Cap 6. A Lua Cheia
No dia seguinte, acordei assustada. O sonho com meu batedor se transformou em um pesadelo. Eu passeava pelos jardins de Hogwarts durante a noite e me deparei com um lobo prestes a me atacar. Tentei gritar, mas não saiu som algum. Quando ele pulou na minha direção, um cervo e um enorme cachorro preto apareceram na minha frente. O primeiro ficou parado e recebeu o ataque do lobo, enquanto o segundo me arrastou para longe dali. Acordei no momento que era arrastada.
Lílian, que já estava acordada, percebeu que eu ofegava e veio ver o que eu tinha.
— Tá tudo bem, Rach? — ela perguntou.
— Só um pesadelo... — respondi tomando consciência de que não era real.
— Quer falar sobre isso?
— Não, Lily. Já passou... Vou me arrumar. Já está descendo para o café?
— Te espero.
Me arrumei e descemos as escadas para a sala comunal, confesso que estava sentindo um frio na barriga. Será que ele estaria ali embaixo me esperando? Será que eu tinha caído na lábia dele e seria mais uma para quem ele mentiria?
Apenas Remo nos esperava. Assim que chegamos ele se levantou da poltrona em que estava sentado e veio falar com a gente.
— Bom dia, meninas!
— Bom dia, Remo! — respondemos em uníssono.
— Onde estão os outros? — perguntou Lílian. Eu agradeci mentalmente por ela ter feio a pergunta.
— O Pedro já desceu para o café, vocês sabem como ele adora comer, Sirius e Tiago estão treinando quadribol. O Tiago quis começar os treinos o quanto antes, e como temos um tempo livre depois do café... Ele não deu trégua para ninguém... — respondeu Remo.
— Então vamos descer — falou Lílian.
— Vamos — eu falei, mas fiquei um pouco para trás e segurei o braço do Remo. — Está tudo bem?
— Tudo normal, Rach... Tudo normal. Nunca fico muito bem nessa época... — ele respondeu.
Hoje a noite seria a primeira lua cheia do nosso último ano escolar. Remo estava extremamente pálido, parecia muito cansado. Devia ser difícil enfrentar tudo aquilo sozinho. Se eu pudesse fazer alguma coisa para ajudar...
— Não tem nada que eu possa fazer para te ajudar, Remo? — perguntei, enquanto saíamos da sala comunal.
— Não! — ele respondeu seco, quase gritando. — Nem tente! Não quero mais falar sobre isso! — e apressou o passo para ficar próximo da Lílian.
— Remo... — falei, mas ele não virou para trás.
Ótimo! Pelo visto deixei ele irritado comigo! Parabéns, Rach! Dá para você calar essa boca de vez em quando? Quando ele precisar, se ele precisar, ele vai falar!
Chegamos ao Salão Principal e vimos Pedro, ele parecia um trasgo comendo, que nojo! Remo sentou ao lado de Lílian. Eu me sentei em frente a eles. Resolvi deixar para lá, por enquanto, a história do Remo. Outra coisa também ocupava minha mente... Não conseguia parar de pensar sobre o que tinha acontecido na minha detenção. O que será que aconteceria dali para frente entre Sirius Black e a Rachel Hobday aqui?
Quando estávamos terminando de comer, Sirius e Tiago chegaram para o café, ambos muito sujos, suados e emburrados.
— Resolveu começar a treinar de madrugada, Tiago? — perguntei.
— Quanto antes melhor! — ele respondeu mal-humorado.
— Posso saber o motivo de tanto mal-humor? — perguntou Lílian.
— O treino não saiu bem como a gente queria — responde Sirius, também mal-humorado.
— O que aconteceu? — perguntei.
— Aqueles imbecis do Jackson e do Peakes! Eles conseguiram estragar o treino todo! — falou Tiago exaltado.
— O Peakes começou a brigar com o Jackson, sei lá por que, e o Jackson resolveu descontar atirando um balaço certeiro nele! O Peakes está na ala hospitalar com todos os ossos do braço direito quebrados! — falou Sirius.
— Nossa! Ele vai ficar bom para o primeiro jogo da temporada? — perguntou Remo.
— Espero que sim! Não estou nem um pouco a fim de fazer outro teste para o time — falou Tiago. — É muito cansativo! Acho que eu não iria aguentar... — ele deu um sorrisinho para Lílian e completou: — A não ser que meu lírio me fizesse uma massagem depois...
— Massagem? — perguntou Lílian. — Sabe... Sei fazer massagem muito bem! Quem sabe?
— Não acredito! Lílian Evans concordando em fazer massagem em Tiago Potter! Alguém me belisca, porque isso só pode ser um sonho! — falou Alice que tinha se aproximado com Franco.
Todos caíram na gargalhada. Lílian tentou ficar séria, mas não conseguiu e riu também.
— Não enche! — ela falou depois que se recuperou.
— Temos um tempo livre agora. O que vamos fazer? — perguntei.
— Eu vou tomar um banho e me trocar — falou Tiago.
— Eu também — disse Sirius. — Rach, podemos conversar depois?
— Claro, Sirius. Te espero na sala comunal.
— Então até daqui a pouco — ele falou.
Ai, Merlim! Ele não deu nem a entender o que queria conversar, agiu como se nada tivesse acontecido, me tratando como uma amiga e nada mais... O que eu queria? Que ele me beijasse no meio da Salão Principal? Ele nunca faria isso, acabaria com a fama dele!
Subimos para a sala comunal. Remo sentou em um sofá. Lílian foi fazer uns relatório da monitoria. Pedro... Não faço idéia do que foi fazer, mas não estava a vista. Alice e Franco foram namorar no dormitório dos meninos. Eu resolvi me deitar no sofá que Remo estava, e coloquei minha cabeça em seu colo.
Ficamos assim por um tempo, sem falar nada, até que ele resolveu quebrar o silêncio.
— Rach... Desculpa minha reação mais cedo. Não queria te assustar, nem nada... — começou Remo.
— Não me assustei — ele riu duvidando, ignorei isso e continuei: — Achei é que você tivesse ficado irritado comigo.
— Irritado? Não. Nunca ficaria irritado com você... — ele falou. — É que nessa época do mês fico meio descontrolado... Não queria ter gritado com você... Os Marotos sempre dizem que fico estressado e assustador — ele riu. — Tem certeza que não te assustei?
— Tenho, Remy, você não me assustou. Só estou preocupada. Passar por tudo isso sozinho...
— Não fico sozinho, Rach, então não se preocupe.
— Não fica sozinho? Como assim? Quem fica lá com você? — perguntei, levantando um pouco minha cabeça para olhá-lo.
— Simplesmente não se preocupe. Relaxa, Rach — ele respondeu.
— Agora mudou o disco? Em vez de "fica tranquila" é "relaxa"? — perguntei sorrindo. Deitei a cabeça novamente, era bom ficar deitada ali.
— Acho que sim — ele respondeu. Deu um suspiro e mudou o foco da conversa. — Acho que Sirius não vai gostar de ver isso — ele brincou.
— Não sei do que você está falando.
— Sabe sim. Você deitada no meu colo — ele falou.
— Não sei o que ele vai achar, mas já fiz isso antes, então ele não pode reclamar. Além do que...
— Além do que...? — insistiu Remo.
— Nem sei se ele vai achar alguma coisa — falei olhando para a mesinha que ficava em frente, evitando, assim, olhar para Remo.
— Rach...
— Nem vem, Remo. Sei que caí na lábia dele. Sou mais uma da listinha. Não precisa tentar me consolar.
— Não estou tentando te consolar. Ele gosta de você, e gosta muito, se quer saber minha opinião. Ele ficou incrivelmente chato ontem de noite, contando o que aconteceu para a gente. Não parou de falar um minuto que você beijou ele de volta, que você gostou... E...
— O que você está fazendo com a minha garota, Aluado? — perguntou Sirius, chegando de repente e me assustando.
Eu me levantei tão rápido que rolei do sofá para o chão e bati a minha testa na mesinha.
— Ai — eu disse, esfregando a minha testa.
Ouvi Remo rir uma vez e olhei para cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando abafar o resto da sua diversão. Tiago sentou na poltrona em frente a Remo, pressionando os lábios firmemente, os cantos da boca dele se contorcendo. Até Sirius ria.
Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos.
— Machucou, Rach? — perguntou Sirius, se recompondo.
— Acho que vou ficar com uma mancha na testa — falei manhosa.
Ouvi Tiago rindo novamente. Quando o olhei, ele tentou ficar sério.
— Almofadinhas, está com ciúmes? Acha que vou roubar sua garota? — falou Remo em tom brincalhão.
— Meu caro amigo Aluado, lobos são imprevisíveis! — Sirius falou dando um soco de leve no ombro do Remo. — Principalmente com garotas bonitas — ele completou piscando um olho para mim.
— Acho melhor a gente deixar os dois conversarem — falou Tiago se levantando e fazendo sinal para Remo. — Vamos perturbar a Lily!
— Melhor você não ir para lá, Tiago. Ela está fazendo relatórios da monitoria, vai te colocar para trabalhar — falei para ele. Sabia que ele não gostaria de fazer aquele serviço.
— Vou arriscar! — Tiago falou indo na direção da Lílian. Remo o acompanhou.
Os dois se aproximaram e ouvi Lílian dizer que já era hora do Tiago se interessar pelos assuntos de monitor. Ele fez uma cara de além-túmulo. Foi a minha vez de rir.
— Precisamos conversar — disse Sirius, segurando meu queixo e me fazendo olhar para ele.
— Acho que sim... — falei olhando nos olhos cinzentos dele.
Ele sentou ao meu lado e aproximou o rosto do meu, sem desviar o olhar nem um instante. Ele me olhava intensamente, um sorriso brincou no canto dos lábios dele.
— Vai deixar? — ele perguntou, quase me beijando.
— Deixar o que?
— Eu te beijar de novo.
— Você não se importou com isso ontem.
— Não é verdade. Te dei escolha. Era só você pedir para eu me afastar, e eu me afastaria.
— Sério? — falei brincando, me fingindo pensativa.
— Sério... Se arrependeu de ter deixado?
— Eu... — senti que corei de novo. — Sinceramente? Não — não sei porque disse isso! Muito menos dessa forma!
— Que bom!
Ele deu um sorriso torto e uniu seus lábios nos meus, me abraçou e me puxou para o seu colo enquanto nos beijávamos. Quando nos separamos, estávamos ambos sem fôlego.
— O que você queria conversar comigo? — perguntei.
— Acho que essa conversa vai ter que ficar para mais tarde — falou Lílian que tinha se aproximado. — Vocês perderam muito tempo se agarrando aí. Já está na hora da aula. Vamos!
Eu me senti corar. Isso estava acontecendo muito hoje.
— Droga! — reclamei. — Vamos. Conversamos no caminho.
— No caminho? Acho que não é a melhor hora para conversar, Rach — ele falou. — Acho que devemos fazer isso com calma.
— Ok. Depois a gente pensa nisso, então.
— Deixe que eu levo sua mochila — ele ofereceu.
— Não precisa, Six, eu mesma levo.
— Faço questão! — e pegou minha mochila, colocando sobre o ombro junto com a dele.
Seguimos para a aula de Transfiguração. Lílian e Tiago iam mais a frente, pela cara dele, ela falava sobre a ronda que eles teriam que fazer. Remo ia andando sozinho, com as mãos nos bolsos, logo atrás deles. Alice e Franco, que tinham se reunido ao grupo antes de sairmos da sala comunal, seguiam Remo. Sirius e eu estávamos logo atrás. Quando chegamos, a Profª McGonagall abriu a porta da sala e mandou todos sentarem.
Lílian sentou com Tiago, Remo com uma garota da Lufa-Lufa, Pedro ainda não tinha aparecido, e Sirius ficou comigo. Essa alteração nos lugares não passou despercebida aos olhos de McGonagall.
— Vejo que ocorreram melhoras nas relações dessa turma! — ela falou. Eu podia jurar que vi um sorriso passar pelo rosto dela. — Será que não teremos mais discussões pelo castelo?
Lílian corou e abaixou a cabeça, pois a professora olhava, principalmente, para a dupla mais improvável que havia ali: Ela e Tiago.
— Claro, Mimi, acho que em breve vou domar essa fera — falou Tiago, arrancando risadas da turma.
— Fera? Você me chamou de fera, Potter? — Lílian reclamou.
— Acho que não... Talvez as discussões só piorem! — brincou a professora, balançando a cabeça. — Bom, vamos deixar esse assunto para depois! Continuaremos a falar sobre Animagia — ela disse se transformando em um gato com marcas em volta dos olhos, como os óculos que ela usava, e voltando a forma humana.
Um pergaminho apareceu na minha frente.
S – Estou te devendo uma aula sobre esse assunto.
R – É verdade.
S – Vamos marcar um dia?
R – Pode ser hoje a noite.
S – Não posso... Tenho umas coisas para fazer.
R – Que coisas?
S – Não posso te explicar agora...
R – Sirius Black, você não vai sair do castelo hoje de noite, vai?
S – Por que?
R – Remo.
S – Fica tranquila, loira. Sei me cuidar.
— Desculpe interromper vocês dois, mas não permito que meus alunos troquem bilhetes durante a aula! — falou McGonagall olhando para mim e para Sirius.
— Não estamos trocando bilhetes, Mimi — falou Sirius. — Só estava mostrando para ela um horário em que eu posso ajudá-la. Ela não está muito bem nesse assunto.
— Deixem isso para mais tarde! Conversem sobre isso fora da sala — falou McGonagall, depois voltou para o resto da turma e continuou sua aula.
R – Essa foi por pouco. Não acredito que ela caiu nessa desculpa!
S – Eu sempre encanto as mulheres!
S – Não adianta revirar os olhos!
R – Vamos prestar atenção na aula, antes que ela reclame de novo.
S – Conversamos no almoço.
Quando o sinal tocou, anunciando o fim da aula, Sirius pegou minha mochila novamente e seguimos para o Salão Principal, para o almoço.
— Ainda não acredito que a McGonagall caiu naquela conversa de que você estava "me mostrando um horário para me ajudar"! — falei enquanto nos sentávamos.
— Eu também não! — falou Lílian, parecendo espantada.
— Mimi conhece a gente! Sabe que somos bons na matéria dela — falou Tiago. — Ela desconfiaria se ele dissesse que estava pedindo ajuda dela!
— Ei! Não sou ruim em Transfiguração! — retruquei. — Só não peguei a matéria da outra aula porque o Sirius ficou trocando bilhete comigo!
— E pelo visto você não aprendeu nada! — Lílian falou brincando. — Estava trocando bilhetes de novo!
— Cala a boca, Lily! — falei rindo.
— Ela tem razão, Rachel! — falou Franco. — Se já perdeu a aula uma vez por culpa de bilhetes trocados, como pode repetir isso?
— Assuntos importantes — falei me servindo. — E, antes que alguém pergunte, falamos mesmo alguma coisa sobre o Sirius me dar uma aula sobre o assunto! Ele diz que entende disso.
— E entendo! — falou Sirius. — Você vai ver!
— Com certeza ele entende! E Pontas também — falou Remo, entrando na conversa.
— Como vocês podem saber sobre isso, se estamos vendo só agora o assunto? — perguntou Lílian.
— Somos Marotos! — responderam Tiago e Sirius, juntos.
Terminamos de almoçar e, como tinha um tempo vago antes da próxima aula, fomos para os jardins. Remo continuava meio distante de todos, sentou na grama quieto e ficou olhando o lago. Tiago sentou próximo a Remo, tirou seu pomo do bolso e ficou brincando com ele, enquanto Lílian reclamava que ele parecia criança. Sirius me puxou para baixo de uma faia, um pouco afastado dos outros, sentou encostado na árvore e me puxou para perto, sentei entre as pernas dele, que estavam dobradas, e me encostei em seu peito. Ele me abraçou.
— Rach, eu preciso conversar com você... — Sirius começou.
— Eu sei, Sirius. Também acho que devemos conversar.
— Primeiro... Sei que não falei direito com você hoje de manhã, mas eu estava todo sujo, suado, mal-humorado... E você estava linda, cheirosa e bem-humorada como sempre, não queria te deixar grudenta...
— Ok. Mas eu não me incomodaria — falei me virando um pouco para olhar para ele.
— Sério?
— Sério, Six. Mas não quero forçar nada...
— Não está forçando. Eu é que acho que estou demorando demais para falar o que quero — ele parecia envergonhado.
— Sirius Black está envergonhado? Essa é nova para mim!
— Quer parar de me zoar? O assunto é sério!
— Sim, senhor — falei ainda brincando. Depois fiquei séria e perguntei: — O que você queria falar comigo?
Ele se ajeitou na faia, ficando de frente para mim, olhando nos meus olhos. Pegou minhas mãos e falou:
— Rachel Karen Hobday, você gostaria de namorar um Maroto concorridíssimo, como eu?
— O-o que? Ouvi direito?
— Se ouviu eu te pedindo em namoro, então ouviu direito — ele falou me olhando mais intensamente ainda.
— Sirius...
— Eu sabia que minha fama não ia facilitar... — ele falou já meio tristonho.
— Você não esperou eu terminar de falar...
— Ok. Manda a bomba.
— Sirius, eu não devia contar isso para ninguém, muito menos para você, mas... Faz tempo que espero ouvir esse pedido.
— Então você quer? — perguntou com um sorriso enorme.
— Quero. E vou enfrentar qualquer menina que venha tentar atrapalhar!
Ele riu e me deu mais um beijo. Eu tive que empurrar ele um pouco, para poder respirar. Os Marotos e Lílian aplaudiram. Claro que fiquei corada novamente. Sirius também corou.
— Quem diria que veríamos o dia que Sirius Almofadinhas Black fosse se amarrar em alguém! — brincou Tiago.
— Deixa os dois em paz, Tiago. Você não gostaria que te atrapalhassem! — falou Lílian.
— Tiago? Meu lírio me chamou de Tiago! Merlim, eu sabia que ela me ama!
— Não faz drama! — falou Lílian com o rosto tão vermelho quanto os cabelos.
Todos rimos. Me encostei novamente no peito de Sirius, ele ficou brincando com uma mecha do meu cabelo, enrolando ela no dedo. De vez em quando eu sentia um beijo no meu pescoço e me arrepiava, o que fazia ele rir baixo. Ele estava se divertindo em me ver arrepiada.
— Sirius, tem mais uma coisa que quero falar.
— O que?
— Você disse que não podia me ensinar Animagia hoje de noite, que vai fazer "umas coisas"... Toma cuidado. Não apronta nada que possa te colocar em risco. Sei que Remo é seu amigo, mas é perigoso!
— Pode deixar, Rach. Não vou fazer nada perigoso. Já estamos acostumados.
— "Estamos acostumados"? — perguntei virando um pouco a cabeça para olhá-lo. — O que quer dizer com isso?
— Bem... Nada. Deixa para lá.
— Sirius Black, o que você está aprontando?
— Nada... Ainda — ele falou com aquele sorriso lindo.
— Sirius...
— Shh! Quando puder te explico. Prometo — ele encerrou o assunto me dando um beijo.
— Por onde andou, Rabicho? — perguntou Tiago, percebendo que Pedro se aproximava.
— Ala hospitalar, acho que comi alguma coisa que não me caiu bem hoje de manhã — Pedro respondeu, dando de ombros.
— Gente, é melhor voltarmos para o castelo! Já está quase na hora da aula — falou Lílian já se colocando em pé.
— Vamos — Sirius falou em meu ouvido.
Seguimos para a última aula do dia, DCAT. Sirius fez questão de levar minha mochila de novo. Todos os Marotos, Lílian, Franco e Alice, ficaram ao meu redor, pareciam tentar me proteger de possíveis ataques do pessoal da Sonserina. Quando Snape entrou na sala, Sirius falou com os Marotos.
— Vou me vingar do Ranhoso!
— Você não vai fazer isso! — falou Tiago.
— Gostei de ver, Potter! É assim que um monitor faz! — falou Lílian, buscando apoio do Remo com os olhos.
— É, Almofadinhas, você não vai fazer isso! — falou Remo, fazendo Lílian abrir um sorriso, que murchou logo a seguir. — Não sem a gente!
— O que? Vocês são malucos? — perguntei chocada.
— Ninguém mexe com a garota de um Maroto! — falou Tiago.
— Vocês não podem! — falou Lílian. — Querem outra detenção?
— Não vamos fazer na aula, Lily — falou Tiago. — Até porque ainda temos que planejar algo que deixe claro para ele, e para qualquer outra pessoa, que não se mexe com a gente.
— É Evans para você! E eu não vou permitir isso — reclamou Lílian.
— Você não pode nos impedir de vingar sua amiga, Lílian! — falou Sirius. — Ela ficou com cicatrizes por culpa dele! Isso você permite?
— Não... Mas...
— Nem detenção ele tomou, Lily, isso é injusto — falou Franco.
O Prof. Sylvanus entrou na sala e começou a aula. Dessa vez teríamos apenas teoria. Não prestei atenção, não li o livro, fiquei tentando imaginar o que eles poderiam armar para se vingar do Ranhoso. Eles não podiam se meter em confusão! Não resisti e mandei um bilhete para Sirius.
Sirius,
Por favor, tira isso da cabeça! Não apronta nada. Se você desistir disso, eles vão desistir também. Por favor, por favor, por favor! Não se mete em mais nenhuma confusão. Estou preocupada com o que vocês podem fazer e as consequências que isso pode ter para vocês, principalmente para você! Por favor.
R.H.
Ele leu rapidamente meu bilhete e escreveu uma resposta no verso do meu pergaminho.
Rach,
Sinto muito, gata, mas não posso deixar isso barato. Se eu não fizer nada, sempre que olhar para você, vou me lembrar que não me vinguei dele! E não posso admitir isso para mim mesmo. Se for o caso, vou arcar com as consequências. Pode ficar tranquila, dessa vez quero você bem longe, para não se machucar de novo. Mas simplesmente não posso esquecer. Ele tem que pagar pelo que ele fez com você!
S.B.
Era para eu ficar tranquila com isso? Era essa a intenção? "Dessa vez quero você bem longe" era para me acalmar? Pois se era, não conseguiu! Muito pelo contrário, pois, pelo visto, eles fariam uma coisa bem grande!
Teve uma troca de bilhetes entre os Marotos que me deixou apreensiva, mas nada se comparou quando vi que Snape recebeu um bilhete na mesa dele. Quando ele terminou de ler, seus olhos brilharam com malícia.
A aula terminou sem que eu tivesse a menor noção do que foi falado. Eu teria que correr atrás do prejuízo depois, talvez Lílian me ajudasse...
Remo foi para a ala hospitalar, para que Madame Pomfrey o levasse para a Casa dos Gritos, os outros Marotos, Lílian e eu, direto para o Salão Principal jantar. Depois de comer, seguimos para a sala comunal.
— Bom, vamos para o dormitório, guardar nossas coisas — falou Sirius. Ele me deu um beijo rápido e subiu as escadas seguido de Tiago e Pedro.
Fiquei ali na sala, preocupada. Eles demoraram a voltar. Quando desceram, Sirius veio falar comigo.
— Preciso que entenda, não vou deixar de fazer o que tenho que fazer, mas preciso que entenda — ele falou.
— Não posso te impedir, não é? — suspirei. Ele balançou a cabeça negativamente. — Toma cuidado.
— Eu sabia que você entenderia — ele falou me dando um beijo na testa.
— O fato de eu aceitar que você vai fazer essa loucura, não significa que eu entendi!
— Quando eu tiver tempo para te explicar, você vai entender... Agora... Por que não sobe e vai descansar?
— É... Acho que estou precisando mesmo. Mais uma vez... Toma cuidado! — eu disse me levantando e indo para as escadas do meu dormitório.
— Pode deixar, gata.
Cheguei no dormitório e me joguei na minha cama. Alice conversava com Sam e Érica, que contavam a noite que tinham tido com seus namorados. Lílian saiu do banheiro, viu que eu estava na minha cama e veio falar comigo.
— Tudo bem? — ela perguntou, quase sussurrando, para que as outras meninas não ouvissem.
— Tudo, Lily. Só um pouco cansada... — falei. Não olhei para ela, pois ela me conhecia bem demais, para saber que eu estava mentindo, mas não agüentei e perguntei: — O que você acha que eles vão aprontar com Snape?
— Não sei... Mas boa coisa não vai ser... O pior é que Sirius tem razão, você ficou machucada por causa do que Severo fez. Também não acho certo... Mas estou preocupada com a vingança que aqueles malucos podem aprontar.
A noite já tinha caído, a lua aparecia no céu. Um uivo foi ouvido ao longe, e me arrepiei ao me lembrar do meu pesadelo. Lílian percebeu.
— Tudo bem mesmo, Rach?
— Sonhei que estava sendo atacada por um lobo. Acho que foi por causa do Remo...
— Sei... Sempre me preocupo com ele quando tem lua cheia. Ele deve sofrer bastante.
— Os rapazes disseram que sofre...
Ficamos um tempo em silêncio. Me levantei e fui até a janela do dormitório. Fiquei olhando os jardins, vi um lobo passar correndo, seguido de... Não! Não podia ser! Um cervo e um enorme cachorro preto, corriam com o lobo! Eu estava vendo coisas. Devia ser por causa do meu sonho! Mas ouvi uma exclamação de espanto ao meu lado e vi que Lílian tinha me acompanhado até ali.
— Você viu aquilo? — perguntei, tentando não parecer louca.
— Vi. O lobo não está sozinho...
Aí está mais um capítulo.
Para quem não me conhece pessoalmente, a Rachel é baseada em mim mesma... Algumas coisas que acontecem com ela, já aconteceram comigo (principalmente as mais engraçadas).
Desafio meus leitores a descobrir qual cena deste capítulo já aconteceu comigo.
Mandem reviews!
Se tiverem alguma sugestão, será bem vinda.
Bjos
