CAPÍTULO CINCO
O alarme do relógio de pulso acordou Edward e ele ficou surpreso de como havia dormido bem. Sentou-se na cama e olhou pelas portas de vidro da varanda. O céu estava ficando azul-escuro com o cair da noite. Checou as horas outra vez, foi até a porta do quarto de Bella e bateu. Ninguém respondeu.
Finalmente, ele abriu a porta e ouviu o som da respiração de Bella, a cabeça estava coberta pelo lençol.
— Bella?
Nada. Ele foi até a cama.
— Bella, é hora de levantar.
— Hum. — Ela murmurou sem se mover. Edward ligou o rádio que estava na cabeceira da cama e aumentou o volume. A estratégia funcionou, porque ela pulou da cama, espantada.
— Desculpe, não quis assustá-la. — Ele disse, prendendo o riso.
— Devia ter avisado que tenho o sono muito pesado — disse Bella sentando-se na cama.
— Deu para perceber. Vou me arrumar e a espero na sala de estar.
— Vai vestir suas roupas novas?
— Com certeza — disse Edward antes de sair d quarto.
— Uau — ela disse ao entrar na sala e vê-lo. — Você levou a sério essa história de se vestir como um nativo.
— Se você está em Roma... — Ele disse, com os ombros encolhidos, tentando não encará-la.
Ela vestia um vestido florido com um fundo azul da cor do mar. Estava justo e deixava à mostra os ombros sedutores e marcava seu corpo perfeitamente modelado. — O que acha? — ela perguntou e lentamente deu uma volta em círculo.
Ele engoliu a seco.
— Cai bem em você. É bonito. Ela riu.
— Na verdade, é uma manta. A vendedora me ensinou como vestir. Estou usando um autêntico sarongue.
Foi aí que ele descobriu que estava em maus lençóis. Ela se aproximou de Edward.
— Também comprei esse colar de conchas para combinar com o vestido. — Pegou no braço dele. — Esse luau vai ser tão divertido, já até imagino.
Ele concordou em silencio — torcia apenas que sobrevivesse àquela noite, sem agarrar nem beijar Bella.
Bella achou o luau parecido com o que ela sempre sonhou e muito mais. A comida estava divina, tomou o mai tais, um drinque, nunca havia provado algo tão delicioso. As danças típicas a envolveram completamente. Não entendia como as mulheres conseguiam mexer a cintura com tanta desenvoltura e rapidez ao som dos tambores.
Foram os tambores que também ritmaram o coração de Bella. Olhou de relance para Edward que estava ao lado e parecia estar se divertindo. Ele também a olhou. Bella se inclinou sobre o ombro de Edward e o cutucou de leve.
— Acha que consegue dançar e tocar os tambores como eles?
— Nem ousaria. Está se divertindo?
— Muito.
— É melhor não abusar dos drinques com rum. Demoram a fazer efeito, mas quando chegam é como uma bomba.
Ela olhou para o copo quase vazio. Era seu segundo ou terceiro copo?
— Eles têm gosto de suco de fruta — ela olhou para o copo dele. — O que você está tomando?
— Pina Colada. Quer provar?
— Não, obrigada.
— Você não tem o costume de beber, não é?
— Não — ela sorriu —, mas estou de férias e vou me dar ao luxo de abusar um pouquinho.
Os tambores cessaram de tocar abruptamente. As dançarinas tinham colares de flores pendurados nos braços e estavam colocando no pescoço de cada convidado.
Ela gostou de como o colar caíra bem em Edward.
— Vamos voltar para casa? — ele perguntou.
— Pode ser. — Foram ao luau caminhando e voltariam para o condomínio da mesma forma. Ele a ajudou a andar e ela reparou que estava um pouco tonta. Talvez Edward estivesse certo ao falar dos drinques.
Ele passou o braço pela cintura dela e ela fez o mesmo, automaticamente. Estava um gato naquela noite. O short deixava à mostra as pernas musculosas. Ela passou a mão pela camisa dele, desfrutando a sensação, e sorriu. Aquela, definitivamente, havia sido uma noite romântica e Edward estava satisfazendo a fantasia dela naquela caminhada à meia-noite. Lentamente foram andando, pisando na espuma do mar, a areia. Bella olhou para o céu e disse:
— Nunca tinha visto tantas estrelas e tão brilhantes.
— As cidades grandes são iluminadas demais e não deixam a gente ver todas as estrelas no céu.
Descansou a cabeça no ombro dele. O som das ondas contribuía para o ritmo sensual da noite. Nunca havia estado tão próxima de Edward e sentiu pela primeira vez o perfume da loção de barbear que ele usava.
O calor do corpo dele aquecia o dela que estremecia de tempos em tempos.
— Vai ser difícil repetir esse momento. — Ela disse quebrando o silêncio entre os dois, quando chegaram ao portão do condomínio. Como Edward não respondeu, ela ergueu a cabeça e o olhou. Parecia contrariado, olhando para frente. Afastou-se dele e tropeçou em seguida. Ele a pegou pelo braço a tempo.
— Você estava certo quando falou para eu tomar cuidado com a bebida — disse ela desanimada. — Já estou sentindo os efeitos.
Ele abriu a porta da entrada do prédio e esperou até que estivessem no elevador para dizer:
— Acho que infelizmente você vai ter uma baita dor de cabeça amanhã.
Ao chegarem no andar do apartamento, ele abriu a porta e os dois entraram.
— Provavelmente, mas vai ter valido à pena.
— Tomara que você continue achando isso amanhã de manhã.
Ambos foram em direção aos respectivos quartos. O quarto de Bella era o primeiro do corredor.
— Obrigada pela noite. Espero que você não tenha se entediado.
— De jeito nenhum. Acho que fiquei sem pensar em trabalho, bem, pelo menos por 30 minutos. — Ele sorriu.
— Não sei o que fazer com você — disse sorrindo.
— Um beijo de boa noite cairia bem.
Aquele comentário a pegou de surpresa. Era a última coisa que esperava ouvir dele.
— Claro. — Respondeu antes de se inclinar na direção dele. Fechou os olhos, esperando um leve beijo na bochecha. Em vez disso, ele a envolveu lentamente e a beijou na boca. O que estava acontecendo com ela? Que rum era aquele que a estava fazendo se derreter toda nos braços dele e o abraçar no pescoço?
Ao terminar o beijo, os dois estavam ofegantes.
— Estava querendo fazer isso durante toda a noite — disse ele com a voz rouca.
— Não sabia. — Ela murmurou e acariciou o queixo e as bochechas de Edward. — Bem, boa noite. — Conseguiu dizer antes de entrar no quarto e fechar a porta.
Edward fechou os olhos e ficou parado em frente à porta dela. O que tinha feito? Estava maluco? Aproveitou-se do fato de que ela estava lá com ele, o que era injusto.
E por que ela não deu um tapa na cara dele!
Agora sabia como era tê-la em seus braços, havia provado o gosto de Bella quando os lábios dela se abriram como um desabrochar de uma flor. Não iria esquecer disso, também não esqueceria que ainda teriam cinco dias juntos antes de voltar para Chicago.
Ele balançou a cabeça e foi rapidamente para o quarto. Tirou a roupa para tomar uma ducha fria para apaziguar os ânimos e esfriar a cabeça. Envolver-se com Bella Swan seria o cúmulo da negligência.
Infelizmente, naquela noite havia descoberto que já estava envolvido com Bella há anos.
A primeira coisa que Bella descobriu na manhã seguinte foi que Edward havia feito uma estimativa branda dos efeitos do mai tais. Não estava apenas com dor de cabeça; seu corpo estremecia de tanto enjôo.
A segunda coisa que sentiu foi o delicioso cheiro de café que vinha de fora do quarto. A idéia de tomar um café parecia perfeita e ela saiu da cama em seguida. Vestiu um roupão enorme e felpudo que estava atrás da porta do banheiro e escovou os cabelos devagar — até o couro cabeludo doía naquela manhã. Depois saiu para a cozinha.
Edward estava sentado no bar da cozinha, lendo jornal.
— Como está se sentindo?
Ela quase choramingou e mesmo esse pequeno som fez doer a cabeça.
— Devia ter parado no primeiro drinque — encheu uma caneca com café e em seguida deu um bom gole.
— Uma aspirina deve melhorar — disse ele, apontando para uma prateleira.
Encheu um copo de água, tomou duas aspirinas e sentou-se num banco ao lado de Edward.
Estava de short, camisa e chinelos. Parecia descansado e bem-disposto. Bella estava morrendo de inveja, pois sua cabeça latejava naquele instante. Ele continuou a ler o jornal e pela primeira vez apreciou o jeito taciturno dele.
Deu outro gole no café e olhou pela janela. O sol estava a pino, mas naquele momento ela não se incomodaria se lá fora caísse um temporal.
Edward deixou o jornal na bancada e se levantou. Foi até a janela e fechou as cortinas.
— Como adivinhou? — perguntou ela aliviada. Ele voltou a se sentar, porém antes apagou a luz do abajur que estava aceso na cozinha.
— Já abusei da bebida algumas vezes nesses meus 30 anos. Sei como é uma ressaca.
— A bebida parecia tão inofensiva, nunca pensei...
Ele levantou a mão para confortá-la, mas desistiu em seguida.
— Sei que a idéia pode parecer pouco atraente, mas se você comer alguma coisa, vai se sentir melhor.
— Tem razão. A idéia não é nem um pouco atraente.
Ele sorriu e pegou o telefone. Depois de pedir dois cafés da manhã, desligou e olhou para ela.
— Coma umas torradas e tome um suco...
— Está brincando? — perguntou ela, desgostosa. — Acho que nunca mais vou beber um copo de suco na vida.
— Não foi o suco que fez você passar mal.
— Você é sempre tão lógico — queixou-se ela.
— Você também, na maioria das vezes. Até o final do dia vai estar bem melhor.
— Obrigada pelo consolo. Agora, parece que só vou melhorar se morrer.
Ele deu uma risadinha, mas não falou nada.
Quando a comida chegou, ela olhou para a bandeja enquanto seu estômago roncava.
Será que Edward sempre tinha que ter razão?
Milagrosamente, depois do meio da tarde ela passou a ser gente de novo. Não se sentia bem para sair de casa, mas estava bem melhor.
Edward saiu depois de comer e ainda não havia retornado. Ficou curiosa em saber aonde poderia ter ido. Talvez tivesse ido se encontrar com uma das mulheres que conheceram no luau. Não que isso fosse de interesse dela. Bella franziu a testa.
O que havia de errado com ela? Edward namorou várias mulheres desde que começou a trabalhar para ele e ela nunca havia sequer pensado no assunto. Até a noite anterior, não desconfiava que nele havia tanta paixão.
Definitivamente, estivera cega todo esse tempo. Suspirou ao lembrar de como reagiu ao beijo dele. Se não estivesse se sentindo tão mal, provavelmente, não teria conseguido encará-lo naquela manhã.
Pelo menos, havia sido um cavalheiro e não tinha mencionado nada sobre a noite anterior.
Bella foi tomar um banho e a água teve um efeito, como sempre, renovador em seu corpo. Depois que se vestiu e retornou à sala, sentia-se novinha em folha. Ouviu a chave na porta e viu que Edward tinha acabado de chegar. Quando a viu, sorriu. — Ignore o pedido de resgate, consegui escapar.
N/A: Mais um capítulo. Preparando um para amanhã, quem quer?
