CAPÍTULO NOVE

Quando Bella chegou à casa de Alice naquela sexta, descobriu que eles tinham visita. Ela parou no corredor e retirou o pesado casaco de inverno. Assim que entrou na sala, Jasper disse:

— Olha quem está na cidade. — Apontou para Carl Grantham, que estava sentado em frente a ele.

— Carl! Que surpresa! O que o traz a Chicago nessa época do ano?

Carl se levantou e a abraçou. Ele tinha sido padrinho de casamento de Jasper e Alice e como ela fora madrinha os dois acabaram se conhecendo um pouco. Ele era um cara e tanto. Também era gay, o que Bella considerava um desperdício e uma desgraça para a comunidade feminina.

— Vim a trabalho. Tentei convencer o pessoal da companhia que a Flórida seria uma melhor opção, mas eles não quiseram me ouvir.

Carl poderia ser modelo se quisesse, mas preferiu ser engenheiro.

— Vai ficar aqui por quanto tempo?

— Até terça. Jasper e Alice insistiram para eu ficar aqui com eles. Disse que

a empresa paga o hotel, mas eles... — Carl deu de ombros.

— Eu entendo, também nunca consegui ganhar um argumento com o Jasper e você conhece ele há mais tempo que eu.

Jasper se meteu na conversa.

— A gente tem muito papo para por em dia. O quarto de hóspedes é longe do quarto das crianças e o barulho não vai incomodá-lo.

Alice veio da cozinha.

— Oi, querida — disse a Bella, dando-lhe um abraço. — Chegou bem na hora para me ajudar a servir a mesa.

— Onde estão os meninos?

— Estão passando a noite na casa dos pais do Jasper e a Emily está dormindo. Não sei por quanto tempo. Então é melhor a gente comer de uma vez.

No jantar, Carl contou como andava a cidade de Nova York e das peças de teatro que havia visto por lá. O namorado era ator e participava de um dos musicais mais famosos da Broadway.

— Adoraria vê-lo no palco, um dia — disse Bella. — Só conheço a voz dele, mas mesmo assim já dá para sentir o poder do rapaz.

— Porque você conhece a voz dele? — perguntou Alice, sorrindo.

— Quando vocês estavam em lua-de-mel, liguei para o Carl para avisar que ele tinha esquecido a jaqueta dele no meu carro e o Chris atendeu. Como o Carl não estava ficamos batendo papo.

— Ficaram falando de mim, isso, sim. — Carl disse com uma careta zombeteira.

— Lembro que ele estava numa turnê e não pôde ir ao nosso casamento — disse Jasper.

— Ele tinha acabado de voltar quando a Bella ligou.

— Há dias que não vejo aquela jaqueta, deve ter caído no chão.

— Queria saber se vocês três gostariam de ver um musical no centro de eventos McCormick. Vi na Broadway e é muito bom.

— Adoraria, mas não posso pedir para os pais do Jasper ficarem com as crianças mais um dia — disse Alice.

— O que é uma desculpa esfarrapada — disse Jasper. — Não confia em ninguém para ficar com a Emily.

— Bem, é verdade.

Carl perguntou para Bella.

— E você?

— Vou com certeza. Não vou ao teatro há séculos.

— Ótimo, vou comprar os ingressos para amanhã à noite. Se já estiver tudo vendido compro para domingo à tarde... se você estiver livre.

— Quase com certeza estarei livre, minha agenda está quase sempre vazia, principalmente nos finais de semana.

— Por acaso, os homens dessa cidade são cegos? Você está sensacional. Onde conseguiu esse bronzeado? O contraste que faz com seu cabelo louro e os olhos azuis está fascinante.

— Estive no Havaí, na semana passada.

Ele perguntou com os olhos arregalados.

— Sozinha?

Ela olhou rapidamente para Alice e Jasper.

— Não exatamente.

— Ah!

— Não, não é nada disso. Fui com meu chefe que tinha uma reunião a trabalho

Lá.

— Ele deve ter uns oitenta anos para não ter notado você.

Bella riu e se deu conta de que estava toda corada.

— Ele é um homem de negócios, completamente obcecado pela empresa dele. — Ela evitou olhar para Alice.

Depois do jantar, os homens foram para sala enquanto Bella e Alice ficaram na cozinha lavando a louça. Bella estava acomodando os pratos na máquina de lavar louça, quando Alice disse:

— Tenho uma pergunta. Você não precisa responder, mas o Edward deu em cima de você lá no Havaí?

Bella demorou um pouco para encarar a irmã.

— Em cima? — repetiu, tentando ganhar tempo.

— Você sabe, tentou beijar você ou sugeriu que podia ser mais do que uma secretária para ele? Não pude deixar de perceber que você fica toda vermelha quando o nome dele é mencionado. — Ela observou Bella. — Tem razão, não é problema meu. Você já está bem grandinha e não preciso ficar de babá. — Apertou a bochecha de Bella. — Só não quero que você se machuque.

— Não existe nada entre nós. Ele só pensa em trabalhar. Nada mudou. Já está

até namorando outra pessoa.

— Ele não perde tempo, hein?

— Deve ter uma fila de mulheres esperando para que ele repare nelas.

Elas foram para a sala e Bella se virou para Carl.

— Tenho que ir embora, mas me liga quando você conseguir os ingressos.

— Mesmo que não consiga as entradas para amanhã à noite, queria levá-la para jantar.

— Já aceitei o convite.

— Combinado, então.

— Vou fazer um mapa para você chegar na casa dela — Jasper disse. — A Bella se mudou desde a última vez em que você esteve aqui.

— Bem, vou ficar esperando você, então. — Bella disse a Carl.

Voltou para casa pensando na noite na casa da irmã. Adorava Carl. Era lindo de morrer, com um senso de humor sem igual, formado numa das melhores universidades dos Estados Unidos, e o mais importante, era uma pessoa atenciosa e encantadora.

Nada parecido com Edward, que havia voltado a ser um cachorro, rosnando para quem estivesse mais próximo, que quase sempre era ela.

O mais estranho, no entanto, foram as rosas que ele havia mandado para ela. Quando ela agradeceu, ele apenas fez um gesto com a cabeça e disse, "Percebi que as outras estavam murchando e achei que flores novas iam deixar a sala mais bonita".

Então as flores não eram para ela, mas para a sala.

Em casa, Bella foi direto para cama. Antes de cair no sono, perguntou-se o que Edward estaria fazendo naquela noite.

Edward se sentou à mesa do escritório de sua casa e começou a ler alguns contratos que haviam sido feitos para os novos clientes. O negócio estava cada vez mais próspero. Então por que não estava entusiasmado?

Seria possível que ele estivesse entediado?

Claro que não, isso nunca acontecera com ele.

Era quase meia-noite quando foi dormir. Apesar da hora, teve dificuldades de pegar no sono.

Carl havia conseguido comprar ingressos para a performance de sábado à noite. Ele foi buscar Bella mais cedo para jantarem antes do musical.

Assim que ela abriu a porta ele disse:

— Você está fabulosa, sita. Swan.

— Entra, Carl. E você está estonteante.

— Estonteante? — ele elevou as sobrancelhas.

— Parece um top model. Esse terno foi feito sob medida?

Ele respondeu que sim, com a cabeça.

— Então, está pronta?

— Prontíssima. — Ela pôs o sobretudo, a bolsa e saiu com ele.

Ao chegarem no teatro, Bella já havia rido tanto que lágrimas haviam saído dos seus olhos e manchado um pouco a maquiagem. Ela nem ligou. Não se lembrava da última vez que se divertira tanto.

Com Edward, talvez?

Melhor nem pensar nisso.

Quando se sentaram, ela disse:

— Nossa, não acredito que você conseguiu um lugar tão bom.

— Tivemos sorte. Foi desistência de última hora. Quando as luzes começaram a se apagar, Bella teve tempo de ver um casal sentado a poucas fileiras dela e de Carl — eram Edward e a nova namorada.

Não podia acreditar que eles tivessem escolhido a mesma noite para assistir ao musical. Ela deu uma sacudida rápida na cabeça.

— Alguma coisa errada? — Carl se inclinou e perguntou.

— Nada demais. É que acabei de ver o meu chefe. Ele não é do tipo que gosta de musicais. Fiquei surpresa de vê-lo aqui. — Ela apontou com a cabeça para o casal.

— Há quanto tempo trabalha para ele?

— Quase cinco anos. É uma empresa muito boa de se trabalhar. Eles pagam minha graduação à noite. Na verdade, termino na primavera.

— Um benefício e tanto.

Ela viu quando Edward se inclinou e disse algo no ouvido da mulher que estava com ele. Ela parecia ter a idade dele, e pelo que Bella pôde ver era uma mulher bem atraente.

As luzes se apagaram completamente e as cortina» se abriram. A partir dali, Bella se esqueceu de tudo mergulhou na magia do musical.

Edward e Susan foram para o saguão, durante o intervalo. Ele pediu que ela esperasse ali enquanto pegaria algo para os dois beberem. Enquanto tentava passar pelas pessoas, literalmente deu de cara com Bella

— Opa, oi — disse ele. — Que curioso encontrar você aqui.

— Oi, Edward — disse ela. — Quero apresentá-lo Carl Grantham.

Edward não tinha percebido que ela estava acompanhada. Ele estendeu a mão para Carl.

— Edward Cullen. — O homem era tudo o que ele não era. Bonito — tudo bem, muito bonito — jovial e charmoso.

— Edward é meu chefe — Bella disse a Carl.

— Prazer. Bella falou muito bem de você mais cedo.

Edward olhou para ela e ficou vermelho de raiva. Voltou a olhar para Carl.

— É sempre bom ouvir isso. Se me derem licença estava indo até o bar pegar uma bebida para mim e Susan. Prazer em conhecê-lo, Carl. Vejo você no trabalho, Bella.

Edward se virou e afastou-se antes que acabasse dizendo algum impropério. Ele queria dar uma surra em Carl e levar Bella consigo, proclamando que ela era dele e apenas dele. Nunca tinha experimentado uma onda de ciúme e de sentimento de posse tão forte.

O que havia de errado com ele? Nunca namorou Bella. Então por que tanto ciúme? Só porque tinham trocado alguns beijos na semana anterior? Ele nunca tina sentido ciúme nem das namoradas.

Edward olhou ao redor e viu que as pessoas estavam desfrutando a companhia umas das outras. Franziu a esta. Droga, não queria que ela estivesse saindo com outros homens. Ao se juntar a Susan, ela agradeceu e disse:

— Que casal lindo que você cumprimentou ali na frente. Parece que foram feitos um para o outro. São casados?

— Não. Ela é minha secretária.

— Ah, é a Bella, não é?

— Nossa, você tem uma memória fabulosa. É ela sim, Bella Swan.

— Lembro de quando você a contratou. Depois de alguns meses, você era só elogios sobre ela.

— Bem, ela está sendo promovida daqui a uma semana ou mais e vou precisar arranjar outra secretária. Você não estaria interessada?

— Sinto muito. Estou muito bem como enfermeira — disse, rindo.

— Está gostando do emprego novo?

— Bastante. O filho do senhor de quem estou cuidando, parece que tem uma queda por mim.

— Isso não é nenhuma surpresa. A pergunta é, você está encorajando ele?

— Acho que sim — ela admitiu, sorrindo. — Ele é divorciado e tem duas filhas. Não faço idéia de onde esteja a mãe delas. Ele nunca me falou sobre ela. As meninas se dão muito bem comigo. Elas estavam desapontadas porque ia sair hoje à noite com um homem que não era o pai delas.

— Uma família já montada. É isso que você quer? Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— É a única forma de eu ter filhos. Acho que pode vir a ser algo sério — ela piscou os olhos para afugentar as lágrimas. — Acho que ele também não gostou nada da idéia de encontrar-me com você hoje.

— Bem feito para ele. Não vamos contar que você é a irmã que nunca tive.

— E que você é o irmão que nunca tive. Ele tocou a bochecha de Susan.

— Você sabe que pode sempre contar comigo. Será que devo ir lá intimidar esse cara para que ele trate você bem ou então vai se ver comigo?

Susan deu uma gargalhada e o abraçou.

— Realmente, não acho que vai ser necessário, mas vou pensar no assunto.

Bella ficou observando a atraente mulher abraçar Edward e então se virou de costas. As luzes piscaram, avisando que a segunda metade do musical iria começar. Quando já estava sentada, fez de tudo para não olhar para Edward.

Também decidiu que não precisava mais vê-lo com outra mulher. Da próxima vez nem sairia de casa suspeitasse que poderia encontrá-lo casualmente.

N/A: Olá gente bonita, como estão? Mais um capítulo para minhas leitoras queridas. Espero que gostem e continuem comentando.

Gente, estou escrevendo uma fic original, estou pensando em postar assim que acabar essa adaptação. Vocês querem saber um pouco da história? Estou um pouco insegura, mas se vocês quiserem eu posto um resumo no final do próximo capitulo. O que acham?