DESABAFO

Rony dormira muito mal naquela noite. Sua mente fervia em pensamentos, e o sono fora ausente a noite inteira.

Quando o sol raiava lá fora, resolveu se levantar, não conseguia mais ficar na cama se revirando de um lado para o outro. Fez sua higiene pessoal, e desceu as escadas indo em direção a cozinha.

-Bom dia, mamãe! –Falou desanimado.

-Bom dia, meu filho. Tão cedo de pé, ainda são sete da manhã. –Falou a mãe, analisando bem a fundo o filho.

-Eu sei. Não consegui pregar o olho a noite inteira. –Falou se jogando numa cadeira.

-Eu imagino. –Falou triste por já saber do ocorrido com Hermione.

Molly sentou-se ao lado do filho e pegou em sua mão.

-Hermione vai perceber mais cedo ou mais tarde de que o que você mais desejava era esse filho e de que seria um ótimo pai. Ela sabe disso, mas a dor não a deixa pensar. –Molly terminou sorrindo, e Rony a abraçou.

-Obrigada, mamãe.

Molly se afastou do filho e olhou com carinho, vendo os olhos brilharem pelas lágrimas.

-Então... –Mudou de assunto. –O que quer para o café?

-Não estou com fome.

-Nada disso, mocinho! –Falou com seu tom autoritário tão famoso. –Filho meu tem que estar bem alimentado!

Disposta a animar o filho, Molly começou a mexer em suas panelas, e preparar um café completo, para o seu caçula dos homens. Rony sorriu com o jeito da mãe, e agradeceu a Deus por tê-la ao seu lado.

Às dezesseis horas, Harry e Gina apareceram na Toca para acompanhar Rony até o hospital, e logo depois ao enterro de Rose. Mas Rony estava irredutível, não queria ir ao hospital.

-Eu não quero escutar outra vez tudo o que ela me disse ontem. –Respondeu mais uma vez a insistência de Gina.

-Talvez hoje possa ser diferente! –Afirmou Gina.

Rony olhou para Harry procurando apoio, mas viu que ali não ia dar em nada. Então, vencido pela insistência, concordou em ir. Arrumou-se e logo seguiram até o hospital.

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Hermione acordara muito pensativa naquela manhã. Agora sua mente fervilhava em contradições. Não sabia o que era certo ou o que era errado. Não via a hora de sair daquele lugar, daquela cama, que passara tantos dias. Queria voltar ao trabalho, e esquecer essa fase ruim, e ter uma nova vida, sozinha. Isso era o que passava em sua mente.

Mas, uma coisa a incomodava, para onde ir? Não queria retornar ao antigo apartamento, ali havia muitas lembranças, e no momento não queria relembrá-las tão presentes a seu ver. Com certeza, também não iria para a casa nova... Aquela casa representa um futuro que não existe mais. Então um único lugar possível lhe veio à mente, ficaria na casa dos pais, lá poderia descansar e viver em paz por um tempo.

Mais a tardizinha, bateram na porta. Hermione não se importou, porque com certeza deveria ser uma enfermeira, já que não receberia visitas hoje.

-Posso entrar? –Perguntou uma voz muito conhecida.

-Gina, o que faz aqui? –Perguntou Hermione surpresa.

-Sei que não gostaria de receber visitas, mas não pude deixar de vir vê-la. –Falou fechando a porta. –Como você está?

-Bem. –Mentiu.

Gina a analisou.

-Veio sozinha? –A curiosidade falou mais alto.

-Não. Harry e Rony estão lá fora.

Hermione gelou e arregalou os olhos. A tensão não passou despercebida por Gina, que a olhava atenta.

-Ele não queria vir. –Informou Gina.

-Não me importa. –Tentou se fazer de indiferente, mas no fundo, doeu saber que ele não queria mais vê-la.

Mas depois de tudo o que você falou o que mais você queria? –Pensou consigo mesma.

Nem sei por que estou pensando nisso. –Concluiu mentalmente.

Gina não aguentou, precisava falar algo, precisava fazer Hermione abrir os olhos.

-Hermione, você não pode terminar as cosias assim! Ainda mais dizendo aquelas coisas horríveis. –Falou com pesar. Hermione não falou nada, apenas escutava com lágrimas rolando pelo rosto.

-Foi melhor assim. Ele merece uma pessoa que o faça feliz, e eu não sou essa mulher. –Hermione soltou as palavras sem que percebesse. Gina sacudiu a cabeça.

-Eu não vou insistir nisso. –Falou não querendo pressionar Hermione naquele momento difícil. –Você deve saber o que faz, coisa que eu não acho no momento. Mas, só espero que não seja tarde demais para perceber a burrada que está fazendo. Sou sua amiga quero o seu bem. –Gina sorriu e Hermione retribuiu. –Pode contar comigo.

-Obrigada, Gina. –Hermione sorriu e a abraçou.

-Não vai querer falar com ele? –Perguntou Gina, se referindo a Rony.

-Não. Prefiro deixar como está. –Falou triste. Tinha medo de falar com ele. Medo de olhar em seus olhos, medo de senti-lo perto.

-Ok. Bem... –Começou a falar sem jeito. –Estamos indo para o enterro.

Hermione sentiu seu corpo tremer e todo o dia anterior passar pela sua cabeça. E mais uma vez deixou toda aquela tristeza tomar conta de seu ser. Sem conseguir segurar, chorou dolorosamente, soluçando, e sentindo os ombros sacudirem, pela intensidade do choro. Gina abraçou a amiga.

-Eu... Eu não conseguiria... Não conseguira vê-la dessa maneira. Por favor, me entenda... –Falava com a voz meio enrolada pelo choro. Precisava que alguém a entendesse, que alguém compreendesse seu desespero se visse sua filha num caixão.

-Não se preocupe, Mione. Eu entendo.

Hermione se separou da amiga, e pegou uma rosa branca que estava em cima da mesinha. Beijou a rosa branca com carinho e a entregou a Gina.

-Coloque essa rosa por mim. –Pediu, e Gina confirmou.

Gina esperou que Hermione se acalmasse um pouco, e se despediu da amiga. Saiu do quarto e deu de cara com Rony. Olhou-o sem saber o que dizer.

-Não precisa dizer nada, Gina. Ela não quer me ver, não é mesmo?

Gina confirmou triste.

-Ela me deu isso, para que colocasse no túmulo. Acho melhor você o fazê-lo. –Falou lhe entregando a rosa. Gina se abraçou ao irmão, que acariciava de leve seus cabelos longos, observando a rosa nas mãos.

-Vamos indo, não quero me atrasar. –Falou com a voz decidida. Não queria que as coisas acabassem assim, sem pelo menos conversarem direito. Mas agora, tudo estava decidido, se ela não quer, ele, Rony, não iria insistir.

O enterro seria feito num cemitério perto da Toca, no alto das montanhas, onde a maioria dos túmulos é de bruxos. O lugar tinha uma áurea muito tranqüila, de paz. Um lugar onde a morte não era demonstrada com cores escuras e sombrias e sim com cores vivas, flores, pássaros. Rony pensou que não poderia imaginar lugar mais bonito para que sua filha descansasse em paz. E sempre quando olhasse pela janela do quarto, poderia sentir Rose mais perto de si.

Todos acompanhavam Rony e Harry que carregavam o pequeno caixão, com detalhes em dourado, à frente. Além dos dois, várias pessoas estavam presentes, como: Todos os Weasleys, sem exceções, os Grangers, e alguns dos amigos, tanto de trabalho como de Hogwarts.

Rony caminhava silenciosamente. Uma mão segurando a alça do caixão, e a outra a rosa de Hermione, que não a largara por um só momento, desde que a recebera.

Quando chegaram ao local onde Rose seria enterrada, Rony e Harry pararam, colocando o pequeno caixão sobre um pedestal. Rony sentia que precisava dizer algo, mas não sabia o que exatamente.

-Senão quiser, não precisa dizer nada, Rony. –Falou Carlinhos apertando seu ombro.

-Não... Ela merece que eu diga algo. –Falou sem tirar os olhos do caixão. –Você era o que eu mais queria. –Começou. – Eu contava os dias, as horas, os minutos para ver seu rosto. Te pegar nos braços e vê-la sorrir. –Algumas lágrimas já rolavam por sua face. – Queria ter passado pelas noites sem dormir, pela preocupação de vê-la chorar, porque assim eu teria certeza de que estava comigo, e de alguma maneira eu poderia ajudá-la.

As pessoas se emocionavam com os dizeres de Rony.

–Não via a hora de te ensinar a subir numa vassoura, e jogar quadribol. –Riu com o que disse. –Já até imaginava Hermione gritando pela casa de preocupação. –Parou por um momento e respirou fundo. - Mas nada disso foi possível, tudo foi um sonho. Agora você está longe daqui, e descansando para sempre. Sempre te amarei, sempre estarei contigo. Eu te amo, minha pequena! –Terminou com um nó na garganta, e as lágrimas insistindo em cair. Agora entendera perfeitamente a opção de Hermione de não estar ali.

Arthur chegou perto do filho e o puxou pelo ombro.

Depois da lápide pronta, Rony se aproximou e gravou magicamente a frase: "Pequena Rose, presente de Deus, nos disse um olá e logo um adeus."

Logo depois, Rony depositou a rosa cuidadosamente sobre a lápide, ficando ali a mirar.

-Rony, nós já vamos indo. –Falou seu pai, depois de um tempo. –Você vem conosco?

-Não papai, vou ficar aqui por um tempo.

Arthur apenas confirmou com a cabeça.

Rony deixou-se ficar ali, queria refletir. Logo mais a noite, se despediu da filha e seguiu para a Toca, pensando que agora teria uma nova vida.

O dia de Hermione sair do hospital chegara e seus pais, Harry e Gina já a esperavam.

No fundo, Hermione esperava que Rony viesse, e se repreendeu por pensar nisso.

Tudo estava pronto para ir. Seus pais já haviam sido avisados da pequena estadia de Hermione em sua casa. Maree e Paul ficaram muito felizes em tê-la, nem que seja apenas por um tempo, em casa.

Hermione agradeceu a Aristides pessoalmente, por tudo o que ele fez por ela e por sua filha. Ele ficara muito comovido com o carinho, e a única maneira de demonstrar solidariedade, foi dizer:

-Sinto muito por sua perda.

Maree e Paul ficaram sabendo do ocorrido entre Rony e Hermione, optando assim, a não comentar nada sobre o assunto e não questionar sua atitude.

-Ela irá perceber que, o que fez, não foi certo. Acredite Gina, o amor fala mais alto. E conhecendo Hermione como conheço, ela não vai deixar esse amor ser jogado fora assim, dessa maneira. –Foi o que Maree disse, após a notícia através de Gina.

Harry e Gina, a felicitaram por estar novamente respirando ar puro, e Hermione sentiu-se bem melhor em se ver livre daquele lugar cheio de lembranças tristes. Despediu-se do casal, no estacionamento, e assim seguiu com os pais para uma vida totalmente diferente.

Depois de todos os acontecimentos, Rony, resolvera ficar na Toca, juntamente com Tayla. Não queria retornar ao apartamento e muito mesmo ir para a casa nova.

Quarenta dias se passaram. Rony se dedicava inteiramente ao trabalho. Todas as ações que eram feitas além do Ministério, como buscas, Rony estava a dispor, e não perdia uma.

Rony mudara muito desde os últimos acontecimentos. Era uma pessoa mais seria quase não sorria, só conversava o essencial, e a noite, fazia sua misteriosa saída, sem ninguém saber aonde ia. Harry e Gina estavam presentes todos os dias, e eram os únicos que às vezes conseguiam arrancar um sorriso, e fazer com que Rony desabafasse.

Hermione durante esse tempo passara se recuperando da cesárea complicada, e esperava ansiosa para retornar ao trabalho, que ficara longe tanto tempo.

Após se recuperar, voltara a ser o que era fisicamente, e até criara mais curvas, estava mais linda que nunca. E para sua felicidade voltara ao trabalho, se dedicando inteiramente. Focava no trabalho para não relembrar os momentos ruins que passara, mas às vezes, era inevitável. Sem que percebesse, se pegava sozinha em seu quarto, e sua mente viajava para dias atrás, e as lágrimas vinham instantaneamente. Por fora ela parecia ótima, e era exatamente o que ela queria passar a todos. Mas por dentro sue coração estava despedaçado.

Já havia se passado mais de um mês, sem que nenhum dos dois se visse, se comunicassem.

Harry e Gina ouviam ambos os lados, e não sabiam mais o que fazer, para que tudo voltasse ao normal.

Era uma terça-feira à tardinha, Harry e Rony trabalhavam absortos, quando alguém bateu a porta.

-Entra. –Falou Rony concentrado nos papéis.

-Atrapalho? –Perguntou uma voz doce.

-Gina, que surpresa! –Exclamou Harry se levantando, e beijando a esposa nos lábios.

Rony olhou a cena e sorriu. Sua mente viajou, e falou:

-Sabe... É legal ver vocês assim.

Harry e Gina ficaram sem graça e se olharam.

-Não precisa ficar sem graça! –Falou sorrindo. Gina sorriu.

-E ai como você está? –Perguntou ela.

-Ótimo. Perfeitamente bem! –Falou com um sorriso falso nos lábios.

-Ok. Faz de conta que eu acredito. –E antes que Rony falasse algo, Gina o chamou cautelosamente. -Hum... Rony?

-Sim Gina, já sei. Hoje faz exatamente quarenta e nove dias que não vejo Hermione, e nem ao menos nos falamos. –Falou inconscientemente, arrumando os papéis.

Gina arregalou os olhos e Harry riu.

-Eu não ia dizer isso!

Rony a olhou.

-O que eu disse? –Perguntou confuso.

-Você acabou de dizer que faz exatamente quarenta e nove dias que não vê Hermione! –Exclamou Harry exatamente como Rony dissera.

Rony na mesma hora corou.

–Nossa, quarenta e nove dias! –Exclamou Harry aprofundando o assunto.

-Bom... Não que eu ande contando sabe... –Falou muito sem graça.

-Claro que não! Longe de a gente pensar isso! –Debochou Harry. –Nós a vemos praticamente todos os dias, não é Gina?

-Sim, sim. E posso dizer, ela está mais linda que nunca. –Provocou a ruiva.

Rony abriu e fechou a boca varias vezes, sem saber o que dizer.

-Não interessa. –Falou derrotado, se jogando em uma cadeira. –O que você ia dizer, Gina? –Perguntou mudando de assunto de vez.

-Queria saber, se os dois rapazes, não gostariam de acompanhar uma dama numa saída, nessa noite tão linda. –Falou sorrindo.

-E onde está o James? –Perguntou Harry.

-Nem me fale, mamãe parece querer roubá-lo de mim, Harry! –Falou choramingando enciumada.

Harry riu.

-Bom... –Rony começou a falar arrumando suas coisas. –Eu prefiro sair sozinho.

-Rony, aonde você vai todas as noites? –Perguntou Gina, com um que de preocupação na voz.

-Apenas andar por ai.

-Então hoje você poderia ir com a gente!

-Não quero incomodar o casal. Boa noite.

-Mas... –Gina não teve tempo de argumentar, Rony já fechara a porta. Gina olhou para Harry indignada.

-Temos que da um tempo pra ele. É muita coisa ao mesmo tempo. –Falou Harry.

-É eu sei. –Falou triste. –Vem, vamos ver Hermione.

Assim que chegaram à sala da morena, o casal a viu absorta em uma leitura.

-Será que a senhorita Granger teria um tempinho para os amigos? –Falou Gina.

-Harry, Gina! –Exclamou Hermione.

-Viemos fazer uma visitinha, muito ocupada? – Perguntou Harry.

-Para os meus amigos, nunca! –Sorriu.

Hermione se sentia bem em ver o casal. Eles lhe apoiaram muito, e estavam sempre por perto, fazendo-a feliz. Eram as únicas pessoas, além de seus pais, que não conseguia mentir quanto aos seus sentimentos, e seu bem-estar.

-Como você está? –Perguntou Gina a analisando.

-Estou bem, não se preocupe. –Falou tentando parecer convincente.

-Sei... –Falou Gina duvidosa.

-Não se preocupem comigo, com o tempo tudo vai se ajeitando.

-Você e Rony também? – Perguntou Harry.

A feição de Hermione mudou instantaneamente, ficando seria com um misto de tristeza.

-Eu... Prefiro não falar sobre isso. –Falou desconcertada, sentindo suas mãos começarem a tremer e derrubar uma pilha de pastas sobre a mesa.

Harry ajudou-a a apanhá-las, e olhou nos olhos de Hermione, e ali pode ver lágrimas se formando. Hermione tentou despistar e se levantou.

-Obrigada, Harry.

-Sabia que... –Começou Gina, mas foi cortada por Hermione.

-Que eu e Rony não nos vemos a quarenta e nove dias? Sim, já sei. –Hermione tinha aquilo apenas em sua mente, mas sua boca foi mais rápida, e falou em alto e bom som para Harry e Gina escutarem. Ela arregalou os olhos, não acreditando que tinha dito aquilo.

-Bem... Eu não ia dizer isso. –Cochichou Gina, para Harry enquanto Hermione organizava as pastas.

-Acho que vou pra casa. –Hermione falou vermelha de vergonha.

-Tenho uma ideia melhor, vamos dar um passeio, eu, você e Harry. –Falou Gina.

-Ahhh... Não Gina! Prefiro ir pra casa, não quero atrapalhar o casal.

-AFF, porque todo mundo tem que falar isso? –Perguntou Gina irritada. Harry deu de ombros. –Somos algum tipo de pervertidos ou monstros? –Perguntou indignada.

-Eu sou mais a primeira opção. –Falou Harry baixo para que ninguém ouvisse, mexendo em seus cabelos, arrepiando-os mais ainda.

-Harry! –Repreendeu Gina rindo. Harry arregalou os olhos. Hermione ria dos dois a sua frente. Era rara as vezes que sorria, e só Harry e Gina conseguiam isso. Sua mente foi até outra pessoa que lhe fazia sorrir todos os dias, ficando alheia aos chamados de Gina.

-HERMIONE! –Gina falou quase gritando.

-Sim, o que?

-Estou te chamando há tempos.

-Sim, sim. –Falou atordoada. –Eu... Vou indo. Nos vemos depois. –Falou pegando sua capa, a bolsa e saiu pela porta.

-Mas... –Gina foi cortada novamente. –Isso já me irritou, é a segunda vez que me deixam falando sozinha, em apenas um dia. –Falou olhando por onde Hermione saiu. –Sabe Harry, acho que a separação afetou o cérebro de ambos. –Falou como se explicasse algo muito serio. Harry apenas a escutava.

E quer saber de uma coisa? –Perguntou se virando para Harry e jogando seus cabelos longos. –Perdi a vontade de sair. –Foi se aproximando, lentamente de Harry. –Quero ir pra casa e fazer amor com você até o dia amanhecer! E ai de alguém atrapalhar! –Gina terminou de falar e se jogou nos braços de Harry, que a pegou com força. Gina o beijou nos lábios provocativamente, sendo correspondida a altura.

-Pervertidos? –Perguntou Harry brincando. Gina riu.

-Com muito amor... –Falou romântica, e os dois seguiram para casa, numa noite longa de puro prazer e amor.

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Rony saiu do Ministério e foi direto para o primeiro lugar que lhe veio à mente: Caldeirão Furado. Queria beber algo forte, e aliviar a tensão. Era isso que ele fazia praticamente todos os dias. Sentava em uma mesa, pedia uma bebida, e ficava viajando em pensamentos.

Rony chegou ao estabelecimento, e procurou a mesa mais afastada do local, sentando-se. Pediu uma bebida forte, e a primeira foi de um gole só.

Ele sabia que não era certo afogar suas magoas na bebida. Imaginava Hermione ralhando com ele, se soubesse. Mas não queria se embebedar queria apenas sentir seus verdadeiros sentimentos por Hermione, que eram retraídos, pelas palavras da mulher amada, que lhe doíam.

Rony levou a mão ao bolso, sentindo o frio do pequeno metal entre os dedos. Ali estava a aliança de Hermione, que ela descartara. Rony ficou a mirá-la e rodá-la entre os dedos, deixando os momentos bons virem à tona, e com isso mais bebida, e lágrimas solitárias.

Resolveu ir embora, quando começou a ver estrelinhas pairando sobre seus olhos. Perdera a noção de quanto havia bebido, e se a Dona Molly, o visse assim o bicho ia pegar. Rony riu consigo mesmo, pagou a conta e foi embora, com um único pensamento: A saudade de Hermione era demais.

Rony chegou à Toca, o mais silenciosamente possível. Aparatou diretamente em seu quarto, para não acordar seus pais. Quando se virou levou um susto.

-Tayla...Porrrr...Merlin! –Exclamou com a voz meio enrolada.

-Senhor da Tayla bebeu de novo. Rony não tem que fazer isso. É ruim, faz mal.

-Eu sei Tayla, eu sei. Mas não consigo. –Falou se jogando na cama.

-Tayla vai cuidar de Rony, vai sim, senhor de Tayla vai ficar ótimo amanhã.

-O que seria de mim sem você, Tayla? Você é um anjo.

Tayla se emocionou e derramou algumas lágrimas.

Enquanto Rony tomava uma ducha rápida, Tayla buscou uma poção para que no dia seguinte a ressaca não viesse. Rony trocou de roupa e caiu na cama, num sono pesado.

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Hermione saiu apressada do Ministério. Sempre que se pegava falando em Rony ficava assim, atordoada, confusa, atrapalhada. Caminhava apressada pelas ruas de Londres, alheia ao que se passava ao seu redor. Mas um grito a despertou:

-OOOO GATINHAA... VAMOS ESTICAR A NOITEE HEINN? O QUE ACHAAA? –Gritou um homem do outro lado da rua. Hermione se assustou, e fechou a cara, caminhando mais rapidamente.

Se Rony estivesse aqui ele ia te mostrar o que é esticar a noite com o olho roxo. –Pensou raivosa.

-Mas o que eu estou pensando meu Deus! –Falou baixo para si mesma, assustada com os próprios pensamentos.

Hermione caminhou até uma rua escura, e aparatou perto da casa dos pais. Entrou em casa apressada, nem se preocupando se os pais estavam ou não em casa, subiu para seu quarto, e se jogou na cama.

Hermione não podia negar mais para si mesma, sentia falta de Rony, de sua companhia, de sua alegria, de tudo o que se referia a Ronald Weasley.

Fechou os olhos com força, e apertou a colcha da cama. Lágrimas começaram a descer. Ela se repreendia por ainda sentir aquele turbilhão de emoções por Rony. Ela não podia se permitir aquilo, não mais.

-Você vai esquecê-lo, você vai... Você tem que esquecê-lo. –Repetia para si mesma, numa tentativa de fazer sua mente gravar aquilo. Levantou-se de um salto, e enxugou as lágrimas. Respirou fundo e foi tomar um banho. A noite não foi muito tranquila para ela. Seus sonhos eram conturbados, ora Rose, ora Rony que a deixavam para sempre, e dizia adeus.

Rony dormira mais que a cama naquele dia. Acordou atrasado e se arrumava apressado.

-Tenho que parar com isso. –Falava para si mesmo referente às saídas a noite.

Quando pronto, parou em pé olhando em direção as montanhas, pela janela. Era ali onde Rose estava, era ali onde ela descansava. Ficar olhando naquela direção virara uma espécie de costume, e ele adorava.

Rony nunca mais botara os pés no cemitério, onde sua filha fora enterrada, pois jurara para si mesmo que só iria fazê-lo quando Hermione estivesse ao seu lado. Mesmo que não fosse mais como homem e mulher, mas talvez como amigos que um dia foram.

-Tayla! –Chamou despertando de seus pensamentos, e a elfa apareceu em um estalo.

-Senhor Rony chamou!

-Sim... Sim... Você já sabe o que fazer não é? –Perguntou carinhoso.

-Tayla sabe sim! –Falou orgulhosa.

-Ok. Pode ficar até mais tarde, vou chegar mais a noite hoje.

Tayla fez cara de brava.

-Não se preocupe, eu não vou beber, ok?

Tayla sorriu.

-Preciso coordenar uma busca hoje.

-Tayla fica muito feliz em saber que senhor dela não vai beber, mas fica muito preocupada.

-Não precisa se preocupar comigo, Tayla. –Sorriu. – Nos vemos mais tarde.

Rony se despediu de Tayla, tomou o café da manhã com sua mãe ralhando com ele por ter chegado tarde e foi para o trabalho.

Chegou afobado no Ministério, olhou no relógio estava cinco minutos adiantado. Respirou fundo e seguiu calmamente até o elevador que não estava muito cheio. Recortou-se na parede e fechou os olhos.

Pouco a pouco a movimentação foi diminuindo. Até que uma pessoa entrou, e esbarrou de leve em Rony, o que o fez despertar. Instantaneamente Rony endureceu a face, ao ficar frente a frente com Hermione. Ela por sua vez, arregalou os olhos, ficando na mesma posição, paralisada.

Pela primeira vez depois de dias se olhavam cara a cara, sentiam a presença do outro.

Rony sentia seu coração bater forte. Tanta coisa veio à tona, que ele não sabia o que pensar, e eram muitos sentimentos envolvidos no momento. Mas a decepção era visível em seu rosto.

Já ela, sentiu todo o seu corpo tremer, ao sentir o olhar de Rony sobre ela. Não conseguia olhar diretamente em seus olhos, e era como se um peso sobre suas costas, começasse a lhe incomodar.

Só havia os dois e o operador do elevador. O silêncio era incomodo e bastante tenso.

Rony cruzou os braços na frente do corpo, adotando uma pose seria, sem transparecer quaisquer sentimentos pela feição, ato que incomodou bastante Hermione.

Ela sentia-se presa num quarto, sem porta sem janela, e não sabia o que fazer, a única coisa que queria era sair dali.

-Será que não tem como ir mais rápido? –Hermione perguntou trêmula ao operador que apenas a olhou.

-Qual a pressa, Granger? – Perguntou Rony num tom anormalmente calmo e sarcástico.

Hermione gelou quando ouviu a voz de Rony naquele tom. Continuou olhando pra frente sem encará-lo, já que ele estava atrás de si. Rony lentamente caminhou para mais perto da morena.

-Não se preocupe... –Começou a cochichar no ouvido de Hermione. –Eu não sou nenhum tipo de basilisco, que te mata com apenas um olhar. Pode olhar para mim, eu não mordo. –Terminou com uma risada curta.

Hermione sentiu todo seu corpo arrepiar com a aproximação, a voz e o hálito quente de Rony em seu ouvido.

-Agora se você me der licença já cheguei ao meu andar. –Falou passando a frente, e se virando para Hermione já do lado de fora. –Tenha um ótimo dia, Granger! –Falou sorrindo sarcástico, e saiu andando, deixando uma Hermione paralisada.

Rony chegou a sua sala que dividia com Harry, batendo a porta, ação que assustou o moreno.

-Hey! A porta fica, ok? –Falou atento a Rony.

-Ta. –Respondeu alheio a pergunta, andando de um lado para o outro.

Toda a raiva que Rony, inexplicavelmente não botou pra fora quando estava frente a frente de Hermione, aflorava no momento. Mas ao mesmo tempo em que sentiu raiva em vê-la, sentiu saudade. Quando chegou perto dela, e sentiu seu perfume penetrar suas narinas, seu coração disparou mais forte e suas mãos ansiavam por tocá-la, o que era incabível.

- O que aconteceu, Rony? –Perguntou depois de uns minutos.

-ELA! –Gritou e respirou fundo. –Encontrei com a Granger. Ela nem olhou na minha cara, Harry! Como se eu fosse infectá-la, sabe? –Falava ele indignado. –Era como se eu fosse um estranho... Sei la. –falava impaciente e frustrado.

-E você o que fez?

-Não sei como consegui me controlar. –Rony contou todo o ocorrido a Harry.

-Esse é você mesmo? –Harry perguntou surpreso pela atitude do amigo.

-Nem eu sei, Harry. Não sei mais quem sou eu. –Sentou-se na cadeira. –Sinto coisas que não é de mim, entende? Não sei como explicar. Ainda mais quando se trata da...da... Você sabe... É mais forte que eu Harry, eu sinto muita raiva... Ou talvez coisas, além disso.

-Você é uma pessoa justa Rony, por tanto não suporta injustiça. E o que Hermione falou com você foi muito injusto. E o fato de a pessoa que te machucou ser a mulher que você mais ama, essa raiva se reforça mais ainda. Isso tudo é uma crise Rony, e quando se trata de você e de Hermione, tudo se complica mais um pouco.

-Não, Harry... –Falou calmamente.

-Não o que?

-Agora eu estou vendo tudo muito claro na minha mente. Não é apenas uma crise. Agora eu vejo que Hermione estava certa em terminar... Foi melhor assim.

-Não diga bobagens, Rony! –Falou exaltado.

-Se ela quer assim Harry, não vai ser eu quem vai mudar a situação.

-Eu não acredito que estou escutando isso! –Bufou.

-Hermione Granger para mim agora... É a garota que eu conheci aos onze anos, e que é ou foi uma grande amiga. –Terminou pensativo.

-Você diz isso da boca pra fora. E eu achando que você era o único que estava com a cabeça no lugar, mas estou vendo que os dois estão muito doidos.

Rony nem deu ouvidos aos dizeres de Harry.

-Tenho outras cosias mais importantes para fazer. Trabalhar é o melhor que eu faço no momento.

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-Sarah, não estou para ninguém. –Falou Hermione passando direto pela secretária e entrando em sua sala, deixando Sarah de olhos arregalados.

Hermione colocou suas coisas em cima da mesa e se jogou na cadeira.

O jeito de Rony para com ela, seu tom de voz, deixou-a sem ação. Ele fora frio e indiferente, exatamente como ela o tratara. Por mais que a atitude dele lhe doesse, ela não queria admitir isso, e seus pensamentos eram sempre de que isso tudo iria passar, e que separados era a melhor solução.

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Porque tudo tinha que ser tão complicado? Uma hora tudo está bem, Rony e Hermione juntos e esperando um filho. E de repente tudo desmorona.

Rony queria muito estar ao lado de Hermione, tentar reconquistá-la e deixar as feridas para trás. Mas o seu orgulho não permitia isso, e ele nem poderia esquecer-se de tudo o que Hermione lhe disse, todas aquelas palavras que ecoavam em sua mente dia após dia. Ele agora focava um único pensamento: era o fim.

Hermione às vezes se pegava numa batalha mental em relação a Rony, mas no seu conceito do que era certo, voltava com os pés no chão e concluía que tudo não poderia tomar um rumo melhor.

Agora ambos se encontravam com os mesmo pensamentos, atitudes e sentimentos. Amam-se, mas acham que o certo é ficar separados, com as coisas mal resolvidas. São orgulhosos demais, e preferem deixar tudo como está, ao invés de assumir o erro e lutar pelo amor verdadeiro.

Era uma noite quente de uma quinta-feira. Hermione estava em seu quarto, na casa dos pais, arrumando algumas coisas para passar o tempo, até que alguém bate a porta.

-Filha? –Chamou sua mãe da porta.

-Sim?

-O jantar está pronto.

-Não estou com fome, mamãe. –Falou desanimada, sentando-se na cama. Sua mãe entrou no quarto fechando a porta atrás de si, e sentou-se ao lado da filha.

-Minha filha, você não pode ficar sem comer. Trabalha o dia todo, anda tristonha por todos os lados. E aposto que não come nada durante o dia.

-Eu como alguma coisa durante o dia. –Tentou se justificar.

-Mas não é a refeição que deveria fazer. Alguma coisa, não é o café da manhã, o almoço. Você sabe que ainda est sobre alguns cuidados por causa da gravidez.´

A menção da palavra gravidez, teve efeito instantâneo em Hermione. Seus olhos se encheram de lágrimas, e deitou a cabeça no colo da mãe. Maree xingou-se mentalmente, por ter dito isso. Combinara com Paul, de que era melhor não mencionar a gravidez, porque era algo muito recente, e não queria ver sua filha sofrer.

-Desculpe Hermione, eu e minha boca grande. –Falou com pesar ao ver a filha naquele estado.

-Não tem que pedir desculpas, mamãe. Mas é que não consigo me acostumar com isso ainda. É difícil.

-É muito recente ainda, minha filha. E não é só isso que está te fazendo mal.

Hermione engoliu em seco. Sabia do que a mãe estava falando.

-Tem dois dias que você está mais para baixo, mais pensativa. O que aconteceu?

-Tive um encontro casual com o Rony. –Falou olhando para a mãe.

-Filha, você não acha que já está na hora de acabar com isso? Não tem porque de vocês ficarem separados! –Falou inconformada. –Tudo aconteceu muito rápido, você estava triste, nervosa, agiu por impulso.

-Mamãe, eu não quero discutir isso. –Falou calma. –O que está feito, está feito. Ele parece estar bem melhor sem mim. Não tem volta.

-Como você pode ter tanta certeza? A vida é incerta, a única certeza que termos é que partiremos um dia. Fora isso, tudo pode acontecer.

Hermione ficou em silêncio.

-Eu rezo todos os dias, para você abrir os olhos, e ver o erro que cometeu. Eu quero te ver feliz. –Falou com algumas lágrimas descendo pelo o rosto. –Eu só espero que você não abra os olhos tarde demais.

Hermione olhou nos olhos da mãe, ficando assim, as duas por alguns minutos em silêncio.

-Vem, vamos jantar. Nem que você coma pelo menos um pouquinho. –Falou Maree mudando de assunto e enxugando as lágrimas.

-OK. –Rendeu-se. –Depois do jantar vou dar uma passada no apartamento, preciso pegar algumas coisas.

-Quer que eu vá para você? –Perguntou Marre, porque desde que Hermione saira do hospital, era ela quem buscava tudo o que ela precisava.

-Não precisa. Hoje eu quero ir.

-Acho isso muito bom. –Falou Marre, feliz por ela começar a encarar os fatos. –Mas você não está pensando em ir embora, certo?

-Não Dona Maree. - Falou brincando. –Não estou pensando em ir embora.

-Acho bom! –Falou autoritária, porém rindo. –Daqui você só sai pra ficar com seu marido. –Maré e falou baixo, para que Hermione não ouvisse. Mas Hermione estava bem atenta, e escutou o que a mãe disse, ficando em silêncio e pensativa.

Hermione comeu apenas para não contrariar os pais, e deixá-los mais preocupados. Sabia que eles queriam seu bem, e faziam de tudo para que se sentisse mais feliz, e ela sentia-se grata por isso. O amor de seus pais era o que ela mais precisava no momento. Como quando era garotinha, e podia correr pro colo dos pais,quanto tinha algum problema.

Depois do jantar, Hermione conversou um pouco com os pais, pegou sua bolsa, e seguiu caminhando até o antigo apartamento.

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Rony caminhava pela noite de Londres, absorto em pensamentos. Seu coração batia forte só em pensar em estar num lugar, onde vivera diversos tipos de emoções e situações, sendo que as felizes superavam todas as tristezas.

Chegando ao seu destino, Rony passou pelo porteiro que o recebeu com alegria. Logo depois pegou o elevador e chegou em frente a porta do seu antigo apartamento. Respirou fundo e entrou sem olhar para frente, fechando a porta atrás de si.

Depois de dias sem nem ao menos passar na porta, era estranho estar ali. Relembrar todas as coisas, sentir aquele ar de "casal" presente naquele ambiente. Relembrar uma vida, que parecia ser de outra pessoa.

Caminhando até a sala, a primeira cena que lhe veio a mente, foi Hermione sentando no chão e sangrando. Era como se ele visse tudo aquilo novamente ao vivo, e mais uma vez pode sentir o desespero, o medo a dor da perda. Passou a mão pelos cabelos, de maneira frustrada, e continuou andando por todo o canto, analisando tudo ao seu redor, daquele local inabitável de poeira acumulada.

Por último, Rony foi até o quarto em que dividia com Hermione. Sua mão tremeu ao tocar a maçaneta. Abriu a porta e olhou para o ambiente com carinho e saudade. Fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama. Sentou-se exatamente do lado esquerdo, onde Hermione gostava de dormir. Pegou o travesseiro ali depositado e sorriu. Podia sentir o perfume dos cabelos de Hermione. Imagens felizes vieram-lhe a cabeça. As brincadeiras, os beijos, as caricias, as noites de amor. Rony sentia falta de tudo isso, sentia falta de Hermione. Seus olhos ardiam pelas lágrimas que tentava segurar de todas as formas.

Deixando o travesseiro sobre seu colo, Rony abriu a gaveta ao lado da cama, e ali achou algo que fez seu coração parar por alguns segundos, duas coisas simples, mas que eram tudo pra Rony: o primeiro presente de Rose, ainda um grãozinho na barriga da mãe.

Pegou o sapatinho juntamente com a pulseira, nas mãos e não agüentou a emoção, as lágrimas jorraram com força, trazendo todas as lembranças à tona. A dor era forte e a saudade de uma intensidade inexplicável.

Rony ficou ali, minutos e minutos, apenas olhando aqueles dois objetos. Sua imaginação viajava para acontecimentos não concretizados. Logo ele já estava mais calmo, mas não sabia ele, o que lhe estava reservado.

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Hermione sentia-se estranha por estar ali. Sentia que assim que entrasse por aquela porta, iria fraquejar e se entregar a lembranças que não queria que viessem à tona.

-Calma Hermione. –Falou para si mesma respirando fundo. –É só pegar as coisas. Simples. –Queria se convencer disso.

Hermione deu um último suspiro profundo e abriu a porta. Assim que botou o pé na sala seu coração acelerou, e a emoção veio à tona.

Sem querer reviver tudo o que passara naquele apartamento, Hermione seguiu para seu foco, onde justamente passara os melhores momentos, o quarto que um dia fora seu e de Rony.

Ao abrir a porta, Hermione poderia esperar qualquer coisa, exceto ver Rony, ali, sentado na cama. Não soube o que fazer, ficou paralisada, queria sair dali sem que ele a visse. Inconsciente, começou a dar passos para trás, o que consequentemente causou seu encontro com um vaso, depositado ali no corredor, denunciando assim sua presença.

Rony que até o momento não tinha percebido sua presença, com seus pensamentos bem longe dali, sobressaltou-se com o barulho. Com sua agilidade, deixou os dois objetos sobre a cama, e sacou a varinha direcionando-a diretamente para a porta.

Hermione soltou um grito de susto, respirando profundamente.

Rony ficou parado na mesma posição, com a respiração pesada. Estava pronto para azarar quem quer que fosse. Mas quando reconheceu aquele rosto, seu corpo parou, e sentiu seu amor por aquela mulher o consumir.

Mas ele não queria isso, queria esquecê-la, queria que ela sentisse o quanto ele estava sofrendo por sua causa!

Como se um balde de água fria caísse-lhe sobre a cabeça, Rony deixou toda a mágoa, raiva, tristeza, tomar conta de si. Queria que Hermione conhecesse o outro Rony, o Rony que ela mesma criara.

-Eu não vou te azarar. –Rony falou com uma voz totalmente diferente de seu normal. Era uma voz fria, rancorosa, demonstrando todo o seu desprezo, que ele queria acreditar que tinha, para com aquela mulher.

Apontando a varinha para o vaso ao lado, Rony o recompôs, olhou novamente para Hermione sorrindo de canto dos lábios, e voltou a sentar-se na cama.

Hermione recompôs-se. Sentiu toda a frieza na voz de Rony, fato que a fez arrepiar.

-Eu... –Fazia de tudo para não gaguejar. –Eu não vou incomodá-lo. –Falou pegando sua bolsa que caira no chão, fazendo menção de ir embora.

-Não se preocupe com isso. Não me sinto incomodado com sua presença. Para mim, ela não causa emoção alguma. –Falou com o mesmo tom de voz.

Hermione engoliu seco e entrou no quarto. Pegou uma bolsa de viagem na parte de cima do guarda-roupa, e começou a pegar suas coisas.

-Sabe Granger, eu andei pensando... –Falou Rony se levantando, e andando pelo quarto. –Podíamos vender esse apartamento, ele não serve para mais nada.

Hermione parou com os dizeres de Rony. Sentiu seu coração apertado com a ideia. Não queria vender o lugar onde passara um dos melhores momentos de sua vida. Queria deixá-lo como estava com todas as lembranças marcadas.

-Para você não faz diferença, não é mesmo?- Perguntou não aguentando ficar calada. Virou-se para ele, e encarou sua face rude e debochada.

-É claro que não! Nada de que passei aqui importa mais. Passado é passado. Agora quero viver o presente. –Rony falava aquilo tudo apenas para torturar Hermione. A cada palavra sentia um nó na garganta, mas estava se segurando para não demonstrar nenhum tipo de emoção. –Você não concorda comigo?

Hermione não aguentou, virou-se de costas para esconder a lágrimas solitárias que lhe desciam pela face.

-Cl... Claro. –Hermione sentiu raiva. Respirou fundo e virou-se para ele, sorrindo debochada. –Quem sabe com o dinheiro sobrando você não arranje mais mulheres, mais divertimento... Mais prazer.

-Sabe... Eu não tinha pensado nisso! –Falou fingindo animação. –Boa ideia, Granger. Acho que agora vou aproveitar o que não tive tempo para fazer. E quem sabe, depois, eu arranje uma mulher que me de um filho de verdade?

Hermione paralisou. Não aguentou mais segurar as lágrimas. A última frase fora como um soco em seu rosto.

"Como ele pode dizer algo tão cruel? Definitivamente esse não é o Rony. Não é." –pensou ela.

Rony sabia que fora longe, que tocara num ponto em que ambos eram frágeis.

-Co... Como você pode dizer algo assim? –Perguntou não acreditando no que ouvira. –Você é cruel. –Falou enxugando as lágrimas insistentes.

-Wooouuuuu! –Falou rindo. –Eu sou cruel! –Virou de costas ainda rindo, passando as mãos pelos cabelos. Parou e respirou fundo. A raiva começava a tomar conta do seu eu. Virou-se novamente para Hermione, olhando-a com fúria nos olhos, o rosto vermelho de raiva, e falou com a voz carregada de desprezo: - EU SOU CRUEL, GRANGER. E VOCÊ É O QUE? A VITÍMA? COITADINHA, ESTÁ SOFRENDO TANTO, NÃO É MESMO? –Falou alto, fingindo dó.

-O que ouve com você? –Perguntou aos soluços, tamanha era a intensidade do choro. –Porque você está assim?

-O que ouve comigo? Você não sabe? –Falou chegando mais perto, deixando Hermione amedrontada. –Vou te fazer um relatório. –Falou rindo debochado e logo depois ficando serio. –Minha filha morre logo após o parto, minha mulher sangrando e eu sem poder fazer nada. Como dizer a ela, que a nossa filha, nossa pequena tão esperada, estava morta? Como? –Falava andando de um lado para o outro, e Hermione escutava o relato aos prantos.

–Eu não sei como consegui, apenas sabia que eu tinha que dar a notícia, e que juntos, íamos superar. Mas ai vem a grande surpresa. –Riu. – Sou acusado de não querer aquele filho, acusado de estar feliz com a sua morte! –Engraçado isso não? –Perguntou olhando-a serio. –Depois o meu casamento acaba tudo acaba. Em apenas um dia. –Rony caminhou para bem perto de Hermione, olhando-a nos olhos. – VOCÊ DISSE UM DIA QUE ESTARIA SEMPRE DO MEU LADO, ACONTECESSE O QUE ACONTECESSE, HERMIONE! –Falou gritando e deixando as lágrimas caírem. –VOCÊ ME LARGOU NA HORA QUE EU MAIS PRECISEI DE VOCÊ, VOCÊ DESISTIU DE TUDO NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE, E COMO VOCÊ QUER QUE EU ME SINTA, HEIN? COMO? –Rony cuspia todas as palavras na cara de Hermione, fazendo-a sofrer, e sentir como ele se sentiu no dia que o desprezou. –ESSE É O RONY QUE VOCÊ CRIOU! –Pegou-a pelo braço, apertando. –ESSE SOU EU! UMA PESSOA AMARGA, QUE DEU TUDO, QUE SUPEROU TUDO PARA DAR APOIO A SUA MULHER, E ACABAR LEVANDO UM CHUTE NA BUNDA. –Terminou respirando pesadamente, apertando o braço de Hermione, e olhando-a nos olhos.

-Por... Por favor, não fale assim. –Pediu suplicante.

-Não fale assim? Não fale assim? –Falou num fio de voz, ameaçadora.

Hermione sentia seu corpo tremer com o tom de voz de Rony, seu medo crescia cada vez mais. Seu coração sangrava, seu choro era sofrido.

–Eu também te pedi isso, Hermione. E você simplesmente me ignorou. –Falou com a voz baixa. –DESPREZOU O MEU AMOR POR VOCÊ! JOGOU TUDO PELA JANELA, TUDO! –Gritou o último. Hermione não queria ouvir mais nada, não queria escutar nada. Tentava se soltar de Rony, mas ele era bem mais forte, e quanto mais ela se debatia mais ele apertava seu braço.

-Você está me machucando. –Falava entre soluços, estava com medo. –Me solta!

-Não quanto você me machuco. –Rony sussurrou, olhando-a profundamente nos olhos. Olhou para seus lábios e num ato de desespero a beijou.

Um beijo agressivo, que não demonstrava nenhum tipo de emoção, mas mesmo assim fez o coração de Rony e Hermione dar um salto. Apenas o desprezo, e a raiva em ambos os corações. Hermione acabou por morder o lábio de Rony, com o sangue manchando ambos.

-Esse é o beijo que você me negou aquele dia. O beijo que você teve nojo em me dar, e hoje eu te retribuo da mesma forma! –Falou para machucá-la ainda mais.

-Você não é o Rony. Você não é o Rony que eu conheço!

Rony estava cego, estava possesso de tudo o que ela o fez sofrer. Pegou-a pelo braço que ainda segurava e jogou-a na cama. Hermione tremeu, temia o que ele ia fazer com ela. Sentiu o corpo dele pesando sobre o seu.

-Lembra Hermione, lembra das noites de amor que passamos aqui? –Falou deixando as lágrimas caírem sobre o corpo dela, juntamente com o sangue de seu lábio. Hermione ficou em silêncio, apenas choramingando.

-Para com isso... Por favor...

-Está com medo? Acha que eu teria coragem de lhe bater? De abusar de você? –Perguntou acordando para a realidade, acordando para o que estava fazendo. Viu o medo estampado em seus olhos, e isso o assustou. Nunca, nunca em bilhões de anos, teria tal coragem de fazer isso com a mulher que ama. E Rony achava que ela sabia disso.

Hermione ficou calada, fungando.

– Agora eu sei que você realmente não me conhece, e não tinha noção da intensidade do amor que eu sentia por você. –Falou mais calmo.

Os dois ficaram assim, nessa posição durante alguns minutos apenas se olhando nos olhos. Toda a raiva foi substituída por tristeza e saudade.

Rony viajou no olhar da mulher amada. Logo depois despertou, e saiu de cima dela, ficando de costas, de pé no chão. Hermione se encolheu na cama, chorando baixinho.

Antes de ir embora, Rony, botou a mão no bolso, pegando a fina pulseira nas mãos. Depositou na cama ao lado de Hermione, que estava com o olhar perdido para o nada.

Rony caminhou até a porta e parou por um instante.

-A partir de hoje, você é apenas a menina que eu um dia fui amigo. Nada mais. –Falou com pesar, deixando Hermione só com seu sofrimento.

Hermione acompanhou com o olhar, por onde Rony saira. As lágrimas caiam incessantemente. Estava confusa, não sabia o que pensar. Toda a atitude de Rony, seu modo de falar e seu olhar, foi algo assustador de presenciar, porque ali ela pode sentir o gosto amargo da rejeita, da indiferença.

Sentiu nos lábios, a ira de Rony. Fora um beijo tão frio, mas que ao mesmo tempo fez despertar sensações, que há tempos não sentia, e que não se permitia sentir saudades. Queria que Rony a tomasse como antes. Que fizessem amor durante toda noite.

Varias emoções se misturaram num único encontro de curto tempo. Mas uma única frase ecoava em sua mente: "Uma mulher que me dê um filho de verdade...". Não teve coisa mais dura para se ouvir, do que essa frase. Mas Rony estava certo, ele não tinha que ficar com uma mulher inútil, fraca até para gerar um filho. Por mais que tivesse sido doloroso escutar essas palavras, era apenas a verdade, nada mais.

Hermione secou as lágrimas inutilmente. Apalpou a área vazia ao seu lado na cama e sentiu o frio da fina pulseira. Pegou-a entre os dedos e olhou-a com carinho dando um sorriso fraco. Levou-a aos lábios beijando com saudade. O que ela mais queria era ter sua filha consigo em seus braços. Se ela estivesse ali, Rony também estaria, e agora ela não se sentiria só, deitada naquela cama com lágrimas incessantes, e sim, alimentando sua filha no peito, enquanto Rony as observava, abobado. Aquele pequeno objeto tinha muito significado para Hermione. Fora o primeiro presente de Rose e também fora Rony, seu grande amor, quem dera.

Hermione se levantou da cama, um pouco tonta. Queria ir embora, queria sair logo daquele lugar, onde a fazia se sentir triste e relembrar momentos felizes ao mesmo tempo. Toda aquela situação era dolorosa.

Começou a arrumar suas coisas o mais rápido que podia, mas seu corpo não deixava, não correspondia. Sentia-se fraca, sem forças.

Hermione parou de repente. Seu corpo começou a tremer, e os soluços saiam inconscientes de sua garganta. Deixou-se cair novamente na cama. Passaria o resto da noite ali, com a saudade, tristeza e dor presa em seu coração.

Rony saiu do apartamento com a cabeça fervilhando em pensamentos.

"Eu fui um estúpido! Não tinha que ter dito aquilo. Mas ela me provocou o que ela queria? - Pensava ele. - Não vou me preocupar com isso, ela não se preocupou quando disse tudo àquilo pra mim no hospital. Ela não está nem ai, e eu aqui me martirizando a toa." - Secou as lágrimas incessantes com certa força e seguiu pelas ruas de Londres sem rumo.

Rony sentia um vazio no peito inexplicável. Ao mesmo tempo em que achava que fora injusto com Hermione, achava que era aquilo o que ela precisava escutar. Tinha que desabafar, botar pra fora tudo o que estava sentindo, tudo o que ela o fez sofrer, e queria que ela sentisse o mesmo, que ela sofresse o mesmo que ele está sofrendo.

Ao beijá-la tentou passar toda a raiva, que estava presa em seu ser. Mas Rony não esperava que seu desejo por ela despertasse em tal hora. Quando sentiu sua pele, seus lábios colados aos seus, pode sentir todo seu corpo reagir. Sua mente e seu corpo queriam fazê-la sua. Mas ele soube se controlar queria apenas sentir novamente o pequeno corpo de Hermione colado ao seu, sentir sua respiração, sua pele quente. Rony sabia que não existia sensação melhor, do que essa. Mas, quando olhou em seus olhos castanhos, e viu o medo estampado, e o desespero, sua consciência pesou.

Como Hermione poderia achar que ele faria algo que a machucaria? Como ela pode pensar que um dia ele abusaria de seu corpo em prazer próprio? Por mais que ele tivesse a ferindo com palavras, ele a amava, isso é fato.

Rony tinha apenas uma certeza nessa vida: De que Hermione era a mulher dos seus sonhos, a mulher que sempre amou e que sempre amará. Isso ele não conseguia e nempodia negar a si mesmo. Esse amor doía, doía pelo fato de não estar ao seu lado, de não poder lhe abraçar quando sentir vontade, de lhe beijar quando desejasse.

O amor que ele sente por Hermione, agora seria guardado bem lá no fundo do peito, um amor vivo e morto ao mesmo tempo. Um amor que não tinha mais volta, que agora restavam apenas as lembranças de um tempo inexistente.

Rony entrou numa rua vazia, recostou-se na parede e respirou fundo. Não queria mais pensar naquilo. Sem saber muito bem o que estava fazendo, Rony aparatou em Hogsmeade. Entrando no Três Vassouras, sentou-se numa mesa bem ao fundo e bebeu como nunca havia bebido na vida.

Harry saira mais tarde do Ministério aquela noite. Mesmo um pouco cansado pelo trabalho, resolvera passar em Hogsmeade e comprar alguns doces para Gina, sabia que ela adorava, apesar das reclamações de que assim iria virar uma bola.

Às vezes, ir até Hogsmeade era um tormento para Harry. Mesmo depois de alguns anos ter se passado após a derrota de Voldemort, os termos "O Menino que Sobreviveu" ou "O Eleito" ainda eram muito presentes na comunidade bruxa. Hogsmeade era onde as pessoas mais o abordava, ainda mais quando visitava o vilarejo nos dias de passeio dos alunos de Hogwarts.

Por estar à noite, Harry achou que sua presença não iria chamar muita atenção. Grande engano. Logo quando passou pela porta do Três Vassouras, um dos bares mais frequentados do vilarejo, Harry foi surpreendido por Jack, garçom do estabelecimento supervisionado pela atrativa Madame Rosmerta.

Harry achava Jack muito engraçado com seu jeito tagarela de ser, e com sua insistência resolveu por tomar uma cerveja amanteigada, pois não queria se demorar.

Rosmerta como sempre, o cumprimentou com um sorriso nos lábios, muito educada, para logo depois ralhar com Jack, por atrapalhar o passeio de Harry, deixando-o aos risos.

Harry foi dar sua primeira golada na cerveja, olhou em direção ao fundo do bar, e uma cabeleira ruiva muito conhecida, chamou-lhe atenção.

-Mas... –Começou a falar consigo mesmo e parou. Logo sua ficha caiu.

-Parece que ele não está bem, chegou muito triste. –Falou Rosmerta acompanhando o olhar de Harry. –Mas hoje ele parece mais abalado que nos outros dias.

-Ele vem todos os dias?

-Nem todos. Mas aparece com frequência.

Harry deu um sorriso fraco e se levantou indo em direção a Rony.

À medida que ia chegando perto, Harry percebeu que o estado de Rony não era bom.

-Rony? –Chamou cauteloso à sua frente. Rony subiu a mirada e olhou bem para Harry e sorriu.

-Harrrrrrrrryyyyyyyyyyyy! –Falou muito animado e com a voz um pouco elevada e enrolada. –Meuuuu amigãooo... –Fez menção de se levantar, mas não conseguiu. –Ops... –Riu.

-Rony!!! –Falou assustado. –O que você está fazendo? Olha o tanto que você bebeu! –Apontou as garrafas na mesa.

-Ahhhhhh... Harry... Foram só umas doses, nada demais... –Falava muito aéreo. –Vem, senta ai, toma uma comigo, vamos brindar! Vamos brindar a nossa amizade. Mesmo eu sendo um idiota, você continua me aturando. –Riu.

-Rony, para com isso! Chega de beber! –Falou irritado, tirando o copo de sua mão. Rony bufou. – Rony, o que esta fazendo com você? –Perguntou mais calmo. Rony olhou-o com lágrimas nos olhos.

-Ela fez isso comigo. Ela me destruiu. Ela não me ama nunca me amou. –Falou derrotado, sentia tudo a sua volta rodar. – Eu sou um monte de bosta, Harry. –Falava enquanto Harry o ajudava a levantar. –Sou um covarde. Deixei você e ela naquele acampamento...

-Pare de dizer asneira,q Rony. –Falou sentido pelo estado do amigo. –Vou te levar pra minha casa. Se sua mãe te ver assim...nem eu sei o que acontece.

Harry pagou a conta, e aparatou com Rony perto de sua casa.

-Gina! –Chamou Harry assim que entrou na sala, colocando Rony sentado no sofá.

-Harry, não grita! James esta... Mas o que aconteceu? –Falou assustada descendo as escadas mais rapidamente.

-Descobri o que o Rony faz nessas saídas misteriosas. Ele não está nada bem...

-Gina... Eu não queria ter dito aquilo, não queria. –Falou se abraçando a irmã. Gina olhou pra Harry com uma tristeza no olhar.

-Rony... O que aconteceu? –Perguntou baixinho. –Por que você bebeu desse jeito?

-Eu só quero esquecer ela. –Falou chorando baixinho no colo da irmã.

-Acho melhor levá-lo para o quarto. Hoje ele não esta em condições de dizer nada. –Falou Harry. Gina concordou.

-Vem Rony. –Pegou-o pelo braço amparando pra que pudesse subir as escadas.

-Vou buscar uma poção e já subo. –Falou Gina.

Gina pegou a poção no armário, e fez com que Rony tomasse tudo, para que no dia seguinte não ficasse com aquela ressaca horrível.

-Parece que a coisa foi seria. –Falou Gina preocupada, enquanto tirava os sapatos de Rony, que já ressonava.

-Mais seria? Será possível? –Perguntou Harry incrédulo.

-Amanhã vamos saber de tudo o que aconteceu. –Falou Gina se levantando e sendo abraçada por Harry. Saíram do quarto, fechando a porta logo atrás.

No caminho Harry e Gina passaram no quarto do filho, dando beijos de boa noite, no garotinho que já dormia.

-Harry, como você achou o Rony? –Perguntou curiosa, sentando-se na cama enquanto Harry se preparava para um banho. Harry sorriu, sabia que ela não iria resistir em fazer essa pergunta.

-Foi por acaso. Fui a Hogsmeade comprar alguns doces pra você. –Sorriu sendo retribuído por Gina. –Mas você sabe... O famoso Eleito. –Os dois riram. –E então encontrei Rony no Três Vassouras. –Falava distraído, tirando a camisa e os sapatos.

-E cadê os doces? –Perguntou Gina brincalhona.

Harry se virou para olhá-la e se assustou ao vê-la atrás de si.

-Com a confusão acabei esquecendo. –Falou sem graça, olhando-a nos olhos.

-Sem problemas. –Falou com a voz baixa e passando a língua pelos lábios, olhando diretamente nos olhos de Harry.

-Mas eu tenho outro tipo de doce, você quer? –Perguntou provocante, puxando-a para mais perto. Gina tremeu toda com a insinuação de Harry. Sentiu-o chegar mais perto, e capturar seus lábios com ansiedade.

-Estou com saudades. –Sussurrou Harry em seu ouvido, dando leves mordidinhas em sua orelha e pescoço. Gina soltou um gemido manhoso e sorriu.

-Mas tem só três dias que não fazemos amor. –Falou entre suspiros.

-Isso pra mim, é uma eternidade! Mas se você não quiser tudo bem. –Falou brincando e fazendo menção de se afastar, mas Gina o puxou.

-Eu não disse que não queria. –Falou sapeca e com muito desejo. Harry sorriu maroto. Parecia uma disputa, quem resistia mais.

Harry puxou-a novamente para um beijo sensual e provocante. Com suas mãos ágeis, Harry soltou o roupão de Gina que rolou para o chão, revelando sua camisola longa de seda, com um decote sensual e uma fenda na perna. Já Gina, não perdendo tempo, tirou o sinto de Harry e abriu o zíper da calça, deixando sua boxer branca a mostra.

Harry numa necessidade de senti-la mais perto, puxou-a pelas nádegas pressionando seus corpos. Gina suspirou entre os beijos incessantes, arranhando toda a costas do moreno com desejo. Sentiu sua mão grande e ágil penetrar entre a fenda e acariciar sua coxa com certa força, despertando ainda mais o seu desejo.

Harry queria chegar logo em um dos pontos fracos de Gina, mas antes queria provocá-la, e vê-la pedir mais com suspiros e gemidos, como ela sempre fazia.

Com a mão, foi fazendo um caminho na parte interna da coxa da ruiva, com carinhos leves e provocativos. Quando chegou a sua virilha, Gina perdeu todo o controle, separando os lábios dos de Harry. Fechou os olhos sentindo as caricias leves naquele local tão frágil.

-Harry. –Choramingou. Harry sorriu. Sabia que ela queria mais e mais.

Harry a olhava admirado. Sentia a força que fazia para se manter em pé, marcada em seus braços. Adora vê-la em êxtase e chamando por seu nome, isso lhe dava a certeza de que estava lhe dando prazer total.

Agora Harry podia sentir o pano úmido que cobria o sexo de Gina. Acariciou de leve sobre o pano, e com um movimento rápido tirou a pequena peça, lhe dando livre acesso. Sentiu o líquido quente e seu sexo latejante. Começou a fazer caricias mais fortes, fazendo Gina arquear o corpo, e se agarrar em Harry com as pernas trêmulas.

Quando Harry percebeu que ela não conseguiria ficar mais de pé, num movimento rápido tirou sua camisola, deixando-a totalmente nua, pegou-a no colo e a deitou na cama. Gina instantaneamente o puxou para si, querendo sentir o calor de seu corpo, e o beijou nos lábios com volúpia. Sentiu a mão de Harry ainda acariciar seu sexo e seus seios, praticamente a fazendo chegar ao máximo, mas ela não queria isso. Queria que eles fossem juntos ao céu.

Sem coordenação motora pelas caricias e beijos, Gina tentava de todas as maneiras tirar a calça e a boxer de Harry.

Harry separou os lábios inchados dos da ruiva, e sorriu por suas tentativas sem sucesso. Gina bufou contrariada.

-Calma ruivinha. –Sussurrou Harry em seu ouvido. –Eu te ajudo. –Falou ele pegando as delicadas mãos de Gina, e postando sobre seu bumbum sexy. Harry fez com que ela fizesse um caminho lento, na retirada da calça juntamente com a boxer. No final, Harry jogou as duas peças longe, e sem ter tempo de pensar sentiu as mãos macias de Gina lhe tocar intimamente. Soltou um suspiro abafado fechando os olhos.

Gina podia senti-lo pulsando em suas mãos, pronto para amá-la. Olhou para as feições de Harry, e viu sua expressão de prazer. Sentiu-se poderosa, e mulher por saber que ainda submetia aquele homem lindo e sexy a tal prazer.

Harry a beijou calorosamente, acariciando seus seios com vontade. Os dois gemiam de maneira provocativa e com gostinho de quero mais.

Num movimento rápido, Gina trocou as posições, ficando sentada no colo de Harry, com ele também sentando. Nessa posição os sexos se roçavam de maneira perturbadora.

-Gina... –Sussurrou não aguentando mais esperar. Gina subiu o corpo, o bastante para que Harry a penetrasse. Ela se agarrou a Harry, ficando um tempo parada sobre seu corpo. Logo os movimentos começaram, as caricias continuavam, e as palavras de carinho, amor e desejo eram ditas baixinho um no ouvido do outro.

Tudo começava a fugir-lhes da mente. Tudo parecia perde o sentido, dando lugar apenas a uma sensação, ao máximo do prazer. O gemido foi abafado por um beijo longo e profundo. Os corpos estavam suados e cansados. Gina deixou-se deitar no peito de Harry, tentando acalmar a respiração. Harry acariciava seus cabelos longos com carinho respirando profundamente.

-Harry... –Falou respirando fundo. –Por que você tem que ser tão bom? Por que tem que fazer tudo do jeito mais completo, do jeito que eu gosto? –Perguntou subindo a mirada.

-Por que você merece ter prazer completo. Só de te ver em êxtase, eu sinto prazer. Pra mim é a melhor cena. –Falou acariciando seu rosto. Gina sorriu.

-Você é o homem perfeito pra mim sabia? –Falou apaixonada. –Me completa em todos os sentidos... Eu te amo.

-Eu também te amo... Muito. Não sei viver sem você.

Gina sorriu e lhe deu um beijo singelo nos lábios, descendo pelo pescoço e peito.

-Ruiva... Ruiva... –Falou rindo, sentindo seu corpo reagir. Gina sorriu sapeca.

-Quero tomar banho... Com você. –Sorriu marota.

-Só se for agora! –Falou ele se levantando com ela no colo indo em direção ao banheiro.

No banho, se curtiram mais um pouco. Apenas com caricias ousadas. Logo se vestiram e dormiram abraçados.

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Rony acordou sentindo uma leve dor de cabeça, nada mais. Olhou em volta tentando reconhecer onde estava. Sentou-se na cama e olhou o relógio, já eram onze horas da manhã. Sua mente estava um pouco embaralhada, e não se recordava muito bem do que aconteceu. Fez menção de se levantar, mas alguém entrando pela porta chamou-lhe atenção.

-Bom dia! –Falou Gina com um sorriso.

-Gina, o que eu estou fazendo aqui?

-Harry o trouxe. –Falou caminhando até ele e sentando ao seu lado. –Ele achou você no Três Vassouras, você...

-Ok. Não precisa continuar. –Falou envergonhado. O silêncio pairou.

-O que aconteceu, Rony? Porque você fez isso? –Perguntou depois de alguns minutos.

-Não quero falar sobre o assunto. -Falou de cabeça baixa.

-Rony... Eu entendo que não queria falar. Sei que você esta sofrendo, mas eu quero que saiba que eu estou aqui pra te apoiar, e você não tem só a mim, mas a sua família também. Estamos aqui para te ouvir e te ajudar em que for preciso. Nós estamos com você.

Rony olhou para a irmã com os olhos mareados. Aproximou-se e deitou a cabeça no colo da irmã. Ela alisava seus cabelos, de forma consoladora.

-Eu a humilhei, Gina. Fiz com que sentisse a minha dor. A dor do desprezo, do abandono e a dor da culpa. –Começou a falar. Gina fechou a feição de maneira preocupada, temendo o resultado da conversa.

-E... Você se orgulha disso Rony?

-Não... Se eu me orgulhasse por tal atitude, eu seria um canalha. Já estou me sentindo um idiota por ter dito o que disse a Hermione...

Gina se aliviou um pouco.

Rony foi contando todo o ocorrido, instantaneamente a Gina, numa necessidade de desabafar, dividir sua dor. Gina escutava tudo atentamente e sentia que a situação estava cada vez mais complicada.

-Agora eu começo uma nova vida, Gina. –Falou sentando-se novamente e olhando para a irmã. –E Hermione está fora dela.

-Você a ama, Rony. Vai sofrer ficando longe dela.

-Sim eu a amo, mas não vou implorar por seu amor, não mais, Gina.

Os pensamentos de Gina agora estavam confusos: Será que o casal venceria essa barreira? Gina tinha esperança que sim, mas as evidências iam para o negativo. A convicção com que ambos falavam, o desejo de Rony de esquecer Hermione era inacreditável.

O destino de ambos está traçado, mas ele pode ser modificado, existem dois caminhos, basta saber se eles escolherão o caminho obscuro ou o caminho da luz. A felicidade está em suas mãos.