CAPÍTULO SETE
No sábado à tarde eles saíram do apartamento de Edward pela última vez rumo ao aeroporto.
Haviam passado a parte da manhã na praia, curtindo o mar e conversando. Bella estava realmente triste por ter que ir embora, mas se divertiu muito naquela manhã. Edward a fez rir quase o tempo todo. Tinha um senso de humor que ela não conhecia e que a agradava demais.
No carro, ela ficou observando Edward dirigir. Ele voltou a ficar taciturno e mecânico como era seu jeito original que a relembrou de que o chefe havia voltado e o homem que ela conhecera nas férias estava indo embora também.
No avião, Bella pegou uma revista que havia comprado e esperou que o avião decolasse. Edward tocou em sua mão e ela olhou para ele.
— Obrigado por ter vindo.
— Aproveitei muito. Não estou nem um pouco entusiasmada com a idéia de voltar para o inverno de Chicago, pode acreditar.
Quando já estavam no ar a aeromoça trouxe a refeição e as bebidas. Depois de comer, Bella fechou os olhos e tentou dormir, determinada a pôr as ilhas e as lembranças lá no fundo da memória.
Chegaram em Chicago no domingo pela manhã. Edward pegou as malas de ambos e disse:
— Vou levá-la em casa.
— Obrigada.
— Fique aqui que vou buscar o carro. Enquanto o esperava, olhou para o céu cinzento e as pessoas todas agasalhadas para fugir do frio. Sim, Dorothy, você acaba
de voltar de Oz direto para o Kansas. Nada como o tempo para lembrá-la que o sonho das férias havia chegado ao fim.
Viu um carro esporte estacionar em frente à entrada do aeroporto e Edward sair de dentro dele. Pegou sua mala e foi até lá. Os dois colocaram as malas no carro e entraram.
— Para aonde?
Ela deu o endereço e se acomodou no confortável assento.
— Pode me deixar aqui, eu... — ela disse ao chegar no complexo de edifícios.
— Quero saber onde você mora — disse ele sem rodeios.
— Por quê? — ela perguntou também sem rodeios.
— Não tem nenhuma razão específica. Por acaso você se incomoda com a minha curiosidade?
— Claro que não, é só olhar minha ficha no trabalho e você vai saber o número do meu apartamento.
— Você ficou muito calada hoje de manhã. Algum motivo particular?
— Estou apenas cansada. Não consegui dormir direito no avião.
— Bem, agora que você está em casa pode aproveitar para descansar.
Ela mostrou a entrada para o prédio dela. Chegaram num estacionamento e ele parou ao lado do carro vermelho de Bella.
— É seu?
— E.
Ele pegou a mala dela, com o ukulele dentro, trancou o carro e a seguiu até o elevador. Os dois entraram, ela apertou o botão do seu andar e ele esperou em silêncio.
Já no andar, ela abriu a porta e o deixou entrar primeiro. Esperou que ele deixasse as malas no chão e fosse embora, mas não foi o que aconteceu. Deixou tudo no corredor e continuou na sala de estar.
— Lugar bacana — disse ele, olhando ao redor.
— Também gosto daqui.
Foi até ela e sem dizer uma palavra a tomou nos braços e a beijou sem pressa. Ela não queria corresponder, não podia, e sentiu raiva de si mesma por querer tanto àquele beijo.
Quando ele a soltou, falou como se nada tivesse acontecido.
— Vejo você amanhã, no trabalho. — E foi embora.
Bella ficou ali parada, em frente à porta. Com apenas um beijo, todas as lembranças da semana de sonhos que havia vivido voltaram à tona. O que iria fazer da vida?
Depois que ela desfez as malas e lavou as roupas que sujara na viagem, ligou para Alice. Seth atendeu.
— Alô, tia Bella. Está ligando do Havaí?
— Não querido. Já estou em casa. Sua mãe está aí?
— Hum rum.
— Posso falar com ela?
— Hum rum.
Ela podia escutar a respiração do sobrinho por um tempo até que ouviu Alice dizer:
— Será que dá para me dar o telefone, por favor.
— Hum rum. — Seth disse desanimado
— Você acha que devo ajudar meu filho a aumentar sua lista de vocabulário? — disse Alice ao pegar o telefone.
— Hum rum. — Bella respondeu, e as duas riram.
— Como foi a viagem? Maltratou muito seu chefe? Jogou ele no mar? Empurrou ele de cima de algum vulcão. Me conta tudo!
Seus sentimentos por Edward haviam mudado tanto nos últimos dias, que num primeiro momento, Bella não entendeu por que a irmã falou tudo aquilo.
— Curiosamente, ele foi uma companhia bastante agradável.
Depois de longo silêncio, Alice disse:
— Quem é que está falando? Alô? Por acaso houve uma linha cruzada? Alô? Cadê minha irmã?
— Deixa de bobagem. Não precisa se preocupar com a minha saúde mental. Ele estava de férias e eu tive a oportunidade de conhecer outro lado dele.
— Não sei por quê, nunca pensei que pudesse ouvir a palavra agradável e Edward Cullen na mesma frase, vinda de você. O que aconteceu para que o sr. Hyde se transformasse em dr. Jekyll?
— Não importa, porque o sr. Hyde voltou assim que pousamos em Chicago. Amanhã já terei esquecido do homem engraçado e divertido que conheci no Havaí.
— Por falar em homem, conheceu algum gato dando sopa na praia.
— Alguns, na verdade — ela respondeu achando graça. — Claro que todos acompanhados de modelos de biquínis micro. Se não estavam deviam estar.
— Você não deve nada a ninguém no seu biquíni novo, irmãzinha.
— Eu tinha pelo menos uns quatro quilos a mais que a mais gordinha delas.
— E tudo no lugar certo. Deixou o Edward babando? — Ela ficou com a garganta seca e por um momento não conseguiu falar. Finalmente, disse:
— Se babou não deu para perceber.
— Você vem jantar com a gente hoje? Espero que tenha tirado muitas fotos, assim vou morrer de inveja.
— Você fala tanta besteira. — Bella riu. — Nunca ficaria tanto tempo longe das crianças.
— É verdade. Mas não custa nada sonhar. Então, vejo você hoje à noite.
Bella desligou o telefone e disse, "Sonhar não é real". — Não precisava dizer isso a Alice, mas sim para si mesma.
Tirou uma soneca antes de ir para a casa da irmã. Vestiu-se com calma e torceu para que eles não pudessem ver o que havia acontecido estampado em seu rosto. Talvez achassem que aquela alegria fosse por causa do sol e do bronzeado. Só restava rezar.
Seth e Jake a receberam à porta de casa com gritos e pulinhos que deixaram-na morrendo de rir.
— Meninos! — Alice disse. — Fiquem quietos ou vão acordar a Emily. — Imediatamente, eles lhe obedeceram.
— Você trouxe alguma coisa para a gente? — Jake perguntou ansioso, olhando para a enorme bolsa de compras na mão de Bella.
— Jake! — Alice o repreendeu. — Não seja mal-educado. — Abraçou a irmã.
— Você está linda! O bronzeado está realçando a cor dos seus olhos.
Jasper se juntou a eles.
— Está ótima, cunhada. As férias lhe fizeram muito bem, mesmo.
Bella se sentou no sofá e na mesma hora os meninos saíram do frio da rua. Correu para o carro e ligou o aquecedor, ficaram ao redor dela olhando a bolsa. Começou a tirar alguns presentes de dentro. Ao terminar olhou para Alice.
— Edward me comprou um ukulele.
— Ele sabe que você toca?
— Cometi o erro de contar para ele. A verdade é que me lembrei de todos os acordes assim que peguei no instrumento e não fiz feio quando toquei.
— Trouxe o ukulele com você? — Seth perguntou. — Não sabia que você tocava.
— Deixei em casa. Quando for me visitar toco para você.
Mais tarde, todos se sentaram para jantar. As perguntas para Bella não cessavam e o tempo voou. Apenas quando Bella se levantou para ir embora foi então Alice perguntou:
— Alguma coisa aconteceu por lá, não foi?
— Por que está dizendo isso?
— Porque conheço você. Seus olhos estão de um jeito que nunca tinha visto antes.
— Estou cansada, é só isso. A viagem me deixou Acabada.
— Se você está dizendo.
— Deve ser a volta para casa e o fato de ter que voltar à rotina de sempre.
— Tudo bem. — Alice a abraçou. — Vejo você ia sexta à noite, está bem?
— Combinado.
Bella saiu da casa quente e aconchegante da irmã. Indo para casa, pensou no que a irmã dissera. Na verdade, nada havia acontecido além de alguns beijos sem grandes consequências. Ela não tinha nenhuma intenção de comentar com ninguém que correspondera aos beijos. Afinal de contas, havia sido m impulso... com exceção do beijo daquela manhã. Não precisava lembrar a si mesma que estava fortemente atraída por Edward Cullen, o que não era nada inteligente de sua parte.
Ligou o rádio do carro e prometeu que ia esquecer aquele assunto definitivamente.
