Ichigo acordou num salto, lambendo ansioso a água fria gotejando sobre os lábios ressequidos. Havia apagado pouco menos de vinte minutos, mas o corpo lânguido sentia que três dias se passaram. Imaginou que tudo fizesse parte de um sonho ruim; ou um malfadado equívoco da parte daquele maníaco, que, percebendo seu trágico engano, o deixara escapar. E agora estaria em casa, ou na pior das hipóteses, num hospital ou coisa parecida.
Ah sim, finalmente.
– Oeee! – Grimmjow estapeou o outro, despejando o líquido frio no alto da cabeça dele. Era uma merda quando esses inconvenientes aconteciam. Francamente, apagar bem no meio do procedimento? Ah, ele ia fazer aquela peste pagar caro por isso. Sendo a vingança racional ou não. Não se importava, na realidade. – Não pensa que vai me deixar na mão, seu pivete.
O Kurosaki piscou querendo se agarrar ao desespero, detento o ímpeto vergonhoso de chorar feito um covarde, abrindo seus olhos mais uma vez para aquela voz ferina, o rosto doentio a centímetros do seu. Com a visão agora mais nítida, pôde enxergar o fulgor do suor fluindo pelos poros do homem. O par de pupilas azuis injetadas na face, vertendo o ar demoníaco que emanava dele.
Por Deus! Aquilo não tinha mais fim? Teria morrido, e aquele era o inferno?
Grimmjow segurou as bochechas do garoto entre o polegar e o resto dos dedos, apertando a carne fofa das maçãs. Enterrou a língua dentro daqueles lábios, ondulando-a com urgência no interior da cavidade úmida. Afastou-se um pouco para tomar ar, e sugou o vapor quente, ofegante, do morango para dentro da própria boca.
– Bem vindo de volta, Kurosaki. – A voz perturbadora lhe disse satírica, exalando o hálito num misto de álcool e nicotina na direção do seu olfato.
Estremeceu ao sentir algo imensamente gelado perto do tornozelo direito. O frio foi subindo pela canela, rodeando os joelhos, e só quando atingiu as coxas que pode identificar a pedra de gelo conduzida por aquela mão grande, derretendo sobre a efervescência intensa da sua pele. Grimmjow deslizou com o cubo entre os dedos, entrando na parte interna das coxas, escondendo-o nas dobras da virilha, subindo no vão estreito, para morrer com a pedra dissolvida sobre o púbis do rapaz.
Tomou nota tardia da posição indecente na qual se encontrava, sentado contra a parede áspera, em cima da cômoda antiga, as pernas arreganhadas, o corpo todo despido, exceto pela regata cinza enrolada no alto do peito. Grimmjow curvou-se entre suas coxas, lambendo a água derretida em volta do membro flácido, deslizando com a ponta da língua quente em seu comprimento, incentivando-lhe novamente a excitação. Ichigo não conseguia controlar a resposta natural do corpo reagindo ao estímulo; então, a região estimulada começou a fervilhar, pedindo por mais contato com a boca dele.
O mais velho enfiou a mão dentro de um copo ao lado, retirando dali o último cubo, levando-o até a boca, segurando a pedra entre os lábios. Firmou um braço em cima da perna molhada do outro, enquanto espalhava-lhe o gelo em toda largura do tórax, intercalando o trajeto com chupões e mordidas na pele ferida pelo choque térmico discordante. Ichigo jogou a cabeça para trás, chocando contra a parede, exibindo o pescoço arquejante para cima, enquanto a voz gemia alto, ressoando contra as paredes do cômodo abafado. Esqueceu por alguns segundos da gravidade na qual se encontrava. Era disso que seu corpo precisava, aquele frescor, o frio cortante elucidando seus poros em erupção.
Grimmjow subiu com a pedra de gelo para aquela área exposta abaixo do maxilar, e depois assoprou o pescoço molhado do ruivo, provocando-lhe um arrepio ardente na espinha. Direcionou o restante do cubo para o mamilo esquerdo, friccionando-o ali para intensificar a ação do gelar; e quando a matéria derreteu revelando a saliência enrijecida, o homem mordeu o bico gelado, puxando o pedaço sensível de pele entre os dentes como se quisesse arrancá-lo do rapaz. Ichigo gritou aflito, agarrando-se aos fios azuis, tentando afastá-lo antes que o tecido da carne começasse a dilacerar. Grimmjow o segurou vigorosamente, enterrado em sua na cintura, onde os sinais das unhas ficariam nítidos pelo menos por uns dois dias. O mais velho gostava disso; deixar sua marca no corpo alheio, como uma assinatura intitulando sua propriedade.
Ouviu-se o tilintar de fivelas sendo afrouxadas, e Grimmjow se livrou das calças mais uma vez, chutando a peça para trás. Posicionou-se melhor entre as pernas do menor, puxando-o para mais perto dos seus quadris. Ichigo sentiu o corpo vibrar quando a ereção do outro tocou a sua. Grimmjow debruçou por cima dele, a mão unindo os falos entre os dedos, estimulando ambos entre atritos e movimentos de baixo para cima.
Colou a boca na audição do rapaz, sussurrando obscenidades, repetindo mil vezes o quando queria foder o miserável, aplicar-lhe o castigo merecido, revirá-lo do avesso. As palavras dele continham escárnio, e ficaram suspensas na memória, ecoando na cabeça do mais jovem que nem um sino, flagelando o juízo.
Grimmjow tornou a beijá-lo; dessa vez sem urgência ou violência. A língua explorando a boca alheia num ritmo amortecido, ondulando sensualmente, recebendo reciprocidade. Ichigo segurou a mão que tocava os sexos unidos num reflexo de instinto, acompanhando a manipulação, proporcionando assim, mais prazer. Exprimiu uma série de gemidos sofreados dentro da boca que lhe beijava, pensando no quão sujo havia se tornado.
E tudo isso no prazo de ínfimas duas ou três horas... Quem saberia dizer? E para ser franco, que diferença isso fazia agora? Parecia que dias, semanas, foram deixadas para trás. Como uma carona na estrada do tormento, que o guiava diretamente para as portas do inferno. Lenta e mordaz.
Um calor arrebatador começou a brotar de dentro do seu coração. Um formigar intenso. Aquele ardor desmedido tomou conta do seu corpo, pulsando sob a pele, latejando nas veias, fazendo os tecidos dilatarem. Queria sair de si, deixar aquela matéria física e insignificante num surto incontrolável. Meu Deus, o cérebro ia explodir!
O mais velho reconheceu a reação que tanto esperava no moranguinho, começar a manifestar. Se o imbecil do Zaraki não tivesse aplicado doses tão cavalares da droga, não haveria necessidade de lutar contra a indolência do infeliz por tanto tempo.
– Que foi? Não vai mais resmungar para eu deixar você ir? Perdeu o medo, ou só tava fazendo um charme? – Grimmjow gargalhou já sabendo a resposta. – Diz pra mim, Kurosaki, diz pra mim da tua boca o que te fez mudar de opinião tão depressa. – Afastou-se do garoto em sua mudez delatora, fitando-o numa afronta; a mão segurando a corrente da coleira, tomando o assento da poltrona. Em seguida agitou o objeto metálico fazendo um convite ao rapaz. – Vem cá, bem obediente e senta aqui. – Bateu com a mão sobre a coxa desnuda, tal como se o outro fosse um cãozinho submisso.
– Vai se foder, seu pervertido de merda! – Ichigo o amaldiçoou admirando-se com o tom da própria voz; mas seus olhos não mostravam nada além do que a derrota evidente por trás do véu marejado cor de âmbar.
Grimmjow rangeu os dentes. Aquela bicha de merda ainda tinha a audácia de lançar uma provocação a essa altura do campeonato? Incrível. A corrente foi estendida em arrancada brutalmente, causando a queda do Kurosaki de cima do móvel. Não é como se a cômoda fosse alta, mas despencara de mau jeito, batendo os joelhos contra o chão, sendo atravessado por uma dor aguda na base das coxas. Sorte a dele de não ter quebrado nada, embora a articulação dali ficaria roxa por um bom tempo.
– Eu não vou repetir. – E não foi preciso. Ichigo se arrastou pesadamente sobre os joelhos doloridos, engatinhando com dificuldade, sentindo a cabeça pesar cinco vezes mais do que o normal. Parou perante ele, sentado sobre as pernas dobradas, o tronco curvado fazendo uma sombra escura entre elas. Grimmjow o puxou pelos punhos, obrigando-o a acomodar-se em seu colo, frente a frente com a fonte do seu desespero.
Ichigo retesou-se todo ao sentir aquele volume diante dele, entendendo imediatamente as intenções daquela mente depravada. Colocou as duas mãos tapando as partes íntimas, insistindo na luta ineficaz em repelir o homem. Certo que viu-se em situações degradantes, tendo que sujeitar à atos de pura demência do cidadão, mas, aquilo não.
Pelo amor de Deus, não, não!
– Seria fácil eu acreditar nessa sua relutância, se não fosse o óbvio entre as suas pernas. Você tá morrendo de tesão, tá afim, me fala. – Grimmjow abocanhou-lhe os mamilos, esfregando o rosto no tórax suado, as mãos explorando as costas açoitadas do morango. – Admite. Se você admitir, eu te deixo ir. – Fixou o olhar no semblante martirizado acima do seu. – Mas primeiro tem que admitir. E dependendo do jeito que falar, eu posso até pensar em ser gentil.
Ichigo sabia que era pura chantagem.
Ele era um escroto, nojento, imundo, sem um pingo de dignidade.
Não ia deixá-lo ir para de lugar algum. Entretanto, o resquício de sanidade ainda existente dentro dele abstraiu a mentira, rendendo-se a uma esperança nula. Porque humanos são assim; mesmo abalados em meio a pior das calamidades, insistiam e teimavam em não desistir. Ainda que tal esforço resumisse em cavar a própria cova.
– Eu... – Ichigo hesitou a voz. – Eu quero...
– Quer o quê?
– Eu quero... Foder com você.
Grimmjow surtou. Enlouqueceu. Perdeu o resto de senso – se é que ele o tinha, ou coisa parecida –, e tomou a presa num acesso de fúria e insanidade. Arrancou as mãos que impediam passagem entre as coxas do ruivo, puxando-o para cima daquela excitação pulsante em si mesmo. Ichigo ficou apavorado, sentindo-se um completo imbecil. Deteve as mãos na altura do umbigo, enquanto o outro vasculhava os vãos do estofado a procura do lubrificante, porque evidentemente, precisaria dele outra vez.
A ereção fazia pressão no vão de suas paredes, escorregando entre elas. O menor engoliu em seco. Certamente o tamanho de Grimmjow jamais poderia ser acomodado dentro dele. O pensamento o induziu a encolher as pernas, suspirando baixinho entre gemidos. A droga desconhecida ainda circulando nas veias, fazia crescer o desprezo por si mesmo devido àquela covardia estúpida.
O outro lambuzou a mãos com a substância escorregadia, direcionando-a para lubrificar o garoto, quem reclamou com o toque frio ali em baixo. Em seguida puxou-lhe uma das mãos, encharcando a palma com o líquido.
– Agora é sua vez. – Grimmjow ajeitou as costas na poltrona, de modo a fazer o peso em cima do baixo ventre afastar para o meio das coxas, deixando seu membro acessível. – Que é? Quanto mais, melhor. Anda logo, deixa de frescura.
Ichigo sentiu pena da sua própria existência. Levou a mão úmida até protuberância do homem, espalhando aquela viscosidade gelatinosa na extensão. Grimmjow trincou os dentes, grunhindo, gemendo. Puxou a corrente da coleira que pendia para trás, para alcançar o pescoço dele, lambendo o local enquanto sentia a mão alheia o enchendo de volúpia.
Queimando na vontade de possuir aquele corpo por completo, Grimmjow arrastou o mais novo pelos quadris, diminuindo o espaço entre eles. O mais jovem firmou os dedos nos bíceps resistentes, seus olhos e lábios apertados, deixando escancarada sua aflição e ansiedade. Quando sentiu sua entrada ser pressionada, ele abriu a boca no mundo a berrar, tentando suspender o corpo, impedindo a penetração. O que foi inútil, porque a força de Grimmjow no momento era trinta vezes maior que a dele. Então o mais velho o soltou, quando já havia o preenchido pela metade.
– Tá doendo, seu desgraçado! Tá me machucando. Me larga, me solta, seu doente!
– Isso! – Grimmjow arreganhou os dentes sorrindo que nem louco. – Desse jeito que eu gosto, Kurosaki. Pede mais alto, para todo mundo lá fora te ouvir.
Ichigo engoliu as lamúrias por enquanto, e endireitou o corpo em cima do maior. Vacilou um pouco o equilíbrio, por conta da moleza nas pernas, e daquele volume inchado, pulsando dentro de si, distendendo a musculatura naturalmente estreita da região. Aquele seu ponto ainda era virgem até minutos atrás, logo, conservava-se no direito de lamentar livremente com a invasão – detalhe que, aliás, não vinha a ser nenhum incômodo para Grimmjow; pelo contrário, gostava muito de ver aquele moleque sofrer. Ichigo então tentou se sustentar, e apoiou as mãos sobre os ombros fortes, franzindo o colarinho da camisa aberta entre os dedos.
Autoritário, Grimmjow cravou as unhas no traseiro do Kurosaki, envergando as articulações para encher as mãos da carne macia. Massageou aquela parte, esmagando as ancas, incitando-o a movimentar-se. Num solavanco, forçou-o para baixo enterrando-se por completo dentro dele.
O ruivo comprimiu os joelhos em volta do corpo abaixo do seu, e um grito estridente esguichou da boca, morrendo aos poucos, transformando-se num suspiro de puro prazer. Sentiu o falo golpear o âmago do seu ser, exilando-o de todas suas faculdades mentais em frações de segundos. O prazer se alastrou pelos membros, fazendo-o esquecer da dor, do cansaço, desejando mais daquele choque delicioso.
Sua boca começou a salivar intensamente, ao passo que se descobriu ondulando os quadris em cima do membro pulsante, querendo acertar aquele ponto mais uma vez. Não apenas isso, mas extravasar a cólera inflamada de dentro de si. A saliva verteu do canto dos lábios muito abertos num filete morno, a visão extremamente embaralhada, e os músculos bambos, balançando frouxamente em cima do homem. Grimmjow introduziu dois dedos na boca dele, estocando-os como se imitando o ato sexual; os livres da outra mão, usava para estimular-lhe entre as pernas, para não deixar que perdesse o incentivo.
Ichigo engasgou com a pressão dos dedos no fundo da garganta, e jurava sentir aquele gosto de ferrugem típico do sangue brotando no céu da boca, provavelmente resultado das unhas lhe raspando na mucosa delicada. Grimmjow tirou os dedos de dentro dali, levando-os até a própria língua, provando o gosto do morango, sem tirar aquele par de olhos azuis demoníacos do rosto dele.
O mais novo gemeu observando a cena atentamente, os quadris movendo-se como se fossem dotados de vida própria além do resto do seu corpo. De repente, Grimmjow começou a ficar muito atraente. A maneira sedutora como as cores dele roubavam sua atenção, os cabelos azuis, vibrantes e rebeldes caindo sobre a testa. O movimento palpitante dos músculos sob o tórax, aquela pele firme, enrijecida. O conjunto era harmonioso, irresistível. Ichigo estava aceitando a loucura, desistindo de lutar contra aquilo.
Grimmjow sorria. Um sorriso vulgar, escancarado, de dentes bem a mostra. Os olhos âmbar embaçados fitavam de perto a expressão doentia ressaltada na face do homem enquanto cavalgava sobre ele. Ouvia o riso flutuando, injetado naquele rosto perverso.
Ele era louco, um maníaco, demente. Era isso, havia caído nas garras de um psicopata.
Ichigo desabou o peso do corpo cansado e dolorido, a cabeça colidindo no ombro alheio. Virou o rosto para a curva do pescoço daquele pervertido, inalando sua essência selvagem, brotando das gotas de suor que acumulavam no local.
– Você cansa rápido demais, não acha, Kurosaki?
– Eu não fiz nada para você... Chega! – Ele vociferou, implorando ofegante, soltando as palavras no ar. – Eu não tenho culpa de merda nenhuma... Nem consigo mais me mexer! Me deixa sair desse lugar, não tá vendo que... – Soluçou. – Que isso tá errado?
– Pff, seu preguiçoso. Como se isso fosse algum estorvo.
Ichigo sentiu seu corpo sendo empurrado, e numa sequência rápida viu-se ajoelhado de frente para a poltrona, seguido do maior atrás dele, na mesma posição. Então uma força rude fez com que tombasse o tronco para frente. Agarrou-se ao braço do estofado para não cair, devido às mãos enormes afastando suas pernas para encaixar-se entre elas.
Quando reconheceu o falo comprimindo contra sua entrada, Ichigo contestou. A medida que Grimmjow ia se escorregando para dentro dele, puxava o corpo, sem se dar conta de que aquilo só aumentava ainda mais seu sofrimento. Impaciente com aquela teimosia, seus braços foram puxados para trás, a cabeça afundou no assento de couro em busca de sustentação, e o mais velho o esticou dolorosamente pelos pulsos, fazendo os ossos estalarem entre os músculos retorcidos.
Grimmjow imergiu-se completamente para dentro dele. Grunhiu um suspiro intenso de prazer, sentindo o interior quente do morango o envolver, pulsando enlouquecidamente em volta dele, sugando-o para dentro.
Forçou-se vigorosamente, sem se importar com a dificuldade de executar estocadas mais violentas. Soltou por fim os braços dele, porque daquele jeito era um tanto desconfortável. Portanto fixou as mãos na extensão das costas do ruivo, pressionando-lhe os flancos, ao passo que ia se aprofundando em sua carne apertada. Mais tarde, forçou a regata cinza para cima, revelando os vergões avermelhados saltando na pele rosada, resultado da "brincadeira" de instantes atrás. Raspou as unhas com força no lugar, o rapaz bramiu refutando a dor. Grimmjow sentiu o efeito da tortura em contrações intensas em volta do seu membro, dificultando sua movimentação dentro dele.
Curvou-se então sobre as costas do menor, trazendo a cabeça ruiva para trás com os dedos fincados como garras nos fios alaranjados. Salgou o paladar na pele suada do pescoço, percorrendo a nuca, trilhando a espinha. Ichigo emitia ruídos roucos e incompreensíveis quando Grimmjow o atingia certeiro na próstata, gemia como louco, desconhecendo o som da própria voz. Os joelhos ardiam raspando contra chão áspero, por causa do atrito descontrolado dos corpos.
O mais velho enfiou uma mão por debaixo do seu ventre para aliviar aquela ereção o castigando entre as pernas, pulsando compulsivamente implorando um orgasmo. Investiu os quadris com tudo, masturbando o rapaz em meio a gritos de dor e lascívia. Quando foi sentindo a pélvis do outro começar a se mover instintivamente contra sua mão, Grimmjow conteve seus movimentos, concentrando-se em prolongar o deleite da vítima. Ichigo arranhou a garganta, agarrando-se à almofada do assento, ao passo que inundava os dedos alheios com seu prazer. Seu gozo foi o mais intenso e poderoso que jamais havia experimentado até hoje.
O cume da exaustão finalmente o devorou por inteiro. Havia sido desprovido de todo e qualquer vestígio de energia alojada em seu organismo. Grimmjow saiu de dentro dele, deixando o corpo consumido tombar. O Kurosaki sentia o rosto queimando, com vergonha triplicada de encarar aquele doente outra vez. Mas foi forçado a fazê-lo, porque foi erguido nos braços dele, sendo levado até a mesa no meio do cômodo, que só agora havia reparado voltar ao seu lugar inicial.
– Não me olha com essa cara de culpa, depois de gritar feito uma cadela no cio.
Foi sentado na beirada no móvel, as mãos rudes o acariciando bruscamente no pescoço e cintura. Grimmjow passeou com língua no lóbulo, desviando para o maxilar, devorando as bochechas quentes, tomando os lábios trêmulos. Aprofundou-se num beijo solitário, pois não era correspondido. Quanto mais Ichigo olhava para aquele rosto, mais enxergava a figura de uma besta insaciável.
O homem tinha o demônio no corpo, ou o quê?
Grimmjow espalmou a mão direita no peito do garoto, empurrando-o contra a mesa. Sem um pingo de forças para resistir ao impulso, Ichigo tombou para trás, a nuca atingida severamente na tampa protetora da lâmpada suspensa. Desabou as costas sobre a madeira esfacelada, a cabeça girando, tonta, dolorida sob a luz sacolejando dentro dos seus olhos.
As duas pernas do ruivo foram erguidas na altura da cintura, deixando os joelhos dobrados bem próximos das costelas de Grimmjow, quem guiou-se mais uma vez para a abertura exposta, penetrando-o com mais facilidade dessa vez. O outro ofegava, contorcendo as juntas, debilitado demais; seu corpo ainda sensibilizado dado aos efeitos do orgasmo.
O maior começou a deslizar para dentro dele, fitando o rapaz estirado, exaurido por completo sobre a mesa. A luz balançando em cima do peito descoberto, ferindo-lhe os olhos ardidos. Grimmjow esticou uma de suas pernas, cravando os dentes na panturrilha, rodeando a língua detrás da curva do joelho, enquanto descia o olhar para baixo, vendo-se movimentar dentro do morango.
A corrente pesada pendeu para o lado, raspando contra o chão num estremecer metálico. Os movimentos de Grimmjow empurrando-o contra as farpas soltas da mesa de madeira, faziam a extensão da coleira agitar, dando a impressão de que puxava o pescoço dele com a força de uma tonelada. Levou as mãos até o pescoço, gastando uma força que já não tinha mais, para puxar o objeto que o sufocava. Queria tirar aquilo, precisava respirar.
Naquela altura Ichigo distinguia apenas a loucura ecoando, se aproximando desembestada a galope nos corredores corrompidos de sua consciência. Não era mais ele, não tinha mais como ser. Ele tombou a cabeça na madeira, curvando o pescoço para olhar o agressor mais uma vez, como que num disparate irracional de busca por realidade. Insistindo no questionamento tolo de duvidar do presente deturpado.
– Tô sentindo falta dos seus gritos. – Ele ofegou nervoso entredentes. – Grita pra mim, Ichigo.
Grimmjow acelerou o balanço dos quadris, ergueu as ancas do menor um tanto, projetando-se por cima dele; e numa sequência de investidas, arrancou o que queria da boca de sua vítima. Acompanhando o grito roubado, uma descarga de prazer se abateu sobre o corpo enquanto gozava. Arfou, puxando o ar carregado para os pulmões dilatados. Finalmente havia se esgotado.
Ichigo surpreendeu-se quando Grimmjow o colocou no chão, percebendo que agora conseguia firmar os pés para andar, apesar de ainda muito tonto. Teve apenas o curto espaço de tempo para experimentar mover as pernas sentindo o gozo viscoso escorrer entre elas. Foi então tomado nos braços, carregado até a poltrona. O corpo exausto demais, cada célula latejando de dor; tombou o rosto contra o peito suado de Grimmjow. O contato com ele se desfez, quando sentiu que fora largado em cima do móvel. Ichigo uniu os joelhos prendendo os braços em volta deles, deitando com a cabeça ali em cima. De repente começou a fazer frio, e teve a impressão de ouvir Grimmjow falar alguma coisa, mas não conseguiu ouvir direito sua voz.
Havia caído completamente em desgraça. Não havia mais orgulho, apenas a vergonha e a humilhação embebidas em seu olhar. Podia sentir o cheiro daquele homem odioso impregnado em cada partícula do seu ser. Mesmo que se lavasse, ou mesmo se esfolasse na tentativa de se livrar daquele cheiro, seria inútil. Sabia que estava cravado sob a pele, e ficaria para sempre gravado na memória.
Recusou-se a erguer os olhos para Grimmjow, enquanto este colocava as roupas de volta no corpo. Portanto, virou a face para o encosto da poltrona, os dentes cerrados, as mãos se agarrando aos próprios cabelos, como se pudessem amenizar sua miséria. Em seguida o ranger metálico de uma porta rasgou seus ouvidos, acompanhado de uma pancada estridente.
Indiferença; era essa sua recompensa.
Agora estava sozinho, completamente desmoralizado. Não fazia ideia do que seria de si mesmo a partir daquele momento, nem por qual crime fora punido; largado sem ao menos um motivo que justificasse o merecimento de todo o castigo suportado.
Pensou que seria justo se a ruína definitiva caísse sobre ele naquele instante, libertando-o de conviver com aquilo o resto da vida. Porque nada mais restava; apenas a degradação do seu ser no canto daquela sala imunda, personificada numa matéria violentada, diminuída em seu tormento.
...
notas finais:
Enfim, o fim! Não sou boa em fazer finais, mil desculpas.
Gente, mas então: não sei o que me deu na cabeça para escrever uns troços bizarros desses. Socorro! Logo com Grimmjow e Ichigo, tão fofinhos. (Meu fofo é meio deturpado, ok?) AHUHAUAHA.
Certo, eu queria ver o Ichigo sofrer, e não tinha pessoa melhor do que o Grimmjow para bancar o sádico, convencido, com aquele sorriso psicótico, pra fazer do moranguinho gato e sapato. Convenhamos.
Eu nem sou muito fã do estilo, desses lemons err... Dessa categoria violenta, mas foi mais forte que eu. Sentei e num surto fiz essa fic em 1 dia e meio. Fui escrevendo sem rumo, quando vi...BOOM. Acho que meu inconsciente estava precisando extravazar algum sentimento bem odioso, ou coisa do gênero.
Ainda bem que existe a escrita...
Então, não admirem se algo não fez sentido, porque provavelmente não era pra ter feito mesmo! Blá, blá, blá. Espero que cêis tenham gostado. Obrigada a todos que leram, e aos que leram na surdina (apareçam!)
Beijocas!
