RESISTÊNCIA
Hermione abriu os olhos lentamente sentindo as mãos de Rony lhe tocar a face.
Estava deitada na cama do casal, e ele tinha a feição preocupada.
-Mione. –Rony chamou.
-Já estamos em casa? –Hermione perguntou com a voz fraca.
-Sim. Você está bem? Está sentindo alguma coisa? –perguntou preocupado.
-Não. Eu estou bem. Só um pouco zonza.
-Tem certeza? Você desmaiou de repente.
-Eu... –Hermione parou e refletiu.
-Acho melhor você tomar uma ducha e depois comer alguma coisa. Já pedi a Tayla que terminasse o almoço. –Rony falou a cortando. Queria que ela descansasse antes de dizer algo sobre o ocorrido. Teriam muito tempo para conversar.
Hermione confirmou.
Rony a ajudou a se levantar e caminharam até o banheiro.
Rony, percebendo que Hermione estava um pouco fraca e mal se aguentando de pé, tirou as roupas dela com cuidado e encheu a banheira rapidamente com a varinha, deixando a água numa temperatura agradável. Pegou Hermione nos braços e a colocou na banheira.
Rony sentou-se na escadinha que leva a banheira, ficando a acariciar seus cabelos.
- Está melhor? –Rony perguntou depois de minutos.
-Sim.
-Então, agora você vai comer e ficar quietinha. –falou divertido.
Hermione riu.
-Eu não sou criança, Rony. –falou sorrindo, se enrolando no roupão que Rony lhe oferecia.
-Você é a minha pequena. Tenho que cuidar de você! –deu-lhe um beijo singelo nos lábios.
Hermione riu e se abraçou ao ruivo.
Chegando ao quarto, a bandeja com a comida feita por Tayla, já estava posta em cima da cama.
Hermione sentou-se recostada na cabeceira da cama e Rony colocou a bandeja em seu colo.
-Eu já volto. – Rony falou depositando um beijo em sua testa. –Coma tudo! –exclamou da porta.
Rony seguiu o corredor com os pensamentos a mil. As falas da senhora misteriosa, não saiam-lhe da cabeça.
Parou em frente ao quarto de Rose e abriu a porta, visitando o cômodo depois de tempos. Pela primeira vez, Rony soube lidar dar com a dor que estava acostumado a sentir no seu dia-a-dia, dando lugar a uma esperança sem igual, que ofuscava o sofrimento.
Um sorriso saltar de seus lábios foi inevitável.
Ele sabia que todo esse alivio, era por causa da estranha senhora. Apesar de ter sido um fato estranho, ela lhe trouxe paz, que a muito estava em falta em sua alma.
Hermione também não conseguia tirar as falas da senhora de sua cabeça. Sentira-se tão bem minutos antes do desmaio!
Sua agonia para com o ocorrido com Rose, não era o mesmo. A culpa que lhe consumia intensamente parecia ter sido substituída por esperança. Estava completamente confusa, não sabia o que pensar, ou definir o que sentia. Precisava conversar com Rony.
Levantou-se, após dar apenas algumas garfadas na comida, e foi à procura do ruivo.
Quando viu a porta do quarto de Rose aberta, não pensou duas vezes antes de entrar, ação que teria horas atrás.
Seus passos eram automáticos, e não relutantes em continuar em frente. Seu coração acelerou de emoção por sentir-se tão mais leve. Era até estranho a ausência da dor que fora sua companhia por tanto tempo.
Assim como Rony, Hermione sabia que a senhora tinha tudo a ver com sua mudança repentina. Não fugiu-lhe o significado de suas palavras, porém, era algo confuso.
Rony se virou e viu Hermione a alguns passos de distância. Ela se encaminhou até ele, ficando ao seu lado.
-Eu nunca te disse o quanto esse quarto é lindo. –Hermione falou o admirando novamente.
-Ele é único. Sabia que você iria gostar. –sorriu.
Hermione o olhou e sorriu.
Definitivamente, sorrir naquele lugar era uma cena que Hermione nunca imaginara fazer.
-Acho que não deu tempo de você comer toda a comida. –Rony falou divertido, porém, analisava a fundo sua mudança.
-Não estou com fome... -suspirou. –Muita coisa na cabeça.
Rony alisou seu rosto, e antes que pudesse falar algo, Hermione se pronunciou.
-Rony... –falou rápida.
-Sim?
-Você... acha realmente... que eu não tenho culpa com... com a morte de Rose? –perguntou pausadamente.
-É claro que eu acho que você não tem culpa! Nunca que eu te acusaria de tal absurdo! –falou sorrindo.
-Não sei, Rony... Aquela mulher me deixou confusa. Me sinto...
-Esperançosa? Livre? –Rony completou.
-Sim, mas não totalmente. –Hermione o olhou. –Rony, o que isso quer dizer? –precisava de uma resposta.
-Isso quer dizer... –falou lentamente, afastando uma mecha dos cabelos de Hermione. –que temos que seguir em frente. Rose vai voltar para nós, Mione. Mas para isso, você tem que se livrar dessa culpa. Isso só te faz mal.
-Tenho medo, Rony. –sussurrou.
-Medo de que, meu amor? –perguntou carinhoso.
-E se eu não conseguir amar um... –sua voz falhou. –Outro filho?
-Você vai amá-lo. Você só tem que se libertar.
-Não sei se consigo...
-Você consegue. –Rony a encorajou.
Hermione o abraçou forte, sentindo-se protegida.
-Eu quero vê-la feliz, Mione. E nada me alegra mais, do que te ver assim, tão mais aberta em relação a esse assunto. Você não é culpada de nada e nunca foi. Tire isso de sua mente. Só peço que confie em mim, que me deixe guiá-la. Em breve seremos uma família completa.
Hermione engoliu seco, com suas palavras. Sabe o desejo de Rony em ter outro filho. Esse também é o seu próprio desejo, mas o medo está ali, instalado. Hermione não quer de maneira alguma repetir todo o pesadelo.
Após a consulta, Harry e Gina passaram na Toca para buscar James que passava uma tarde com os avós.
Molly não deixou de perceber a alegria do casal, os olhando questionadora.
Gina não queria dizer nada por enquanto. Assim como Harry, a ruiva queria dar a notícia primeiramente a Rony e Hermione, porém, não poderia deixar de dizer algo a mãe.
-Logo você saberá mamãe! –falou radiante, sobre o olhar questionador da matriarca.
Molly sorriu já suspeitando, e não fez perguntas.
Os três se despediram de Molly e Arthur e se foram para casa.
Os Potters chegaram em casa, aos risos. James soltava altas gargalhadas enquanto seu pai lhe enchia de cócegas.
Assim que entraram na sala, Harry colocou o filho no chão, que logo correu em direção as escadas.
-Ei, Mocinho! Venha aqui! –Gina chamou sorrindo.
James correu de volta até os pais, que se sentaram no sofá. Harry pegou o filho e o sentou em seu colo.
-Mamãe e papai precisam conversar com você. –Gina falou carinhosa.
James olhava para os pais prestando bastante atenção.
-Lembra que você queria um "mãozinho"? –Harry perguntou alisando os cabelos do filho. James confirmou.
-"Mãozinho"! –exclamou sorrindo.
-Agora você vai ter um. Mamãe tem uma sementinha crescendo aqui dentro. –Gina apontou para sua barriga. –E daqui a algum tempo, você vai ter um irmãozinho. –sorriu.
-Aqui? –James perguntou pousando as mãozinhas na barriga de Gina.
-Sim, meu amor! –Gina falou emocionada.
James olhou curioso para a barriga de Gina. Alisava-a com carinho e logo depositou um beijo sobre ela.
Gina sentiu as lágrimas inundarem seus olhos, e sorriu para Harry, que também tinha um lindo sorriso nos lábios.
-"Mãozinho"! "Mãozinho"! –James repetia sem parar, batendo palmas.
Harry beijou a face do filho, muito contente.
-Agora vai ser "mãozinho" o dia todo! –riu com a companhia de Gina.
Ambos estavam felizes por James gostar da ideia de um irmão. Afinal, todo o cuidado agora era necessário. Não queriam que James se sentisse excluído com a nova criança. O amor pelos dois é igual, não há comparações.
-Xiiii, Filhão!!! Está na hora do banho! Você está fedorento! –Harry exclamou brincando com o filho.
-Banho não! –James exclamou escandalizado. Pulou do colo de Harry e saiu correndo para as escadas.
-Volta aqui, fedorento! –Gina exclamou de pé, rindo do filho. Harry postou-se ao seu lado, vendo o filho sumir pelas escadas.
Harry deixou o filho curtir seus momentos antes do banho e se virou para Gina. Alisou sua barriga com carinho e beijou seus lábios.
Gina olhou em seus olhos e suspirou.
-E agora? –perguntou preocupada.
-Amanhã conversaremos com o Rony primeiro.
Gina confirmou.
-Vai ficar tudo bem. –Harry tentou tranquilizá-la.
Gina descansou a cabeça em seu peito, postando uma mão sobre a de Harry que ainda estava em sua barriga.
-Queria que Rony e Hermione pudessem desfrutar da mesma felicidade. –falou pesarosa.
-Eles vão. Tenho certeza disso. –Harry falou convicto, torcendo pelos amigos. –O que aconteceu foi muito traumatizante, mas tudo vai se ajeitar.
-Não gosto nem de pensar... Só de imaginar que...
-Não... –Harry a cortou. –Não pensa nisso. –sorriu. –Vem, vamos buscar aquele ruivo fedorento para um banho! –falou divertido fazendo Gina rir.
-Já sabe, debaixo da cama! –Gina lembrou o esconderijo do filho.
-Isso está virando mania. Quem será que ele puxou por não gostar de tomar banho?
-Eu é quem não foi! –falou subindo as escadas.
-Não? Fiquei sabendo que quando você era menor também não gostava de tomar banho! –Harry falou rindo da cara da esposa.
-Isso não é verdade! –Gina desconversou.
Harry abraçou a esposa por trás e beijou seu pescoço.
-Minha fedorentinha! –falou rindo.
-Eu não sou mais! – Gina falou fazendo bico, porém, ria.
-Eu sei que não. –Os dois riram e foram dar banho no filho.
Segunda-feira chegou o que Hermione agradeceu aos céus por poder voltar ao trabalho.
Rony caminhava até sua sala, num horário relativamente cedo. Hermione queria chegar alguns minutos mais cedo no trabalho e Rony fez questão de acompanhá-la até sua sala.
Chegando à sala, para sua surpresa, não só Harry já estava presente, como havia outra pessoa presente.
-Gina! –exclamou surpreso abraçando a irmã. –O que faz por aqui?
-Nada demais. –falou com um meio sorriso.
-Chegou cedo, Harry! –falou cumprimentado o amigo.
-Pois é... –Harry falou sem jeito.
-Aproveitando que os dois estão presentes, queria contar uma coisa.
-O que foi? O que aconteceu? –Gina perguntou.
-Não, não aconteceu nada de grave... E sim algo muito estranho. –parou por um momento. - Eu levei Hermione ao cemitério onde Rose está.
-Como? –Gina perguntou aturdida.
-Por quê? –Harry perguntou.
-Ela precisava ir! É complicado... Hermione se culpa por tudo o que aconteceu, diz que não quer mais filhos. Ela tem medo... –falou num tom desolado.
Gina engoliu em seco e olhou para Harry.
-Medo de que? –Gina perguntou com medo da resposta.
-Ela acha que está traindo a Rose, acha que não conseguirá amar outro filho...
-Rony, tudo foi muito rápido, ela está em choque ainda. Daqui um tempo ela vai mudar esse pensamento. –Harry tentou argumentar.
-Eu também penso assim... Mas a convicção com a qual ela diz isso é impressionante. Depois da ida no cemitério, juro que pensei que tudo estava perdido... Mas... –parou.
-Mas... –Gina incentivou.
-Um encontro mudou tudo, pelo menos para mim. Já para Hermione, acho que nem tanto. –Rony falou com pesar. –Mas só de saber, que ela não acredita mais que seja responsável pelo o ocorrido, isso me tira um peso.
-Que encontro? –Harry perguntou.
Rony contou a eles todo o ocorrido naquela tarde, chegando ao final da conversa deles no quarto de Rose.
Harry e Gina estavam de olhos arregalados e bastante surpresos.
-Que coisa mais estranha! –Harry exclamou pensativo.
-E eu não sei! –Rony falou.
-Rony, você acha que o que ela disse é verdade? Que isso pode acontecer? –Gina perguntou.
-Não sei, Gina. Como eu disse, tudo mudou. Não é como antes. Me sinto tão esperançoso... –falou confuso.
-Isso é ótimo! –Gina falou.
-Sim, é ótimo... Mas, eu sinto que Hermione ainda se nega a ter filhos. Acha que tudo vai se repetir. Mas eu sei que ela quer, sempre foi o sonho dela. E eu também quero mais que tudo, ter um filho! –falou olhando para o casal. –Acho que no fundo, eu acredito no que aquela senhora disse, mas não quero me iludir.
Gina abaixou a cabeça e Harry pigarreou desconcertado.
Rony, depois de uns segundo absorto em seus próprios pensamentos olhou para os dois a sua frente, bastante curioso. Gina estava diferente, e sua tensão era visível.
-Você está diferente, Gina. –falou com a testa franzida.
-É... Estou? –perguntou tensa.
-Sim... E tensa também. O que aconteceu? Te conheço, você quer me dizer algo. O que é? –perguntou olhando da irmã para Harry.
-Impressão sua, Rony. –falou mais tensa, se isso era possível.
-Não fuja, Gina. Você não veio aqui à toa. Harry? –chamou, passando a palavra para ele.
-Rony... –Harry falou com a voz trêmula.
-Quer parar de enrolar vocês dois? –perguntou Rony impaciente.
-Harry, não... –Gina falou temerosa.
-Quanto antes melhor, Gina.
Rony bufou.
-Ok, tudo bem... Deixe que eu falo. –Gina falou respirando fundo.
-Rony... –Gina começou. –Eu... Nós... –gaguejou. –Vamos ter outro filho. –falou num fôlego só.
Rony ficou estático.
-Você está grávida? –perguntou com os olhos arregalados.
-Sim. –respondeu num fio de voz.
-Olha, eu não quero... WOUUUUUUUUUU - Gina foi interrompida.
Rony a ergueu do chão num forte abraço e a rodopiou.
-Rony! Eu vou ficar enjoada! –exclamou rindo.
-Ok, desculpe! –Rony falou feliz a colocando no chão. –Isso é maravilhoso! Parabéns! –Falou abraçando a irmã novamente e Harry logo depois.
-Sério?Obrigada, Rony. –Harry falou um pouco confuso, porém, radiante. –Fico mais aliviado que não tenha se chateado.
-E porque motivo isso aconteceria?
-Você sabe o porquê, Rony... –Gina falou. –Fico tão mais aliviada, você não sabe o quanto! –falou radiante.
-Sua bobinha. –Rony riu bagunçando os cabelos da irmã. –Não tem como não ficar feliz!
-Mas com você é uma coisa, Rony... Agora com a Mione, eu não sei como será... –Gina falou. –Não quero magoá-la...
-Verdade, as coisas com ela não vai ser tão simples. –Rony falou fechando o sorriso. Mas ele não queria preocupar a irmã e nem deixá-la triste num momento de felicidade.
–Fique calma, ok? Não se preocupe com isso. –Tentou confortá-la.
-Como não, Rony?!?!
-Eu posso contar a ela. –Rony sugeriu.
-Não! Acho melhor eu mesma contar.
-Certo. –Rony refletiu. -Talvez, estamos vendo a coisa por um lado muito negativo. Talvez, essa notícia desperte o desejo da Mione em ter outro filho...
-Não sei, Rony... Pelo o que você falou hoje... Mas tomara, queremos vê-los felizes. –Harry falou.
-Não quero que nenhum de vocês dois fiquem preocupados com isso. Vocês têm outras coisas para se preocuparem agora.
-Mesmo assim só ficaremos tranqüilos quando falarmos com ela. –Harry falou.
-No domingo vamos a Toca. E vocês também. –Gina falou. –E lá eu conto.
-Ok. –Rony concordou. –Bom, hora de trabalhar, Potter! Agora você tem mais um para sustentar! –riu.
-Não precisam me mandar embora, eu já vou! –Gina falou rindo. –Não se esqueça Rony, domingo!
-Pode deixar irmãzinha!
Gina revirou os olhos. Despediu-se dos dois e se foi.
Após o trabalho, Rony chegou em casa e encontrou Tayla na sala.
-Olá, Tayla!
-Olá, meu senhor! –falou fazendo uma reverência. Rony riu.
-Hermione já chegou?
-Sim, sim. Minha senhora está no quarto.
-Obrigada, Tayla.
-Ao seu dispor, senhor! –sorriu.
Rony subiu as escadas correndo, estava louco para ver Hermione.
Entrou no quarto e não a viu. Caminhou silenciosamente até o banheiro, e lá estava colocando algo na boca e logo tomando um gole de água. Rony estranhou.
-Mione? –chamou.
Hermione se virou assustada deixando o copo escorregar de suas mãos e espatifar no chão.
-Rony! –exclamou tensa. –Que susto! –suas mãos tentavam guardar a cartela na caixinha, mas estava muito trêmula.
Rony foi até ela e pegou a caixa de suas mãos.
-O que você estava tomando? –perguntou curioso, analisando a caixa e a cartela.
-Não é nada demais. –falou paralisada.
-Porque você está tão tensa? –Rony perguntou desconfiado.
-Impressão sua, Rony. –falou desviando a mirada.
-Então, não vai me dizer o que é isso?
-Já disse que não é nada! –falou seca.
-Se não fosse, você não estaria me tratando assim. –insistiu.
-Me dê isso! –falou puxando a caixa da mão de Rony e acabou pisando nos cacos de vidros. –Aiiii!
-Eu não sou idiota, Hermione. Sei que isso é re... Remédio. –falou devagar para acertar a palavra.
Num aceno da varinha Rony refez o copo, e foi atrás de Hermione que se sentara na cama. Analisou seu pé que estava sangrando devido ao corte e o limpou com um pedaço de algodão.
Hermione se mantinha em silêncio.
-Pra que isso serve, Mione? O que você tem? –perguntou preocupado.
-Eu não tenho nada! Que saco! –exclamou irritada.
-Ótimo! –Rony falou também irritado. Pegou a caixa das mãos de Hermione e leu o que estava escrito.
-Rony... –Hermione chamou baixo.
-Espere ai! Eu sei o que é isso! –falou assustado. –O já falou disso. Contra... Contraceptivo... –falou pensativo. –Isso aqui é aquela coisa trouxa que não deixa as mulheres engravidarem, não é? –perguntou nervoso e incrédulo.
Hermione manteve a cabeça baixa.
-Responde, Hermione! –falou alterado.
-É. –falou num fio de voz.
Rony suspirou.
-Por quê? –perguntou triste.
-Porque sim! –Hermione exclamou com a voz embargada.
Rony enfureceu-se.
-Você... –picotava a caixa e a cartela com dificuldade. –Não vai... Mais tomar... Essas porcarias! –falou pausadamente, jogando os pedaços no chão.
-Isso é ridículo, Hermione! –exclamou frustrado.
Sabia que não podia forçá-la a tanto. Mas era inaceitável vê-la tomar remédios para impedir uma gravidez.
-Você não entende! –exclamou com os olhos embaçados pelas lágrimas.
-Entendo sim! E quero te ajudar!
Hermione não disse nada. Olhou-o e saiu do quarto batendo a porta em seguida.
-Mione, MIONE! –Rony chamou em vão. –DROGA! –gritou socando os travesseiros.
No jantar, Hermione não apareceu. Fato que deixou Rony mais desanimado do que já estava. Acabara por perder a fome, dando apenas algumas garfadas na comida. Irritado por ficar ali sentando, sem vê-la, Rony se levantou e foi à sua procura.
Por intuito, foi direto ao quarto de Rose. E lá estava ela, sentada na cama de babá, com um dos ursos de pelúcia que enfeitava o quarto, nas mãos.
Rony parou no batente da porta e a olhou, sem saber o que dizer.
-Não está com fome? –perguntou inconsciente.
Hermione o olhou surpresa por sua presença, e voltou a olhar para o ursinho.
-Não. –respondeu suspirando profundamente.
Rony ficou impaciente e foi até ela, sentando-se na sua frente.
-Me desculpe, não queria ter me irritado.
-Não precisa pedir desculpas, eu sou o monstro aqui, não você. –falou sem olhá-lo. Estava muito envergonhada.
-Olha para mim. –pediu. Hermione não atendeu ao seu pedido.
-Por favor, Mione.
Hermione a muito custo levantou a face completamente corada para Rony.
-Nós já conversamos sobre isso. –Rony falou.
-Conversar não quer dizer que eu aceite o fato de ter outro filho, Rony.
Rony a ignorou.
-Promete para mim que não vai mais tomar aquelas coisas. –pediu.
-Se você quer assim... Eu prometo.
-Não sou eu que quero isso. Nós queremos. –corrigiu.
Hermione não discutiu, sabia que seria em vão. Mas ela cumpriria sua promessa.
-Desculpe... –Hermione falou o abraçando forte.
-Até agora você não me deu um beijo, e eu já estou com saudades. –Rony falou mudando de assunto.
Hermione sorriu e colou seus lábios com os dele.
Minutos depois, Rony aproveitou que Hermione fora tomar banho e se encaminhou até o telefone. Procurou um número na caderneta ao lado e discou.
-Certo. Obrigada. Boa noite. –falou ao fim da curta conversa. Desligou o telefone e se foi para o quarto.
Na tarde do dia seguinte, Rony estava sentando num sofá branco, um tanto ansioso. Estava ali fazia dez minutos.
Antes que pudesse se levantar novamente e ficar andando de um lado para o outro, um senhor vestido de branco apareceu.
-Rony! Fiquei tão surpreso com sua ligação ontem. – falou o cumprimentando.
-Preciso muito conversar com o senhor. –Rony falou um tanto ansioso.
-Sim, claro! Venha comigo até minha sala. Assim conversaremos mais tranqüilos.
Rony confirmou e caminhou logo atrás de Aristides.
Rony sentou-se numa cadeira que Aristides lhe ofereceu, e esperou que ele se acomodasse.
-Muito obrigada por me receber assim, tão em cima da hora. –Rony começou a falar.
-É um prazer! –sorriu. –Mas não estou vendo Hermione...
-Ela não veio. Na verdade... –falou um tanto envergonhado. –ela não sabe que eu vim. E se não for pedir muito, preferiria que ficasse só entre nós dois.
-Claro, sem problemas. –falou compreensível.
-Porém, Doutor...
-Por favor, me chame apenas de Aristides. –sorriu.
-Certo. –Rony falou também sorrindo. –O assunto com que quero ter com o senho... Com você... -corrigiu. –é exatamente sobre Hermione.
-Imaginei.
-Ontem, eu peguei Hermione tomando uns remédios...
-Pílula anticoncepcional... -Aristides emendou.
-Sim...
-Ela não lhe contou que estava tomando?
-Não. Desde o que aconteceu com Rose, tudo foi muito confuso. Eu e Hermione acabamos de reatar o casamento. Ficamos separados por um bom tempo... Mas creio que de qualquer formar ela não me contaria.
-Lamento por isso ter acontecido depois de tudo o que passaram. Mas, pelo que posso observar, ela também não lhe contou que veio até mim para que eu receitasse o contraceptivo.
-Não, não contou. –falou triste. –Desde quando ela toma essa coisa?
-Provavelmente há um pouco mais de duas semanas. Ela tinha uma consulta marcada para a segunda-feira da semana do ano novo. Exames de rotina... E ela aproveitou para pedir a receita.
Rony suspirou intrigado. Porque ela tomaria essas pílulas se estavam separados?
-Não entendo... –falou confuso. –Nós ainda estávamos separados... –falou mais para si mesmo. –Uma mulher que toma essa... Essa pílula é para não engravidar, estou certo?
-Sim...
-Não entendo o porquê de ela tomar essas pílulas... –falou pensativo. –Mas isso não importa agora... -voltou a olhar para o doutor. –Aristides, eu quero saber exatamente como está a saúda de Hermione, está tudo bem com ela?
-Fisicamente, sim. Mas eu creio que o emocional dela esteja um tanto abalado.
-E está. Ela se nega terminantemente em ter filhos. Tem medo... Acha que tudo pode voltar a acontecer. –suspirou. –E na verdade, eu também tenho só que o meu desejo de ser pai, é maior que o medo.
Aristides se sensibilizou com o modo que Rony falava. Apesar de ter presenciado muitos fatos durante sua carreira, a tristeza de uma família, a dor, o sofrimento são coisas que não tem como se acostumar.
-É compreensível, que ela e você estejam se sentindo assim, Rony. O choque é grande, e às vezes, muitos pais não conseguem se recuperar dele. Já fiz muitos partos ao longo da minha carreira, e nem todos obtiveram o mesmo sucesso de uma criança saudável vir ao mundo, ou uma mãe ter a chance de cuidá-lo. Outros pais, simplesmente ignoram o filho, o rejeitam...
-Isso é horrível! –exclamou praticamente sem fala.
-Concordo, Rony. Mas o ser humano é algo complexo e com livre arbítrio. Para mim, o nascimento de uma criança é algo sagrado, não é a toa que escolhi essa área na medicina. Mas infelizmente nem todos pensam o mesmo.
-É verdade... O que eu não daria para estar com minha filha, aqui, agora... –parou com o olhar perdido por um momento. –Mas, Aristides... –voltou a falar. –quais as chances de tudo acontecer novamente com Hermione, numa futura gravidez? –perguntou temeroso.
-Rony, uma gravidez nunca é igual à outra. Hermione pode muito bem vir a apresentar os sintomas da outra gravidez, como simplesmente ela pode não ter nada. Não se pode dizer quais os riscos, qual a porcentagem...
"É mais comum a pré-eclampsia surgir em gestantes de primeira viagem, como Hermione. Ainda mais que a mãe dela, Maree, teve a mesma doença. Mas se ela engravidar novamente, isso não quer dizer que não vá acontecer. Mas sinceramente, eu acho que não. Já tive muitas pacientes como os casos de Hermione, outra até piores. E a maioria delas, engravidou novamente, e tudo correu perfeitamente bem."
Rony ficou tenso. Apesar da maneira segura que Aristides falava tudo aquilo, não pôde deixar de sentir medo só em imaginar todo o sofrimento novamente.
Aristides viu a feição preocupada de Rony e tentou acalmá-lo.
-Rony... Pelo que você falou você quer muito um filho. E Hermione também. Eu via isso quando ela vinha se consultar.
Rony prestava muita atenção nas palavras de Aristides.
-Agora eu falo não como um profissional, e sim como um amigo. Nada na vida é por acaso... Tudo tem uma finalidade...
-É... Eu tive a prova disso... –Rony falou com um sorriso torto.
-Se você quer tanto ter um filho... Acredite nisso, realize esse sonho. Ajude Hermione, faça com que ela veja o lado magnífico da maternidade, e não o sofrimento.
-É difícil... -falou baixo.
-Ninguém disse que seria fácil... Mas nem por isso você irá desistir, não é mesmo? –sorriu.
-Não. –Rony sorriu em reposta.
-Mas lembre-se de uma coisa: Hermione não pode deixar de fazer o acompanhamento médico, isso é muito importante.
-Claro... –Rony confirmou. –Aristides, só mais uma pergunta... Se Hermione parar de tomar aquelas pílulas, causa algum dano a saúde dela?
-Não, não... Mas, sem proteção, há chances de gravidez.
Rony sorriu. Conversou com durante mais alguns minutos, coisas de menor importância e retornou ao trabalho, com os pensamentos longe.
À noite, quando Rony chegou em casa, foi diretamente procurar Hermione. Precisava conversar com ela, e tirar aquela dúvida que o estava matando.
Encontrou-a no quarto, enrolada num roupão. Acabara de sair do banho.
-Oi. –Rony falou um tanto inebriado com sua imagem. Deu-lhe um beijo saudoso em seus lábios e sorriu em seguida.
Hermione se arrepiou e tratou logo de sair dos braços de Rony. Ele estranhou seu movimento repentino, mas tinha outra coisa para esclarecer no momento.
-Mione, posso fazer uma pergunta? –falou sentando-se ao seu lado na cama.
-Claro, Rony!
-Há quanto tempo você tomava aquela coisa?
-Esse assunto de novo, Rony? Eu disse que não...
-Só quero que responda, mais nada.
-Um pouco mais de duas semanas. Mas porque a pergunta?
-Pelas minhas contas, há duas semanas, nós ainda não estávamos juntos... Por quê? –perguntou o último de repente.
-Por que o que? –perguntou confusa.
-Porque você começou a tomar, sendo que estávamos separados?
-Sinceramente... Eu não sei, Rony. Eu tinha a esperança de que se você não perdoasse, queria pelo mesmo ter você mais uma vez. –falou envergonhada. –E não queria ter surpresas...
Rony sorriu e a abraçou. Em seguida, afastou-se dela o bastante para acariciar seu rosto delicado e ainda corado.
-Eu amo você. –sussurrou rente aos seus lábios.
-Eu também. –sorriu em resposta e sentiu os lábios de Rony tocar nos seus.
Hermione sentia o beijo cada vez mais intenso.
-Acho melhor irmos jantar. Estou morrendo de fome. –Hermione falou após o beijo, sorrindo e puxando Rony pela mão.
-Vou tomar uma ducha bem rápida e já desço. –falou sorrindo –Não vai trocar de roupa?
Hermione olhou para si, e percebeu que ainda estava de roupão.
-Nem percebi! –riu. –Eu te espero aqui, para descermos juntos. –depositou um selinho em seus lábios.
-Ok, não demoro. –Rony se foi para o banheiro.
Durante o jantar, conversavam sobre o dia e vários outros assuntos.
Após terminá-lo, Hermione disse estar muito cansada e doida para deitar e dormir.
Rony, não tendo alternativa, seguiu os mesmos passos de Hermione. E logo percebeu que seu corpo necessitava de uma cama.
À medida que os dias se passavam, Rony ficava cada vez mais intrigado com Hermione.
A seu ver, ela estava cada vez mais distante, e até mesmo o evitando.
Será que eram penas coisas de sua cabeça? Rony achava que não.
Toda vez que a abordava de maneira insinuante, ela o cortava. Sentia que seus beijos eram cada vez mais cautelosos, como se tivesse medo, que a partir dele, resultasse em algo mais íntimo.
Para ele, suas atitudes eram muito estranhas. Ela nunca o evitara daquela forma. A menos que estivessem brigados, mas quando isso acontecia, ela fazia questão de deixar bem explícito.
Apesar de ficar muito frustrado com tudo isso, Rony não forçava a barra. Quando percebia suas indiretas, botava o corpo fora, virava e dormia completamente confuso e irritado.
Não podia negar, estava realmente com saudade de Hermione. Podia-se dizer que estava subindo pelas paredes. Além disso, sentia falta de seus carinhos, dos seus beijos calorosos, da paixão que emanava dela. Sentia falta de um simples abraço forte, de um aconchego de Hermione em seu peito.
Será que Hermione perdera a atração por ele? Deixara de amá-lo?
São perguntas, entre outras, que rondam a cabeça do ruivo insistentemente. Rony não entendia o porquê de tudo aquilo.
Talvez ela esteja confusa, e não consegue se soltar. –pensava ele como única explicação, que lhe passava pela cabeça.
O que não era muito lógico. Sentia a resistência de Hermione. Sentia o quanto ela lutava para não sucumbir a suas caricias.
Rony estava muito confuso.
E o fato, de que Hermione logo saberia da gravidez de Gina, fez com que Rony, fingisse que nada estava acontecendo, apesar de não conseguir demonstrar isso na suas atitudes.
Apesar de estar tentando se controlar ao máximo, e dar um tempo para ela, Rony não sabia dizer até quando aguentaria aquela situação.
Evitar Rony, fora a única saída de Hermione. Sabia que estava em seu período fértil e não queria correr riscos.
Na sua concepção, era o certo a fazer, porém era uma tarefa muito difícil evitá-lo.
A cada vez que Rony a abordava, sedento, com beijos e carinhos insinuantes, seu corpo gritava por ele, clamava por uma noite de amor. Mas seu desejo era controlado pelas consequências em que poderia se dar no final.
Com isso, evitava ao máximo ficar perto de Rony, de tocá-lo, ou de até mesmo beijá-lo. Martirizava-se por isso, se corroia por dentro, em vê-lo frustrado, e também, a tristeza que se fixava em seu rosto.
Via-o virar num movimento brusco na cama, evitando olhá-la e conseqüentemente uma briga. Seu coração se partia. Estava sendo egoísta, novamente.
Mas não podia arriscar, não podia correr esse risco.
Domingo, dia de ir a Toca, chegou. Dia, também, em que Harry e Gina, dariam a notícia a Hermione.
Harry e Gina foram os primeiros a chegar a Toca, onde só havia os pais da ruiva. Minutos depois, Rony chegou acompanhado de Hermione, o que deixou Gina bastante inquieta. Harry entrelaçou sua mão com a dela, lhe transmitindo calma.
Depois de alguns minutos conversando, Harry se levantou e puxou Gina a abraçando por trás.
-Hermione, será que poderia vir conosco? –Harry pediu.
Hermione os olhou intrigada, porém não fez objeções e seguiu-os.
Rony, Molly e Arthur, que já sabiam da novidade, olharam os três que subiam as escadas.
-Eu vou dar uma volta. –Rony falou com os pais e se foi, deixando James com eles.
Harry abriu a porta do quarto de Gina, deixando que as duas entrassem na frente, e fechou-a logo atrás de si.
Hermione estava intrigada e com certo grau de curiosidade.
-O que querem falar comigo?
-Precisamos te contar uma coisa. –Harry se pronunciou um tanto tenso.
-Então contem. –sorriu. –Não sei por que tanto mistério!
Gina olhou para Harry com os olhos arregalados, como se clamasse por ajuda.
-Mione... – Gina se pronunciou com a voz trêmula, desviando a mirada para Hermione.
Hermione observou bem a amiga a sua frente. Ela estava tensa, e Hermione não gostou de constatar isso. Será que acontecera algo?
Porém, observando-a mais atentamente, pode perceber que ela estava diferente. Não sabia o que. Talvez seu jeito, seu corpo... Como se ali estivesse o recado de algo.
Desviou o olhar para Harry, olhando em seus olhos. Não pode deixar de perceber, agora que o analisava com atenção, um brilho diferente em seus olhos.
-Mione... –Gina chamou novamente percebendo seu olhar analisador.
Harry postou-se ao lado de Gina, preocupado com o silêncio de Hermione.
-Espere um momento... –Hermione pediu com a voz fraca.
Uma cena, de alguns minutos atrás, veio-lhe a cabeça repentinamente. Harry abraçado a Gina e lhe acariciando a barriga inconscientemente.
Sua boca se abriu, como se fosse pronunciar algo, mas a voz não saia. Instantaneamente, seus olhos se encheram de lágrimas.
Era óbvio! Era isso que eles queriam lhe contar, só podia ser! Todo aquele nervosismo, e aquele jeito diferente de Gina, igual à primeira gravidez. Parecia haver um letreiro em sua testa a denunciando.
-Eu... Eu sei o que querem me dizer. –falou num sussurro.
-Sabe? –Gina perguntou no mesmo tom de voz.
Harry e Gina estavam apreensivos. Não sabiam como reagir, ou o que falar. Gina apertou a mão de Harry com força, sentindo a tensão aumentar.
-Você está grávida. –respondeu imediatamente. Uma única lágrima rolou por sua face.
Gina engoliu em seco. Suas pernas bambearam em ver o estado de Hermione. Harry agarrou sua cintura lhe dando firmeza. Sua voz não saia. Não conseguia confirmar o fato.
-Sim... ela está. –foi Harry quem respondeu. Olhava nos olhos da amiga, e nele pode sentir toda sua dor, todo seu medo.
Hermione ficou paralisada, o que realmente deixou Harry e Gina preocupados.
Por quê? Porque ela não podia passar por essa fase sem medo, sem receios? Gina estava ali, com seu segundo filho, e ela... Sem nenhum.
Hermione se repreendeu rapidamente por pensar isso. Como era tola! Egoísta! Idiota! Estava demonstrando total inveja dos amigos, pessoas que são sua família, pessoas que estão ao seu lado, sempre... Como podia? Isso é simplesmente ridículo! Ela era ridícula por chegar a tal ponto.
Lágrimas de raiva desceram pelo seu rosto. Raiva de si mesma, por ser uma inútil.
Mas por outro lado, sentiu um calor penetrar em seu peito. Seus amigos, pessoas que já passaram por tanta coisa trágica na vida, estava ali, na sua frente, com mais um furto do amor... Mais uma vida que teria pais maravilhosos.
A alegria a tomou de maneira avassaladora. Estava feliz pelos amigos! Uma felicidade que era irreal para ela. Não pode haver pessoas mais merecedoras da felicidade, do que aquelas duas, a sua frente.
Depois de alguns segundos refletindo, o que Gina e Harry apenas a olhavam temerosos, Hermione foi até a ruiva, apressada, e a abraçou forte.
-Desculpe... Desculpe... –falava com seu choro forte e desolado. –Eu não queria... Não queria pensar em bobagens... Perdoem-me... Não quero que pensem mal de mim...
-Nunca, Mione... Nunca... –Gina falou tentando segurar o choro.
-Estou... estou realmente... feliz... por vocês! –falou com dificuldade.
Hermione separou-se de Gina e olhou para sua barriga, ainda lisa. Sua mão começou a movimentar-se lentamente até ela.
-Cuide... dele, Gina. Não deixe que nada o aconteça. –falou olhando nos olhos da ruiva, que ali, pode ver o medo de Hermione.
Hermione temia pela amiga. Temia com tal intensidade, como se fosse com ela própria.
Gina apenas confirmou com a cabeça. Não conseguia falar.
Hermione pousou a mão delicadamente na barriga de Gina. Um soluço alto soltou de sua garganta e retirou a mão rapidamente.
Harry embalou Hermione num abraço forte, não estava suportando vê-la daquela maneira.
-Para...para... –Hermione não conseguia completar a frase.
Harry sentia todo o corpo de Hermione tremer, e seu choro intensificar. Afagou seus cabelos com carinho, sentindo seu coração cada vez mais apertado.
-Não precisa falar nada, Mione. –falou baixo apertando Hermione mais forte em seus braços. Olhou para Gina e viu seu rosto molhado pelas lágrimas.
-Me desculpe... –Hermione falou um pouco mais calma. –Eu realmente estou feliz por vocês... Vocês merecem.
-Mione, olha para mim. –Harry pediu erguendo seu rosto com as duas mãos.
Seus olhos estavam muito vermelhos, e o rosto marcado pelas lágrimas.
-Você também merece! Não desista... Você consegue! –falou com desespero na voz.
Hermione fechou os olhos, negando com a cabeça. Tirou as mãos de Harry de seu rosto e olhou-o.
-Eu preciso ir. –falou de repente. –Esse be... bebê... vai ser muito amado!
Hermione sorriu sinceramente para os dois, e saiu do quarto.
-Hermione, espera! –Harry gritou, sem sucesso.
Suspirou derrotado, e abraçou Gina que agora chorava abertamente.
–Fique calma... - tentou tranquilizá-la, sentando-se com ela em seu colo, na cama.
Hermione desceu as escadas o mais rápido que pôde, e encontrou, além de Molly, Arthur de James, Fred e Jorge.
-Molly, Arthur... Desculpem-me, mas eu preciso ir. –falou rapidamente, pegando sua bolsa e disfarçando as lágrimas que ainda temiam em descer. –Mil desculpas... –falou por último e saiu.
-Hermione! –Molly ainda tentou chamar, triste pela nora.
-O que aconteceu? –Fred perguntou preocupado.
-Eu e Gina, contamos a ela, que estamos esperando outro bebê. –Harry falou descendo as escadas.
Fred e Jorge se viraram para ele surpresos.
-Sério? –perguntou Jorge.
-Sim, meu filho. –Arthur respondeu suspirando.
Fred e Jorge cumprimentaram Harry pelo filho, sem fazer gracinhas. Afinal, o clima não estava muito bom.
-Coitada da Hermione... –Fred falou triste.
-Será que ela vai superar isso? –Jorge questionou.
-Eu espero que sim, meu filho. –Molly falou pesarosa.
-E o Rony, como ele está? –Fred perguntou.
-Ela está suportando melhor que Hermione. Para dar apoio a ela. –Harry respondeu.
-Nosso Roniquinho cresceu! –Jorge não pode deixar de comentar. O que arrancou um sorriso de todos.
-Molly, será que você tem aquela poção calmante? Gina está um pouco nervosa... Não acho bom ela ficar assim no começo da gravidez. –Harry falou preocupado. –E Adela falou que essa não tem problema tomar durante a gestação.
-Sim, sim, meu filho. Vou buscar e já volto. –Molly falou.
Hermione andava o mais rápido que podia pelo jardim da Toca, sem olhar por onde ia, esquecera completamente que era bruxa e que podia desaparatar.
Rony a reconheceu de uma distância não muito longa, e caminhou até ela.
Hermione trombou com ele, sem perceber e o olhou. Estava mais que agradecida por ele ter aparecido. Jogou-se em seus braços, não resistindo às lágrimas grossas que desciam por sua face.
Rony a apertou forte contra seu peito, abatido por vê-la daquela maneira.
-Calma meu amor, está tudo bem. –sussurrou em seu ouvido.
-Me... me leva para casa? –pediu com a voz abafada.
Rony não pensou duas vezes e num segundo desaparatou com Hermione, na sala da casa do casal.
Assim que aparataram na sala, Hermione sentou-se no sofá, e Rony a seguiu.
-Você está bem? –Rony perguntou preocupado.
-Estou. –refletiu. –Foi só o susto. Eu... não esperava por isso. –suspirou. –Eu vou subir.
Hermione olhou rapidamente para Rony e se levantou.
Ele confirmou com a cabeça e deixou que fosse sozinha. Sabia que ela precisava de um tempo para refletir.
No dia seguinte, Hermione já voltara ao seu "normal".
Para Rony, ela não era a mesma, desde que reataram o casamento.
Sua Hermione, nunca o evitava, era aberta e conversava sobre todos os assuntos. Sua Hermione era amorosa e carinhosa. Sorria na maior parte do tempo. E não era um sorriso forçado, era algo que vinha do coração, sempre presente em seus lábios, e extremamente sincero.
Onde estaria ela? Rony queria muito tê-la de volta.
Era terça-feira à noite. Mais um daqueles dias que Tayla, tira seu dia de descanso. Condição imposta por Hermione ao contratá-la.
E por esse motivo, a morena, estava na cozinha terminando de preparar o jantar. Estava distraída terminando de temperar a carne, que logo iria para o forno, que não percebeu a entrada de Rony na cozinha.
Hermione sentiu dois braços a rodear por trás, tendo um sobressalto de susto.
-Rony! Você adora me assustar! –riu, sentindo os lábios do ruivo, beijar sua bochecha, e se virou para ele.
-Você fica linda quando está na cozinha, sabia? –falou galanteador.
Hermione corou e abaixou a cabeça.
Antes que ela voltasse ao que estava fazendo, Rony a puxou para perto, e a beijou nos lábios, com fervor.
A retribuição de Hermione não foi com a mesma intensidade. Pode sentir a cautela em seu beijo, o que o frustrou.
Separou-se dela, muito desconcertado. Ela se virou rapidamente, completamente sem jeito ao lado de Rony. Pareciam dois desconhecidos.
Rony, para quebrar o clima ruim, tentou fingir, mais uma vez, que nada aconteceu.
-Hmmm... Eu te falei que a festa de formatura dos aurores será nesse sábado?
-Não! –falou surpresa. –Acho ótimo! As festas do Ministério são realmente muito boas! –sorriu para Rony.
-Que bom. –falou aliviado. –Achei que você não fosse querer ir.
-E porque achou isso? –perguntou o olhando.
Rony deu de ombros, sem querer revelar, que achava que ela estava deprimida demais, distante demais, para querer ir a uma festa.
-É claro que eu vou! –exclamou enérgica. –Fora que é uma ótima chance para eu poder conhecer a Alana. Sem nenhum ressentimento. –falou rindo acompanhada de Rony. – Ela vai, não é?
-Vai sim. –confirmou Rony. –E está doida para te conhecer. Me atormenta todos os dias. –falou rindo.
Hermione riu. Abriu o forno do fogão e colocou a carne para assar.
Rony a observou hipnotizado. Vê-la sorridente, ultimamente era tão difícil, que ele se perdeu ali. Suas lindas pernas entraram em foco quando abaixou o corpo. Rony sentiu ímpeto de acariciá-las.
Aproximou-se dela novamente, quando ela já estava de pé, e a abraçou por trás. Seus lábios tocaram a área do pescoço, enquanto suas mãos a apertava contra seu corpo.
Hermione sentiu um tremor em seu corpo, mas sua mente foi mais rápida. Separou-se dele, determinada, e falou sem olhá-lo.
-Vou tomar um banho enquanto não fica pronto. –saiu da cozinha praticamente correndo.
Rony ficou no mesmo lugar, estático, a boca entreaberta, sem acreditar no acabara de acontecer. Aquilo fora longe demais!
Um vermelho intenso tomou conta de sua face. Suas mãos se fecharam em um punho tentando se controlar. A fúria Weasley veio à tona.
A passos largos, foi em direção ao quarto, subindo de dois em dois degraus da escada.
Abriu a porta com violência, e não a viu no quarto. Caminhou até a porta do banheiro e tocou a maçaneta. Como imaginara, a porta estava trancada.
-ALOHOMORA!-gritou com ferocidade, fazendo a porta dar um baque.
Hermione soltou um grito de susto, tentando se cobrir.
-O que foi, Hermione? Agora também tem vergonha de ficar nua na minha frente? –perguntou raivoso, porém, não perdeu o sarcasmo na voz. –Não precisa de esconder, eu já conheço cada pedacinho!
Hermione não respondeu. O olhou emburrada e desligou o chuveiro.
Rony ficou a olhando. Seu corpo frágil e delicado, molhado... Tentou ofuscar a visão de seu corpo nu, e focou na conversa.
-Vai fugir de mim novamente? –perguntou irritado.
-Quem disse que estou fugindo de você? –tentou soar tranquila.
-Eu não sou retardado, Hermione! Está bastante claro, que nós dois... -apontou - não estamos nada bem! Parecemos dois estranhos!
Hermione se enrolou na toalha com fúria. Caminhou até Rony, ficando cara a cara.
-Está tudo perfeitamente bem. Como sempre foi. –falou convicta.
Antes que ela fizesse qualquer movimento para sair do banheiro, Rony agarrou seu braço e a prensou na parede.
-Não sabia que tinha virado comediante! Você me faz rir, sabia? –falou com uma risada forçada.
Hermione respirava pesadamente sentindo a pressão do corpo de Rony com o seu.
-Se você acha que ser rejeitado, ver a minha mulher me afastar, me ignorar, não conversar, e nem ao menos me beijar, decentemente, é estar tudo bem...Sinceramente, eu devo estar em outro mundo!
Hermione sentiu a culpa cair sobre si. Escutar a verdade doeu. O modo como as palavras saíram da boca de Rony, foi como se o mundo estivesse desabando sobre si. E mais uma vez, percebeu o quanto estava magoando Rony.
Atordoada, saiu de aperto de Rony, com dificuldade, e foi para o quarto.
Rony não deixou que terminasse ali. Seguiu-a até o quarto vendo-a abrir o guarda-roupa.
-Me diga o que está acontecendo!
-Não está acontecendo nada! –falou com a voz trêmula.
-Você me evita, Hermione! Isso é fato! Você não é a mesma comigo! –falou num tom desolado.
Rony não tirava os olhos de seu corpo. Agora ela vestia uma calcinha num tom de rosa claro. Rony engoliu em seco.
Rony não era bobo. Ligara os fatos, e chegara a uma conclusão para o afastamento de Hermione. Mas queria testá-la. Queria que ela confiasse nele e não fizesse as coisas por debaixo dos panos.
-Só porque eu não quero fazer amor, eu estou diferente? –tentou argumentar, ocultando os verdadeiros motivos. Vestiu o sutien combinando com a calcinha e parou de frente para ele.
Rony concentrou-se em apenas olhar em seu rosto, nada mais.
-Você não quer, ou apenas quer que eu pense isso? –perguntou com um sorriso no canto dos lábios.
Hermione ficou sem fala.
Rony chegou perto dela, tão rápido, que ela pensou ter visto um raio. Ele a pegou pela cintura, e a jogou na cama caindo por cima dela.
-Você anda imaginando muita coisa. –Hermione falou com a voz falha.
-Eu não imagino. –olhou em seus olhos. –Apenas cheguei a uma conclusão. Eu não sou tão burro assim, não é a toa que me formei para auror, não é mesmo? –riu com a própria fala.
Hermione ficou em silêncio. Ele sabia! Ele sabia! Podia sentir isso!
-Você não quer engravidar. –Rony começou. –Isso é obvio! –alisou o rosto de Hermione.
-Você está, ou estava no seu período fértil. Vai saber! Eu também não sou um calendário ambulante!
Hermione continuou em silêncio, sem saber o que dizer. Rony se irritou com isso.
-Não vai falar nada? –não obteve resposta. - Isso quer dizer que estou certo, não é mesmo? –riu forçado. –Um ponto para mim! –passou os dedos sobre os lábios de Hermione. –Bom, a não ser que você não me queria mais...
-NÃO! –Hermione praticamente gritou, o cortando.
-Hmm... É bom saber disso, sabia? –falou sincero. –Porque, senão me engano, tem mais de uma semana que não ouço você dizer que me ama. –ficou sério.
Hermione sentiu-se um monstro por constatar esse fato. Sua garganta secou de repente.
-Eu... –Hermione tentou falar.
-Não... não...eu não quero explicações, Hermione. –cortou-a. - Tudo está bastante claro para mim. Já entendi tudo. Eu só digo uma coisa: período fértil não dura a vida toda.
Hermione sentiu sua face queimar de vergonha.
Rony parou por um momento, refletindo e olhando bem para seu lindo rosto. Não queria ser tão duro com ela, mas já não aguentava mais aquela situação.
-Eu não aguento mais, Hermione. Não aguento te ver triste pelos cantos, sentir o quanto você me evita. Tenho saudade das coisas mais simples que vem de você. Mas eu não vou implorar mais. Cansei. Me dói pensar que talvez estejamos caminhando para o fim. Porque viver assim... não dá.
Hermione arregalou os olhos. Do que ele estava falando? Aquilo não podia ser sério. Seu coração acelerou de tal maneira, que até Rony, podia senti-lo contra seu peito.
Rony pode ver o desespero em seus olhos. Pensou em parar por ali, mas ela precisava acordar.
-Acho que chegamos a um ponto, em que pensamos diferente demais.
Hermione podia sentir as lágrimas inundarem seus olhos, mas as deteve.
-Eu amo você, sinto sua falta... sinto falta do seu corpo. –acariciou de leve seu colo. Suas mãos ansiavam por acariciar todo seu corpo. Porém, se conteve.
Queria amá-la com todo seu amor e desejo, presos dentro de si. Queria fazê-la perder os sentidos, chegar ao prazer máximo e se deliciar com suas caricias e feições de prazer.
-Não vou te pressionar mais, Hermione. –falou com um suspiro profundo. - Quando você estiver pronta para vir até mim, eu realmente espero que não seja tarde demais.
Rony falava tudo aquilo, da boca para fora. Não viveria sem Hermione, não se via sem ela. Porém, aquela situação estava o levando ao extremo. Não dava mais.
Hermione sentiu um arrepio de medo, passar pelo seu corpo. Estava paralisada.
Viu Rony aproximar sua face para mais perto da sua, e naquele momento tudo o que ela queria era sentir a segurança de ainda ter o amor de Rony. O beijo que esperava, não veio.
-Acho melhor você dá uma olhada na carne. Não quero ficar sem jantar. –Rony falou sorrindo rente aos lábios de Hermione. Olhou em seus olhos, soltou um longo suspiro e se levantou.
Olhou para o corpo seminu de Hermione, esticado naquela cama. Seus cabelos molhados e revoltos, seus lábios vermelhos e entreabertos.
Precisava sair dali o mais rápido possível.
-Melhor, deixe comigo! –falou num fôlego só, saindo do quarto rapidamente.
Hermione ficou paralisada na mesma posição. As palavras de Rony ecoavam na sua mente com insistência. Agora ela estava sentindo na pele, o que havia feito com Rony. Estava apenas começando a sentir o gosto da rejeita, a sentir o gosto do próprio veneno.
O jantar entre os dois fora o mais silencioso de todos os tempos. Rony não fez questão alguma de puxar uma conversa, e Hermione estava constrangida demais, e perdida em suas próprias culpas para tal.
-Deixa a cozinha comigo. –Rony falou após o jantar. O que uma aceno da varinha não resolveria!
Hermione confirmou com um aceno e se arrastou em direção as escadas.
Seu destino foi o quarto de Rose, seu refugio, seu santuário para a paz. Sentou-se na cama de babá perdida em pensamentos.
Percebera que sua atitude apenas piorara tudo na sua relação com Rony. Sentia que o estava perdendo, porém, sentia-se presa. Apesar de não estar mais no seu período fértil, e da saudade que sente de Rony, sentia-se amedrontada. Mas tudo não passava de coisas de sua cabeça.
Estou ficando paranóica. Tenho que parar com isso, ou realmente vou perdê-lo! –pensou ela.
Hermione acabou adormecendo ali mesmo.
Rony, depois de ajeitar a cozinha, não a procurou. Preferiu deixá-la só, e quando não a viu no quarto, achou a idéia de dormir sozinho, nada má.
Agarrou-se no travesseiro de Hermione, sentindo seu cheiro, e assim adormeceu.
Nos dias que se passava, Rony sentia que Hermione tentava uma aproximação. Porém, ele não falava mais que o necessário. Estava realmente chateado, e queria dar um gelo em Hermione.
Ficara imaginando, por quanto tempo Hermione pretendia o evitar. Uma questão sem resposta.
Para Rony, era como se voltasse no tempo, na época da adolescência. Porque para ele, era isso que pareciam, dois adolescentes fazendo birra.
Percebendo o gelo de Rony, e o afastamento do ruivo, foi ai que Hermione percebeu o quando ele realmente estava chateado com a sua atitude. Sentia-se acabada, triste. Tudo o que fazia, magoava Rony! E isso lhe doía profundamente.
Não aguentaria perde-lo novamente, ele é seu porto seguro, sua base... Como viveria, se ele resolve-se deixá-la? Hermione não gostava nem de pensar nessa possibilidade, era uma tortura!
A semana passou sem nenhuma mudança para o casal, o que deixava cada um deles bem desanimados.
Sábado, dia da formatura, chegou.
Hermione, após o café da manhã, trancou-se no quarto de hospedes, ficando por lá o dia todo.
Rony não estranhou sua reclusa, e também não a procurou. Praticamente não se falaram toda a semana, e não era agora que Rony ia lhe pedir para que o acompanhasse na festa.
Depois do susto que dera, e do gelo, sabia que ela não iria. Mas, nem por isso, ele deixaria de ir.
Sua fragilidade era grande. Depois de dias e mais dias sem fazer amor com Hermione, sem nem ao menos beijá-la descentemente, fazia com que sua mente viajasse para momentos prazerosos, nada convenientes, naquela abstinência. Perdera as contas das idas e vindas do banheiro.
E ali, naquela noite de sábado, Rony estava sentando no sofá da sala, tentando se concentrar em outro assunto que não fosse Hermione.
Sua feição era de total desanimo. Estava se sentindo muito mal por ter que tratá-la daquela maneira, e mais ainda, por ver o quanto Hermione resistia a ele, apesar da tentativa de aproximação.
Isso, porque ele não sabia o que se passava na cabeça da morena.
-Meu senhor, Rony? –Tayla chamou o despertando de seus pensamentos.
-Sim, Tayla. –sorriu.
-O traje do meu senhor está em cima da cama. Tayla arrumou tudo direitinho. –sorriu feliz.
-Tenho certeza que sim, Tayla! Muito obrigada. E Hermione?
-Continua trancada no quarto, meu senhor.
-Hmmm, ok. Tire o resto do dia de folga, Tayla.
-Tayla não quer ficar de folga! –exclamou ofendida.
Rony riu.
-Porque você não vai fazer compras? Eu sei que você adora! –falou sorrindo.
Os olhos de Tayla brilharam com a idéia.
-Tayla, gosta sim!!! E muito!!! Tayla vai comprar um novo xale colorido! –falou enquanto se encaminhava para o seu quarto.
Rony riu vendo a elfa se afastar. Espreguiçou e levantou-se preguiçosamente do sofá.
Tentou animar-se com a ideia da festa. Quem sabe assim não se distraia um pouco?
Rony tomou um longo e relaxante banho de banheira. Vestiu-se muito elegante se olhando no espelho.
Seus cabelos ruivos, que batiam um pouco acima do ombro, estavam jogados para trás, lhe dando um ar sexy.
-Nada mal. - falou consigo mesmo, olhando para o espelho, depois de pronto.
( Link do terno do Rony : ./Main#AlbumZoom?uid=14357753822625427650&pid=1242001474987&aid=1$pid=1242001474987 )
Pegou sua varinha e desceu as escadas. Estava apagando as luzes da copa e da cozinha, quando escutou uma voz.
-Aonde você vai? –Hermione perguntou do alto da escada.
-Você sabe, Hermione. Hoje é a festa de formatura. –falou catando as almofadas que jogara no chão mais cedo.
-E você vai sem mim? –perguntou Hermione.
Rony estava pronto para lhe dar uma resposta, quando se virou para olhá-la, mas se calou.
Hermione descia as escadas lentamente, como se deslizasse por elas. Seu corpo estava moldado por um lindo vestido vermelho, seus cabelos estavam presos num rabo alto, bastante elegante, dando destaque ao seu rosto e principalmente aos seus olhos que entravam em foco, com a linda maquiagem.
(Link do vestido da Hermione : ./Main#AlbumZoom?uid=14357753822625427650&pid=1242001493478&aid=1$pid=1242001493478 )
Fora todo esse conjunto, perfeito, o que Rony mais ficou admirado em ver, foi o belo sorriso que dançava em seus lábios. Exatamente ao seu modo. Ao modo Hermione.
Rony estava sem falas com a visão a sua frente. Se ele tivesse chances, largaria a festa de lado, e a amaria naquele momento.
-Ver... vermelho. –falou num sussurro em pleno delírio.
Hermione soltou uma risada baixa.
-Eu sei que você gosta, por isso o escolhi. –falou com a voz tímida, chegando ao último degrau.
Rony raspou a garganta, tentando desviar os pensamentos, e se endireitou, pegando a mão de Hermione e a beijou.
-Você está maravilhosa. –não pode deixar de elogiar. Rodou-a e engoliu em seco ao ver o decote em suas costas.
-Obrigada. –Hermione respondeu feliz em agradá-lo. Porque tudo aquilo era por ele, era para ele.
Hermione também não ficara muito atrás ao admirá-lo. Percebera o quando ele estava sexy. Sua imagem de vestes negras e cabelos jogados para trás, era realmente muito tentadora.
-Você também está lindo, Rony. –falou com os o lhos brilhando.
Rony sorriu.
-Hmmm... Você não vai sentir frio? –perguntou tentando disfarçar o ciúme na voz.
Hermione riu de maneira angelical, o que encantou Rony. Ela percebeu o incomodo em sua voz, em relação ao seu decote.
-Garanto que na comemoração, estará bem quente. E de qualquer maneira, eu tenho você! –falou com simplicidade, porém, ria por dentro.
Rony tossiu algumas vezes, tentando controlar seus ânimos. Estava pensando se escutara direito. Será que ela realmente insinuara que ele estaria ali para esquentá-la? Rony sentiu-se confuso.
Mulheres! –pensou.
-E então, vamos? –Hermione perguntou tirando-o de seus pensamentos.
-Claro! –falou despertando. Ofereceu o braço a Hermione, que aceitou com gosto.
Assim, Rony e Hermione, desaparataram juntos, numa sala especialmente para quem usaria a aparatação como meio de transporte.
Rony tinha um largo sorriso nos lábios, e motivos para isso não faltava: estava com Hermione, sua esposa, e a mulher mais linda da festa.
Cumprimentava a todos alegremente, apresentando Hermione, sua mulher.
Algumas das pessoas Hermione também reconhecia, os cumprimentando com educação.
Hermione não podia negar que tinha muitas mulheres elegantes. E algumas delas eram até amigáveis demais com Rony.
-Rony! –exclamou uma morena um pouco mais alta que Hermione, os cabelos cacheados, lindos olhos verdes, com um vestido dourado que marcava seu corpo perfeitamente, que se pendurou no pescoço do Rony, lhe dando um abraço forte.
-Oi, Julia! –cumprimentou o ruivo normalmente.
Hermione se inquietou com a espontaneidade da mulher a sua frente, e se agarrou ao braço de Rony.
Rony quase soltou um gemido com o aperto forte de Hermione e a olhou. Vendo seus lábios crispados, sorriu internamente.
-Não vai me apresentar sua amiga? –perguntou Julia.
-Esposa. –Hermione corrigiu-a. - Prazer, Hermione Weasley! –frisou o último nome e estendeu-lhe a mão.
Rony pigarreou, desconcertado, porém, estava amando aquela cena de Hermione.
-Prazer. –Julia falou nada contente. –Achei que tinha se separado, Rony. –perguntou olhando para o ruivo.
-E... –Rony tentou falar.
-Fofoca! –Hermione cortou-o. –Sabe como é, gente sem ter o que fazer. –sua voz era controlada, mas não disfarçava o seu desconforto em ter aquela mulher em sua frente. –Estamos muito bem, não é mesmo, Rony?
-Sim, claro! –falou olhando de uma para a outra.
-Claro! –Julia exclamou com um sorriso falso. –Nos vemos mais tarde, Rony. Quem sabe uma dança! –passou a mão em seu peito, e deu um sorriso insinuante.
Rony novamente não teve tempo para responder.
-Tchau, querida! Prazer em conhecê-la! –Hermione falou cínica, vendo a morena se afastar. –Oferecida! –falou consigo mesma. –Espere sentada!
Rony ficou parado, olhando para Hermione. Como uma mulher pode mudar tanto em poucos dias? Dias atrás, ela o evitava, e agora, estava com ciúmes?
Rony não botara muita fé, que seu "susto" daria certo, porém, agora ele percebia que o resultado fora mil vezes melhor do que imaginava. A idéia de ter Hermione, sua Hermione novamente, era maravilhosa!
Rony riu consigo mesmo.
-Você, não ria! –Hermione falou emburrada.
-Eu não fiz nada! –defendeu-se alegre.
Hermione se agarrou a ele, de modo defensivo, e continuaram a caminhar pelo salão. Seus olhos e os de Rony procuravam Harry e Gina, no meio de todas aquelas pessoas.
Hermione sentiu Rony parar para conversar com um colega, e esperou após cumprimentá-lo.
Logo atrás, uma conversa chamou a atenção de Hermione.
-Que pena! Ele está mesmo casado. –falou uma das mulheres.
-Pena mesmo! Esse ruivo é um pedaço de mau caminho. –falou a outra, olhando as costas de Rony de cima a baixo.
-Ele é muito bom! –falou a primeira focando o bumbum de Rony.
Hermione tinha a face vermelha apenas ao escutar a conversa entre as duas. Virou-se perigosamente, e viu uma delas secando o bumbum de Rony.
-Perderam alguma coisa? Querem ajuda? –perguntou seca.
As duas se assustaram com o olhar assassino de Hermione e se afastaram.
-Algum problema? –Rony perguntou pegando a última parte da cena.
-Nada que eu não resolva. –falou voltando a caminhar ao lado do ruivo. –Você tem muitas amiguinhas. –falou entre dentes.
Rony riu. Sempre fora encantador ver Hermione com ciúmes. A maneira como ela se cotinha era fascinante. E a melhor parte, era vê-la agarrar-se a si, possessivamente.
-A maioria eu não conheço. Elas é que me conhecem. –falou com ar de riso.
-Sei... –falou se acalmando.
-Nossa! Que ruivo! –exclamou uma voz atrás do casal.
Hermione não se conteve, virou-se pronta para dar uma resposta a altura, porém, se calou.
-Quase que você apanha, Alana! –Gina falou rindo.
-Estávamos procurando vocês! –Rony falou cumprimentando os três.
-Agora já achou! –Alana falou sorridente por enfim poder conhecer Hermione.
-Agora você não precisa mais me encher o saco, loira. Aqui está Hermione. Mione, como você sabe, está é Alana. –Rony falou as apresentando.
-É um prazer conhecer você, Mione. –falou dando-lhe a mão.
-É muito folgada mesmo, já chama de Mione! –Gina exclamou.
Todos riram.
-O prazer é todo meu, Alana. –Hermione ignorou sua mão e lhe abraçou. –Perdoe o meu julgamento, e obrigada por tudo! –Hermione falou para que só ela ouvisse.
-Nem sei do que você está falando! –Alana brincou. –Águas passadas! –falou sincera.
Hermione sorriu. Abraçou Harry, e logo depois Gina.
-Desculpe-me por aquele dia. –Hermione falou enquanto Rony e Alana conversavam.
-Não tem nada o que pedir desculpas. O importante é que você esteja bem! –Harry falou.
Hermione sorriu grata, com o carinho dos amigos.
-Esse lugar está com cheiro de galinha depenada! –Alana falou brincando.
Todos riram.
-Junte-se a nós, Mione. Vou te mostrar as mais perigosas! –Alana falou.
Hermione deu um olhar para Rony, que quase o levou ao chão, e se foi com as meninas.
-Parece que a situação melhorou! –Harry falou tomando um gole do seu drink.
Rony deu uma golada na sua bebida, sentindo o corpo esquentar.
-Porque mulheres são tão complicadas, Harry? Hermione passou o dia todo trancada depois dos dias maravilhosos que tivemos! –debochou. –Agora está ai, toda provocativa!
Harry riu.
-Me parece que a conversa que você teve com ela, deu certo.
Rony deu de ombros.
Os dois foram conversar com alguns dos colegas, preparando-se para o discurso e a homenagem aos formandos no qual participariam.
Todos aplaudiam os novos aurores com entusiasmo, e ainda mais excitados por terem dois participantes ativos de uma das guerras mais famosas no mundo bruxo: Harry Potter, e Ronald Weasley.
Ao final da homenagem, Harry desejou a todos uma boa festa, e a banda AS Marotas, a nova sensação do mundo bruxo, se fez presente no palco com uma entrada espetacular, onde cada uma das integrantes aparatava ao meio de fumaças, tocando seus respectivos instrumentos, agitando os convidados.
Rony e Harry serviram-se de mais um drink e se juntaram aos colegas em conversas paralelas.
-Rony, onde está sua esposa? –Era Sam, um homem alto, pele clara, lindos olhos azuis, os cabelos castanhos muito lisos, quem perguntou.
(N/A: foto de Sam: ./Main#?uid=14357753822625427650&pid=1242002196713&aid=1$pid=1242002196713)
-Dando uma volta, coisa de mulher! –riu, acompanhado de Sam.
-E você, já deu uma olhada por ai, achou alguma que lhe interessa? –Rony perguntou dando um gole em sua bebida.
-Cara, eu achei uma, que por Merlin! Que mulher!!! Perfeita!
Rony riu. Sam, sempre fora galinha, cada dia estava com uma.
-Hoje é o dia, Rony! –falou animado. –Mas eu a perdi de vista.
-Cuidado para não encharcar o chão com sua baba! –brincou.
-Se você a visse tiraria a prova do quanto ela é gostosa!
-Eu já tenho a minha, Sam... Ela é tudo isso e muito mais! –Rony falou todo orgulhoso.
Um sorriso maroto brincou nos lábios de Sam.
-É mesmo? Então olha para a morena que está vindo na nossa direção, veja se eu não tenho razão.
Rony olhou para onde Sam apontava e seu sorriso murchou. A mulher, a qual ele chamara de gostosa, a qual ele esperava ter uma noite de diversão, era Hermione! Sua Hermione!
Rony ficou paralisado, vendo Sam dar alguns passos em direção a Hermione. Ela esboçava um lindo sorriso, ao lado de Gina e Alana.
Rony se endireitou, e com a face vermelha caminhou até eles, antes que Sam conseguisse dizer algo.
Rony chegou tão rápido perto de Hermione, enlaçando sua cintura, que a assustou.
-Então, amor... Conheceu muitas pessoas? –puxou-a para mais perto de seu corpo.
Hermione o olhou intrigada, e apenas confirmou.
Alana e Gina davam risadas já imaginando o porquê da aparição repentina de Rony.
Sam estava extremamente sem graça, não sabia o que dizer.
-Ahh! Desculpe-me, Sam. Está é Hermione, minha esposa! –frisou com um sorriso.
Sam se limitou em apenas dizer um olá, e saiu apressado.
-Idiota, imbecil, retardado! –Rony xingava. –Gostosa! –repetiu raivoso. –Gostosa é a...
-Rony! –Gina alertou. –Ele já foi! Não se zangue!
-Ele chamou a Mione de gostosa, na minha frente! –exclamou indignado.
Hermione corou. Mas em seu íntimo, estava feliz.
Teve medo que pelos acontecimentos, Rony não a amasse tanto quanto antes. De ele ter se cansado de suas idiotices e ações impensadas e simplesmente querer esquecê-la.
Tudo o que queria era ter a certeza de seu amor. É o que a manteria viva.
Sentiu o aperto de Rony em sua cintura, e o olhou nos olhos, o que fez toda a raiva do ruivo se dissipar.
-Eu se fosse vocês dois... – Alana falou apontando para Rony e Harry, que se juntara a eles. –ficaria de olho nessas duas, hein?! Tem muito gavião a solta! –falou divertida.
Harry e Rony fecharam a cara.
-Deixa de ser boba, Alana! –Gina falou.
-Estou falando apenas a verdade! –botou pilha.
Harry puxou Gina para mais junto de si.
-Harry, meu amor, desse jeito você vai me quebrar no meio! –Gina reclamou.
-Não saia de perto de mim. –Harry falou afrouxando o aperto. Gina bufou.
-Você vai ver, Alana! –ameaçou a ruiva.
Alana riu dos casais.
-Você gosta, não é, Alana?! –Hermione falou aos risos, já íntima da loira.
-Nossa que loira! –falou um homem atrás de Alana.
-Não é para o teu bico, seu broxa! –respondeu ela.
Todos riram animados. Alana sempre foi uma figura.
-Bom, está tudo muito lindo, tudo muito bom, todo mundo acompanhado, exceto euzinha aqui! Vou atrás do meu amorzinho porque estou sobrando!
-Ela veio? –Rony perguntou curioso.
-Claro que sim! Você acha que ela me deixaria vir sozinha? Coitadinha de mim! Ela é bem ciumenta, não sei por quê! –falou bufando.
-E cadê ela? Vamos conhecê-la hoje? –Gina falou também curiosa.
-Calminha ai, Senhora Potter! Nada disso!
-Aff, que saco, Alana! Eu ainda descubro quem é ela! –Gina exclamou.
Alana riu de forma engraçada e se afastou dos dois casais.
-Muito divertida ela! –Hermione falou animada. Pegou o copo que estava nas mãos de Rony e tomou um belo gole da bebida, depositando-o na mesa ao lado, em seguida.
Rony a olhou com cara de bobo. Há tempos não via Hermione assim, tão animada!
-Vamos dançar? –Hermione o convidou com um sorriso.
Rony confirmou com uma aceno, e foi puxado por uma Hermione apressada.
Olhou para a irmã e para o amigo, tentando entender o que estava acontecendo com a esposa. Os dois deram de ombros e riram da cara de Rony.
-Hoje a noite tem! –exclamou Gina divertida, tomando um gole de seu suco.
-E o que você acha de fazermos a nossa bem... animada? –Harry perguntou com a voz sexy.
-Hmmm... Ótima idéia! –Gina sorriu e o beijou nos lábios, e seguiram para a pista de dança logo em seguida.
Pela primeira vez em tempos, Rony pode ver que aquela era sua verdadeira Hermione. Ela dançava lindamente, livre e com um sorriso sem igual nos lábios.
Rony sentiu seu peito encher de alegria com esse fato. Agarrou a cintura da morena, com suas mãos grandes, acompanhando-a nos movimentos da música dançante.
-Você está realmente linda! Em todos os sentidos! –Rony cochichou em seu ouvido.
Hermione se virou para ele e olhou em seus olhos.
-Por você! –sorriu e aproximou mais o rosto ao do ruivo. –Eu não quero te perder. –fechou o sorriso e sem mais receios, depois de tanto tempo evitando qualquer proximidade mais íntima, entregou-se de corpo e alma ao beijo.
Rony foi às nuvens sentindo o encaixe e a sincronia perfeita dos lábios de Hermione nos seus.
Hermione separou-se de Rony, ofegante, e voltou a dançar colada ao ruivo.
Ele a abraçou forte, muito contente. Queria curtir ao máximo aquele momento. Mas Rony teve a infeliz sorte de alguém lhe atrapalhar. Sentiu um toque em seu ombro e xingou silenciosamente por isso, virando-se com um sorriso forçado.
Hermione estranhou sua parada repentina e se virou, fechando a cara no mesmo instante.
-Me concede uma dança, ruivo? –perguntou Julia ignorando Hermione.
-Ele está muito ocupado no momento. –Hermione falou abismada com tal descaradamente. –Com licença.
Rony apenas deu um aceno para Julia, que ficou carrancuda parada no meio da pista de dança, e se foi com Hermione.
Hermione caminhava a passos apressados seguida por um Rony muito sorridente.
Pararam num local mais afastado, onde Hermione recostou-se a parede, e Rony parou a sua frente, com os braços cruzados no peito.
-Quem ela pensa que é? Oferecida! Isso para não falar coisa pior! –falava indignada. –"Ruivo". –imitou a voz de Julia.
Rony apenas a olhava e não dizia nada.
-O que foi? –perguntou emburrada.
-Nada. –falou com ar de riso.
-Aposto que queria dançar agarradinho com ela! –falou insegura.
-Na verdade, eu não queria, não!
-Sei... –fez bico. –O que você tanto me olha? –perguntou envergonhada.
-Você! –sorriu.
-O que tem eu?
-Você mudou de uma hora para a outra. Claro, eu gostei, mas eu fico muito confuso. –falou coçando a cabeça.
Hermione o olhou com a face corada.
-Porque você está com vergonha? –perguntou mais confuso do que já estava.
-Porque sou uma idiota! –falou num fôlego só, e agarrou Rony o beijando com fervor.
Seu corpo colou ao dele, com suas mãos postadas na nuca do ruivo, enquanto ele, prendeu-a pela cintura, alisando suas costas nuas, com desejo.
O beijo fora longo, seguido de vários outros, apenas parando para recuperar o fôlego.
Hermione o puxava contra si, possessivamente, como se quisesse fundi-los em um só corpo. Rony correspondia, com fervor, os beijos incessantes e as caricias leves, sentindo seu coração bater cada vez mais forte. Desceu as mãos pelo corpo da morena, apertando suas nádegas com gana, fazendo com que ambos sentissem uma onda de calor subir pelos seus corpos.
Rony separou-se de Hermione respirando com dificuldade. Não seria muito conveniente animar-se demais naquele local.
Hermione o olhava um tanto zonza pelos beijos. Como sentira falta daquele contato!
Rony a surpreendeu, roubando selinhos com certo desespero. E antes que um deles pudesse dizer algo, uma conversa, onde uma voz que conheciam bem se pronunciava, lhes chamou a atenção.
-Porque não? Por acaso você está com vergonha? –perguntou a voz conhecida num tom nervoso.
-Você sabe que não é isso! –falou outra voz, ofendida. –Eu sai de casa por você, por nós! É obvio que não tenho vergonha!
-Então me explica o porquê! Eu não entendo! –falou exasperada. Parou e respirou fundo. –Por acaso tem algo que eu deveria saber?
-Não. –respondeu num fio de voz.
-Eu te amo, preciso que confie em mim. –falou erguendo o rosto da mulher a sua frente.
Rony e Hermione escutavam tudo, onde as duas mulheres não pudessem lhes ver.
-Acho melhor irmos. –Hermione sussurrou para Rony. Ele confirmou e quando deu um passo para frente, Alana, que estava de costas, deu um passo para trás, e Rony acabou por trombar com ela.
Rony e Hermione ficaram paralisados ao ver a companhia de Alana.
Harry e Gina chegaram naquele exato momento, sem ainda ter a chance de ver as duas mulheres com o casal.
-Rony, Mione! Estávamos procu... -Gina perdeu a fala. –Lilá? –falou surpresa, ligando os fatos.
Alana olhou para os dois casais a sua frente, e deles para Lavander, sua namorada.
-Vocês se conhecem? –Alana perguntou.
-Claro que sim! –Gina confirmou.
-Lilá era da nossa casa em Hogwarts. –Harry informou.
-E ex-namorada do Rony. –Gina completou.
Hermione engoliu em seco e Rony pigarreou desconcertado.
Para Hermione, era muito estranho estar de frente para a mulher que um dia fora sua rival, e ainda por cima fora a primeira namorada do homem que ela sempre amou. Apesar de saber que Lilá estava com Alana, não pode deixar de sentir certo incomodo com sua presença.
Alana ergueu as sobrancelhas com um sorriso indecifrável nos lábios.
-Então era por isso? –perguntou se dirigindo a namorada. Lilá apenas confirmou, envergonhada, com um aceno.
-Acho que temos que conversar. –Alana falou séria. Lilá manteve a cabeça baixa, mas não negou o "convite" da namorada.
-Não briguem. –Hermione sussurrou para que só Alana ouvisse. Ela lhe sorriu, tranquilizando-a.
-Com licença. –Alana falou puxando a outra loira.
-Até. –Lilá se despediu com a voz baixa.
-Porque será que ela não contou que namorou o Rony? –Gina questionou.
-Será que ela ainda sente algo pelo o Rony, e por isso resolveu não contar e evitar ter algum contato com ele? –Harry perguntou. Os dois pareciam raciocinar esquecendo que Rony e Hermione estavam ali.
Hermione ao ouvir a pergunta de Harry, sentiu um solavanco em seu peito.
Só de pensar naquela hipótese, um desespero tomou conta de si.
Rony raspou a garganta chamando atenção, e Harry e Gina os olharam.
-Desculpe! –Harry falou com um sorrisinho, vendo a face preocupada de Hermione.
-É Roniquinho, parece que você não foi homem o bastante para a Lilázinha! Ficou traumatizada! –Gina falou as gargalhadas.
-Engraçadinha! –falou emburrado.
-Ele pode não ter sido para ela... Mas para mim ele é muito mais que homem! –Hermione falou.
-Uiii!!! Toma baixinha! –Rony gargalhou, sentindo um frio na barriga com as palavras de Hermione. Ela lhe sorriu meiga, e Rony retribui com seus lindos olhos azuis brilhantes, e o sorriso estampado no rosto.
Gina deu língua para os dois que riram.
-Vamos dar uma volta por ai. Você dois, juízo! –Harry falou com um sorriso maroto.
-Foi tarde! –Rony exclamou. Hermione riu.
-E então de onde paramos? –o ruivo perguntou caminhando com Hermione mais para o fundo, onde ninguém podia vê-los, e prensou-a na parede. Ficou a centímetros do rosto da morena, apenas sentindo seu cheiro e o calor de sua pele.
Hermione respirou profundamente, sentindo seu corpo mole.
-Acho... acho que me lembrei. –Hermione falou com a voz fraca e atacou a boca de Rony.
Ficaram longos minutos se beijando, se acariciando de leve, se curtindo. Logo depois, retornaram a pista de dança, juntando-se a Harry e Gina, e em seguida, Alana e Lilá apareceram sorridentes.
Hermione ficou muito mais aliviada por constatar que Lilá não possuía mais nenhum afeto, com o qual deveria se preocupar, por Rony. E a seu ver, as duas loiras, pareciam realmente muito ligadas e apaixonadas. Porém, eram discretas, e não se expunham em publico.
As duas loiras tinham se acertado em uma conversa civilizada. Lilá apenas sentia-se envergonhada por reencontrar os antigos colegas de escola, por ter sido tão infantil e imatura na época.
Durante esses anos sem os ver, Lilá aprendera muito na vida. Seu namorado, ao qual ele se entregara totalmente ao relacionamento, começou a demonstra certo tipo de violência. Porém, sentia-se divida pelo amor, que achava que sentia pelo então namorado, e o destrato que sofria por parte dele.
Conhecera Alana por acaso, tornado-se amigas, e foi a partir dela que Lilá teve apoio para denunciar os maus tratos, e assim, sem medo, separar do namorado que a ameaçava, se ela tentasse algo parecido.
Escondida dos familiares e do namorado, Lilá foi morar com Alana, para que assim a justiça fosse feita e ela não corresse nenhum perigo nas mãos dele. Com essa mudança as duas tornaram-se cada vez mais amigas, e dessa amizade despertou algo mais forte que nenhuma das duas esperava: o amor.
Foi ai que Lilá conheceu o verdadeiro sentido da palavra amor. Porém, sua família fora totalmente contra o relacionamento com Alana, o que fez a loira abandonar a família e o preconceito que a cercava e se juntou a única pessoa que estava realmente ao seu lado.
E agora ambas estavam felizes sem se importar com o preconceito ou com a rejeita. Apenas vivendo cada dia e se amando incondicionalmente.
Rony e Hermione divertiam-se bastante com os amigos.
Rony estava cada vez mais incontrolável vendo Hermione dançar daquela maneira, colada ao seu corpo. Tentava se controlar ao máximo para não agarrá-la ali mesmo.
Nessa noite, Hermione faria de tudo para agradar o ruivo. Queria recompensar todo o mal que havia lhe feito. Essa noite era em especial para ele, apenas para ele.
Eram três da manhã, e Rony estava mais impaciente que nunca, o que era nítido até para os amigos.
-O que foi? –Hermione perguntou divertida, tomando um gole de sua bebida. Estavam sentados, os dois, na mesa após várias danças.
-Nada. –Rony falou tamborilando os dedos na mesa.
-Você quer ir embora? –Hermione perguntou naturalmente.
-QUERO! –Rony quase gritou. –Quero dizer... –completou desconcertado. –se você quiser...
-Se você quer, nós vamos. –Porém, era isso que Hermione também queria.
Rony se levantou apressado, enlaçou sua mão com a de Hermione e caminharam até a pista de dança para se despedir dos dois casais.
Gina e Harry dançavam se provocando enquanto, Alana e Lilá já tinham bebido algumas, e faziam palhaçadas na pista de dança.
Após a despedida, Rony e Hermione caminharam para a mesma sala onde aparataram.
-Onde? –o ruivo perguntou.
-No quarto. –Hermione respondeu com simplicidade.
Deram as mãos e desaparataram.
Assim que aparataram no quarto, Rony soltou a mão de Hermione e recostou-se na parede, pensativo. Parecia um garotinho, sem saber o que fazer. Estava realmente sem jeito, envergonhado para com Hermione.
Ela fora uma na festa, mas e se ali, entre quatro paredes, ela mudasse novamente e o afasta-se? Ele não saberia como agir. E dessa vez não conseguiria evitar uma explosão emocional.
Mas antes que pudesse continuar nas suas reflexões pessoais, Hermione chegou até ele pressionando-o contra a parede, de maneira brusca, tomando seus lábios com um beijo extremamente envolvente e ardente.
Hermione sabia que teria que mostrar a Rony que deixara tudo de lado, e o que importava no momento, era somente ele. Não perderia mais tempo, afastando o amor de sua vida, a pessoa que estava ao seu lado, e que a apoiava, por puro egoísmo e medo. Ele estava com ela, não tinha o que temer.
A língua de Hermione se movia tão rapidamente, que Rony se perdera no meio do beijo inesperado. Quando caiu em si de que Hermione o abordara de tal maneira ardente e saudosa, puxou-a contra seu corpo com extremo desespero e desejo.
Ela estava tão sedenta de Rony, que sem querer, mordeu o lábio inferior do ruivo com muita vontade, fazendo com que filete de sangue saísse do pequeno corte.
Rony soltou um grunhido, extasiado com a ação de Hermione e sentiu-a separar-se dele, o que não o agradou muito.
-Desculpe. – Hermione sussurrou com dificuldade, porém, não conseguiu esconder certo grau de timidez.
-Por mim você pode fazer de novo e de novo! –Rony falou com a voz carregada de amor e desejo. Ficaram alguns segundo se olhando nos olhos.
Hermione se aproximou novamente, e lentamente passou a língua sobre o pequeno corte nos lábios do ruivo. Ele apertou com força sua cintura, sentindo sua língua quente e macia passear sobre os seus lábios.
Hermione tinha ânsia de sentir a pele do homem a sua frente colada a sua. Estava carente de Rony, e ele podia ver isso em seus olhos quando o olhou diretamente nas íris azuis.
-Eu quero você, Rony. Quero seu corpo, quero o seu amor... –Hermione falava com a voz falha, enquanto suas mãos se livraram do terno e gravata do ruivo com certa rapidez. –Quero você só para mim... –suas mãos tremiam, e seu peito subia e descia rapidamente, sentindo um calor intenso apossar de seu corpo.
-Eu sou seu... Só seu. –falou rente aos seus lábios, sentindo o cheiro, que emanava do corpo de Hermione, e seu hálito quente, que o extasiava cada vez mais.
As mãos de Hermione arrancaram a camisa de Rony com único puxão, fazendo botões voarem por todos os lados e um pedaço de pano branco ser jogado ao chão.
-Ahhh, Meu Merlin! É hoje que eu morro! –Rony exclamou com a voz rouca. Apenas com aquelas breves preliminares, podia sentir seu sexo pulsar de excitação. Beijou-a com gana, enquanto soltava seus cabelos, envolvendo-os em sua mão puxando-os com vigor, o que fez Hermione solar um gemido entre o beijo.
Rony sabia o quanto Hermione gostara de fazer amor daquela maneira mais forte. E naquele momento, precisava extravasar todo o seu desejo acumulado por aquela mulher. Queria sentir cada parte de seu corpo, acariciá-lo, beijá-lo. Queria sentir no ato, todos os sentimentos que Hermione nutre por ele. Amá-la com fervor, amor e adoração.
Hermione parou o beijo, sem desgrudar os corpos, e explorou a área do pescoço e orelha do ruivo. Desceu pelo peito, dando mordidas e caricias com língua, deixando marcas de suas unhas por onde passava. Ele puxava-lhe os cabelos, extremamente excitado.
Rony não conseguia conter suas ações. Era muita saudade, o que o deixou completamente inconsciente do que fazia. Queria apenas Hermione.
Puxou Hermione, para que assim pudesse beijá-la, e fez menção de caminhar com ela até a cama, porém, a morena foi mais rápida, empurrou-o com força de volta à parede, e arranhou todo seu peitoral. Abriu, com agilidade, a calça do ruivo tirando-a juntamente com os sapatos, deixando-o apenas com uma boxer, e o volume ali... A fez tremer de excitação.
-Perdão por tudo... –Hermione cochichou em seu ouvido enquanto lhe fazia carinhos na nuca. –Eu vou amar você, Rony... Te amar, do jeito que você merece... - sua mão alisava, sobre a cueca, o sexo bastante excitado de Rony. –Com todo o meu amor e desejo.
Ele gemeu no ouvido da morena, completamente extasiado com suas palavras e caricias, postou suas mãos na parte de trás do corpo de Hermione, de maneira que podia subir o vestido, e assim, envolveu suas nádegas com as duas mãos, pressionando os dois sexos carentes.
Hermione desceu o corpo novamente, mantendo um contato, olho no olho, com Rony. Quando chegou a parte que mais lhe interessava, depositou um beijo sobre o volume de Rony e desceu parte da boxer, dando-lhe livre acesso ao seu membro pulsante.
Sentir os lábios de Hermione o envolver na parte mais íntima de seu corpo, era como sair de foco e viajar nas mais belas sensações. Sua garganta soltou um gemido alto involuntariamente. Hermione fazia caricias fortes em seu sexo o que o deixava cada vez mais perto do máximo, porém, ele não queria isso. Não agora.
Rony fez com que Hermione o olhasse, e assim puxou-a envolvendo seus lábios com o dela. Inverteu a posição, colando-a contra a parede e procurava com insistência o fecho do vestido.
-Sinto muito. –falou com a respiração pesada, e acabou por tirar o vestido de Hermione de qualquer jeito, o rasgando em certos pontos.
Hermione chocou-se na parede, com os puxões bruscos de Rony com a retirada do vestido, completamente sem fôlego. Seu corpo queimava, ardia de desejo. Sentia que a qualquer momento suas pernas não aguentariam seu peso.
Rony parou por um momento analisando o corpo de Hermione, coberto apenas com uma calcinha vermelha de pano fino. Como é perfeito! Sua garganta secou e avançou para Hermione, beijando-a em todos os pontos.
-Rony...-gemeu, quando Rony envolveu um dos seios com seus lábios.
Rony alisava suas coxas deixando marcas vermelhas em sua pele frágil. Seus mamilos ouriçados era ponto de pura excitação para ambos.
-Eu não vou... aguentar. –Hermione falou com dificuldade, se prendendo a Rony com a força que tinha. E antes que suas pernas se dobrassem, e a levasse ao chão, Rony a ergueu pela cintura, como se fosse uma pluma.
Caiu por cima dela na cama, ainda a beijando com fervor.
Hermione enlaçou suas pernas em Rony, fazendo com que os sexos entrassem em um contato quase total. Rony apertou-a contra si querendo mais.
-Estou com tanta saudade... –Hermione falou enquanto sentia Rony distribuir beijos pelo seu corpo.
-Eu também... Eu quero você! Quero muito! –sua voz era rouca e excitante. Hermione puxou seus cabelos ruivos com força, completamente perdida nas sensações.
-Eu te amo... te amo... Me perdoa... –Hermione falou em delírio, porém, suas falas eram mais que sinceras.
Rony olhou em seus olhos, feliz por novamente escutar aquelas três palavras. Beijou todo seu rosto, enquanto suas mãos retiravam a última peça que cobria a cobria, e assim, pode sentir seu sexo quente e úmido.
Hermione soltou um gemido manhoso, arqueando o corpo com a caricia. Mordeu o lábio, tentando se controlar, mas era impossível. Era mais forte que ela. Suas unhas arranharam com força o braço do ruivo, o que o fez rir entre um gemido.
Rony estava louco para sentir o gosto de Hermione, e com esse desejo, desceu os beijos pelo corpo da mesma, encontrando seu centro. Com o mínimo contato de seus lábios, Rony pode sentir o tremor que passou pelo corpo de Hermione.
A cada caricia mais profunda, Hermione chamava seu nome cada vez mais alto. Os sons eram incontroláveis.
Ouvi-la chamar seu nome, estava levando Rony, ao mais louco desejo. Não conseguira se segurar por muito tempo.
Rony subiu com o corpo sobre o dela, fazendo movimentos leves roçando os sexos, o que fazia os dois soltarem gemidos abafados entre beijos.
-Você me quer? –Rony perguntou e mordeu o pescoço de Hermione.
-Quero... quero muito. –sua voz era manhosa. Arranhava as costas do ruivo e puxava-lhe os cabelos.
Rony pressionou as duas intimidades com mais força, e Hermione fechou os olhos sentindo um tremor pelo corpo.
-Eu te amo, Rony. –envolveu o rosto do ruivo com as duas mãos.
-Eu também, Mione. Te amo... Te quero. –Rony deu o seu mais belo sorriso a Hermione, que retribui a altura.
Ele a beijou com amor, e assim, a penetrou de vagar, querendo prolongar o contato íntimo.
Hermione se abraçou a ele com força, deixando uma única lágrima rolar pelo seu rosto.
Rony a olhou, e beijou o local onde a lágrima se instalou.
-Minha Mione... Minha. –falou com um sorriso e afundou o rosto na curva de seu pescoço.
Os movimentos iniciais eram lentos, arrancando suspiros de ambas às partes. Rony começou a dar investidas mais vigorosas, sentindo o seu corpo clamar por isso.
Hermione o acompanhou nos movimentos, o incentivando a ir cada vez mais fundo e rápido.
O ar era pouco para os corpos entrelaçados. Suspiros, gemidos e nomes eram soltos de maneira involuntária. Estavam totalmente entregues ao prazer.
Rony não conseguia controlar mais seus movimentos, penetrando Hermione, cada vez mais fundo. Ela arfava em resposta, arranhando toda a extensão das costas e braços do ruivo.
O ápice veio de maneira arrebatadora, tirando qualquer fonte de raciocínio e força do casal. Seus corpos explodiram juntos, num mar de prazer intenso.
Rony deixou-se cair sobre o corpo de Hermione, respirando pesadamente, assim como ela.
Hermione alisava seus cabelos de forma carinhosa, muito satisfeita e abobada pela intensidade do prazer máximo.
Rony fez menção de livra Hermione de seu peso, porém, ela o abraçou mais forte.
-Fica assim. –falou com a voz baixa.
Rony deixou-se ficar nos braços de Hermione, matando as saudades do calor de seu corpo. Abraçou-a com força, sentindo os carinhos que ela fazia em seus cabelos molhados pelo suor.
Ambos ficaram em silêncio durante longos minutos. Porém, Hermione sentia necessidade de dizer algo.
-Rony. –chamou-o.
-O que foi? –Rony perguntou rolando para o lado, podendo assim, ficar de frente para Hermione.
Ela ficou em silêncio por um momento, tentando elaborar o que falar. E sua feição a denunciou.
-Mione, não...
-Por favor, me escute. –cortou-o. –Não posso fingir que nada aconteceu, porque aconteceu. –falou calma.
Rony se calou e ficou atento a suas palavras.
-Eu não vou agir mais como uma criança. Eu te fiz sofrer novamente por puro egoísmo! Todo esse tempo, pensei apenas em mim, enquanto você... -suspirou. –você estava ao meu lado, fazendo de tudo para que me sentisse bem. E eu não soube reconhecer isso.
Hermione estava abrindo seu coração, como a tempo não fazia. Suas palavras eram sinceras. Queria ser verdadeira com Rony e não lhe esconder nada.
-Não posso voltar atrás, mas posso pedir que me perdoe. Não quero que duvide do meu amor por você. –alisou seu rosto. –Quero te fazer feliz, mas só estou indo contra isso. Peço que a partir desse momento, esqueça tudo o que eu fiz, esqueça o que passou. Que recomecemos. Eu não quero ter perder novamente.
Rony sorriu.
-É tudo o que eu mais quero, Mione. Mas preciso que confie em mim.
-Eu confio.
-Preciso ter você inteira, e não metade feliz e outra triste.
-Eu não vou ter mais medo. Não com você ao meu lado.
-Não vai mais me evitar?
-Não.
-Não vai deixar de fazer amor comigo quando estiver no período fértil?
Hermione não respondeu de imediato. Suspirou, refletindo com a pergunta do ruivo.
-Não, eu não vou. –falou por fim. –Não posso mentir para você, Rony. Eu tenho medo, muito medo... Mas...
-O que? –incentivou-a a continuar.
-Rony... eu...eu quero... –era muito difícil dizer o que gostaria.
Rony beijou sua testa.
-Diga para mim, o que você quer? –perguntou calmo, muito esperançoso.
-Eu quero...quero te dar um filho. –sua voz soou fraca. Rony sentiu como se explodisse fogos de artifício em seu peito, tamanho era seu contentamento, porém, se conteve.
-Sem medo, lembra? –falou colando sua testa com a dela.
-Essa parte é difícil. –falou com a voz embargada.
Rony beijou-a nos lábios tentando acalmá-la.
-Você vai estar comigo? –Hermione perguntou com a voz trêmula.
-Sempre... –beijou-a novamente. –Mas eu preciso que você também queira.
-Eu... eu quero...Eu sempre quis. –falou num sussurro. –Você sempre soube disso.
Rony sorriu abertamente, sem se conter de felicidade.
-Você me ama? –perguntou olhando-a nos olhos.
-Mais que a mim mesma.
-Diz. –pediu num sussurro, roçando seu rosto no dela.
-Eu amo você! Amo você com todas as minhas forças! Sem você, eu não estaria aqui, porque minha existência se resume em você. Minha filosofia da vida é você.
-Ahhh, Mione! –exclamou extasiado com tal declaração. Beijou-a com entusiasmo. –É tão bom ter você de volta! Minha Mione!
-Eu vou te fazer feliz, Rony.
-Se você está feliz, eu também estou.
-Eu te amo! –falou rente aos seus lábios.
-Eu também te amo, Mione. Muito! –Rony foi beijá-la, mas parou no meio do caminho. –Não entendi uma coisa...
-O que? –Hermione perguntou confusa.
-Fi o que?
Hermione riu abertamente, sentindo-se segura e confiante.
-Depois eu explico. Agora quero ensinar outra matéria: Anatomia.
Rony fez cara de pura confusão, e foi abordado por uma Hermione apaixonada.
