Capítulo 5: The "Obliviate" Man
- Crack!
E um suspiro alto.
Via-se uma bela porta de treliça escura, entalhada em uma pequena casa azul no centro de Godric's Hollow.
A morena suspirou outra vez, enxugando as lágrimas que teimavam em escorrer sobre seu rosto. Tentou acalmar-se, mas de nada adiantou.
Não conseguia concentrar-se em pensamentos felizes.
"Traição, Morte, Esquecimento e Sofrimento virão à tona
Somente o sacrifício é capaz de reverter
O destino das Quatro Almas".
Lembrou-se de quando essas palavras não faziam o menor sentido e como hoje eram claras como a água.
"Quatro Almas..."
Puxou um frasquinho das vestes, contendo um líquido azulado. Essência de mantícora com extrato de sabugueiro: Normalesca.
O preparado faria efeito pelas próximas horas, dando um aspecto natural nas feições de quem o bebesse.
Pronto, aquilo iria funcionar. Os estudos e experimentos em poções e feitiços com Lily valeram a pena.
Imediatamente as marcas de choro sumiram, deixando a mulher com um aspecto saudável.
Abriu a porta dando de cara com um Sirius muito despreocupado, treinando feitiços de combate em um daqueles bonecos encantados. A ginga típica do moreno fez Marlene esquecer um pouco dos problemas e rir. Sirius tinha aquele jeito próprio de duelar, como se tivesse nascido para isso.
Como se estivesse em casa.
Ao ouvir o som da risada familiar, o maroto virou para trás, afastando com um sopro alguns fios de cabelos do rosto.
- Olá, Lene – disse aproximando-se da morena, dando um de seus sorrisos tortos, com os braços cruzados. Exatamente do jeito que ela gostava.
Ele não se importou em verificar se era mesmo ela, coisa comum a se fazer nesses tempos de guerra. Conheciam-se tão bem que nada poderia enganá-los fazendo-se passar por outro.
Ela segurou-se para não chorar, mesmo sabendo que a poção cuidaria disso.
- Oi, Sirius – tentou sorrir – trouxe um pouco de comida para você.
- Humm – ele fez uma cara de fome – o cheiro está ótimo! Diretamente da cozinha da Sra. McKinnon?
Ela virou-se sem responder, fingindo procurar alguma coisa na enorme bolsa de couro de dragão, enquanto na verdade tentava lutar contra os fantasmas de um futuro próximo.
Sirius esboçou uma cara intrigada. Alguma coisa estava estranha.
Esteve com ela por quase toda a vida e ela só se comportava assim quando segurava um fardo muito pesado.
- O que houve no ministério? – o maroto perguntou seco, com um leve desgosto na voz.
- Você sabe que eu não posso falar sobre isso.
- Como? Lene, o Ministério está completamente corrompido, que mal fará você compartilhar comigo o que está te deixando tão preocupada?
- Não posso envolver mais uma pessoa nesse assunto – ela respondeu sem demonstrar emoções.
- Não me quer envolvido nisso? – ele gritou – Não me quer envolvido em nada! Essa é a grande verdade!
- Não fale assim... – ela fechou os olhos sem conseguir encará-lo.
- O que quer de mim? – ele explodiu – É muito bom me manter como um objeto para ser usado quando bem entender, não?
- Do que está falando? – a morena perguntou confusa.
- Disso – e venceu o espaço que separava os dois, beijando-a com fervor.
Marlene não pode corresponder o gesto com toda a vontade que ele o fazia. Amaldiçoou a poção por um momento.
Sirius, porém, encarou o fato como frieza por parte dela.
- Acho que nem pra isso eu sirvo mais, não? – despejou as palavras com escárnio.
- Sirius, não... – Ela respondeu, não conseguindo suportar a indiferença por trás da fala do maroto. Não agora, quando tudo estava tão próximo. Pegou outro vidrinho das vestes, dessa vez em tom avermelhado, tomando-o de uma vez. O moreno arregalou os olhos em compreensão, era a anti-poção.
Marlene não conseguiu segurar os joelhos, caindo no carpete escuro do aposento.
Chorava copiosamente, compensando os minutos anteriores. Sirius agachou-se até onde ela estava, abraçando-a apertado, enquanto esta apertava suas vestes, em busca de consolo para os soluços abertos.
- Tomando essa porcaria outra vez, Lene? – ele virou-a para si, enxugando as lágrimas de seu rosto com o polegar.
Marlene o beijou, desta vez como deveria ter sido, fazendo os dois arfarem sem fôlego ao fim.
- NUNCA! Nunca duvide da sua importância para mim, ouviu bem, Black? – disse, as palavras cortando-se entre os soluços, enquanto ela tentava em vão bater no peito do moreno, em puro desespero.
[...]
O cenário mudava, desta vez, via-se um quarto de paredes cobertas por um papel de parede vermelho vinho. O moreno encontrava-se deitado na enorme cama de dossel. As costas muito largas e pálidas faziam um movimento ritmado de subir e descer da respiração tranqüila do maroto. Ele dormia tranqüilo.
Ela, entretanto, estava encolhida no parapeito estofado da grande janela do mesmo quarto. Ela olhava para as estrelas, a mais brilhante, para ser mais específico. Marlene já estava vestida, abraçando os braços por cima do casaco de lã verde e segurando uma taça do vinho aberto há pouco. Tentava encontrar coragem para o que devia fazer, e mesmo sendo uma grifinória por toda a vida, achou mais seguro ter o álcool como aliado.
Deu mais uma olhada nas costas do homem, reprimindo um soluço.
Não sabia por quanto tempo teria que esperar para um dia estar novamente com ele, mas era um risco que iria correr, para o bem maior.
Puxou a caixinha avermelhada de dentro da grande bolsa, contendo os frasquinhos de dentro para depositar seus fios de memória. O movimento era quase mecânico, como se ela soubesse exatamente o que fazer.
A verdade era que ela sabia.
Por entre os potes, colocou a carta que tinha escrito há pouco tempo em seu interior.
Após tudo feito, iniciou os feitiços de praxe para depois selá-la com a pequena tranca.
Mexeu outra vez no conteúdo de sua bolsa, puxando o que seria um pó-compacto, mas que na verdade, era um espelho de comunicação com Lily.
O pó servia de cosmético, mas isso não era de grande importância.
- Lily – ela falou baixinho, olhando para o torso de Sirius que ainda dormia, graças a Merlin ele tinha o sono pesado – Psiu! Lily!
- Oi, Lene! – a ruiva respondia do outro lado do espelho – O que você queria de mim e do Remus, a essa hora da noite?
- E aí, Lene? - O homem apareceu por trás, dando um aceno com a mão.
- Você não acha que vai acordar o Sirius? Eu consigo ver ele deitado aí atrás... Aliás, o que diabos ele não pode saber?
- Esse aí não acorda nem que o Vold aparate ao seu lado – riu um pouco, tomando o devido cuidado de não falar o nome inteiro do bruxo das trevas, mas não falando aquele-que-não-deve-ser-nomeado, odiava aquela expressão – encontrem-me no cemitério, próximo ao túmulo do irmão mais velho dos Peverell.
- Cemitério? Merlin, você adora um suspense, não? – Lily falou – estamos de saída, e só dar o tempo de aparatar.
A morena sorriu, fechando o cosmético e seguindo para frente de Sirius.
Deu-lhe um último beijo na bochecha e acariciou-lhe a face por alguns segundos.
Apontou-lhe a varinha e pronunciou:
- Obliviate.
[...]
Sirius tirou o rosto das águas de uma vez.
As lembranças do que tinha acabado de presenciar voltando aos poucos. Não se lembrava de ter ficado tão furioso e tão feliz com uma única mulher em toda a sua vida, aquilo sim era uma briga.
- Você está bem? – Remus perguntou, encostando a não no ombro do moreno.
- Não sei bem – ele respondeu, meio atordoado, mas ao mesmo tempo ansioso – escute, pode me mostrar o que aconteceu no dia do voto perpétuo?
O licantropo pensou por um momento, analisando se esta seria mesmo uma boa idéia.
- Posso.
E aí galere!
Desculpa mesmo a demora, mas é porque inspiração não aparece tão fácil assim...
Tenho mais dois capítulos prontos, mas não sei quando postar...
E uma coisa que talvez agrade (ou não) esperem memórias mais alegres e engraçadas pela frente. Porque eu não sou uma escritora muito dramática e sim cômica.
Ok, para os leitores de I'll Be There For You! Devo atualizar nessa semanaaa! Desejem-me sorte!
Reviews pra mim:
Beijomeliga.
