com essa roupa. — Bella falou sem pensar. Ele ficou com o rosto vermelho de vergonha. — Ai! Desculpe-me, não devia ter...
— Não precisa se desculpar. Acabei de ganhar o dia. Acho que nunca tinham usado esse adjetivo comigo.
— Vire-se de costas. — Ela disse, ainda meio sem graça. Viu que a camisa havia caído perfeitamente e tentou ignorar o short que realçava os músculos bem definidos da bunda de Edward. — Se fosse você, levava as duas peças — quase engasgou. — E as outras? Vai querer levar?
— Gostei. Vou levar os três shorts e algumas camisas. — Ele olhou para os pés descalços. — Achei que as meias pretas e os sapatos pretos não combinavam com a roupas novas.
Bem pensado. Você está com sorte, porque tem uma loja de calçados bem aqui ao lado. Vamos ver qual é o seu número e a gente resolve isso rapidinho. Quando chegaram em casa já era quase noite e ambos tinham os braços carregados de compras. Logo na porta, largaram tudo no chão.
— Acho que a gente comprou o shopping inteiro — disse Edward olhando, admirado, a pilha de sacolas no chão.
— Ainda não consigo acreditar que você realmente comprou o ukulele. Você deve ser muito masoquista, mesmo.
— Como pode estar no Havaí e não querer tocar algumas canções da terra?
— Claro... — respondeu Bella com um tom nada convicto. Olhou ao redor. —
Muito bem, vamos separar as compras.
— Onde você se meteu enquanto estava experimentando os sapatos? Comprou mais o quê? — Edward começou a procurar o que era seu.
— Um vestido para usar hoje no luau. Já que você vai ao estilo nativo, pensei em acompanhá-lo.
Cada um levou suas compras para os respectivos quartos. Antes de entrar, Bella olhou para ele e disse:
— Vou tirar uma soneca para conseguir ficar acordada até mais tarde.
— Estava pensando na mesma coisa. Vou pôr o despertador para tocar daqui a duas horas.
— Obrigada.
Já no quarto, Bella se inclinou e deixou as bolsas no chão. O que havia de errado? Sentiu como se uma venda tivesse sido tirada dos seus olhos. Como nunca notara o quanto Edward era atraente? Talvez fosse a mudança de ambiente, o fato de vê-lo fora do escritório. Parecia tão determinado a aproveitar as férias. Pensou o quão triste seria se fosse a primeira vez que ele fazia isso.
O que mais a incomodou foi a forte atração que sentiu por ele durante toda a tarde em que estiveram fazendo compras. Quando passou a mão pelos ombros dele, sentiu o músculo rijo e desejou continuar tocando-o.
Sem dúvida alguma ela estava em maus lençóis. Estavam juntos havia apenas dois dias e já ficava toda ouriçada só de olhar para ele.
Obviamente que não faria nada a respeito. Seria uma estupidez considerar qualquer possibilidade. Mas olhar não fazia mal a ninguém, não tirava pedaço, contanto que ela não fizesse nada comprometedor, como ficar babando.
N/A: Desculpem a demora. Houve alguns imprevistos que me impediram de postar antes.
Aí está o capítulo, espero que gostem.
