.

I Can See A Liar


- Então quer dizer que você pegou a Valerie?

Noel perguntou ao irmão mais novo, devolvendo a ele o baseado que estavam compartilhando. Conversavam debaixo de um amontoado de caixas num beco que ficava no meio do caminho entre a escola e a residência dos Gallaghers. Noel já não estudava mais; tinha ido com Liam quando este lhe confidenciou que cabularia aula para se divertir um pouco.

- Com força! – Tomou o cigarro entre os dedos e puxou a fumaça. – Quer detalhes?

- Nem pensar! - Olhou-o. - Não acredito que ela tenha dado para um guri de quinze anos.

- Ok. – Inspirou. – Não sei por que não crê. Ela vivia me dando mole.

- Se diz... Mas a Valerie dá mole para todo mundo. – Balançou a cabeça. – Grande coisa.

- Só está dizendo isso porque ela nunca quis nada com você.

- É óbvio que ela já quis! – Pegou de volta o fumo. – Estou lhe falando, Liam, aquela menina já deu para a rua toda! É capaz de eu precisar lhe levar escondido ao médico daqui uns dias.

- Não está mentindo? – Virou-se para o irmão.

- Por que eu estaria? – Tragou.

- Porque você sempre foi pirado da Val. Espionava pela janela quando ela trocava de roupa.

- Ela é gostosa. Eu seria um idiota se não espiasse.

- Bateu muitas para ela.

- A vizinhança inteira bateu várias para ela. – Pôs o cigarro nas mãos do outro. – Você bateu também.

- Mas eu parei. Já você...

- Há uma conclusão a qual queira chegar com essas observações?

- Sim. – Sorriu após inalar. – Você nunca conseguiu foder a Val e agora está tremendo todo de ciúme e inveja porque eu cheguei lá primeiro!

- Não fala merda! – Fez o irmão lhe entregar a maconha. – Ciúme? Inveja? Liam, eu toco violão, eu escrevo músicas. Eu como quem eu quiser!

- Menos a Val! – Deu ao outro um olhar sarcástico. – Eu catei e você não. – Puxou o baseado. – Nem mesmo suas musiquinhas fizeram com que ela ficasse de quatro para você.

- Ela ficou para você? – Perguntou surpreso.

- Se ficou... – Riu alto.

- E como foi?

- Como foi? - Riu mais. – Nossa, cara! Que garota... – Ergueu as mãos em frente ao rosto, como se indicasse o tamanho de algo. – Lisinha, redondinha...

- E rebola como ninguém, não é? – Sorriu. – E aquela pinta cor de rosa bem na bunda? É um convite para os dentes!

- E não é que você comeu mesmo a Valerie! – Gargalhou. – Aquela pintinha rosa...

- Estou falando, irmão... A menina tem a fúria entre as pernas! Nada nunca será suficiente para ela! – Deu outra vez o cigarro a Liam. – Agora me diz... Como foi, hein? O que fizeram?

- Agora quer detalhes? – Fumou um pouco.

- Vai me dizer ou não?

- Bom... - Aproximou-se. - Tudo começou quando ela me convidou para lanchar...


Nona faixa do álbum.