CAPÍTULO QUINZE
— Anima-se, mana, nunca vi você tão calada!
Bella pegou uma travessa com salada e outra com espaguete e foi andando para a sala de jantar.
— Achei que fosse gostar do fato de eu não estar falando feito uma matraca, como você gosta de dizer.
Alice seguiu Bella, com uma tigela cheia de molho de tomate para o macarrão. Na outra mão levava uma cesta de pães torrados com alho.
Bella podia escutar Edward e Jasper conversando como velhos amigos, na sala de estar.
As irmãs pararam em frente à mesa para se certificarem de que não estava faltando nada para o jantar. Alice olhou de relance para Bella.
— Você está me escondendo alguma coisa, não é, maninha?
O coração de Bella disparou.
— O que você quer dizer?
— O cara é mais do que apenas chefe para você. O jeito como ele a olha diz tudo.
— Por favor. A gente se conhece há anos. Sempre tivemos muita intimidade desde a época que trabalhava como secretária dele.
— Não está mais aqui quem falou, querida — Alice respondeu. Foi até a sala de estar e anunciou: — Desculpe interromper a conversa animada, rapazes, mas o jantar está na mesa.
Em cinco minutos, Edward já havia conquistado toda a família Patterson. Seu comportamento contradizia tudo o que Bella dissera sobre ele à irmã e ao cunhado.
Edward interrompeu os pensamentos pessimistas dela.
— Bella, por que a gente não pega um cinema amanhã e, quem sabe, jantamos depois?
Antes que ela pudesse responder, Seth perguntou de repente.
— Ela é sua namorada, não é, senhor Cullen? Pronto, só faltava essa. Bella queria se esconder debaixo da mesa.
— Bem, Seth — Edward respondeu, ganhando mais pontos da família por ter lembrado o nome dele. — Somos amigos. Muito bons amigos.
Jake entrou em ação.
— Você vai se casar com ela?
O rosto de Bella parecia um pimentão quando Jasper interviu para que o menino não fosse longe demais.
— Não é educado fazer esse tipo de pergunta, meninos. Agora, comam.
Bella olhou rapidamente para Edward e ele piscou para ela. Ela ficou ainda mais nervosa.
Por sorte, Jasper começou um assunto inofensivo que durou até o final da refeição.
Quando todos já haviam acabado de comer, Bella ajudou Alice a tirar a mesa e a pôr a louça na máquina de lavar. Estava secando a pia quando Emily começou a chorar.
Alice olhou o relógio.
— Bem na hora, é melhor ir alimentar minha pequenininha.
Alice subiu para o andar de cima e Bella foi para a sala de estar.
— Vou para casa. Obrigada pelo jantar — disse Bella para Jasper.
Edward se levantou de imediato.
— Também preciso ir. Muito legal ter conhecido você, Jasper. Vamos combinar de assistir a um jogo de basquete um dia desses.
— Acho uma ótima idéia, Edward — ele abraçou Bella. — Se cuida, querida.
Bella e Edward saíram da casa e foram na direção do local onde haviam estacionado os carros. Ela se virou para falar com ele e os dois quase se chocaram.
— Você nunca responde às minhas perguntas — ele disse, e suas mãos massageavam o pescoço dela.
Ela deu um longo suspiro antes de responder.
— Obrigada pelo convite e sim, aceito ir ao cinema com você — lá estava ela novamente, metendo-se num abismo sem fim.
— Viu como não doeu nada? — ele se inclinou e a beijou, suas mãos continuavam a acariciar o pescoço de Bella. Como sempre, o beijo delicado foi esquentando e quando os dois se separaram, o coração de Bella batia tão rápido que ela achou que pudesse estar tendo um ataque cardíaco.
— Isso foi um pouco mais que um beijo de amigos — disse ela, sem fôlego.
— O que posso dizer? Tudo vale, no amor e na guerra.
— Qual dos dois é o caso, aqui? Ele a abraçou e saiu.
— Vai ter que descobrir isso sozinha — disse, já de costas para ela, e entrou no carro.
Quando Bella chegou em casa naquela noite, teve que encarar seus medos. Claro que ele não quis dizer que a amava. Ele fora bastante óbvio quanto ao que queria dela. A única forma de acabar machucada seria se esperasse algum tipo de compromisso sério por parte de Edward, pois sabia que isso nunca teria dele. Uma das razões por que os namoros de Edward terminavam era porque as mulheres acabavam querendo casar com ele.
Alice tinha toda a razão. Ela precisava se animar. Não seria o fim do mundo quando ele acabasse partindo para outra. Ela sobreviveria.
Passou uma hora tentando decidir o que vestir para o programa do dia seguinte.
Ao chegar em casa, Edward se perguntou porque havia dito amor ou guerra. Sair com Bella não era nem amor nem guerra. Apenas sentia falta dela. Sempre gostou da sua companhia, que mal havia nisso?
Ela tinha deixado claro que não iria para a cama com ele. Não gostava da idéia, mas aceitara em troca de poder ter Bella de volta em sua vida.
Edward olhou para a pilha de papéis que havia trazido do trabalho. Será que teria tempo de estudar os documentos? Não hoje à noite. Daria uma olhada na manhã seguinte antes de sair para buscar Bella. Nunca deixará que a vida social interferisse no trabalho. No entanto, o que não conseguisse rever no fim de semana, deixaria para segunda-feira.
Havia gostado muito ver Bella e conhecer sua família. Ele e Jasper haviam se dado muito bem. Jasper fora gentil sem ser exagerado e o nome de Bella sequer foi mencionado na conversa entre os dois.
Já na cama ficou pensando em Bella até cair no sono.
— Não me lembro da última vez em que ri tanto. — Bella disse a Edward ao saírem do cinema, de mãos dadas como um casal de adolescentes. — Minha bochecha está doendo. Que filme engraçado.
— Que bom que você gostou — ele respondeu sorrindo.
Ela também gostou das carícias que ele fez na mão dela durante o filme. Edward caiu na gargalhada algumas vezes e contagiou Bella. Talvez, ela realmente tivesse uma boa influência sobre ele.
Escolheram um restaurante grego para jantar. Quando estavam comendo a salada, Bella perguntou:
— Continua tudo bem com a senhora Rudin?
— Ela é muito eficiente. O que percebi foi que eu e você sempre discutíamos sobre negócios e que muitas vezes você foi minha conselheira em muitos assuntos. Só percebi isso depois que você foi embora.
— Se precisar de alguma ajuda, sabe que pode contar comigo.
— Obrigado. Também queria ele pedir um favor... na verdade, implorar — ele sorriu — tem um jantar e um baile que devo ir no sábado à noite. Como já fiz minha doação, poderia muito bem faltar, mas eles me convidaram para fazer um discurso. É um evento para arrecadar fundos para a cura do Alzheimer — ele fez uma pausa. — Minha mãe foi diagnosticada com essa doença há algum tempo, então me sinto na obrigação de comparecer. É que não suporto ir a esses eventos sozinho e queria que fosse comigo.
— Claro que vou, Edward, quero ver você falando em público.
— Você não vai gostar, pode acreditar. O convidado oficial não pode comparecer, então vou ser o duble.
Os dois conversaram bastante durante o jantar. Bella se sentiu confortável ao lado de Edward pela primeira vez, desde a viagem ao Havaí. Mas isso mudou quando eles chegaram na porta da casa dela.
— Obrigada pelo programa. Ele levantou as sobrancelhas.
— Não vai me convidar para entrar?
— Não.
— Nem se pedir de joelhos?
Ela riu. — Edward, se convidar você para entrar, nós dois sabemos que vamos acabar na minha cama — disse rindo.
— E qual o problema se isso acontecer?
— Amigável demais para o meu gosto.
— Tudo bem.
Ela o olhou interrogativamente.
— Tudo bem?
— É verdade, você tem razão. Nossa relação é platônica, prometo. — Ele levantou a mão direita.
— Posso, pelo menos, lhe dar um beijo de boa noite.
— Tudo bem.
Ele a puxou contra si. Primeiro deu um beijo de leve na orelha de Bella, depois deu vários beijinhos no queixo dela. Bella passou a mão no peito de Edward e quando ele encontrou a boca de Bella, ela estava mais do que pronta para ele.
O beijo se prolongou até que o barulho do elevador chegando os interrompeu. Ela se soltou dele, tentando recuperar a respiração normal.
Um casal saiu do elevador pelo outro lado sem vê-los.
— Boa-noite — Edward disse gentilmente. — Durma com os anjos — ele se virou, foi até o elevador e abriu a porta para ela. Bella entrou e apertou o botão. Viu Edward até que a porta se fechou.
Bella entrou no apartamento e foi direto para a cama.
Estava tentando enganar a quem? Saindo ou não com Edward, seus sentimentos por ele eram fortes demais.
Claro que queria reviver a noite de amor que tiveram em Honolulu, mas não podia ceder. De jeito nenhum.
