CAPÍTULO ONZE
Na quarta-feira, Bella pegou a bolsa e estava saindo do trabalho, quando Edward a chamou. Ela foi até a sala dele. Sem tirar os olhos do papel que tinha sobre a mesa, ele perguntou.
— Que horas termina sua aula hoje?
Aquela havia sido a primeira pergunta pessoal que ele lhe fazia desde domingo passado. Bella estava começando a desconfiar que havia sonhado que o chefe tinha aparecido em sua casa para propor um namoro pouco convencional.
— Nove.
— Me diz onde posso encontrar você — disse, escrevendo algo no papel.
— Bem, tem um café a algumas quadras do...
— Não, eu busco você na faculdade. Onde fica? — como ela não respondeu, ele ergueu a cabeça e olhou para ela. Ele continuava mandão, dando ordens.
Ela deu o endereço, virou-se e saiu.
Edward a viu sair com a testa franzida. Não sabia o que tinha feito de errado, mas pela tensão nos ombros de Bella quando ela saiu da sala pôde perceber que ela não estava nada contente.
Ele mexeu a cabeça tentando relaxar o pescoço. As mulheres eram um mistério que ele nunca conseguiria desvendar. Até então, ele nunca tinha se preocupado com isso.
Desde que voltaram do Havaí sempre encontrava dificuldade em se concentrar quando Bella estava por perto. Estava decepcionado consigo mesmo por não conseguir domar suas emoções. Era só ela entrar na sala que ele tinha vontade de fazer amor com ela. Era obrigado a ficar atrás da mesa para que ela não visse a reação física imediata que tinha por causa dela.
Por isso, só olhava para ela quando era indispensável. Não adiantava muito, porque a voz dela também lhe causava reações inesperadas.
Ela o estava deixando maluco.
O problema era que ele não sabia mais o que fazer. Quando a convidou para almoçar, ela não quis. Depois, tentou esquecê-la, mas estava apenas se enganando. Agora que finalmente convencera Bella a sair com ele, tinha conseguido ofendê-la de alguma maneira.
Quando Bella saiu da aula naquela noite, viu Edward encostado na parede do edifico, com os braços cruzados. Ele se parecia muito com o homem que tinha conhecido no Havaí, não com o chefe. Ela foi até ele.
— Oi.
— Olá. Pronta para tomar um café? — disse sorrindo.
— Podemos ir.
— O tempo está horroroso. Quer ir lá para casa?
— Para tomar café? — disse com os olhos arregalados.
— É. — Ele fez cara de inocente.
— Tudo bem.
Quando saíram de dentro da faculdade, a chuva havia se tornando temporal. Edward abriu um guarda-chuva que tinha na mão e a levou correndo para o carro.
— Onde está o seu carro? — ele perguntou.
— Em casa, vim de ônibus.
— Fez muito bem.
Ela sabia onde ele morava, mas nunca estivera na casa de Edward. Era um dos edifícios mais altos de Chicago, em frente ao lago Michigan. Eles entraram pela garagem e ele estacionou numa vaga, onde estava escrito seu nome e a palavra "Reservado".
O elevador os levou rapidamente para o andar de Edward e quando ele abriu a porta do apartamento, a única coisa que Bella pensou foi que aquele lugar era sofisticado demais para ela.
Ele a ajudou a tirar o sobretudo e disse:
— Senta, vou fazer o café.
Bella olhou pelas janelas as luzes trêmulas do lado de fora, turvas pela forte chuva. Olhou ao redor. O lugar conseguia ser mais divino e luxuoso que o apartamento do Havaí. Fechou os olhos. Tinha que ser uma idiota para acreditar que ele quisesse algo mais que um romance corriqueiro com ela.
— Aqui está — ele disse, atrás dela. Estava com duas xícaras de café na mão.
— O que estou fazendo aqui? — perguntou enquanto ia até ele.
— Tomando café?
— Não foi isso que perguntei. — ela se sentou no braço do sofá. — Isso não vai funcionar.
Ele se sentou ao lado dela.
— Percebi que você saiu contrariada da minha sala hoje, no escritório.
— Aquilo foi outra coisa. — Bella tomou um gole do café. Percebeu que estava trêmula. De frio e de nervoso. Envolveu as mãos na xícara para esquentá-las.
— Então o que fez você mudar de idéia?
Ela não respondeu; ficou bebendo o café lentamente.
— Por acaso, tenho que adivinhar? — Agora, ele soou igual ao homem para quem trabalhava.
Bella pôs a xícara na mesa de centro e se virou para ele. Não se parecia com o chefe naquele momento. Com o cabelo meio despenteado e um suéter de tricô, ele se parecia com aquele cara que havia convivido com ela durante uma semana na ilha de Maui.
— Sei que concordei em sair com você, mas a verdade é que nós viemos de dois mundos muito diferentes e nada vai mudar isso. Tenho uma vida simples e gostos simples. Não sou seu tipo.
— Qual é o meu tipo?
— Mulheres que vão a óperas e orquestras sinfônicas e que são fotografadas sempre que chegam em algum evento. Nada a ver comigo.
— Não me lembro de algum dia ter convidado você para uma ópera ou algo parecido.
— Você entendeu.
— Gostaria muito de ter entendido. O que está se passando nessa cabeça tão preocupada?
— Acabei de cair na real. Não posso fazer isso. Desculpe — ela se levantou. — Preciso ir para casa. Vou chamar um táxi.
— De jeito nenhum. Você não vai fugir dessa conversa.
— Por favor desiste de mim e arranje outra para namorar. A mulher que você levou para o musical, por exemplo. Ou... sei lá. Apenas outra pessoa.
— Você está deixando transparecer seus preconceitos.
— Do que você está falando?
— Você não pode sair comigo porque vou a vários eventos na cidade ou porque trabalha para mim?
— Na verdade, detesto quando você me dá ordens sem que seja em algum assunto relacionado a trabalho.
— Pode me dar um exemplo?
— Hoje à tarde. Foi só eu aceitar sair com você hoje que já começou a determinar o que a gente ia fazer e onde se encontrar.
— Você poderia ter dito não.
— Poderia, sim. Deveria ter dito não.
— Estou com a impressão de que estamos falando em círculos sem ir direto ao assunto e isso me incomoda.
— Tudo bem. Lá vai. No Havaí foi maravilhoso. Não podia ter imaginado férias tão perfeitas. Mas as férias acabaram. Sim, claro que a gente tem atração um pelo outro. Você quer estimular isso. Eu quero ignorar e é por isso que estou aliviada de estar me mudando para outro departamento na semana que vem Vamos esquecer do Havaí e seguir com as nossas vidas.
— Acho que já tentamos fazer isso. Mas eu pele menos vi que era impossível depois de ter conhecido você melhor.
— Não posso fazer isso — disse em voz baixa. O silêncio na sala estava carregado de emoção. Ele ficou calado, olhando o café. Quando voltou a olhar para Bella, disse:
— Eu levo você em casa. — A voz era desalentadora.
Bella esperou até chegar no apartamento e desabou em lágrimas.
Na semana seguinte, Bella já estava no novo departamento. Edward havia contratado uma das mulheres que ela havia recomendado. Seu nome era Lauren Malory e parecia ser bastante competente. Bella tinha planejado passar vários dias com ela, mas Lauren aprendeu rapidamente a rotina, como mexer no sistema e a forma como Edward gostava de trabalhar.
Na área de engenharia, Bella estava determinada a aprender tudo o mais rápido possível. Várias semanas se passaram e Frank foi muito prestativo, respondendo pacientemente a todas as perguntas de Bella sobre a nova função.
Já estava lá há dois meses, quando Frank deixou um envelope na mesa de Bella. Ela olhou sem entender.
— Hoje não é dia de pagamento, é? Ele balançou a cabeça.
— Não. É hora de você aprender na fonte original sobre as instalações dos nossos equipamentos. Essa é uma passagem de avião.
Uma passagem de avião. Que ótimo.
— Será que existe alguma possibilidade de eu ir de ônibus ou carro?
— Infelizmente, não. Além disso, não vou poder ir. Cullen disse que vocês já estiveram nessa empresa, faz sentido que você veja o próximo passo. Ele vai com você para mostrar o que deve ser feito.
Só havia uma empresa que eles haviam visitado e tinha sido em Honolulu. Ela pegou o envelope e olhou o destino da passagem que confirmou suas suspeitas. Olhou para Frank.
— Ainda não terminei o meu projeto — ela lembrou a ele.
— Não tem problema, não estamos com pressa desse projeto. Também vão ser poucos dias no Havaí, no máximo quatro.
— Ah — ela tentou sorrir. — Que bom, então. Quero dizer, vou gostar de fazer parte do processo de instalação. Só estou surpresa que seja o Edward quem vá fazer isso.
Frank deu de ombros.
— Tenho que admitir que ele não instala nada há algum tempo. Provavelmente, quer praticar para não enferrujar. Mas você já sabe como ele é e não vai ser pega de surpresa quando ele começar a resmungar porque você não está trabalhando rápido o suficiente. É só ignorar o mau humor dele. — Vou fazer o possível.
N/A: Genteee! Peço mil desculpas por essa demora. Eu perdi o arquivo do livro e não estava achando para baixar, mas finalmente eu achei. Espero que ainda tenham leitoras
