CAPÍTULO OITO

— Nossa! Olha para você! — Betty disse quando Bella chegou ao escritório na manhã seguinte. — Que bronzeado! Do nosso lado você parece uma mulata. E então, para aonde você foi?

— Havaí.

— Que legal. O chefe soube que você tirou a semana de férias junto com ele?

— Soube. Ele já chegou?

— Ainda não vi, mas isso não quer dizer nada, por que não é raro que ele chegue antes de mim.

Bella fez que sim e foi para sua sala.

Lá, quase chorou ao ver sua mesa, com pilhas de papéis espalhadas por todos

os lados. Olhou de relance para a sala de Edward e o viu sentado à mesa, com ai sobrancelhas franzidas, enquanto lia algo.

Guardou a bolsa e foi fazer um café. Enquanto e esperava a água ferver, voltou para a mesa e começou arrumar a bagunça.

— Bella, é você?

Ela se levantou e foi até a porta do escritório dele

— Bom-dia. Como conseguiu encarar esse monte de papéis e documentos, hoje de manhã?

— Isso é de ontem. Passei o dia aqui adiantaria coisas. Tem café?

— Tem sim, vou trazer para você.

— Obrigado — respondeu ele, meio distraído, inclinado na cadeira e lendo.

Como havia previsto, eleja tinha esquecido da semana que passaram juntos. Pelo menos foi o que ela pensou até deixar a caneca de café na mesa de Edward. Ele a olhou nos olhos e a sentiu um súbito calor subir pelo corpo. Nunca havia olhado para ela daquele jeito antes, no ambiente de trabalho.

— Sua família ficou feliz de tê-la de volta?

— Meus sobrinhos estavam mais interessados no que tinha trazido para eles. Alice e o Jasper disseram que estou com um bronzeado bonito e que estou com uma aparência relaxada.

— Gostaria de conhecer eles, um dia — disse pensativo.

— Minha família? — ela não poderia ter escutado direito. Não foi isso que ele quis dizer.

— É.

— Ah.

— Almoça comigo hoje e a gente conversa mais sobre isso.

— Eu... é... geralmente, almoço na minha mesa.

— Hoje, não.

— Vai ser um almoço para falar de trabalho?

— Claro que não — ele franziu a testa.

— Então não diga o que devo ou não fazer com a minha vida pessoal. — Ela se virou e voltou para a mesa. Começou a guardar os papéis e os formulários em seus devidos lugares, de costas para a porta Edward.

Vários minutos depois, ela o ouviu limpar a garganta. Bella se virou e viu Edward em frente a ela.

— Quer alguma coisa? — perguntou ela com simpatia.

— Pedir desculpas por querer mandar em você, assuntos que não me dizem respeito.

— Desculpas aceitas.

— Mas gostaria de convidá-la para almoçar. Por favor?

Ela fechou uma das gavetas do arquivo e foi até ele.

— Não acho que seja uma boa idéia. Adorei a viagem, agradeço por ter me dado essa oportunidade de sair do frio por alguns dias. Mas agora que estamos de volta, acho melhor que voltemos à rotina de sempre.

— Não vejo nenhum problema de almoçarmos juntos.

— O pessoal da empresa acha que decidi não vir trabalhar e aproveitar que você estava viajando. Quando virem a gente juntos e o nosso bronzeado, vão acabar descobrindo que viajamos juntos.

— Você se importa com isso?

— Claro.

— Por quê?

— Não quero que achem que sou a secretária estereotipada que anda saindo com o chefe.

— Não estou falando em namoro. É apenas um almoço.

— Você está sendo muito ambíguo.

— Não acho não. Só se for inconscientemente.

— Prefiro não sair hoje — ela respondeu educadamente. — Já tinha planejado estudar durante o meu horário de almoço. Até trouxe um sanduíche.

Ele mexeu a cabeça afirmativamente, porém sem grande entusiasmo.

— Tudo bem, então.

Ela pegou mais alguns papéis e foi até o armário para guardá-los.

Bella esperou que ele voltasse para sala dele e só então apoiou a testa na porta do armário. Ela estava tremendo e apenas torceu para que ele não tivesse notado. A atitude dele a pegou de surpresa.

Se ela continuasse a evitá-lo, logo ele desistiria dela e voltaria à sua vida normal, o que seria melhor para todo mundo. A última coisa de que precisava ou queria era se envolver com o chefe.

Bastava repetir isso para si mesma com frequência e acabaria acreditando

Edward se sentou na cadeira do escritório e ficou olhando para o monte de trabalho que tinha pela frente. A maioria dos documentos era para ser assinada, pois a maior parte já havia sido autorizada durante a sua ausência. Ele se inclinou na cadeira e voltou-se para as janelas.

Bella tinha razão. Claro que tinha. Só porque passaram uma semana agradável, juntos, isso não lhe dava o direito de esperar que dali nascesse algo mais sério e que a relação pudesse continuar em Chicago.

Ela era sua secretária, apenas isso. A idéia o lembrou de que precisava ligar para Frank. Decidiu que ia deixá-la em paz. Provavelmente, não tardariam a í voltar para a rotina de antes. No entanto, para isso precisava se esquecer de como gostara de beijar Bella e de vê-la de biquíni. De como adorou ter tido aquelas conversas com ela. Sacudiu a cabeça e tentou se concentrar. Voltou de novo para a sua mesa e foi em busca de seu caderninho pessoal de telefone. Agora que não estava mais saindo com Tanya, conhecia várias mulheres para quem poderia ligar. Bastava escolher qual.

Pegou o telefone e discou os números.

Naquela noite o telefone da casa de Edward tocou as onze da noite. Ele olhou para o identificador de chamadas e balançou a cabeça incrédulo.

— Oi, Tanya. — Disse ao pegar o fone.

— Ah, finalmente. Estive procurando por você a semana toda. Na empresa, me disseram que você estava fora da cidade e quando pedi para falar com a Bella, responderam que ela tinha tirado uma semana de folga. Então ficou impossível achar você.

— Bem, agora você me achou. Por acaso encontrou alguma coisa minha que tenha esquecido na sua casa?

— Ai, querido, me desculpe pelo jeito que tratei você naquela noite. Não o culpo por não ter retornado minas ligações. Não costumo me comportar dessa maneira tão impulsiva. É que havia tido um dia péssimo e você ainda atrasou. Perdi a cabeça.

— Percebi.

— Por favor, me perdoa. Sinto tanto a sua falta. — Ela baixou a voz. — Sinto falta de fazer amor com você.

Pensou na relação que tivera com Tanya e percebeu que havia esquecido dela completamente. Aquilo já dizia o suficiente a respeito do que ele deveria fazer. Seja lá o que tiveram, já havia acabado.

— Esqueceu que no próximo fim de semana nós iríamos para Wisconsin para visitar Carmen e Eleazar?

— Tanya, para mim ficou claro que a partir do momento em que você terminou comigo nós não íamos nos ver mais, muito menos Carmen e Eleazar.

— Eu fui uma estúpida, sei disso. Mas aquilo não significou nada, só estava com raiva e descontei em você.

— Eu entendi que o motivo da sua raiva tinha sido eu.

— Bem...mas isso não tem importância agora. Tem que concordar comigo, todo casal normal tem suas briguinhas. Aquela foi a primeira depois de três meses, desde que começamos a sair.

Ele não disse nada.

— Edward?

— Desculpe-me, Tanya, mas já fiz outros planos para o fim de semana.

— Que tipo de planos?

— Nada que seja do seu interesse.

— Experimenta.

— Tenho um encontro no sábado com uma pessoa que conheço há algum tempo.

— Você já está saindo com outra! — A voz de Tanya perdeu a maciez de antes.

— Você deixou bem claro que nunca mais queria me ver. Não pode reclamar. Eu resolvi seguir adiante.

— Já pedi desculpas — ela choramingou. — Por favor, não faz isso comigo.

— Tanya, me escuta. Não há por que continuarmos nos vendo. Tudo o que me falou naquela noite é certo. Se foi a raiva que fez você desabafar e jogar na minha cara o que a incomodava, não importa. A verdade é que sou assim e não vou mudar. Você tinha razão. Sou casado com o meu trabalho, esqueço dos eventos sociais, não sou muito bom para acompanhá-la a todos os lugares que quer ir. Por que perder seu tempo saindo com uma pessoa como eu? Têm um monte de homens que ficariam mais do que entusiasmados de passar o tempo livre deles com você.

Ela demorou a responder. Quando ela o fez, o som da voz denunciou o início de choro.

— Sei que estraguei tudo. Sei que o trabalho é importante para você. Passei dos limites naquela noite e sei disso. Quero só poder vê-lo de vez em quando.

— Quando eu puder lhe telefono, mas ando sem tempo porque ganhei um novo cliente na semana passada. — Ele parou um pouco para pensar na situação em que se encontrava. — Dou uma ligada para você na semana que vem ou na outra. Divirta-se com Carmen e Eleazar.

Ele desligou o telefone e foi até a janela. O apartamento tinha uma vista magnífica do lago Michigan.

Achava a vista relaxante, mas naquela noite a paisagem o fez se sentir solitário, o que era algo raro.

Foi até o quarto, se despiu e foi se esticar na cama.

Ele ia fazer o que devia. No sábado, se encontraria com Susan e relembraria os velhos tempos. Perderam o contato depois que ele teve que remover a mãe para um asilo. Susan era enfermeira e cuidou da mãe de Edward por algum tempo. Era uma mulher muito doce. Ficou surpreso ao saber que ela não tinha voltado a se casar. Susan era viúva há seis anos.

Quanto à Tanya... ainda teria que pensar melhor se iria querer mesmo passar mais tempo com ela. Ele descobriu que Tanya não era a resposta para sua solidão. Recusou-se a considerar quem poderia ser.

O telefone de Bella estava tocando, quando ela chegou ao escritório na manhã seguinte. Ela largou a bolsa na mesa e correu para o telefone.

— Alô.

— Oi, Bella. Sou eu... Tanya.

— Ah, bom-dia. Acho que o Edward ainda não chegou. Quer que peça para ele lhe ligar?

— Não! Quer dizer, não, liguei para falar com você.

— É mesmo?

— É. Sabe, Bella, admiro muito você e sei que o Edward não consegue dar um passo sem sua ajuda.

Quando Tanya fez a pausa, Bella não soube o que dizer. Por que diabos estava ligando para ela? Tanya voltou a falar.

— Quer dizer, sei que você é discreta e prefiro que não comente com o Edward que liguei para você.

— Tudo bem.

— O que aconteceu foi que eu e Edward terminamos há mais ou menos uma semana e acho que ele ainda está zangado comigo. Não retornou minhas ligações durante toda a semana e quando falei com ele ontem à noite, ele disse que estava saindo com outra pessoa.

Bem, claro que devia estar. Edward Cullen não perdia tempo. Deve ter arranjado outra pessoa para almoçar com ele ou para fazer o que mais ele quisesse. Bom para ele.

— Eu entendo. — Bella disfarçou a irritação.

— Ele estava querendo me fazer ciúme e não quis me dizer com quem está se encontrando. Tem idéia de quem seja?

— Nem imagino.

— Ah! — Tanya pareceu desapontada com a resposta. — Ele disse que a conhecia há muito tempo, por isso pensei que talvez você soubesse.

Bella deu uma risada curta.

— Ele conhece tanta gente que nunca poderia adivinhar. Ele mora em Chicago há séculos.

— Bem, provavelmente ele vai me contar depois que a raiva dele passar. — Tanya voltou ao tom mais animado do início da conversa. — A gente ia visitar uns amigos em Wisconsin no fim de semana, mas ele disse que vai se encontrar com ela no sábado.

— Sinto muito, Tanya, sei que deve ser doloroso para você saber disso.

— A culpa é minha. Devia estar naqueles dias de TPM ou algo parecido e descontei em cima dele. — Disse Tanya suspirando.

— Espero que vocês dois acabem se entendendo. — Bella disse sinceramente. Seria mais fácil para ela esquecê-lo, com ele namorando.

— Obrigada por me ouvir, Bella. Sou muito grata. Bella desligou, guardou a bolsa e foi ver se Edward estava no escritório. O lugar estava vazio. Ainda bem. Ele não iria gostar nada de saber que ela estava falando sobre ele com Tanya, apesar de antes as duas se falarem regularmente.

Quando o telefone voltou a tocar, era Edward.

— Oi, desculpe não ter avisado que não ia para aí hoje de manhã. Tive uns problemas para resolver.

— Tudo bem. Inacreditavelmente, seu telefone quase não tocou. Vai ver que as pessoas acham que você ainda está de férias.

— Ótimo. Devo estar aí por volta das duas.

— Está bem.

Assim que desligou o telefone, Betty a chamou pela linha interna.

— Seu admirador secreto deixou algo aqui na minha mesa para você.

— Não tenho nenhum admirador secreto.

— Bem, alguém enviou para você um lindo buquê de flores tropicais. O perfume é delicioso. Ele deve estar apaixonado.

Quando Bella foi para a recepção, encontrou um vaso realmente belíssimo, repleto de flores estonteantes.

— Tem algum cartão? — ela perguntou.

— Não reparei — Betty respondeu.

Bella olhou por entre os caules e viu um pequeno envelope branco. Ela abriu o envelope e leu a mensagem.

Achei que gostaria de sentir o perfume das flores na sua sala.

— E? — Betty perguntou curiosa.

— Ah! Um amigo da faculdade.

— E você tem saído com ele faz tempo?

Ela olhou para as flores antes de responder a Betty — Conheço ele há anos.

Bella carregou o enorme vaso para sua sala e o colocou em cima do armário. As flores exalavam um perfume maravilhoso. Ela gostaria de entender o que Edward Cullen estava aprontando.

N/A: Muito obrigado pelos comentários meninas. Que bom que estão gostando.

Tanya apareceu, mas não se preocupem ela não será um problema, pelo menos não um grande problema.