DATAS ESPECIAIS

- Porque Alana é gay.

- Como é que é? –Perguntaram Harry e Gina, surpresos.

- Isso mesmo! Alana gosta de mulheres, inclusive já tem uma namorada. –Falou impaciente. –Não disse nada para vocês não ficarem com preconceito para cima dela. Ela ia se sentir péssima. Satisfeitos agora?

- Até parece que você não nos conhece, Rony. Até parece que temos algum preconceito nessa vida. Logo a gente, que sempre foi alvo deles. –Falou Gina.

- Então você não a beijou? –Perguntou Harry.

- Claro que não! O que vocês acham que eu sou, hein? –Falou alterado. –Acharam que separado de Hermione eu ia me atracar com a primeira que aparecesse?! Sempre pensando o pior de mim...

- Rony, não é isso! – Harry tentou se justificar.

- Não tente justificar seus pensamentos, Harry. Alana é minha amiga, ao contrario do que vocês pensavam. Independente do pouco tempo que nos conhecemos, eu sei que posso contar com ela.

- E com a gente, Rony? –Perguntou Gina num fio de voz, sentindo os olhos arder na tentativa de segurar as lágrimas. Rony viu o estado da irmã e sentiu-se péssimo por magoá-la.

- Gina... –Falou levantando-lhe o queixo, vendo seus olhos vermelhos. –Não é isso, eu sei que posso contar com vocês. Eu só precisava de alguém de fora da situação. É só isso... E também deve ser um saco para vocês ter que ficar olhando para a minha cara de bosta todos os dias, ter que ficar escutando os dois lados da história...Vocês não tem que fazer isso, ficarem se preocupando a toa.

- Claro que temos! Eu sou sua irmã, mas além de tudo sua amiga, Rony. Eu quero te ver bem, e faço o possível para isso. –Gina se abraçou ao irmão, afundando o rosto em seu peito, enquanto Rony lhe alisava os cabelos, e beijou o topo de sua cabeça.

- Está sendo difícil, muito difícil. –Confessou Rony numa espécie desabafo.

- Nós sabemos, cara. –Falou Harry colocando a mão em seu ombro. –Porque você não acaba com isso?

- Não é tão fácil, Harry. Eu não consigo. –Gina se separou do irmão e olhou-o. –Por mais que eu a ame, eu não consigo chegar perto dela sem destratá-la, sem ter o prazer de fazê-la sofrer, ser rude com minhas palavras. –Falava com os olhos mareados. –Hermione é e sempre será a mulher da minha vida...Mas as palavras dela ecoam na minha mente dia e noite, cada vez me consumindo mais. A imagem dela jogando a aliança no chão, não sai do meu campo de vista... No começo eu estava disposto a esquecer tudo, achei que era só o desespero do momento, mas não... Eu não consigo, não consigo! –Repetia baixinho com os rosto entre as mãos, num choro sofrido. Gina abraçou o irmão, que se apertou a ela, num forte abraço.

Ninguém falou nada durante um tempo, dando ouvidos apenas aos soluços de Rony, que com o passar do tempo se acalmou.

- Desculpe, eu sou um idiota. –Falou de cabeça baixa.

- Não, você não é um idiota, Rony. Nunca foi. –Falou Harry. –Só quero que saiba que eu nunca acreditei que você tinha algo com Alana. Hermione me falou do beijo, mas era impossível acreditar.

- Desculpe, Harry. Não queria ter dito aquelas coisas, eu só estava nervoso. –Falou baixo com uma expressão de cansaço.

- Quais coisas? –Brincou Harry, tentando mudar o clima. Rony sorriu. –Acho melhor você ir, Alana está te esperando.

- Não vou. –Falou desanimado. –Hoje está sendo um péssimo dia. Só por hoje, ser hoje, já é péssimo.

- Nada disso! Você vai sim! Alias, nós vamos. Todos nós, você acha que ela irá se importar? –perguntou Gina.

- Não... Ela é doida para conversar com vocês, de tanto que eu falo. –Sorriu torto. –Ela ficou muito feliz em conhecê-los.

- Ótimo. –Falou Gina sorrindo. –Quero conhecer a mulher que roubou o meu irmão de mim. –Falou fazendo bico e abraçando Rony, que riu.

- Você ainda é minha baixinha preferida. –Falou beijando-a na bochecha. –Eu te amo baixinha. –Abraçou-a.

- Eu também te amo, Grandão! –Os dois sorriram.

- Chega vocês dois! –Falou Harry brincando. –Que melação!

- Falou o ciumento! –Brincou Gina o que fez ambos sorrirem.

Assim, Harry, Gina, James e Rony foram ao encontro com Alana.

Há tempos Rony não sabia o que era sorrir uma noite praticamente inteira. O encontro foi melhor do que esperava.. Alana ficara muito feliz por ver todos ali, e por ter um contato maior, sem que a olhassem torto achando que Rony estava saindo com ela, ou por sua opção sexual.

James fazia suas gracinhas na mesa, arrancando risadas dos adultos, e até tento ajuda de Alana nas suas brincadeiras.

Uma noite que fora completamente esquecida no seu sentindo real.

O mês de setembro foi passando mais lentamente do que Rony e Hermione esperavam, para desespero de ambos.

Naquele mês em especial, o trabalho de Hermione, no Ministério, crescera bastante, tomando-lhe a maior parte do tempo. Para ela, era até melhor assim, pois se focando mais no trabalho, sua mente não viajava até os momentos sofridos e tristes de sua vida.

Estava no final de setembro, para alegria de Hermione.

Sentada na sua cadeira, em sua sala, estava em mais uma das longas noites no Ministério, para resolver problemas e mais problemas. Sarah já tinha ido embora, assim como a maioria dos trabalhadores.

Estava com as pernas sobre a mesa em volta de muitos papéis. Sua expressão era de puro cansaço e uma dor de cabeça horrível lhe tirava a concentração. Precisava ir embora, e tentar te uma das raras noites de sono tranquila.

Levantou-se e calçou os sapatos jogados a um canto. Com um aceno da varinha organizou tudo na sala, pegou o casaco, para se aquecer do friozinho que fazia lá fora, pegou a bolsa e se foi.

No meio do caminho resolveu ver se Harry ainda estava em sua sala, ele também costumava ficar de plantão no Ministério.

Entrou na sala do amigo vendo uma claridade mais ao fundo.

- Harry, você está ai? Passei para ver se já tinha ido. –Falava enquanto caminhava. –Mas parece que.... –Parou de falar.

Não era Harry quem estava ali e sim, Rony. Estava sentado em uma cadeira, e quando Hermione chegou mais perto pode ver nitidamente alguns ferimentos pelo seu rosto, braços e peito, pois Rony tirara a camisa.

- Harry não está aqui! –Exclamou baixo de olhos fechados.

- O que aconteceu com você? –Para Hermione era óbvio o que tinha acontecido mas, queria tentar manter um dialogo com Rony.

- Nada. –Respondeu.

Sem se importar se ele iria gostar ou não, Hermione procurou algo numa gaveta do fundo, num recipiente fez surgir um pouco de água e foi até Rony.

Com a visão mais próxima, Hermione olhou bem para seu peito, respirou fundo e com delicados toques começou a limpar primeiramente seu rosto, inclusive um filete de sangue em seu lábio. Hermione tentava se controlar ao máximo. Há muito, não sentia Rony assim tão perto.

- O que você está fazendo? –Perguntou Rony agarrando seu pulso, olhando duramente em seus olhos.

- Isso pode infeccionar. –Falou tentando manter sua voz firme.

Rony olhou bem para seu rosto, observando as olheiras abaixo de seus olhos. Seus lábios estavam entreabertos muito convidativos.

Hermione viu seus lindos olhos azuis brilharem, semelhante quando ele a olhava, quando a amava. Seu coração deu um salto. Rony estava cada vez mais próximo. Ele queria beijá-la, queria muito. Estava prestes a fazê-lo, mas então, Hermione pode ver novamente, a sombra que obscurecia seu olhar.

- Não preciso da sua ajuda! –Exclamou ainda baixo e amargo relembrando o beijo rejeitado por ela. Soltou-lhe o pulso e voltou a recostar-se na cadeira. Hermione fez menção de voltar a cuidar de seus ferimentos, mas Rony foi mais rápido, levantou-se ficando de pé de costas para ela.

- Saia...Por favor. –Pediu baixinho. A presença de Hermione o perturbava, em todos os sentidos.

Hermione resolveu atender ao seu pedido, pegou suas coisas deu uma última olhada para suas costas e saiu.

Com pesar, deu alguns passos e parou recostando-se numa parede, respirando fundo. Logo pode ouvir passos apressados, era Alana que corria até a sala onde Rony estava.

Hermione fechou os olhos tentando evitar o choro, mas foi inevitável. Resolveu por ir embora.

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- Às vezes penso que você faz isso de propósito, sabe. Descarrega toda sua raiva nesses salafrários, e fica assim... Todo machucado. –Falou Alana olhando para seu rosto.

- Você acha que eu gosto de apanhar, é isso? –Questionou.

- Talvez... Você sabe que não pode usar a força física.

- Mas o que eu pude fazer? Ele tirou minha varinha tive que fazer algo. E fora, que eu não estou tão ruim assim, a maior parte desse estrago foi quando me desviava dos feitiços, e também do barranco que eu rolei. –Alana soltou um risinho. –Você ri, né? –Falou divertido e ficou serio novamente. –Já estive pior antes, isso para mim não é nada.

- Acho que você deveria diminuir um pouco, Rony. Você se dá tanto nessas buscas. –Falou preocupada.

- Esse é o único jeito.... Aiiiii... –Gemeu.

- Desculpe...

- Único jeito de eu não pensar em coisas que não vale a pena. A dor que eu tenho internamente é muito maior do que qualquer machucado.

- Sabe Rony, eu acho que você deveria fazer um esforço para esquecer tudo o que aconteceu. Eu sei que o que ela fez foi horrível...

- Horrível é pouco!

- Tá, ok...Mas ela arrependeu! Está tentando conquistar seu perdão, isso não basta para você?

- Não! Por que para isso, ela teve que ter provas! –Falou triste. –Não acreditava que eu realmente queria a ...nossa filha.

- Não sei... –Falou duvidosa, não acreditando muito naquilo. –Bom...mas você não pode esquecer que também a magoou... aquilo não era coisa que se dizia, Rony.

- Eu sei, eu sei! Fui um estúpido! Olha, vamos esquecer esse assunto, porque já está me dando dor de cabeça. –Falou cansado.

- Como quiser!

- E você? Até hoje não me falou quem é sua namorada!

- Rony, não era nem para você saber que eu sou gay, ok? Então se contente com isso! –Riu. –Afinal, porque você não foi para casa, assim como o Harry?

- Minha mãe ia ter um treco se me visse assim.

- Sorte sua que eu tenho uns truques para melhor isso.

Rony riu.

Depois de uma longa conversa sobre coisas sem muita importância e Alana ter melhorado o estado de Rony, este foi embora, retornando a Toca, e pela primeira vez não escutou os sermões da mãe.

Outubro chegou festeiro, aniversário de dois anos de James. E claro, Hermione e Rony como padrinhos, novamente o destino os colocariam juntos, para desespero de Rony e alegria de Hermione que a cada dia, sentia mais necessidade de estar perto do ruivo.

Gina andava de um lado para o outro pela Toca, onde aconteceria a festa.. Harry já estava ficando zonzo nas idas e vindas da esposa e também na tentativa de ajudá-la.

- GINA, PARA! –Exclamou auto. Gina arregalou seus lindos olhos e parou estática. –Amor, calma! –Falou baixo alisando seu rosto. –Já está tudo em ordem. Não tem porque se desesperar desse jeito, ok? –Tentou acalmá-la.

- Obrigada, Harry! O que seria de mim sem você! –Abraçou-o forte. Harry sorriu e beijou seus lábios.

- Agora vá se aprontar, porque se todos te virem assim descabela vão sair correndo! –Brincou.

- Sem graça! –Falou rindo.

- Deixe que eu cuido do resto por aqui.

- Tem certeza?

- Absoluta! –Deu uma piscadinha.

Uma hora mais tarde, todos os convidados já estavam presentes, inclusive os amiguinhos que James fizera através de Abby e Goran na Gemialidades Weasley's.

Harry e Gina estavam com um sorriso de orelha a orelha vendo o filho se divertir.

- Está vendo, amor? Deu tudo certo! –Falou a puxando para seus braços.

- É verdade! –Falou satisfeita.

- Pena que não conseguimos dar à James o que ele mais queria. –Falou com um sorriso maroto.

- Não era a vassoura nova? –Perguntou confusa.

- Não, ruivinha! –Riu. –Um irmãozinho! –Gina riu. –Ele vive falando pela casa: "mãozinho", "mãozinho"...-Os dois riram.

- Para isso nós temos tempo! Agora que James está mais crescidinho...

- Pois é, só falta acertar o gol! –Brincou.

- Acertar o que?

- Nada, esquece! –Riu.

Hermione estava a um canto conversando com Molly, Melannie e Vivianne, mas seus olhos estavam sempre seguindo um lindo ruivo alto, que brincava com as crianças, como se ele também fosse uma delas.

Ver aquela cena deixava Hermione cada vez mais enjoada pelo fato de ter sido tão injusta com Rony. Agora ela sentia o peso das próprias palavras.

Receosa, começou a dar passos lentos até Rony. Já sabia como seria tratada e sabia também que merecia, mas não deixava de ser uma tortura ser maltratada pelo seu grande amor.

- Você está melhor? –Perguntou parando à suas costas, referindo-se aos ferimentos. Rony que ria com as crianças e não tinha percebido sua aproximação, fechou o sorriso assim que escutou sua voz e se virou para olhá-la.

- Estou ótimo. –Falou se levantando. –Alana é muito boa com feitiços curativos. –Hermione sentiu seu rosto queimar de vergonha e ciúme.

- Que bom. –Tentou sorrir. –Eu... –Começou a falar criando coragem.

- Estão me chamando. –Falou sem nem ao menos olhá-la, deixando Hermione falando sozinha. Ela engoliu as lágrimas e foi brincar com James que a chamava.

Hermione tinha muito estima por James. Ele era como um filho para ela. Sentia-se culpada por estar tão longe dele nos últimos tempos, mas iria reverter a situação.

A festa ia maravilhosamente bem. Todos se divertiam e riam com as crianças que eram a maior alegria da festa.

- Esta na hora dos parabéns, minha filha! –Falou Molly com Harry e Gina.

- Vamos chamar o James. –Falou Harry saindo à procura do filho com Gina ao seu lado.

Andaram por todo o jardim, na área que acontecia a comemoração, mas nada de acharem James.

- Mione! –Chamou Gina. –Você viu o James? –Perguntou escondendo o nervosismo.

- Não. Eu estava brincando com ele, mas já tem um tempo. –Hermione ficou preocupada vendo a feição de Gina e Harry.

Os três começaram a andar por todo o lado, perguntando a todos se tinham visto o pequeno garotinho, mas ninguém tinha o visto.

Gui e Arthur vendo a aflição de Gina e Harry juntaram as crianças para que elas não percebessem o que estava acontecendo, enquanto a outra parte dos adultos ajudavam a procurar por James.

Harry já estava com a varinha em punho, gritando a plenos pulmões o nome do filho, acompanhado de Gina.

- Harry, Harry! –Exclamou Gina desesperada sem saber o que falar.

- Calma, Gina. Nós vamos achá-lo. –Falou tentando esconder seu próprio medo.

Harry deixara Gina com Molly, para que assim tentasse acalmá-la, e saiu à procura do filho. Mas Gina estava muito nervosa e inquieta.

-Meu Deus! Que mãe eu sou! Eu quero meu filho! –Exclamava em prantos.

- Minha filha se acalme. –Pedia a mãe com o coração na mão. –James vai ser encontrado. –Molly se segurava para não chorar.

- Eu quero ficar com o Harry! –Falou tentando se acalmar. Levantou-se e correu até Harry que estava mais a frente.

- Gina, volte aqui! –Molly gritou em vão.

- Harry! –Exclamou assim que o encontrou.

- Gina! O que você está fazendo aqui? Você tem que ficar com sua mãe... pode ser perigoso! –O pior já se passava na cabeça de Harry.

- Não me deixe sozinha! Por favor! –Pedia o abraçando. –Quero ficar com você, só com você! –Harry a abraçou com força, sentindo as lágrimas descerem.

Esse ainda é o grande carma do moreno, ser Harry Potter. Sempre o seu maldito nome, sempre ele, sempre as pessoas que o cercavam. Esse é seu grande medo, que esses bruxos que ainda tinham como promessa vingar a morte de Voldemort, e outros por apenas saber que ele era Harry Potter, mexessem com sua família.

Hermione presenciava a tudo de perto, sem fala, sem ação, respirando pesadamente. Ver o desespero de Gina e Harry a procura do filho a deixou zonza, sua cabeça zunia. Tapou os ouvidos numa tentativa de cessá-los, mas era inútil.

"Rose está morta...James está..." –Sua mente ecoava.

-NÃO! –Ela gritou.

Era como se ela estivesse perdendo sua filha pela segunda vez. Sentiu um desespero tomar conta de si, chorando incontrolavelmente.

Rony que corria de um lado para o outro tentando achar o afilhado, assustou com um grito e virou na direção do som, e viu Hermione em estado de choque. Correu até ela.

-Hermione! –Falou pegando seu rosto nas mãos. Mas Hermione parecia não reconhecê-lo. Seu corpo tremia, e seu choro não cessava. –Hermione olha para mim! –Ela subiu a mirada e olhou-o.

-Rose, James... –Foi a única coisa que conseguiu pronunciar.

Rony entendeu exatamente o que Hermione queria dizer, sentiu seu coração sangrar, vendo seu sofrimento e ele não podia fazer nada. Perdido em seus pensamentos, sentiu Hermione se desvencilhar dele e sair correndo sem rumo.

-Hermione, volta aqui! –Rony correu atrás dela.

Hermione corria sem direção se afastando cada vez mais da área onde todos estavam. Rony corria em seu alcance, mas ela sumia as vezes fazendo-o perde-la de vista.

Hermione estava cansada, sentia que a qualquer hora ia desfalecer. Até que, chegando numa área bem afastada da Toca, Hermione o viu, James estava ali com uma outra garotinha. Sua visão ficou turva e não viu mais nada.

Rony quando chegou ao mesmo local onde Hermione estava encontrou James e correu ao seu encontro, verificando se ele estava bem, e respirou aliviado. Imediatamente mandou seu Patrono para avisar Harry que o achara. E também a garotinha, que todos ficaram sabendo depois, que também sumira.

- Cadê ele? –Harry mal chegara ao local, e saiu gritando pelo filho. Quando o viu, sentiu seu coração disparar e saiu correndo até ele. Gina que estava ao seu lado, sentiu todo o medo ir embora e chorou alegre por seu filho estar bem.

- James, onde você estava? Papai já disse que não pode se afastar desse jeito. –Falava Harry com o filho, que ficou triste pela bronca do pai. Harry sabia que estava o assuntando, mas era o desespero de saber que ele poderia estar em perigo.

–Desculpa o papai, ele só está nervoso. –Sorriu para o filho. Gina o abraçou forte, sendo embalada por Harry. Assim que Gina o colocou de volta ao chão, James deu a mão à linda menininha loira que o acompanhava.

- Meu Deus, já vai começar a namorar tão cedo? –Brincou Gina entre lágrimas. James pegou algo no chão e entregou aos pais.

- Florzinha! –Falou com sua voz enrolada. Ambos pegaram o pequeno ramalhete na mão do filho e sorriram com seu carinho.

- Esse é um verdadeiro maroto! –Brincou Fred, que veio atrás de Harry.

Rony quando enfim viu que James estava bem, ficou preocupado por não estar vendo Hermione, perdera-a de vista e não viu para onde ela foi. Andou um pouco aos redores, mas não a viu. Quando todos estavam retornando a Toca, Rony a viu caída no chão, atrás de um arbusto.

-HERMIONE! –Gritou enquanto corria ao seu encontro. Todos olharam e se assustaram por vê-la ali.

-Mas o que aconteceu? –Perguntou Gina assustada.

-Eu a vi entrando em choque, quando vocês foram atrás do James. Ela se desvencilhou de mim e correu, eu a perdi de vista... –Rony falava com lágrimas nos olhos tentando reanimá-la, mas sem sucesso. Pegou-a no colo e caminhava direto para a Toca.

-Rony, mas porque ela ficou assim ? –Perguntou Fred.

-Parece que ela sentiu que perdia Rose novamente. Penso que ela teve medo de que vocês –Referiu-se a Harry e Gina. –Passassem pelo mesmo que ela passou. –Todos ficaram sentidos com as palavras de Rony, que deixava cair algumas lágrimas sobre o corpo da amada.

Chegando aos redores da Toca, todos estavam calmos pela notícia já dada e assim puderam continuar a festa para distrair as crianças que ficaram um pouco assustadas.

Rony foi com Hermione para sala da Toca, assim como Harry, Gina, James e também Molly que os seguiram. Rony a colocou deitada no sofá delicadamente, e ficou olhando para seu rosto.

-Parece que ela está bem, apenas desmaiada. –Falou Molly depois de um exame simples com a varinha. Fez um feitiço, e aos poucos Hermione foi acordando. Rony percebendo seus movimentos saiu da sala ficando na cozinha à escutar tudo.

-HARRY, GINA! –Gritou assustada sentando-se.

-Mione, calma...já está tudo bem. –Falou Harry lhe dando um copo d'água.

-Onde está James? –Perguntou preocupada.

-Ele está bem, está aqui. –Falou Gina.

Hermione quando o viu, sentiu seu coração bater mais forte e o abraçou emocionada.

-Deu um baita susto na mamãe e no papai, seu safadinho! –Brincou fazendo cócegas no garoto que ria. Hermione parou com uma feição triste, e olhou para todos a sua volta. Não se lembrava muito do acontecera, só lembrava de ter ficado em pânico, e da voz de Rony. Mas ele não estava ali.

-Mione... –Gina começou a falar.

-Me desculpe pelo o que aconteceu, Gina. Nem eu sei explicar... Eu preciso ir.

-Hermione, você precisa descansar um pouco. –Falou Molly.

-Eu estou bem, Molly. Não se preocupe.

Hermione se despediu brevemente de todos. Passou pela cozinha e deu de cara com Rony. Olhou-o com pesar, sentindo a culpa a consumir, mas ao mesmo tempo com amor, o amor que ainda a fazia lutar.

Rony sentia necessidade de abraçá-la e confortá-la. Tudo o que acontecera hoje mexera muito com suas emoções, e vê-la daquele jeito, aguçou seu extinto protetor. Queria abraçá-la, e ia fazê-lo. Mas assim que deu um passo a frente, Hermione saiu correndo, parando no jardim e aparatou, sem nem ao menos imaginar a intenção de Rony. Ele ficou ali, com os braços estendidos, se xingando mentalmente pelo que ia fazer.

A festa continuou, não como antes, mas eles não iam acabar com a alegria das crianças.

Harry e Gina ficaram muito aliviados por saber que James apenas fora apanhar flores, e ficaram a admirá-lo com a amiguinha. Sentiram o medo, e a dor de como deve ser perder um filho. Sentiram como Hermione deve ter se sentindo naquele dia, ou até menos do que foi para ela.

Rony ficara chocado com a reação de Hermione em relação a James. Sentiu em sua voz o medo e o desespero do medo da perda do afilhado e preocupação com os amigos sofressem o que ela sofreu. Depois de todo o ocorrido, trancou-se em seu quarto olhando para as montanhas, olhando para Rose.

Já Hermione seguira direto para a casa que um dia fora o seu destino, ficando até tarde da noite sentada no chão do quarto da filha.

Os dias se passaram sem mudança alguma.

Hermione ficara um tempo sem ir à Toca. Depois de tudo o que aconteceu no aniversário de James, ficara um pouco mais reclusa, ainda mais por ter se lembrado de Rony, que a amparou naquele momento de desespero. Mas para ela foi apenas por dó, dó de ter visto-a naquele estado.

Gina sempre telefonava para saber notícias, e saber sobre seu estado também. Ficara muito preocupada com a amiga, e tinha medo de ela nunca superar a perda da filha.

Harry também sempre aparecia, fazendo visitas em sua sala quando podia. Para Hermione era ótimo, uma distração. Amigos nunca são demais, ainda mais quando eles são como irmãos.

Hermione sempre lhes assegurava de que estava bem. Mas Harry e Gina, e também seus pais, sabiam o quanto ela estava sofrendo e lutando para ter Rony novamente.

Hermione voltou a frequentar a Toca, à partir da metade de novembro. E para sua infelicidade em algumas das poucas visitas que fazia, lá estava ela, Alana, loira e linda ao lado de Rony. Mas Hermione não se deixava abater, não fisicamente, aguentava firme a presença da loira.

Rony usava Alana como uma espécie de escudo contra Hermione. Assim, ela não insistia nas tentativas de aproximação, que para ele sempre era uma tortura.

Alana apesar de sempre estar ao lado do novo amigo, sempre mexia com seus pensamentos, dizendo para esquecer tudo e tentar perdoar Hermione e entender o lado dela. Mas como ela sabia, o ruivo não é nada fácil. Mas sentia que com o passar do tempo, Rony estava cada vez mais amolecido, e até diminuíra nas frases rudes que dizia a Hermione, preferindo ficar calado e quieto em sua presença.

Dia de Natal. A alegria que geralmente envolvia a todos neste dia, não era a mesma para Rony e Hermione.

Hermione esta só em sua casa. Fizera um jantar, vestira um lindo vestido vermelho e ceava sozinha.

Seus pais queriam que ela viajasse com eles para casa de parentes, mas sua vontade de ter que ficar ensaiando sorrisos durante uma noite inteira era mínima. Então, dissera a eles que passaria na Toca, o que com certeza era mentira. Mas tivera que mentir para os pais, mesmo sabendo que eles não acreditariam nessa desculpa.

E agora lá estava ela, acompanhada apenas, de suas próprias emoções e sentimentos.

Já Rony, este fizera uma breve companhia a seus familiares. Não queria decepcioná-los, mas era inevitável. Tudo lhe lembrava Hermione. E até acostumar com sua vida sem ela, seria muito difícil.

Acabou por subir para seu quarto, e se trancar lá todo o resto da noite.

Todos entenderam e respeitaram seu desejo de ficar só, apesar de quererem sua companhia.

No dia seguinte ao Natal, Hermione resolvera fazer uma visita aos Weasley's. Não fora na ceia por motivos óbvios, mas aquelas pessoas são sua segunda família, seria uma grosseria não fazer uma pequena visita.

-Hermione! Achei que não ia vir nos visitar! –Falou Gui quando abriu a porta. –Venha, estão todos na sala.

-Eu não poderia deixar de vir, Gui. –Falou sorrindo.

-Ainda bem que você pensa assim! –Sorriu.

Hermione chegou à sala e todos a cumprimentaram com alegria. As crianças pularam em seu colo a enchendo de beijos e abraços, o que a deixou muito feliz. Mas apenas uma pessoa não se levantou, Rony. Este continuou sentado no mesmo lugar, sem esboçar reação alguma. Hermione o olhou mirando seus olhos, mas viu ele desviar a mirada. Tinha esperança de apenas receber um oi, mas nem isso aconteceu.

Arthur ampliou a mesa no jardim, para que almoçassem mais acomodados, já que na cozinha não cabia tanta gente. Hermione acabou por sentar-se de frente para Rony, o que o incomodou muito, ainda mais sentindo que Hermione o olhava sem parar. Tratou de terminar logo o almoço, pediu licença e foi caminhar pelos jardins.

A ação de Rony, fez com que Hermione se sentisse envergonhada.

-Não se preocupe, Hermione. –Falou Carlinhos. –Você estando ou não, ele é assim. Não se sinta culpada. –Falou sorrindo tentando reconfortá-la.

-Então, Mione. Como foi o seu Natal? –Perguntou Gina mudando de assunto.

-Interessante. –Falou sem entusiasmo.

-Imagino, sozinha em casa. Muito interessante. –Falou um pouco nervosa, pelo fato de Hermione não ter vindo a Toca, e ter ficado sozinha.

-Mas querida, porque você não veio para cá? –Perguntou Molly.

-Foi melhor assim, Molly. –Sorriu sem jeito e deu um olhar mortal para Gina.

-Eu falei com ela, mamãe. Mas é teimosa demais. Até parece uma Weasley!

-Hermione é uma Weasley. –Falou Fred. Hermione ficou sem graça.

-Só o tempo que ela aguentou o Rony é uma prova! –Exclamou Jorge. Todos riram inclusive Hermione.

Depois de passar mais um tempo com a família Weasley, Hermione decidiu ir embora. Foi até a sala que estava vazia, buscar sua bolsa. Ouviu passos atrás de si e se virou vendo Rony. O ruivo continuou seu caminho sem olhá-la e parou na escada ainda de costas.

-Porque você cisma em cruzar o meu caminho?

-Por que eu preciso conquistar o seu perdão.

Rony riu debochado.

-Se eu fosse você desistia. –Virou-se para ela.

-Eu não vou desistir, não agora.

-Está perdendo o seu tempo!

-Amar você, para mim não significa perda de tempo. –Hermione falou num fio de voz. –Rony, eu só quero que você me escute, apenas uma vez! –Implorou.

-Eu não tenho nada para escutar, aliás eu não quero escutar! Você me irrita, Hermione. Me tira a paz. Por que não vai viver sua vida? –Perguntou com a face vermelha em sinal de nervosismo.

-Minha vida é você!

-Não me pareceu isso no hospital.

-Eu só quero uma chance, apenas uma, para tentar explicar!

-Aquilo tem explicação? –Fingiu surpresa. –Mas é claro, a Senhorita Perfeita, Hermione Granger, sempre tem uma explicação para tudo, não me admira. Mas nessa eu não caio mais. –Hermione sentiu seu sangue ferver com as palavras de Rony. –Se não se importa, tenho coisas mais importantes para fazer. –Debochou.

-RONY, ESPERA! –Gritou, mas Rony já subia as escadas sumindo do campo de visão de Hermione. –Saco! –Falou sozinha.

Mais uma das datas mais importantes do ano, estava chegando e Rony e Hermione, chegaram à conclusão que final de ano é um tédio.

N/A:

FlashButterfly: Flor, não abandonei, não. Não se preocupe. Na verdade, todos esses capítulos que estou postando para vocês, já estão escritos e já os postei a muito tempo na comunidade. Eu demoro para postar aqui, porque eu dou uma revisada bem básica. Mas, agora o tempo está curto por causa da facul.

Mais um capítulo para vocês! Espero que gostem!