Notas da Autora:
Desta vez não há informações de grande relevância a serem dadas. Apenas que esse é um capitulo focado na festa de Rivendell. Portanto, não há passagem de tempo e nem mudança de espaço.
Sinopse do Capítulo: A chegada dos novos convidados aumenta ainda mais a curiosidade dos presentes. Uma grande revelação é feita acompanhada de um emocionante reencontro.
4 - A Elfa de Lothlórien
Antes que os novos convidados entrassem, Legolas, sem avisar aos demais, levantou-se silenciosamente e se juntou aos senhores de Imladris numa pequena comitiva de recepção.
A atitude repentina do elfo da floresta causou estranhamento nos amigos. Entretanto, logo o espanto se desfez ao perceberem que os recém-chegados eram os elfos do norte da Floresta das Trevas.
Assim como os elfos de Lothlórien, os elfos de Mirkwood entraram lentamente no salão e, em pequenos grupos, cumprimentavam os nobres elfos de Rivendell e seu príncipe. Este teria partido antes para informar aos senhores dos outros reinos élficos do acontecimento importante ocorrido no reino da floresta. E fora justamente dessa informação trazida pelo príncipe Legolas que surgira um dos motivos para a celebração daquela festa.
Depois de quase todos elfos de Mirkwood terem entrado no salão, vieram os últimos elfos que compunham aquela comitiva.
O rei Thranduil, pai de Legolas, vinha acompanhado por um casal de elfos. O rei estava muito elegante, tal qual Glorfindel, usava um robe verde-escuro belíssimo contrastando com seus olhos, uma mistura indefinida de azul e verde. Seus longos cabelos loiros destacavam-se diante daquela roupa escura. Era muito evidente a realeza daquele elfo.
O casal de elfos a seu lado não pareciam ser tão nobres quanto seu rei. Mas com certeza havia um motivo muito forte para fazê-los estarem onde estavam.
Os três se aproximaram dos elfos que os aguardavam para lhes recepcionar.
"Creoso abaramin! "(Bem-vindos ao meu lar) Disse Elrond desempenhado seu papel de anfitrião.
"Eu lhe agradeço pela recepção, meu bom Elrond." Respondeu Thranduil fazendo uma leve reverência imitada pelo casal a seu lado.
"Ficamos honrados em receber seu povo em nosso reino depois de tanto tempo." Disse Erestor cordialmente.
"É muita gentileza sua, nobre Erestor." Agradeceu novamente o rei, sendo logo em seguida cumprimentado pelo filho.
As coisas estavam indo muito bem até Glorfindel resolver se pronunciar. Os dois elfos, por algum motivo desconhecido, não suportavam um ao outro. E quando se encontravam, o que quase nunca acontecia, era quase impossível evitar que eles se provocassem.
"Como sempre, meu caro Thranduil, você não se cansa de me imitar." Comentou o guerreiro de Imladris indicando a roupa do rei de Mirkwood, sendo esta quase igual a sua, apenas diferente por causa do tom de verde.
"Bem, Glorfindel, infelizmente eu ainda não possuo o dom de prever a roupa que você irá usar. E mesmo se tivesse este dom... – Ironizou o rei. –... não seria você que me faria mudar meu gosto ou minha roupa." Respondeu o rei categoricamente sem deixar quase nenhuma brecha para o elfo de Imladris revidasse. É claro que Glorfindel não deixaria as coisas como estavam não fosse interrompido por Legolas.
"Ada, Glorfindel, por favor, controlem-se!" Pediu o jovem elfo. "Será que vocês nunca irão esquecer as velhas brigas?" Repreendeu-os o príncipe, conseguido uma breve trégua entre os dois senhores loiros.
Para acabar de vez com a discussão que se formava, Elrond sugeriu que todos se dirigissem à mesa principal, fazendo um sinal para que a festa continuasse. Mas antes de saírem do lugar, Thranduil se pronunciou:
"Desculpem minha indelicadeza. Estava tão distraído, que me esqueci completamente de lhes apresentar meus acompanhantes. Estes são Maldor e Eleniel. O casal possuidor do maior motivo para esta festa." Disse simpaticamente Thranduil deixando o casal um tanto sem jeito.
O casal foi então cumprimentado formalmente por todos e depois de tantas formalidades, o pequeno grupo seguiu finalmente para a mesa principal, com exceção de Legolas que havia voltado para onde seus amigos o aguardavam.
"Oram vejam só. Vossa alteza está de volta!" Começou a brincadeira Elladan. Fato muito raro, uma vez que as brincadeiras, na sua maioria, sempre começavam de um comentário muitas vezes jocoso de Elrohir.
"É um elfo pomposo como o pai! Se não fosse a diferença de idade, eu diria que vocês eram gêmeos!" Acompanhou Elrohir seu irmão muito satisfeito com o rumo da brincadeira. Ele adorava dizer que Legolas era pomposo como pai. O que era uma grande mentira, mas o gêmeo sabia muito bem que Legolas não gostava de ser chamado de alteza ou muito menos de pomposo.
Eles iriam continuar sua brincadeira se Arwen não tivesse os interrompido com um leve gritinho.
"O que houve Arwen?" Indagou Estel com suas enormes órbitas azuis grudadas nela. Não deixando de arrancar da jovem um belo sorriso por sua atitude.
"Por Iluvatar!" - Exclamou a elfa. – "Esqueci-me completamente de Linwen. Ela deve estar se sentindo muito solitária naquela mesa tão ilustre." O desejo de reencontrar os gêmeos, Legolas e Estel tinha sido tão grande que ela esquecera completamente da pobre moça.
"E quem é Linwen?" Indagaram os quatro rapazes em uníssono. Fazendo com que a elfa sorrisse mais uma vez.
"Esperem aqui que vocês verão." Disse Arwen se afastando por alguns instantes. Momentos depois, ela voltou com a bela elfa que havia entrado com o senhor e a senhora de Lothlórien. Ela era mais linda do que parecia de longe.
"Elfinhos esta é Linwen, minha grande amiga."
Os quatro jovens se levantaram para cumprimentá-la como deveria ser feito.
"Linwen esses são meus irmãos Elladan, Elrohir e Estel." Disse a elfa indicando cada um dos jovens na ordem em que disse. "E este é Legolas, príncipe de Mirkwood e amigo muito próximo de nossa família."
Linwen sentiu o rosto corar na presença dos jovens rapazes. Principalmente dos irmãos gêmeos de Arwen. Ela lembrava muito bem deles, mas provavelmente eles não a reconheceriam.
"Estranho... Mesmo em todos esses anos que estive em Lothlórien não me lembro de já tê-la visto lá." Comentou o gêmeo mais novo para iniciar uma conversa com a elfa da floresta dourada, que se sentou em uma cadeira ao lado de Arwen.
Linwen pareceu relutar um pouco em responder. Ela não queria ter de revelar a eles seu passado, porém eles iriam acabar sabendo da verdade mais cedo ou mais tarde.
"Bem, eu passei longos anos de minha vida afastada de tudo e de todos. Eu não queria ver ou falar com ninguém além de meu pai, Lorde Celeborn ou Lady Galadriel. Eu não conseguia superar a tristeza do dia em que minha mãe, Lady Celebrían e eu fomos pegas em uma emboscada de orcs e..."
"Espere, então era você a jovem elfa que conseguiu escapar do covil dos orcs e que eu e Elladan encontramos enquanto procurávamos por nossa mãe?" Elrohir parecia não acreditar. Aquela doce elfa era a mesma menina que há muitos anos os gêmeos e um pequeno grupo de elfos encontraram gravemente ferida e que ainda assim os levou ao covil dos orcs. Ela era a única razão de Celebrían ainda estar viva, pois se eles tivessem demorado mais um pouco, já teria sido tarde demais.
A elfa, pega de surpresa por Elrohir se lembrar dela, apenas afirmou com um aceno de cabeça.
"Por Iluvatar Arwen como você nunca nos falou dela?" Exaltou-se Elrohir sentando-se na cadeira ao lado de Linwen enquanto todos os olhares da mesa se voltavam para ela.
"Sua irmã não sabia da verdade." Disse Linwen a Elrohir numa tentativa defender a amiga. Era difícil encarar aquele rosto tão vagamente familiar.
"Como é possível vocês serem grandes amigas se você nem sabe direito quem ela é? Você sabe que nós sempre achávamos que ela tinha ido para Aman." Ralhou Elrohir para a irmã, indignado por ela nunca nem ter mencionado a elfa de Lothlórien antes.
"Calma, Elrohir, ficar com raiva não vai mudar o que já aconteceu." Disse Elladan para tentar acalmar seu gêmeo. Porém ele mesmo estava um tanto aborrecido. Há anos ele e Elrohir se lamentavam por não terem tido a oportunidade de agradecer à jovem. Na época em que tudo aconteceu, após terem resgatado sua mãe e Lady Elwe, os gêmeos estavam tão preocupados com Celebrían que nem perguntaram o nome da moça. E quando tentaram descobrir o que havia acontecido com ela e Lady Elwe, foram informados de que a primeira havia partido para as terras imortais e que a segunda havia morrido. Eles até tentaram descobrir mais sobre a elfa, mas tudo que conseguiram saber foi que ela era filha de Emerion e Elwe. Nem mesmo seu nome fora revelado.
"Linwen e eu nos conhecemos por acidente." – Começou a relatar Arwen – "Durante os anos em que estive morando em Lothlórien, sempre percebi que havia uma parte da cidade que quase ninguém visitava e que apenas alguns tinham acesso. Mas um dia consegui seguir um elfo que ia para lá e levava uma bandeja coberta nas mãos. Foi quando eu o vi entrando em uma casa e depois que ele foi embora, eu entrei lá e me deparei com Linwen."
"E?" Disse Elrohir impaciente.
"E que com o tempo nós nos tornamos amigas. A única coisa que eu realmente sabia era que seu nome era Linwen e que ela estava ali, pois algo de muito ruim havia ocorrido em seu passado. E quando vovó ficou sabendo de nossa amizade, ela me fez prometer que não contaria a ninguém da existência de Linwen. Eu só fui saber realmente quem ela era e o tanto que sua história estava ligada à nossa, quando Linwen decidiu que havia chegado a hora de se mostrar para o mundo. E hoje estamos aqui." Terminou, por fim, Arwen segurando a mão da elfa que ajudara a salvar a vida de sua amada mãe.
"Desculpe Arwen. Eu não devia ter duvidado de você." Disse Elrohir realmente arrependido.
"Não se preocupe, Ro, eu sei o quanto esse encontro significa para você e para o Dan." Respondeu a elfa cedendo seu lugar para que o gêmeo mais velho o ocupasse e assim os dois gêmeos ficassem lado a lado com Linwen.
Ao se ver entre os dois elfo idênticos, a doce elfa ficou completamente sem reação. Era estranho demais estar entre os dois irmãos. Isso lhe trazia lembranças do dia em que foi encontrada. Ela lembrava-se perfeitamente de seu tremendo espanto ao se deparar com duas criaturas idênticas. Ela até chegou a pensar que estava delirando devido ao ferimento. Mas também nunca esqueceria dos rostos dos elfos que salvaram sua vida. Foi quando Elladan começou a falar e trouxe a atenção da elfa para si.
"Linwen, eu sei que talvez seja um pouco tarde, mas nós gostaríamos de te pedir perdão por não termos dado a devida importância a você. Nós apenas nos preocupamos com nossa mãe e nem ao menos perguntamos o seu nome." A voz de Elladan era de puro pesar. Linwen até tentou dizer alguma coisa, mas foi interrompida pelo gêmeo mais velho que continuou falando:
"Talvez se ao menos soubéssemos quem você era, nós poderíamos ter te ajudado a superar tudo e você não teria passado pelo o que passou. Eu sei que agora não tem como fazer o tempo voltar atrás, mas eu prometo que daqui pra frente você faz parte da nossa vida e que nós tentaremos, ao máximo, fazer você feliz de novo."
Os dois elfos idênticos seguravam cada um uma mão de Linwen. A elfa que olhava para Elladan estava visivelmente prendendo as lágrimas que deixavam seus olhos ainda mais azuis e brilhantes.
"Além disso, há uma coisa que queremos te dizer desde aquele dia em que a encontramos, mas que não tivemos a oportunidade até esta noite..." Agora era Elrohir quem falava. Ele fez uma breve pausa olhou para seu gêmeo e ambos disseram em uma só voz da forma mais sincera e amável que existia:
"Obrigado!" Disseram dando um abraço duplo inesperado na elfa a qual não pôde mais conter as lágrimas. Naquele momento ela sentiu algo que já não sentia há muito tempo. Ela sentia que podia voltar a viver, pois existiam pessoas como Arwen e os gêmeos, que fariam sua vida valer à pena.
"Obrigado por ter nos ajudado a salvar nossa mãe. Sem você nós não teríamos conseguido." Concluiu Elladan liberando a elfa de seu abraço sendo imitado pelo irmão.
"Agora nós temos uma chorona na família." Disse Elrohir conseguindo arrancar um belo sorriso de Linwen. Um sorriso de pura alegria o que deixou todos aliviados pelo feliz desfecho dessa história.
"Agradeço muito por tudo. Vocês não sabem o quanto isso significa pra mim!" Disse a jovem elfa terminando de secar as lágrimas ainda com seu belo sorriso nos lábios.
"Claro, mas não pense que o que estamos fazendo por você será de graça." Disse Elrohir fazendo com que a elfa a seu lado se espantasse ligeiramente com a resposta do gêmeo.
Ao ver a reação de Linwen, Elladan tratou logo de explicar.
"Não se preocupe Linwen, ele só está brincando. Elrohir é assim, nunca leve a sério o que ele diz. Com o tempo, você vai acostumar."
"Eu brincando? Eu nunca brinco!" Retrucou o outro gêmeo fazendo uma cara de incredulidade deveras forçada, provocando muitos risos na mesa. "Eu falava sério quando disse que iríamos cobrar a gentileza. O preço, minha cara, será apenas sua amizade." Concluiu o mais novo dos gêmeos deixando o resto do grupo surpreso com sua resposta, menos Linwen que respondeu:
"Parece-me um preço justo. Bem, o que na verdade eu quero dizer é que vocês já têm a minha amizade e o meu afeto."
Os jovens continuaram conversando animadamente. Linwen começava a achar que nunca se divertira tanto na vida. Os gêmeos eram a atração principal, sempre fazendo com que todos rissem. Eles assim continuaram até o repentino aparecimento da Senhora Galadriel.
"Linwen, elfinha, me acompanha por um instante?" Pediu a senhora com seu tom doce habitual.
"Claro!" Respondeu a elfa pondo-se prontamente de pé para seguir a senhora.
Depois que as duas haviam se afastado, vários olhares as seguiram e as viram tomar a direção onde se encontravam os convidado mais importantes da festa. Logo que elas chegaram lá, não tardou muito para Elrond pedir o silencio de todos para que ele pudesse revelar aquilo que todos ansiavam descobrir.
"Primeiramente gostaria de agradecer a todos que estão presentes nesta festa. Aqueles que vieram de longe – Disse indicando os elfos dos outros reinos ali presentes. – E todos o habitantes de Rivendell. Sem a cooperação de vocês não poderíamos estar aqui neste momento." Finalizou o senhor, agora, se dirigindo para o centro do salão, tomando todas as atenções para si.
"Como todos sabemos, para tudo na vida há um motivo. Tudo que acontece, tem uma razão de ser. Nada acontece por acaso e nada que é feito nessa vida é em vão. E se estamos aqui hoje, reunidos mais uma vez, certamente é porque assim deveria ser. Há algo que nos levou a nos reunirmos aqui hoje. E esse algo, meus caros amigos, será apresentado a vocês esta noite." Disse o Elrond fazendo uma breve pausa para então continuar seu discurso.
"Há muitos anos, todos aqui devem ter o conhecimento de que minha doce senhora foi pega em uma emboscada de orcs, e que essas criaturas desprazíveis a torturaram. – Havia algo estranho na voz do curador quando ele proferiu essa frase. Era como se cada uma daquelas singelas palavras lhe custasse a vida. Mesmo assim o nobre elfo continuou. – Mas são poucos aqui presentes, os que lembram que Celebrían estava acompanhada quando foi atacada." Elrond fez uma breve pausa antes de continuar.
"Com ela, estava uma elfa que a tinha como sua grande amiga: Lady Elwe, a qual poucos devem se recordar. Lady Elwe deixou este mundo. Sacrificou-se para que sua filha, também presente naquela fatalidade, pudesse escapar e pedir ajuda. E esta jovem, que viu a própria mãe ser torturada e, mesmo assim, ainda encontrou forças para partir em busca de ajuda, esteve desde então reclusa em Lothlórien. Ela se afastou do mundo para tentar esquecer o acontecera quando, ainda nem tinha atingido a idade adulta."
Elrond fez uma breve pausa novamente. Tomou fôlego e encheu-se de coragem para continuar o relato de uma versão que poucos conheciam.
"Espalhou-se, então, a história de que ela havia partido para as Terras Imortais. Uma forma que encontramos de protegê-la. Confesso que sempre soube do triste destino desta jovem. Mas havia prometido a seu pai que iria guardar segredo sobre seu real paradeiro. Então, durante todos esses anos, tentei me informar do estado dela, mas infelizmente parecia que a garota não reagiria. Para minha surpresa, há alguns meses, recebi a notícia de que ela estava se recuperando. Essa jovem, meus caros, está aqui presente entre nós. E um dos motivos de estarmos aqui hoje, é para celebrar sua melhora. Portanto, gostaria que vocês a conhecessem..." Disse ele indicando a elfa que estava branca depois de ter ouvido o relato de uma parte tão amarga de sua vida.
Linwen então tomou coragem. Havia realmente chegado a hora de superar o passado. Ela seguiu então a passos curtos até onde Lorde Elrond se encontrava. O elfo, então, tomou-lhe uma das mãos segurando bem forte, como numa tentativa de conforto.
"Gostaria de lhes apresentar: Linwen." Falou em voz mais alta do que de costume dando ênfase no nome da elfa.
"E gostaria de lhe dizer criança, que você é muito importante para todos nós. Você foi fundamental quando precisávamos descobrir o paradeiro de sua mãe e minha esposa. Você é mais importante do que pensa. Você está aqui – Disse o elfo indicando o coração. – E pode ter certeza de que aqui para sempre você ficará." Finalmente seu discurso estava encerrado. Ao olhar novamente para aquela doce moça, sentiu vontade de pegá-la no colo e afastar todos os males que a atormentavam. Assim como ele fazia quando seus filhos eram pequenos e da mesma forma que ele gostaria de fazer, agora, que eles já eram bem crescidos.
O rosto da jovem estava banhado por lagrimas e quando ele menos esperava, a elfa o envolveu em um abraço como forma de agradecimento. Ficando assim por uns breves instantes para depois se recompor e voltar à mesa principal. No salão muitos tentavam conter as lágrimas, outros as deixavam correr pelo rosto em silencio.
Enquanto isso Elrond buscava forças para mais uma revelação. Uma revelação que poderia causar muito espanto, a princípio.
"Agora irei apresentar-lhes mais uma razão para esta festa." Falou o curador recomeçando seu discurso.
"Há alguns dias, quando o jovem príncipe Legolas chegou a minha casa, recebi uma notícia que me surpreendeu muito. A notícia que Legolas me trazia era de que os uma comitiva de elfos de Mirkwood estavam a caminho de Imladris. Agora vocês devem estar perguntando o porquê de os elfos da floresta terem vindo de tão longe para cá. Acho que nem mesmo eles entenderam o motivo. Apenas seguiram seu rei como demonstração de amor e lealdade. Mas eu lhes digo que todos aqui irão entender o que aconteceu. E o que antes parecia inexplicável e confuso será esclarecido." Disse Elrond fazendo um sinal para que Thranduil e o casal que havia entrado com ele se aproximassem.
O casal, a princípio, relutou seguir seu rei e revelar aos três reinos élficos seu grande segredo. Porém eles não podiam continuar com essa farsa, muito menos poderiam falhar para com seu rei que havia lhes apoiado. Ele poderia tê-los banido de seu reino, obrigando-os, assim, a irem embora da Terra-Média. Mas não o fez. De certa forma, a atitude mais sensata a se tomar seria partir em direção a Aman. No entanto, eles simplesmente não queriam abandonar aquele lugar que estava guardado em seus corações, muito menos o seu povo.
Após pensarem novamente sobre isso, os dois seguiram Thranduil e no caminho Eleniel viu de relance o príncipe de seu reino. Legolas estava sorrindo numa tentativa de dar um pouco de conforto à elfa. Fazendo-a amar ainda mais aquele jovem que sem querer descobriu seu segredo. O bom príncipe ajudou o casal a continuar com sua farsa, até eles perceberem que havia chegado a hora de contar a verdade ao rei.
Ao chegarem ao centro do salão, Elrond retomou seu discurso.
"Esses são Maldor e Eleniel. Creio que todos de Mirkwood devem conhecê-los. E lhes digo que eles são a chave para que a porta que esconde a verdade seja aberta." Concluiu o elfo de Imladris deixando o resto da explicação para Thranduil.
"Há algum tempo, meu filho juntamente com este casal, chegaram até mim e disseram-me que eles tinham algo de grande importância a me dizer." A voz forte e imponente do rei ecoou pelo salão.
"Quando soube do que se tratava, passou pela minha cabeça fazer várias coisas: puni-los, exilá-los, entre outras. Mas depois que eu os conheci não tive mais coragem de fazer o que pretendia. Pobres criaturas. Não tinham culpa de nada. Então achei que o assunto não era só de meu interesse, mas sim de todos os elfos que vivem na Terra-Média. É por isso que eu e meus elfos estamos aqui. Viemos para decidir o que deve feito." Continuou seu relato.
"Bem acho que eu estou confundindo vocês ainda mais. – Riu o nobre elfo. - Então acho melhor que vejam com seus próprios olhos o que me refiro."
Terminado seu discurso, Thranduil fez um breve sinal para Legolas que se colocou prontamente de pé e se dirigiu à porta de entrada. Esta já estava aberta para que o príncipe de Mirkwood passasse. Assim que ele saiu, as portas se fecharam novamente. Um silêncio mortal recaiu sobre o salão. Era possível ouvir até o vento batendo contra as árvores e suas folhas balançando numa doce melodia.
Segundos depois, as portas abriram novamente. A luz da lua entrou pelo salão ofuscando a imagem de três figuras que se postavam diante da porta. Naquele momento não havia uma cabeça que não estivesse virada naquela direção.
E, de repente, muitos chegaram a duvidar o que seus olhos viam.
"Ed' i'ear ar' elenea!" (Pelo o mar e as estrelas!) Uma voz irrompeu no meio do salão.
Desculpem a maldade, mas eu precisava terminar aqui.
Ainda há mais coisas para acontecer nessa festa e se eu continuasse, o capítulo ficaria muito denso e cansativo.
Mas não se preocupem, no próximo capítulo eu ponho fim à curiosidade de vocês.
Até breve!
Anne Krol
