Notas da Autora:
Para este capitulo só gostaria de fazer algumas ressalvas:
No outro capitulo eu tinha dito que as expressões em élfico seriam logo em seguida traduzidas, mas no caso de expressões as quais as personagens usam para chamarem umas as outras, eu acho melhor não traduzir do lado porque acaba quebrando o ritmo do texto e, com o tempo, vocês vão acabar se acostumando com elas de tanto que eu uso. Então para quem não sabe:
mellon - amigo
mellon-nin - meu amigo
ion – filho
ion-nin – meu filho
ionath-nin – meus filhos
ada – pai
toron-nin – meu irmão
Acredito que sejam só essas. Se eu acrescentar alguma coisa nova eu aviso.
Só pra constar os sinais de passagem de tempo, mudança de espaço, visões, flashbacks e afins continuam os mesmos.
Sinopse do Capítulo: A ser misterioso está furioso após seu encontro com Estel, após ter seus planos frustrados pelos filhos de Elrond. De volta a Rivendell, Estel e os gêmeos não podem imaginar as surpresas que os aguardam.
2. De Volta a Rivendell
A floresta que ficava um pouco antes do vale onde se encontrava a cidade de Rivendell era um lugar bastante calmo e silencioso. Entretanto, nos últimos anos, esta pequena, porém bela, floresta tornara-se um cenário de batalhas violentas e, quase sempre, injustificadas.
Dentro dela, vários tipos de criaturas escondiam-se do mundo. Desde orcs até o mais belo e raro pássaro existente na Terra-Média. E foi por causa destes contrastes que o ser encapuzado escolheu aquele lugar para servi-lhe de abrigo.
Ele adorava e odiava aquele lugar. Assim como a floresta, ele era misterioso e cheio de segredos. Normalmente, não gostava da companhia de qualquer criatura que pudesse raciocinar ou que pudesse ameaçar-lhe. Por isso, desde que havia chegado ali, não tinha tido nenhum tipo de conversa ou contato com qualquer humano, elfo, anão, hobbit ou outros seres que eventualmente passavam por ali. Sempre que avistava alguém, tentava de qualquer forma se esconder.
Durante algum tempo a criatura ficou vivendo desta forma, isolada de todos. Entretanto, depois de um prolongado período de solidão e de análise daquele ambiente, a criatura pôde perceber que praticamente todos os viajantes que por ali passavam, dirigiam-se a um belo vale que ficava um pouco mais a frente de seu esconderijo.
A princípio não conseguia compreender por que tantos iam para um lugar onde provavelmente não havia nada além de pequenos riachos e uma cachoeira. Intrigado, o ser misterioso decidiu ir até lá para descobrir o que atraía tantos visitantes àquela região.
Ao chegar, teve uma grande surpresa: havia uma cidade ali. Não uma cidade qualquer, mas uma cidade habitada por elfos. Essa última característica em particular despertou nele um grande interesse. Depois de muito ponderar, decidiu que tentaria entrar na cidade, apenas para observar.
Ainda atônito com sua descoberta, o ser ficou escondido sob uma árvore em frente ao portão da cidade, apenas esperando pelo momento oportuno de entrar. Passaram-se algumas horas até que ele conseguisse seu objetivo. Mas quando ele finalmente estava lá dentro, toda espera tinha valido a pena.
A cidade era de uma beleza inquestionável, quase irreal. As casas, os jardins, as pequenas cascatas d'água que estavam por toda parte, era tudo perfeito. Ele estava verdadeiramente encantado. Ficou escondido em outra árvore e passou a tarde ali, apenas observando. Mais tarde, aguardou o momento certo de ir embora.
Quando finalmente conseguira sair da cidade, a criatura misteriosa seguiu direto para seu refúgio na floresta. E assim alguns dias passaram sem que ela retornasse à cidade.
Porém, por mais que tentasse evitar, depois daquela visita, dentro de seu coração começava a crescer um amor por aquele lugar. Em seu peito uma vontade enorme de voltar gritava desesperadamente. Ainda mais fundo, nascia o desejo de morar lá e fazer parte daquele povo, o que atormentou a infeliz criatura.
Apesar disso, o ser encapuzado sabia que os desejos de seu coração deviam ser reprimidos a todo custo. E quanto mais ele desejava, inconscientemente, morar lá, mostrar quem era e não ter mais que se esconder; mais ele se odiava por ser tão fraco e por estar permitindo novamente que seu machucado coração se enchesse de alegria e esperança.
Contudo, passado mais alguns dias, ele não pode resistir e esse desejo. Ele havia decidido que não iria revelar quem era a ninguém, mas sabia que precisava ver aquele povo novamente, necessitava estar lá de novo, mesmo que não pudesse falar com ninguém. Tinha até descoberto um maneira mais fácil e rápida de chegar até lá sem que nada nem ninguém o vissem. Mas um acontecimento inesperado ocorreu. Na hora em que estava em frente ao portão e estava prestes a entrar, um elfo louro chegou.
Havia sido pego de surpresa e estava completamente desprevenido. A única coisa que lhe veio à cabeça foi correr. Correr para bem longe dali e torcer para que aquele elfo intrometido não contasse a ninguém o que havia visto.
Passado algumas horas, neste mesmo dia, um humano vinha pela estrada principal a cavalo. Ele estava um tanto distante da floresta, parecia cansado e desatento. Então teve a ideia de levá-lo para o caminho errado, quando este passasse na orla da floresta. Depois pretendia fazê-lo seu prisioneiro para perguntar sobre aquela maravilhosa cidade.
As coisas não saíram como ele havia planejado. Ele atirou uma flecha no humano para assustá-lo, o que permitiria que ele dominasse o humano e o fizesse seu prisioneiro. Porém, inesperadamente, sua vitima desviou da flecha no último instante. E com as ameaças levianas do humano, ele acabara perdeu a cabeça, o que resultou numa luta entre os dois. Luta esta que teria sido facilmente vencida pelo ser misterioso não fosse a chegada de um grupo de elfos não muito longe dali. Acuado, ele fugiu o se escondeu na parte mais densa da floresta.
"Não posso crer! Como aquele humano medíocre pôde escapar não uma, mas duas vezes da morte?" Queixou-se o ser aos berros.
"Esse humano tem mais sorte do que precisa na minha opinião."
"Mas se eu o ver outra vez, juro que ele não vai ter tanta sorte assim." Resmungou mais um pouco para si mesmo. A raiva consumindo-o por dentro.
"Ahhhhhh!" Gritou a criatura de indignação numa tentativa de acalmar-se.
"Tenho de me acalmar, não posso me exaltar desta forma por tão pouca coisa." Pensou, respirando fundo.
"Eu vim pra cá me testar e provar que sou forte o bastante para... arrrr... não vou deixar um humano tolo estragar meus objetivos." Disse a criatura um pouco antes de pegar seu arco e sair mata adentro para caçar.
(***)
A viagem de volta para casa seguiu sem maiores acontecimentos. Os minutos se arrastavam e até eles chegarem aos portões da cidade, passou apenas um pouco mais que uma hora, embora tenha parecido a todos uma eternidade.
Quando eles finalmente adentraram os portões da cidade, uma felicidade indescritível e um sentimento de alívio atingiram a todos.
Os filhos de Elrond foram um dos primeiros a entrarem na cidade que estava anormalmente agitada.
"Vejam só, estão todos a nossa espera! Aposto que ada armou tudo isso." Comentou Elrohir com um largo sorriso no rosto.
"Se eu fosse você, não contaria com isso." Alertou Elladan tentando visualizar um grupo de elfos que formavam um circulo em volta de alguma coisa.
"O que está acontecendo aqui?" Indagou Estel descendo do cavalo, assim como os outros integrantes da patrulha, e se dirigiu a um elfo moreno de olhos castanhos que usava uma túnica roxa.
"Um orc, senhor. Não sabemos como conseguiu entrar na cidade. Ele... ele ia... atacar." Disse o elfo parecendo angustiado e confuso.
"Mas esse monstro feriu alguém, Figwit?" Surgiu a voz de Elrohir que tentava chegar perto do irmão e do elfo, sendo acompanhado por seu gêmeo.
"Nã...nã...não, senhor! Por sorte uma flecha o atingiu antes que pudesse machucar um dos guardas." Respondeu Figwit.
"Fico aliviado em saber! Mas não precisa me chamar de senhor, mellon-nin." Disse Elrohir com um ar de pura indignação.
"Desculpe sen... Elrohir. Mas vocês são filhos de Lorde Elrond. Por isso eu sou levado a chamá-lo assim." Justificou-se. "Por falar em Lorde Elrond eu devo avisá-lo dos acontecimentos."
"Uma flecha? Por acaso alguém viu quem atirou essa flecha?" Perguntou Estel segurando o elfo levemente pelo braço para impedir que este fosse embora.
"Desculpe senhor, não há tempo. Eu realmente preciso alertar Lorde Elrond dos acontecimentos."
"Por favor, Figwit, responda a pergunta que Estel lhe fez. Precisamos saber o que está acontecendo." Suplicou Elrohir.
"Bem... eu ouvi uns elfos comentando sobre..."
"Comentando sobre...?" Incentivou Elladan.
"... sobre um vulto negro sob as árvores." Disse o elfo moreno que não estava gostando nada daquele questionamento e estava louco para ir avisar seu mestre acerca fatos ocorridos.
Ao ouvir o que Figwit disse, Estel não deu nenhuma explicação nem ao menos pediu licença. Foi apenas andando em direção ao grupo de elfos em volta do corpo.
"Está bem! Pode ir avisar nosso pai, mellon-nin." Disse Elladan para o elfo, o qual fez uma breve reverência e saiu correndo em direção ao palácio.
"Odeio esse jeito dele." Queixou-se Elrohir. "E daí que somos filhos do Lorde de Imladris. Isso não muda o fato de sermos amigos!"
"Elrohir!" Exclamou Elladan para que seu gêmeo parasse de se queixar sobre coisas banais e desse mais atenção ao que realmente importava. "Vamos!" Disse indicando o caminho que o irmão caçula tinha tomado.
Estel já estava perto do grupo de pessoas reunidas e logo foi alcançado pelos gêmeos. Eles começaram a pedir espaço para passarem entre os elfos e poderem analisar melhor a situação. Quando chegaram perto do corpo, Estel ajoelhou-se para olhar melhor a flecha que estava fincada em um ponto vital do pescoço no orc. Era uma flecha extremamente bela. Sua ponta era mais afiada que as flechas normais, ela possuía estranhas marcas em sua extensão. Até parecia um tipo de linguagem a qual o guardião desconhecia completamente. A flecha era praticamente toda prateada com exceção da ponta que era dourada. Definitivamente aquela flecha foi fabricada por elfos, mas era completamente diferente das flechas de qualquer reino élfico sobre a Terra–Média.
Estel permaneceu ali, ajoelhado, perdido em suas próprias dúvidas e questionamentos. Foi quando uma lembrança veio confirmar seus temores e roubar-lhe o resto de paz que ele tentava tão arduamente guardar para si.
"Estel? Está sentindo-se bem, toron-nin?" Elladan surgiu ao seu lado. Em sua voz havia um tom de preocupação e apreensão.
"Você não para de analisar essa flecha. Algum problema com ela? Está envenenada?" Perguntou Elrohir ajoelhando-se do outro lado do irmão caçula.
"Não. Não está envenenada." Respondeu o guerreiro.
"Então o que lhe aflige?" Indagaram os gêmeos em uníssono.
"O problema é que essa flecha confirma minhas suspeitas."
"Você quer dizer que essa flecha... pertence àquela criatura?"
"Exatamente, Elrohir! Essa flecha é do mesmo tipo que aquele elfo usou para me atacar. Eu não havia analisado a flecha tão de perto como agora, mas posso garantir que é igual a outra. E não creio que possa ter acontecido tamanha coincidência. Essa flecha só pode pertencer a ele." Depois de terminar seu relato mais uma dúvida veio atormentar-lhe. "O que não me entra na cabeça é o fato desse ser insolente ter chegado aqui antes de nós que estávamos a cavalo."
"Às vezes ele podia ter um cavalo escondido. Além do mais, nós não viemos galopando." Sugeriu o mais novo dos gêmeos.
"Vocês estão querendo dizer que aquele "suposto elfo" que atacou Estel na clareira, chegou aqui antes de nós e salvou um dos guardas da cidade?" Elladan estava totalmente incrédulo sobre o que os fatos evidenciavam.
"Eu tenho praticamente certeza disso. Porém essa certeza acaba gerando mais dúvidas em meu coração." Confessou o dunedain aos irmãos.
Os filhos do senhor de Imladris ficaram ali, perdidos no meio de um furacão de incertezas. Enquanto os três jovens ficaram conversando ao lado do corpo, a aglomeração de elfos foi se dissipando, uma vez que havia muito o que se fazer naquele dia. Então, uma voz surgiu de repente e trouxe os "meninos" de volta à realidade.
"Vocês vão passar o resto do dia ai olhando para essa criatura nojenta?"
Era Glorfindel. Ele vinha se aproximando dos três com um sorriso enigmático estampado em seu rosto.
"Onde está nosso pai, Glorfindel? Figwit disse que iria avisá-lo sobre o que aconteceu." Disse Elladan levantando-se juntamente com os irmãos mais novos.
"Tranquilizem-se, crianças. Seu pai já sabe do ocorrido. Eu vim em seu lugar checar pessoalmente. Aliás, seu pai está à espera de vocês, ou melhor, tem mais alguém com ele que está os aguardando ansiosamente." Disse o louro senhor no intuito de deixar os jovens curiosos. Porém as três figuras abatidas dos filhos de Elrond não disseram nada, nem ao menos moveram um único músculo.
"O que estão esperando? A essa hora todos os elfos de sua patrulha devem estar em casa matando a saudade daqueles a quem amam. E, acima de tudo, devem estar descansando. Vão para casa ver seu pai e um hóspede de Imladris. Mas se preferirem ficar aqui guardando o corpo dessa criatura miserável a opção é de vocês." Ao terminar seu discurso Glorfindel esperou que os três rapazes a sua frente fizessem o que era mais sensato.
"Está bem!" Disseram os três ao mesmo tempo. Afinal de contas, não adiantaria nada ficarem ali observando o corpo, cansados como estavam. Mas antes de partirem, cada um deu um forte abraço no tão valoroso amigo de seu pai.
"É bom tê-los em casa novamente, pequenos" Disse apenas o guerreiro vendo os jovens a sua frente se encaminharem para casa.
(…)
Depois de terem saído do alcance de vista de Glorfindel os jovens seguiram o mais rápido que podiam para chegarem à casa do pai. Eles estavam com muita saudade dele e, acima de tudo, estavam curiosos para descobrir quem seria a pessoa a qual o guerreiro de Imladris se referia.
E não demorou muito para descobrirem de quem se tratava. Quando entraram no palácio, seu pai se encontrava em pé, parado, ao topo da escada que dava acesso ao hall de entrada. Um pouco mais atrás, havia um outro elfo vestido em uma túnica verde água. Era muito belo e a nobreza de seu sangue era visível a qualquer um. Ao se depararem com essa visão os três subiram a escada correndo para poderem abraçar os dois: seu tão querido pai e seu estimado amigo Legolas.
"Senti muita sua falta, ada." Disse Elladan abraçado ao pai.
"Eu também, ion-nin." Respondeu o curador apertando o filho mais velho em seus braços.
E depois de ter abraçado Elladan e matado um pouco a saudade daquele que nunca deixaria de ser um elfinho a seus olhos, Elrohir abraçou o pai com tanta vontade que quase o derrubou.
Enquanto isso, Estel e Legolas que haviam dado um breve abraço conversavam:
"Faz tanto tempo não o vejo, mellon-nin." "Cormamin lindua ele lle." (E meu coração se alegra em vê-lo.)" Disse Legolas com um pequeno sorriso no canto do lábios.
"Você não imagina o quanto eu me alegro por estar em casa novamente e ainda ter a felicidade encontrá-lo aqui." Desabafou Estel dando um sorriso completamente sincero.
Seu pai veio, então, em sua direção. Os gêmeos que até então não desgrudavam do pai, deixaram-no por alguns instantes e voltaram sua atenção ao príncipe de Mirkwood. Dando-lhe um abraço duplo e fazendo alguns gracejos para que o arqueiro deixasse o ar sério que lhe era característico.
"Olha só quem resolveu dar o ar de sua graça por estas simples e humildes terras." Ironizou Elrohir.
"Você sabe muito bem que eu estive ocupado assim como vocês." Defendeu-se Legolas.
"Não me venha com essa história de ocupado. Aposto que você estava em casa fazendo da vida dos empregados de seu palácio um calvário." Continuou Elrohir a brincadeira fingindo usar Elladan como seu servo, enquanto gesticulava muito como se estivesse mandando seu gêmeo fazer algo contra sua vontade. Tal representação fez o príncipe da Floresta Negra perder toda a compostura rindo muito da encenação.
Enquanto os jovens elfos se divertiam, o reencontro de Estel e Elrond não estava sendo dos mais agradáveis. Depois de ter abraçado o filho adotivo, Elrond percebeu que havia algo perturbando aquela criança, assim como algo o perturbava.
"Você me parece mais cansado e preocupado do que da última vez que o vi, ion-nin." Começou o elfo a dizer o que sempre dizia, quando queria descobrir algum fato que seus filhos ou amigos tentavam omitir. Mas Estel conhecia bem o pai que tinha. Não queria alarmá-lo, mas também não sabia se seria correto mentir. E se os gêmeos tocassem no assunto? – Pensou ele. Estel não tivera tempo de ter essa conversa com os irmãos. As coisas aconteceram tão rapidamente que o fizeram esquecer completamente de pedir a opinião dos gêmeos sobre o assunto.
"São apenas os problemas de sempre, ada." Mentiu o guardião antes que seu pai fizesse mais um investida.
"Apenas os problemas de sempre, ion-nin?" Tentou mais uma vez o curador, desta vez segurando o rosto do filho para que este olhasse em seus olhos. Estel bem que tentou, mas era muito difícil encarar aquele olhar de seu pai e ainda ter coragem suficiente de prosseguir com a mentira.
"Sim, ada." Tentou continuar com a farsa o guardião. Mas a intensidade com que os olhos do pai o fitavam fez com que Estel acabasse revelando a verdade "Porém existem alguns acontecimentos que vêm tirando-me a paz."
"Eu sei, criança. Só temo que este problema que o aflige, seja o mesmo ao qual vem me preocupando." Disse Elrond dando mais um abraço no filho antes de levá-lo para perto dos irmãos e de Legolas que ainda ria muito do que os gêmeos diziam.
"Que ingratidão... Nós estamos aqui te divertindo e você vem com essa grosseria em último grau." Queixou-se Elrohir fingindo estar ofendido com o comentário do arqueiro de Mirkwood sobre eles estarem fedendo como orcs.
"Não venha com essa Elrohir, eu só estou dizendo a verdade. Acho que vocês deveriam tomar um belo banho e se arrumarem se quiserem chegar a tempo do almoço." Defendeu-se o arqueiro.
"Concordo com ele." Surgiu a voz de Elrond atrás de Elrohir surpreendendo-o.
"Não acredito que você está apoiando este elfo pomposo ao invés de me defender, ada." Reclamou Elrohir tentando parecer ofendido e ao mesmo tempo provocar Legolas chamando-o de elfo pomposo. Porém Legolas tinha a paciência do tamanho de um olifante, e não se deixava abater por qualquer comentário maldoso do gêmeo mais novo, que parecia ter nascido para tirar as pessoas do sério.
"Pelo menos ele não está fedendo." Disse seu pai usando um pouco de sarcasmo tão pouco peculiar a sua pessoa. O uso da ironia pelo lorde élfico surpreendeu a todos que se divertiram com o comentário direcionado a Elrohir. Este, após a brincadeira do pai, sentiu seu queixo cair levemente e não esboçou nenhum outro tipo de reação.
"Vão banhar-se, ionath-nin. Vocês precisam descansar, pois... "
"Antes temos que contar-lhe uma coisa, ada! " Lembrou Elladan interrompendo a fala de seu pai. Entendendo a aflição de seu filho, Elrond segurou-o pelos ombros e olhando-o nos olhos disse:
"Sei que vocês têm algo importante a me dizer. Só peço-lhes que esqueçam disso apenas por hoje. Amanhã teremos uma conversa e muita coisa será esclarecida." Disse o curador tentando por um fim naquele assunto complicado. "Só mais uma coisa..." - Continuou o curador antes que os filhos partissem - "Descansem bem hoje pela tarde, pois a noite haverá uma festa e preciso que todos vocês estejam lá. " Disse o senhor de Imladris dando ênfase na última parte proferida.
"Uma festa, ada? Mas por quê? Que motivos temos para celebrar?" Questionou Estel ainda influenciado pelos efeitos dos últimos acontecimentos.
"Sem perguntas agora Estel. Vocês entenderão em breve." Disse deixando os filhos desapontados com sua resposta.
"Agora tenho que cuidar dos preparativos. Há muito o que se fazer e em breve os convidados devem estar chegando. Me acompanha, Legolas?" Indagou o curador antes de sair.
"Se me permite, senhor, gostaria de acompanhar seus filhos aos seus respectivos quartos." Respondeu o príncipe.
"Faça como desejar." Disse o senhor de Imladris para depois se retirar.
Após esse encontro alegre e meio conturbado, os gêmeos e Estel foram acompanhados por Legolas a seus aposentos. Primeiro eles deixaram os gêmeos, cada qual em seu quarto. Depois foi a vez de Estel.
Chegando à porta de seu quarto, Estel parou um pouco e ficou olhando para ela, analisando cada traço, a cor, a maçaneta. Ficou assim por alguns instantes que pareceram eternos até ser despertado por Legolas.
"O que há, mellon-nin?" Perguntou o arqueiro com um ar preocupado.
Não houve resposta.
"Sente-se bem? Quer que eu chame seu pai?" Tentou mais uma vez o nobre príncipe. Demonstrando sua preocupação para com o amigo.
"Não é nada, Las." Disse o guardião displicentemente. "Só é estranho para mim que passei tanto tempo longe de casa estar aqui, agora, assim como eu ansiava há tanto tempo." Disse Estel abrindo a porta do quarto e fazendo uma análise minuciosa em todos os cantos para depois se dar conta de que tinha deixado o arqueiro aguardando ser convidado para entrar.
"Gostaria de me fazer companhia?" Indagou timidamente o dunedain, voltando sua atenção agora para uma roupa de luxo que estava sobre sua cama.
"Aceitaria em outra ocasião qualquer, mas tenho um assunto importante a tratar." Disse o príncipe recusando gentilmente o convite ainda do lado de fora do quarto "Além do mais, se eu ficar, você não vai conseguir descansar direito para poder comparecer à festa."
"Para falar a verdade, eu preferia ficar no meu quarto descansando em vez de ir a essa bendita festa." Confessou o guardião ao amigo aproximando-se um pouco da porta.
"Não seja rude Estel, seu pai faz questão de que não só você, mas também Elladan e Elrohir compareçam." Disse o louro elfo como se estivesse repreendendo uma criança que acabara de dizer uma coisa absurda. "Além do mais, garanto que vocês terão boas surpresas nesta noite." Prometeu o príncipe com certo ar de mistério.
"E o que vai ter nessa festa para ada nos dar até roupa nova?" Perguntou o guerreiro um pouco irritado.
"A pergunta não é o que, e sim quem." Respondeu o elfo.
"O que você quer dizer com isso?"
"Nada... Apenas vá e descubra o que eu quis dizer." Disse Legolas se fazendo de inocente. "Ah! Trate de se arrumar muito bem e seja pontual." Terminou o arqueiro sem dar chances de mais nenhum questionamento do amigo, ao fechar a porta do quarto.
"Mal educado. Fechou a porta na minha cara. E ainda dizem que ele é um poço de educação." Resmungou Estel odiando as charadas do amigo da floresta verde.
É não tinha como escapar... Ele teria mesmo que ir a essa festa – Pensou o guardião.
"Só espero que para esta noite estejam reservadas surpresas agradáveis." Disse em voz alta olhando para a roupa antes de se dirigir ao banheiro para tomar um banho.
É isso aí, espero que vocês estejam gostando.
Só pra reforçar, não se esqueçam de mandar reviews. Qualquer dúvida ou sugestão eu estou disponível para ouvir.
No próximo capítulo as surpresas da festa de Lorde Elrond.
Até breve!
Anne Krol
