Notas da Autora:

Finalmente depois de não sei quantos mil anos um capítulo novo na minha fic. Para falar a verdade nem sei por que demorei tanto. Mas enfim...

Apenas para relembrar...

(…) - Pequena passagem de tempo

(***) - Mudança de espaço e/ou tempo

Este capitulo saiu bem diferente do que eu planejei originalmente. O que eu achava que iria acontecer nele acabou ficando para o próximo capítulo. Ele ficou mais como um capítulo de transição, sem muita ação ou fatos relevantes. Mais uma descrição da situação depois do encontro com o elfo misterioso.

Acho que acabei fazendo a sinopse desse capítulo já. Então vamos logo para o tão demorado capítulo 7.

Obs: Para quem não sabe eu reescrevi a minha fic. Então se você está lendo o capítulo 7 sem ter lido os outros seis capítulo recentemente, eu aconselho a voltar para o capítulo 1 e ler tudo de novo. Eu mudei muita coisinha, acrescentei umas coisas e também pelo tempo que eu não atualizo, acho que quem lia minha história antes nem deve mais lembrar sobre o que se trata. Fica a dica. :)


7 - Depois da Tempestade

Aquela noite não estava sendo a melhor que Legolas já tivera em sua vida. Mal retornaram à palácio, quando se depararam com a mãe dos elfinhos no saguão de entrada. Parecia que ela havia adivinhado o que estava acontecendo.

Ao ver Ainion completamente ensopado da cabeça aos pés, a elfa saiu correndo em direção aos pequeninos.

"O que aconteceu?" Quis saber ela enquanto se ajoelhava, abraçando os filhos.

"Creio que a culpa tenha sido minha." Disse o gêmeo mais novo.

"Não, Elrohir. A culpa foi de longe sua. Na verdade a culpa foi minha que tive essa idéia estúpida de um passeio." Disse Legolas assumindo toda a responsabilidade.

"Mas era eu quem deveria estar de olho nele. Além do mais, você estava com a Melenthiel. Tudo poderia ter sido evitado se eu estivesse mais atento." Replicou o gêmeo jogando a culpa em seus próprios ombros novamente.

"Pare, por favor, de tentar dividir este fardo comigo, mellon-nin. A culpa foi e minha e somente minha." Disse o príncipe firme de sua posição.

"Vocês querem parar com esse jogo da culpa!" Irrompeu Estel se cansando de ver seu irmão e o amigo discutindo para ver quem tinha mais culpa em tudo o que tinha acontecido.

"Estel está com a razão dessa vez. Todos nós tivemos nossa parcela de culpa." Tentou acalmar os ânimos o gêmeo mais velho. "Creio que o maior culpado tenha sido esse destino incerto, que nos joga nas mais diversas situações sem nenhuma explicação."

"De qualquer forma, eu só queria saber o que aconteceu." Pediu a elfa sem entender o que havia ocorrido, Os jovens a sua frente davam voltas e mais voltas no assunto, mas não chegavam a lugar algum.

Todos ficaram em silêncio. Faltava-lhes coragem de dizer à mãe das crianças que haviam falhado com seu dever de proteger os pequeninos. E principalmente sentiam vergonha de assumir que quatro elfos e um humano não conseguiram cuidar de dois elfinhos.

Quem tomou a iniciativa foi o próprio Ainion. O menino parecia não entender muito o motivo de tanta preocupação.

"Sabe o que é, nana, é que a gente tava brincando perto do rio e daí eu acabei caindo na água. Aí um moço bonzinho me salvou."

"Moço bonzinho?" Indagou a elfa.

"É, nana, não sei quem ele é." Admitiu o menino. "É que esse moço usa uma capa preta, mas ele é bonzinho, nana, eu vi nos olhos dele. São verdes que nem as folhas de uma árvore." Disse o pequeno ainda nos braços da mãe.

"Então quem é essa pessoa que salvou meu filho?" Questionou Eleniel. Agora ficando de pé e segurando cada filho pelas mãos. Ela queria muito agradecer à pessoa que salvara seu filho.

"Nós infelizmente ainda não sabemos." Uma voz surgiu do nada surpreendendo a todos. Era Elrond que já vestia um de seus robes de dormir.

"Ada..." Começou a falar Elrohir. Porém o pai o interrompeu.

"Não precisa se explicar, ion-nin, creio que amanhã você, seus irmãos e Legolas terão muito tempo pra falar desse assunto durante o conselho. Agora será inútil, pois estamos todos cansados."

"Mas..." Tentou voltar ao assunto o arqueiro de Mirkwood. Contudo, foi em vão. O curador estava firme de sua posição.

"Amanhã." Disse simplesmente o senhor de Rivendell, pondo de vez um fim naquela conversa desnecessária para aquele momento.

"Você pode adiar essa conversa para os seus filhos, Elrond. Mas isso não se aplica ao meu."

O rei da Floresta Escura apareceu naquele momento, se unindo ao grupo. A expressão em seu rosto não era das mais amigáveis, mas como sempre Thranduil mantinha aquele ar de imponência.

"Vamos, Legolas. Preciso conversar com você."

"Senhor, não quero lhe faltar com o respeito, mas acho que meu pai tem razão. Deixe seu filho descansar pelo menos por hoje. Amanhã o senhor conversa tudo o que desejar com ele." Pediu Elladan ao pai do amigo. Ele sabia que o pobre Legolas não estava em condições de travar um diálogo com seu pai naquele momento.

"Eu te respeito muito jovem Elladan, contudo, eu não posso adiar o que deve ser dito agora. Mas garanto que não irei me estender muito, pois eu mesmo não estou no auge de minhas forças." Disse o rei.

Contudo, antes que pai e filho saíssem do grande saguão, o príncipe se encaminhou na direção de Eleniel. Isso fez com que seu pai parasse por um instante e esperasse que o filho fizesse o que deveria fazer.

"Eleniel..." Começou a falar o arqueiro sem encontrar as palavras certas para aquele momento. "Me perdoe por não ter protegido os seus filhos devidamente. Sei que sua confiança em mim está abalada, isso se não estiver perdida, mas prometo que farei de tudo para merecê-la novamente. E, se algum dia você e Maldor confiarem novamente em mim, eu não deixarei que nada de mau aconteça a eles. Mesmo que isso custe a minha vida."

Legolas se sentia muito mal por tudo que havia acontecido e, principalmente, por ter traído a confiança de duas pessoas que eram de grande estima para ele. Desculpar-se não iria mudar o passado, mas com certeza traziam nele um sentimento de agir diferente no futuro. Nunca mais permitiria que a vida dos dois elfinhos indefesos fosse posta em risco novamente.

"Meu senhor, eu não sei exatamente o que aconteceu durante esse passeio, mas tenho certeza que o senhor fez tudo que podia para trazer meus filhos sãos e salvos para casa. E, portanto, nem o senhor e nem seus amigos traíram a minha confiança." Disse a mãe dos pequenos gêmeos, segurando a mão do arqueiro e olhando-o nos olhos. "Eu confiaria a você meus filhos de olhos fechados, meu senhor, pois sei do amor que sente por eles e acredito que eles estão mais seguros quando o senhor está por perto."

"Obrigado. Isso significa muito para mim." Agradeceu o elfo. As palavras de Eleniel eram reconfortantes, mas ainda assim as imagens da noite estavam presas em sua mente como um turbilhão que girava sem parar.

Percebendo a agonia presente no olhar de seu amado príncipe, a elfa de Mirkwood segurou-o pela mão antes que ele saísse para conversar com o rei.

"Legolas." Só o fato de Eleniel chamá-lo pelo primeiro nome chamou a atenção do elfo loiro. Ela sempre o tratava como: meu senhor, senhor ou meu príncipe, em sinal de respeito pela posição nobre do rapaz. É claro que ele sempre o quis de outra forma, mas os pais dos elfinhos nunca deixaram as formalidades de lado. Até aquele exato momento... "Imprevistos acontecem e às vezes não há como evitá-los, porque eles deveriam mesmo acontecer. Mas o que mais importa é o que fazemos depois que somos jogados em uma situação inusitada. É esse agir posterior que vai definir quem nós somos e que talvez tenha força de mudar a vontade do destino." A elfa simplesmente sorriu para seu príncipe e abaixou-se para pegar os filhos no colo antes de sair.

Tocado por aquelas palavras Legolas já não se sentia mais tão culpado pelos acontecimentos., Entretanto, sabia que não deveria se sentir tão aliviado, pois havia mais uma batalha a ser travada.

Então o arqueiro loiro se despediu com uma breve reverência aos presentes e seguiu ao lado de seu pai, sumindo em um dos corredores da casa de Elrond.

(…)

Os dois elfos de Mirkwood andavam por um longo corredor iluminado por velas e pela luz da lua que ainda brilhava forte do lado de fora da casa. Ambos absortos no mais profundo silêncio.

Legolas sabia muito bem o que o aguardava. O pai sempre fora muito rígido com ele. Enquanto os pais de seus amigos de infância se orgulhavam tanto de seus filhos, o de Legolas nunca parecia satisfeito com nada que ele fizesse. Ele tinha sempre que ser o melhor. E mesmo quando ele conseguia se destacar dos demais, seu pai sempre arrumava um jeito de colocar um defeito em tudo que ele fizesse.

Mesmo assim, o príncipe nunca se deixou abater pelos comentários duro pai. Pelo contrário, ele sempre procurava seguir o que o ele lhe dizia, pois sabia que Thranduil o amava, no fundo, tudo o que ele fazia era para o bem de Legolas.

Finalmente eles chegaram ao quarto em que Thranduil estava hospedado na casa do curador. O rei de Mirkwood abriu a porta e esperou que o filho entrasse no aposento. Legolas, por sua vez, entrou sem fazer objeções. O pai entrou e fechou a porta atrás de si. Ambos permaneceram de pé.

"Eu quero um relatório completo do que aconteceu, capitão."

Legolas odiava quando o pai utilizava-se de formalidades para se dirigir a ele em momentos em que esse uso era completamente desnecessário.

"Tudo estava dentro da normalidade até chegarmos ao rio. Nós estávamos conversando, quando de repente Ainion caiu na água e..."

"Qual foi o motivo de o menino ter caído na água?" O príncipe foi interrompido pelo pai.

"Não sei, ada. Nenhum de nós pôde ver, por que ele caiu. Simplesmente nos demos conta quando o garoto já estava dentro d'água." Legolas continuou seu relato dos acontecimentos sem muito entusiasmo. Ele sentia o cansaço começar a se insinuar em suas feições.

"Primeiro, agora neste momento eu não sou o seu pai, sou o seu rei. Segundo, nunca demonstre cansaço perante qualquer pessoa, principalmente o seu rei. Terceiro, que tipo de elfo você é que não consegue cuidar de duas crianças?"

"Desculpe-me, meu senhor. Sinto-me envergonhado por ter demonstrado ser incapaz de realizar uma tarefa tão simples." Era incrível como que, apesar do que Eleniel tinha dito para Legolas, seu pai conseguia o fazer se sentir culpado novamente.

"Eu não quero suas desculpas, capitão. Eu quero entender o que aconteceu."

"Sim, senhor." Disse Legolas com a voz firme, tentando buscar dentro de si o resto de suas forças para aguentar aquela conversa até o final. "Então, quando Ainion caiu no rio, Elrohir quis pular atrás para salvá-lo, mas Elladan o convenceu de que não era o mais sensato a ser feito. Portanto..."

"Por que você não é como Elladan? Quem dera Iluvatar tivesse me dado a graça de ter um filho como ele."

"Por que seu pai sempre fazia isso?" Legolas lamentou. "Será que ele era tão inútil assim que nem o próprio pai o aceitava da maneira que ele era?"

"Como eu ia dizendo, depois que Elladan convenceu Elrohir, nós começamos a procurar alguma coisa pra puxar o menino de volta. Nesse momento, o tal elfo desconhecido se jogou na água e salvou o Ainion." Disse o capitão ficando em silêncio por algum tempo.

"Hum... Acabou o seu relatório?" Perguntou Thranduil ao filho.

"Não terminei ainda, senhor." Disse o elfo, buscando forças para continuar firme em sua missão. "Bem, quando eles saíram do rio, Ainion estava desacordado. Então o elfo impôs as mãos sobre o peito dele. E uma luz surgiu delas. Em seguida, Ainion acordou." – O pai de Legolas franziu as sobrancelhas, mas não disse nada. Então ele continuou seu relato. "Depois disso, nós tentamos nos aproximar e o elfo ameaçou levar Ainion com ele, se nós chegássemos mais perto. Então, fizemos um acordo: o deixaríamos ir embora, se ele não levasse o menino com ele. E foi o que aconteceu."

"Escute, ion-nin." Esse tratamento que aproximava tanto os dois elfos soou como a mais bela das canções para o príncipe de Mirkwood. "Eu tive um mau pressentimento sobre esse tal elfo." Desabafou Thranduil olhando fixamente nos olhos azuis do filho. Aqueles olhos que lembravam tanto a sua amada esposa. "E agora que você me disse que ele tem poderes. Fico ainda mais preocupado."

"Ada, ainda restam muitas dúvidas sobre ele. Às vezes, ele age como se fosse mau, porém eu acho que no fundo ele só é incompreendido."

"Mesmo assim eu tive uma visão que não me agradou nem um pouco."

Legolas temeu ao ouvir as palavras do pai. Infelizmente ou felizmente, em alguns casos, as visões do pai quase sempre se concretizavam. Estava claro para ele, porém, que o pai não revelaria o que tinha visto, mesmo assim ousou perguntar:

"O que você viu, ada?"

"Nada que possa esclarecer as minhas dúvidas acerca desse elfo. Porém, uma certeza eu tenho: você deve ter mais cuidado com esse ser desconhecido do que qualquer outro."

"Mas eu não entendo ada..."

"Nem eu íon-nin. Apenas me prometa que você irá tomar muito cuidado com esse elfo." Pediu o rei. O que não era muito comum, visto que, sempre que desejava algo do filho, Thranduil dava ordens diretas ao príncipe.

"Apenas faça o que eu digo, Legolas. Não se envolva com esse elfo por hora. Até que eu consiga descobrir o verdadeiro significado de minhas visões."

"Ada, não há mais como não me envolver. Eu já estou bastante envolvido nessa história e pretendo descobrir quem el que pretende aqui."

"Legolas, Uuma ma' ten' rashwe, ta tuluva a' lle." ("Legolas, não procure por problemas, senão eles virão a você.") Alertou o rei de Mirkwood.

"Você pode ajudar a descobrir quem é essa criatura sombria. Afinal, você é uma peça importante para nos ajudar a desvendar esse mistério. Contudo, só te peço que não faça contato direto com esse indivíduo novamente, entendido capitão?" Disse Thranduil voltando a usar sua máscara de rei.

Legolas por sua vez assentiu e lamentou que o momento de intimidade com o pai tivesse acabado. Então o pai o surpreendeu, dando-lhe um breve abraço. Após essa pequena demonstração de afeto o arqueiro loiro compreendeu que aquela conversa tinha chegado ao seu fim. Ele simplesmente fez uma breve reverência, mas antes que saísse do quarto, o pai disse:

- Legolas, não diga uma palavra aos filhos de Elrond sobre o que conversamos aqui.

- Sim, senhor. – Confirmou o capitão antes de fechar a porta do quarto.

(...)

Enquanto caminhava sem rumo pelos corredores da casa de Lorde Elrond, Legolas sentia que sua cabeça iria explodir com tantas coisas que ocorreram em um único dia. Em seu coração ele apenas tinha uma única certeza: a de que não conseguiria descansar naquela noite. Ele precisava refletir um pouco sozinho e tentar tirar suas próprias conclusões dos fatos.

Por isso, em vez de seguir para seu quarto, Legolas foi para um dos jardins de Imladris. Como um bom elfo silvestre, ficar entre as árvores o fazia se sentir melhor. Era como se elas transmitissem a ele parte de sua energia vital e isso seria de grande valia ao príncipe naquele momento.

Assim ele se deixou ficar no topo de uma grande árvore observando a noite ir se transformando lentamente em um novo dia.

(...)

Naquela bela manhã em que Imladris parecia absorta em uma preocupação não declarada alguém caminhava pelos jardins.

Linwen estava encantada com tudo que via naquela bela cidade. A elfa estava muito contente de estar ali. Ela se sentia livre como nunca se sentira em toda a sua existência.

Foi quando, enquanto caminhava, Linwen viu uma sombra que lhe chamou a atenção no topo de uma árvore. A princípio, a elfa não reconheceu o que, ou melhor, quem estava ali. Quando ela finalmente conseguiu ver de quem se tratava, seu coração disparou no mesmo instante.

Era o belo rapaz que ela havia conhecido na noite anterior. Legolas. Ela gravara bem o nome dele.

Ele estava ali sobre a árvore quieto e sereno; parecia adormecido. Linwen simplesmente não sabia o que fazer. Será que devo acordá-lo? - Questionou-se ela. Linwen sabia que os gêmeos o estavam procurando, mas ela sentia um enorme desejo de apenas ficar ali o admirando.

Sem conseguir se decidir, a elfa de Lothlórien ficou por alguns instantes fitando o outro elfo, quando subitamente ele pareceu despertar.

Surpresa com a súbita movimentação, Linwen acabou tropeçando em uma raiz de uma árvore. Ela teria ido direto para o chão se não fosse Legolas, que rapidamente desceu da árvore e conseguiu segurá-la antes que tombasse.

Naquele momento, com o toque da pele do elfo de Mirkwood, Linwen sentiu seu coração bater mais rápido. Era como se o sangue de seu corpo inteiro tivesse subido para sua cabeça deixando-a incrivelmente corada e tonta.

Ao perceber o enorme desconforto da elfa, Legolas soltou-a de seus braços.

"Desculpe-me por assustá-la. Não era a minha intenção."

"Ahh... Não a culpa foi toda minha, meu senhor." Disse ela sem jeito.

Linwen estava se odiando naquele momento. O que será que Legolas pensaria dela depois disso? Uma louca, no mínimo.

"Pode me chamar de Legolas." Falou o elfo loiro admirando os traços suaves do rosto de Linwen. Ela era verdadeiramente adorável, uma moça de caráter e beleza singulares. Olhar para tal frágil criatura e pensar por tudo que ela tinha passado trazia um enorme pesar ao coração do arqueiro. De qualquer forma, era muito bom ver a felicidade naqueles olhos azuis.

"Tudo bem então, Legolas." Disse ela repetindo o nome do arqueiro com um enorme prazer. Era a primeira vez que ela falava seu nome em voz alta.

"Acho que eu acabei adormecendo." Disse o arqueiro numa tentativa de manter a conversa. Linwen parecia ser tímida e, portanto, Legolas não esperava que ela se esforçasse para manter aquela conversa.

"É o que parece..." Falou a elfa com um leve sorriso desconcertado. "Eu não sabia se devia acordá-lo ou não, pois hoje mais cedo encontrei com Elladan e Elrohir e eles estavam procurando por você. Parecia urgente." Ela precisava explicar para o príncipe de Mirkwood, o motivo que a levou a observá-lo mais cedo. Só de pensar que ele poderia estar pensando mal dela fazia seu estômago revirar.

As palavras de Linwen foram como um banho de água fria que despertaram Legolas para a realidade. "Por Iluvatar! O conselho." Disse ele com o coração acelerado por tal lembrança.

"Creio que estou atrasado para um compromisso. Tenho que ir. Foi um prazer te rever, Linwen." Despediu-se o elfo um tanto inseguro se poderia tomar a mesma liberdade de chamá-la diretamente pelo nome. "Posso te chamar assim?" Quis saber ele.

"Claro! Eu não ia querer de outra forma." Assentiu ela.

"Bem, então, obrigado pelo recado e desculpe pelo susto." Disse o príncipe fazendo uma breve reverencia antes de sair.

"Não foi nada. E obrigada por me segurar, Legolas." Respondeu em alta voz a elfa dando ênfase no nome do príncipe, enquanto este corria para a casa de lorde Elrond. Mas, antes que ele sumisse, ela pode ver um lindo sorriso nos lábios dele. Aquela imagem não deixaria sua mente tão cedo.

(***)

A hora do conselho se aproximava. Quase todos os participantes dele já estavam no local de reunião. Apenas os gêmeos e Estel se encontravam ao lado da entrada do alpendre esperando por Legolas.

"Eu não acredito que o Legolas vai faltar o conselho. Ele já devia estar aqui. O conselho vai começar dentro de alguns minutos. Tem certeza que vocês procuraram por ele direito?"

"Sim, Estel. Nós olhamos em cada canto do palácio. E, além disso, procuramos pela cidade e perguntamos sobre ele para todos que encontramos." Disse Elladan olhando em volta na esperança de o príncipe aparecer. "O pior é que, se ele não vier, todos irão perceber. Justo nesse conselho que a presença dele é imprescindível." Queixou-se o gêmeo mais velho.

"É parece que o nosso loirinho vai estar bastante encrencado quando ele der as caras." Constatou Elrohir com certo pesar em sua voz. O gêmeo sabia que, caso o elfo de Mirkwood não aparecesse, ele estaria em maus lençóis, principalmente diante do rei Thranduil. Com certeza ele receberia uma punição exemplar daquelas que nunca mais se esquece. E isso atormentava os pensamentos até mesmo do mais despreocupado dos elfos, como Elrohir.

Foi quando uma figura apressada surgiu do palácio, passando pelas varandas do lado de fora até a pequena elevação circular onde ocorreria o conselho.

"Finalmente! Parece que a noitada foi boa." Caçoou Elrohir com um enorme alívio de ver o filho de Thranduil ali.

"Desculpem. Fiquei sem dormir quase a noite inteira e acabei adormecendo sem perceber pela manhã. Por isso me atrasei." Confessou o arqueiro dando um sorriso encabulado ainda tentando recuperar seu fôlego. Depois que saíra do jardim, ele correu para seus aposentos, tomou banho o mais rápido que pôde e se vestiu com a primeira roupa que encontrou. Mal tivera tempo de trançar os cabelos com o devido cuidado.

"Eu estou muito descomposto?" Quis saber o capitão de Mirkwood, enquanto tentava parecer mais arrumado. Embora estivesse impecável na concepção de qualquer outro elfo.

"Vocês elfos de Mirkwood são muito perfeccionistas. Por Ilúvatar. Me esgota a paciência." Disse Estel deixando Legolas sem entender.

"O que Estel quer dizer, Las, é que você está devidamente composto." Comentou Elladan para tranquilizar o amigo.

"Mas em que lugar o pomposo príncipe esteve nesta noite?" Quis saber Elrohir desviando o assunto para o que realmente interessava sem perder seu senso de humor.

"Acho que como um príncipe pomposo que sou não lhe devo explicações, Elrohir." Respondeu o outro à altura. Arrancando risos dos demais.

"Nós te procuramos por toda a parte, melllon-nin. Já estávamos ficando preocupados."

"Desculpe por preocupá-los, Estel. Eu sabia que não conseguiria dormir tão cedo depois da conversa com meu pai, então achei melhor ir para um dos jardins para pensar um pouco e ficar perto das árvores. Subi em uma e acabei dormindo por lá. Hoje pela manhã acordei e me deparei com a Linwen. Foi ela quem me avisou que vocês estavam a me procurar. Mas, como já estava em cima da hora, não pude avisar que eu já estava a caminho." Relatou o arqueiro.

"A Linwen? Hum... Interessante. Você é bem rapidinho, hein? Já está jogando o seu charme pomposo para cima da pobre elfa." Provocou o gêmeo mais novo que não havia gostado nada do fato de o amigo ter o desarmado com seu comentário.

"De tudo que eu falei foi só o nome da Linwen que você ouviu? Acho que isso é ciúme, meu caro." Retrucou Legolas.

"Deixem de falar besteiras. Respeitem a Linwen que nem está aqui para se defender. E vamos entrar logo para o conselho começar." Ralhou o primogênito de Elrond abruptamente, pondo um fim naquele assunto.

Ao chegarem ao alpendre, havia um semicírculo de cadeiras com algumas já ocupadas. Muitos elfos ainda estavam de pé e conversavam despreocupadamente, quando uma voz soou mais alto do que o burburinho de vozes.

"Já que estamos todos aqui, acho que podemos começar o conselho." As palavras de Lorde Elrond trouxeram ordem ao local e cada um dos presentes tomou seu devido lugar para que a reunião enfim começasse.


Como eu estou feliz de finalmente ter postado este capítulo. Ele não foi o melhor que eu já escrevi, mas foi necessário.

Espero que o próximo seja mais empolgante do que esse.

Por favor, não se esqueçam das reviews.

Até Breve!

Anne Krol