Notas da autora:
Não há muito o que falar antes deste capítulo. Apenas gostaria de traduzir umas novas expressões em élfico:
sell-nin - minha filha
hannon le – obrigado (a)
Aman – Terras Imortais
As outras coisas em élfico que aparecerão estão traduzidas no próprio texto.
Sinopse do Capítulo: Depois do incidente com o orc e da estranha atitude do suposto elfo misterioso, a cidade de Rivendell se prepara para uma grande festa. Representantes dos outros reinos élficos chegam à cidade, trazendo consigo algumas surpresas e convidados inesperados.
3 - A Grande Festa
Era estranho estar ali, no meio daquele povo. Não tinha conseguido sair de Rivendell. O lugar por onde ele sempre entrava, estava sendo muito vigiado. Não tinha a menor idéia de como iria fazer para sair daquela teia de aranha na qual se metera por livre e espontânea vontade.
Àquela altura todos na cidade estavam em estado de alerta em razão do ocorrido pela manhã. Tudo ocorrera tão rapidamente que, quando finalmente caíra em si, ele já tinha entrado na cidade élfica e havia atirado uma de suas flechas, atingindo certeiramente o orc que vinha perseguindo desde a floresta.
Aparentemente ninguém o viu. E após recuperar sua sanidade, o elfo deslocou-se da árvore onde se encontrava para outra e assim por diante, até estar em uma árvore relativamente grande e distante de onde tudo ocorrera. Ali ele estaria parcialmente seguro enquanto esperava o momento certo de partir sem que ninguém o visse.
Porém a cidade ainda continuava agitada. Descobriu o motivo quando duas elfas pararam a poucos metros de onde ele se encontrava e começaram a falar sobre que vestido cada qual iria usar para a festa daquela noite. - Uma festa! Como iria fazer para sair da cidade se esta estivesse repleta de elfos e outros seres? – Pensou ele começando a sentir uma leve pontada no estômago...
A solução veio a sua mente tão de repente, que chegou a espantar-se por não ter pensado nisso desde o começo.
A festa não seria um empecilho em seu plano de fuga, pelo contrário, seria o momento oportuno para escapulir sem ser visto. Era um fato óbvio: todos estariam entretidos com o evento, de tal forma, que estariam cegos para tudo que se movia além dos convidados.
Então resolveu esperar. Desta vez não teria pressa, não agiria por impulso, ou tudo estaria arruinado.
A tarde que se seguiu à chegada da patrulha, foi calma e serena para aqueles que descansavam, após terem passado praticamente todas as quatro estações do ano longe de casa.
Para outros, estava sendo exatamente o oposto. A correria era geral. Em toda parte se via elfos e elfas atravessando os corredores do palácio com diversos tipos de enfeite. O salão de Rivendell estava intransitável.
Naquela noite, eles finalmente teriam uma festa depois do Sheelala (Festival de Primavera). A maioria da população não sabia o que iria acontecer, pois eles nunca tiveram tanto trabalho para poder organizar uma festa. Provavelmente alguém muito importante iria aparecer. Mas quem? E qual era o motivo principal dessa festa fora de época? Não se podia saber. Por que não os avisaram antes da comemoração? Por que deixaram tudo para última hora?
Essas eram algumas das perguntas que todos estavam conjecturando. A resposta para tais questões não passava de uma incógnita que só seria revelada apenas à noite. Enquanto isso, eles teriam que preocupar-se apenas com os preparativos.
Para adicionar um pouco mais de trabalho aos preparativos, as duas grandes comitivas de Lothlórien e Mirkwood chegaram à cidade. Elfos de Rivendell se desdobravam para acomodar no palácio, os convidados. Pelo lado positivo, os guardas de ambos os reinos se espalharam pela cidade reforçando a segurança de Imladris.
Quando a noite finalmente chegou e a lua veio abençoá-los com seu brilho, tudo estava pronto. Felizmente o dia fora suficiente para organizar tudo. Por mais que parecesse impossível, a cidade estava mais bela e arrumada do que nos dias de Solstício de Verão, um evento muito importante para os elfos e que era organizado com bastante antecedência. Graças à colaboração de todos, a festa prometia ser uma das mais belas já realizadas em Rivendell.
(...)
Legolas, Elladan e Elrohir vinham apressados por um corredor. Quando pararam em frente à entrada do quarto de Estel. Legolas deu um passo à frente e bateu à porta. Não houve resposta.
"Aposto que Estel ainda está dormindo." Constatou Elrohir com os olhos brilhando para uma possível brincadeira em que ele poderia julgar o caçula sem ser julgado pelo mesmo.
"É o que está parecendo, Ro." Concordou Elladan com a suposição do irmão. "Mas não o culpo por isso, certamente deve estar muito cansado." Acrescentou o gêmeo já prevendo as verdadeiras intenções de seu gêmeo.
"Mesmo assim, nós também estávamos cansados e agora? Olhe para nós!" Disse o gêmeo mais novo alterando um pouco o tom de voz. "Estamos arrumados esperando essa donzelado Estel levantar e ter a bondade de começar a se embelezar." Reclamou Elrohir parecendo estar realmente irritado, sem perder uma chance sequer de fazer um gracejo.
Sua ceninha, desta vez, estava muito real, ele teria convencido qualquer um que o visse do jeito que estava, mas não seu gêmeo e Legolas. Os dois sabiam muito bem que quando Elrohir encenava de forma muito convincente, era porque tinha um propósito. De qualquer forma, os dois não podiam evitar que um leve sorriso escapulisse com as infâmias de Elrohir.
"Não se esqueça, Ro, de que Estel é humano. Nós somos elfos, temos mais resistência, você sabe muito bem disso." Disse o príncipe numa tentativa inútil de fazer Elrohir desistir dos seus supostos planos.
"Sempre essa história de humano..." Tentou continuar o gêmeo mais novo, sendo interrompido por Elladan.
"Vocês dois, parem de ficar tagarelando sem razão." Pediu Elladan. "Estamos só perdendo tempo. Vocês sabem que ada não gosta de atrasos. E se vocês colaborarem a gente pode tentar acordar o Estel e ainda ter a graça de chegar a tempo na festa."
Após sua pequena bronca, Elladan tornou a bater. Novamente não houve sinal algum de vida dentro do quarto. Em vista dos fatos, Elladan entrou no aposento sem ao menos avisar os outros dois elfos, os quais ficaram do lado de fora aguardando maiores informações. Mas estas estranhamente não vieram.
Alarmado, Legolas e Elrohir entraram no quarto aparentemente vazio.
"Dan? Estel? Onde estão vocês?" Indagou Elrohir adentrando mais no quarto à procura dos irmãos, seguido de perto por Legolas.
Para sua surpresa, a resposta caiu literalmente sobre ele.
Estel havia derrubado Elrohir, que nesse momento travava uma dura batalha no chão com o irmão caçula.
"Quem é a donzela agora, hein, Ro?" Questionou o dunedain, dando uma chave de pescoço no gêmeo mais novo.
"Você está me descompondo seu humano selvagem." Respondeu categoricamente Elrohir, provocando um pouquinho mais o guerreiro humano.
Porém, provocar Estel não era a melhor opção para Elrohir. Por causa da provocação, o humano tinha aumentado a intensidade da luta. E eles ficaram assim, por um bom tempo, trocando farpas entre um golpe e outro. Enquanto isso, Elladan e Legolas não se aguentam em pé de tanto rir. Foi quando a porta do quarto se abriu e a figura de lorde Elrond entrou por ela.
Ao ver o senhor de Imladris, os quatro rapazes tentaram recompor-se o mais rápido possível. Eles estavam tão entretidos, que nenhum dos elfos, com sua audição apurada, ouviu a aproximação do curador.
Durante algum tempo, o silêncio prevaleceu. Os rapazes estavam à espera de uma bronca, enquanto o curador, de uma explicação para a cena que acabara de presenciar.
Como a resposta não surgiu de ambas as partes, a única coisa que restou a cada um foi liberar um sorriso de alívio pela discussão que fora poupada.
"Terminem de se arrumar, crianças, nossos convidados estão para chegar." Disse o lorde élfico dirigindo-se a Estel para trançar-lhe os cabelos assim como fazia quando o mesmo ainda era apenas um menininho.
"Ada, eu ainda não vejo motivo para esta festa." Confessou Estel, enquanto os gêmeos e Legolas tentavam voltar ao estado que se encontravam antes de entrarem ali.
"Você verá, ion-nin, que a festa de hoje a noite tem mais de um motivo para ser celebrada. Apenas lhe peço encarecidamente para que você tente esquecer, nem que seja apenas por essa noite, os problemas que o afligem." Disse o curador tentando acalmar o conturbado coração de seu caçula com suas sábias palavras.
"Não consigo, ada. Por mais que eu tente não consigo esquecer o que está acontecendo." Respondeu Estel agarrando-se ao pai. O guardião sentiu-se estúpido, agindo como uma criança que precisa ser protegida.
"Tranqüilize-se, criança minha. Confie em mim. Nunca deixei e nunca deixarei que nada faça mal a nosso povo. Muito menos a você e seus irmãos." Disse o nobre senhor afastando um pouco o filho de si e indicando o caminho que levava para fora.
"Vamos, rapazes. Mas antes, peço-lhes que deixem para trás todos os sentimentos ruins que carregam em seus corações. Proponho que guardem a sete chaves os problemas, para que eles sejam resolvidos mais tarde." Falou solenemente o senhor de Imladris, já se dirigido para fora do quarto. Os filhos e o príncipe de Mirkwood em seu encalço.
Após atravessarem vários corredores da casa élfica, eles se dirigiram ao salão onde a festa iria acontecer. Contudo, antes de chegarem a seu destino, foram interceptados por Glorfindel.
O nobre elfo estava muito elegante. Parecia um rei élfico dos tempos antigos devido a seu porte, austeridade e imponência. Vestia um robe verde claro que lhe caia muito bem e seus longos cabelos loiros estavam impecavelmente trançados.
Como sempre, Elrohir, não perdia uma oportunidade de fazer uns gracejos. Ainda mais com Glorfindel. Pois fazer com que o elfo loiro perdesse a paciência era, na verdade, um desafio para o gêmeo mais novo.
"Ora, meu senhor, eu pensei que estava indo para uma festa comum, não para uma cerimônia de coroação." Disse o gêmeo não conseguindo manter sua máscara ao ver a expressão indignada do capitão, o qual tentava se controlar.
"Parece-me que agora não temos mais tanto o que comemorar, visto que um dos motivos já não mais existe, meu caro Elrond." Respondeu Glorfindel categoricamente, deixando uma dúvida no ar. Apenas Elrond e Legolas, pareciam entender perfeitamente o que o guerreiro loiro queria dizer. Mas nenhum dos elfos disse uma palavra sequer sobre o assunto.
"Apressem-se, pois os convidados já estão chegando." Era Erestor, grande amigo de Elrond e Glorfindel, que os alertava. E não foi preciso dizer mais nada para seguirem todos diretamente para o salão, onde todos os aguardavam.
Na porta do salão foram brevemente anunciados. Os três lordes se dirigiram para a mesa principal, onde apenas os convidados mais importantes se sentariam. E os rapazes seguiram para uma mesa próxima à dos Lordes.
Estavam conversando animadamente. Elrohir não ficava quieto, como sempre, era o mais animado com a festa.
"Adoro essas festas que o ada dá. Sempre me divirto em ver vocês encabulados com as moças que costumam aparecer. Principalmente o Estel e o Las." Começou a provocação Elrohir com o único propósito de animar um pouco aquela festa.
"Pare de mentir Ro. O que você tem é inveja de mim e do Legolas, pois estamos sempre rodeados de elfas. Enquanto você fica sozinho. E quando alguma elfa demonstra interesse, é porque ela provavelmente está de confundindo com o Dan." Rebateu a brincadeira do irmão, se sentido vitorioso ao perceber a expressão de indignação no gêmeo.
Mas Elrohir não deixaria as coisas como estavam, teria dado uma resposta à altura se as portas do salão não estivessem abertas naquele momento.
Elrond, Erestor e Glorfindel já não estavam mais na mesa principal, mas sim em frente à porta de entrada do salão esperando para receber os convidados que começavam a entrar.
Eram os elfos de Lothlórien, todos muito bem vestidos. Iam entrando em pequenos grupos de, no máximo, quatro elfos. Andavam devagar, cumprimentavam os três Lordes e espalhavam-se, preenchendo os lugares vagos no salão.
Depois de um tempo, as últimas pessoas da comitiva entraram no salão. Eram nada mais nada menos que Celeborn e Galadriel, os senhores de Lothlórien. Porém, não estavam sozinhos, como era de costume. Estavam acompanhados por duas elfas.
A que estava do lado de Celeborn possuía cabelos muito longos, levemente cacheados e de um castanho claro levemente alourado. Ela usava uma espécie de tiara élfica prateada em forma de folhas. Seus olhos eram de um azul claro exótico. Possuía a pele bastante clara como a neve e estava vestindo um vestido branco, com detalhes em amarelo ouro, que deixava os ombros da elfa a mostra.
A que estava ao lado de Galadriel, possuía cabelos longos que lhe cobriam as costas num mar negro de ondas perfeitas. Diferentemente da outra usava uma touca de renda prateada, enredada com pequenas pedras azul-turquesa. Seus olhos eram cinzentos e brilhantes como as estrelas. Possuía traços finos, suaves e a pele branca. Usava um vestido azul claro, de manga longa, que chegava a cobrir-lhe parcialmente as mãos.
Todos no salão estavam deslumbrados com a beleza das duas elfas e é claro da senhora Galadriel sempre muito bela e misteriosa.
Uma das elfas foi facilmente reconhecida pela maioria dos convidados ali presentes. Era Arwen Undómiel, filha de Elrond. Estava mais bela do que nunca. Mas a outra elfa se mostrava como um mistério a ser revelado.
Naquele momento todas as atenções estavam nos senhores de Lothlórien e nas duas elfas. Os quatro recém chegados dirigiram-se então para cumprimentar os nobres elfos de Rivendell.
"Lle creoso!" (Sejam bem-vindos!) Cumprimentou-os Elrond formalmente.
"É uma honra para nós estarmos aqui." Respondeu Celeborn fazendo uma leve reverência imitada pelas elfas a seu lado.
Depois disso, foi a vez de Arwen se manifestar se aproximando do pai e o abraçando.
"Senti muito sua falta, ada." Disse ela ainda agarrada ao pai sem se preocupar com que os outros convidados iriam pensar dela.
Arwen já havia visto o pai um pouco mais cedo, quando a comitiva de Lothlórien chegou a Rivendell. Mas ela teve poucos minutos na presença dele antes de se dirigir a seus aposentos para descansar. Ela até gostaria de procurar seus irmãos, mas ficou sabendo que eles tinham chegado naquele mesmo dia e que estavam repousando.
"Eu também, sell-nin." Disse o curador afastando um pouco aquela doce criatura de si para permitir que os outros falassem com ela.
"Vanimle sila tiri, Undómiel" (Sua beleza brilha, Undómiel.) Disse Erestor dando um abraço na jovem e um beijo em sua testa.
"Hannon le, mestre Erestor." Agradeceu Arwen sentido-se um pouco envergonhada com o elogio do amigo de seu pai.
Depois foi a vez de Glorfindel a cumprimentar dando-lhe um beijo na testa e dizendo alguns elogios, assim como Erestor havia feito antes.
Depois de terem saudado Arwen, Galadriel apresentou-os a elfa que os acompanhava.
"Senhores, está é Linwen, filha de Emerion nosso bondoso amigo e conselheiro." Disse Galadriel em seu tom de voz habitual, que parecia mais uma doce melodia.
"Im gelir ceni ad lín." (É um prazer revê-la.) Disse Elrond amigavelmente.
"Ta nae amin saesa, brannon" (O prazer é todo meu, senhor.) Respondeu gentilmente a jovem, fazendo um breve reverência.
"Você não deve se lembrar de mim, mas eu te conheci quando você ainda era um elfinha." Disse Erestor.
"Desculpe a minha falta de memória, senhor. Realmente são poucas as pessoas de que me lembro." Desculpou-se liberando um doce sorriso.
"Não há motivos para se desculpar, criança. Ficamos felizes em saber que agora você está recuperada." Disse Elrond sabendo do passado triste e sombrio da jovem que junto com a mãe e Celebrían, esposa do curador, foram torturadas por orcs após serem pegas em uma emboscada. Ao conseguir escapar, a menina ajudou a encontrar a mãe e Celebrían, porém apenas a esposa de Elrond sobreviveu. Depois disso, Linwen se fechou para o mundo e recusou a oferta do pai de seguir para Aman. E, desde então, ela ficou trancafiada na floresta dourada e nunca mais se ouvira falar dela até o presente momento.
"Pensei que a filha de Emerion tivesse partido para Valinor junto com Celebrían." Comentou Glorfindel com Elrond, mas não podendo evitar que a moça ouvisse. "Desculpe-me a indelicadeza, porém estou completamente surpreso de vê-la aqui. Mas é claro que não deixa de ser uma surpresa muito agradável."
"Não se preocupe Lorde Glorfindel, não estou ofendida. Este foi um boato que se espalhou para que eu pudesse viver reclusa em Lothlórien sem que ninguém me perturbasse. E apenas alguns poucos elfos como meu pai, Lorde Celeborn, Lady Galadriel e Lorde Elrond sabiam de minha permanência em Arda." Explicou a jovem elfa demonstrando repentinamente uma expressão triste, como se ela estivesse revivendo os momentos de solidão pelo qual passara durante incontáveis anos.
"Não podemos viver no passado, pois esqueceríamos de viver o presente e, quando o futuro chegar, iremos nos arrepender amargamente de não termos aproveitado certos momentos como este." Comentou Celeborn na esperança de que suas sábias palavras amenizassem os efeitos do passado sobre a jovem Linwen.
"Concordo plenamente, Celeborn. Então por que não nos sentamos então?" Sugeriu Elrond indicando o caminho para que todos o seguissem e fazendo um sinal para que a festa continuasse.
Enquanto o pequeno grupo formado pelos recém-chegados e pelos elfos da casa seguia o caminho proposto por Elrond, Arwen, que já havia visto os irmãos, Estel e Legolas de longe, aguardava o momento oportuno de ir ao encontro deles. Antes que chegassem a seu destino, a elfa aproveitou e pediu discretamente permissão ao pai para fazer o que seu coração tanto ansiava.
Após o consentimento do mesmo, Arwen ia desviando do caminho à mesa principal, quando os dois gêmeos apareceram de repente dando-lhe um abraço duplo, como sempre faziam.
Depois de um tempo, eles finalmente levaram-na para falar com Estel e Legolas que estavam sentados na mesa, impacientes, esperando que os gêmeos desgrudassem de Arwen.
Ao ver Estel novamente a elfa sentiu-se um pouco estranha. Ela não sabia por que, mas desde que havia conhecido o irmão caçula, ela não o via realmente como um irmão apesar de tratá-lo como um. Ela sentia algo mais por ele. Algo que ela mesma não podia descrever. Por isso ela guardava a sete chaves esse sentimento.
"Olá, Estel! Como você cresceu. Está mais forte!" Disse ela dando um abraço carinhoso no humano.
"Olá, Arwen, e você está mais bonita do que da última vez que a vi." Retribuiu o elogio antes de se afastar da moça para que ela pudesse falar com Legolas.
"Legolas!" Arwen exclamou pulando nos braços do elfo. "É bom de ver de novo, mellon-nin."
"Ainda mais em tão pouco tempo." Disse o arqueiro retribuindo o afeto da amiga.
Era incrível amizade que existia entre Arwen e Legolas. Era uma amizade muito difícil de ocorrer entre um elfo e uma elfa. Uma amizade leal e pura, onde cada indivíduo amava e se preocupava com o outro mais do que com a sua própria vida.
"Fiquei muito feliz quando me disse que viria para cá eu..." Dizia Legolas quando foi interrompido por Elrohir.
"Como assim? Você sabia que ela viria para cá e não nos contou?"
"Era pra ser uma surpresa." Respondeu singelamente o arqueiro de Mirkwood.
"Agora eu que vou te mostrar qual é a surpresa." Disse Elrohir partindo para cima do príncipe, de brincadeira é claro.
"Ei, Las?" Gritou Elladan, tentando chamar a atenção do arqueiro, enquanto este tentava conter Elrohir. "Pare, Elrohir." Disse o gêmeo mais velho irritado, pois queria perguntar algo ao amigo loiro.
"Então você esteve em Lothlórien há pouco tempo, não? O que você foi fazer lá, mellon-nin?"
Legolas preparava uma resposta evasiva, enquanto tentava se recompor, mas foi poupado, pois as portas do salão abriram novamente à espera dos novos convidados.
Para deixar um suspense no ar, a história para por aqui.
No próximo capítulo, a explicação dos motivos de tal festa inesperada, além da ilustre presença de alguns elfos e de novas personagens.
Até Breve!
Anne Krol
