TRAUMA
Primeira manhã do ano. Apesar de o céu estar sem sol e nublado, a luz incendiava os corações de Rony e Hermione, que ficaram perdidos por tanto tempo na escuridão.
Debaixo das cobertas os dois ainda dormiam abraçados, depois de uma noite agitada e prazerosa.
Hermione despertou um pouco depois das onze horas da manhã. Horário não era o importante naquele momento, queria penas recuperar todo o tempo perdido ao lado de Rony.
Desvencilhou-se dos braços do ruivo, que a abraçava por trás, e sentou-se na cama. Rony se remexeu ainda dormindo e ficou de bruços.
Hermione vestia uma camisola branca rendada, que Rony jogara no chão antes de terem feito amor horas atrás. Olhou-o e começou a distribuir beijos por suas costas nuas.
-Rony! –chamou baixinho. –Rony, acorda! –falou em seu ouvido.
-Mione, eu estou cansado. –falou com a voz rouca.
-E eu estou com fome! –exclamou rindo.
-Hmmmm... Esse assunto me interessa. –sentou-se rapidamente na cama, passando as mãos pelos seus cabelos revoltos. Olhou para Hermione e bufou transtornado.
-O que foi? –Hermione perguntou confusa.
-Mione... –falou relaxando os ombros. –Se não quiser me matar, por favor, vista uma roupa descente. Eu realmente preciso recuperar minhas forças!
Hermione riu e pulo em cima de Rony o enchendo de beijos, fazendo-o rir.
-Então se troca, enquanto preparo o nosso café. –se levantou e foi trocar de roupa, vestiu uma calça de moletom solta e uma camiseta colada.
-Bom, se você não está lembrada, eu não tenho roupas aqui. –falou se levantando vestindo apenas sua boxer.
-Eu já dei um jeito nisso. –falou sorridente, olhando Rony de cima a baixo.
-Mione, você não quer que eu vista as suas calcinhas, não é? –perguntou incrédulo.
-Como o meu marido é besta! –riu.
Rony ficou maravilhado em escutar a palavra marido, novamente.
–Ontem enquanto você tomava banho, quero dizer hoje mais cedo... –riu novamente. - Eu chamei a Tayla e já providenciei tudo. Suas roupas estão naquela parte do guarda-roupa... –apontou. –Tudo o que você precisa, Tayla trouxe da Toca. –terminou sorrindo.
-Você é simplesmente perfeita! –exclamou indo até ela e lhe roubando um beijo. –Acho que preciso de outro banho, não acordei totalmente. –riu.
Nesse exato momento ambos escutam uma batida na porta. Olharam-se confusos, e antes que falassem algo, uma voz fina foi ouvida atrás da porta.
-Minha Senhora! Tayla veio cuidar dos meus senhores!
Hermione abriu a porta e viu os olhos brilhantes e o sorriso de orelha a orelha de Tayla.
-Tayla, eu disse a você que não precisava se preocupar.
-Tayla serve seus senhores. E agora que eles estão juntos, Tayla fica muito, muito feliz! –falou soltando algumas lágrimas. Rony e Hermione sorriram um para o outro.
-Venha, Tayla. Enquanto Rony toma banho, vamos arrumar o café.
-Sim, sim! Tayla faz com muito prazer, Hermione! E Tayla trouxe mais coisas gostosas! –exclamou excitada, enquanto caminhava com Hermione ao seu lado em direção a cozinha.
-Mais coisas, Tayla? Mas ontem você trouxe comida para um batalhão! –exclamou rindo.
Tayla acabou por não deixar Hermione fazer nada na cozinha. E a mesma não insistiu, a elfa estava tão feliz nos seus afazeres e na sua cantoria, que Hermione não atrapalharia sua alegria.
Resolveu por deixar Tayla na cozinha, e voltou para o quarto. Escutou o barulho do chuveiro, e foi até o banheiro.
Hermione parou no batente da porta para observar Rony. Só de saber que estava com ele novamente, seu coração acelerava, e pensava que a qualquer momento acordaria de um sonho. Mas se tudo o que aconteceu for realmente um sonho, Hermione viveria nele o resto da vida.
Rony se virou, e viu Hermione parada com um sorriso abobado nos lábios. Sorriu para ela que alargou mais o sorriso, observando a água descer pelo seu corpo nu, e suas mãos passarem pelos seus cabelos num movimento sexy.
-O que foi? –Rony perguntou ainda sorrindo. Hermione apenas balançou a cabeça, dando a dizer que não era nada.
-Vem cá. –Rony pediu com uma voz carregada de amor e deu uma piscadela, abrindo o box.
Hermione caminhou até ele rindo, e parou de frente para ele, sem entrar. Levou uma das mãos até o peito definido de Rony, olhando e seguindo com o dedo as gotinhas que escorregavam pela sua pele. Aproximou-se mais e beijou aquela região. Olhou para sua face, e viu seus olhos a desejar.
Rony a puxou para seu corpo e a beijou.
Suas línguas se entrelaçavam em movimentos lentos e excitantes.
Rony a puxou para debaixo do chuveiro, sentindo seu corpo ficar rígido de desejo.
-Acho que esse é o dia que eu mais tomei banho na minha vida! – Hermione falou num fôlego só, sentindo Rony a prensar na parede.
-Mais um não vai fazer mal. - falou tirando a roupa da morena rapidamente.
-Você não disse que precisava se recompor? –desafiou, sentindo Rony atacar seu pescoço.
-Já me recompus. Está sentindo? – perguntou em seu ouvido, prensando seu corpo com o dela, fazendo-a sentir sua excitação.
-Ohhh... Se estou!!! –gemeu baixinho de olhos fechados. Rony sorriu sexy.
-Já disse que te amo hoje? –Rony perguntou olhando-a nos olhos.
-Não. –respondeu com a voz fraca. Sentindo as mãos de Rony lhe acariciar em todas as partes, enquanto as suas também se moviam.
-Eu te amo. –sussurrou rente aos seus lábios, cego de desejo.
-Eu também... Te amo! Te amo... –falou arfando.
Ron voltou a beijá-la e a penetrou, não aguentando se segurar. Logo os dois chegaram ao máximo se entregando novamente ao desejo.
Terminaram o banho depois de longos minutos de beijos, caricias e sorrisos.
A mesa do café estava posta, com variedades. Rony sentou-se e atacou tudo o que via pela frente, realmente a fome era muita. Hermione sentou-se ao seu lado rindo pelo seu jeito esfomeado.
A cena naquela mesa era de puro romance. Faziam brincadeiras, riam e beijavam-se com direito de dividir o mesmo morango em suas bocas.
Ambos não tinham como definir o que sentiam naquele momento. Era muito mais que felicidade.
Tudo o que passaram fora uma prova do verdadeiro amor que os embalava num único ser, numa única alma. Essa é a explicação mais próxima do que eles representam.
Por eles, tudo congelaria naquele exato momento. Um na companhia do outro, amando e sendo amado. Mas eles sabem que a vida continua, e estão cientes, de que a partir daquele momento estarão juntos para qualquer obstáculo que a vida os impor.
Depois do café, Rony e Hermione caminhavam de volta ao quarto.
Enquanto subiam as escadas, Hermione soltou uma risada baixa.
-O que foi? – Rony perguntou com um sorriso divertido nos lábios.
-Eu estava lembrando... Tonta rolando a escada como uma bola! –os dois riram.
-Realmente essa deve ter sido esplêndida! –Rony riu, recebendo um tapa de Hermione no braço.
A lembrança daquela cena, fez despertar certa curiosidade em Rony. Gina não lhe dissera o porquê de Hermione ter bebido tanto, e talvez esse fosse o momento de descobrir.
Felizmente Hermione só se permitiu lembrar a parte cômica daquela noite. Não queria que nada estragasse aquelas últimas horas maravilhosas ao lado de Rony.
Mas quando passaram em frente à porta do quarto de Rose, Hermione não conseguiu evitar a tristeza que a tomou, denunciando-a pela sua feição. Era instantâneo. Antes que ela pudesse criar uma barreira, a tristeza apoderava-se de sua alma. Caminhavam lentamente, e Hermione ainda manteve um olhar fixo na porta.
Rony percebeu sua mudança de humor e suspirou profundamente. Abraçou mais forte a cintura da esposa. Ela desviou o olhar da porta e sorriu de maneira forçada para Rony.
-O que foi? – Rony tentou arrancar seus pensamentos.
-Nada. -exclamou sorrindo.
Rony não queria apressar as coisas com Hermione. Ela teria seu tempo para superar tudo o que passou. Sabia que ela sentia-se culpada pela morte da filha, o que não é verdade. Mas agora seria diferente, ele estava com ela. Ele estaria ali para proteger e abraçá-la quando a dor se fizesse presente.
Assim que chegaram ao quarto, deitaram-se na cama um de frente para o outro.
-Você sabe se a Tayla contou algo sobre nós quando foi a Toca? – Rony perguntou depois de alguns minutos de silêncio.
-Eu pedi a ela que não contasse. Prefiro que eles saibam por nós.
-Ótimo! –Rony exclamou divertido.
-O que você está aprontando, Rony?
-Nada! É só uma surpresa! –Riu e roubou um selinho de Hermione.
O silêncio prevaleceu novamente. Rony acariciava o rosto de Hermione olhando-a nos olhos.
-Mione? –Chamou.
-Hum? –Suspirou fechando os olhos e voltou a focá-los em Rony.
-Porque você bebeu tanto naquela noite? –perguntou não aguentando de curiosidade.
Hermione corou com a pergunta. Ao mesmo tempo em que se sentia envergonha, sentia medo em falar sobre aquela noite, que a faz lembrar coisas realmente angustiantes.
-Se você não quer falar, tudo bem. –Rony falou percebendo o seu mau jeito.
-Não, não... Tudo bem, é só que... –respirou fundo. –Me faz lembrar coisas... –falou sem concluir a frase num tom serio.
-Tudo bem, você não precisa me contar agora. –reconfortou-a.
-Não, está tudo bem. –falou segura. Era só evitar focar nas coisas relacionadas à Rose, que se manteria tranuila no relato.
-Bom... Apesar de ainda achar que estava fazendo o certo, ficando longe de você... - começou relutante. - Naquela noite, quando eu o vi abraçado com a Alana, dançando com ela, cochichando no seu ouvido... –seu tom era ciumento, o que fez Rony sorrir.
-...eu quis te arrancar dela. E falar que você era meu! Mas você não era mais. Fui para o jardim, e você apareceu com ela. Ela alisava seus cabelos enquanto você descansava a cabeça em seu colo.
Rony se levantou, recostou-se na cabeceira da cama e puxou Hermione para seu peito, de maneira que ainda podia ver seu rosto.
- Eu estava em conflito com a minha mente e o meu amor por você. A saudade, a necessidade de você era muita, mas eu reprimia todos esses sentimentos. Daí eu ouvi vocês conversarem sobre algo, ouvi-a dizendo que você é maravilhoso, em seguida, vi o suposto beijo e sai correndo.
-Mas já está claro que não foi realmente um beijo. Não está? – perguntou preocupado.
-Sim... Claro! Mas naquela hora eu estava cega.
- Depois que ela disse isso, me deu um beijo na bochecha... –explicou. –Então quer dizer que você não ouviu a minha resposta? –deduziu.
-Não.
-Eu estava falando para Alana, que não fui maravilhoso o bastante para você... –falou serio.
-Isso não é verdade. –falou num sussurro. Rony sorriu fraco.
-Mas vi uma movimentação e não terminei de falar. Pensei ter visto o seu vulto, mas achei que era impressão.
Ficaram em silêncio durante alguns segundos.
-E então, o que você fez depois de ter visto o suposto beijo? – Rony perguntou divertido e deu um selinho nos lábios de Hermione, que sorriu.
-Eu aparatei no nosso apartamento. Fiquei sentada no chão, com uma garrafa de vinho, chorando e lembrando. –suspirou.
-Lembrando o que?
-A nossa primeira vez. –riu.
Rony soltou uma gargalhada.
-Serio?
-Rony, não ria! –falou divertida. –Eu estava com saudades. Não queria admitir, mas estava. E tomando aquele vinho, relembrando aquelas cenas... Da para imaginar o meu estado. –falou envergonhada.
Rony a apertou mais em seus braços e lhe deu um beijo no pescoço.
-Coitada da minha Dama carente. –falou sedutor.
-Rony! Deixa-me terminar! –falou se arrepiando toda com o beijo de Rony.
-Ok. Ok. –rendeu-se.
-E daí, foi mais uma garrafa de vinho...
-Você não devia ter bebido desse jeito. –cortou-a novamente.
-Eu não fui a única. –acusou, sabendo das saídas que Rony dera durante aquele tempo, através de Gina.
-Eu sei, eu sei. –riu. –Momentos de fraqueza, sabe...
Hermione riu.
-Depois das lembranças, eu procurei a rosa que você usou naquele dia.
-Você guardou aquela rosa? –perguntou não acreditando.
-Sim. –respondeu tímida.
-Como eu nunca soube disso? –perguntou maravilhado.
-Ahhh, Rony! Como você queria que eu dissesse? Você ia me achar uma idiota!
-Claro que não! Eu adorei saber disso. –sorriu. - Eu posso ter sido um idiota sem sentimentos quando mais jovem, mas eu mudei. Mudei porque eu te amo. –falou rente aos lábios de Hermione.
Hermione fechou os olhos, sentindo o hálito quente de Rony bater em seu rosto. Suspirou profundamente, sentindo seu coração acelerar com a declaração. Sem resistir, o beijou calmamente.
-Se você continuar a me interromper desse jeito, não vou chegar ao fim da história. –falou de olhos fechados, com sua testa colada a de Rony.
Rony riu e respirou profundamente, afastando sua face da de Hermione.
-Foi você que me beijou. –deu uma de inocente. Hermione riu.
-Depois de ver a rosa, me veio à cena de quando você me disse que tinha uma surpresa para mim... –sua voz tornara fraca. Relembrar as cenas no hospital não era fácil.
-Peguei minhas coisas e aparatei aqui. E vi o quarto. –sua voz morreu.
Hermione chegara num ponto delicado da história. Justamente onde Rony, teria que ter cautela.
Hermione ficou em silêncio durante alguns minutos e voltou a falar.
-Daí eu sai correndo, rolei pela escada, estava desesperada, bêbada, e louca para falar com você. Fui para a Toca, Harry e Gina ainda estavam lá. Eles não deixaram eu falar com você, não no meu estado, e eu os agradeço por terem me parado. E o resto você sabe. –falou num fôlego só, terminando com um sorriso fraco.
-Sim, eu sei... –falou serio. –Mione... -chamou cauteloso.
Rony lutava com as palavras em sua mente, tomando o maior cuidado para começar.
-Eu... –limpou a garganta. –Eu só quero que você saiba que agora eu estou aqui... Tudo vai ser diferente.
Hermione franziu a testa.
- O que você quer dizer com isso, Rony. Do que você está falando? –perguntou com um sorriso tenso.
-Você... Sabe do que eu estou falando, Mione. –manteve-se firme. Não deixaria Hermione fugir do assunto. Sua voz era calma e sua feição estava seria. Sua mão alisava o rosto de Hermione, tentando acalmá-la.
Hermione ficou tensa. Sua mão parou a de Rony que ainda acariciava seu rosto, e sentou-se na cama, sendo seguida no mesmo movimento por ele.
-Rony... –suspirou profundamente. –Eu não quero falar sobre isso. –fez menção de se levantar, mas Rony agarrou seu braço, parando-a.
-Não fuja! –exclamou baixo. –Você não sabe quão difícil está sendo falar desse assunto com você. Mas é preciso... Você sabe. –falou suplicante.
Hermione tinha os olhos inundados de lágrimas e seu peito subia e descia numa respiração muito rápida.
-Eu sei o que você está sentindo... Mas agora eu estou aqui com você! –sorriu alisando seu rosto. – Eu vou te ajudar a superar isso... Não tenha medo. –Rony declarou.
Hermione deixou uma lágrima grossa rolar pelo seu rosto e se abraçou a Rony fortemente.
-Eu... Eu... –as palavras não saiam.
-Shiii... –Rony a acalmou. –Você não precisa dizer nada agora. Eu só quero que saiba que vamos superar juntos. Como deve ser.
Hermione soluçou no peito de Rony. Ele a puxou para mais perto e deitou-se com ela aninhada em seu corpo.
Seu choro era baixo e sofrido. Rony a apertava mais, tentando cessar aquela angustia, não só a dela, como a sua própria. Agora que estavam juntos novamente, Rony se manteria forte o bastante para apoiar Hermione.
Se estivesse em suas mãos, ele faria de tudo para acabar com aquela dor, aquele buraco que ficara no peito de Hermione, mas infelizmente ele não possuía aquele poder de cura.
Perdido em seus pensamentos, Rony expulsou as próprias lágrimas que marcaram seu rosto e percebeu que Hermione acabara adormecendo. Ele enxugou as lágrimas de Hermione ainda presentes e se deixou levar pelo sono.
-James, se você não comer tudo, não vai brincar lá fora. –Gina repreendeu o filho, que fazia manha para tomar o café da manhã.
-Quelo brinca! –exclamou James.
-Vamos, James. Só mais um pouquinho. –pediu Harry.
-Quanto mais rápido você terminar aqui, mais rápido vai lá para fora. –falou Gina com um sorriso.
O garotinho sorriu para os pais e comeu todo o café-da-manhã.
James quando viu os tios gêmeos que chegavam à cozinha, saiu correndo e pulou no colo de Jorge.
-Fred, Jorge, olha lá o que vocês vão fazer. Ele acabou de comer. –Gina alertou os irmãos.
-Deixa com a gente, Irmãzinha. –respondeu Fred.
-Não o deixe tirar o cachecol, está frio lá fora.
-Gina, nós também temos filhos, sabia? –os gêmeos falaram juntos, irritados.
-Ok, desculpe.
-Então mini "Hagi", vamos mostrar para aqueles gnomos quem manda aqui! –exclamou Jorge divertido.
-Hagi? –perguntou Harry confuso.
-Sim, cunhadinho. É uma mistura de Harry com Gina, entende? –Fred explicou.
-Vocês não mudam nunca! –Harry falou rindo.
-Nós sabemos que somos maravilhosos, Harry. Não precisa ficar espalhando. –Jorge falou fingindo humildade.
Harry e Gina riram mais ainda.
James soltou um gritinho de excitação. Desceu do colo de Jorge, deu um chutinho na canela dos dois e saiu correndo para os jardins.
-Hey! Volte aqui seu pestinha. –gritou Fred, correndo atrás do sobrinho, e se reunindo a
Goran e Abby que os esperavam.
Harry riu e abraçou Gina por trás.
-Relaxa, Ruiva. Você sabe que eles são cuidadosos com as crianças.
-Eu sei... Mas não estou preocupada com isso. –falou com a testa franzida.
-Com o que você está preocupada, então? –perguntou a virando para si, alisando seus cabelos.
-Rony... Ele não apareceu. Mamãe está quase tendo um treco. E Hermione também sumiu. Quero dizer, nenhum dos dois deu notícia.
-Eu também estava pensando nisso. –suspirou. –Creio que uma hora eles vão ter que aparecer. Mas você não acha meio suspeito os dois sumirem assim?
-O que? Você acha que eles estão juntos?
-É uma hipótese.
-Bom, isso seria ótimo... Mas não sei não... –riu.
Harry sorriu para a esposa e lhe deu um beijo apaixonado nos lábios.
- Já que você já acabou o seu café, vamos ver o que James está aprontando com aqueles dois malucos. –falou sorrindo.
-Aqueles dois vão fazer do meu filho um pestinha de verdade! –Gina falou rindo.
Harry abraçou-se a esposa, e se encaminharam até o jardim.
Rony e Hermione acordaram duas horas depois.
Rony fez com que Hermione esquecesse sobre a filha por aquele momento e a encheu de beijos, fazendo-a sorrir.
Logo ouviram uma batida na porta, era Tayla avisando que tinha feito o almoço. Rony sorriu maravilhado. Estava faminto.
Caminhou com Hermione ao seu lado até a mesa posta por Tayla, evitando pelo caminho que Hermione visse a porta do quarto da filha.
Durante o almoço, Rony e Hermione conversavam contando tudo que fizeram durante aqueles longos seis meses separados. Falavam abertamente e sem medo. Sabiam que tudo era passado, mas a curiosidade era muita.
Ambos faziam de tudo para que aquelas revelações não o abatessem. Sempre faziam brincadeiras durante o relato.
Quando satisfeitos com o almoço delicioso que Tayla preparara, foram dar uma caminhada pelo jardim da casa.
Logo quando saíram pela porta, viram o carro em que Hermione quase se acidentara.
-Você nunca mais vai se jogar na frente do carro, Rony. –falou seria, mas acabou rindo pela feição de Rony.
-Se for por você eu me jogo sim! –riu. Beijou Hermione nos lábios, foi até o carro e estacionou no meio fio, com uma manobra habilidosa. Trancou-o e pegou a chave.
Enquanto caminhavam ao redor da casa, para conhecer a vizinhança, conversavam sobre os planos futuros.
-Eu estava pensando... nós poderíamos vender o apartamento e vir para essa casa, o que acha? –Rony deu idéia.
-Concordo. Eu gosto muito dessa casa. E não quero mais morar naquele apartamento. –falou com uma careta.
-Tudo arranjando, então. Já que hoje eu estou livre do Ministério, podemos trazer tudo do apartamento para cá.
-Não. –falou manhosa. –Depois eu faço isso. Tenho a semana livre. Eu quero ficar com você.
Rony sorriu.
-Mas também acho que devíamos dar uma ida na Toca. Nós estamos sumidos, lembra? –perguntou divertida.
-Sim, é verdade. – Rony tinha uma feição de arteiro, como se estivesse aprontando alguma.
-Que cara é essa, Rony? –perguntou rindo.
Rony levou alguns minutos contando a Hermione o que se passava em sua cabeça.
Depois de Hermione contradizer varias vezes o que Rony pretendia, ela acabou se rendendo a insistência do mesmo, que a subornou com beijos e carinhos.
Os dois retornaram rapidamente ao quarto, tomaram banho e se aprontaram. Avisaram a Tayla que iriam até a Toca, para ela não se preocupar com o jantar.
-Você primeiro? –perguntou Hermione.
-Sim, depois de uns três minutos você aparece. –informou Rony.
-Ok. –Hermione deu um beijo de tirar o fôlego em Rony. –Agora você pode ir.
Rony riu e desaparatou.
Logo mais à tardinha, Harry, Gina e James retornaram ao jardim. Harry queria aproveitar o dia livre e curtir a família.
James estava fascinado com a nova vassoura, que os pais lhe deram de presente de aniversário, como se ele nunca tivesse a usado antes.
-Quelo i alto, papai! –exclamou excitado, com seu linguajar enrolado.
-E você vai! –exclamou Harry sorridente.
-Num que cai! –falou amedrontado.
-Papai não vai deixar você cair. Vou te segurar como todas às vezes. –sorriu para o filho.
Gina olhava a cena sentada em um balanço, sem disfarçar o sorriso bobo nos lábios.
James sorriu confiante. Quando foi montar na vassoura, viu algo que chamou-lhe atenção e saiu correndo.
-Ti, Ron! Ti, Ron! –gritava excitado.
Rony se agachou e recebeu James em seus braços.
-E ai garotão! –falou arrepiando seus cabelos.
-Vo vua alto, ti Ron!
Rony sorriu com suas palavras enroladas.
Por um momento, ele pode imaginar Rose ali em seus braços. Desviou os pensamentos, e desceu James que estava inquieto. Encenou uma feição séria e tensa, quando estava mais próximo de Harry e Gina.
-RONY! –exclamou Gina surpresa. –Onde você estava? Estávamos preocupados. Mamãe está quase tendo um treco com o seu sumiço... Sem dar notícias. –disparou.
- Eu estava por ai. –respondeu seco. –Eu estou indo embora. –falou enquanto se virava e encaminhava até a Toca.
-Como assim embora? –Harry perguntou confuso.
Gina arregalou os olhos e se postou na frente do irmão o parando.
-Como... –Gina parou de falar, quando mais uma pessoa apareceu.
Hermione caminhava até eles com passos firmes e raivosa.
-O que está fazendo aqui, Granger? Não cansa? –perguntou debochado.
-Eu só vim para dizer que não sei como eu fui me dar ao trabalho de tentar voltar para você! –exclamou irritada.
Gina e Harry arregalaram os olhos sem entender a cena.
Gina tentou pronunciar algo, mas o som não saia.
Harry vendo que a coisa ia ficar feia pediu a James para entrar para a Toca. Não queria que o filho escutasse aquela discussão.
-Que bom que descobriu a tempo! –Rony retrucou.
-O que vocês estão dizendo? O que é isso? –perguntou Gina olhando de um para o outro.
-Você definitivamente é o mesmo imbecil de sempre! –Hermione falou ignorando Gina.
-Antes um imbecil do que um individualista! –insinuou, dando um passo a frente.
-Com certeza uma lesma é mais compreensível e fácil de aturar que você, Weasley! –Hermione deu um passo ficando cara a cara com Rony. –E eu definitivamente o odeio! –Hermione falou segurando o riso.
Harry e Gina estavam confusos, e não tinham a chance de falar.
-Você não... Devia ter dito isso, Granger! –exclamou devagar e levantou a mão.
Gina se assustou com o movimento do irmão achando que ele avançaria em Hermione.
-NÃO! –gritou a ruiva.
Rony, num movimento rápido levou a mão erguida à nuca de Hermione, curvou-a quase até o chão e beijou seus lábios.
Harry e Gina pararam estupefatos, sem saber o que dizer.
-Mas... O... Q.. –Gina gaguejou.
Gina foi ficando cada vez mais escarlate. Suas mãos fecharam-se num punho.
Rony e Hermione terminaram o beijo com um selinho colante.
-Te amo. –Hermione falou sorridente.
Rony sorriu para ela e colocou-a de pé novamente.
- Para tudo. Eu entendi direito? Essa cena... –Harry perguntou confuso, mas ao mesmo tempo feliz.
-Sim, Harry! –Rony respondeu sorridente. –Nós estamos juntos novamente!
-Isso é... –Harry começou a falar, mas foi cortado.
-Querem palmas para essa presepada? – Gina perguntou entre dentes.
-Ora Gina, foi só uma brincadeira! –exclamou Rony.
-Brincadeira... –falou fechando os olhos.
A única cena que se viu em seguida foi um mar de cabelos vermelhos voarem para cima de Rony como um raio.
-EU APOSTO QUE ISSO FOI IDeA SUA, RONALD! –falou aos gritos enquanto distribuía tapas no irmão.
Rony ria, tentando segurar as mãos da irmã, enquanto Hermione olhava escandalizada.
Harry caminho aos risos até Gina, e abraçou sua cintura a afastando do irmão.
Gina se debatia nos braços de Harry para se soltar, mas era inútil.
-Me solte, Harry!
-Amor, foi só uma brincadeira! –falou aos risos.
-Brincadeira uma ova! –Gina percebeu que não obteria sucesso na sua fuga, e parou ofegante e os cabelos desgrenhados.
-Você, Hermione! –acusou raivosa, sem saber o que dizer exatamente.
-Eu disse ao Rony que isso não ia dar certo. –falou temerosa.
Harry soltou Gina para que ficasse de pé.
-Estão vendo? – Gina perguntou apontando para a sua mão estendia no ar. –Conversem com ela! –saiu caminhando pisando duro até a Toca.
-Gina! –Hermione gritou sem sucesso. –E agora?
-Porque ela ficou tão nervosa? Foi só uma brincadeira! –falou Rony. Hermione revirou os olhos.
-Depois nós conversamos, vou ver Gina. –Harry falou ainda rindo. –Belo teatro! –começou a caminhar.
-Obrigada, Harry! –Rony falou rindo. –Se quiser depois eu te dou umas aulas.
Harry riu consigo mesmo.
-Ahhh, -Harry parou de andar. –É bom ter os meus amigos de volta! Estou feliz por vocês!
Rony e Hermione sorriram.
-Eu vou falar com ela, não se preocupe! –Rony falou vendo a feição preocupada de Hermione.
-Vamos falar juntos, Rony. Eu também participei disso! -falou seria. -Não apanhei, mas participei. -riu.
-Você gostou de me ver levar uns tapas, não é? -falou divertido.
Hermione riu.
-Quem sabe eu não experimento isso, mas de outra maneira. -insinuou com um sorriso maroto.
-Hummmm... Gostei. -retrucou sexy.
Os dois riram.
-Gina, você conhece o seu irmão. Foi só uma brincadeira. –Harry falou tentando acalmá-la.
-Eu sei... Só preciso de um tempo para digerir esse teatrinho. Rony me assustou! –respirou fundo. –Realmente pensei que ele fosse embora!
-Mas agora já sabemos que eles estão juntos novamente. Isso não é bom? –perguntou a abraçando.
-Claro que é. Só Merlin sabe o quanto esperei por isso. –fechou os olhos sentindo o perfume de Harry.
-Não se preocupe com isso. Se for verdade mesmo, daremos um jeito de ser cautelosos. –falou sabendo o que se passava na cabeça da esposa.
-Podemos entrar? –Rony perguntou batendo na porta do quarto, cortando a conversa do casal.
-Entrem! –Harry falou.
Rony e Hermione entraram com cautela dentro do quarto.
-Gina... –Hermione chamou.
-Vocês quase me mataram do coração! –exclamou dando um abraço forte na amiga. Hermione sorriu aliviada.
-Desculpe. –Hermione falou sem graça.
-Tudo bem. –falou a ruiva sorridente. –Quanto a você Ronald, da próxima vez vou lembrar de usar a varinha. –falou rindo e se jogou nos braços do irmão.
-Ahhhh, baixinha! –falou rindo e ergueu-a do chão.
Gina soltou algumas lágrimas de felicidade.
-Hey, não chore! –Rony exclamou divertido escutando os soluços da irmã. Ele a soltou e enxugou suas lágrimas.
-Estou tão feliz por vocês! Pelo menos agora não vou ter que agüentar a cara de bosta do Rony e as bebedeiras da Mione.
Todos riram.
-Queria ver você fazer esse teatrinho com a mamãe. –Gina falou rindo e enxugando as lágrimas.
-Eu não sou louco, Gina! – riu. – Já estou imaginando quando ela souber.
-Juro que eu pensei que você ia avançar na Mione. –falou ela com um sorriso envergonhado.
-Você é louca, Gina!? –falou assustado. –Nunca que eu faria isso!
-Eu sei, eu sei... Só me assustei. –falou se desculpando.
-Então, como isso aconteceu? –Harry perguntou.
-Quero saber de tudo em detalhes! –Gina falou excitada.
Rony e Hermione ficaram envergonhados de contar o acontecido.
Harry vendo o mau jeito deles resolveu chamar Rony para que assim ficasse uma coisa mais de homem para homem e mulher para mulher.
-Rony, vamos lá ao seu quarto jogar uma partida de xadrez, assim as meninas podem conversar a vontade. –falou dando uma piscadinha para Gina.
-Isso, vão. Tchau. –Gina falou apressada.
-Nem um pouco educada, baixinha! –Rony falou rindo.
Rony foi até Hermione lhe dando vários beijos. Gina ficou impaciente.
-Chega, Rony! Garanto que vocês já mataram a saudade. Pelas marcas no pescoço da Mione, a coisa foi feia! –Gina falou gargalhando.
Rony e Hermione ficaram escarlates.
-Gina! –repreendeu Hermione.
Harry saiu aos risos do quarto, puxando Rony consigo.
Rony e Hermione contaram tudo às respectivas companhias.
Harry não quis saber muito dos detalhes desnecessários, era desconfortável ouvir falar de Hermione em certos momentos já que ele a considera sua irmã.
Já Gina, essa não poupou Hermione de cada pedacinho da história. Apesar de envergonhada, Hermione contou-lhe tudo. Eram confidentes uma da outra e compartilhavam suas histórias e experiências.
Quando Molly soube da notícia, caiu aos prantos. Arthur ficou radiante e amparou a esposa, tentando acalmá-la. Fred e Jorge que ainda estavam na Toca, fizeram a festa bem à maneira deles, sem dispensar as insinuações e gozações.
Rony aproveitou que estava na Toca, e arrumou todas as suas coisas para levar a sua nova moradia.
Molly se despediu do casal sem cessar as lágrimas. Fez várias recomendações aos dois, fazendo-os sorrir pelo seu jeito protetor.
Antes de irem para casa, Rony e Hermione ainda passaram na casa dos Grangers, para dar a grande notícia.
Maree e Paul ficaram felicíssimos por vê-los juntos e aproveitaram para matar a saudade da filha.
Já era noite quando Rony e Hermione retornaram a casa, que agora era a residência fixa do casal.
Rony subiu com suas coisas para o quarto, depositando-as em um canto. Tomou um banho rápido e trocou de roupa, vestindo uma camiseta e uma calça de pano fino, enquanto Hermione também já tomara seu banho e vestira sua camisola.
Quando Rony foi dar um aceno da varinha para arrumar toda a sua bagagem, sentiu as mãos de Hermione envolver sua cintura num abraço.
-Deixa depois eu arrumo. –Hermione falou recostando a face nas costas de Rony.
-Eu posso arrumar isso num segundo.
-Eu prefiro que você fique comigo nesse um segundo. –falou se virando para ele e sorriu.
Hermione fez com que Rony tirasse a camisa e abraçou-se a ele novamente, sentindo a pele quente do ruivo contra seu rosto. Ela adorava ficar em contato diretamente com o seu calor.
Rony sorriu e afagou seus cabelos.
-Eu tenho uma semana livre e tediosa. Arrumar suas coisas vai ser uma espécie de diversão. –Hermione falou rindo.
-Grande diversão. –Rony a acompanhou na risada.
Rony puxou Hermione para a cama, e deitou-se com ela recostada em seu peito.
-Quero te levar em um lugar. –Rony falou enquanto alisava os cabelos de Hermione.
-Onde? –Hermione perguntou com um sorriso, fazendo carinhos no peito e barriga do ruivo.
-Você verá. –respondeu com a feição séria, o que Hermione não notou.
Hermione subiu o corpo e deitou-se sobre Rony. Sorriu para ele, que a retribuiu com um beijo lento e profundo.
Rony levou uma das mãos à cintura da morena acariciando-a com movimentos lentos, e a apertando contra seu corpo, enquanto a outra estava perdida no meio dos fios castanhos da mesma.
-Te amo. –Hermione sussurrou depois do longo beijo.
-Eu também te amo. –Rony falou olhando em seus olhos e logo começou a distribuir beijos por toda a face de Hermione.
Ela sorria entre os beijos, e levou as duas mãos ao rosto de Rony o parando. Passeou com elas por todos os traços do ruivo, fechou os olhos roçando seus lábios com os dele e o beijou novamente.
Rony postou sua mão dentro da blusa de Hermione alisando suas costas e desceu para as nádegas da mesma, envolvendo-as num aperto leve e fez um caminho de carinhos até a coxa esquerda de Hermione.
Hermione soltou um suspiro entre os beijos que não cessavam, e aumentou o ritmo das línguas e a pressão dos lábios.
Ambos estavam apenas se curtindo. Namoravam, sem nada muito ousado. Apenas caricias leves, beijos sedentos e carregados de amor.
Logo o sono os dominou, fazendo com que tivessem a primeira noite de sono tranquila, depois de tanto tempo.
No dia seguinte, Rony acordou mais cedo do que o normal e não achou Hermione na cama. Levantou-se para tomar um banho e se arrumar para o trabalho.
Hermione aproveitou que Tayla fora buscar algumas coisas no apartamento, e fez questão de preparar o café para Rony.
Rony desceu as escadas sentindo um cheiro maravilhoso. Caminhou até a cozinha e viu Hermione concentrada de frente para o fogão. Caminhou em silêncio até ela, e enlaçou sua cintura, beijando seu pescoço.
-Rony! Que susto! –falou com o coração acelerado, e se virou para ele.
-Estava esperando alguém, é? –perguntou fingindo ciúme.
-Bobo. –riu. –Você acordou cedo. –observou.
-Quero passar uns minutinhos com você antes de ir para o Ministério. –Rony beijou-a nos lábios.
-Vem o café está pronto. Feito exclusivamente por mim! –falou zombeteira, o puxando até a sala de jantar.
-Assim eu fico mal acostumado. –riu.
A mesa estava posta com muitas variedades, o que fez Rony sentir água na boca. Sentou-se em uma das cadeiras puxando Hermione para seu colo.
Tomaram café juntos e logo Rony partiu para o trabalho.
Durante o dia, Hermione se viu tediosa, sem a presença de Rony. Com a ajuda de Tayla, ocupou-se em ir até o apartamento para trazer todos os pertences necessários para a nova casa.
Arrumou tudo, inclusive a bagagem de Rony.
Logo quando começara a anoitecer, Hermione se vira sem o que fazer. Esperava ansiosa a volta de Rony.
Caminhava para a sala, com o livro que começaria a ler e um copo de suco, nas mãos, quando sentiu uma textura diferente em seus pés descalços. Olhou para baixo e viu a foto sobre a qual Rony falara.
Colocou o copo numa mesinha ao lado, pegou a foto na mão e olhou-a com um sorriso fraco. A tristeza bateu, quando se vira ainda grávida na foto. Era sempre uma tortura ter que relembrar qualquer coisa relacionada à Rose. Hermione guardou a foto dentro do livro e continuou seu caminho para a sala.
Rony chegou ao Ministério, radiante. Sorria e cumprimentava a todos. Sua felicidade era contagiante, o que faziam os bruxos ali presentes rir.
-Harry! –falou assim que entrou na sala. –Meu amigo, meu irmão... E meu cunhado... –falou o último com uma careta divertida.
Harry riu.
-Ser seu cunhado é a melhor parte. –brincou o moreno.
-Estou ligado nesse fato, Potter! –os dois riram.
-É tão bom vê-lo feliz novamente. Saber que tenho meus verdadeiros amigos de volta! –Harry falou postando uma mão nos ombros do ruivo.
-Obrigada por tudo, Harry. Por estar sempre do meu lado, e claro ter tido paciência para me aturar! –riu. Rony deu um abraço no amigo.
-Não foi de graça, Weasley! Depois acertamos a conta! –brincou.
-Com licença. –falou uma voz feminina abrindo a porta. –Estou entrando!
-Mas é folgada! –Harry falou zombeteiro.
-Alana! –Rony exclamou animado e deu um abraço saudoso na amiga.
-Como foi o final de ano? –perguntou super animado.
-Que animação é essa, Weasley? –perguntou com a testa franzida. –Perdeu a memória, foi?
Rony gargalhou.
-Permita que eu o apresente. Alana esse é Rony Weasley, o verdadeiro. Vá se acostumando é daí para pior. –Harry falou rindo. –Rony, reunião daqui quinze minutos, não se atrase! –falou saindo da sala.
-Pode deixar, Harry!
-Então, vai me contar o porquê dessa alegria toda?
-Eu e Hermione, estamos juntos novamente.
-O QUE? –gritou com os olhos arregalados.
-Isso mesmo, loira!
-Espere um minutinho. –pediu calmamente.
-OHHH, MERLIN!!! –Alana exclamou e se jogou no chão, como se estivesse desmaiando.
Rony riu até ficar sem fôlego, pela cena da amiga.
-Você está falando sério? –Alana perguntou ainda deitada no chão, erguendo apenas a cabeça para olhar Rony.
-Claro que estou! Você não bate muito bem da cabeça, sabia?! –riu. –Levanta daí! –ofereceu-lhe a mão.
-Isso é... Maravilhoso! –exclamou excitada. –Suponho que agora ela não tenha mais raiva de mim.
-Raiva? –Rony perguntou confuso.
-Claro,Rony! Com certeza ela pensava que estávamos juntos, certo?
-Sim. –Rony respondia entendendo o que ela queria dizer.
-Ela deve ter me odiado por isso. Ter me chamado de vaca loira, e por ai vai. –falou rindo. –Estou certa?
-Quando à vaca loira eu não sei, mas do resto, sim. –riu.
- Suponho também, que você contou a ela sobre a minha opção.
-Contei.
-Então tudo acertado! Quando vou conhecê-la? –falou com um sorrisão. –Sabe, quero mudar essa imagem da loira que rouba o marido das outras. –gargalhou.
-Não sei quando vai conhecê-la. –respondeu rindo do jeito da amiga.
-Sem graça! –fez bico. –Ela é tão bonita quanto nas fotos, Rony? –perguntou apenas para provocar o ruivo.
-Olha o respeito com a minha mulher! –falou ciumento, porém sabia que Alana estava apenas curtindo com a sua cara.
Alana era além de amiga e brincalhona, também muito respeitadora. E pelo o que Rony percebia através do seu modo de falar, ela amava muito sua companheira.
-Eu não cobiço mulher dos outros, Weasley! Já tenho a minha. –falou rindo.
-Sim, claro... A misteriosa! –bufou. –Agora eu tenho que ir, tenho reunião!Tchau, loira! –falou caminhando para a porta.
-Mas você ainda não me contou como aconteceu! –protestou caminhando atrás do ruivo.
-Como se eu fosse contar! –debochou.
-E você vai! Sei que a coisa pegou fogo. –riu. –Mas eu te poupo dos detalhes.
-Que? –Rony perguntou meio perturbado e envergonhado.
-Tem umas marquinhas no seu pescoço. - falou com um sorriso triunfante.
Rony passou a mão pela gola da camisa tentando subi-la mais.
-Agora está mais disfarçado. –debochou sobre a ação do amigo.
-Credo, você parece a minha irmã! Vê tudo! –bufou ainda constrangido.
-Mais tarde nos falamos, ruivinho! E vou querer saber tudo! –gritou enquanto caminhava pelo corredor.
-Ahhhh... –Alana parou e se voltou para ele, que estava parado na porta da sala da reunião. –Rony, se eu gostasse da fruta, eu te pegava! –falou divertida e saiu às gargalhadas.
-Doida! –Rony retrucou aos risos, e foi para a reunião.
Já era tarde da noite, e Hermione continuava sentada no sofá da sala a espera de Rony. O livro, já não era uma distração. Suas pernas balançavam de maneira impaciente sobre sofá.
Num estalo, Rony se materializou em sua frente, ação que a assustou.
-Rony, você demorou! –exclamou o abraçando com força. –Aconteceu alguma coisa, você está bem? –disparou preocupada.
Rony beijou a esposa nos lábios, saudoso e acariciou sua face.
-Está tudo bem. –riu. –Só tivemos alguns imprevistos. Algumas pessoas aproveitaram até demais a virada do ano. –falou com uma careta.
-Você deve estar cansado.
-É, um pouco. –suspirou.
-Com certeza o jantar já esfriou. Vou pedir a Tayla para arrumar tudo para nós dois. Enquanto isso vá tomar um banho e trocar de roupa. Eu já subo.
-Você não jantou ainda? –Rony perguntou.
-Não.
-Por quê?
-Estava esperando você.
-Não precisa fazer isso, meu amor... Não tenho horário para chegar em casa essa semana, não quero que você passe fome por minha causa. –riu.
-Não ligo para isso. Só quero ficar um tempinho com você. –sorriu e lhe deu um selinho.
O ruivo subiu, tomou um banho bem relaxante, enrolou-se na toalha, e encontrou Hermione sentada na cama a sua espera.
-Achei uma coisa hoje. –Hermione falou vendo Rony se vestir.
-O que? –Rony perguntou curioso.
Hermione pegou a foto dentro do livro e foi até ele.
Rony pegou a foto de sua mão e sorriu.
-Você está simplesmente perfeita nessa foto. –falou com um sorriso enorme.
Hermione ficou calada, analisando o corpo de Rony.
-O que foi? –Rony perguntou.
Hermione alisou o peito e braços ainda despidos de Rony.
Ele a olhava curioso. Hermione tinha uma feição analisadora, como se estivesse vendo algo novo.
-Você está mais... Mais... Forte... Não tinha percebido isso antes. – o olhou.
-Você acha? –perguntou sem dar muita importância para esse fato.
-Sim.
-E isso é ruim? –perguntou rindo.
-Não... Claro que não. Foi só uma percepção. Eu acho você tão... Perfeito. Tudo em você me atrai. É difícil resistir às vezes, sabe?! –falou a última frase com um sorriso.
Rony sorriu.
-Minhas atividades durante esse tempo, foram um tanto mais pesadas. Deve ser por isso. –falou alisando os cabelos de Hermione.
-É... Deve ser. –sorriu para ele e se aproximou mais. Ficou na ponta dos pés, já que Rony era um tanto mais alto que ela, e o beijou nos lábios.
Rony abraçou sua cintura alisando-a por debaixo da blusa e curvou o corpo para que Hermione não precisasse se erguer.
-Já deve estar tudo pronto lá em baixo. E com certeza você está com fome. –Hermione falou sorrindo após o beijo.
-Está sendo difícil resistir? –Rony perguntou divertido.
-Convencido. –riu puxando-o para fora do quarto. –Aproveita que eu estou sendo muito boazinha, sabendo que você teve um dia cansativo. –falou sexy.
-Eu prefiro que você seja má então, na maioria das vezes! –riu com Hermione, caminhando para a sala de jantar, onde contou sobre a visita de Alana, o que levou Hermione as gargalhadas.
A semana estava apenas no começo, e Rony chegava cada vez mais tarde e exausto.
Apesar de ter a companhia de Tayla, Hermione ficava impaciente, sem ter o que fazer. E para se manter ocupada durante o dia, resolvera trabalhar em alguns papéis relacionados ao trabalho.
Na quinta-feira, da mesma semana, Rony chegara às onze e meia da noite, horário particularmente cedo, em relação aos outros.
-Você chegou mais cedo. –Hermione falou sorridente quando o viu aparatar na sala.
-Pois é amanhã vou dar plantão. –falou com a voz cansada abraçando Hermione. Ela fechou o sorriso e suspirou.
-Mas vou ficar a tarde toda com você. –tentou reconfortá-la. –Só preciso estar lá às sete. Essa é a última etapa do treinamento dos novos Aurores. E essa é a minha parte da supervisão. Logo isso acaba, vai ter a formatura e vou ficar mais tempo com você.
-Não se preocupe. –sorriu. –Você precisa descansar. –falou observando sua face cansada, preocupada.
Rony tomou um banho e vestiu apenas uma calça de pano leve. Enquanto isso, Hermione preparava um lanche para o ruivo.
Conversaram um pouco durante o lanche, mas o cansaço de Rony era visível em seus bocejos, e até mesmo na falta de apetite.
Ambos subiram para o quarto, e Rony se jogou de barriga para baixo na cama, suspirando de olhos fechados.
Hermione pegou algo no armário e caminhou até ele. Subiu na cama de joelhos, ergueu um pouco a camisola que vestia e sentou-se sobre as nádegas de Rony.
-Só relaxa. –Hermione falou depositando um beijo nos ombros de Rony.
Colocou um pouco da poção relaxante, com textura de creme, nas mãos e começou a massagear toda a extensão das costas do ruivo. Ele suspirou de contentamento, sentindo as pequenas mãos de Hermione o massagear de maneira firme.
Para Hermione, era inevitável não sentir uma onda de desejo apossar-se dela. Havia praticamente uma semana que não faziam amor. Rony chegava sempre tão tarde e cansado, que o máximo que trocavam era beijos saudosos. Hermione sabia que estava sendo uma semana difícil para ele, e não queria casá-lo mais.
Suas mãos pressionavam as costas do ruivo com mais força, sentindo seu corpo queimar de desejo. Ouviu Rony soltar um gemido baixinho, e estremeceu.
Desceu de cima de Rony, e pediu para que ele virasse.
-Você é maravilhosa, Mione. –falou mais relaxado, fechando os olhos em seguida.
Hermione passou a perna novamente sobre o corpo do ruivo, e sentou-se sobre seu sexo. Suspirou baixinho, sentindo a excitação aflorar cada vez mais.
Rony abriu os olhos, e lhe sorriu acariciando suas coxas desnudas.
Hermione voltou a massageá-lo no peito e ombros, sentindo ambos os sexos roçarem com seus movimentos. Engoliu seco, sentindo suas mãos tremer.
Ela podia sentir o volume de Rony quase que inteiramente, já que o pano da calcinha é fino, assim como a calça de Rony.
Sem resistir, começou a se mover sobre Rony, com mais intensidade, deixando a massagem de lado.
Rony percebera os movimentos de Hermione, e abriu os olhos. Conhecia-a o bastante para saber que estava excitada, e se segurando ao máximo. Sentiu-se culpado pela carência da esposa. Porém, ele também estava, mas o cansaço era tanto, que tudo o que ele mais queria no final do dia era uma cama.
Mas, ver Hermione dessa maneira, o estimulando, era mais que tentador. Adora quando ela toma a iniciativa. Seu corpo começou a reagir com as investidas da morena, o que ascendeu seu fogo. Apertou a cintura da mesma, possessivo, já bastante excitado.
Hermione, sentindo a ereção de Rony, gemeu baixinho e arranhou seu peito.
-Desculpe. –Hermione falou com a voz baixa. Seu rosto estava um pouco corado, o que fez Rony delirar com esse misto de sedução e timidez.
-Não precisa pedir desculpas... Sei que estou um pouco ausente essa semana.
-Você... Não tem culpa. –falou entre suspiros. –Só estou com saudades.
Rony apertou sua cintura, subiu parte do corpo e a beijou. Hermione se entregou totalmente.
Os lábios de Hermione fizeram um caminho de caricias ao longo do corpo de Rony até chegar a seu abdômen. Suas mãos postaram na barra da calça do ruivo e ele a olhou.
Com o intuito de proporcionar prazer a Rony, Hermione lhe sorriu e desceu uma parte da calça, juntamente com a boxer.
Rony só teve tempo de sentir os lábios quentes e macios de Hermione o tocar intimamente.
-Mione... –ele gemeu inconsciente. Postou sua mão sobre os cabelos castanhos da esposa, os alisando de leve.
Os lábios de Hermione eram ágeis, juntamente com sua língua, o que deixava Rony cada vez mais em estado de êxtase. Não se seguraria por muito tempo.
Os lábios de Hermione foram substituídos por sua mão, e assim, Rony liberou todo seu desejo, arfando.
Hermione o beijou nos lábios delicadamente.
-Você não precisava fazer isso. –Rony falou alisando seus cabelos.
-Mas eu quis. Não posso retribuir todo o prazer que o meu marido me proporciona? –perguntou sorrindo.
-Você um dia me mata, Mione. Eu amo você. –falou sorrindo e a beijou.
Hermione se levantou para lavar as mãos e Rony a seguiu até o banheiro para se limpar.
Ela estava distraída encostada na beira da pia. Rony a olhava com desejo e paixão, após se limpar. Sentiu seu sexo doer, e se viu excitado novamente. Sentia falta dela.
Rony caminhou ao seu encontro. Abraçou-a por trás, prensando seu corpo com o dela e beijou seu pescoço. Suas mãos postaram-se sobre os seios da morena, os acariciando com volúpia.
Hermione gemeu em delírio.
-Mione, não vou conseguir me segurar. –falou distribuindo beijos fortes, pelo pescoço da morena, enquanto suas mãos a apertava e acariciava seu sexo.
-E quem disse que você precisa? –perguntou sem fôlego e postou suas mãos para trás descendo as vestes de Rony.
Rony mirou o espelho grande à frente, admirando a feição de puro prazer de Hermione. Sorriu para ela através do artefato. Ela mordeu o lábio inferior extasiada, retribuindo o olhar.
A imagem dos dois fazendo amor é excitante e ao mesmo tempo fascinante. Ambos se olhavam através do espelho o que os estimulava cada vez mais.
Rony desceu a calcinha de Hermione, subiu sua camisola e com um movimento viril e rápido, a penetrou.
Hermione apertou a pedra fria da pia e gemeu. Fechou os olhos com força sentindo as ondas de prazer lhe tomar com mais intensidade.
Rony se movimentava aumentando os movimentos de acordo com o que necessitavam. Apertava-a contra seu corpo, beijando e mordendo a área do pescoço.
-Olha para nós, Mione. –pediu com a voz rouca em seu ouvido.
Hermione abriu os olhos e olhou para o reflexo no espelho.
-Te amo. - sussurrou com dificuldade, sentindo Rony a penetrar mais forte.
-Eu também. –Rony falou praticamente sem fôlego e mordeu o ombro da morena e a apertou mais forte contra seu corpo, sentindo o máximo lhe atingir.
-Rony... –Hermione gemeu com a voz falha, suas mãos se apertaram com mais força na pedra, e seu corpo inteiro explodiu em êxtase.
Rony foi parando os movimentos lentamente, abraçando Hermione contra seu corpo, para que ela não caísse.
-Por que toda vez você me deixa assim? Sem me aguentar em pé? –Hermione perguntou o mirando através do espelho. Estava ofegante e trêmula.
-Não tenho culpa. –riu fraco.
-Tem sim... Muita, muita culpa nisso. –sorriu. –A cada dia que passa, eu agradeço por ter você de volta para mim. –declarou.
Rony a virou para si e alisou seu rosto.
-Eu amo você. –Rony declarou e lhe deu um beijo de tirar o fôlego.
Hermione sentiu seus joelhos fraquejar, e Rony a agarrou.
-Desse jeito, eu nem vou poder mais fazer amor com você! –exclamou rindo.
-Nem pense nisso. –retrucou ainda se sentindo bamba.
Rony a pegou no colo e a levou para a cama.
A semana passara um tanto quando lenta, na opinião de Rony. Apesar do trabalho árduo, sua mente focava no sábado, dia que pretendia concretizar seus planos.
Rony acordara quieto demais neste dia.
Hermione o observava remexer o café-da-manhã, quando sentados a mesa. Preocupou-se em vê-lo assim tão quieto e pensativo.
-Rony, o que está acontecendo? –perguntou preocupada.
Rony continuava distraído, com os pensamentos longe e o olhar perdido, o que o impossibilitou de escutar Hermione.
-Rony! –Hermione o chamou novamente, mais alto, e não obteve resposta.
Hermione se levantou e foi até Rony. Ele apoiava o queixo com a mão direita com o rosto um pouco inclinado para o lado contrario de onde Hermione estava. Ela se inclinou e colocou seus lábios com o dele.
-O que foi? –Rony perguntou assustado.
-Eu é que pergunto! Estou te chamando há horas! O que está acontecendo? –perguntou com a testa franzida.
-Nada. –forçou um sorriso.
Hermione elevou uma sobrancelha descrente na negação de Rony.
-Olha, seja onde for o lugar que você quer me levar, podemos adiar. Você pode descansar...
-Mione, eu estou ótimo. –cortou-a. - Não se preocupe comigo. –sorriu e a puxou para o seu colo.
-Sinceramente? Você está me deixando confusa, Rony.
Rony lhe beijou nos lábios.
-Quanto mais cedo irmos, melhor. –falou ele.
Quando prontos, Rony pegou a mão de Hermione e aparatou numa redondeza, que ela estava reconhecendo.
-Estamos indo para a Toca? –perguntou ela, andando de mãos dadas com Rony.
-Não. –Rony respondeu sério. Seu coração estava acelerado e suas mãos suavam.
-Rony, por favor, me diz o que está acontecendo! –exclamou inquieta sentindo um aperto no peito.
Rony ficou em silêncio o que provou mais nervosismo em Hermione. Ele parou de repente e se virou para ela.
-Eu jurei a mim mesmo, Mione, que só voltaria aqui com você. E hoje é o dia. –Rony falou a olhando nos olhos.
Hermione não entendia o que ele queria dizer. Só quando olhou a frente e viu um portão de grade dourada, seu corpo gelou.
-Não! –foi a única palavra que conseguiu pronunciar com a voz fraca.
-Prontos para saber? –Adela perguntou.
-Eu já sei a resposta. –Gina falou convicta com a voz baixa, porém preocupada.
Harry pegou a mão da esposa e beijou sua testa de maneira protetora. Gina lhe retribuiu com um sorriso, e o viu se afastar para que o feitiço fosse realizado.
Adela pegou a varinha e apontou diretamente para o alto da cabeça de Gina. Com alguns feitiços pronunciados num sussurro, um líquido branco e brilhante começou a deslizar ao redor do corpo de Gina, como se ela fosse um anjo e uma luz a envolvesse.
Chegando até o peito da ruiva, o líquido relutou um pouco em continuar a deslizar, mas ao final, envolveu Gina até os pés, ganhando um azul bem claro de tonalidade. Num segundo, todo o brilho sumiu como se a varinha de Adela o estivesse sugado.
-E então? –Gina perguntou olhando de Harry para Adela.
- É aqui... Que... –Hermione não conseguia completar a frase. Era visível o pânico em sua voz.
-Sim, Mione. É aqui onde Rose está. –Rony confirmou num tom desolado.
-O que... Por que... –Hermione não sabia o que falar exatamente.
-Mione... –Rony falou controlando as emoções. Sabia que seria difícil, mas precisava fazê-lo. –Me escute...
-NÃO! Não... Porque você esta fazendo isso comigo, Rony? –perguntou deixando as lágrimas rolarem.
Rony a puxou para seus braços, e olhou-a nos olhos.
-Você... Precisa.
-Eu não preciso de nada disso! –falou tentando se desvencilhando das mãos de Rony.
Rony rodeou a cintura de Hermione com mais força, para que ela não escapasse.
-Eu não vou entrar nesse lugar! –exclamou em prantos tentando se soltar de Rony.
-Você vai. –Rony falou com a voz trêmula, na tentativa de conter as lágrimas.
-Rony... Por favor... –implorou.
Rony estava se odiando por ter que fazer isso. Não pode evitar uma lágrima solitária de rolar pelo seu rosto, quando ouviu Hermione. Não queria vê-la sofrer, e era justamente por isso que a trouxera no cemitério onde a filha estava enterrada.
-Eu te peço Hermione, não negue uma visita a sua filha. –Rony falou com bastante dificuldade.
Hermione o olhou vendo o sofrimento estampado em seus olhos. Sabia o quanto estava sendo difícil para ele, o quanto ele se fazia de forte para estar ao seu lado. Imaginou o dia do enterro, Rony sozinho. Seu coração apertou mais.
-Desculpe, Rony! Desculpe por não ter estado aqui ao seu lado. –falou com a voz embargada.
-Eu não quero saber do passado, Mione. E sim o agora. E nesse momento eu quero que você entre por esse portão comigo. Você faria isso por mim? –perguntou alisando seu rosto, com as lágrimas embaçando sua vista.
Hermione se abraçou a Rony e ele a envolveu com seu braço longo, num aperto firme. Assim, ambos entraram juntos pelo portão.
Não demoraram a chegar ao local exato da lápide de Rose.
Rony parou de frente para o local, com Hermione de frente para si, tapando sua visão. Engoliu seco, sentindo a dor da perda aflorar, como no dia em que estivera ali. Usou de toda a sua força para se manter firme.
Hermione permaneceu imóvel, de frente para Rony. Sua respiração estava rápida, o coração batendo forte e os olhos arregalados e vermelhos. Rony chegou mais perto e lhe sorriu fraco, enxugando seu rosto molhado.
-Vire. – Rony pediu com a voz baixa.
Hermione negou com a cabeça.
-Você precisa, Mione. –repetiu. –Confie em mim. –falou carinhoso. Pegou-a pelos ombros, e a virou de vagar.
Hermione prendeu a respiração. Agarrou o braço de Rony com força, como se o impedisse de sair de seu lado.
-Eu eu não vou te deixar juntos agora. –falou num sussurro.
Hermione soluçou e mirou a lápide. Seu corpo inteiro tremeu. Sua mão foi à boca, quando leu a frase e viu a rosa branca, sua rosa branca, intacta.
Rony percebendo seu olhar, falou com a voz mergulhada em lembranças.
-Fiz um feitiço para que ela não murchasse.
Hermione estava estática com sua visão focada na lápide.
Era extremamente doloroso estar ali, reviver tudo. Era impressionante a força da culpa em seu ser. A incapacidade, o medo, tudo isso a levava para a escuridão.
-Eu a matei. –Hermione pronunciou depois de longos minutos em silêncio. Palavras pronunciadas completamente sem vida e carregadas de culpa.
Rony se assustou com as palavras de Hermione. Sabia que ela se sentia culpada, e isso o corroia por dentro.
-Você não... –suspirou. –Você não a matou, Hermione.
-Então porque, Rony? Se não fui eu quem desgraçou a vida da própria filha, porque ela foi embora? –perguntou o olhando, num choro desolado.
- Isso não é verdade, Hermione. Você precisa entender que não tem culpa nisso! Ninguém tem culpa! Aconteceu! –Rony falava sem saber dar uma resposta à pergunta de Hermione. Apenas queria que ela tirasse aquela idéia da cabeça.
-Isso não tinha que ter acontecido. –Hermione falou soluçando. Seus joelhos fraquejaram, a levando de encontro à grama. Ajoelha, levou uma das mãos, muito trêmula, de encontro à pedra da lápide contornando o nome da filha.
Rony se ajoelhou ao seu lado, relembrando toda a cena do enterro. Sua mão também foi de encontro à lápide e com os dedos, acariciou a rosa intacta.
-Eu não tive a chance de ver os olhos dela, Rony. Queria que fosse igual aos seus. –falou com um sorriso fraco.
Rony não conseguia dizer nada em relação à filha. A imagem dela imóvel em seus braços ofuscava sua visão.
-Talvez... -Hermione continuou a falar agora, com a feição séria. –Eu não teria sido uma boa mãe.
Rony a olhou indignado.
-Não diga isso... Nunca mais! –falou nervoso, envolvendo a face de Hermione em suas mãos. –Você vai prometer para mim Hermione, que vai esquecer essa história de que é culpada. Isso não é verdade, e nunca foi.
-Não. Eu não posso prometer isso. –falou com a voz rouca pelo choro.
-Pode sim! E você vai! –Rony falou desesperado. –Nós ainda vamos ter filhos, e você vai ver a quão boa mãe você será! –forçou um sorriso.
-Eu não posso te dar filhos. Eu não quero! –falou as palavras falsamente num fio de voz.
-Você quer sim! É o seu sonho, é o nosso sonho! –insistiu.
-Chega, Rony! –falou se levantando, chorando sem parar.
Hermione estava perturbada. Não conseguia mais escutar aquelas coisas. Como Rony poderia acreditar nela, se nem ela própria acreditava? Para Hermione, ele estava se iludindo, tinha esperança em algo que para ela, era inalcançável.
-Não é mais um sonho! –falou passando as mãos pelos cabelos. –Eu sou oca, não consigo gerar um filho! Não quero matar outra criança! –falava inconsolável.
-Eu não admito que você fale assim. –estava tenso com tudo o que Hermione falava. –Tudo pode ser diferente. Foi uma fatalidade Hermione, não vai acontecer novamente! –falava com esperança nas próprias palavras.
-Eu não quero te decepcionar novamente, Rony. Não quero te fazer sofrer. –falou fraca.
-Olha para mim, Hermione. Olhe em meus olhos e diga que não quer mais ter um filho meu. Diga! –falou com a voz firme forçando-a a olhar em seus olhos.
Hermione ficou sem ação. Sua garganta secou e as palavras não saiam.
Não podia negar para si própria, que o que ela mais deseja é um filho, porém, sua consciência a pune por ainda ter isso em mente. É como se estivesse traindo a filha perdida. Estava confusa, sem saber como agir. Mas a ideia de um novo filho a assusta. Não sabe se seria capaz de ser responsável por um ser tão frágil, ou de amá-lo incondicionalmente.
- Está vendo, Hermione. Você quer tanto quanto eu. –falou baixo.
Hermione se afastou dele lentamente. Virou-se e o olhou. Sua cabeça latejava, seus olhos pesavam de tanto chorar. Viu os olhos de Rony vermelhos, e sua feição tristonha, isso a fez sentir-se mais culpada.
Rony retribuiu ao olhar da esposa, esgotado. As palavras de Hermione eram difíceis de suportar, de escutar. Vê-la sendo tão dura consigo mesma, saber que aquele sofrimento estava enterrado no seu peito e ali se alojara, era mais que um sofrimento para ele.
-Rony... -sussurrou e se jogou nos braços do ruivo. –Me perdoa, me perdoa... -falava inconsolável. –Eu não posso te dar o que quer... Não posso.
Rony a apertou em seus braços sentindo-se um fracassado.
Esperara tanto por aquela conversa, por aquele momento... Queria ter Hermione livre daquela culpa. Mas infelizmente, tudo fora em vão.
Desde o momento que soubera que seria pai, para ele fora um dos dias mais especiais da sua vida. Mas essa felicidade durou tão pouco!
E agora tudo o que ele mais queria era realizar esse papel na vida.
Rose era sua princesinha, mas ela se foi, e ele sempre se lembrará dela com amor e como um anjo, um anjo que viera para provar o amor verdadeiro.
Pois era isso que Rony sentia. Rose foi a prova de que o amor dele e de Hermione suportaria tudo, até mesmo a morte de um filho.
-Você não tem porque pedir perdão, Hermione. –falou sério. –Você quer e vai nos dar, um filho. Tenho certeza.
Rony sabia que aquela conversa não surtira muito efeito. Porém, ele não iria desistir. Na sua cabeça, tudo o que Hermione precisa,é de um filho. Só assim, ela seria inteiramente feliz novamente, tendo seu filho nos braços. É tudo o que ela sempre quis, mas o medo a afastava desse sonho, mas ele não deixará que isso a domine.
-Eu vou te tirar dessa coisa ruim, Mione. Eu não vou desistir. –falou olhando-a nos olhos.
Hermione não disse nada. Sentia-se fraca demais para argumentar.
Sentiu Rony a guiar para fora do cemitério, porém seu pescoço ainda estava virado para trás, mirando a lápide da filha.
Quando já na estrada, Rony aproximou Hermione de seu corpo e olhou-a.
-Se não se importa, não quero ir pra casa agora. –falou com a voz fraca. Estava cansado emocionalmente, precisava andar um pouco para espairecer, e queria Hermione ao seu lado.
Hermione concordou sem dizer nada. Sentia-se como Rony, esgotada emocionalmente. E tudo o que quer é ficar ao seu lado.
Harry abriu um sorriso enorme. Foi até Gina e a ergueu do chão com um abraço forte.
-Parabéns papais! Mais um bebê a caminho! E pelo visto, a chance de ser outro menino é grande! –Adela falou sorridente.
-Outro menino?! –Gina falou emocionada.
-Obrigada, Gina! –falou enchendo o rosto da esposa de beijos. - A cada dia que passa você me faz mais feliz! –colou sua testa com a dela, e a beijou calorosamente.
Adela saiu de fininho da sala, para que o casal tivesse alguns minutos.
-Harry! Mais um filho, nosso filho! Isso é... –Gina falou com lágrimas brilhando em seus olhos.
-Perfeito, maravilhoso... Não tenho palavras para definir! –Harry completou. - Eu amo você, Gina.
-Eu também te amo, Harry! – Gina falou radiante e o beijou.
-Acho melhor irmos para casa. James vai adorar a notícia! –Harry falou entusiasmado.
Gina e Harry conversaram por alguns minutos com Alana sobre a gravidez. Deixaram a próxima consulta já marcada e partiram para casa, radiantes.
Rony e Hermione aparataram em Hogsmeade. As ruas não estavam muito cheias.
Andavam de mãos dadas e em silêncio, perdidos em seus próprios pensamentos. A companhia um do outro já era o bastante para ambos.
De repente, Rony e Hermione sentem duas mãos frias, envolver as suas entrelaçadas. Eles se viraram assustados, se deparando com uma senhora vestida com uma capa num tom de verde musgo, seu chapéu tapava seus cachos grisalhos juntamente com o seu rosto, de modo que Rony e Hermione não pudessem o ver.
Antes que Rony ou Hermione pudessem falar algo, a senhora falou numa voz melodiosa:
-O que lhes foi tirado, retornará. O amor prevaleceu, o perdão foi dado. O espírito imaturo voltará para ser amado.
A senhora levantou o rosto, e olhou de Rony para Hermione com um sorriso amoroso nos lábios.
Rony e Hermione estavam paralisados. Olharam para o rosto angelical da senhora, hipnotizados.
A senhora soltou a mão de ambos e se foi.
Rony sentiu como se uma aura o tomasse, carregada de paz.
Hermione sentiu um alívio como há tempos não sentia.
"Você não pode se culpar pela morte de Rose." - Uma voz sussurrou no ar, e apenas Hermione a escutou.
Hermione sorriu para Rony e assim seu corpo desfaleceu nos braços do ruivo.
