Capítulo Dois – Problema

Estou com problemas, eu sou uma viciada,
estou viciada nessa menina.
Ela tem meu coração amarrado em um nó e meu estômago em um giro.
Mas pior ainda, eu não consigo parar de ligar para ela,
ela é tudo que eu quero e mais.
Quer dizer, droga, o que há nela pra não amar?

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Depois do que pareceu uma eternidade mas na verdade só foram trinta segundos muito tensos, a Rachel mais velha recuperou o controle de suas pernas e afastou-se dos braços do seu filho, quebrando o olhar com sua eu mais nova pela primeira vez. Ela inspirou vacilante.

"Mãe?" Alex perguntou, massageando suas costas gentilmente com uma de suas mãos gigantes.

"Você poderia pegar um pouco de água, filhote?" ela perguntou quando sua respiração se acalmou.

"Claro, senhora." O garoto correu em direção ao palco sem precisar de mais instruções.

As duas garotas tomaram o momento em que ele se foi como uma oportunidade para abertamente observar essa Rachel mais velha. Ela parecia mais alta, de algum modo, apesar de elas perceberem que ela não havia crescido mais depois do ensino médio. Ambas acharam que ela tinha pelo menos quarenta anos e provavelmente um pouco mais velha, mas ela parecia bem. Não havia sinais de que ela havia usado algum cosmético e a única mudança real em sua aparência era que ela havia perdido a carinha de bebê.

Ela provavelmente pinta o cabelo. Quinn refletiu com uma inclinada de sua cabeça. Ela não se sentia nem um pouco hipócrita.

Rachel estava mais do que satisfeita com o que ela via. Eu pareço tão profissional e... e elegante. Eu sabia que minha dieta rigorosa e todas aquelas horas no elíptico valeriam a pena em longo prazo, mas ver isso tão claramente é definitivamente animador. Estou feliz por nunca ter me permitido deslizar nos meus horários.

Ele voltou, tão rápido quanto havia ido, com uma garrafa de água. "Você está bem, mãe?"

"Vou ficar bem. É que eu acabei de ter um flashback meio intenso."

Alex inclinou sua cabeça para um lado e as duas garotas mais jovens imediatamente entenderam o apelido Filhote. "Hm?"

"Nada, eu vou explicar depois."

O toque de um telefone interrompeu a conversa. A Rachel Mais Velha pegou seu telefone que estava na mesa e checou a tela. "Kurt", ela respondeu sem fôlego mas ela não conseguiu falar mais nada antes que o homem na outra linha começasse a falar. "Ah, graças a Deus, ele está bem?" Mais conversa da outra linha. "Não, eu não conversei com mais ninguém ainda. Eu tenho Rachel e Quinn", ela pausou, "sim, nós estávamos juntas, eu acho que era porque estávamos nos tocando quando a mudança ocorreu". O homem na linha falou um pouco mais. "Tá, você entra em contato com Mercedes e Finn. Eu falo com Santana e Brittany... bem, é claro que eu vou ligar para Quinn." Ela revirou seus olhos. "Sim, fale para eles espalharem para os outros. Tá, tchau."

Ela terminou a ligação, mas mexeu na tela procurando por um número. Ela não olhou para cima nem para as garotas nem para seu filho.

Rachel e Quinn haviam ouvido a ligação com sentimentos mistos. De um lado, era óbvio agora que elas não eram as únicas que haviam sido trazidas para o futuro. Por outro lado, era claro que a Rachel mais velha sabia o que estava acontecendo e ela tinha que explicar para elas. Quinn estava quase falando isso em voz alta, mas Alex abriu sua boca primeiro.

Ele olhou cautelosamente entre sua mãe e as duas garotas que ele havia trazido antes de falar. "Mãe, o que tá acontecendo?"

"Vou explicar em um minuto, bebê. Eu tenho umas ligações para fazer primeiro." Enquanto falava isso, ela levantou o telefone até sua orelha. "Oi, Donny, a Quinn está?... Entendi, ela vai voltar?... Não, nenhuma mensagem. Obrigada." Ela finalizou a ligação e escolheu outro número. O outro lado aparentemente tocou por um bom tempo. "Quinn, me liga de volta, é importante", ela disse por fim, aparentemente deixando uma mensagem antes de desligar de novo.

Ela discou outro número. "Santana, não desligue! Eu tenho algo realmente importante- ah, ah, tá bom. Sim, é isso que eu... entendi. Ótimo. Você deveria achar a Brittany antes que a Brittany ache. A prática das Cheerios começa em meia hora, então ela provavelmente está no escritório dela. O que significa que Brittany pode estar vagando pela escola. Você quer que eu mande Alex- não, tá bem. Tá, tchau."

Outro número discado.

"Caramba, Quinn!" Rachel bateu em seu telefone antes de jogá-lo de volta na mesa. Quinn pulou, mas então percebeu que a Rachel Mais Velha não estava falando com ela. A morena correu uma mão pelo seu cabelo e bufou, sua boca formando um bico familiar. Ela voltou seus olhos para os três adolescentes que estavam assistindo cada um de seus movimentos com olhos arregalados. "Tá, nós temos dois minutos antes que minhas crianças voltem para o palco, assumindo que eu os ensinei direito, e eu sei que ensinei. O que vocês sabem até agora?"

"Nós estamos no futuro", Quinn soltou imediatamente.

Rachel Mais Velha assentiu. "Vinte de novembro de 2040, para ser exata."

"Uau."

"E você é... eu e ele é..." Rachel Mais Nova parou com um gesto confuso entre ela mesma, Alex e a versão mais velha dela.

"Eu sou Rachel Berry, você é Rachel Berry, um dia você vai ser eu e Alex é meu filho. Sim." Ela assentiu distraidamente e virou-se para Alex. "Você vai manter isso para si mesmo. Não conte para nenhum dos seus amigos ou irmãos até eu ter isso resolvido."

Alex concordou.

"Tá, não há tempo para explicar isso com detalhes. Apenas saibam que até eu ver vocês eu não tinha ideia que isso ia acontecer e então eu olhei para vocês e tudo voltou. Eu vi minha vida passar perante meus olhos."

"Isso foi ruim?" Rachel Mais Nova perguntou, olhando ao redor do auditório.

"Não, foi incrivelmente maravilhoso na verdade. A maioria, pelo menos."

"Não posso esperar." O olhar faminto nos olhos de Rachel era algo com que Quinn já havia se acostumado. Significava que ela estava pensando no seu futuro, um futuro que ela estava cem por cento certa de como seria. Mesmo enquanto ela estava na porcaria (bem, menos porcaria do que costumava ser, na verdade) do auditório do Colégio William McKinley, bem diante de quem ela seria em uns trinta anos, ela estava completamente confidente em sua habilidade para ser grande.

Quinn odiava esse olhar.

O som baixo de conversas, que havia sido um som de fundo para a conversa delas, aumentou quando o Glee Club voltou da cochia e ficaram em suas marcas na hora certa. Rachel Mais Velha direcionou Quinn e Rachel Mais Nova para a fileira atrás dela.

"Ótimo, pessoal, do começo."

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Os próximos vinte minutos pareceram uma eternidade para as duas garotas. Elas sentaram atrás de Rachel e Alex, e assistiram o treino com um silêncio estranho. Alex sentou na mesa do diretor com a Rachel Mais Velha, jogando em seu celular a maior parte do tempo. Ele ocasionalmente olhava para trás mas voltava a desviar o olhar rapidamente.

Rachel não conseguia deixar de automaticamente criticar o desempenho e todo momento que ela pensava algo, Rachel Mais Velha verbalizava o pensamento para os dançarinos. Era um pouco estranho como os seus pensamentos eram parecidos, mas também fazia um pouco de sentido. Elas eram basicamente a mesma pessoa.

"Bem", ela disse finalmente, trazendo a atenção para si, "eu acho que não fica melhor que isso por hoje. Nós ainda precisamos de muita prática, mas todos vocês foram ótimos esta tarde. Lembrem, o showcase é em três semanas e as Seletivas são em cinco! Agora vão embora e não voltem até segunda."

Essa ordem foi recebida com gritos e assobios e com alguns "Você é a melhor, treinadora". O grupo de adolescentes saindo do palco era quase o suficiente para abafar os desejos de "tenha uma boa Ação de Graças" para a treinadora.

"Fabray", Rachel Mais Velha chamou acima do barulho, "espere um pouco. Eu te faço uma nota."

A garota assentiu, falou brevemente com outras líderes de torcida, e então virou e se aproximou da treinadora. Quinn a observava como um falcão, e Rachel estava igualmente interessada na garota. Ela tinha uma altura mediana, provavelmente perto da altura de Quinn. Seu cabelo liso e castanho estava levantado em um rabo de cavalo apertado, como requisitado pelas Cheerios e ela tinha olhos castanhos escuros.

Foi quando Quinn olhou nos olhos da garota que ela percebeu que ela estava recebendo uma análise parecida. Por ter sido pega olhando a menina, olhou para Alex para disfarçar.

"Ei, filhote", ela acenou para o garoto com um sorriso.

Alex resmungou. "Não me chame assim", ele exigiu, seus olhos ficando mais duros.

Alice revirou seus olhos. "Tanto faz, você precisa de algo, treinadora?"

"Eu preciso saber se você está livre na sexta ou no sábado para trabalhar na sua parte do recital. Eu preciso agendar o estúdio esta tarde."

"Ah, hm", seus olhos deslizaram de volta para Quinn.

"Foco, Fabray", a Rachel Mais Velha ordenou, batendo na mesa para atrair os olhos da garota de volta, "Você vai ouvir tudo sobre isso em casa."

"Desculpe treinadora, eu posso nos dois dias."

"Tudo bem, vou marcar para sábado às dez. Eu já falei com a treinadora Pierce sobre isso."

Alice assentiu e esperou enquanto a Rachel Mais Velha lhe fazia uma nota, seus olhos ocasionalmente indo para a Rachel Mais Nova e para Quinn. A Rachel Mais Velha esperou até que as portas do auditório estivessem completamente fechadas antes de ela até mesmo considerar as perguntas nos olhos das viajantes no tempo.

Ela mandou Alex desligar as luzes e finalmente, depois do que provavelmente havia sido uma hora inteira que eles estavam no futuro, alguém estava a ponto de lhes contar o que estava havendo.

"Eu não me lembro de tudo ainda, mas está voltando pra mim em pedaços."

"Os outros estão aqui também? Não era disso que tratavam as ligações?" Rachel Mais Nova perguntou, ela se inclinou para frente em seu assento. Quinn franziu as sobrancelhas. Ela estava provavelmente apenas tentando descobrir onde seu namorado estava.

"Sim, mas eu não tenho ideia de como ou por que. Tenho certeza que Mike ou Quinn teriam algumas teorias."

"Nós somos chegadas ou algo assim, tipo amigas? Você tem mencionado a mim bastante, e aquela garota, você a chamou de Fabray, e ela parecia confortável com você." Quinn não queria parecer acusatória, mas ela estava confusa e ferida, e não gostando nem um pouco do modo que essa Rachel Mais Velha estava fazendo coisas engraçadas com sua barriga.

"Alice", a Rachel Mais Velha respondeu. "Ela é sua filha." A ternura naqueles grandes olhos castanhos fez Quinn querer chorar um pouquinho. Ela passou os braços pela sua cintura e fechou seus olhos.

"Ela é... eu não sou casada?" ela perguntou, esquecendo que sua primeira pergunta não havia sido respondida.

"Não, você é, mas... você sabe, provavelmente não sou eu a pessoa que deveria estar te contando isso."

"Mãe?", Alex chamou de repente, "todas essas coisas que você está falando... quer dizer, essa é mesmo você?" ele apontou para a Rachel Mais Nova.

"É", ela respondeu, arrumando seu cabelo. "Tenho certeza que isso é estranho pra você."

Alex, na verdade, meio que gemeu com a resposta. Ele agarrou seu cabelo com as duas mãos e lançou olhares frenéticos entre as duas Rachels. "Deus, isso é tão arrepiante!" sua voz afinou no final. "Eu pensei que você era gostosa!" ele informou sua mãe em completa agonia.

Não havia nada na Terra que poderia ter feito parar a gargalhada chocada de Quinn ou as seguintes risadas altas que a fizeram curvar-se para frente pela força. Sua testa bateu em seus joelhos e ela decidiu apenas ficar curvada daquele jeito até que ela conseguisse respirar normalmente de novo.

"Meu pobre bebê", a Rachel Mais Velha conseguiu falar, escondendo seu sorriso atrás de uma mão.

A Rachel Mais Nova estava apenas envergonhada, por ela mesma e por Alex.

Quando Quinn sentou direito, havia lágrimas em seus olhos. Ela deu uma olhada para o garoto e teve que morder seu lábio para não começar a rir de novo.

"Eu vou fazer meu cérebro derreter agora, obrigado", Alex lhes informou, parecendo muito com sua mãe quando ele fugiu do auditório. A mulher observou ele ir, todas as três dando notas dez pelo esforço.

"Uau", Quinn engasgou com uma risada, "ele definitivamente é seu filho, Berry." Ela sentou um pouco para frente na cadeira de falso veludo e levantou o olhar para a Rachel Mais velha com um sorriso que estava parecendo superior. "Então, você é uma diretora de coral. A ironia é quase demasiada."

As bochechas da Rachel Mais Nova queimaram com uma raiva quente com a súbita mudança de atitude. Ela abriu sua boca para replicar com algo ácido, mas sua eu mais velha fez isso primeiro.

"Ah, pequena Quinn, você não quer começar essa conversa comigo. Eu não sei por que você está tentando me machucar, especialmente porque meu único objetivo agora é ter certeza que você continue viva até voltar para o passado."

Dessa vez, Quinn corou e olhou para baixo. "Eu não quis que soasse desse jeito."

A Rachel Mais Velha suspirou. "Eu sei, e nós temos que ter essa conversa agora de qualquer jeito."

"Que conversa?" Rachel Mais Nova perguntou.

"Eu posso sentir a curiosidade saindo pelos seus poros. Eu sei que você tem se perguntado por que nós estamos em Lima."

"Eu... pensei um pouco nisso."

"É uma longa história cheia de suspiros, mas eu vou resumir." Ela ignorou o bufo de Quinn. "Os detalhes não vão importar e você vai esquecer tudo isso quando vocês voltarem de qualquer jeito. Quatro anos atrás, papai teve um ataque do coração", ela pausou para a reação já esperada. A arfada da Rachel Mais Nova, suas mãos voando para cobrir sua boca, as lágrimas que encheram seus olhos, ela havia esperado por isso. Ela se lembrava de como foi. "Foi o seu segundo e ele não sobreviveu." Ela tinha uma aparência de quem já havia pensado e repensado as más notícias tantas vezes que não significava mais nada para ela. Era apenas um fato. "O pai estava..." ela parou, com um aceno de sua cabeça. "Por mais ou menos um mês depois disso, eu estava insuportavelmente tensa. A peça em que eu estava na época havia acabado as apresentações e meu agente tinha algumas coisas ajeitadas, mas nada que eu estava desesperada para fazer. Foi naquele meio tempo que eu recebi uma ligação do Mr. Schue. Ele estava ligando para falar que estava se aposentando. Eu me sentei com a minha mulher e discutimos-" ela foi cortada abruptamente pela loira que estava ouvindo passivelmente até aquele momento.

"Ah meu Deus! Você é gay?" O olhar no rosto de Quinn não era de nojo, as duas Rachels estavam extremamente acostumadas a reconhecer a expressão de nojo de Quinn Fabray, não, era um completo e absoluto choque. Ela estava perplexa e o olhar em seu rosto aparentava que alguém havia acabado de lhe bofetear com um pano molhado. Ela também estava meio fora do seu assento e inclinando-se para longe da Rachel Mais Nova em um ângulo instável.

A Rachel Mais Nova fez cara feia e cruzou os braços na frente do peito. "Sexualidade é fluida, Quinn. Mesmo confessando ter uma preferência por homens, eu nunca descartei a possibilidade de uma relação com uma mulher, e como agora foi dito, é obviamente o caso", ela discursou com seu nariz firmemente no ar. Quando ela lançou um olhar para a loira e viu que ela não havia se movido nem um pouco, seus lábios foram pressionados em uma linha fina. "Você pode se sentar agora, eu não vou pular em você. Você não é nem um pouco meu tipo."

Quinn chiou, ofendida, e jogou-se de volta no assento. "Eu sou o tipo de todo mundo."

"Bem, você não é o meu. Me desculpe se eu não gosto de vadias frias."

"Okay", Alex falou do nada, batendo as mãos e ficando de pé. "Isso tá ficando intenso. Nós já podemos ir pra casa?"

Todas as mulheres pularam com sua entrada repentina. "Ainda não, filhotinho", sua mãe respondeu quando ela reencontrou o ar. "De qualquer modo, nós decidimos nos mudar pra cá para ficarmos perto do pai e eu já queria tirar umas férias da Broadway. Eu consegui o emprego como a diretora do coral. Eu também ensino teatro."

A Rachel Mais Nova ainda tinha lágrimas nos olhos mas ela não sentia mais como se sua vida fosse acabar. Não era real para ela ainda, e não seria, ela contou, por uns vinte anos. Ela tinha muitos anos para passar com seus dois pais.

"Eu to com fome, podemos ir pra casa agora?" Alex perguntou de novo.

"Sim, sim, podemos ir." A Rachel Mais Velha olhou seu telefone. "E já que a Quinn não me respondeu, eu vou te levar pra casa comigo", ela disse a jovem loira.

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A Rachel Mais Velha os levou até o estacionamento dos funcionários, depois de ela ter fechado o auditório, com Alex praticamente pulando de animação ao lado dela. "Isso é tão legal! Quer dizer, depois que eu esqueci toda a coisa de ter pensado que você era gostosa", ele disse para a versão mais jovem da sua mãe, "eu percebi quão maravilhoso isso vai ser. Quer dizer," ele virou para a sua mãe, "você já foi humana!"

"Ei!" A Rachel Mais Velha chegou perto dele e bateu em uma de suas orelhas. Ele pulou para longe rindo e agarrando a parte agredida. Ele correu delas e pulou no ar, batendo os tênis juntos e então aterrissando sem problemas. Ele parou em frente a um brilhante SUV preto que fizeram as viajantes no tempo pararem. Era o único carro ainda no estacionamento, então ele obviamente pertencia a Rachel, mas era tão... futurístico, que as pegou de surpresa.

"Destrave ele, mãe", Alex choramingou. "Vamos, eu quero ouvir o que a mamãe vai dizer."

"Abra", a Rachel Mais Velha enunciou. Ela sorriu quando as versões mais jovens dela e de Quinn engasgaram em surpresa quando as portas viraram para cima suavemente. "É totalmente ativado por voz. A única coisa que eu tenho que fazer é dirigir e brecar." Quando as duas continuaram paradas e encarando o veículo, ela gentilmente as guiou com uma risada.

Elas subiram no branco traseiro, Quinn atrás da Rachel Mais Velha e Rachel atrás de Alex.

"O que está no rádio?" o garoto perguntou logo que ele subiu no banco do passageiro. "Podemos ouvir a Scan do Mo?"

"Não tenho certeza, e não. Isso é definitivamente mais do que as nossas convidadas podem aguentar agora", sua mãe replicou sem olhar para as garotas em questão.

Alex viu seus rostos vagamente confusos (Rachel era mais aberta com seus sentimentos do que Quinn) e se virou em seu assento para explicar para ela. "Meu irmão mais velho, Mo, ele é um ator... ou ele está tentando ser um ator, mas ele faz stand up também e ele me mandou uma Scan pro meu aniversário. É muito engraçado."

"É muito inapropriado para garotos de treze anos. Aqui estou, tentando te ensinar a respeitas as mulheres e não as tratar como objetos sexuais, e ele está falando como vadias precisam aprender a engolir porque pessoas estão morrendo na África." Rachel Mais Velha resmungou indignada.

Alex soltou uma risada mas se parou abruptamente quando sua mãe lhe olhou. "Ah, qual é, mãe, ele faz sátiras. Além disso, é verdade... bem, não a parte sobre engolir, e eu não entendi direito de qualquer modo. Todo mundo disse para eu procurar imagens no Google, mas Alice me disse pra não fazer isso se eu não quiser ficar arruinado para o resto da vida." Ele pausou. "Então eu acho que isso significa que ela procurou, hein?"

Rachel Mais Velha não conseguiu segurar o bufo que saiu dela, especialmente com o olhar em sua dupla mais jovem e com o rosto de Quinn. Quinn parecia tão oprimida com tudo que havia sido dito desde que ela havia subido no banco traseiro da SUV que a Rachel Mais Velha não tinha certeza se ela ia se recuperar. Ela se voltou para seu filho.

"Você não precisa se preocupar com o que a Alice tem feito. Mexa esse traseiro, filhote. Eu não vou mover esse carro até que você esteja com cinto."

Alex se virou com um resmungo e fez um show para colocar o cinto de segurança ao seu redor.

"E de qualquer modo", a Rachel Mais Velha continuou quando ele obedeceu suas ordens, "elas estão provavelmente se perguntando o que é uma Scan, não quem é Mo. Nós não tínhamos Scans quando eu era jovem, filhote."

"Eu sempre esqueço como você é super velha, mãe", Alex respondeu com um sorriso charmoso. A Rachel Mais Velha bateu no topo da sua cabeça. "Ai", ele chorou e então riu, "abuso! Abuso! Alguém chame o CPS!"

Quinn assistiu toda essa interação com uma névoa em seu cérebro. Ela estava tão confusa e em conflito que ela não conseguia deixar de encarar sem expressão tudo ao seu redor. Ela se perguntou se ela podia estar em choque. Não seria surpreendente. Ela havia visto sua filha. A filha que ela teria um dia. A filha que ela manteria.

Seu peito estava apertado com emoções que ela não podia nomear, mesmo que ela diariamente se permitia a sentir aquilo. Anos de acrobacias emocionais haviam levado embora sua habilidade de reconhecer quando ela estava se sentindo bem ou mal. Tudo em que ela pensava era Alice.

Alice.

Ela era linda. Uma líder de torcida também, mas sem a atitude de vadia arrogante que a própria Quinn havia tido. Ela parecia ter certeza de quem era, e ela era aparentemente próxima tanto dessa Rachel Mais Velha quando de Brittany. Ela também estava um pouco atordoada por quão matura Rachel iria aparentemente se tornar. É claro, ela ainda era uma perfeccionista insana com uma tendência para o dramático se a rotina que elas haviam visto antes era alguma indicação, mas na verdade ela era engraçada e meio que agradável. E ela xingava também, o que era muito estranho para Quinn e aparentemente traumático para Rachel, se o olhar em seu rosto pudesse indicar alguma coisa.

Chegar em algum lugar em Lima normalmente tomava uns quinze minutos, e isso parecia ainda ser o caso. O passeio de carro aconteceu sem conversa mas não desconfortável. O rádio aparentemente ainda existia, então a Rachel Mais Velha colocou em alguns canais "velhos", que se revelou ser música dos anos 2020, não dos anos 90. Alex reclamou um pouco e então acabou cantando junto com todas as músicas.

Depois de pouco tempo, eles estacionaram numa garagem dupla, perto de um carro vermelho que parecia mais velho, pelo menos mais velho do que o que elas estavam no momento. A casa junto à garagem era grande mas não pomposa. Não tinha nada notável nela. Era de tijolos marrons e tinha uma pequena varanda na frente. Havia uma sacada de um tamanho bom no segundo andar, acima da varanda da frente.

"Quão grande é essa casa?" Quinn perguntou, espiando envolta da Rachel Mais Velha e de Alex.

"Sete quartos, quatro banheiros e meio, tem um escritório, e um quartinho para separar o espaço da lavanderia. Tem uma garagem na parte de trás, mas nós usamos para guardar coisas."

"Uau, Berry, você se saiu bem."

"Venham então, é melhor acabar com isso logo."

Eles saíram do carro e seguiram Alex e sua mãe para a varanda.

Rachel Mais Velha parou na porta da frente e virou seu rosto para os três adolescentes atrás dela com olhos sérios. "Antes de irmos pra dentro, eu gostaria de falar com vocês sobre o que vai acontecer. Eu quero que as duas saibam que minha mulher e eu estamos incrivelmente apaixonadas. Ela é a luz da minha vida e eu estaria perdida sem ela. Nós somos um casal excessivamente afetuoso. Nós quase sempre estamos nos tocando de algum jeito, e mesmo que eu não queria que vocês se sintam desconfortáveis, eu me recuso a parar de ser afetuosa com a minha mulher."

"Então..." Quinn começou, erguendo sua expressiva sobrancelha, "você está apenas dizendo que vamos ter que aguentar?"

"Essencialmente", a Rachel Mais Velha concordou. "Ela talvez diminua o afeto um pouco para fazer vocês ficarem confortáveis, mas eu não vou fazer isso a menos que ela me peça."

"Bem, você não tem que se preocupar comigo", a jovem diva insistiu. "Eu, na verdade, estou querendo conhecer a mulher que um dia terá meu coração e eu não vou ficar nem um pouco desconfortável com suas demonstrações de afeto. Isso pode soar esquisito, mas vai me dar algo por que esperar."

"Faz completo sentido e não é nem um pouco esquisito. Isso pode ser porque eu me lembro de me sentir assim. Apenas confie em mim", a Rachel Mais Velha disse, pondo uma mão no ombro da Rachel Mais Nova, "você vai ficar desconfortável, eu também me lembro disso." Ela lançou um olhar rápido para Quinn e para longe, mas sua jovem dupla viu a ação.

A morena mais jovem franziu as sobrancelhas em confusão. Aquilo bateu nela mais forte do que quando Finn acidentalmente quebrou seu nariz um ano antes, e exatamente como daquela vez, ela sentiu lágrimas ardendo nos cantos dos seus olhos. Um bufo de entendimento horrorizado a encheu.

"Ah não!" ela olhou para os idênticos olhos castanhos, horror brilhando claramente nos seus próprios. "Por favor, por favor, por favor, diga que não é... ah Deus!"

"O quê?" Quinn exigiu, olhando entre as Rachels. Ela não gostava de se sentir de fora.

"Nada", a Rachel Mais Velha foi rápida em lhe assegurar. Ela virou para sua eu mais nova e sussurrou em seu ouvido. "Eu preciso que você fique calma, por favor. Nós vamos discutir isso mais tarde. Não há nada que você possa fazer quanto a isso agora, exceto aceitar que algumas coisas mudaram."

A Rachel Mais Nova assentiu rigidamente, sua mandíbula apertada. Seu estômago estava virando e ela sentia como se todo o ar havia saído dos seus pulmões. Ela não queria aceitar aquilo, mas o que mais ela podia fazer? Não havia lugar para correr. Ela não sabia como sobreviver naquele futuro estranho.

"Tá, fiquem aí", a Rachel Mais Velha indicou, puxando-as gentilmente da sala de estar depois que ela as fez entrar, e então as direcionou até a escada. Ela as colocou em um ângulo onde elas poderiam ver quem desceria das escadas, mas elas duas não seriam visíveis até que fossem olhadas diretamente. "E pelo amor de Deus, apenas fiquem quietas", ela disse essa última declaração mais para sua eu mais nova do que para Quinn. A loira não conseguiu deixar de soltar um pequeno sorriso para a visão do bico carrancudo da jovem diva.

Apesar de sua aparente infelicidade com a ordem, Rachel assentiu sua concordância para a instrução da sua dupla mais velha e Quinn imitou a ação.

Alex sorriu abertamente para sua mãe quando ela virou para ele. "Isso vai ser ótimo", ele sussurrou com um balanço animado, olhando entre as três com felicidade.

A Rachel Mais Velha fez cara feia para ele. "Você pode ficar quieto também, moço."

Alex tirou o sorriso do rosto rapidamente e assentiu. Ele abriu um sorriso radiante de novo quando sua mãe se virou.

As duas outras adolescentes assistiram enquanto a Rachel Mais Velha se chacoalhava e inspirava várias vezes antes de fechar a porta com força suficiente para fazer barulho. Ela se virou com um brilhante e genuíno sorriso e se balançou alegremente até o pé da escada.

"Lucy, estou em casa!" a Rachel Mais Velha cantou alto, zombando de Ricky Ricardo, com um olhar de expectativa em seu rosto.

"Se você não parar de me chamar assim, eu vou me divorciar de você!" uma voz vinda do andar de cima fluiu para baixo, cheio de falsa animação.

O olhar de expectativa da Rachel Mais Velha virou um sorriso vivo antes de ela zombar brincando. "Ah, por favor, você tem falado isso por vinte e cinco anos já."

A voz da mulher estava mais perto agora. "E toda vez que isso acontece eu fico um pouco mais séria."

Rachel e Quinn podiam dizer o segundo que a Rachel Mais Velha viu sua mulher. Uma mudança passou por seu rosto e era tão assustadoramente caloroso, tão cru e emocional, que Quinn de repente se sentiu desconfortável. Um tipo diferente de desconfortável do que ela estava sentindo com toda essa situação. Ela se sentiu como um voyeur. Havia uma nascente de inveja crescendo em sua barriga também. Ela pensou se ela havia terminado tão feliz assim, ou se esse conto de fadas era apenas para pessoas como Rachel Berry.

Rachel apenas sentiu uma repentina onda de saudade enchê-la. Mesmo com o horror do conhecimento de que era quase certeza que Quinn Fabray era para quem a sua eu mais velha estava olhando, ela apenas queria aquele sentimento que estava tão claro no rosto da mulher mais velha.

"Eu vou mimar você para tirar essa merda da sua cabeça."

"E você tem falado isso por vinte e cinco anos", veio a resposta risonha. O mundo parecia deslizar em slow motion para as duas garotas no corredor. Um par descalço de pés se tornou visível através do corrimão, e então as pernas enfiadas em uma calça baggy da marinha. Então uma mão no corrimão, um diamante brilhando num dedo bem cuidado, deslizou para a visão. Ela estava vestindo um moletom que parecia que também era da marinha, mas estava tão desgastado que havia virado de uma cor azul-cinza esquisita.

"Amor, eu tenho algumas novidades", Rachel disse para sua mulher com uma voz exageradamente gentil. A mulher na escada parou de descer.

"Quanto você gastou?" sua postura não mudou, mas seu tom estava severo. A Rachel Mais Velha revirou os olhos.

"Nada, nós só temos uns convidados não planejados pelos próximos dias."

"Ah, é só isso?" a mulher continuou a descer. Um monte de cabelo loiro curto e muito bagunçado e um perfil delicado completou a imagem da Mulher de Rachel Berry. Ela pulou o último degrau e jogou seus braços ao redor do pescoço da mulher mais baixa, imediatamente se aproximando para um beijo.

A loira mais nova, parada lá perto, sentiu seus joelhos fraquejarem quando o entendimento caiu sobre ela. Ela estava olhando para seu próprio perfil. Ela estava olhando para uma mais velha Lucy Quinn Fabray, e tudo que havia acontecido nas últimas horas subitamente fez sentido.

A Rachel Mais Velha não fez nada para acabar com o carinho, apenas o redirecionou.

"Algo errado?" A Quinn mais velha perguntou, virando sua cabeça.

"Não, eu apenas não quero ser pega no seu abraço quando você tem convidados pra cumprimentar", a Rachel Mais Velha provocou, envolvendo seus braços ao redor do corpo pressionado com força contra ela. A diva mais velha acenou na direção das duas garotas.

E então a Quinn Mais Velha se virou, olhos cheios de bom humor que rapidamente virou choque.

Quinn queria correr. Tudo em seu ser dizia para ela escapar. Mas ela não podia. Seus olhos estavam colados ao par idêntico, amarrados juntos com uma corda invisível. Quando aquela mais velha versão dela caiu para trás nos braços da Rachel Mais Velha, o contato entre seus olhos não quebrou.

Ela não sabia se ela estava fazendo essa outra Quinn tremer ou engasgar do jeito que ela estava, mas ela estava tendo seu próprio ataque.

Ela havia enterrado isso por tanto tempo, e ela havia sido tão bem sucedida. Apenas mais um ano de escola e ela teria sido livre dos sentimentos que Rachel Berry havia lhe proporcionado. Os sentimentos que ela sentia como em círculos quentes na parte abaixo da sua barriga teriam acabado, mas agora, vendo que ela aparentemente seria amarrada eternamente para aquela única pessoa que havia causado aquela perversão nela... era demais.

Ela queria chorar, gritar, correr para longe daqueles sentimentos. Para longe daquela garota que agora estava a segurando em seus braços do mesmo jeito que ela a havia segurado mais cedo. Para longe do calor que elas mãos calorosas estavam causando em seus braços. Mas ela não podia, seus pés estavam pregados no chão, e apesar de ser terrível, era estranhamente maravilhoso também.

Ela estava em um problema tão grande.