Cap 5. A Detenção
O resto da manhã passou quase tranquila. Quase porque Sirius não me deixou em paz, me perguntando o que eu planejava mandar ele fazer caso eu vencesse a aposta. Na hora do almoço, eu já não agüentava mais as perguntas dele.
— Ficou com medo? Quer desistir da aposta? — perguntei irônica.
— Não tenho medo e não sou homem de desistir! — ele respondeu. — Só quero estar preparado.
— Se você tem tanta certeza de que vai ganhar, por que quer saber? Não confia em você mesmo? — perguntei rindo sarcasticamente.
— Claro que vou ganhar a aposta! Sirius Ganhador Black nunca perde uma aposta! Só queria saber, pois pode ser uma boa idéia...
— Não... Acho que só serviria para você — falei encerrando o assunto.
Lílian e Tiago tinham sentado na minha frente e estavam, para variar, discutindo.
— Sabe o que me lembrei? — disse Tiago. — Também sou monitor-chefe, e portanto você não pode me dar detenção! — ele falou com ar de triunfo.
— Certo... Eu não posso, mas os professores podem! E foi o Prof. Sylvanus quem deu. Você acha que fiquei feliz por ele ter me escolhido para ser a responsável por aplicar a detenção em você? Ter que te agüentar o dia inteiro e ainda por cima uma parte da noite? — retrucou Lílian. — Você devia era ficar feliz que ele não falou com a McGonagall!
— A Mimi não faria nada para me prejudicar! — falou Tiago.
— Se eu fosse você, não contaria com isso, Potter! Depois do que aprontou, ela tiraria seu couro! — disse Lílian rindo sonhadoramente. Acho que ela estava se divertindo em imaginar a cena.
— Nisso eu tenho que concordar... Acho que a McGonagall não deixaria essa passar assim tão fácil — falou Remo.
— Meu melhor amigo me dizendo que eu tô ferrado! — falou Tiago, fazendo drama.
— Melhor amigo? Ele é seu melhor amigo? E eu, fico onde nessa história? — falou Sirius, o dramático!
— Sirius, você é praticamente um irmão, já que mora na minha casa e tudo — falou Tiago.
— Assim está melhor! — falou Sirius.
— Que discussão mais besta! — falei. — O que importa isso agora! Estamos todos ferrados! Detenção é detenção. Fora os 50 pontos que o professor tirou da gente!
— Já te disse que você vai se divertir! — falou Sirius.
— Cala a boca, Black! — falamos Lílian e eu.
— Mais uma coisa, Potter... Você só lembra que é monitor quando te interessa, não é? Por que não foi no carro dos monitores na vinda para Hogwarts? — perguntou Lílian.
— Eu tinha mais o que fazer! Ser monitor é chato demais! — ele respondeu se debruçando na mesa para pegar um pastelão de carne e rins.
— Ser monitor é bom. É ser responsável... — começou Remo.
— Fica quieto, Aluado! Ser monitor é uma desgraça para um Maroto! — retrucou Sirius.
— Querem calar a boca e parar com essa discussão! Não vamos a lugar nenhum com isso! — falei irritada. Todos me olharam e seguimos almoçando sem discutir mais.
Depois do almoço, fomos para a sala comunal, pois tínhamos um tempo livre até a próxima aula. Fui fazer meus deveres, me sentando o mais longe possível dos Marotos. Ainda não acreditava que ia passar por uma detenção por causa deles! Remo e Lílian sentaram comigo. Sirius e Tiago foram jogar xadrez e Pedro... Bom, Pedro foi comer mais um pouco.
— Fica tranquila, Rach. Vou pegar leve na sua detenção — me disse Remo sorrindo.
— Sei... A última vez que ouvi isso não resultou em nada legal — falei apontando minhas cicatrizes.
Remo sorriu mais uma vez, mas não disse mais nada. Lílian tinha um sorriso sarcástico no rosto.
— O que você vai aprontar para eles, Lily? — perguntei.
— Vou me divertir, só isso. Se eles acham que vou pegar leve, estão enganados!
— Não foi você que disse que não ficou feliz por ter que cuidar da detenção do Tiago? — perguntei.
— Se a vida te der um limão, faça uma limonada! — disse Lílian.
Acho que Tiago estava, realmente, lascado. Lílian não ia facilitar as coisas para ele, não ia mesmo! Fiquei até com pena...
Fomos para a última aula do dia. Passei o tempo todo com medo da detenção... O que Sirius iria aprontar? Como ele tinha tanta certeza que eu me divertiria? Boa coisa não poderia ser. Com certeza, Remo não atrapalharia, não um amigo, não um Maroto...
Sirius passou a aula inteira com um sorriso que, sinceramente, não entendi. Do que ele ria tanto? O que ele estava planejando? Merlim, me ajuda! Vou me dar mal! Só esperava que ele não me colocasse em nenhuma confusão, outra vez...
No jantar, eu parecia uma condenada à forca. Quase não consegui comer, preocupada com o que me esperava. Por mais que Remo tivesse me dito para ficar tranquila, que ele ia pegar leve, não conseguia ficar tranquila. Com disse, da última vez que ouvi isso, me dei muito mal.
Quando todos acabaram de comer, estava quase na hora da detenção. Subimos para guardar as mochilas nos dormitórios e nos encontramos novamente na sala comunal.
— Vou levar Potter e Pettigrew para a sala de troféus. Tem alguns que estão bem sujinhos, parece que não são limpos há anos! — Lílian anunciou com um sorriso.
— Não existe nenhum troféu que não é limpo há anos! — falou Tiago. — Tenho certeza disso! Já limpei todos aqueles troféus várias vezes!
— Vai ver não limpou direito! — falou Lílian.
— Coitados. A Lily não vai facilitar mesmo — falei para Remo.
— Com certeza! — Remo respondeu.
— E você, Remo, vai levar os dois aí para onde? — perguntou Lílian.
— O Prof. Slughorn pediu ajuda com umas lesmas para a aula de Poções. Eles vão limpar algumas para a próxima aula — falou Remo.
— Como é? Limpar lesmas? Você só pode estar brincando, Remo! — falei, minha voz saiu estranhamente aguda.
— Calma, Rach! Se continuar assim, só os morcegos vão te ouvir! — falou Sirius, achando muita graça. Eu olhei feio para ele.
— É isso mesmo, Rach. Vocês vão limpar umas lesmas. Mas pode ficar tranq... — Remo parou o que ia dizendo ao me olhar.
— Não me fala para ficar tranquila! Cansei disso! — falei. — Vamos logo com isso! Que comece a tortura, para acabar logo!
— É melhor a gente ir andando mesmo — falou a Lílian, me olhando de canto de olho. — Antes que a enfezadinha aí brigue com todo mundo.
Eu preferia limpar troféus a lesmas, mas Merlim devia querer que eu pagasse alguns pecados antes de facilitar a minha vida!
Lílian, Tiago e Pedro seguiram para a sala dos troféus, enquanto Remo, Sirius e eu fomos para a sala de Poções, para nossa detenção. Sirius ainda sorria, como se achasse alguma coisa engraçada.
— Está rindo do que? Posso saber? — perguntei.
— Limpar lesmas... Trabalho fácil! Vamos terminar antes do que você imagina e teremos tempo para nos divertir — respondeu Sirius. — É só usar a varinha e pronto!
Quando chegamos na sala, tinha uns quatro barris cheios de lesmas para a gente.
— Algumas? Você disse algumas, Remo! — falei, minha voz saindo aguda de novo.
— Já disse, Rach, é só usar a varinha e... — começou Sirius.
— Para falar a verdade... Vai ser sem varinha. Passem elas para cá — disse Remo.
— O que? Sem varinha? Assim vamos levar séculos! — reclamou Sirius. — Não vou poder distrair minha Rach!
— Não me chama de Rach, Black! Como assim sem varinha, Remo? Vamos demorar muito para terminar isso! E você disse que ia pegar leve! — falei.
— Estou pegando leve! Imagina se tivessem que limpar os troféus! Aposto que a Lily tratou de deixar eles tão sujos como disse que estavam, e eles também não vão usar varinha! Você sairia de lá para a ala hospitalar, pode ter certeza — falou Remo.
— Cala a boca, Remo! — falei, cada vez mais irritada. — Vamos começar logo essa coisa!
Entregamos nossas varinhas e Remo foi ler um livro em um canto. Sirius estava emburrado, por não poder usar a varinha. Eu... bom, já estava irritada com aquilo tudo, fiquei mais irritada ainda.
Depois de meia hora de silêncio, Sirius se aproximou de mim e começou a puxar conversa.
— Então... Preparada para se divertir?
— Não quero papo, Black! Já estou irritada o suficiente, sem você ficar me incomodando!
— Que isso, minha querida! Vou fazer você se divertir aqui.
— É... Estou vendo! É mesmo muito divertido limpar essas porcarias! — falei pegando mais uma lesma.
— Você vai ver... — ele falou.
Não sei como aconteceu, mas quando vi tinha um monte de lesmas em cima de mim e ele saíra correndo. Fiquei furiosa. Remo continuou lendo, como se nada estivesse acontecendo. Eu sabia que ele não impediria o Sirius de fazer nada!
Peguei algumas também e mirei no Sirius, acertei em cheio, bem no meio daquele sorriso dele. Ele ficou me olhando, com cara de bobo, enquanto em me acabava de rir.
— Você me paga, loira! Agora eu te pego! — ele falou vindo na minha direção e rindo.
— Se afasta, Sirius! Fica longe! — retruquei.
— Que bom, ouvir você me chamando de Sirius já valeu ter ficado de detenção com você! — ele falou, ainda andando na minha direção.
— Pessoal, sem querer atrapalhar o namoro dos dois... Acho melhor voltar ao trabalho e fazer silêncio, se alguém entra aqui e vê essa cena, eu me dou mal — falou Remo, sem tirar os olhos do livro.
— Grande amigo é você! — falei.
Mas cometi um grave erro: olhei para Remo enquanto falava, perdendo o lance seguinte de Sirius, que se aproximou o suficiente para colocar algumas lesmas que ele tinha na mão em cima da minha cabeça.
— Te odeio, Black! — gritei.
— Ninguém odeia Sirius Black! Todas me amam!
Típico! Quando fui partir para cima dele, Remo finalmente tirou os olhos do livro e falou sério:
— Ok, vamos parar com as brincadeiras e voltar ao trabalho, vocês só fizeram um barril até agora!
Sirius pegou mais algumas lesmas e atirou no amigo monitor.
— Sirius, seu cachorro! Agora vou ter que me limpar! — falou Remo, mas ele não estava bravo, ele ria. Estanho... — Vou ao banheiro e volto logo! Comportem-se! — ele concluiu, piscando um olho para Sirius.
Assim que ele saiu, ouvi o barulho da porta sendo trancada.
— O que foi isso? Por que ele nos trancou aqui?
— Para que não possamos fugir da detenção! E para nos dar um tempo a sós! — falou Sirius com um sorriso maldoso.
— Um tempo a sós? — falei, minha voz saiu levemente tremida.
— Sim. Assim você não pode fugir de mim e posso falar com você direito — ele falou se aproximando cada vez mais de mim.
— O que você quer dizer? — falei recuando uns passos, não queria ficar tão perto dele agora. Principalmente porque ele tinha as mãos para trás, vai saber o que ele estava segurando!
— Você não quer me ouvir. Toda vez que tento falar com você, não é possível, porque você sai de perto ou me ignora — ele falou se aproximando mais.
— Isso é mentira — falei dando mais uns dois passos para trás. — Falei com você mais cedo, conversamos no almoço, troquei bilhetes com você na aula...
— Não é disso que estou falando — ele me interrompeu. — No almoço você só reclamou da detenção, nos bilhetes, tive que insistir para ter sua atenção — mais dois passos para perto de mim. — Quero falar com você, olhando nos seus olhos.
— Sobre? — mais dois passos para trás.
— Está se divertindo? — ele me olhava intensamente e sorria, enquanto se aproximava mais alguns passos.
Fiquei um tempo admirando ele, aquele sorriso nos lábios, um brilho nos olhos que eu nunca vira e, Merlim, como ele estava cheiroso, mesmo depois do "banho" de lesma.
— Então? — ele perguntou, me tirando do meu transe.
— Então o que?
— Está se divertindo?
— Não — falei desviando os olhos dele, para que não percebesse a mentira, e olhando para os barris que estavam a nossa espera.
— Mentirosa! — ele falou se aproximando mais.
— Não estou mentindo — recuei mais um pouco e bati com as costas na parede.
— Então assume que está se divertindo — ele falou se aproximando mais e colocando as mãos na parede, uma de cada lado do meu rosto.
— O que você vai fazer? — perguntei, tentando ganhar tempo para pensar em como sair daquela situação.
Minha respiração estava desigual, parecia que eu tinha corrido uma maratona. Ele se aproximou mais, me prendendo contra a parede. Agora eu não tinha saída. Senti meu rosto esquentar, com certeza eu estava ficando vermelha. Meu coração pulava dentro do peito. Ele baixou a cabeça, passou as mãos ao redor de minha cintura e sussurrou:
— Nada que você não queira.
Fiquei arrepiada com o hálito dele no meu pescoço. Ele deu uma risada baixa, senti seu nariz roçando na base de minha orelha.
— Você está tão cheirosa, sabia?
— Black... O que... o que você está... fazendo? — falei tentando controlar a minha voz.
— Nada demais. Apenas tendo uma conversa com você.
Ele me olhou nos olhos, nossos lábios quase se tocando. Ai, Merlim! Eu tinha vontade de encurtar ainda mais aquela distância, deixá-la inexistente.
— Mas se você quiser... Eu me afasto. É só pedir — ele falou.
Cadê forças para pedir isso? Já fazia tempo que eu desejava sentir aqueles lábios nos meus. Como poderia dizer para que ele se afastasse, se eu queria aquele beijo, se eu queria aqueles braços me envolvendo?
Ele fixou meu olhar e entendeu que eu não queria que ele se afastasse. Sorriu mais uma vez e me beijou. Um beijos suave, delicado, como que testando a minha reação. Quando nos separamos ele voltou a colocar os lábios na minha orelha e sussurrou:
— Sabia que ia gostar da detenção.
— Quem te disse que estou gostando? — retruquei.
— Suas reações. Você não quer fugir de mim, não mais.
Ele me beijou novamente, dessa vez com mais vontade, pois não estava mais preocupado que eu fosse reagir negativamente. Me abraçou apertado enquanto me beijava, eu passei meus braços ao redor dele e me entreguei àquele beijo.
— Hum, hum. Desculpa interromper, mas acho que já deu para vocês aprenderem a lição! — falou Remo com ar divertido parado na porta.
— Aluado, deixa de ser estraga prazeres! — falou Sirius, ainda me abraçando.
— Ainda bem que fui eu! Já imaginaram se fosse um professor? — Remo contra-atacou.
— Ele tem razão, Sirius. Se fosse um professor, estávamos mais encrencados — falei me soltando dos braços dele e me afastando.
Sirius não gostou da distância que impus entre nós. Se aproximou e me abraçou novamente.
— Mas ele não é um professor, acho que podemos, ao menos, ficar abraçados, Rach.
— Temos que terminar isso aqui, Sirius — falei, apontando para os barris de lesmas.
— Na verdade... Não tem não — Remo falou, fazendo um floreio com a varinha e terminando o serviço. — Estão liberados! Vamos voltar para a sala comunal e esperar Tiago e Pedro voltarem da detenção deles. Quero saber o que aconteceu por lá. Aqui tudo correu como o previsto!
— Como o previsto? Como assim, Remy? — perguntei sem entender.
— Nada, Rach, nada — ele falou com um sorriso sem graça.
— É... Nada, Rach — falou Sirius, olhando o amigo.
— Vocês combinaram isso! — falei dando um tapa em cada um.
— Ai! Isso dói! — os dois reclamaram.
— É para doer — falei sorrindo. — Vamos. Também quero saber o que aconteceu na detenção do Tiago e do Pedro. Ah! Antes que eu me esqueça... Cadê minha varinha, Remo?
Ele nos entregou nossas varinhas e seguimos para a sala comunal. Quando chegamos, vimos que estava vazia. Remo sentou em uma poltrona próxima à lareira. Sirius sentou em frente a ele e me puxou para que eu sentasse em seu colo.
— Sem agarramento aqui! — falou Remo brincando.
— Não se preocupe, Aluado. Vamos nos comportar, por enquanto — falou Sirius.
— Você vai se comportar sempre, Sr. Black! — falei.
— Sim, meu anjo. Sempre que você quiser — ele falou fazendo uma reverência com a cabeça.
Pouco depois, Lílian, Tiago e Pedro entraram na sala comunal. Pedro parecia ter estado dentro de um poço de lama. Tiago estava mais limpo um pouco e com um sorriso enorme nos lábios. Lílian parecia irritada com alguma coisa.
— Vou subir! Boa noite para vocês — ela falou me lançando um olhar no melhor estilo "vem comigo".
— Acho que vou subir também... Me espera, Lily. Boa noite a todos — falei dando um beijinho no Sirius.
— Sonhe comigo! — falaram Tiago e Sirius.
O dormitório estava praticamente vazio, apenas Alice estava lá, deitada na cama, escrevendo uma carta. Eu entrei, sentei na minha cama e fiquei olhando a Lílian andar de um lado para o outro, nervosa.
— O que houve, Lily? — perguntei.
— Tiago Potter! — ela respondeu quase gritando.
Alice deixou a carta de lado e veio participar da conversa.
— Perdi alguma coisa? — ela me perguntou.
— Se você perdeu, eu também — respondi para Alice. — Lily, quer parar de andar e explicar o que houve? Você está me deixando nervosa com isso! — falei olhando para minha amiga.
— Já disse! Tiago Potter, foi o que houve!
— Dá para você explicar? Não estamos entendendo — falei para ela.
— Eu estava na detenção com o Potter e o Pettigrew. Mandei eles limparem aqueles troféus, sem varinha. Tudo corria bem, como o planejado. Eles estavam tendo o maior trabalho, afinal caprichei no meu feitiço...
— Você sujou os troféus? — perguntamos Alice e eu.
— Claro!
— Você não tem vergonha, Lily? Uma monitora! — falei zoando minha amiga.
— Cala a boca! Quer saber o que aconteceu ou não? — ela falou, bem irritada.
— Queremos! — falou Alice.
— Como eu ia dizendo... Tudo corria bem, até que Ti... Potter, derrubou um troféu enorme na cabeça do Pedro, que desmaiou. Falei que levaria ele para a ala hospitalar, mas o safado, cachorro, sem vergonha do Potter disse que não precisava, que Pedro logo melhoraria sozinho. Insisti em levá-lo, mas o Tiago...
— Repete isso — falei.
— Isso o que? — perguntou Lílian, parecendo perdida em pensamentos.
— Insistiu em levá-lo, mas... — falou Alice rindo da cara da Lily.
— Não enche, vocês duas! — ela gritou.
— Sim, senhora! — falamos sorrindo.
— Então... o Potter se aproximou de mim, com um sorriso nos lábios carnudos, quero dizer...
— Entendemos o que quer dizer — brincou Alice. — Continue.
— Tá... Perguntei "o que você quer, Potter?", ele respondeu "te beijar, minha ruiva!" e continuou se aproximando! Me pegou pela cintura antes que eu pudesse fazer qualquer coisa e me beijou! — ela falou, exaltada.
— E foi bom? — perguntei.
Lílian jogou um travesseiro em mim e Alice caiu na gargalhada.
— Ai! O que eu quis dizer é... Você gostou, Lily? Seja sincera com você mesma — falei.
— Eu... Eu... — ela suspirou. — Até que não foi ruim. — ela sentou na cama dela e me olhou. — Mas isso não quer dizer nada! Ele não devia ter feito isso!
— Lily, ele te ama! Abre os olhos e enxerga que você também o ama — falou Alice.
— Concordo com a Alice, Lily. Você vive dizendo que não suporta ele, mas não é verdade. A fama dele pode não ser boa, mas ele não tem saído com mais ninguém desde que ouviu você falando que achava que ele era galinha. Ele fez isso por você. E, se parar para pensar, você sabe mais coisas sobre ele do que qualquer outra pessoa nesse castelo! — falei para ela.
— Talvez com exceção do Black! — disse Alice. — Ele mora com os Potter desde o quinto ano, se não me engano.
— Eu não posso gostar do Potter! Ele é irresponsável, galinha, bagunceiro... — Lílian citou.
— Bonito, inteligente, apaixonado por você... — Alice completou.
— Pensa bem, Lily. Você só está enganando a você mesma — falei.
Ela suspirou, levantou, pegou o travesseiro que tinha jogado em mim e se jogou na cama. Ficou olhando o teto, pensando em alguma coisa. Alice e eu ficamos em silêncio, olhando a cena. Lílian levantou a cabeça e me olhou.
— Como foi a sua detenção?
— Foi legal... Sirius tinha razão... Limpar lesma pode ser divertido...
— Tem mais coisa nessa história! — falou Alice.
— Claro que tem mais coisa! Conta logo, Rach! Te contei a minha, agora é sua vez! — falou Lílian, com os olhos brilhando de excitação.
Contei tudo que aconteceu na minha detenção, desde o início, com os quatro barris de lesma. Quando cheguei na parte do beijo Lílian e Alice sorriram radiantes.
— Então, vocês estão namorando? — perguntou Alice.
— Não sei, Alice. Não falamos sobre isso. Mal aconteceu alguma coisa... Nem sei se vamos nos encontrar de novo...
— Claro que vão! Vocês não apostaram que se você se divertisse, vocês iriam a Hogsmeade? — falou Lílian.
— Apos... Como você sabe? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.
— Oi? Sei do que? — Lílian perguntou.
— Eu não falei de aposta nenhuma!
— Lily, dessa vez você se deu mal — brincou Alice, desviando do travesseiro atirado pela Lílian.
— Tá bom. Eu confesso. Eu sabia o que eles iam aprontar. Sirius me contou da aposta — Lílian falou, ficando vermelha.
— Traidora! — falei brincando.
— Mas você se divertiu! E gostou! Então, não tem problema! — Lílian falou, dando de ombros.
— Me diverti... E gostei muito! Ele beija muito bem! Ele tem pegada, entende?
— Entendemos — falaram Alice e Lílian.
— Que lindo! Mas um casal se forma em Hogwarts! — falou Alice.
— Acho melhor irmos dormir... Já são quase meia noite. Amanhã temos aula. Não devia, mas... Valeu, Lily — falei.
— Não foi nada. Amigos são para essas coisas — ela respondeu sorrindo. — Boa noite.
— Alguém sabe onde anda a Sam e a Érica? Não vejo as duas desde a janta — falou Alice.
— Devem estar com os namorados. Esqueceu que de vez em quando elas dormem no dormitório deles? — perguntei.
— É verdade. Boa noite, meninas. Sonhem com seus namorados — falou Alice.
Nos preparamos para dormir. Ainda fiquei algum tempo acordada pensando no que Alice dissera. Éramos namorados? Ou eu tinha caído na lábia dele e virado mais uma da listinha? Teria que descobrir isso no dia seguinte. Peguei no sono e sonhei com meu lindo batedor da Grifinória, Sirius Black.
Escrevi esse capítulo enquanto estava assistindo uma palestra no Simpósio de Cirurgia que eu estou fazendo! Nem eu acredito! Ela surgiu assim, do nada!
Espero que gostem!
O que gostaram? O que nao gostaram?
O próximo capítulo é A Lua Cheia.
Aguardem!
Beijos
P.S: Mandem reviews
