Put Yer Money Where Yer Mouth Is


Liam não cabia em si de felicidade. Tinha conseguido dar uma volta de carro completa pelo quarteirão onde ficava a sua residência. Claro que isso só tinha sido possível porque estava sozinho em casa. Sua mãe tinha saído por qualquer razão que ele sequer se recordava, e seus irmãos estavam bem longe dali. Provavelmente só chegariam mais tarde. Estavam resolvendo algo importante para a mãe ou coisa que o valha. Não importava.

Estacionou porcamente o veículo na calçada e desceu. Esperava que sua mãe não percebesse que o automóvel estava posicionado de forma um tanto diferente da que tinha deixado. Afastou-se para verificar se estava tão fora de lugar assim e constatou que nem mesmo o bêbado do seu pai deixaria de notar que o carro tinha sido mexido.

Sem muitas opções, decidiu que o melhor era mais uma vez assumir o controle do volante e refazer todo o trabalho de posicionamento. Abriu a porta e se sentou no banco do motorista, sendo tomado por um prazer imediato. Um garoto de catorze anos controlando uma máquina daquele porte certamente se sentiria poderoso.

Deu partida no automóvel e sorriu. Adorava aquele som! Apreciava ainda mais saber que o barulho do motor despertando obedecia ao seu comando. Muito seguro do que deveria fazer, realizou os procedimentos iniciais e já estava conseguindo completar a manobra quando enxergou, pelo retrovisor, seus irmãos se aproximando. Talvez por nervosismo, Liam pisou no pedal errado e ao invés de frear levemente, acelerou com vontade, fazendo a frente do carro ir ao encontro de uma árvore.

Pulou imediatamente para fora e foi checar o tamanho do estrago. Logo atrás dele seus irmãos fizeram o mesmo. Não tinha sido algo tão terrível, mas aquilo deixaria a mãe furiosa. Os irmãos, no entanto, nem tiveram tempo de discutir. A voz de Peggy soou muito alta atrás deles, levando-os da surpresa ao pavor em segundos.

- Quero saber quem foi o responsável por isso!

Todos se viraram. Nenhum dos três pensou em dar uma resposta. Não era exatamente medo da mãe. Era por respeito que pensavam bem na resposta que dariam.

- Vão me forçar a perguntar de novo?

Liam ia responder quando Noel abriu a boca.

- Eu peguei o carro, mãe.

Peggy olhou para o filho do meio e analisou sua expressão. Observou todo o cenário e encarou o garoto novamente. Ia dizer que não acreditava naquilo quando seu caçula foi mais rápido.

- Não mãe, fui eu. - Disse cabisbaixo.

A mulher colocou suas sacolas no chão e voltou a olhar para os meninos. Não sabia se ria ou se chorava. Estava analisando o que dizer quando seu primogênito resolveu assumir a culpa. Nesse exato instante, soube o que deveria fazer.

- Pela união de vocês, eu os parabenizo. Sei que nunca saberei qual de vocês teve a brilhante ideia de dirigir sem permissão e acabou amassando o carro. No entanto, eu não criei filho para ser mentiroso. Da mesma forma, não criei dedo-duro, então não vou exigir que delatem o culpado. Estão os três de castigo. Não sei qual ainda, mas vou pensar. E quando eu decidir, vou aboná-lo pela metade, porque eu criei filhos que se amam. Agora podem me ajudar a levar tudo isso aqui para dentro!


Quarta faixa do álbum. O título dessa música é uma das expressões que mais gosto. =)