O NASCIMENTO

A notícia de que Hermione teria que ficar internada, até o final da gravidez, se espalhou para ambos os lados da família. Maree na mesma hora que soube através Rony correu até o hospital com o marido. Seus olhos encheram de lágrimas quando a viu naquele estado.

-Mamãe, não chora! –Falava Hermione numa tentativa de segurar o próprio choro.

-Minha filha! – Foi a única coisa que conseguiu pronunciar. Paull ao lado da esposa olhava a cena, com uma dor no peito, mas a esperança ainda muito presente.

Os Weasleys ficaram chocados com tudo aquilo. Molly e Arthur visitaram Hermione lhe dando todo o apoio possível.

Rony juntamente com Tayla foram passar uns tempos na Toca.

Essa casa sem Hermione não tinha mais sentido em nada. –Pensava Rony.

Ele andava triste para todos os lados. Antes do trabalho passava no hospital para dar um beijo em Hermione. E assim que saia do Ministério ia direto para o hospital. Ficava lá até Hermione dormir, para só assim voltar para a Toca. Por ele dormia no hospital junto a Hermione, mas o Doutor achara melhor não, mas alegou que ele poderia visitá-la na hora que quisesse.

Tayla estava igualmente triste. Ela ajudava nos afazeres na Toca, mas sempre era pega chorando pelos cantos. Apesar do curto tempo de convivência com Hermione, ela já sentia um carinho enorme para com ela.

-Foi a única senhora que me tratou com carinho - Dizia ela.

Hermione sentia-se cada vez mais derrotada. Depois de passar dias presa na cama, agora teria que ficar ali naquele quarto de hospital o resto da gravidez.

Vagava com o olhar pelo quarto solitário. Só viam-se aparelhos e mais aparelhos, um sofá ao canto, duas cadeiras e uma mesinha ao seu lado.

Suspirou profundamente, alisando sua barriga e mais uma vez naquele dia as lágrimas cederam. Sentia-se sem rumo, como se pouco a pouco sua vida lhe era tirada, e apenas duas pessoas lhe dava força para continuar firme: Rony e Rose, sua família.

-Como vai minha cunhada predileta? –Perguntou Gina entrando no quarto, tirando Hermione de seu devaneio.

-As outras vão ficar com ciúmes. –Brincou, enxugando as lágrimas rapidamente.

-Elas não precisam ficar sabendo! –Sorriu. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Hermione. –Como você está?

-Bem. –Falou tentando transmitir isso. Mas não conseguiu enganar Gina. –Rony como está? –Perguntou num sussurro de cabeça baixa.

-Bom... –Falou tentando enrolar. –Essa pergunta não precisa ser respondida, acho que você já sabe a resposta. –Observou-a atentamente. –Ele veio lhe ver, mas você ainda dormia. –Hermione apenas balançou a cabeça em confirmação, e o silêncio se fez.

Hermione sentia que não conseguiria controlar as lágrimas que insistiam em cair. E foi assim que um choro sofrido se fez presente. Precisava chorar com alguém, precisava desabafar.

Gina a puxou para seus braços, e a abraçou com carinho, querendo reconfortar a amiga. Ela podia sentir todo o corpo de Hermione tremendo, escutava seus soluços profundos, e instantaneamente seu rosto já estava banhado pelas lágrimas.

-Hermione, por favor, não fique assim! –Falava com a voz embargada. –Isso vai acabar logo, você e Rony vão ter a filha de vocês nos braços. –Tentava sorrir. –Por favor, não desista! –Pedia como uma suplica.

Hermione apenas voltou a abraçá-la. Depois de um longo tempo, tornou a se deitar na cama. Vencida por forças ocultas adormeceu. Gina ficou a mirá-la, pensando o quanto era difícil ver sua amiga de infância, e seu irmão passarem por uma situação daquelas. Seu coração partiu de uma maneira como há muito tempo não acontecia. Desde aquela maldita guerra.

Levantou-se e seguiu até a porta, deu uma última olhada em Hermione e saiu. Recostou-se na porta e fechou os olhos. Eles ardiam pelas lágrimas que tentava segurar, o que era inútil. Sentia sua cabeça latejar, e seu corpo pedir por uma cama.

-A senhora está bem? –Perguntou uma enfermeira.

-Sim, sim. Estou bem. Será que você poderia dar uma olhada em Hermione? Ela estava um pouco agitada hoje.

-Claro, senhora. Não se preocupe. –Falou sorrindo e entrou no quarto.

Gina resolveu ir pra casa, sentiu um arrepio subir-lhe pela espinha, fazendo-a estremecer.

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Rony a cada dia que passava estava mais impaciente, com essa situação.

Falava pouco, e ficava perdido em seus pensamentos.

Harry o observava de longe. Sempre atento aos seus passos.

-Rony! –Chamou-o.

-Sim. –Respondeu sem olhá-lo.

-Porque não vai ver Hermione? O dia hoje está leve, eu posso terminar isso aqui sozinho.

Rony ergueu os olhos e mirou-o. Está certo que gostaria de passar o maior tempo possível com Hermione, mas não deixaria Harry na mão em suas obrigações. Os dois formam uma equipe, e ele não iria falhar com suas responsabilidades. Antes que pudesse dizer algo, Harry o cortou.

-Não se preocupe comigo, Rony. Amanhã é sábado, você precisa descansar. –Falou ele, já imaginando seus pensamentos.

-Certo. -Falou querendo voar dali. –Nos vemos na Toca... Amanhã.

Harry confirmou. Rony caminhou até a porta e parou. Virou-se para Harry.

–Obrigada, Harry! –Agradeceu com um sorriso frouxo.

-Não a de que, Ronald! –Zombou. Rony riu e saiu.

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Rony caminhava pelos corredores do hospital. Chegou à porta do quarto de Hermione, e encontrou Gina de olhos fechados, respirando profundamente.

-Gina? –Chamou. Ela abriu os olhos.

-Oi, Rony. Vim ver Hermione, ela acabou adormecendo. –Falava ela engolindo as lágrimas e tentando sorrir. Rony a olhava atento.

-Você está bem?

-Sim estou!

Rony não acreditou muito. Mas deixou passar.

-Eu já vou indo. Nos vemos amanhã. –Deu um beijo no irmão e se foi.

Rony entrou no quarto e Hermione ainda dormia. Sentou-se ao seu lado e ficou a mirá-la. Acariciava-lhe o rosto, lábios e cabelos, com saudade. Hermione acabou despertando com as caricias e sorriu-lhe.

-Como você está? –Perguntou Rony.

-Na mesma. –Respondeu olhando para suas mãos entrelaçadas. –Você parece esgotado! –Exclamou examinando-o com atenção.

-Eu estou bem, não se preocupe.

-Vá pra casa, Rony. Descanse.

-Meu descanso é ficar aqui com você.

Hermione o olhou com lágrimas nos olhos.

-Rony, por favor! –Exasperou-se. –Não quero ver você igual a um zumbi! Aposto que não come direito, não dorme direito. O seu dia é trabalho e hospital!

-Não importa.

-Importa! É claro que importa, Rony! –Lágrimas grossas desciam pelo seu rosto. Ela olhava para Rony esperando uma resposta, uma reação. Mas ele continuava de cabeça baixa. –Rony... –Falou bem baixo. –Olha pra mim.

Rony não queria que ela o visse chorando. Tinha que ser forte tinha que ampará-la quando precisasse. Não queria que se preocupasse com ele. O que importa agora é ela e Rose. Apenas as duas.

Ele subiu a mirada e Hermione pode ver seus olhos vermelhos pelo choro silencioso.

-Hermione, tudo o que eu quero é que vocês duas fiquem bem. E eu quero ficar do seu lado. Só isso.

-E nós precisamos ver você bem, Rony! Como acha que eu fico vendo você nesse estado, sabendo que é tudo por minha culpa?

-NUNCA MAIS DIGA ISSO! –Gritou nervoso, se levantando da cadeira. Respirou fundo e se acalmou. –Isso não é culpa sua.

Hermione o olhou com pesar.

–Hermione... -sua voz enrolava. Caminhou até ela e pegou seu rosto entre as mãos. –Eu te amo, te ver assim é um sofrimento pra mim.

-Se você me ama, vá pra casa agora e descanse.

-Não.

-Faça isso por mim. Eu te peço.

Rony se soltou dela e virou de costas.

-Se é o que você quer, eu faço. –Falou um pouco grosso, por achar que Hermione não o queria ali. Ela percebeu a mudança de sua voz, e tentou argumentar. Mas achou melhor deixar como estava, pois assim ele iria para casa.

-Te vejo, amanhã. - Falou com a mão na maçaneta, abriu a porta e saiu sem olhar para trás.

Hermione deixou-se chorar. Seu corpo tremia, sua cabeça doía. Acabara de causar uma briga com a pessoa que mais ama nessa vida.

Porque as coisas tinham que ser assim? –Pensava ela.

Uma enfermeira entrou no quarto, e assustou-se com o estado de Hermione, não é bom ela se abalar demais. Chamou o Doutor, que logo a medicou, para que pudesse relaxar e descansar.

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Rony caminhava pelas ruas de Londres completamente sem rumo. Ainda eram 16h30min da tarde e não sabia para onde ir. Pensou em voltar ao trabalho, mas não estava com cabeça para isso. Precisava ficar sozinho, refletir. Resolveu então ir a Hogsmeade.

O primeiro estabelecimento que Rony pensou em entrar foi o Três Vassouras. Procurou uma mesa mais reservada, e viu uma ao canto. Caminhou até ela, e no meio parou para pedir uma dose dupla de Whisky de Fogo. Sentou-se a mesa e deu uma golada na bebida que desceu queimando-lhe a garganta, fazendo seu corpo arrepiar.

Sua mente fervilhava em pensamentos e parou em Hermione. Pensou no que ela dissera, e no seu modo de agir com ela. Nem se despedira direito, nem a olhara.

Rony bebeu o resto da bebida, e bateu o copo na mesa. Logo pediu outra dose.

Passou as mãos pelos cabelos de modo frustrante, e lágrimas começavam a se formar em seus olhos.

Só agora, conseguira atinar, que Hermione queria apenas vê-lo bem.

Fui um burro, idiota, como sempre! Ela presa naquela maldita cama de hospital e você estragando tudo! Você definitivamente é um idiota Ronald Weasley. –Pensava com raiva de si mesmo.

Bebeu a dose num gole só. A raiva de si mesmo só crescia. Precisava ver Hermione, precisava falar com ela. Pagou a conta rapidamente, e logo já estava andando pelas ruas de Hogsmeade.

A todo lado podia ver pessoas felizes, casais namorando e alunos de Hogwarts. Lembrou-se do seu tempo, da sua época, conturbada, mas feliz. Imaginara centenas de vezes, vindo a Hogsmeade com Hermione ao seu lado, como sua namorada. Seu arrependimento de ter escondido sua paixão por ela, por tanto tempo, era grande.

Olhava todas as lojas a sua volta. Todas com uma lembrança diferente. Mas uma lhe chamou atenção. Baby Magic, era o nome da loja.

Nunca vi essa loja por aqui! –Pensou.

A curiosidade falou alto, e Rony entrou.

Uma senhora muito bem arrumada e com um sorriso acolhedor veio até ele.

-Boa tarde! Posso lhe ajudar em algo? –Rony sorriu.

-Por acaso essa loja é nova?

-Sim, sim! Nós a abrimos há um mês.

Um mês que não venho aqui! Puxa! –Pensou.

Rony começou a explorar toda a loja. Ela possuía de tudo o que um bebê precisava.

Uma seção em parte, chamou-lhe a atenção. Um estande estava montada, com várias miniaturas de quartos de bebês.

-Essa é uma novidade exclusiva da nossa loja. –Pronunciou a senhora, que seguira os passos de Rony. –Fizemos os quartos dos bebês em miniaturas para que as pessoas possam ver os detalhes. E assim elas fazem a mudança que quiserem, podendo fazer o quarto de seus sonhos.

-E para montar?

-É simples! Basta um simples feitiço para que ele fique do tamanho real.

-UAU! –Falou maravilhado. –Isso é ótimo!

Rony caminhou e observou todos os modelos ao seu redor. Observava bem atento, e bem no fundinho encontrou um modelo que lhe chamou atenção.

-Vejo que gostou do nosso modelo exclusivo! Esse é único, e não tem como adicionar ou retirar peças.

Rony pegou e analisou-o na palma de sua mão. Era exatamente como ele e Hermione queriam o quarto de Rose. Um sorriso brotou em seus lábios, e pensou no desespero de Hermione em achar o quarto do jeitinho que queria. Agora, Rony tinha certeza que desse, ela ia amar.

-Vou levar esse! –Falou eufórico.

-Boa escolha meu rapaz!

Rony saiu da loja com um sorriso radiante. Falaria da surpresa a Hermione, mas não exatamente o que era. Resolveu deixar para ir vê-la no dia seguinte. Com certeza agora ela deveria estar o odiando por tratá-la mau. Amanhã seria outro dia, e bem melhor por sinal. Pensando nisso foi para a Toca.

No dia seguinte, Rony acordou cedo e foi direto a futura casa do casal. A excitação de ver o quarto da filha montando, e a preocupação de como pedir desculpas a Hermione, fervilhavam sua mente.

Chegando a casa, subiu direto em direção ao quarto da filha. Colocou a miniatura no chão, e com um feitiço, logo o quarto se materializou em sua frente. Seus olhos brilharam com o que viu. A satisfação era grande. Imaginou ele e Hermione ali, velando o sono da filha recém-nascida.

(N/A: Foto do quarto: ./_int/6_ , no lugar do cavalo, seria um unicórnio, com fadinhas sobrevoando ao redor, e que a noite elas brilhavam, parecendo com o luar da noite, no quarto.)

Rony despertou de seus pensamentos. Precisava ver Hermione. Deu uma última olhada no quarto e foi direto para o hospital.

Hermione acordara cedo, na esperança de ver Rony ali, esperando que ela acordasse. Mas isso, não aconteceu.

Será que ele vai vir? –Pensava ela.

Logo seu desejo foi atendido. Seu coração parou, quando viu a porta ser aberta por um ruivo alto.

Rony fechou a porta atrás de si, e virou-se para Hermione. Ele tentava falar, mas as palavras estavam presas em sua garganta. Podia sentir seu rosto esquentando tamanha era a vergonha for ter feito tudo aquilo.

-Hum... Er...

-Rony...

-Não Hermione! Deixa-me falar primeiro. Por favor! –Falou o último bem baixo. Hermione se calou e esperou que ele falasse. –Olha, eu sei que eu fui um estúpido, idiota, e tudo o mais que você quiser me chamar! Eu não devia ter te tratado daquela maneira, devia ter entendido o seu lado. Ainda mais no seu estado. Você não sabe o quanto eu estou me odiando por isso. Quanto mais eu pensava, mais eu sentia raiva de mim mesmo.

Hermione prestava muita atenção ao que Rony dizia, e as lágrimas já se formavam.

–Mas eu só queria que você entendesse. Quero ficar do seu lado. Quando precisar fechar a janela, quero estar aqui pra fazer isso por você. Quando você precisar de mais um coberto, quero te cobrir e te desejar boa noite. Quero ficar ao seu lado, até você pegar no sono, e assim poder ver você, pelo menos uma vez ao dia, sem se preocupar com nada, e dormir tranquilamente. Quero estar aqui, quando a nossa filha nascer,e poder colocá-la em seus braços. Se eu não posso ter você todos os dias ao meu lado, na nossa casa, quero te ver, nem que seja através de um vidro, e saber que tudo esta bem. Por favor, Mione, me perdoa!

No final de seus dizeres, Rony a olhou com esperanças. Viu seu rosto banhado em lágrimas. Caminhou até ela, levando suas mãos ao seu rosto secando suas lágrimas. Hermione sorriu.

-Não tem o que te perdoar, Rony. Eu só quero que você fique bem, por isso te pedi aquilo. Mas agora eu sei o quanto burra eu fui e...

-Por favor, esquece isso! Não quero que se aborreça mais. O importante é que eu estou aqui, com vocês. Não se preocupe, eu vou ficar bem. –Rony lhe sorriu de maneira confiante. Selou os lábios com os da morena, e se beijaram de maneira singela.

-Tive medo de você não voltar. –Se abraçou a ele com força.

-Nunca que vou te deixar. Por mais que eu seja um idiota. –Riu.

-Se você não fosse um idiota, não seria o homem por quem me apaixonei!

-Vou levar isso como um elogio! –Brincou.

-Com certeza!- Riu.

Os dois ficaram entre chamegos e conversas, até que Rony pronunciou sobre a surpresa.

-Tenho uma surpresa para você!

-Surpresa? O que? –Perguntou curiosa.

-Você só vai ver, quando chegar à nossa casa!

-Ahh não, Rony! Isso é judiação!

-É surpresa Mione, não posso contar! –Riu por sua curiosidade. –Garanto que você vai adorar!

-Seu chato! –Riu.

Rony passou o sábado inteiro ao lado de Hermione. Receberam algumas visitas, que levavam flores e presentes, e faziam com que a tristeza se amenizasse no ambiente.

Os dias foram se passando. Hermione apresentara alguns sintomas constantes, o que preocupava o Doutor Aristides. Era uma espera longa e frustrante. Aristides estava fazendo de tudo para dar estabilidade para mãe e filha. Tudo tinha que ser feito no tempo certo, e mesmo assim o risco de consequências graves era grande.

Gina estava muito preocupada, com a situação de Hermione. Podia sentir o peso do que Hermione estava passando, em si mesma.

Harry andara a observando atentamente nos últimos dias. Percebia que ela estava diferente, e isto o preocupava. Até que certa hipótese veio-lhe a cabeça.

Enquanto a família Potter, estava toda reunida na sala vendo TV, com James já dormindo no colo da mãe, Harry observava Gina, que parecia perdia em seus pensamentos.

-Gina? –Chamou, mas não obteve resposta. –Gina? Gina? –Chamou pela terceira vez, pegando em seu braço.

-Hã?

-Você está bem?

-Sim Harry, porque não estaria?

-Não sei, você que tem que me dizer. O que esta acontecendo?

-Não esta acontecendo nada, Harry! –Falou se levantando com o filho no colo, subindo as escadas para levá-lo para o quarto.

Na verdade Gina sabia que estava diferente. Algo dentro dela fazia com que se sentisse mal. Fora os mal-estares repentinos, isso estava a incomodando. Mas o que dizer ao Harry? Ela não sabia.

Ela retornou a sala, e encontrou-o sentando no mesmo lugar a sua espera.

-Gina...

-Harry, eu não sei o que esta acontecendo. Sei que estou diferente. – Cortou-o antes que ele falasse algo. Harry abraçou a esposa, puxando-a para que se aconchegasse em seu peito.

-Não passou pela sua cabeça, que você pode estar grávida? –Gina olhou-o nos olhos, e processou a informação.

-Grávida?

-É...

-Acho que não, Harry.

-Mas pode ser.

-É eu sei... Pode ser que sim. Vou amanhã ao St. Mungus, fazer um exame. Pelo menos assim vou descobrir o que eu tenho.

-Quer que eu vá com você?

-Não precisa não amor.

Gina se abraçou a Harry, e ponderou sua possibilidade. A ideia de ter mais um filho era ótima, mas ela sentia que não era agora. Mas só o exame poderia lhe dar certeza. Essa ideia, a fez pensar em Hermione, e a tristeza bateu em seu coração.

A cada dia que passava a situação de Hermione não melhorava. Ela sentia-se cada vez mais deprimida quanto a isso. Esperava que com o tempo a situação fosse controlada, mas não era isso o que estava acontecendo. Não por falta de competência dos médicos, isso claro que não. Mas sim pelo destino, acaso da vida.

Rony sentia suas forças diminuírem, e a esperança acabando pouco a pouco. No trabalho, sempre era observado por Harry, perdido em seus pensamentos, durante vários minutos. Rony tentava ao máximo se concentrar, mas com toda essa situação era difícil.

Os Weasleys estavam muito apreensivos. Viam Rony chegar tarde, todos os dias, na Toca, depois de visitar Hermione. Presenciavam seu silêncio, seu sofrimento reprimido, com vontade de fazer algo, mas o que? Nesse momento nada podia ser feito por eles, nada.

Harry e Gina estavam sempre de olho em Rony, além de fazer visitas frequentes a Hermione. Gina deixara para ir ao St. Mungus numa outra oportunidade alegara estar melhor a Harry, mas ele não ficou muito feliz com isso, e insistia com a ruiva, de que ela precisava ir.

Junho chegou de maneira arrebatadora.

Hermione estava a três dias de completar oito meses de gravidez, e sua situação se agravara. A espera não era mais bem vinda, e o momento tão esperado, chegara. Agora tudo estava nas mãos do destino.

Rony andava lentamente pelas ruas de Londres, absorto em seus pensamentos. Queria sentir a brisa fresca bater em seu rosto, sentir seu coração leve por um minuto e pensar que tudo daria certo. Caminhava em direção ao hospital, mas antes compraria umas flores para Hermione, e assim poder vê-la sorrir, nem que seja durante alguns segundos.

De repente, Rony, sentiu algo se movimentar em seu bolso da calça. Pegou o pequeno aparelho de celular nas mãos e olhou. Qual seria o botão, verde ou vermelho? Aquilo sempre o confundia. Optou pelo verde e levou o aparelho ao ouvido. Numa breve conversa, ele desligou. Sentiu seu coração acelerar e suas mãos suarem. Logo já discava um número.

-Harry? –Falou assim que atenderam. –É hoje, avisa a todos.

Nesses breves dizeres, Rony guardou o celular, e correu o mais rápido que pode para o Hospital, esquecendo-se das flores.

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Gina andava de um lado para o outro, no corredor do St. Mungus, a espera de sua consulta.

-Olá, Gina! –Cumprimentou uma senhora que aparentava uns quarenta anos de idade, cabelos cacheados e negros, com um sorriso acolhedor nos lábios.

-Adela, que bom ver você! –As duas se abraçaram. Adela era curandeira há bastante tempo, cuidara de Gina durante toda sua gravidez, e provavelmente cuidara dos próximos.

-Vamos entre, entre! –Depois de uma conversa breve, sobre casos sem muita importância, enfim chegaram ao motivo da consulta.

-Adela, estou com alguns sintomas estranhos. –Começou Gina. –Sintomas... Parecidos com os de gravidez.

-Mas se for, isso é ótimo! Sei que quer ter mais filhos!

-Esse é o problema, Adela. Eu quero, mas acho que não estou grávida. Eu não sinto que esteja. Você me entende?

Adela parou e analisou bem suas palavras.

-Bem, vamos fazer o exame, se não for gravidez, vamos descobrir o que é, não se preocupe. –Sorriu-lhe.

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Hermione estava acordada. Esperava ansiosa a visita de Rony. O entra e sai repentino de enfermeiras a fez ficar apreensiva. Olhando para a porta viu um senhor de jaleco branco entrar no quarto.

-Doutor, o que esta acontecendo?

-Hermione... - hesitou em continuar. –Não podemos esperar mais... O parto tem que ser feito hoje mesmo.

Hermione arregalou seus olhos castanhos, olhando profundamente para o doutor. Sua voz se perdera. Sua filha estaria em seus braços daqui alguns minutos, era inevitável sentir emoção e ao mesmo tempo, medo.

-Mas Rose vai nascer muito prematura, Doutor.

-Hermione, quero que esteja ciente de sua situação. Durante todo esse tempo aqui no hospital, fizemos com que os sintomas diminuíssem, e assim deixar com que o bebê se desenvolvesse mais dentro do seu útero. Retardamos o parto o máximo possível, e agora não se pode esperar mais. Seus sintomas persistem de tal maneira que os remédios não fazem mais efeito sobre seu organismo.

Hermione escutava calada, e segurando suas lágrimas ao máximo. Tinha que ser forte.

-Eu só quero ter minha filha comigo, Doutor. Só isso. Eu confio no senhor, sei que fez o possível. Foi assim comigo e cominha mãe, e deu tudo certo, tomara que o mesmo se repita.

-Tomara Deus que sim.

-Doutor? –Chamou Hermione, quando ele abria a porta. -Rony...

-Ele já foi avisado, não se preocupe. Está a caminho. –Sorriu-lhe e saiu pela porta.

A emoção misturada com angustia e medo se apoderaram de Hermione. Tudo passava por sua cabeça. Ela podia jurar que se morresse agora, seria a mulher mais feliz do mundo. Amara e fora amada. E desse amor gerou um fruto, que iria desfrutar de todo o mundo, que ela um dia ajudara a resgatar a paz. Alisou a barriga, com um sorriso nos lábios. Enfim chegara a hora.

Um barulho a assustou, a porta foi aberta bruscamente por Rony. Ele a olhou com seus lindos olhos azuis arregalados, e os lábios formando um pequeno sorriso. Fechou a porta atrás de si, e correu até Hermione. Ela por sua vez, puxou-o pelo rosto beijando-lhe nos lábios.

-Não sei definir o que estou sentindo, Rony. Estou muito feliz, por poder pegar nossa filha, por ver seu rosto, mas... Estou com medo. - Eles grudaram suas testa sentindo a respiração um do outro bem perto. Rony alisava suas bochechas de maneira carinhosa, lhe confortando.

-Vai dar tudo certo Mione, vai dar! –Afirmou com convicção. Rony afastou os rostos, e olhou-a nos olhos. –Eu te amo. –Hermione sorriu, fechou os olhos e não abriu mais.

Rony não soube dizer o que aconteceu depois. Viu Hermione fechar os olhos, e logo o sorriso sumindo de seus lábios. Seu corpo começou a se mover sem controle em seus braços, e assim deito-a na cama. Viu então, Hermione se debater na cama, sem controle. Eram tão fortes seus movimentos que a cama se remexia juntamente com Hermione. Ele tentava de todas as maneiras controlá-la, mas era impossível. Então Rony gritou, gritou a plenos pulmões:

-PELO AMOR DE DEUS! ALGUÉM ME AJUDA... SOCORRROOOOOOOO... – Rony gritava o mais alto possível, sua voz saiu rouca. Um grito sofrido implorando por ajuda.

A porta foi aberta com força. Doutor Aristides, entrara no quarto com algumas enfermeiras ao seu alcance.

Três delas tentava segurar Hermione, e faziam o procedimento para que ela não se machucasse. Doutor Aristides aplicava o medicamento, e fazia um exame básico.

Rony era empurrado por outra enfermeira, que tentava de todas as maneiras o botar pra fora do quarto.

-O QUE ESTA ACONTECENDO COM HERMIONE?-Perguntava ele aos gritos, e um caminho de lágrimas formado em seu rosto.

-Por favor, senhor, espere lá fora. –Pedia a enfermeira calmamente. Mas Rony nem lhe dava ouvidos, os empurrões da enfermeira nem fazia efeito, sobre aquele ruivo alto e forte.

-Rony, por favor, espera lá fora. Já irei falar com você! –Falou Aristides em resposta.

Rony vencido foi-se porta a fora. Logo, sentiu alguém tocar-lhe o ombro.

-Rony, que gritaria foi essa? –Perguntou Harry, com os pais de Rony e Hermione atrás de si, que escutaram tudo e viram a correria para o quarto de Hermione.

Rony virou-se e olhou para todos. Caminhou até o sofá mais próximo e se jogou. Respirando profundamente.

-Eu não sei o que aconteceu... Não sei... –Falava com a voz abafada por suas mãos que tampavam-lhe o rosto.

-Calma, Rony. –Harry lhe dava palmadinhas nas costas.

A porta foi aberta novamente. Doutro Aristides saiu. Rony levantou de supetão e foi até o doutor.

-Doutor o que aconteceu? O que foi aquilo no quarto?

-Hermione teve uma convulsão. –Informou ele.

-O meu Deus! –Exclamou Maree chorosa.

-Já controlamos seu ataque, agora ela esta recobrando a consciência. Quero ser francos com vocês. Tanto dentro do útero, quanto na hora do parto Rose corre perigo. Hermione também não esta fora desse quadro. O parto será feito nesse instante, não podemos mais esperar.

-Ela vai nascer tão antes da hora! –Exclamou Molly.

-Infelizmente, Rose vai nascer prematura. Tudo o que esta ao nosso alcance esta sendo feito. Isso tudo que estou dizendo não é pessimismo, apenas quero que estejam preparados pra tudo.

Maree e Paull se adiantaram para mais perto de Aristides. Maree pegou sua mão e falou numa voz embargada:

-Eu confio em você Aristides, sempre confiei. Cuide de nossa filha e de nossa neta. - Aristides deu um sorriso torto. Apertou a mão do casal e sumiu pelo corredor.

Molly e Maree se abraçaram aos maridos, chorosas, enquanto Harry estava ao lado de Rony, olhando para onde o Doutor fora.

-Ronald Weasley? –Perguntou uma enfermeira.

-Eu.

-O senhor ira acompanhar o parto de sua esposa?

-S... Sim,sim.

-Então venha comigo. –Pediu com um sorriso simpático e acolhedor.

-Rony... - Harry começara a falar, mas não sabia bem o que dizer. As palavras simplesmente se perderam. Harry abraçou-o, como único gesto de apoio no momento. E ele tinha certeza que Rony entenderia.

Rony abraçou os pais, e logo depois os pais de Hermione. Sorriu-lhes fraco e caminhou atrás da enfermeira.

-RONY! ESPERA!

Rony virou, e viu Gina correndo ao seu alcance com seus cabelos flamejantes voando pelo ar.

Rony parou, e Gina voou para seus braços quase o derrubando.

-Não queria que você fosse sem lhe dar um abraço. –Chorava fraquinho. Separou-se dele e olhou-o. –Não esquece de que todos nós amamos você e Hermione.

-Não vou esquecer. –Rony beijou-lhe a testa, e caminhou atrás da enfermeira.

Gina ficou parada no mesmo lugar, olhando o corpanzil de Rony se afastar lentamente e sentiu braços que tanto conhecia lhe abraçar.

-Estou com medo, Harry. –Falou assim que se virou para ele.

-Eu também, Gina. Mas não há nada que possamos fazer, temos que esperar.

-Eu sei... Mas eu sinto Harry, sinto uma coisa ruim. –Harry a olhou, e não soube o que dizer. Abraçou-a confortando em seus braços. –Eu fui ao St. Mungus...

-Hoje?

Gina confirmou.

-E então, você está grávida?

-Eu...

A cada passo, seu corpo pesava. Sua cabeça rodava em torno daquele corredor deserto, todo em branco. Sua garganta secara, suas mãos suavam pelo nervosismo, emoção... Ele não sabia mais o motivo.

Enfim iria ver sua filha. Existe emoção maior? Existe presente maior que esse no mundo? Para outras pessoas, poderia ser que sim, mas para ele, Ronald Weasley, não.

Logo Rony, já se via dentro de uma salinha, onde a enfermeira lhe passou toda a veste para que pudesse entrar na sala do parto.

Depois de pronto, encaminhou-se para outra sala, e ai pode ver: Hermione, deitada, braços esticados, e um pano verde esticado sobre seu peito.

Viu varias pessoas vestidas de verde ao seu redor. Vários aparelhos, ferramentas para cirurgia, que o assustou um pouco.

Rony foi encaminhado para ao lado de Hermione, onde se sentou num banquinho.

Hermione tinha as pálpebras pesadas, efeito da convulsão e da medicação, que há deixou um pouco fora do eixo, mas acordada.

Rony postou uma das mãos sobre sua testa, acariciando de leve.

Hermione virou-se para ver o dono daquela mão, e soltou um pequeno sorriso.

-Rony... –Falou baixinho. Rony retribuiu o sorriso.

-Eu estou aqui com você!

-Hermione, vamos começar, ok? – Falou o Doutor Aristides olhando-a sobre o pano. Hermione confirmou com a cabeça. – Tudo bem Rony?

-Sim... Sim... –Respondeu tenso.

O silêncio se fez durante alguns minutos, sendo substituído apenas pelo pipi do aparelho, e a voz do Doutor pedindo as ferramentas necessárias.

Rony estava num misto de emoções que ele não soube definir bem o que sentia. Seu coração batia forte, parecendo que iria pular para fora a qualquer momento.

De repente o pipi do aparelho se fez mais forte, a agitação se fez no momento. O bebê estava perdendo o pulso.

-Temos que ser rápidos! – Falou o Doutor Aristides tenso pela situação. –O pulso esta caindo.

Rony estava atordoado, não sabia para onde olhar. Sentia que algo de errado estava acontecendo.

-Temos um grande sangramento aqui! Rowan segure aqui, bem firme. –Falava Aristides com o outro médico. –Precisamos tirá-la agora.

Rony olhou para Hermione, e a viu virar o rosto, como se caísse no sono.

-Hermione, fica comigo! Fica comigo! –Falava Rony aos prantos.

-Doutor, Hermione perdeu a consciência. –Informou a enfermeira.

Alguns segundos depois da informação, um pequeno bebê era retirado de dentro de Hermione, sendo carregado rapidamente por outros médicos o examinarem.

-Ela esta perdendo muito sangue! –Falou Aristides. –Rony sua filha nasceu, estão cuidando dela agora.

-Mas... Mas... - Rony estava confuso, não sabia para onde olhava, para onde ia, ou o que dizia. Porque não escutava o choro de sua filha? Porque ela não chorava? Rony caminhou para onde sua filha era examinada. Os médicos agiam rapidamente. –Porque ela não chora? –Ninguém lhe respondeu. –POR QUE ELA NÃO CHORA, POR QUÊ? –Gritou desesperado, com sua voz sendo abafada pela mascara que usava.

Uma enfermeira foi até ele, o empurrando para fora da sala. Rony relutava.

-HERMIONE? PORQUE ELA NÃO ESTA ACORDADA? POR QUÊ? –Rony queria apenas uma resposta. Queria ter a certeza de que tudo iria dar certo com as duas mulheres que tanto amava.

-Por favor, senhor, agora precisa esperar lá fora. Estamos cuidando delas.

Rony sem mais forças para lutar, deixou-se ser levado para fora da sala. A porta se fechou, e ainda pelo vidro pode ver a movimentação dos médicos, até que a cortina baixou e seus olhos não pode ver mais nada.

Rony tirou toda aquela roupa verde com fúria. Seus olhos estavam vermelhos, e seus lábios tremendo de raiva e medo. Esperaria ali o tempo que fosse para receber notícias. Andava de um lado para o outro atordoado. Os minutos que se passaram foram torturantes. Rony não sabia definir o que era pior, a falta de notícias, ou a hora de recebê-las.

Quase uma hora se passou, e Doutor Aristides entrou na sala onde Rony esperava.

Tinha a feição seria, e o suor pelo seu rosto era visível.

Rony virou-se para o Doutor, com as mãos nos bolsos da calça, esperando sua pronuncia. O Doutor o olhava com pesar. Não sabia por onde começar.

-Hermione esta bem... –Começou a falar. –Conseguimos controlar o sangramento. Agora estamos terminando de fechar a incisão. Foi levada para o quarto, agora vamos esperar que acorde.

Rony sentia as lágrimas descer-lhe pelo rosto, sem fazer questão de segura-las ou secá-las.

-E... Minha... minha filha? –Perguntou com dificuldade.

Aristides ponderou a resposta.

–Isso não pode ter acontecido! –Exclamou Rony já sabendo a resposta.

-Ela nasceu praticamente sem vida, Rony. Fizemos de tudo, mas ela não resistiu. Eu sinto muito.

Rony soltou um urro de dor. Suas pernas fraquejaram, jogando-o no chão. Seu choro era sofrido, agonizante. Aquilo não podia ser verdade. Não podia!

-POR FAVOR, FALA QUE É MENTIRA! DIGA PRA MIM! –Gritava ele.

Doutor Aristides não soube o que dizer. Era duro vê-lo daquela maneira.

Rony se levantou de um salto, e saiu correndo pelo corredor, sem rumo.

-Rony, volta aqui! –Gritou Aristides. Mas Rony já estava longe.

-Eu não estou grávida, Harry. –Falou triste.

-Mas então o que você tem? –Perguntou preocupado.

-Adela me explicou tudo. Esses sintomas que eu ando tendo, realmente são de gravidez, mas uma gravidez que a minha mente projetou.

Flash Back

Depois do exame feito, Gina esperava ansiosa pelo resultado.

-E então, Adela?

-Realmente Gina, você não está grávida. –Gina engoliu em seco e esperou.

-Mas então o que eu tenho?

-Depois do exame que fizemos, tenho apenas um palpite, mas antes me responda algumas perguntas. –Gina afirmou com a cabeça. –Alguma mulher próxima a você esta grávida?

-Sim, Hermione, minha amiga.

-E a gravidez dela é tranqüila?

-Infelizmente não. No momento ela se encontra internada, num hospital trouxa. Ela é trouxa. Há risco de morte materna quando fetal. –Informou. –Mas não entendo o que Hermione tem a ver com isso.

-Simplesmente tudo Gina. Você esta com o que chamamos de Similia ad Corpus (Semelhança por corpo), ou seja, seus sintomas são idênticos ao de uma mulher grávida, no caso sua amiga. É algo raro de acontecer.

-Mas o que é isso?

-Vou lhe explicar. Fisicamente você esta ótima. Sem nenhuma doença. Sua mente projetou uma gravidez que é falsa. Você deve ter ficado muito sentida, assustada com a situação de sua amiga, que seu cérebro a fez acreditar que estava grávida. Quero dizer, nem tanto, pelo fato de você não ter acreditado nessa possibilidade. Mas esses não são simples sintomas, Gina. Não quero assustá-la, mas isso geralmente não é um bom sinal. É como se fosse um mau agouro.

-Quer dizer que algo de ruim vai acontecer com Hermione? –Perguntou assustada.

-Não sei te dizer o que vai acontecer. Pode não ser nada, ou pode ser algo de ruim.

-Sinceramente, não sei o que pensar.

-Só lhe dou um conselho. Seja o que for, de apoio as pessoas que precisam.

Gina refletiu com os dizeres de Adela e sentiu um arrepio subir-lhe pela espinha. Algo de ruim estava para acontecer, Gina podia sentir isso.

-Vou lhe passar um poção, que vai ajudar a projetar sua real situação, ou seja, sem gravidez, sem sintomas.

Gina apenas concordou com um movimento de cabeça. Sua mente estava longe. Aquela revelação a deixara muito preocupada, mais do que já estava.

Fim do Flash Back.

-Desculpe se te decepcionei, Harry. –Falou Gina depois de contar tudo.

-Gina, que besteira. Não precisa pedir desculpas. –Harry a abraçou, ficando em silêncio.

De repente, a imagem de Rony, passando por eles, correndo como um foguete assustou a todos os presentes.

-RONY! RONY! –Gritava Harry, sem obter respostas.

Rony corria, corria o mais rápido que podia. Os gritos, chamando por seu nome eram deixados para trás. Queria ficar sozinho, queria refletir. Queria tirar aquela dor de seu peito.

-Mas o que aconteceu? Eu vou atrás dele! –Falou Harry muito preocupado.

-Não Harry, deixa que eu vou!

Harry olhou-a analisando sua proposta e confirmou.

–Fique aqui para qualquer notícia. Eu trago Rony de volta. –Gina lhe deu um selinho nos lábios, e saiu correndo por onde Rony passara.

Harry ficou atordoado, pensando no que poderia ter acontecido. Não queria pensar em nada de acalmar os dois casais presentes na sala de espera, mas estava sendo muito difícil.

Harry pode ver Doutor Aristides caminhando até eles, adiantou-se na frente e perguntou:

-Doutor, o que aconteceu?

-O que aconteceu com minha filha, Aristides? –Perguntou Maree aos prantos.

Aristides respirou fundo e respondeu:

- Hermione está bem. Teve um sangramento, mas nós o controlamos, e já foi levada para o quarto. Vamos esperar que ela acorde.

-E o bebê? Esta bem? –Perguntou Arthur.

-Infelizmente o bebê não resistiu. –As duas mulheres soltaram gritinhos de susto e caíram no choro. –Ela nasceu praticamente sem vida, fizemos o possível, mas não deu resultado. Ela faleceu.

Harry ficou olhando para o doutor sem saber o que dizer.

-Eu vou dar uma olhada em Hermione. –Falou Aristides querendo deixar a família a sós. Harry apenas confirmou com a cabeça.

A notícia fora um baque para Harry. Sentiu uma lágrima descer pelo seu rosto e a enxugou depressa. Ele não sabia o que pensar o que fazer... Então a imagem de Rony correndo veio a sua mente. Pensou no quanto ele estaria sofrendo agora, no quão triste teria sido receber aquela notícia. E ele nada poderia fazer para ajudá-lo.

Hermione deitada naquela cama, sem saber de nada. Quando acordar, perguntar sobre sua filha e não poder vê-la abrir os olhos e mexer as mãozinhas, não poder sentir o calor do corpo da filha junto ao seu.

Pensar naquilo tudo fez Harry sentir uma tristeza imensa dentro do peito, como há tempos não sentia. Olhou para os dois casais ao lado, e nenhuma palavra de conforto veio à mente. Mas numa hora dessas o que falar, o que fazer? Harry não sabia.

Harry se levantou, destinado a procurar o Doutor.,Logo o achou na porta do quarto de Hermione.

-Doutor, será que eu poderia ver Hermione?

-Sim, mas, por favor, seja breve. –Harry acenou com a cabeça e entrou no quarto.

O ambiente estaca completamente silencioso, e apenas uma luz fraca iluminava o local.

Harry caminhou lentamente até o leito de Hermione, com seus passos ecoando no silêncio. Chegou perto e olhou-a. Viu seu peito descendo e subindo numa respiração ritmada. Parecia dormir tranquilamente. Harry pegou uma de suas mãos, enquanto a outra acariciava seus cabelos.

-Não queria que você passasse por isso. –Falou de repente. –Só quero que saiba que estarei aqui, para o que precisar. –Harry parou por um momento, e logo depois lhe beijou a testa, e se retirou do quarto.

*******************************************************

Gina não conseguia ver rastros de Rony, em lugar algum.

-Com certeza ele deve ter saído do hospital. –Falou consigo mesma. –Espera, espera! –Gritou para o operador do elevador.

Gina entrou no elevador arfando. Quando chegou ao térreo, saiu em disparada as ruas de Londres. Logo a frente ela pode ver o corpo de Rony virar uma rua escura.

-RONY! ESPERA! –Mas seu grito foi inútil.

Continuou a correr. Gina já podia sentir o ar faltando. Olhou para os lados, havia apenas ela e Rony. Resolveu pegar a varinha e gritou:

-PETRIFICUS TOTALUS! – E com um baque surdo, Rony caiu no chão.

Gina foi até ele e olhou-o. Seu rosto estava marcado por lágrimas e os olhos muito vermelhos.

-Você não me deu outra escolha, Rony. –Falou lentamente. –Vou desfazer o feitiço, mas se você sair correndo novamente, vou ter que te estuporar e levá-lo pra Toca.

Assim que Gina desfez o feitiço, Rony se levantou rapidamente e gritou a plenos pulmões:

-QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FAZER ISSO, HEIN GAROTA? VOCÊ ESTA LOUCA? –Rony tentava descontar sua raiva, sua tristeza, em alguém que não tinha nada a ver. Alias ninguém tinha culpa por aquilo ter acontecido. Mas ele precisava extravasar, liberar toda aquela fúria em seu peito, e estava fazendo aquilo com a pessoa errada.

-Rony... -Falou Gina chorando baixinho.

Rony parou arfando. Olhou hipnotizado para a irmã. Logo a fúria em seu rosto, foi substituída por lágrimas e tristeza evidente. Rony jogou-se no chão, sentando na beirada do passeio, com as mãos tampando-lhe o rosto.

-Ela se foi Gina... Se foi...

Gina tinha o coração apertado. Sentou-se ao lado do irmão e alisou seus cabelos.

-Quem... Quem se foi, Rony? –Perguntou com um nó na garganta. Rony a olhou.

-Rose, Gina. E eu... Eu nem pude tocá-la... Nem pude... Pega-la nos braços. –Gina soluçou com a revelação do irmão, e o abraçou, escutando seu choro como desabafo.

Ficaram assim durante minutos, até que Rony se acalmou um pouco.

-Porque isso tinha que acontecer Gina, por quê? –Perguntou saindo dos braços da irmã e olhando para o nada.

-Eu... eu não sei. –Gina não sabia o que dizer.

-Como eu vou contar para Hermione? Como vou dizer isso ela? Como? –Perguntou exasperado. –Eu não vou conseguir, não vou!

-Hey, Rony... Olha pra mim!

Rony a olhou nos olhos.

-Com certeza perder um filho não é nada fácil. Sei que vai dizer que não sou eu que estou passando por isso, mas só de imaginar, e ver você, meu irmão, e minha amiga passando por isso, é horrível, Rony. Você não sabe o quanto me dói vê-lo assim! Mas eu sei que vocês são fortes, vão lembrar dessa filha com carinho, e vão superar toda essa raiva, tristeza. Agora mais do que nunca Rony, vocês precisam ficar juntos! Um precisa do outro! Não deixe que a tristeza e a dor tomem conta de você. Domine-a. Seja forte por você e por Hermione. –Gina falava como uma súplica. Não queria que Rony sucumbisse.

Rony não falou nada. Voltou a olhar para o nada em meio aos seus pensamentos.

Depois de minutos sem dizer nada, Gina pegou em sua mão.

-Vem... Vamos voltar para o hospital.

Rony deixou-se levar, abraçou-se a irmã e caminharam de volta ao hospital.

****************************************************

Quando Harry voltou à sala de espera, Rony e Gina já se encontravam na mesma. Gina correu para seus braços apertando-o forte, afundando a cabeça em seu peito.

-Como foi com ele? –Perguntou Harry.

-Nada fácil. Está sendo muito difícil.

-Eu sei... –Falou suspirando e viajando em seus pensamentos.

Rony depois de abraçar os pais, e os sogros, saiu andando em direção ao corredor.

-Rony, aonde você vai? –Perguntou Harry. Rony parou de caminhar com a pergunta.

-Ver minha filha. –Respondeu sem se virar, e voltou a caminhar.

Harry pegou Gina pela mão, e seguiu Rony.

Os três entraram numa sala, acompanhados de uma enfermeira. Dentro da sala, havia vários equipamentos, e vários berços vazios, sendo que apenas um deles, estava com um pequeno embrulho.

Rony se aproximou lentamente do pequeno bebê postado ali, enrolado numa manta rosa. Pegou a filha nos braços, e naquele momento teve um misto de sensações. Olhou bem para o rostinho da filha, tão frágil, tão pequena, em seus braços. Rony soltou um pequeno sorriso.

-Olha Harry, ela tem os meus cabelos! –Falou alisando um pequeno monte de fios ruivos. Harry chegou mais perto, junto com Gina e sorriu.

-Se parece com Hermione. –Falou Harry.

-É verdade. –Concordou Rony.

Rony queria guardar cada parte do pequeno ser em seus braços... Rostinho pequeno, mãozinhas... Desceu um pouco a manta que a envolvia e pode ver na pequena coxa da menina uma marca, uma pequena mancha de nascença.

Gina não conseguia dizer nada. Olhando para aquele bebê tão pequeno, seu coração disparou. Lágrimas desciam sem que ela percebesse. Ver a cena de seu irmão com a filha sem vida nos braços era algo chocante demais para ela.

Rony, depois de admirar a filha, beijou-lhe a testa e depositou-a novamente no berço, com lágrimas nos olhos.

-Eu te amo... Minha filha... – A última frase saiu como um sussurro. Ele sempre sonhara em dizer aquilo. E quando teve a chance, sua filha estava ali, imóvel e sem vida.

Deu uma última olhada na pequena, na sua pequena, e saiu da sala, acompanhado de Harry e Gina.

Gina caminhava se segurando para não cair. Quando chegaram perto da sala de espera, deixou que Rony seguisse a frente juntando-se aos pais, e agarrou Harry para que ele parasse.

Harry a olhou, sentindo suas mãos apertar fortemente seu braço. Foi o tempo de ele a segurar, para que ela não caísse.

Gina sentia tudo a sua volta rodar, suas pernas não aguentaram, e agarrou-se a Harry.

Para não preocupar os outros, Harry sentou Gina em um dos bancos do corredor, pegou um pouco de água do bebedouro, molhando de leve seu rosto.

-Gina, respira fundo...

Gina escutava a voz de Harry ecoando em sua cabeça, e fazia de tudo para não desmaiar. Encostou a cabeça na parede, para tentar voltar ao normal. Aos poucos a zonzeira foi passando.

-Como você está? –Perguntou Harry preocupado.

-Estou melhorando.

-Isso não é normal.

-Eu sei... Tenho que tomar a poção que Adela me deu, durante três dias à noite. Pega na minha bolsa.

Harry apressado pegou o vidrinho na bolsa de Gina, e derramou todo o liquido em sua boca. Minutos depois Gina já estava melhor.

-Esses sintomas estão me matando! –Disse ela.

-Eu fico preocupado, Gina! Ver você assim, quase desmaiando do nada! –Disse alisando seus cabelos.

-Daqui três dias isso acaba, amor... Não se preocupe.

Harry a ajudou a levantar, e voltaram para a sala de espera.

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A luz estava fraca, tornando o local escuro, sua visão estava turva e sentia-se meio zonza. Afinal onde estava? Olhou para o lado, vendo a fonte da fraca luz, um abajur colocado sobre uma mesinha ao lado da cama. Viu que estava num quarto, deitada numa cama de hospital. Sua mente tentava recordar o motivo de estar ali, e tudo veio a sua mente como um flash back. As dores... Rony a levando para o hospital... O tempo deitada, debilitada... Rony sorrindo, ao saber do parto... A convulsão... O começo da cesárea e depois... A imagem desse quarto escuro.

A porta foi aberta e uma enfermeira entrou.

-Vejo que acordou! –Falou a enfermeira. –Como se sente?

-Um pouco zonza.

-Não se preocupe, daqui a pouco estará melhor. Vou chamar o doutor. –Ela lhe sorriu e saiu da sala.

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-Rony. –Chamou o Doutor assim que chegou a sala de espera.

Rony estava de cabeça baixa e de olhos fechados, despertou rapidamente de seus pensamentos e se levantou.

-Hermione acabou de acordar, estou indo vê-la.

Rony suspirou profundamente, ainda com os olhos vermelhos e a feição, cansada e triste.

-Posso ir com o senhor?

-Se você quiser...

Rony olhou para os pais e sogros, já mais calmos, que com um olhar lhe deu apoio para ir vê-la. Em seguida, virou-se para Harry e Gina. Ele apertou seu ombro, enquanto ela pegou em sua mão, lhe dando força.

A passos lentos, Rony seguiu o doutor até o quarto de Hermione. Mas antes que pudessem entrar Rony o parou.

-Doutor...

-Não precisa falar, Rony. Não vou contar a ela essa parte. –Garantiu.

-Ok. –Foi a única resposta do ruivo.

Assim que Rony entrou no quarto, viu Hermione lhe sorrir. Ver aquilo lhe doeu, não soube como reagir. Tentou esconder as lágrimas que desciam.

-Como está se sentindo, Hermione? –Perguntou Aristides, fazendo um exame básico.

-Agora, estou melhor...

-Ótimo. –Aristides sorriu.

Mas Hermione percebeu que fora um sorriso diferente, um sorriso mais triste. Mas pensou ser algo de sua cabeça.

Com certeza deve estar cansado-Pensou ela.

-Doutor o que aconteceu? Eu não me lembro de praticamente nada.

Aristides começou a lhe explicar tudo, desde a convulsão até o parto, emitindo a morte de Rose.

No final, Hermione sorria. Para ela estava tudo bem, tudo no final dera certo.

Até que a pergunta tão temida, veio-lhe aos lábios.

-Onde está minha filha? Eu posso vê-la? –Perguntou com ansiedade.

Aristides olhou para Rony, e falou:

-Vou deixá-los a sós.

Hermione viu Aristides sair pela porta, em silêncio. Não estava entendendo nada. Viu Rony caminhar para perto, e sentar-se ao seu lado, pegando em sua mão. Hermione olhou em seus olhos e viu algo estranho naquele olhar. Algo estava errado.

-Rony, o que está acontecendo? –Perguntou temerosa.

-Hermione... –Falou gaguejando e não conseguindo conter as lágrimas.

Hermione sentiu um vazio atingi-la, de repente. Uma angustia, sem explicação, que cresceu vendo Rony naquele estado. Lágrimas começaram a descer instantaneamente, sem saber o porquê.

-Onde... Onde esta minha filha, Rony? –Perguntou com a voz falha pelo choro.

Rony subiu a mirada e olhou-a nos olhos, fazendo um movimento negativo com a cabeça. Soluçou forte, e não conseguiu manter o olhar.

Hermione tremeu. Não queria acreditar no que sua mente lhe dizia, no que sua mente lhe fazia pensar. Estava com medo. E se fosse verdade, isso tudo que pensava? Seu peito estava apertado, precisa ouvir, precisava ouvir de Rony a verdade.

-Rony, olha pra mim... –Seu choro era forte. –Olha pra mim, Rony! –Pediu mais alto, e Rony a olhou, com dificuldade. –O que aconteceu com... Rose? –Rony negou com a cabeça, não queria falar aquilo, não conseguiria. –Rony me diz! –Pediu soluçando.

Rony se levantou de um salto, atordoado com o pedido de Hermione, e virou-se de costas.

-Eu não preciso confirmar. –Falou com a voz grave. Hermione perdeu a calma.

-PRECISA SIM! EU QUERO OUVIR DE VOCÊ! DA SUA BOCA! –Gritou com a voz enrolada. –ME DIGA!ME DIGA!

Rony no desespero, na pressão que sentia em dizer, foi até Hermione com os olhos queimando em fúria, mas não de Hermione e sim da vida.

-ELA SE FOI, HERMIONE! SE FOI! –Os dois respiravam profundamente, encarando-se nos olhos, ainda chorando.

-Isso é mentira! –Falou baixinho. Rony negou com a cabeça. –ISSO É MENTIRA, SIM! PARE DE FICAR FALANDO ESSAS COISAS! A ROSE DEVE ESTAR NA INCUBADORA. E VOCÊ INVENTANDO ESSA MENTIRA! COMO PODE FAZER ISSO? –Hermione falava gritando, as palavras eram cuspidas de sua boca, e a raiva crescia cada vez mais.

-Mione... Por favor... –Pediu com dificuldade.

-PARE COM ISSO, RONY! –Hermione começou a socá-lo, onde seus braços alcançavam. –FALA QUE É MENTIRA, FALA LOGO! –Hermione se debatia na cama, já dera vários tapas no rosto de Rony, e o arranhado com sua unha. Rony tentava segura-la a todo custo, enquanto ela ainda gritava.

Logo a porta foi aberta, duas enfermeiras mais o Doutor Aristides entraram. Enquanto o doutor e mais uma enfermeira tentava segurar Hermione, a outra lhe aplicava um calmante.

Hermione sentia-se fraca, sabia que aquilo tudo era inútil. Logo se deixo cair nos braços de Rony o abraçando fortemente, e chorou tudo que precisava botar pra fora. Um choro sofrido e doido. Sentia que uma parte de sua vida fora levada. Que todo o sentido de existir se fora. Rony alisava seus cabelos, enquanto escutava seu choro, doendo-lhe o peito, pelo sofrimento.

-Doutor... é... é verdade? É verdade... O que Rony me disse? –Perguntou ainda não acreditando. Precisava de uma confirmação, da verdade.

-Eu sinto muito, Hermione... Mas é verdade...

Hermione deixou-se cair sobre os travesseiros. Sua dor era reprimida, seu choro antes sofrido, agora era silencioso, com seus olhos focando apenas um ponto.

Rony sentou-se ao seu lado. Estava com unhadas pelo braço, rosto, e alguns rasgos na camisa. Seu rosto estava vermelho pelos tapas, um pequeno filete de sangue nos lábios, e os cabelos desgrenhados.

-Vá com uma enfermeira, Rony. Ela cuidara desses ferimentos. –Falou Aristides.

-Não precisa, Doutor. Depois eu cuido disso num minuto. –Falou ele, e Aristides entendeu.

-Eu posso vê-la? –Hermione perguntou de repente. Todos a olharam. –Posso ver... Minha... minha filha? –Perguntou com um nó na garganta.

-Vamos trazê-la. –Falou Aristides.

Uma das enfermeiras saiu do quarto para buscar o pequeno bebê, a pedido de Aristides. Minutos depois ela retornou, com um pequeno embrulho nos braços. Ela entregou a pequena garotinha, a Rony, que se arrepiou. E logo os três saíram, deixando Rony, Hermione e Rose a sós.

Rony, com a filha novamente nos braços, sentiu uma emoção inexplicável. Era como se ela estivesse dormindo, e que daqui a alguns minutos iria acordar.

Caminhou até a cama de Hermione, que seguiu seus passos com o olhar. Rony parou ao seu lado, e sentou-se na beirada da cama. Com muito cuidado, passou a filha de seus braços, para o de sua mãe. Hermione a recebeu com um sorriso triste nos lábios. Ela o olhou, e Rony a abraçou pelos ombros. Ali realmente pareciam uma família feliz, e completa, com a recém-nascida nos braços.

Hermione chorava aos soluços com a filha nos braços. Sentiu que por um segundo foi mãe. Que por um segundo pode ter a sensação de cuidado, de proteção para com a filha. Seu coração batia forte, suas mãos tremiam, ao passear pelo pequeno corpo pálido da filha. Viu os cabelos ruivos, que tanto sonhara, as pequenas mãos que nunca poderia sentir apertando seus dedos.

-Eu te amo... Nunca vou deixa de te amar. –Hermione falava, com as lágrimas tocando o pequeno corpo em seu colo. –Você estará sempre comigo, você está no meu coração.

Rony, vendo toda aquela cena, pôde imaginar por um segundo, sua filha abrindo os olhos e se movimentando. Hermione chorando não de tristeza e sim de felicidade, e ele ali ao seu lado vendo a pequena filha se mover.

Depois de alguns minutos, Rose foi levada novamente por uma enfermeira, sobre os olhares de Rony e Hermione.

Enquanto isso, Harry e os outros esperavam ansiosos na sala.

-Harry, eu queria tanto ver a Mione. –Falou Gina.

-Eu também Gina, mas acho que essa não é uma boa hora.

-Eu sei... Mas preciso vê-la nem que seja da porta.

-Ok. –Falou Harry, que também queria saber notícias da amiga.

Enquanto Harry e Gina caminhavam até o quarto de Hermione, Arthur, Molly, Maree e Paul, resolveriam todo o processo do enterro da neta.

Assim que chegaram à porta do quarto, Harry e Gina viram a enfermeira sair com Rose nos braços, seguiram-na com o olhar e seguraram a porta. Hermione que ainda olhava para aquela direção os viu.

-Harry... Gina... –Falou baixinho, esticando o braço. Os dois entenderam que podiam entrar e a abraçaram.

Rony que percebera a movimentação se afastou ficando num canto mais escuro, apenas observando.

-Eu sinto muito, Mione. –Declarou Harry, sem saber o que dizer exatamente. Hermione sorriu fraco, sem dizer nada.

Após a breve visita de Harry e Gina, Molly, Arthur, Maree e Paul, entraram no quarto.

Hermione sentiu-se reconfortada por todos estarem ali. Suas duas famílias. Mas, por mais que estivesse acompanhada das pessoas que ama, Hermione queria ficar sozinha, descansar e refletir.

-Acho que não tive a mesma sorte que a senhora! –Falou Hermione para a mãe. Maree a olhou com pesar, sem saber o que dizer para a filha, apenas a abraçou.

Depois de alguns minutos, Molly alegou que deveriam sair, e deixar Hermione descansar. Coisa que Hermione agradeceu-a mentalmente.

-Filha... -Começou Maree com receio. –Amanhã será o enterro...

-Mamãe... Eu não vou, e mesmo assim estou presa nessa cama por três dias.

-Tem certeza minha filha? Poderíamos dar um jeito...

-Mamãe... Por favor... –Pediu com lágrimas nos olhos.

-Vamos deixá-la descansar. Você quer que a gente venha amanhã? –Perguntou Paul.

-Eu prefiro que venham no dia que eu sair do hospital, se não se importarem.

-Sem problemas, minha filha. Deixaremos você refletir, e viremos te buscar. –Respondeu Paul. - Fique bem. –Paul, beijou-lhe a testa e se abraçou a esposa.

Hermione se despediu de todos, restando agora, apenas ela e Rony, que permanecia em silêncio.

Assim que todos saíram, Rony se aproximou de Hermione, que o olhou.

-Rony... Eu gostaria de ficar sozinha. –Falou de cabeça baixa.

-Mas já estamos sozinhos. Vou ficar aqui com você, para o que precisar. Quero ficar do seu lado.

-Você não está entendendo, Rony... –Respirou fundo e continuou. –Eu quero que vá embora.

Rony a olhou firme e ficou atordoado com aquelas palavras.

-Como assim? Por quê? –Perguntou confuso.

-Eu só quero que vá embora, Rony. Quero ficar sozinha. –Falou de olhos fechados, tentando se segurar.

-Mione, eu sei que você não está bem... Eu só quero...

-VOCE NÃO SABE DE NADA! –Gritou ela. Rony se assustou.

-Você...

-CHEGA, RONY! Será que é tão difícil de você entender? –Falou com os olhos faiscando de raiva.

-Porque você está falando assim? –Perguntou Rony com os olhos ardendo, tentando segurar as lágrimas.

-Você não entende, não é mesmo? –Exclamou com lágrimas descendo-lhe pelo rosto. –Bom, se você não sabe, eu acabei de perder minha filha! –Falou mais alto.

Rony riu debochado, enxugando as lágrimas, com raiva.

-E o que você acha que eu perdi? A Copa Mundial de Quadribol? –Debochou.

-Você não sabe como eu me sinto! –Falou entre soluços.

-Sei, sei sim! Exatamente como eu me sinto! –Rony queria dividir sua dor com Hermione, queria que ela soubesse que ele sofria tanto quanto ela, e que eles podiam superar isso juntos.

-NÃO. NÃO É! –Gritou em resposta.

-E porque não? –Perguntou nervoso. Hermione não respondeu. –Me diga, Hermione! Porque não? –Insistiu, precisava saber a resposta.

-PORQUE VOCÊ NÃO QUERIA ESSE FILHO! –Gritou ela sem perceber, para logo respirar pesadamente.

Rony parou abismado. Não poderia ter escutado aquilo. Não era possível. Sentiu como se um buraco abrisse sob seus pés, e se afundava cada vez mais.

-Como... Como você pode dizer algo assim? –Perguntou entristecido.

-Você não a queria. Você só concordou em ter filhos, porque eu insistir com isso! Assuma, Rony! Agora você não terá mais a responsabilidade com um filho. Ela está morta, não é mesmo!? –Falou mais calma, porém ainda chorando, e com um sorriso debochado nos lábios.

-Você está sendo egoísta, Hermione. Não sabe o quanto me machuca falando isso. Isso não tem nada a ver. Você está vendo as coisas por um lado totalmente errado!

-Errado? Errado? –Riu. –Estou vendo tudo claramente, Ronald! Isso foi um alivio pra você.

Ouvir Hermione dizer aquilo tudo, de maneira fria, fez Rony sentir que sua vida acabava pouco a pouco.

-Você está nervosa, e não tiro sua razão. Por isso não vou dar ouvidos ao que diz. –Rony custou a pronunciar aquelas palavras, queria acreditar nelas, mas era difícil.

-Sei exatamente o que digo. Acho que tudo acaba hoje. –Falou com a voz transbordando frieza e decisão.

-O que você quer dizer com isso?

-Tudo, Rony. Tudo acabou... Rose... Eu e você...

-Eu e você?

-Sim. Acabou. –Falou calma. –A partir de agora não existe mais nós dois. Acho que o nosso amor não seja forte o bastante para passar por isso... Talvez eu não possa... Te amar como antes...Talvez eu não seja a mulher que te faça realmente feliz.

Rony caminhou até ela, ficando com as faces frente a frente, bem perto.

-Pare de dizer essas coisas! –Falou exasperado. –Eu te amo e você me ama. Eu sei disso! Nos gostamos desde jovens... E eu não preciso de outra mulher. Você é minha mulher, você me faz feliz, é única. Só você!

Rony terminou de falar, e Hermione não demonstrou nenhuma emoção. Isso o desesperou. No ímpeto, pegou-a pelo rosto e beijou-lhe os lábios. Lágrimas se misturaram em meio ao beijo, que envolvia a saudade, a dor, e o sofrimento... E o gosto da despedida... esse era inevitável não sentir.

Rony queria que ela sentisse toda sua paixão por ela, e que o amor ainda estava vivo em ambos. Mas Hermione não queria saber, não queria mais sofrer por nada, e achava que o melhor, agora, era se separar de Rony. Ela o empurrou, parando assim o beijo.

-Não, Rony, não... –Falou passando a mão pelos lábios,como se quisesse tirar aquela sensação, tirar aquele gosto de sua boca, e chorava cada vez mais forte.

-Eu vou deixar você descansar... Vou embora... E amanhã tudo não vai passar de um sonho ruim... –Falou esperançoso.

-Não se dê ao trabalho, Rony...

Rony a olhou confuso.

–Não se dê o trabalho de voltar amanhã. Eu não quero mais vê-lo.

-HERMIONE, PARA COM ISSO! –Gritou, e se levantou de um salto ficando de costas.

-E eu acho que isso não seja mais necessário. –Falou ela.

Rony pode escutar um barulho de metal bater no chão. Virou-se e viu a aliança de Hermione, que ela mesma pegara ao lado na mesinha, e jogara ao chão. Rony agachou-se e pegou a aliança na mão.

-Agora saia, por favor!

Pediu ela. Rony continuou parado, ali de pé, olhando-a com lágrimas grossas rolando pelo seu rosto.

-SAI! –Gritou seca.

Rony caminhou até a porta e lançou um último olhar a Hermione e saiu deixando-a só.

Hermione caiu no choro. Não aguentava mais segurar toda aquela raiva, tristeza e decepção de si mesma, precisava extravasar. Agora todo o seu sonho de uma família feliz, de uma vida perfeita acabou. Sentiu-se só, vazia. A briga com Rony fora o fim do túnel, sem luz alguma para que pudesse se reerguer e seguir em frente. Afastara a única pessoa que poderia lhe ajudar a superar tudo, mas sua mente lhe dizia que era melhor assim, ele longe, para que pudesse achar uma mulher que o fizesse feliz, que não o decepcionaria. Hermione não queria pensar se o que disse a ele era mentira ou verdade... Não queria pensar nos anos que fora feliz ao lado do único homem que amara na vida. Seu sentimento de perda era grande... Precisava de um abraço, mas a única pessoa que poderia lhe dar, fora embora...Em meio a seus pensamentos, adormeceu, dando assim, um tempo para si mesma.

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Rony recostou-se na porta, não suportava mais sentir tudo aquilo. Queria pensar que tudo não passou de um sonho ruim, que acordaria a qualquer momento e veria tudo diferente.

-Rony? –Ele ouviu a voz de Gina. –O que aconteceu?

Rony virou-se e viu Harry e Gina a sua frente.

-Por Merlin! Por que você esta todo machucado? –Perguntou assustada por ver o irmão naquele estado.

Rony não deu ouvidos, e estendeu a mão em que estava a aliança.

-O que é isso? –Perguntou Harry.

-Hermione terminou tudo comigo. –Exclamou de forma fria e sofrida.

-O que? –Perguntou Gina baixinho, enquanto Harry tinha os olhos arregalados.

Rony caminhou até o sofá, e contou tudo aos dois, sem esconder sequer uma palavra. No final, tanto Harry quanto Gina estavam espantados de como a coisa evoluíra daquela maneira, e no final resultara em consequências graves.

-Rony, ela está nervosa. Muito abalada e com razão. Espere até amanhã, que tudo irá se resolver.

-Eu também achei isso, Gina. Mas me enganei. Ela não quer me ver... Não quer me tocar, parece ter nojo de mim. Tinha que ver como ela limpou a boca depois que a beijei.

Harry e Gina se olharam.

-É como se eu não a conhece mais, como se todos esses anos fossem vividos em vão.

-Não pense assim! Amanhã voltaremos, e tudo vai se resolver. –Insistiu a ruiva. –Agora vamos para a Toca, vou cuidar desses cortes. –Falou triste. –Mas o que aconteceu para você ficar assim?

Enquanto caminhavam para fora do hospital, Rony contava-lhes qual fora a reação de Hermione quando soubera do ocorrido.

Agora, Rony não chorava mais. Sua dor era reprimida. Sentia que tudo se fora, e que não tinha mais motivos algum para ser forte. Hermione o deixara, sua filha se fora. E a frase ecoou em sua mente: "Você nunca quis esse filho". Um filho... Era tudo para completar sua vida, um filho com Hermione.

Agora Rony podia sentir, esse era o começo do fim.

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FlashButterfly, obrigada por estar sempre aqui comentando.

Fico feliz que esteja gostando!

Um grande beijo! =]