Capítulo Três – Desistindo

Agora me segure até você adormecer.
Não fazendo disto fácil, não.
Estávamos escondendo segredos.
Não fazendo disto fácil, não.

QFRB

No segundo que a conexão se quebrou, no segundo que a versão adulta de si mesma caiu completamente nos braços da Rachel Mais Velha e virou o rosto para a curva daquele suave pescoço moreno, os pés de Quinn de repente afrouxaram sobre o chão de madeira de lei e ela se virou para fugir.

Através dos sons distorcidos que estavam ecoando nos lados do seu crânio, ela podia ouvir uma das Rachels a chamando, mas ela ignorou o barulho. Ela estava no meio de uma tentativa de fuga pela porta da frente e não havia nenhuma possibilidade de ela parar por nada.

Pelo menos esse era o plano, mas então os compridos e fortes braços de Alex envolveram sua cintura por trás e ela se encontrou sendo girada no ar e sendo colocada de volta onde todo mundo permanecia sem se mover. Sua visão era um redemoinho de cores e ela conseguia sentir a náusea de mais cedo voltando, mas através da névoa seus olhos automaticamente procuraram seu eu mais velho, ainda se contorcendo e estremecendo nos braços da Rachel Mais Velha, mas num nível mais calmo.

Quinn lutou o máximo que ela conseguiu, mas Alex a segurou apenas forte o bastante para não deixá-la conseguir fazer nenhum dano a ele. Ela pisou em seus pés algumas vezes e a deu satisfação ao ouvir alguns "ais" murmurados, mas ele era forte demais para ela conseguir se livrar dele.

Ela na verdade só estava dando parte da sua atenção para a tentativa de escapar, a maior parte da sua mente estava focada em sua eu mais velha sentada no chão em roupas confortáveis (ela podia ver agora que o moletom tinha um pinguim desbotado) e cabelo bagunçado. As roupas escondiam todos os sinais do corpo que estaria por baixo, então ela não podia dizer se ela havia continuado em forma. Ela parecia mais velha do que a Rachel Mais Velha e isso meio que a incomodou, mas era principalmente ao redor dos olhos, então parecia que ela não havia aderido ao Botox, diferentemente da sua mãe.

A Quinn Mais Velha havia parado de tremer e estava se levantando com a ajuda da Rachel Mais Velha. Ela não cambaleou; ela não precisava ser segurada enquanto ela se levantava. Ela era forte e ficou de pé, e tomou o espaço que separava ela do seu eu mais jovem em dois passos. Ela trouxe suas mãos para cima e as colocou nas bochechas da Quinn Mais Nova com força suficiente para lhe das um pouco de dor e então a segurar parada. "Hey! Pare."

Ela não disse nada mais, ela não precisava. A Quinn Mais Nova parou mais por surpresa do que por obediência, mas pelo menos ela parou. Ela encarou os olhos idênticos de novo e ela apenas queria chorar, ela podia sentir seus olhos ardendo com o desejo por lágrimas. Ela queria chorar porque a situação toda era apenas tão fodida. Ela queria chorar porque ela não conseguia entender porque ela estava tão feliz.

A Quinn Mais Velha sorriu gentilmente para ela com algo parecido com pena. A Quinn Mais Nova teria ficado brava se qualquer outra pessoa tivesse olhado para ela daquele jeito, mas como era ela mesma, ela não fez nada mais do que torcer o nariz. Ela sempre havia gostado de uma troca de penas. A Quinn Mais Velha quebrou o olhar entre elas e olhou para Alex. "Leve-a para o quarto do Morgan. É lá que ela vai ficar. Eu vou subir daqui a pouco." A última parte foi direcionada para a Quinn Mais Nova.

"Onde o Morgan vai dormir?"

"Na parte de cima do seu beliche, o que significa que você vai precisar limpar aquilo depois de você mostrar a ela o quarto dela."

"Eu não posso opinar sobre isso?" A Quinn Mais Nova perguntou às adultas, saiu menos fote do que ela queria.

"Não", elas disseram ao mesmo tempo, Rachel Mais Velha com convicção e Quinn Mais Velha com um cansaço silencioso.

"Vamos lá", Alex ordenou gentilmente, guiando-a escadas acima pelo seu braço. No corredor no piso de cima, eles passaram por várias portas e ela teve vislumbres de algumas molduras de fotos, mas não houve oportunidade de parar e olhar os conteúdos. Não que ela quisesse fazer isso ou algo assim.

Eles estavam perto do final do corredor quando ele parou em frente a uma porta. "Sorte sua, você está de frente para minhas mães. Espero que tenha sono profundo", ele comentou com humor. Quando ela não respondeu, ele acrescentou. "O banheiro é a próxima porta."

Ele não a deixou ir até ele ter aberto a porta e a cutucado para frente dele, ficando no vão da porta para que ela não pudesse passar por ele. Ela não se importou em tentar. Ela iria esperar até que ele fosse embora para tentar e sair de fininho.

O quarto em que Quinn se encontrou de pé era pequeno. A mobília era simples e preta, uma cômoda, um criado-mudo, um guarda-roupa e uma prateleira de livros. A cama era de solteiro e não tinha cabeceira, a roupa de cama era preta e o cobertor tinha um grande dente-de-leão com as florzinhas voando para longe dele. A prateleira de livros estava vazia, o criado-mudo tinha apenas uma lâmpada simples com uma sombra preta, e no guarda-roupa tinha uma moldura de foto, mas do ângulo em que Quinn estava ela não podia ver o que tinha lá. Em cima da cômoda, havia uma pequena televisão de tela-plana, não plugada e com a corda envolvida na base, e uma pequena caixa preta que tinha apenas o botão de ligar e uma entrada USB. Ela supôs que era um tipo de aparelho para tocar filmes e não pensou muito mais sobre isso.

As paredes eram brancas, exceto por uma única foto emoldurada, de um dente-de-leão preto com um fundo branco, parecido com o que estava na cama.

Ela deu um passo mais para dentro do quarto.

Alex ficou na porta, mudando seu presto de um pé para o outro e então de volta pro outro. "Então, hm, este é o quarto de Morgan quando ele vem visitar", ele disse para ela. "Ele não vem muito, então a maioria dessas coisas é de quando ele era mais novo."

"Ele é gay?" Quinn perguntou em uma voz baixa e triste, correndo a mão dela delicadamente pelo cobertor branco e preto.

"Rótulos não são mais algo importante, mas não, eu acho que não. Ele só sempre gostou de dentes-de-leão", Alex respondeu suas sobrancelhas se juntando quando ele pensou mais. "Ele tem algo profundo sobre isso. Como o vendo vai carregar você para onde você precisa ir ou algo assim."

"Não foi o que eu quis dizer, mas eu acho que dentes-de-leão são um pouco femininos."

"O que você quis dizer?"

Quinn lutou para conseguir verbalizar. "Rachel tem dois pais, vocês tem duas mães", ela disse devagar. Ela sabia antes mesmo de ver Alex enrijecer na sua visão periférica que ela definitivamente não deveria ter dito daquele jeito. Ela não queria aceitar que estava atraída por Rachel, ou qualquer outra garota, mas suas palavras havia a ofendido. Era como se a ignorância que ela havia juntado houvesse vomitando para fora sem sua permissão. Mas se estava saindo tão ridículo, talvez ela deveria dizer mais, então não estaria dentro dela.

Ela queria pedir desculpa. Ela queria retirar o que disse ou deixar para lá. Ela queria fazer qualquer coisa que ela pudesse para acabar com aquela dor aguda ou se distrair. Mas quando ela olhou para Alex e viu que ele estava bravo, e chateado se o seu bico significava alguma coisa, ela voltou para sua reação natural de ver raiva direcionada a ela. Ela ficou na defensiva. Ela se trancou. Ela adicionou uma fortificação extra ao redor do seu coração porque ela não podia se sentir nem perto de arrependida.

"Então, e daí? Nós temos duas mães então nós todos temos que ser gays?" Tinha um pouco de sarcasmo na frase. "Você tem uma mãe e um pai, qual é a sua desculpa?"

"Eu só estava me perguntando", Quinn insistiu, seus ombros levantados. "E eu nem sou gay."

Alex solta um som de zombaria e desvia o olhar, revirando os olhos, e Quinn pode ver pela primeira vez que do mesmo jeito que ele é definitivamente filho de Rachel, ele é filho dela também. É um pensamento assustadoramente agradável e ela o mata logo que ele tenta se aprofundar nela. "Você tem certeza que é Quinn Fabray? Porque você não parece muito com a minha mamãe."

"É porque eu não sou", Quinn cuspiu para ele. "Eu sou apenas uma criança." Suas unhas afundaram nas palmas das suas mãos. "Eu sou apenas uma criança", foi mais baixo na segunda vez, e um pouco fraco demais para o gosto de Quinn.

Alex se acalmou, voltou a fazer bico e ainda sem olhar para ela, mas ele não parecia bravo mais. "Eu acho que faz sentido agora. 'Eu quero viver para sempre, desta vez.' Hmm, sim."

"Do que você tá falando?"

"Você é covarde, e você está realmente triste. Mas você não vai ser assim para sempre, então isso é bom." Ele estava quase sorrindo agora e ela podia ver que ele lançava um olhar para ela. O pequeno sorriso dele a irritou. Claro que ele era aparentemente só uma criança, e claro que ele havia a conhecido a vida toda, mas como ele ia assim a chamando de covarde? Só porque ela sabia que ela era covarde, não significava que as pessoas podiam jogar isso na cara dela.

"Eu quero ficar sozinha".

Ele assentiu e se virou para ir embora, mas parou logo antes de fechar a porta. "Você não deveria ir embora da casa sozinha, você não tem um chip, e você não tem o RG certo e nenhum dinheiro. Suas roupas são esquisitas também. Vão te notar com certeza, então apenas... não vá embora." Quinn não respondeu, mas aparentemente tudo que ele queria era limpar sua consciência se ela quisesse ir embora.

A porta clicou silenciosamente quando se fechou e Quinn estava sozinha. Como ela queria.

QFRB

Havia silêncio entre as três mulheres no andar de baixo até que Alex e a Quinn Mais Nova não pudessem mais ser vistos. A Quinn Mais Velha foi até a escada e sentou no último degrau, descansando seus cotovelos em seus joelhos, e soltou o ar com força.

A Rachel Mais Velha foi diretamente até ela, ajoelhando-se na frente dela no chão. Era um movimento e uma posição tão dramática que merecia nota máxima, exatamente como o ataque de Alex mais cedo. "Você está bem, amor?"

"Eu estou bem. É que foi... tão intenso."

"Os flashbacks?"

"Aham."

"Me desculpe, eu não queria jogar tudo isso em cima de você, mas você não estava atendendo o telefone." A última parte foi levemente acusatória, mas foi falada com suavidade o suficiente para diminuir a crítica.

"Está no silencioso. Eu estava no meu estúdio."

A Rachel Mais Velha moveu para se sentar do lado da sua mulher, e foi nesse momento que a Rachel Mais Nova percebeu que ela havia sido esquecida, provavelmente em parte porque ela não havia se movido ou feito nenhum som desde que a Quinn Mais Velha havia caído nos braços da Rachel Mais Velha. Apesar de que, sob circunstâncias comuns, ela se sentiria irritada, ela estava mais interessada em ver a relação que aparentemente iria se desenvolver entre ela e Quinn na peça do futuro em frente a ela. "Você não está se sentindo bem? Donny disse que você foi embora cedo."

"Aham, eu saí ao meio dia. Eu acho que só estava cansada demais." Ela sorriu e cutucou sua mulher gentilmente. "Não graças a você."

Rachel bufou e encostou sua cabeça no ombro de Quinn. "Você não estava reclamando na hora."

"Eu ainda não estou reclamando", a loira provocou. "Eu me sinto melhor agora. Eu tirei um cochilo e trabalhei um pouco."

"Você vai ficar bem sobre...?" Ela deixou a questão pendente, pegando a mão direita de Quinn entre as duas dela e entrelaçando seus dedos juntos.

"Aham, mas eu definitivamente vou precisar ir ao encontro amanhã."

"Você precisa de algo agora?"

Quinn sorriu em um jeito quase tímido. "Só de você."

A Rachel Mais Velha riu, aconchegando o rosto contra o pescoço de Quinn. "Ah, que piada."

"Nem finja que você não gosta", a loira bufou. Ela separou suas mãos e envolveu seus braços ao redor da sua mulher e puxou a morena que se esperneava e ria para seu colo.

"Bem, Alice não estava aqui então eu tinha que dizer isso por ela", Rachel Mais Velha replicou entre as risadas.

"Eu não tive um olá apropriado ainda", Quinn insinuou não tão sutilmente, virando seu rosto para mais perto do da morena.

Não houve tempo para que a Rachel Mais Nova pudesse se preparar para o que ela estava prestes a ver. Antes mesmo que ela tivesse piscado, as duas mulheres estavam num beijo tão afetuoso e entusiasmado que ela sentiu um arrepio de medo subir pela sua espinha. Porque, sério, como esse sentimento podia existir? Como ela podia querer sentir o que elas estavam sentindo?

Ela sentiu o calor subir pelas suas bochechas e orelhas; ela engoliu audivelmente quando sua garganta pareceu fechar. Ela não sabia se o som havia sido alto o suficiente para as duas adultas ouvirem, mas não muito tempo depois de ele ter saído, elas se afastaram apenas um pouco, o suficiente para seus narizes ainda estarem encostados.

A Quinn Mais Velha lambeu seus lábios e a Rachel Mais Nova pensou que seu rosto iria explodir por estar tão quente. "Bem-vinda de volta", a loira falou com a voz rouca. Ela foi para outro beijo, mas foi abençoadamente mais curto. A diva mais jovem não pensou que ela sobreviveria a ver outra tortura daquela. "Eu acho que nós acabamos de quebrar a Pequena Rachel."

"Ela sobrevive."

"Obviamente", Quinn respondeu, dando a sua mulher uma sugestiva inclinada de cabeça.

"Você está se sentindo melhor", Rachel Mais Velha falou com humor. "Você deveria falar com a outra Quinn. Mostre a Rachel o quarto dela enquanto você vai para lá." Ela pulou para longe de colo da loira. "Eu vou começar o jantar."

"Sim, senhora."

Quinn e a Jovem Rachel ficaram quietas enquanto a Rachel Mais Velha andava para longe delas, e a diva mais nova tentou bravamente ignorar o jeito com que a loira estava olhando para a bunda do seu eu mais velho.

Quando a loira olhou para ela e sorriu, foi inteiramente platônico, o que era surpreendente, dado o olhar que havia estado em seu rosto segundos antes. Era quase amigável. Ela ficou de pé e indicou as escadas com um aceno de cabeça. "Vem, vou te mostrar como é lá em cima." Ela não esperou por uma resposta, apenas se virou e começou a subir pelos degraus, completamente certa de que seria seguida.

A morena aproveitou a oportunidade enquanto Quinn não estava olhando para observá-la como um todo. Ela havia mudado muito e não parecia nada com a Quinn que ela estava acostumada a ver.

Rachel se perguntou porque essa Quinn Mais Velha parecia tão diferente quando ela na verdade era exatamente igual à Quinn que havia sido levada para o andar de cima. Havia algo faltando e ela não conseguia saber o que era. Seu rosto era apenas um pouco mais maturo do que a garota que estava no andar de cima. Seu cabelo era o mesmo, apesar de que ela precisava retocar as raízes. Ela parecia... feliz, o que era um pouco estranho, mas não completamente incomum. Ela havia visto Quinn feliz várias vezes no passado. Não era sua aparência, ela decidiu.

Deve ser o jeito que ela se mexe. Diferentemente da jovem Quinn no andar de cima, ela não ficava como se sua espinha fosse uma haste de aço, ou, como uma das pessoas menos populares da escola sussurravam quando Quinn não estava por perto, como se ela tivesse um pau na bunda. Rachel sempre achou essa descrição rude demais e nunca riu disso com os outros "perdedores" da escola. Bem... não depois da primeira vez que ela havia ouvido aquilo.

Ela estava calma e relaxada, e estava se recostando um pouco na parede enquanto esperava no topo das escadas para Rachel alcançá-la.

A morena seguiu a loira com alguns passos de distância entre elas enquanto passavam por várias portas fechadas. Quando elas passaram por uma que estava entreaberta, Rachel espiou e viu que Alex estava na cama de cima do seu beliche, jogando objetos variados para o chão. Ela observou enquanto ele jogava uma camisa e ela batia em um dos vários modelos de aviões que estavam pendurados no teto.

Quinn parou na porta seguindo e esperou com uma paciência silenciosa por Rachel acabar de olhar o garoto se inclinar da borda da cama e balançar o braço sem jeito na direção da camisa pendurada. Ela sentiu olhos nela e olhou para cima, encontrando os olhos castanhos, e com isso ficou constrangida por ter sido pega olhando.

"Me desculpe", ela disse, indo para o lado da loira rapidamente.

"Tudo bem", Quinn respondeu, abrindo a porta e fazendo um gesto para ela entrar. "Você vai ficar aqui enquanto está conosco. É o quarto da Carmen quando ela não está na escola, mas ela pode ficar com Alice por uns dias."

"Eu não quero colocar ninguém pra fora", Rachel replicou. Essa bondade não era inteiramente falsa, ela realmente tinha boas maneiras quando precisava ter.

"Ela sobrevive. Ela tem sete colegas de quarto, tenho certeza que ter um vai ser uma melhora enorme."

O quarto estava cheio com a mobília (uma cama de casal, um criado-mudo, uma penteadeira, uma mesa e uma prateleira de livros), mas era ajeitado com cuidado para ficar espaçoso. A prateleira de livros estava praticamente vazia. Havia algumas bugigangas e alguns livros grossos que tinham tema musical. A penteadeira estava vazia, e a mesa estava igual. O criado-mudo tinha uma lâmpada por cima, com um laço branco ornamentado. A cama estava quase transbordando com travesseiros e a colcha era cor de chocolate.

Havia algumas fotos e posters espalhados pelas paredes. Na verdade, uma parede inteira era dedicada para fotos da lua em vários estágios do seu ciclo.

"Ela estava tentando encontrar uma foto que combina com a que E.E. Cummings descreveu em um dos seus poemas", Quinn explicou quando ela viu Rachel examinando o mural.

"Que poema é?"

"Mulheres de Cambridge."

"Como ele descreve? Eu não li esse."

"As mulheres de Cambridge não ligam, acima de Cambridge se às vezes em sua caixa de céu lavanda e sem cantos, a lua chacoalha como um fragmento de doce raivoso."

"Uau."

Rachel sentiu a esquisitice subir por ela como uma sombra. Não havia nada mais para elas falarem e o silêncio pressionou dentro dela de um jeito que estava quase sufocante.

Quinn quebrou a tensão com "Eu sei que isso deve ser estranho pra você."

E Rachel achou que era a perfeita abertura para o que ela queria dizer desde que ela percebeu quem iria ser sua mulher. "Eu só acho extraordinariamente estranho que nós vamos desenvolver algum tipo de relação além de uma amizade casual, considerando o gato de que você nunca particularmente gostou de mim."

"Eu sempre gostei de você, Rachel."

"Se você gostava de mim tanto assim, por que você era... é... era tão horrível comigo?"

"Eu não sabia." Rachel semicerrou os olhos e começou a dizer algo cortante, mas a Quinn Mais Velha falou antes. "Não, eu realmente não tinha nenhuma pista, sinceramente. Eu estava reagindo a você por puro instinto. Eu te culpava e eu culpava Deus e eu fiz tudo que eu pude para não aceitar isso. E eu sei que não tira de você a dor que você sentiu, mas isso é tudo que eu realmente posso te falar."

Rachel não tinha nada a dizer. O que ela podia dizer contra isso? Era difícil até mesmo para ela acreditar, ainda mais responder. Ela decidiu simplesmente acenar.

A Quinn Mais Velha pareceu entender. "A Pequena Quinn não vai poder se desculpar, Rachel, então eu vou fazer isso por ela. Ela quer se desculpar, eu quero que você saiba disso. Eu sentia tanto. O único jeito que eu sou capaz de verbalizar isso agora é porque eu tive um tanto estúpido de terapia."

"Eu te perdoo."

Rachel teve que se controlar para não recuar quando Quinn levantou uma mão até sua bochecha, mas o sorriso no rosto da loira era carinhoso e reconfortante e talvez fez seus joelhos ficarem um pouco fracos. "Você é uma pessoa extraordinária, e eu sei que você já sabe disso, mas eu apenas pensei que deveria te dizer que todo mundo ao seu redor também sabe disso." A loira abaixou a mão e Rachel tentou retribuir o sorriso, nem tão secretamente feliz com o elogio. "Eu vou falar comigo mesma e tentar não me deixar ficar mais louca do que eu já sou. Gostou da frase?" Rachel teve que sufocar uma risada. "Sinta-se livre pra andar por aí. Apenas não vá pro meu estúdio, eu estou trabalhando em algumas coisas. É a única porta com uma placa."

"Ok, obrigada... por me mostrar o quarto."

"Claro, Pequena Rachel."

QFRB

Quinn ouviu a porta do quarto abrir e fechar silenciosamente e sua espinha enrijeceu em reflexo por ser incomodada. Ela mentalmente se repreendeu por estar de costas para a porta quando ela escolheu se deitar na cama. Mas agora não havia nada que ela pudesse fazer sobre isso, a decisão havia sido feita e agora ela não tinha ideia de quem havia se intrometido na sua solidão.

Quando uma mão aterrissou gentilmente em seu ombro, ela quase guinchou em surpresa, mas conseguiu controlar a reação automática e apenas se moveu para longe.

"Hey, tá tudo bem. Sou só eu." Era a outra ela. Sua voz era baixa e calma, algo que Quinn nunca pensou que sua voz podia ser. Sua mão estava de volta no seu ombro. "Vamos lá, vai pro lado."

"Por quê?"

"É hora do abraço."

"Eu não quero abraço", Quinn mentiu, curvando-se como uma bola um pouco mais.

"Nem finja. Nós sempre amamos nos aconchegar, agora vai pro lado antes que eu mova sua bunda eu mesma." Quinn bufou com irritação antes de deslizar para mais perto da parede. Ela não olhou para a sua eu mais velho que se ajeitava atrás dela, colocando seus corpos na mesma altura, assim ela ficou completamente ao redor da loira mais nova. Quinn achou que ser abraçada tão forte e se sentir tão segura não ajudavam em nada na tentativa de manter suas emoções controladas. Elas ficaram deitadas assim por um tempo em silêncio, apenas respirando juntas e dividindo o conforto até que a Quinn Mais Velha começou a falar de novo. "Essa é uma entre as milhões de coisas maravilhosas sobre estar com Rachel. Nós podemos apenas nos abraçar por horas. Não é como era com os nossos namorados, que tipo, nós não podemos apenas nos aconchegar sem você tentar colocar o pau na minha boca?"

Quinn não conseguiu deixar de rir. "Eu sei, não é?"

"Agora sou eu que tenho que tentar colocar o meu pau na boca dela antes-" A Jovem Quinn tentou freneticamente ir para longe dos braços que estavam ao seu redor e a Quinn Mais Velha riu alto. "Ok, ok, me desculpe. Cedo demais."

"Isso foi nojento", a loira mais nova insistiu, mas ela voltou a relaxar no abraço sem mais reclamações.

"Que seja."

Elas ficaram num silêncio confortável por um tempo, apenas aproveitando o conforto do abraço. A mais jovem das duas foi quem quebrou o silêncio.

"Eu posso ver o anel?" Houve um movimento atrás dela e então Quinn foi confrontada com um simples mas lindo diamante solitário. Ela o admirou de todos os ângulos, vendo a claridade e falta de cor da pedra. "É lindo." Ela correu o dedo pela tira de platina, e pela tira de ouro do casamento também.

"Ela gastou dinheiro demais nele." A Quinn Mais Velha disse.

"É da Tiffany's?", ela perguntou. Quinn era aquele tipo de garotinha que havia sonhado sobre seu casamento desde que ela era velha o bastante para conhecer contos de fadas. A princesa ganha o príncipe e um lindo vestido branco enquanto eles vão em direção ao pôr-do-sol juntos. Sua infância a fez ser abençoadamente alheia à tensão em sua casa. Quando ela ficou mais velha e começou a entender a dinâmica da relação dos seus pais, as expectativas quanto ao seu futuro haviam mudado. Havia coisas que ela achava que seriam os pontos altos da sua vida e que eles viriam enquanto ela fosse jovem. Tornar-se a capitã das líderes de torcida, namorar o quaterback (sem importar o que ela sentia sobre ele), baile de boas vindas, baile do segundo ano, baile do último ano, um grande casamento branco, estava tudo nos livros. E mesmo que a maioria dos seus planos havia falhado espetacularmente (ela na verdade ainda tinha chance no baile de boas vindas e no baile do último ano), ela havia pensado que o casamento perfeito seria sua última felicidade. Depois disso, tudo iria por água abaixo. A relação entre seus pais provou isso para ela.

Esse seria um grande motivo para ela começar a planejar seu casamento quando tinha 12 anos, o que ela fez.

Uma aliança de noivado da Tiffany's era esperado.

"É claro."

Quinn virou a mão que ela estava segurando, curiosa para ver se algo havia mudado depois de anos, além de a pele estar um pouco mais grossa. Algo mudou, e ela percebeu imediatamente. Quatro pequenas letras no topo da sua palma. Beth, em tinta azul.

"O que é isso?" Quinn perguntou, um pouco aborrecida. Ela não precisava de uma pergunta, ela já sabia.

"É uma tatuagem. Eu tenho uma para cada um dos meus filhos. Essa é de Isaías 49: 15 e 16."

"Ok, eu não memorizei a Bíblia ou algo assim, mas não tem jeito de 'Beth' ocupar dois versos", Quinn rebateu secamente.

A loira mais velha riu. "Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você! Veja, eu gravei você nas palmas das minhas mãos; seus muros estão sempre diante de mim." Ela suspirou. "Eu sei que ele estava falando sobre a restauração de Israel ou tipo isso, mas eu li isso e apenas me deu um clique que eu deveria fazer isso."

Quinn traçou as letras. Ela não queria pensar sobre o bebê com que ela não iria ficar. "Quantos filhos nós temos?" Ela perguntou.

"Cinco, sem contar Beth."

"Ah Deus", ela gemeu. "É bom que Rachel tenha tido alguns deles."

"Ela teve Alice. Eu tive o resto."

"Por quê? Por que você colocaria nosso corpo por mais quatro gravidezes?"

"Eu admito completamente que sou uma viciada em bebês. Na verdade, eu queria mais, mas Rachel recusou sem nem pensar."

"Ela e eu trocamos de cérebros em algum momento? Quer dizer, sério, quando Rachel Berry se tornou a sã e eu virei a maluca?"

Quinn percebeu subconscientemente, a diferença entre seus pensamentos atuais e sua atitude contra desafios, e o jeito que ela seria no futuro, pelo que sua versão mais velha disse a seguir. "É diferente quando você está com alguém que você ama. Nossos filhos são a manifestação física do nosso amor. Eles mostram ao mundo que eu quero pegar tudo que tem de maravilhoso no nosso amor, misturar tudo, e criar algo lindo com isso." Foi dito calmamente, sem sinal de raiva, sem tentativas de mudar seu pensamento. Apenas uma simples explicação dos pensamentos por trás de sua ação.

"Ugh! Por que eu estou pensando em ter os bebês de Rachel?" ela perguntou, nojo afetando seu tom. Ela não gostava do jeito que isso a fazia ficar quente por dentro.

"Porque nós estamos apaixonadas por ela."

"Não diga isso!" ela assobiou por entre os dentes. Ela de repente se sentia paranoica, como se Rachel estivesse ouvindo do corredor e iria dar um ataque a qualquer momento.

"Você deveria falar sobre isso."

"Eu não quero."

"Eu sei, mas você deveria."

"Bem, eu não quero e mesmo se eu quisesse, eu não falaria disso com você."

"Por que não? Eu sou definitivamente a melhor pessoa com que você falar disso. Nós somos a mesma pessoa, basicamente. Vai ser como se você estivesse falando consigo mesma. E se você não pode falar consigo mesma, então com quem você pode falar?"

"Falar consigo mesmo é o primeiro sinal de insanidade."

"Bem, então talvez nós somos loucas, mas pelo menos estamos nessa juntas."

"Eu nem quero falar sobre isso!" ela repetiu, batendo a mão no colchão.

"Eu sei, eu sou você, lembra? Mas vai ajudar. E, mais uma vez, eu sou você, então eu já sei que vai ajudar."

"Essa é uma situação realmente irritante."

"Eu sei."

"Isso me lembra das Três Parcas de Hércules."

"Eu sei."

"Ok, sério? Para."

Sua ira apenas recebeu uma risada e uma mão bagunçando seu cabelo.

"Deus, eu nem mesmo gosto da Rachel. Eu não posso nem imaginar eu sentindo algo positivo por ela. Ainda mais todas essas... coisas que vem com casamento. Está fazendo meu reflexo de engolir agir."

"Nós duas sabemos que você está mentindo. Você deveria parar."

A energia frenética que havia abastecido sua negação estava acabando e a pressão atrás dos seus olhos estava crescendo. "Mas se você diz em voz alta, isso vira verdade."

"Querida", Quinn estremeceu ao ouvir sua própria voz soar tão maternal, "é verdade quer você diga em voz alta ou não."

"Eu não quero ser gay", ela chorou, finalmente deixando suas lágrimas que haviam sido seguradas a tarde toda caírem pelas suas bochechas. "Eu já vou pro inferno. Eu não quero que seja pior."

"Aí está." A loira mais velha rolou a mais jovem para que elas estivessem se abraçando de frente, e apertou a adolescente apertado contra seu peito.

Quinn soluçou pelo o que pareceu horas, seu corpo inteiro participando do momento. Ela tinha seu rosto enterrado na parte da frente do moletom da Quinn Mais Velha, pulsos apertados contra o excesso de material e suas lágrimas e ranho criando manchas molhadas. Seus sons de choro se dissolveram em soluços depois de um tempo e então em choramingos chocados. O tempo todo, a Quinn Mais Velha acariciou suas costas e afagou seu cabelo.

Mesmo quando as lágrimas acabaram, e Quinn havia parado com a respiração entrecortada e com o nariz e garganta roucos, ela continuou no abraço de carinho apresentado a ela, procurando um ponto seco para que ela não tivesse que colocar seu rosto na sua própria bagunça.

"Não se desculpe", Quinn Mais Velha comandou quando Quinn estava prestes a abrir a boca e fazê-lo. "Eu sei que, com o jeito que você pensa agora, você não vai ser capaz de processar ou aceitar qualquer coisa que eu estou prestes a dizer a você. Demorou muito para que eu percebesse quanto Deus me ama. Demorou anos e várias pessoas muito importantes na minha vida para dar à minha religião uma nova luz. Eu precisei largar daquele lugar de medo, e eu tive que aprender o que 'verdade' significa, e eu tive que me esquecer da minha visão de criança do Paraíso e Inferno, na que você ainda está presa. Vovó não está te julgando, Quinn. Deus ama você. Ele te ama tanto, mais do que nossos corações humanos podem compreender. O modo que você ama Beth, com cada pedaço de quem você é, de quem você era e de quem você vai ser? Não chega nem perto de uma fração do amor que ele tem por você." A Jovem Quinn estava chorando de novo, mas ela não estava sozinha. "Eu sei que você pensa assim agora, Quinn, mas eu não vou ir pro inferno. Eu amo minha mulher, e ela me ama, e nosso amor é puro. Deus abençoa nosso amor. Ele sabia e ele vê que nossas almas estão mais radiantes com isso."

Quinn estava começando a se perguntar quantas lágrimas ela tinha o poder de produzir. O segundo tempo não durou tanto quanto o primeiro, mas no final ela se sentia mais seca e sua cabeça estava latejando. Ela se enrolou contra seu próprio corpo, se abraçando, pegando calor do abraço confortável. Ela quase riu dos seus pensamentos porque conforto e calor eram duas palavras que ela nunca havia pensado que combinariam com ela mesma.

Era um produto da maternidade, ela pensou. E um produto da ciência médica era que ela não havia ficado ridiculosamente gorda depois de empurrar mais quatro crianças para fora do seu corpo.

"Essa blusa tem um cheiro bom", Quinn murmurou, se aconchegando mais perto com um contentamento meio sonolento.

A Quinn Mais Velha aparentemente decidiu torturá-la e acabar com sua felicidade. "É da Rachel."

Ela parou de tentar enterrar seu rosto no tecido macio imediatamente.

Foda-se minha vida.

"Você tá pensando Foda-se minha vida agora, né?"

"UGH!"

"Eu sei."

QFRB

Nos ajude a encontrar nosso caminho para casa.
E você me perguntou se eu já estive lá.
Eu já estive lá?
Eu quero te levar junto.
Isso eu sei, eu quero viver para sempre dessa vez.