TEMPOS DE HOGWARTS

1 ano depois

Rose acabara de fechar o malão. Estava tudo muito bem organizado, de forma que podia achar qualquer coisa com muita facilidade. Olhou para o artefato fechado e suspirou. Sentou-se na ponta da cama e ficou a olhar para as próprias mãos.

Há alguns dias, quando recebera a carta de Hogwarts, sentira-se extremamente feliz com a ideia de aprender tudo o que fosse possível. Agora, naquele exato momento, sentia a mesma excitação, porém, a saudade da família já batia fundo em seu peito.

-Rose? –Hermione chamou da porta, tirando a filha de seus pensamentos. –Está pronta?

-Sim, estou.

Hermione caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.

-Não parece tão animada quanto antes.

-Não é isso. Eu estou, e muito. Mas é que... vou sentir saudades. –abraçou a mãe.

Hermione partilhou com a filha o mesmo sentimento. Apertou-a forte tentando controlar as lágrimas.

-Sei que é difícil e ao mesmo tempo maravilhoso. Mas você irá acostumar. Logo nem vai lembrar mais da sua mãe, aqui, sozinha... –brincou.

-Nunca! –falou rindo. –Você vai me escrever?

-É claro que sim! –alisou o rosto da filha. –Eu estarei sempre com você, sempre! –beijou sua testa e tratou logo de despistar as lágrimas teimosas. –Vamos descer. Seu irmão está deprimido e seu pai aflito!

As duas riram e desceram juntas até a sala.

-Você aprendeu direitinho tudo o que lhe ensinei? Devia ter ensinado mais! Pegou tudo? Não está esquecendo nada? ...-Rony saiu perguntando em disparada.

-Papai! PAPAI! –Rose falou mais alto. –Respira fundo. Isso...

Hermione e Hugo riam.

-Você está mais nervoso do que eu, relaxa! –recomendou Rose.

-Ok. –Rony falou mais calmo. –Ah! Cuidado com esses garotos assanhados! Essa juventude está cada vez pior! Vou pedir seus primos para ficarem de olho em você!

-PAI! Eu só tenho onze anos! –falou revirando os olhos.

-Rony, não perturba a menina! –Hermione começou a ralhar. Rose deixou os dois e foi até o irmão.

-Você está bem? –perguntou a ruivinha.

Hugo apenas confirmou.

-Vamos, Hugo! Logo você também vai para Hogwarts!

-Eu sei. –falou desanimado.

-E vamos combinar, eu não vou embora para sempre! Não precisa morrer de saudades! –brincou.

-Convencida! –riu com a irmã e se abraçaram.

-Vamos logo, cambada! Tio Harry já deve estar esperando e ainda tenho uma lista de recomendações para seus primos!

-PAI!

(Dezenove anos depois -Harry Potter e as Relíquias da Morte)

3 anos depois

-Pronto? –Rony perguntou a Hugo.

Era o primeiro ano de Hugo em Hogwarts assim como de Lílian. O pequeno Weasley estava um pouco amedrontado pela nova rotina.

-Venha logo depois de mim, Hugo. –falou Rose já se preparando para atravessar a parede.

Hugo confirmou, engolindo em seco.

-Não precisa ter medo, querido. –falou Hermione.

-É, Hugo. Não deve ser difícil. –confirmou Lily.

Rose já ia tomar impulso para atravessar quando uma voz gritou:

-Hey, esperem!

-Olha! É a tia Alana e a tia Lilá! –falou Rose.

-Ufa! –falou Alana respirando fundo. –Achei que não íamos chegar a tempo! E ai famílias! –cumprimentou a todos com seu jeito alegre acompanhada de Lilá.

-Agora vocês vão ficar abandonados! –brincou Lilá.

-Um alivio sem esses pirralhos! –falou Alana!

-Não somos pirralhos! –falaram todos em uni som, fazendo os adultos rirem.

-Vamos sentir saudades! –falou Lilá.

-Não deixem de escrever pra gente também! –falou a outra loira.

-Pode deixar tia! –falou Lily.

-E como está o processo de adoção? –perguntou Gina.

-Sem nenhum avanço, Gina. –falou Lilá. –Conhecemos uma nova garotinha. Os pais a largaram quando perceberam que ela era "diferente", ou seja, do nosso mundo.

-Que...

-Rony, não xinga! –alertou Hermione.

-Ok.

-Realmente isso é desumano. Sei muito bem o que é isso. –falou Harry.

-Pois é. E ela é tão boazinha, uma gracinha de menina! Tantas coisas para enfrentar, para serem explicadas... –Alana falou desolada.

-E nossa situação como casal, só piora as coisas.

-Vocês vão conseguir. E se precisar, pode contar com a gente! –falou Hermione.

-Obrigada. Vocês são realmente uns amigões!

Alana e Lilá, não podendo demorar muito, logo se foram.

As duas famílias atravessaram a parede, com as crianças cada vez mais excitadas para embarcar no trem.

-Tchau mãe, tchau pai! –falou James dando um breve abraço nos pais.

-Ingrato! Fica praticamente um ano longe de mim e é assim que se despede? –Gina falou fazendo beiço.

James riu do teatrinho da mãe e a abraçou novamente, assim como o pai.

-Amo vocês!

-Nós também, garotão! –falou Harry.

-Cuide de sua irmã!

-Com a Lily ninguém mexe, mamãe! –falou Alvo fazendo pose.

-Eu sei me cuidar, ok? –Lílian falou irritada.

-James, Alvo, não peguem tanto no pé da irmã de vocês. –falou Harry aos cochichos.

-Rose, ajude seu irmão. –Hermione falou ajeitando seus cabelos.

-Eu não preciso de ajuda! –exclamou ofendido.

-Hugo, acredite, você pode precisar! Já viu menina mais inteligente? A não ser sua mãe, é claro! Ela pode fazer seus deveres! –falou com um sorriso sapeca.

-Rony! Não ensine coisa errada!

-Nem pensar nisso, papai. Hugo tem que aprender. –falou com o mesmo tom de Hermione.

-Igualzinha a sua mãe! –resmungou fazendo as duas trocarem uma piscadela. –Mas você pode ajudá-lo! –fingiu-se de inocente.

-Sim, eu posso! –riu a ruiva.

Rony sorriu olhando para os dois.

-Amamos vocês! –abraçou os dois, seguido por Hermione.

-Nós também! –os filhos sorriram abertamente.

-Comportem-se e por favor, escrevam para uma mãe solitária!

-Epa! Para mim também! –falou Rony.

Os meninos riram dos pais e saíram caminhando com os primos.

-Juízo todos vocês! –gritou Gina.

-Divirtam-se! –gritou Harry.

-Estudem! –gritou Hermione.

-Aprontem bastante! –gritou Rony.

-RONY! –repreenderam Gina e Hermione, fazendo o ruivo encolher os ombros e sorrir.

-Não se preocupem! Aprontar mais que a gente, não tem como! Ou tem? –falou em dúvida.

Harry riu com o amigo até que o trem começou a andar. Os quatro começaram a acenar para os filhos e sobrinhos que estavam na janela.

Seria o primeiro ano sem os filhos. Primeiro ano em que partilhariam os dias um na companhia do outro.

-Então era assim? Era assim que papai e mamãe se sentiam quando todos nós íamos para Hogwarts? –questionou Rony, tristonho.

-Acho que sim, Rony. –falou Gina com o mesmo tom de voz.

Sabiam que os filhos estariam bem, mas a tristeza de tê-los longe era inevitável.

Olharam-se e sorriram um para o outro.

-Parece que voltamos aos velhos tempos. –Harry falou vendo o trem sumir.

-O trio... –Gina falou ciumenta.

-Não, meu amor... quarteto!

Gina sorriu.

-A baixinha caçula está com ciúmes!- Rony exclamou abraçando a irmã.

Gina aconchegou-se, manhosa, no peito do irmão.

-Então, o que acha de sairmos hoje à noite? –Harry perguntou se abraçando a Hermione.

-Ótima ideia, Harry. –confirmou Rony enquanto caminhavam até o estacionamento.

Após conversarem durante alguns minutos, cada casal seguiu para suas respectivas casas.

-Sozinhos. -Rony falou quando fechou a porta. Hermione suspirou.

-É estranho ver a casa vazia. –falou sentindo Rony a abraçar.

-Com certeza.

Hermione se virou para ele e o olhou com carinho.

-Obrigada, Rony. –falou com a voz baixa. –Obrigada por estar na minha vida, por me amar... –suspirou. -...obrigada por não ter desistido de mim. Se não fosse por você, não sei se teria conseguido chegar até aqui.

-Você teria sim. –falou com o mesmo tom de voz baixa. –Sabe por quê? –sorriu. –Porque você é Hermione, forte, esperta e linda.

Hermione sorriu e colou seus lábios ao dele. Beijou-o lentamente, explorando cada canto da boca de Rony. Ao fim do beijo, ambos permaneceram de olhos fechados e Rony distribuiu beijos por toda sua face. Por último, beijo-lhe os olhos e Hermione os abriu, transmitindo o brilho e o amor que vinha de si. Rony retribuiu o olhar com a mesma intensidade, alisando seu rosto.

-Rony... –Hermione chamou num sussurro. -...você acha...que o nosso amor pode fazer milagres?

-Ele já fez uma vez, trouxe nossa filha de volta.

Hermione refletiu por um momento, sobre o olhar de Rony.

-Acha...acha que ele pode nos levar embora juntos?

-Acho que ele pode fazer o que quisermos, basta estarmos juntos.

Hermione abriu um largo sorriso e o abraçou forte.

-Eu amo você, Rony. Pra sempre!

-Eu amo você, Hermione. Pra sempre! –repetiu a fala com um sorriso.

Hermione o beijou novamente, só que de uma maneira bem diferente. Seus lábios se apertaram ao de Rony com ânsia e desejo de quero mais. Suas línguas se entrelaçavam com rapidez e sensualidade. Ao termino, Hermione mordeu-lhe o lábio inferior, arrancando de sua garganta um gemido baixo.

-Sabe... – Hermione começou a falar enquanto empurrava Rony até a parede. -...termos muito tempo até a noite.

Rony já podia sentir o calor emanar de seu corpo.

-O que acha aproveitarmos esse tempo? –Hermione perguntou, tirando com um único movimento a camisa de Rony. Começou a beijá-lo no pescoço, descendo pelos mamilos, peito e barriga.

Rony suspirava, completamente imóvel. Sentia a língua quente e os dentes de Hermione em sua pele.

Ela tirou-lhe os sapatos e em seguida as calças. Afastou-se dois passos e ficou a admira-lo. Seu peito subia a descia com certa rapidez, sua boxer preta exibia um volume que fez Hermione tremer.

-Isso não é muito justo, sabia? –questionou Rony com a voz rouca.

-Eu sei. –retrucou com um sorriso maroto.

Hermione soltou os cabelos deixando seus cachos cobrir-lhe a face. Botão por botão de seu vestido foram desabotoados, sem pressa.

Ao ficar apenas com a roupa de baixo, Rony grunhiu vendo aquela vermelho vibrante e sexy.

-Mione... –falou engolindo em seco, admirando seu corpo.

Hermione encaminhou-se para tirar as últimas peças, mas Rony a impediu.

-Não...eu tiro. –falou ansioso, porém, se contendo. –Vem.

Hermione se encaminhou até ele, lentamente. Virou-se de costas e grudou seu corpo ao dele.

Rony a prensou com uma mão e afastou seus cabelos com a outra. Seus lábios foram direto para seu pescoço, mordendo e rodeando com a língua aquela área sensível.

Hermione movimentava seu corpo, provocativamente, atiçando o sexo e os desejos de Rony. Sentiu as duas mãos do ruivo em sua barriga. Elas subiram apalpando os seios ainda cobertos, mas logo tiraram a peça que os cobriam. Sentiu os mamilos ouriçados e passou as mãos por eles de leve.

Hermione suspirou de olhos fechados, cada vez mais excitada. Suas pernas se cruzavam sentindo o latejar de seu sexo.

Rony desceu com as mãos e alisou suas coxas. Afastou suas pernas e acariciou seu sexo carente. Hermione gemeu mais alto, tentando firmar o corpo. Com agilidade, Rony tirou a ultima peça e assim, pode acariciá-la intimamente sem nenhum obstáculo.

-Me beija, Rony. –Hermione pediu quase sem voz.

Rony a virou para si num movimento rápido e a beijou loucamente. Prensava seu corpo ao dela tentando conter todo aquele desejo, mas era impossível. Precisava de mais, de muito mais. Trocando de posições, Rony a prensou na parede atacando-lhe os lábios. Afastou-se por meros segundos e tirou sua boxer.

Hermione gemeu e sentiu a boca de Rony ocupar-se com seus seios. Agarrou sa costas de Rony, arranhando de cima a baixo. Não queria mais delongas, queria senti-lo logo.

Hermione agarrou seu rosto e falou rente ao seus lábios:

-Não demora mais! –falou sem ar.

Rony riu e mordeu seu lábio.

-Vou realizar seu desejo... e meu também. –sussurrou em seu ouvido.

Rony levantou uma das pernas de Hermione e a penetrou com um único movimento. Os movimentos começaram fortes, sem conseguir controlar-se. Hermione o acompanhava na mesma intensidade, sentindo o suor descer por suas costas.

Os lábios não conseguiam concretizar um beijo completo. Suspiravam juntos, gemiam juntos. Rony pode sentir que Hermione estava perto e com mais um movimento viril, ele a viu fechar os olhos com força e cravar as unhas em suas costas.

Rony deu mais algumas investidas e também alcançou o ápice. Estavam cansados e suados, porém, muito, muito satisfeitos.

Rony acariciava seus cabelos úmidos, enquanto se acalmavam.

-Quer subir?

-Acho que não consigo, Rony. –riu.

-Eu estou mais velho, mas ainda consigo te carregar, sabia? –debochou.

Já deitados, Hermione aconchegou-se em seu peito sentindo seu carinhos.

-Acho que vamos ter que fazer amor mais vezes durante o dia para ocupar o vazio dos meninos. –falou Rony, quebrando o silêncio.

Hermione gargalhou sendo acompanhada do ruivo.

Conversaram por um longo tempo, descansaram, e logo se aprontaram para curtir a noite com os amigos.

1 ano e 2 meses depois

-Porque Rose cisma em trazer esse garoto? –Rony questionou, sentado na varanda e rodando o líquido em seu copo.

Hermione que conversava com Gina, olhou e retrucou:

-Será que é porque você implica de ela ir até à casa dele?

-Implico e com razão!

-Rony, eles são amigos.

-Eu também era seu amigo, Hermione. E olhe no que deu!

-Está achando ruim?

-Eu não quis dizer isso. –falou na defensiva. –Estou dizendo que de amigos a coisa pode virar outra, Mione.

-E qual seria o problema?Eu vivia na sua casa, Rony.E ainda ê era um garoto e eu uma garota... –Rony fechou a cara.

-Era diferente. –retrucou.

-Diferente porque?

-Mione, não enche!

Os dois continuaram a discutir enquanto Gina ria da cara dos dois e recebia Harry ao seu lado.

-CHRISTOPHER MILLER, VOCÊ É UM COMPLETO IDIOTA! –Rose gritou enquanto andava a passos largos para perto dos pais e tios.

-Rô, espera!-pediu o garoto sem jeito.

-Rose Weasley para você, imbecil! –falou raivosa.

Rony se levantou, mas Hermione o impediu. E apenas com um olhar, Rony entendeu o recado e se aquietou novamente na cadeira.

Rose passou por eles rapidamente, com seus longos cabelos ruivos.

-Hermione, não posso deixar esse moleque fazer isso com a minha filha!

-Rony, você nem sabe o que aconteceu. Tem que dar a chance de eles resolverem o que quer que seja. Se ela precisar de algo, sabe que pode contar com você ou comigo.

Rony refletiu e sabia que Hermione estava certa. Quantas e quantas vezes ele e Hermione brigaram e eles mesmo resolveram suas diferenças? E não foram poucas!-pensou.

-Ok, ok. Vou ficar aqui, sentadinho.-bufou recebendo risada dos três.

-Cara, vocês dois são impossíveis! –exclamou Alvo caminhando ao lado de Christopher.

-Mas eu não fiz nada! –defendeu-se.

(Christopher Miller: ./Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=14357753822625427650&aid=1&pid=1294264841373 )

-Eles nunca fazem nada. –Hermione cochichou relembrando os tempos passados. Rony ouviu o seu comentário e olhou-a com as sobrancelhas levantadas.

-Eu entendi, tá? –falou ofendido e Hermione apenas riu.-Você é quem vai dormir no sofá hoje!

Harry e Gina gargalharam da cara da amiga.

Quando Christopher se viu na frente de Rony, engoliu em seco. Ele era um homem e tanto! Christopher o admirava, mas em relação a Rose tudo mudava. Gostava de sua filha, não podia negar. Mas era tudo tão complicado e estranho ao mesmo tempo! As vezes ficava confuso e sem saber o que fazer, mas se era dela que gostava, e com o pouco conhecimento que tinha de mulheres, sabia que se não demonstrasse seus sentimentos, nada tomaria pé como gostaria. De acordo com Hugo, Rose também gostava dele, mas fazia questão de esconder esperando alguma reação do mesmo. Mulheres, desde novas complicam as coisas! –pensou.

-Sr. Weasley...-limpou a garganta. -...Rose passou por aqui? –perguntou já sabendo a resposta. Só queria um meio de começar a conversa.

-Sim. O que...Ai!-Rony começou a falar com seu modo rabugento, quando Hermione o beliscou.

-Ela está lá em cima, Chris, no quarto do Rony. Pode ir lá. –falou Hermione.

-Obrigada, Sra. Weasley! –falou animado.

-Chris? CHRIS? Que intimidade é essa, Mione? Até você? Isso é um complô, é?

-Rony, ele já é de casa, deixa de drama! –falou Gina cansada dos ataques do irmão.

-De casa? Quem decide isso sou eu! Isso porque não é sua filha!

-Rony, agora você realmente me irritou! O sofá será um ótimo lugar para dormir essa noite! Pode ter certeza! –falou nervosa. –Para com esses ataques histérico, pelo amor de Merlin!

-Só eu me preocupo com a segurança de Rose!

-Segurança? Você conversa com o pai do garoto todos os dias, Rony. São amigos!–falou Harry.

-Isso, Harry! Ajudou muito! Tiraram o dia para me apunhalar!

-Dramático! –Hermione falou se levantando.

-Onde você vai?

-Eu estou te irritando, querido. –falou sarcástica.- Vou te libertar da minha presença! –falou gesticulando. - Não é isso que quer?

-Não. Não. –falou com voz baixa a pegando pelo braço. –Desculpa, parei. Eu só tenho que me acostumar.

Hermione alisou sua face e sorriu.

-Você é muito bobo! –riu e beijou-o.

-Estou sendo um velho chato, não é?

-É mais ou menos por ai! –afirmou Gina fazendo todos rirem.

Logo, Rose e Christopher retornaram. Pareciam discutir algo, mas amigavelmente.

-Rose, agora não. Ele está nervoso. –cochichava com a ruiva.

-Ele é assim, Chris. E ele te adora, só não confessa você sabe porque.

-Tipo você que não confessa que me adora? –falou rindo.

-Convencido! –falou dando um tapinha em seu ombro.

-O que vocês tanto cochicham? –perguntou Hermione.

-Preocupa não, tia. –falou Lily se juntando aos pais. -... eles querem dizer que estão namorando, mas estão com medo do tio Rony... Ah!...e eles vão ao baile juntos.

-LILY! –exclamou Rose.

-O que? –falou inocentemente. –Livrei vocês do peso. Deveriam me agradecer.

-Puxou a mãe! –falou Harry, o que fez Gina rir.

-Fico muito feliz por vocês! –falou Hermione abraçando os dois. –Como eu disse, Chris, você já é de casa.

-Obrigada, Sra. Weasley. Eu adoro estar com vocês e principalmente com Rose. –falou timidamente.

-Que romântico! –comentou Lily revirando os olhos.

-Papai? Não vai falar nada? –perguntou Rose. Mas Rony, que até então estava paralisado, despertou.

-Como é que é? Eu entendi direito? Você, seu franguinho, namorando minha filha?

-Bom... é...-gaguejou.

Rony tinha a face cada vez mais vermelha e Christopher via o perigo ali.

-Ferrou! –exclamou assustado e saiu correndo.

-Volta aqui moleque! –Rony gritou e antes de sair correndo, pisco para Hermione.

-Você não vai fazer o mesmo com Lily, vai? –perguntou Gina a Harry.

-Claro que não! –exclamou rindo.

-Obrigada, pai! –beijou-o na bochecha.

-Mas ainda é muito nova pra isso!

-Mamãe! –exclamou Rose assustada.

-Calma, minha filha. Seu pai só está brincando.

-Tem certeza?

-Absoluta. –sorriu. –Está feliz?

-Muito. Eu realmente gosto dele.

-Que bom, meu bem... que bom. –abraçou-a, feliz.

-Lá vem os dois. –falou Gina.

Depois de muito correr, ambos vinham rindo amigavelmente.

-Caraca, Rose, seu pai corre muito!

-Ele é o máximo! –falou o abraçando. –Obrigada, papai.

-Eu só quero te ver feliz! E também quero ver você agarrar todas as goles no final do campeonato!

-Tá no papo! A taça é nossa!

-Rose é a melhor goleira de todos! –falou Christopher e a beijou no rosto.

-Puxei meu pai! –falou orgulhosa.

-É, é... eu liberei o namoro, mas nada de ficarem se beijando na minha frente.

-Assim? –perguntou Rose e em seguida beijou Christopher.

-ROSE! –advertiu-a. –Hermione, você viu isso?

-Eu só estava brincando, pai. –riu. –Eu te amo. –sussurrou. Rony sorriu e olhou para Hermione.

Rose e Christopher juntaram-se aos outros sentando-se ao redor.

-Ele foi mais rápido que você, Rony. –comentou Hermione.

-Como?-perguntou confuso.

-Eu fui ao baile com o...

-Não diga esse nome! –gritou antes que Hermione o dissesse e todos caíram na gargalhada.

-Continuando, eu fui ao baile com outra pessoa, ao invés de você me convidar.

-Tempos passados, Mione.

-Sim! Passados! Só estou dizendo que você foi "devagar"! –riu deixando Rony envergonhado.

-Mas antes tarde do que nunca, viu? –falou na defensiva.

-E o papai? Também era devagar? –perguntou Lily interessada.

-Aff! –resmungou Rony.

-Seu pai não gostava de mim. Ele tinha coisas muito mais importantes para pensar e se preocupar. –respondeu Gina.

-Não é bem assim. Eu não me interessava por garotas. Ainda. –completou.

-Ainda bem que você disse AINDA, pai! –falou James fazendo o pai rir.

-Onde está a Isy? –perguntou Gina fingindo ciúme.

-Ela não pode vir, mãe. –achou graça e beijou-a no rosto.

-James, não atrapalha. –pediu Lily.

-Desculpa nervosinha.

-Atrapalhar o que? –perguntou Alvo chegando com Hugo.

-Você também?- reclamou a ruivinha. –Sentem e fiquem quietos.

-Desculpa então, viu? –brincou Hugo.

-Continua, papai.

-Então... eu não tinha interesse em garotas ainda.

-E quando passou a se interessar, ficou com a Chang. –completou Gina partilhando um olhar com Harry.

-E como descobriu que gostava da mamãe? –perguntou excitada. Queria saber todos os detalhes da história de amor dos pais. Nunca havia escutado em detalhes, apenas alguns pedaços aqui outros ali.

-Bom, eu não conversava muito com a Gina. Ela era tímida, calada. E quando me via, sai correndo ou simplesmente ficava estática. –riu.

-Não precisa se gabar. –brincou Gina.

-Eu sou prova. –falou Hermione. –Gina era caidinha pelo Harry.

-Para o meu desespero! –falou Rony recebendo um olhar crítico de todos. –Tá bom, nem tanto! –riu.

-E de repente ela havia se tornada uma das garotas mais populares de Hogwarts. Era divertida, ótima em feitiços e ótima jogadora. –completou Harry. –Ou seja, completamente diferente do que eu havia conhecido. Ela brincava comigo e era eu quem ficava sem palavras.

-E ai você percebeu o quanto ela era interessante? –perguntou Rose.

-Certíssimo, Rose. –riu da afilhada.

-Sua mãe me ajudou muito nesse ponto. –falou Gina e sorriu para a amiga.

-Como?

-Ela disse para ser eu mesma, deixar as coisas rolarem. Foi o que fiz, desabrochei e virei um poço de tentação! –riu.

-Muito engraçado, Ginevra! Era lindo ver você com o Dino!

-E o que você fazia, pai? –perguntou James.

-Nada! –falou como se fosse óbvio.

-Pai, você realmente era devagar! –Lily riu mais ainda.

-E como foi que ficaram juntos? –perguntou Alvo.

-Bom, eu peguei uma detenção...

-Normal... –James falou baixinho soltando uma risadinha.

-...fiquei fora do jogo final do campeonato e Gina ficou no meu lugar como apanhadora. Enquanto eles jogavam, eu estava no escritório com o Snape, que naquela época eu nutria um ódio mortal! –riu relembrando. –E então, quando voltei pro salão comunal, todos estavam festejando. Grifinória era campeã.

-E ai eu o vi. –continuo Gina. –Ele era a única pessoa que queria ver naquele momento. Ele merecia a vitória. Quando ele entrou, corri até ele e...

-Eu a beijei.

-UHUUUUUUUU! –gritou James! –Pai, você demorou, mas quando ágil não foi nem um pouco discreto! –brincou.

-Realmente não fui! –riu com todos.

-Fez o trabalho completo, pai. Espantou o Dino, conseguiu a gatona e já deu o recado pro tio Rony! Bate aqui! –falou batendo a mão com Harry.

-Aff! Fazer o que, né? –falou Rony.

Em meio as risadas alguém fungou.

-Lily? –chamou Gina vendo a filha chorar. –Meu bem, o que foi? –falou aconchegando a filha no colo.

-De...deve ter sido "lido", mamãe! –falou com a voz fanha e voltou a chorar.

Todos se olharam e sorriram.

Lílian, além de ser muito parecida com Gina, possuía também a garra e valentia da mãe e também do pai, mas por dentro, nutria seus sonhos de menina. Sonha com seu príncipe e com o amor. Um amor igual ao de seus pais, de seus tios, de seus avós.

-Foi sim, meu amor. Qualquer dia, se quiser, posso te mostrar as memórias, e vai ver o quanto é parecida comigo. –sorriu e beijou seus cabelos. Lily sorriu enxugou as lágrimas, se acalmando.

-Mas e depois?

-Nessa época, a guerra estava prestes a explodir. Nos separamos. E depois da guerra voltamos. Parece muito fácil falando assim. –Harry olhou para a esposa e sorriu. Ambos tinham conhecimento do sofrimento passado.

-Mas seu tio cabeção foi bem pior que seu pai! –falou Gina, animada.

-Obrigada, Gina querida! –retrucou sarcástico.

-Conta, tia! –pediu Lily ainda mais animada.

-É, mãe, conta! –Rose deu força. Hermione riu para Rony como pedido de desculpas.

-O Rony era um completo insensível! –falou olhando para a filha e o namorado, fazendo todos rirem. –Desde o primeiro dia em que nos conhecemos começamos com uma rixa e depois disso, brigávamos como gato e rato. Era inevitável.

-Hermione adorava me irritar!

-E você era um insensível!

-Insensível porque você me irritava!

-Eu te irritava porque era um insensível!

-Crianças, crianças! –chamou Gina. –Se comportem! –falou com tom de autoridade, o que fez soltar risadas dos ouvintes.

-Ok, ok, paramos. –falou o ruivo. –Continue, Hermione.

-Bom, nossos anos de Hogwarts foram todos assim, brigando, reconciliando, brigando, reconciliando. Harry e Gina são provas.

-Nós e Hogwarts inteira! –falou Harry.

-No quarto ano, eu estava esperançosa em ser convidada pelo Rony para ir ao baile, mas isso não aconteceu.

-Eu ia te convidar. Aliás eu te convidei.

-Rony, você chama aquilo de convite? Você insinuou que eu fosse sozinha e que eu deveria acompanhar um dos meu amigos!

-Francamente! –falaram Rose e Hermione juntas.

-Tá bom. Mas vamos pular essa parte. Quer dizer, a única parte boa nesse momento é que Hermione estava linda. –Hermione sorriu para Rony. –Mas mesmo assim nós brigamos! –riu.

-Normal. Não seriam vocês se não brigassem! –falou Harry.

-Ahhh, mas ainda tivemos consequências. –continuou Hermione. –Depois de uma briga do Rony com a Gina, ele quis descontar. Saiu com a Lilá. Isso no nosso sexto ano.

-Tia Lilá? –perguntaram todos confusos.

-Sim. –confirmou Rony. –Bom, na época ela... hum...gostava do sexo oposto. –falou sem graça.

-Já pensou tio, ter duas, hein? –falou James batendo em seu ombro.

-James! –repreendeu Gina.

-Desculpa! –riu.

-E não é estranho hoje? –perguntou Rose. –Quer dizer, durante todo esse tempo?

-Ela sumiu por um longo tempo. Foi coincidência temos nos reencontrado. E por mais que não nos gostássemos no passado, hoje somos amigas. –sorriu.

-Amiga de todos. Ela e Alana. –completou Gina.

-Mas, tia, quando é que vai aparecer um beijinho nessa história? –perguntou James fazendo beiço como se estivesse beijando e gestos o que fez todos rirem.

-Demora, James! –Hermione falou rindo.

-Fico me perguntando como você não desistiu, tia Mione. –falou Lily.

-Não se desiste do amor, querida. Assim como ele era meu príncipe, ele podia não ser. Eu era nova, e as vezes idealizamos coisas que achamos que será pra sempre. As vezes, ela realmente é, outras vezes não. Eu podia ter desistido, mas era ele que eu queria, ele só tinha que enxergar isso. Adolescência é uma fase complicada.

-Estou sentindo na pele! –falou Christopher.

-Mas quando é que vocês ficaram juntos afinal? –perguntou Hugo ansioso.

- Em meio a guerra. Seu pai de repente ficou muito atencioso.

-Ele começou a correr atrás do prejuízo. E no casamento do Gui, ele praticamente arrancou a Mione da mesa. –falou Harry.

-Medo de que o Krum o fizesse primeiro. –completou Gina.

-Wooouu! Essa foi boa, pai! –falou Hugo.

-Mas mesmo assim, nada aconteceu. –falou Gina.

-Ahhhhh! –todos desanimaram.

-E durante todo o percurso da guerra, também nada. –falou Harry.

-Pô! Eu já teria desistido da vida! –falou James.

-Vocês vão me deixar terminar, ou não? –perguntou Hermione que não conseguira falar.

-Desculpe! –falou Gina rindo.

-Até parece que a história é de vocês! –falou Rony.

-Fazemos parte da ala dos personagens principais! –brincou Harry.

-Continuando...-Hermione falou num tom mais alto. –No última dia da guerra, eu e Rony fomos até a Câmera Secreta pegar os dentes do Basilisco. Ele fora incrível! –falou sonhadora fazendo Rony sorrir. – E quando voltamos, encontramos o Harry e foi ai que Rony deu sua deixa.

-Deixa? –perguntou Lily.

-Eu disse aos dois que faltavam os Elfos que estavam na cozinha... –falou Rony.

-E eu achei que o Rony queria que eles lutassem. –falou Harry. –E ai ele nos respondeu:

-"Não, devíamos dizer a eles para dar o fora. Não queremos outros Dobbys, não é? Não podemos mandá-los morrer por nós." (Harry Potter e as Relíquias da Morte)–falaram Rony e Hermione em uni som.

-Foram exatamente essas palavras. –Hermione falou num sussurro partilhando um olhar com Rony. Suspirou e sorriu para todos. –E eu larguei tudo, todos os dentes que carregava e o beijei.

Lily já chorava de emoção pela história. Rose enxugava as lágrimas disfarçadamente.

-Foi o beijo mais fora de hora que eu já presenciei na minha vida! –brincou Harry.

-Antes tarde do que nunca! –falaram Rony e Hermione e todos caíram na gargalhada.

-E essas foram as histórias. –Hermione finalizou.

-Mas ainda tem muita coisa que vocês aprontaram, mamãe! –falou Hugo.

-Mas essas ficam para outros dias. –falou Rony.

-É, Hugo. A lista é grande meu amigo! Vamos ficar aqui duzentos anos só ouvindo histórias! –brincou James. –Lily, pelo amor de Merlin, pare de chorar!

-James. –Harry o repreendeu sem conseguir conter o sorriso.

-Chato! –Lily xingou.

-Vem aqui, maninha. –puxou-a para seu colo. –Não se preocupe, você vai encontrar o seu príncipe encantado, vai passar por uma história linda dessas, vai se casar, ter filhos e não vai morrer solteirona e ficar para titia. –Lily riu e o abraçou. –Isso tudo, claro, com a minha supervisão e aprovação!

-Bobo! –riu.

-Agora chega de platéia! –falou James. –A não ser que queiram ficar com fome. –terminou de falar e todos saíram correndo.

Harry, Gina, Rony e Hermione se viram sozinhos em frente a um lindo pôr-do-sol. Cada um mergulhado em seus próprios pensamentos.

-O tempo passa rápido. –Hermione quebrou o silêncio.

-É estranho saber que éramos aquelas crianças. Saber que vivemos tudo aquilo. E hoje estamos aqui...contando a nossa realidade para os nossos filhos. –Harry completou.

-Mas foi tudo real, Harry. Éramos nós. Somos nós. –Rony falou e suspirou.

-Parece tão fácil falar nessa época, mas dói e ao mesmo tempo sinto saudade. Não sei definir o que é mais forte. –Gina falou com lágrimas nos olhos. Harry a abraçou e beijou seus cabelos.

-O amor é mais forte, Gina. Nossas lembranças, nossas alegrias, nossas aventuras...-suspirou. -...a dor não pode nos tomar tudo isso, independente de qualquer perda. São esse momentos e sentimentos que nos fazem vivos hoje, que nos fazem sentir vitoriosos e dignos de mais alegrias, mais lembranças. Dignos de viver, de partilhar, de amar. –Hermione sorriu para a amiga. Seus olhos também inundados por lágrimas, não lágrimas de tristeza, mas de emoção de estar ali, naquele exato lugar rodeada por aquelas pessoas que eram sua vida. –Nada pode nos tirar esse direito, minha amiga...Nada.

-Tudo tem um porque. Se passamos por tempos difíceis era para hoje, estarmos sentados nesse exato lugar, olhando para o passado e dizendo: Nós vencemos. E como Dumbledore sempre dizia, o amor era a maior arma, e ele continua sendo. –falou Harry olhando para todos.

–Só sei que estou feliz de estar aqui hoje, nessas condições, com vocês. –falou o ruivo recebendo um sorriso de todos. –Talvez estivesse melhor se Rose optasse por namorar um pouco mais tarde... –brincou.

-Rony! –falaram os três juntos.

-Eu estava brincando, seus chatos! –falou juntando todos num abraço o que levou-os ao chão e às gargalhadas.

Ficaram ali, deitados, rindo, brincando, relembrando como se fossem adolescentes. Mas eles eram adolescentes. Suas almas seriam eternamente jovens pela perseverança, pela vontade de viver e ser feliz. E foi assim que viram a noite cair e as estrelas iluminarem o céu. Cada um juntamente com seu companheiro.

Nenhum deles precisava dizer o quão especial era estar ali. Cada olhar demonstrava esse sentimento num silêncio mútuo e reconfortante. Cada um tinha conhecimento do valor da vida, da amizade, da família, do amor. Enfrentaram a dor e tristeza cara a cara e agora viviam, com grande prazer, a alegria, os sonhos incertos do passado. Hoje tornaram-se uma grande família, a família de um sonho que se tornou real.

-Hey, casal. –Gina chamou quebrando o silêncio. –Vocês já contaram pra Rose? –seu tom era sério.

-Ainda não, Gina. Estamos esperando um bom dia para contar. Ou talvez, essa espera sirva apenas como desculpa. –falou Rony.

-Mas ela saberá...é a história dela. –Hermione sussurrou.

-Sim. –refletiu. -Talvez o dia seja hoje. –Rony falou no mesmo tom e olhou para a esposa. Seus olhos castanhos transmitiram angústia ao relembra o passado, mas ela sabia que estava segura. Beijou Rony e o abraçou mais forte.

-Apesar de tudo, foi uma linda história. –Harry falou sorrindo.

A noite começou a esfriar e todos resolveram entrar. A sala estava uma bagunça com todas aquelas crianças e adolescentes e adultos conversando. Harry e Gina juntaram-se aos pais da ruiva que estavam em meio aos netos. Rony aproveitou a deixa e puxou Hermione para as escadas.

-Vou chamar, Rose. –Rony falou.

-Rony...não sei... –falou incerta.

-Hermione, não tem nada o que temer. –falou alisando seu rosto.

-E se ela ficas chateada?

-E porque ficaria? –sorriu. –Não tem porque ela se sentir assim. Pelo menos não conosco. Ela pode ficar triste, chorar... mas nunca iria nos culpar por nada.

-Você tem razão. Acho que só estou inventando alguma desculpa. –falou respirando fundo. –Vou esperar vocês no quarto.

Rony a beijou na testa e deixou-a subir. Seguiu até a filha e cochichou em seu ouvido.

-Papai, aconteceu alguma coisa? –Rose perguntou enquanto subia as escadas.

-Não, meu bem. Só tem algo que você precisa saber.

-Preciso ficar com medo? –perguntou temerosa.

-Não... –Rony virou-se e sorriu para a filha, parando na escada. –Não precisa ter medo.

-Tudo bem. –sorriu.

Ao chegar ao antigo quarto que fora de Rony, encontraram Hermione de frente para a janela. Rony fechou a porta e o silêncio se fez presente. Hermione suspirou fundo e se virou para a filha com um sorriso nos lábios.

-Mamãe, porque você está chorando?-estava preocupada. Tanto mistério era sufocante.

Hermione olhou para Rony, que se encaminhou até seu lado.

-Venha aqui, querida. –chamou Hermione. Olhou bem para a filha e alisou seu rosto angelical. –Está vendo aquelas montanhas?

-Estou. –apesar da escuridão, Rose podia ver o montes altos para onde ela apontava.

-Ali... –falou controlando sua emoção. -...é um cemitério...e ali está...a nossa primeira filha. –falou engolindo as lágrimas.

-Na verdade, Rose... –Rony continuou. -...ali está você.

Rose olhou para os pais com os olhos arregalados. "Filha?. E como assim eu? Como eu poderia estar enterrada ali, se estou viva aqui?" –Rose pensou. Sua mente começava a ficar um pouco confusa.

-Eu não estou entendendo nada. –falou para os pais. Sentou-se na cama, aturdida.

-Nós vamos te explicar. –falou Rony.

-Eu tive uma gravidez antes de ter você, e também era uma menina...Rose... era o nome dela. –começou Hermione e Rose engoliu em seco. –Tudo ia bem, até que descobrir algo que encerrou a gravidez tranquila que eu levava.

-Um dia encontrei sua mãe sangrando e a levei para o hospital. Achamos que tudo iria ficar bem, mas numa madrugada, Hermione acordou novamente com dores e sangramento e dessa vez não teve jeito, ficou internada até o fim da gravidez.

Hermione baixou a cabeça relembrando os fatos. Era horrível, mas era uma forma também de enfrentar seus pesadelos do passado.

Rose escutava atentamente sem interromper. Seu coração batia descompassado imaginando o que viria pela frente.

-No nascimento, eu...eu tive uma convulsão e fizeram uma cesariana urgente.

-A vida das duas estava em risco, e na hora do parto... –Rony parou e suspirou tentando controlar as lágrimas, estava sendo mais difícil do que imaginara. -...quando eles tiraram você, não tinha choro e Hermione perdeu a consciência.

Ambos ficaram em silêncio por um tempo, até que Rony voltou a falar.

-Me deram a notícia logo depois...nossa filha nascera morta.

Rose levou as mãos a boca tentando conter os soluços.

-Eu fui ver o bebê. Frio, sem cor. E a primeira coisa que pensei foi: "Como contar pra Hermione?"

-Quando eu acordei, pensei: "Deu tudo certo! Graças a Deus!", mas não. Rose tinha morrido... –era estranho para Rose ouvir seu nome sendo dito de uma forma tão dolorida pela mãe. –Eu não aceitava, de forma alguma. E acusei seu pai de estar feliz por ela ter morrido, disse que ele não a queria. –falou envergonha. Rony entrelaçou sua mão a dela, lhe mostrando que não tinha porque. –Foi um grande erro que cometi. –falou olhando-o.

-Depois disso nós nos separamos. –Rony falou respirando fundo e se recompondo. –Ficamos muito tempo separados, até que um dia, na noite de ano novo nos reencontramos por acaso e aquela era a decisão, tudo terminava ou tudo recomeçava.

-E nós recomeçamos. –Hermione sorriu. –Mas tudo era tão difícil, eu me sentia culpada e não queria mais filhos.

-Sua mãe começou a tomar remédios trouxas para impedir e...ehh, evitava.. –falou sem graça.

-Fazer amor. –Rose completou sem vergonha alguma.

-Isso. –Rony confirmou.

-Mas um dia eu engravidei. Tive medo, mas cheguei até o fim sem nenhuma complicação e você nasceu. –falou alisando o rosto da filha. –com a mesma mancha na coxa que do outro bebê. Era Rose, nossa Rose. Era você.

Rose sorriu emocionada. Abraçou os pais com força sem se conter. Imaginou o sofrimento, a culpa, a desilusão de todo o ocorrido e a perda inesperada e sofrida. Pelo o amor intenso que via os pais compartilharem, imaginou o quão difícil devia ter sido aquele tempo separados. Ficou ainda mais emocionada por saber que ela, Rose, retornara para trazer a paz para os pais. Retornara para dar vida! Mas tudo era passado e o orgulho que nutria pelos pais, se multiplicara.

-Foi exatamente como aquela mulher tinha falado. –falou Hermione.

-Mulher? Que mulher? –perguntou Rose.

-Estamos andando por Hogsmeade e uma senhora agarrou nosso braço e falou:

- "O que lhes foi tirado, retornará. O amor prevaleceu, o perdão foi dado. O espírito imaturo voltará para ser amado." –falaram Rony e Hermione em uni som.

-Ela previu isso! –Rose exclamou surpresa.

-Creio que sim, nós só não soubemos interpretar na época. –falou Hermione.

Rose ficou por mais um tempo com os pais e conversaram por mais algum tempo.

-Essa é a sua história, e partilhá-la ou não, é opção sua. –falou Hermione sorrindo.

-O Hugo não sabe?

-Não. Ele ainda é um pouco novo. Pretendemos contar no futuro, mas talvez essa seja uma decisão sua.–Rony respondeu e sorriu para a filha. Rose apenas confirmou mirando os montes altos. Abraçou os pais uma última vez e saiu do quarto ainda um pouco aturdida. Eram muitas informações e coisas no que pensar. No meio da escada encontrou Chris.

-Tá tudo bem? –perguntou o garoto. –Você demorou.

-Tá sim. –falou avoada.

-Estava chorando? –perguntou preocupado.

-Tá tudo bem, Chris. Não é nada. –sorriu e o abraçou. Não pretendia contar a ninguém por enquanto. Hugo saberia por ela, isso era certo, mas não naquela noite, nem na próxima... um dia, era sua previsão. Fora uma longa noite para Rose. Os pensamentos fervilhavam e seus olhos não se fecharam até o dia amanhecer.

-Vamos pra casa? –Hermione falou com Rony assim que a filha saiu do quarto. Rony apenas concordou e desaparataram dali mesmo.