Capítulo 4: The Mistery Box

As risadas não demoraram muito até que Remus voltasse a sua usual feição cansada, desta vez com um toque de lembrança perpassando pelos vincos precoces alojados no canto dos olhos.

- Sabe Sirius, acabei de recordar-me de algo muito importante.

- Então desembuche logo, Moony – fez Sirius, indicando com as mãos para que continuasse –quero ouvir mais causos engraçados!

- É exatamente sobre isso o que eu tenho a dizer – Lupin levantou um dedo em riste – acho que não tem sentido eu te contar histórias ao aleatório. Não saberia como fazê-lo.

- Hey! Como diabos eu vou ficar sabendo do meu histórico com a McKinnon? Adivinhando? – Sirius fez um escândalo, levantando as mãos para o alto e pondo-se de pé, iniciando uma seqüência de voltas pela mesa.

- Sirius! Acalme-se e escute, por Merlin!

O moreno voltou a sentar-se, assumindo uma feição de indiferença no rosto.

- Estou ouvindo – e revirou os olhos.

- Marlene me deixou essa caixa... – o maroto começou, colocando uma das mãos por trás da cabeça – Endereçada a você...

- A mim? Pombas, Remus! Porque eu nunca tomei conhecimento disso?

- Estava entrelaçado no voto perpétuo! Não tive culpa! – Remus defendeu-se.

- E o que está esperando para me entregar a maldita caixa? Minha permissão? – Sirius arqueou as sobrancelhas.

- Certo, certo... Amanhã mesmo eu...

- AMANHÃ? –Sirius protestou – Você tá de sacanagem com a minha cara...

- Pads, não é seguro eu ir até a casa dos meus pais só para pegar um pacote e logo em seguida voltar para cá. Pode atrair atenção.

- Por Merlin, Remus! Não são nem 10h ainda! – Sirius gritou – Você acha mesmo que vai ter tanto problema assim? – esfregou os olhos em exaustão – Pegue o metrô e dirija-se para locais inabitados, aplique transfiguração no seu rosto... Eu não sei, faça alguma coisa.

- Ok, eu vou, mas não sei quanto tempo vou gastar no percurso – Remus aceitou, resignado, já em direção a porta – Espere-me para a janta, no mais tardar dos acontecimentos – e saiu, andando em direção a rua.

[...]

- Sinto muito pela sua perda – disse alguém que ele não tinha tanto conhecimento de quem seria.

- Meus pêsames – comentou outra.

- Era uma mulher de fibra, sem dúvida – falou mais algum.

Em sua frente, havia pessoas abraçadas umas as outras, todas de preto, com algumas varinhas para cima, representando uma chama.

Alguém jazia morto.

O caixão de mogno vermelho estava a sua frente, lacrado. Quem quer que estivesse lá, provavelmente encontrava-se em estado lastimável. Ele tentou imaginar e não gostou do que viu: algum rosto retalhado, uma expressão de horror ou a ausência de membros...

Desviou os olhos para grama molhada, enojado. Tulipas de todas as cores ornavam o redor da lápide de mármore branco.

- Disseram que não acharam o corpo – ouviu McGonagall comentar baixinho – é verdade mesmo Alastor?

- Não encontramos nada, além da varinha resvalada no chão – Moody respondeu e ele sentiu seu olho azul elétrico cravado em sua nuca, um frio na espinha se passou.

- Então pode ser que ela esteja fugindo! – Minerva declarou, um pouco mais enérgica.

- Impossível – sentenciou – ela foi levada... Desculpe Minerva, mas não posso falar mais do que isso. São informações que devem ficar em sigilo permanente.

Levantou o rosto. Então não havia um corpo, esse era o motivo do caixão continuar lacrado.

- Sirius, eu sinto muito mesmo – James, seu melhor amigo, lhe dizia, segurando seu ombro com uma das mãos – eu sei o quanto você...

- James, deixo-o sozinho por enquanto, sim? – Lily respondeu, puxando-lhe pelo braço – Preciso lhe contar uma coisa... – comentou em tom mais silencioso, segurando Harry no colo.

Sirius os acompanhou com os olhos. Lily estava muito perturbada, os belos olhos verdes inchados de tanto chorar. Parecia difícil o que ela contava a James, que a escutava com atenção, concordando com a cabeça para o que quer que a esposa dissesse.

Sentiu olhar do amigo lhe fitar de longe, com espanto, para logo em seguida virar-se novamente para Lily, levando-a mais para um local mais calmo, tirando-lhe Harry dos seus braços e enlaçando-a num abraço com a mão livre.

Remus chegou ao seu lado, segurando-lhe o ombro, da mesma forma que James havia feito.

- Não gosto de funerais – o amigo comentou, simplesmente.

- Porque diabos as pessoas estão me olhando com tanta dó? – Sirius perguntou, finalmente soltando a pergunta que o assombrava há tempos.

- Eu não sei, Sirius – Remus respondeu, um tanto quanto incomodado – eu não sei.

[...]

A sopa de miúdos estava ficando fria. As inúmeras voltas feitas pela colher funda colocavam a imaginação de Sirius no espaço.

- Hey! – colocavam-lhe a mão sacudida a sua frente – Sirius? Você está bem?

O maroto olhou Remus nos olhos, despertando do inconsciente.

- Eu estava no enterro dela – comentou, ainda com os olhos desfocados. O amigo parecia ter prendido a respiração – e eu nem mesmo me despedi como deveria.

- Desculpe Sirius.

- Esta tudo bem – ele balançou os cabelos – algo me diz que teremos muitas perguntas respondidas em pouco tempo. E a caixa? Você trouxe?

- Sim, está meio empoeirada, mas é a vida... – Remus disse, apoiando um pacote envolto de folhas de jornais, preso por um fio de barbante. Ele arrastou-o pela superfície da mesa na direção do outro maroto – Toda sua.

Sirius rasgou as páginas que a cobriam com rapidez, as fotos que se mexiam reclamavam ao ponto de dizerem palavrões, para logo depois tornarem-se retângulos negros. O resultado final foi de diversas folhas no chão e uma caixa de mogno vermelho com pequenos losangos trabalhados em suas laterais.

Algo lhe dizia que esse tipo de madeira significava algo para Marlene McKinnon. Era a segunda vez que a via em um único dia.

- Não vai abrir? – Remus perguntou, no que Sirius apenas continuou passando os dedos sobre a superfície lisa da caixa – Eu estou curioso! Não é como se eu tivesse aberto por todo esse tempo...

- Fazia parte do voto? Digo, você não podê-la abri-la?

- Não. Eu só não achei correto – Lupin se explicou – Eu tive que apagar o esconderijo dela para que eu não pudesse ter a curiosidade de verificá-la, caso eu passasse por lar, despercebido.

- Hahahahaha, muito engraçado, Moony! – Sirius gargalhou – Onde você a guardou? Só por curiosidade?

- Prefiro deixar essa informação sobre sigilo – ele corou e revirou os olhos – abra logo.

- Desculpe, mamãe – Sirius sorriu, mas finalmente abriu a fechadura que cedeu ao mínimo toque.

O conteúdo não podia ser mais esclarecedor. Havia frasquinhos de vidro, com desenhos entalhados a mão que escondiam uma espécie de cerne. Pareciam memórias contidas, de quem? Provavelmente dela, pelo menos era o que suspeitava. Por quê? Essa era uma excelente pergunta...

Escondida entre os recipientes havia uma carta. Ou era o que parecia: um pedaço de pergaminho velho, preso por uma fita grossa verde que dava três voltas no papel. Algumas palavras desconexas estavam escritas a fogo de brasa, a caligrafia caprichada levemente curvada para direita. O maroto não parou para ler. Abriu o envelope com rapidez, revelando um pequenino pergaminho intitulado:

INSTRUÇÕES:

Era isso? Nem mesmo um olá, ou um pedido de desculpas por todos os anos que ele havia passado desmemoriado?
Ele deveria sentir fúria, no mínimo raiva e indignação, mas ao invés disso, postou-se a ler o restante das palavras. Algo lhe dizia que essa praticidade seca apenas refletia sua personalidade pragmática.

Note que cada frasco encontra-se com um número, eles estão dispostos de forma crescente.

Retire o primeiro e despeje o seu conteúdo na penseira mais próxima. Não pule a ordem estabelecida.

Assista as memórias e note que com o tempo perguntas serão sanadas.

Começar do primeiro? Não pular? Ele estava mais interessado no fim, no porque de tudo isso.

Assim, Sirius pegou o último vidrinho da caixa, mas não conseguiu nem ao menos ler sua numeração, pois ele voltou com uma incrível velocidade para o local de origem, escapando de seus dedos como se estivesse empapado de uma substância deslizante.

Como "mágica", a carta desdobrou-se ao fim, crescendo alguns centímetros, onde se lia uma observação.

PS: Escute aqui, seu cachorro sarnento.

Sirius arqueou as sobrancelhas com o susto que tomou.

Se você pensou que poderia burlar minhas regras, está redondamente enganado! Eu te conheço o suficiente para saber do que você é capaz... Corrompendo este antigo artefato!

Sirius riu.

- Ei Remus, ela usou o mesmo truque que você fez no Mapa do Maroto – ele apontou para o novo pedaço de pergaminho – para possíveis "xeretas".

- E quem você acha que me ensinou o feitiço? – o maroto sorriu – Você pode até não lembrar, mas ela e Lily eram peritas em inventar novos feitiços e poções.

- Muito útil, devo ressaltar – Sirius comentou divertido.

- E aí? Não vai dar de cara na primeira lembrança? E o que dizia a carta?

- Nada de mais, só umas instruções – Sirius viu Remus arregalar os olhos, incrédulo – eu sei, também esperava palavras de amor, mas o máximo que consegui extrair foi um "cachorro sarnento".

- Eu pensei que ela diria desculpas, era do feitio dela, nada de orgulho – Remus sorriu – mas você queria o que? Que ela te chamasse de Sissizinho, como Berta Klaus?

Sirius revirou os olhos, odiava apelidos no diminutivo.

- Não! Melhor ainda! My Little Baby! Como Melody Hope! – Remus chorava de rir, no que Sirius abria uma carranca.

- Já tá avacalhando, Moony. Pode parar por aí.

- Desculpe, mas era hilário! – Remus secava algumas lágrimas de diversão. Logo se levantou mais composto, seguindo até um dos armários da sala do lado.

- Ei! O que vai fazer?

- Espera um minuto.

Remus voltou, depois de fazer muito barulho nas pratarias da família Black, com uma espécie de bacia levemente opaca, os anos sem uso haviam tirado o brilho nobre da peça.

- Isso é o que eu estou pensando? – Sirius perguntou, incerto.

- Isso mesmo – Remus girou o objeto em suas mãos – uma penseira, agora comece a resgatar o seu passado.


Pessoas,

Tenho uma confissão a fazer: tô muito puta com essa merreca de reviews que eu ando recebendo.

Por isso vou entrar em uma pseudo greve.

Não vou postar na minha outra fic até ter uns 10 capítulos postados nessa. Prontofalei.

Sério, eu fico mal de não ter leitores! Qual é, fãs de Lily e James! Dêem uma chancezinha pra essa fanfic!

Tem tanta coisa nela que vai abrir a boca de muita gente!

E eu já tenho mais 3 capítulos prontos!

Reviews pra mim.

Beijomeliga.