Bem vinda
Ao chegar em casa, Hermione suspirou aliviada. Olhou para Rose em seus braços e sorriu.
-Bem vinda. –sussurrou.
Tayla se emocionou com a nova integrante da família, e tratou logo de seguir para a cozinha preparar uma deliciosa comida, de acordo com suas próprias palavras, para que o casal se alimentasse.
Rony aproveitou a deixa e seguiu com Hermione para o quarto.
-Agora você tem que descansar, Mione. Não pode ficar fazendo esforço. Tem que se cuidar... –Rony falava, sem parar,enquanto subia as escadas -...tudo o que você quiser me peça, e quando eu não estiver chame a Tayla...
-Rony, Rony! –Hermione chamou achando graça. –Sem exageros! –subi com certa dificuldade.
-Não é exagero, Mione! –falou como se as palavras de Hermione fossem um absurdo. –Da outra vez eu não estava aqui para cuidar de você, mas agora eu estou. –falou baixinho em seu ouvido, não querendo que ela relembrasse o passado ruim, mas que se sentisse protegida. E ela estava.
Hermione estava achando maravilhoso estar em sua casa com sua família. Resolveu tomar um banho para tirar aquele ar de hospital.
-Quer ajuda? –Rony ofereceu, com o olhar perdido na filha que estava em seus braços.
-Acho que agora eu consigo sozinha. Qualquer coisa eu te chamo. –Hermione falou sorridente por ver que Rony não se preocupava apenas com Rose, mas com ela também. Imaginou se isso era ciúme. Mas logo percebeu que não. Não tinha como ter ciúme de um ser tão lindo, tão mágico.
Rony sentou-se na cama e ficou a ninar a filha, sonolenta. Seu sorriso era largo e verdadeiro.
Então agora ele conhecia, era aquela a sensação de ser pai. Rony sentiu essa diferença, mas não sabia explicá-la. Agora ele entendia o orgulho na voz de Harry ao falar de seus filhos, o desespero de Gina quando James se arriscava em algo que ela achava arriscado, e também entendia a saudade que se estampava nos olhos de seus próprios pais quando viam ele e os irmãos embarcarem em direção a Hogwarts.
Ele podia entender tudo isso e mais um pouco, pois agora ele também era pai. Tinha um ser em sua responsabilidade, até o momento em que ela abrisse as asas e voasse para o mundo, assim como ele próprio o fez. E um dia, restariam apenas ele e Hermione, novamente, sozinhos.
Seu peito se apertou com esses pensamentos. Como seria viver sem sua filha, agora que a tinha? Pensou em seus pais, que antes, com sete filhos, agora sem nenhum. Sentiu o aperto no peito maior ainda. Será que existiam aulas para aprender a lidar com isso? Seus pais conviviam com isso, mas o quão difícil deveria ser?
Rony estava em meio de muitas emoções, e quando percebeu seus olhos estavam inundados por lágrimas. Olhou para frente e viu Hermione parada, olhando-o com uma interrogação.
-Algum problema? –perguntou sentando-se ao seu lado.
-Só pensando.
Hermione ficou em silêncio, respeitando esse momento íntimo de Rony com ele mesmo. Encostou a cabeça em seu ombro e suspirou. Ficaram assim até que Rose despertasse necessitando ser alimentada.
-Precisamos de um berço temporário aqui no quarto. –Rony falou entregando Rose a Hermione, e ajeitando os travesseiros atrás da mesma.
-Também acho. Os primeiros meses é melhor ela ficar aqui com a gente. E já que o berço de lá não tem como tirar, vamos ter que ter outro provisório. –falou oferecendo o peito a pequena.
Rony ficou a mirar a cena por alguns minutos. Ele gostava de ver. Fazia parte dos seus sonhos.
-Já sei. –falou baixo, o ruivo. –Eu já volto. –falou beijando as duas na testa.
-Você está bem? –Hermione perguntou ainda com preocupação.
-Estou. –sorriu. –Foram apenas alguns pensamentos que me pegaram de surpresa. Sabe com é... pai de primeira viagem. –falou divertido.
Hermione sorriu e o viu sumir pela porta. Fico a imaginar o que se passava na cabeça do ruivo, porém, não se preocupou. Sabia que ele estava bem. Do contrário, ele diria.
Rony chegou à Toca e gritou pelos pais.
- O que foi, Rony? Algum problema? –Molly perguntou, vindo apressada seguida de Arthur.
Rony abraçou os dois com força.
-Sabia que eu amo vocês? –falou naturalmente.
-Nós também te amamos, meu filho. –falou Arthur rindo, porém, com emoção.
Rony sentou-se com os pais por longos minutos esquecendo-se do tempo.
-Eu...hum...quero fazer uma pergunta. –falou com receio.
-Diga, Rony. –falou Molly.
-Como é? –parou por um momento. –Como é criar filhos e depois vê-los partir?
Molly e Arthur se entreolharam, surpresos com a pergunta de Rony. Apesar de já terem tido conversas semelhantes com alguns dos filhos, e inclusive Harry, que os via como pais, Molly e Arthur sentiram-se surpresos com a profundidade da pergunta de Rony.
-Como dizem os trouxas, "Criamos os filhos para o mundo." . –Arthur foi o primeiro a dar a palavra.
-Mas como é? Como se sentem?
-Porque essa pergunta, Rony? Você não terá que se preocupar com isso tão cedo! –Molly falou carinhosa.
-Mas um dia Rose vai ter que ir embora! Um dia ela irá para Hogwarts e praticamente ficará o ano todo lá. Um dia ela vai se casar. –falou o último com uma careta.
-Isso tudo é verdade. Mas são fatos que a vida lhe ensina a compreender, a entender. É difícil, claro, mas é também uma alegria para nós. Não tem como evitar isso, Rony. Olhe para você, ontem mesmo era um garotinho, hoje um homem, casado e pai. –falou Arthur tranquilamente sem esconder o orgulho na voz, fazendo Rony sorrir.
-Logo você irá perceber que ser pai é cuidar, orientar, mas o caminho a escolher não somos nós que ditamos, mas vocês que escolhem. –falou Molly.
Rony ficou a refletir por uns minutos. Eram tantas coisas no que pensar, que uma dor mínima começava a brotar em sua cabeça.
-Você está se preocupando a toa com isso, meu filho. Há tanto tempo pela frente! Relaxe. Preocupe com as noites mal dormidas, primeiro, depois você se preocupa com o resto! –Arthur falou zombeteiro, fazendo os outros dois também rirem.
-É, acho que estou muito afobado com essa história toda. –deu um risinho sem graça.
-Deixe o instinto de pai falar por você, e verá que não é tão difícil. –Arthur deu uma piscadela.
Rony sorriu para os pais, mais aliviado. Estava tão entretido na conversa, que não percebera o tempo que já estava fora de casa.
-Eu já ia me esquecendo! Vocês ainda têm aquele berço que foi da Gina? –Rony perguntou antes de se despedir.
-Claro que sim! Temos vários objetos que foram de vocês quando crianças, não é mesmo, Arthur? –Molly falou com os olhos brilhando.
-Sim, Molly.
-Será que poderiam me emprestar? –Rony perguntou. –Queremos deixar Rose em nosso quarto nesse comecinho, e o berço dela não tem como sair do quarto.
-Mas é claro que sim, meu filho. Está no quarto que foi dos Gêmeos. E não demore, Hermione já está sozinha há muito tempo. –falou Molly, vendo Rony subir as escadas correndo.
Rony se despediu dos pais e correu de volta para casa.
Hermione acabara de alimentar Rose, e Rony ainda não tinha retornado. Sentia-se sonolenta, cansada, pesada e as dores tinham aumentado. Rose já dormia em seus braços quando Rony chegou.
-Rony, você demorou. –falou baixo.
-Desculpe. Eu acabei perdendo a hora. –falou beijando-a nos lábios.
-Onde você foi?
-Na Toca. – falou e logo atrás de si apareceu um embrulho grande, flutuando, que Hermione não soube definir o que era.
-O que é isso?
-Já, já, você irá ver.
Com um simples movimento da varinha o berço se montou num canto do quarto, e Rony sorriu.
( Link do berço: ./Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=14357753822625427650&aid=1&pid=1263835487185)
-Gostou?
-Ele é lindo.–falou sorrindo. –Mas não entendi o que a Toca tem a ver com isso.
-Esse berço foi da Gina.
-E será que ela não vai achar ruim? –perguntou preocupada.
-Claro que não! Aposto que vai se sentir honrada, pela afilhada dela, usar o seu berço. –falou revirando os olhos. - Fora que ela nem deve se lembrar que ainda o temos! Mamãe guardou muita coisa de quando éramos crianças, mas as da Gina são mais bonitinhas, vamos dizer assim. Sabe como é, única menina da família, e blá, blá, blá. –falou fazendo gestos com as mãos.
-Tenho certeza que Molly também guardou o que foi seu.
-Sim, claro! Que foi meu e dos meus outros quinhentos irmãos! –riu. -Eu e meus irmãos tivemos um ou dois berços, não sei. Sabe como é, todos homens! E bom, não restou nada para contar histórias. –falou pegando Rose com cuidado e a deitando no berço.
-Eu nunca vi suas coisas de infância. –Hermione falou se ajeitando na cama, com a ajuda de Rony.
-Um dia eu te mostro. São lindas! –falou zombeteiro. -Pronto. Agora você pode descansar. –falou sentando-se ao seu lado e alisou seus cabelos.
-Espero. Essa dor é chata, incomoda. –falou se ajeitando na cama.
-Está doendo muito? –perguntou preocupado.
-Daqui a pouco passa. Só preciso descansar. Você não vai deitar?
-Só vou tomar um banho e já volto.
Quando Rony voltou ao quarto, Hermione já pegara no sono. Deu uma olhada em Rose, ela ainda ressonava. Então, deitou-se ao lado de Hermione e caiu no sono. Mas não por muito tempo.
Para Rony pareciam ter se passado apenas cinco minutos, desde que deitou até que escutou o choro de Rose. Levantou-se apressado, como se nele tivesse sido instalado um despertador.
-Que foi, pequena? –falou pegando-a nos braços. –Já está com fome? Será que não podia deixar sua mamãe dormir mais um pouquinho? –perguntou rindo. –Vamos trocar essa frauda fedorenta, primeiro.
Rony seguiu para o quarto de Rose, que estava impecável. Deitou a pequena ruiva no trocador e tirou sua roupa, constatando a frauda suja. Tentou lembrar-se de como trocá-la, mas foi inútil.
-Aff. –bufou.
-Precisa de ajuda? –Hermione perguntou parada na porta.
-Não queria fazer você se levantar. –falou irritado consigo mesmo.
-Deixa de ser bobo, Rony. –falou rindo de leve, porque até rir, fazia seu corpo doer. Caminhou de vagar até ele.
-Até quando você vai ficar assim? –perguntou aflito.
-Assim como?
-Andando curvada, sentindo dor. Me sinto aflito!
-Dores do parto, meu bem. –tentou não rir. –Depois do meu resguardo acaba, Rony. E não está tão ruim assim. Da outra vez foi pior.
-Verdade? –perguntou assustado.
-Sim. Mas não se assuste. Vai passar. Agora venha, vou te ensinar a trocar uma frauda corretamente! –sorriu marota.
Hermione ensinou todos os passos a Rony, que prestava bastante atenção e viu a fralda bem trocada de Hermione.
-Eu ainda pego o jeito. – falou sem graça.
Hermione voltou a deitar-se na cama e ofereceu o peito a filha.
-Me passa ela que eu a faço arrotar. Volte a dormir. –Rony falou pegando a filha.
-Obrigada, Rony. –falou se ajeitando.
-Não tem que agradecer, meu amor.
Hermione sorriu e o beijou nos lábios.
Essa foi à primeira noite mal dormida de várias que ainda viriam para a família. Mas apesar de tudo, eles estavam felizes. Não havia motivo melhor no mundo para que passassem a madrugada acordados.
N/A: Olá, pessoal!
Mais um capítulo para vocês, é bem curtinho mas espero que gostem!
Infelizmente, ou felizmente.. dhsuhdusd.. a fic está chegando ao fim
Espero coment de vocês, e logo eu posto o próximo capítulo!
Beijo grande! =]
