Cap 7. Outro Segredos Revelados

Ficamos mais um tempo paradas ali, olhando pela janela, sem conseguir acreditar no que tínhamos visto. Não era possível...

Lílian me tirou dos meus pensamentos dizendo que ia dormir, pois aquilo que vimos só poderia ser alucinação, por causa do sono. Eu disse para ela que já iria. Saí da janela, fui me trocar e me deitei. Mas não consegui fechar os olhos tão cedo. Aquela imagem não parava de passar na minha cabeça e a preocupação só aumentava. Quando o cansaço me venceu e adormeci, sonhei com o lobo novamente.

Acordei, na manhã seguinte, cansada por causa da noite mal dormida. Decidi que perguntaria a Sirius o que fizera e onde fora.

Lílian parecia ter dormido tão mal quanto eu. Nos arrumamos e descemos para a sala comunal com Alice.

Franco aguardava a namorada para descer para o Salão Principal, mas os Marotos não estavam por ali.

— Onde estão os Marotos? — perguntei.

— Estão terminando de se arrumar. Eles chegaram tarde ontem — Franco respondeu. — Vamos tomar café?

— Vamos esperar por eles — respondi e Lílian confirmou com a cabeça.

— Ok. Nos vemos lá embaixo — falou Alice saindo abraçada com Franco.

O horário do café estava quase terminando quando os Marotos finalmente apareceram. Lílian e eu tentamos arrancar deles por onde tinham andado de noite, enquanto corríamos para o Salão Principal, mas eles não responderam a nenhuma de nossas perguntas. Tomamos o café rapidamente e fomos para a primeira aula do dia.

Como não teria nenhum tempo vago, não poderíamos conversar muito. Pensei em mandar um bilhete para Sirius durante a aula, mas vi que ele estava dormindo. Olhei para os outros Marotos e percebi que todos dormiam. Se eles fossem pegos, seria detenção na certa. Me arrumei na cadeira de forma a impedir que o professor visse que Sirius dormia. Lílian, que estava sentada novamente com Tiago, parecia pensar o mesmo que eu, e tentava encobrir seu companheiro de bancada. Franco e Alice tampavam a visão do professor para Remo e Pedro.

O dia passou assim, os Marotos dormindo durante as aulas, e Lílian, eu, Franco e Alice, nos vimos responsáveis por impedir que fossem pegos.

Depois da última aula, Remo foi novamente para a ala hospitalar, para seguir para a Casa dos Gritos com Madame Pomfrey, antes de anoitecer. Lílian e eu seguimos para o Salão Principal com os outros Marotos para o jantar. Comemos, ainda tentando saber onde eles tinham estado de noite, mas não conseguimos descobrir nada.

Levantei para ir para a sala comunal e olhei para Sirius, mas ele apenas me desejou boa noite, dizendo que iria mais tarde, que eu não precisava esperar por ele e que nos veríamos no dia seguinte. Eu sabia que ele estava aprontando alguma coisa, mas não tive oportunidade de perguntar. Fui deitar cedo, pois estava cansada por não ter dormido bem.

A sexta-feira correu da mesma forma, Lílian e eu tentávamos arrancar respostas do Marotos durante os curtos intervalos, eles desconversavam, durante as aulas eles dormiam...

— Não podemos deixar eles pegarem detenção por causa disso... Não sei o que estão aprontando, mas eles parecem realmente cansados — disse Lílian no final da primeira aula.

— Concordo. Vamos ajudar, não é Alice? — falou Franco, que também estava apreensivo com aquela situação.

— Claro! — falou Alice.

— Valeu, gente. Vamos fazer o seguinte: cada um de nós senta com um Maroto. Teremos que ficar responsáveis por eles... — sugeri.

— ... Se um professor se aproximar, acordamos eles — continuou Lílian.

— Se o professor fizer alguma pergunta, passamos a resposta para eles — completou Alice.

— Não vai ser um dia fácil... Pelo menos não temos DCAT hoje... O Prof. Sylvanus não perdoaria... — comentou Franco.

— Certo. Vamos formar as duplas. Eu sento com Tiago — olhei espantada para Lílian, ela me ignorou e continuou: — Rachel fica com o Sirius. Franco e Alice, com quem vão sentar?

— Prefiro que Alice fique com o Remo, não confio muito naquele Pedro — falou Franco.

— Eu prefiro mesmo sentar com Remo — falou Alice.

— Então... Mãos à obra! — falou Lílian.

Passamos o dia dessa forma, na hora do jantar, Tiago, Sirius e Pedro (Remo já tinha ido para a Casa dos Gritos) agradeceram o apoio, mas se negaram a falar o que estavam aprontando, apenas disseram que subiriam mais tarde para a sala comunal e que não precisávamos esperar por eles.

Eu estava muito preocupada. Sirius tinha resmungado coisas do tipo "eu sabia que ia dar certo", enquanto dormia nas aulas. Resolvi que não passaria nem mais um dia sem saber o que aqueles garotos estavam aprontando.

Subi com Lílian e Alice para os dormitórios.

— Vou tomar um banho e descer para fazer meus deveres — menti. Na verdade eu queria esperar os Marotos voltarem de onde quer que eles estivessem.

— Que isso, Rach, deixa para amanhã — falou Lílian.

— Quem é você e o que fez com a Lily? — brincou Alice.

— Ah, vamos, só uma vez não vai fazer mal, vai? — retrucou Lílian sorrindo.

— Sério, Lily... Você está andando demais com Tiago. Está começando a falar como ele! — falei, me fingindo chocada.

— O amor faz esse tipo de coisa — falou Alice sonhadoramente.

— Que amor? — perguntou Lílian.

— O que você sente pelo Tiago, Lily. Não finge, não vai funcionar com a gente. Vai dizer que não está gostando de ser, digamos, amiga dele? — falei, erguendo uma sobrancelha.

— É... Ele não é tão ruim assim. Tenho me divertido ao lado dele... Mas isso não significa que eu goste dele! — Lílian se defendeu.

— Quando você vai deixar de ser cabeça dura? Aceita logo que o ama e seja feliz! — disse Alice abrindo um sorriso.

— Vou deixar as coisas como estão, por enquanto. Ele tem se comportado bem, por isso estou dando essa chance para ele — Lílian falou. — E chega de tocar nesse assunto! Vai descer mesmo, ou vai ficar por aqui, Rach?

— Ok. Você venceu. Vou deixar para fazer meus deveres amanhã — falei, levantando os braços como sinal de rendição.

Elas riram. Tomei meu banho e coloquei minha camisola, afinal eu tinha que disfarçar, para elas não perceberem que eu tinha em mente descer e esperar os Marotos.

Ficamos até tarde conversando, até que decidimos nos deitar. Mas eu não ia dormir sem as minhas respostas! Sirius me contaria o que eles andavam aprontando!

Assim que percebi que as meninas pegaram no sono, me enrolei em um roupão, peguei um livro e desci para a sala comunal. Me sentei no sofá e comecei a ler. Lá para as duas horas da madrugada, senti que o cansaço estava me vencendo e deitei um pouco, mas tentaria não dormir até que Sirius aparecesse...

Acordei já de manhã e percebi que não estava mais na sala comunal, e sim em uma cama, abraçada com Sirius, com a cabeça em seu peito. Levantei um pouco a cabeça para olhar melhor ao meu redor. Ele ainda dormia, parecia que estava tendo um sono tranqüilo, tinha um leve sorriso nos lábios. Notei que ele estava sem camisa. Fiquei parada um tempo admirando aquele corpo escultural. Ele era forte, surpreendentemente musculoso, não era nem de longe frágil como parecia sob as vestes. Bendito quadribol!

Percebi que tinha aberto a boca e achei melhor fechá-la, antes que ele acordasse e fizesse alguma piadinha. Continuei meu "exame". Tirando um corte no ombro, que não parecia grave, vi que Sirius estava bem, me perguntei onde ele teria arranjado o machucado. Olhei para o quarto.

— Muito bom dormir abraçado, não é? — perguntou uma voz rouca.

— Que susto, Sirius! — falei levando a mão ao peito. — Não vi você acordar. Como vim parar aqui?

— Quando cheguei, você estava dormindo no sofá da sala comunal, tentei te acordar para você ir para o seu dormitório, mas... Você tem um sono pesado, hein? — ele sorriu. — Enfim, achei que você ficaria mais confortável em uma cama, como não posso entrar no seu dormitório, te trouxe para o meu.

— Obrigada. Acho que aquele sofá ia me deixar quebrada.

— Com certeza! — ele falou sorrindo. — Mas vamos deixar de conversa! Me dá logo o meu beijo de agradecimento, para depois você poder me dar um de bom dia!

— Está exigente! Antes de qualquer coisa, tenho perguntas a fazer!

— Não respondo nada sem ter recebido meus beijos! — ele falou, cruzando os braços atrás da cabeça.

Acompanhei o movimento com os olhos. Senti que ele me observava, olhei para ele, e um sorriso torto apareceu em seus lábios. Desviei o rosto, me sentindo corar, mas olhei para seu peito nu e pensamentos não muito apropriados tomaram conta do meu cérebro.

— Rach? Tudo bem? — ele perguntou, rindo. Provavelmente estava achando engraçada a minha cara.

— É... — pigarreei e olhei para o rosto dele. — Hum... Sim, tudo bem.

— Então... Bom dia, gata — ele falou.

Tirou os braços de trás da cabeça e me puxou para um beijo. Depois deitei a cabeça em seu ombro e ele acariciou meus cabelos. Ficamos assim por um tempo, até que resolvi quebrar o silêncio.

— Six, que horas você chegou?

— Tarde, minha loira, tarde.

Eu ia perguntar mais coisas quando ouvi os outros acordando. Remo foi o primeiro a levantar, olhou para mim, desejou um bom dia e foi para o banheiro se trocar. Tiago, que também estava sem camisa, levantou logo em seguida. Pedro ainda roncava.

— Tem mais coisas que você quer saber, Rach? — falou Sirius.

— É bom que todos estejam acordados. Quero respostas de todos vocês!

— Espera só um minuto, então — falou Tiago. Ele foi para a cama de Pedro, sentou ali perto e falou: — Cara, acho que não devíamos ter comido todos os Sapos de Chocolate do Pedro, ele não vai gostar disso.

Pedro pulou da cama e se jogou em seu malão.

— Sai, sai! São todos meus!

Começamos a rir. Só então Pedro percebeu que era mentira, que tinham feito aquilo para acordá-lo.

— Vocês não valem nada! — comentei ainda rindo da cena.

— Temos que nos divertir! Nada melhor do que começar o dia com uma boa gargalhada! — disse Remo saindo do banheiro.

— Ok. Mas é melhor irmos direto ao assunto principal. Rachel quer fazer umas perguntas para a gente — começou Sirius, olhando os Marotos. Parecia querer dizer alguma coisa além das palavras, com aquele olhar. — Como ela estava dormindo na sala comunal quando chegamos, acho que não vai querer ficar sem respostas...

Lílian entrou no quarto, olhou ao redor, me viu deitada na cama de Sirius e falou:

— Então é aqui que você está, loira!

— Sim. Aqui que estou, ruiva! Por que? — perguntei me sentando.

— Estava te procurando! Vi que não dormiu na sua cama, fiquei preocupada! Perguntei se alguém tinha te visto e a Sam me disse que, quando passou pela sala comunal voltando do "encontro" com o namorado, te viu no sofá. Desci para te procurar, mas você não estava mais lá!

— Sirius me encontrou dormindo no sofá, como ele não pode entrar no nosso dormitório me trouxe para cá, para eu não ficar com dor nas costas, nem nada... — Lílian me olhou erguendo uma sobrancelha, me apressei a explicar: — Não aconteceu nada! Não é, Sirius?

— Infelizmente, não aconteceu nada. Só dormimos... — Sirius falou com um sorriso malicioso. Dei um tapa nele.

— Comporte-se, Sr. Black! — falei, mas ele apenas sorriu. Lílian revirou os olhos.

— Mas por que você estava na sala comunal? Achei que tinha te convencido a deixar para fazer os deveres hoje... — quis saber a Lílian.

— O que? Meu lindo lírio deixando deveres para depois! — exclamou Tiago, passando a mão no cabelo. — Eu não disse para vocês que ela é perfeita para mim?

— Fica quieto, Tiago! — retrucou Lílian.

— Eu queria algumas respostas... — falei, encerrando a briga, antes que ela começasse.

— Eu também quero respostas! — ela exclamou e foi sentar em uma poltrona. Seus olhos caíram sobre Tiago, que ainda estava sem camisa, a boca dela abriu um pouco, mas ela logo se deu conta disso, a fechou e evitou olhar na direção dele novamente. Eu ri baixinho da expressão dela. — Não vai descer para o café, Rach? — Lílian falou, mudando de assunto, tentando disfarçar seu embaraço.

— Viu alguma coisa que gostou? — perguntou Tiago, que tinha percebido o olhar da ruiva. — Pode falar. Quem sabe deixo...

— Vamos deixar essa conversa sem sentido para depois. Quero respostas e não saio daqui sem elas! — falei para os Marotos. Lílian me olhou agradecida por interromper Tiago. — Como perceberam, não precisam se preocupar com a Lily, porque ela também quer saber!

— O que querem saber? — Remo suspirou.

— O que vocês andaram fazendo? Sei que você, Remo... — parei de falar. Ele não sabia que Lílian conhecia seu segredo.

— ... foi para a Casa dos Gritos, por causa lua cheia — falou Lílian, olhando para Remo. — Sei disso há séculos! Mas pode ficar tranquilo, não vou contar para ninguém! — completou na hora que Remo abria a boca para falar. — Queremos saber o que os três mosqueteiros ali fizeram — indicou Tiago, Sirius e Pedro. Ela ainda evitava olhar o apanhador.

— Três o que? — perguntou Tiago.

Na hora que ele falou, a resolução de Lílian, de não olhar para ele, foi por água abaixo, ela se preparou para responder, virou a cabeça na direção dele e ficou muda.

— Mosqueteiros... É um conto trouxa — expliquei, tentando ajudar a ruiva.

— Ah! Não podemos dizer, Lily — disse Tiago.

Ela ainda olhava fixamente para ele, ou melhor, para o peitoral dele.

— Mas vocês vão dizer! — falei. — Ninguém sai deste quarto enquanto não tivermos nossas respostas! — continuei ao ver que Pedro tentava sair, provavelmente para comer.

— Votação, Marotos! Vocês concordam em contarmos? — perguntou Sirius para os outros.

— Elas vão acabar descobrindo... Principalmente se você der a aula que deve para a Rach... — falou Remo. Tiago confirmou com a cabeça.

— Isso é segredo de estado, mas... Ok. Saímos com Remo. Pontas, Rabicho e eu.

— Rabicho? — perguntei. Já sabia que Sirius chamava Tiago de Pontas, apesar de não saber o por que.

— Pedro — explicou Tiago.

— Ah, tá! — pensando bem, eu já tinha ouvido os rapazes chamarem ele assim, mas nunca prestei muita atenção no Pedro, então... — Mas... é perigoso! — falei me virando para Sirius.

— Sabemos nos cuidar, gata. Não precisa se preocupar.

— Como vocês fazem isso? É perigoso para um huma... — parei de falar. Fiquei olhando para Sirius, depois olhei para Tiago e Pedro. Os Marotos pareciam ter parado de respirar.

— Algum problema, Rach? — perguntou Lílian, que só agora conseguiu desviar o olhar de Tiago e não tinha escutado o que eu dissera, pois ela teria compreendido tão bem quanto eu.

— Acho que... — olhei para Lílian. — Acho que estou com fome... Não jantei direito ontem... — mordi o lábio, nervosa. — Você sabe como fico quando não me alimento. Pode fazer um favor para mim, Lily? Acho que ainda estão servindo o café... Desce lá e tenta trazer uma torradas. Vou ficar melhor depois de comer...

— Claro, Rach! Mais alguma coisa? — Lílian perguntou, se colocando de pé. Ela sabia que eu podia até desmaiar se não comesse, pois já tinha visto isso acontecer.

— Traz suco de abóbora, também — respondi.

Lílian saiu do quarto. Os Marotos me olhavam, pareciam aliviados que eu não tivesse falado nada na frente da Lílian, mas ainda estavam assustados.

— Vocês... vocês não... — gaguejei.

— Não o que? — perguntou Tiago apreensivo.

— Remo, como você pôde deixar eles fazerem isso? — perguntei chocada, encarando meu amigo.

— Eu não deixei ninguém fazer nada, Rach — Remo se defendeu. — Eles descobriram que sou um monstro e resolveram...

— Você não é um monstro! — gritei interrompendo o que ele dizia. — E vocês, seus malucos! — falei, me virando para os outros, minha voz saiu aguda, como sempre acontecia quando eu ficava nervosa. — Não pensaram nos perigos?

— Ela é bem nervosa! — falou Pedro um pouco escondido.

Sirius me abraçou, puxou meu rosto para perto do dele e disse:

— Não podíamos deixar de ajudar um amigo. Você não imagina o quanto é difícil para ele, enfrentar isso sozinho...

— Posso imaginar. Falei sobre isso com Remo. Mas... — falei tentando controlar minha voz, que ainda estava aguda.

— Rach... Como você disse, quer dizer, quase disse, é perigoso para humanos. Mas não é para animais. Então, decidimos nos transformar, assim poderíamos acompanhar nosso amigo e dar a ele o apoio que precisasse — falou Tiago, com a voz baixa.

— Passamos muito tempo estudando Animagia, para conseguir. Mas conseguimos e, desde o quinto ano, acompanhamos Remo nas noites de lua cheia — completou Sirius.

A visão do cervo e do cachorro preto, voltou à minha mente. Eram eles?

— Na primeira noite, vi um lobo acompanhado de um cervo e de um cachorro preto... Eram vocês? — perguntei, finalmente conseguindo controlar a voz.

— Tiago é o veado... — começou Sirius.

— Cervo! — gritou Tiago.

— ... por isso chamamos ele de Pontas, por causa dos chifres. Eu sou o cachorro — Sirius continuou como se não tivesse sido interrompido.

— O nome Almofadinhas é por causa das patas dele, que parecem almofadas — completou Remo.

— E Pedro? — perguntei.

— Ele se transforma em um rato, por isso o nome Rabicho — falou Sirius.

Fiquei um tempo tentando apreender tudo aquilo. Era muita informação. Me lembrei que Lílian logo estaria de volta.

— Não vou contar a ninguém, mas... — sussurrei. — Lily logo estará de volta e vai querer saber o que conversamos aqui. Não acho que seja hora dela descobrir, ainda não. Temos que pensar em alguma coisa para dizer para ela... Alguma sugestão?

Ainda não? — perguntou Tiago.

— Isso mesmo. Acho melhor você contar, Ti, quando vocês se acertarem — respondi.

— Então... espero que seja logo! — disse Tiago, abrindo um sorriso.

Lílian voltou com torradas para todos, sentou na poltrona que ela tinha sentado antes e perguntou o que estávamos falando.

— Vocês estragaram a surpresa! — Remo reclamou.

— Surpresa? — perguntou Lílian.

— É. Sirius queria fazer uma festa surpresa para o aniversário da Rachel, que está chegando — disse Tiago. — Mas vocês, desconfiando da gente, acabaram estragando tudo! Agora ela já sabe!

— Nossa! É mesmo! Rachel vai virar maior de idade! — exclamou Lílian. — Mas vocês podiam contar comigo para isso!

— Eu não queria que ninguém muito próximo a ela soubesse, para não deixar escapar antes da hora — falou Sirius, com ar desolado.

Fiquei tão impressionada com a capacidade de raciocínio deles, que cheguei a acreditar que tinha um fundo de verdade naquela história. Percebi que era armação, quando vi Pedro. Ele parecia perdido, ia abrir a boca para perguntar, mas Tiago disse que não adiantava mais disfarçar e piscou um olho para ele. Só então Pedro se deu conta de que haviam acabado de inventar a tal festa.

— Quando você chegou, eu estava falando para eles que não precisa de festa — entrei na brincadeira. — Que não sou muito de comemorar aniversário...

— Nem vem! Tudo bem que agora não é mais surpresa, mas vamos comemorar assim mesmo! Podem contar comigo! — disse Lílian.

— Não! Não quero mais ninguém envolvido nisso. Vocês vão cancelar essa tal festa! — reclamei. — Não vou aparecer!

— Gata, deixa a gente comemorar? — disse Sirius fazendo cara de cachorro que caiu da mudança. — Prometo que você não vai se arrepender...

— Ai, Merlim! — exclamei. — Me diz se tem como resistir a uma cara dessas? — apontei para a cara do Sirius e ri. Os marotos e Lílian me acompanharam.

Franco chegou no quarto com Alice. Eles estranharam Lily estar ali, sentada ao lado de Tiago e rindo, mas ela disse que, para felicidade geral, tinha resolvido parar com os gritos e ser amiga dele.

— Isso ainda vai dar em casamento! — brincou Alice.

— Eu vou ser o padrinho! — Sirius falou, erguendo a mão.

— Não vai ter casamento! Não é porque ficamos amigos que vamos nos casar — Lílian falou.

— Vamos lá para fora, o dia está lindo — convidou Alice, antes que a nova amizade acabasse em briga.

— Vão na frente, ainda temos que nos trocar — falou Tiago.

— Lily, me faz mais um favor... Pega uma roupa para mim? Não quero passar pela sala comunal de camisola... — pedi para Lílian.

— Não precisa fazer essa cara de Sirius, eu pego — ela respondeu.

— Cara de Sirius? — perguntou Sirius.

— É... de cachorro sem dono — respondeu Lílian rindo, antes de sair do quarto.

— Que bom! Agora teremos uma festa! — falou Tiago com brilho nos olhos.

— Ainda temos uma semana para arrumar tudo e temos passeio a Hogsmeade no sábado antes do aniversário da Rach — falou Remo.

— Ai, festa... — suspirei. — Ok. Mas agora que ela saiu, tenho umas coisas para falar sobre o assunto inicial — comecei. — Vou ajudar vocês. Na próxima lua cheia, quero dizer.

— Não! — gritaram Remo e Sirius.

— Eles vão em forma de animais, não correm riscos, mas você... — começou Remo.

— Ninguém falou que eu acompanharia vocês! — interrompi ele. — Remo, sei que é perigoso, não posso ir como humana e ainda não sou animaga... Mas posso ajudar de outras formas. Impedindo que os professores vejam vocês dormindo, como Lílian, eu, Franco e Alice fizemos dessa vez, por exemplo.

— Nos viramos bem desde o quinto ano. E... Como vai fazer para esconder os quatro sem contar para ninguém? — quis saber Pedro.

— Isso é problema meu. Darei um jeito. Agora é a minha vez de dizer para vocês ficarem tranqüilos!

Todos rimos. Tiago, Sirius e Pedro foram se trocar. Lílian voltou do dormitório feminino com roupas e escovas de dente e de cabelos – Merlim, obrigada pela amiga! –, logo que ela chegou, fui me trocar também.

— Almofadinhas, não esquece que tem treino de quadribol hoje de tarde — Tiago lembrou ao amigo.

— Sim, capitão! — brincou Sirius.

Descemos para os jardins e encontramos Franco e Alice namorando perto do lago. Nos sentamos embaixo da faia, Sirius encostado na árvore e eu entre suas pernas, me apoiando em seu peito, como da última vez que estivemos ali. Pedro disse que ia para a cozinha porque ainda estava com fome. Tiago sentou na grama e tirou seu pomo de ouro do bolso novamente. Lílian e Remo sentaram perto dele e começaram a planejar minha festa.

— Rach... Você falou uma coisa no quarto que... Bom... o que você quis dizer com "ainda não sou animaga"? — disse Sirius, dando destaque para o ainda.

— Você poderia me ajudar nessa parte... Já que você é tão bom em Transfiguração... Pensei que talvez...

— Você é louca, sabia? — ele me interrompeu. — Não é tão fácil assim! Já te disse, levamos tempo para aprender!

— Primeiro: eu nunca disse que não era louca, prova disso é que namoro um Maroto... Segundo: é difícil, mas vocês aprenderam!

— Não vou discutir isso!

— Quer apostar que aprendo rápido?

— Nada disso, mocinha! Você já perdeu uma aposta para mim! Está me devendo uma ida a Hogsmeade — ele me lembrou.

— E vou pagar minha prenda, vou com você. — falei virando um pouco a cabeça para ele. — Mas só por causa da aposta! — completei brincando.

— Assume logo que vai porque me ama!

— Quem te disse isso?

— Agora você vai ver, loira! — ele começou a fazer cócegas em mim. — Só paro quando você confessar seu amor, ou não me chamo Sirius Black!

— Não! Por... favor... pára!... Pára! — tentei falar, enquanto ria.

Eu tinha caído deitada na grama. Ele continuou fazendo cócegas. Lílian, Tiago e Remo pararam de conversar para ver o que estava acontecendo.

— Ok... Você... venceu! Pára... um pouco... para eu... poder... falar — disse ainda entre risadas.

Ele parou. Tinha um sorriso no rosto e uma sobrancelha erguida.

— Vai falar?

— Para me livrar da tortura — eu disse e ele voltou a fazer cócegas. — Tá bom! — ele parou novamente. Me sentei de frente para ele. — Vou com você porque te amo.

Remo e Tiago convidaram Lílian para uma volta, com a justificativa de que eu não ouvisse o planejamento da festa e pudesse, de alguma forma, ter uma surpresa. Eu percebi que eles queriam nos deixar sozinhos.

— Também te amo, gata. E como amo! — ele disse, abrindo um sorriso. — Demorei a aceitar isso para mim mesmo. — ele parecia sentir necessidade de explicar. — Sirius Black não podia se apaixonar... Mas eu morria de ciúmes sempre que algum outro garoto se aproximava de você. Quando decidi tomar uma atitude, você tinha começado a namorar aquele tal de Hale... — ele disse o nome do garoto com desprezo.

— Sirius... — falei baixinho.

— Rach, eu preciso te falar... — ele colocou um dedo sobre meus lábios. — Eu sempre saí com um monte de garotas para fazer você ficar com ciúmes, mas parecia que você nem ligava para mim. Quando você terminou com aquele idiota, comecei a te chamar para sair, você sempre dizia não... — ele suspirou.

— Com a fama que você tem? Não queria ser mais uma da sua listinha besta. — interrompi. — Pelo menos você não levou tantos foras quanto o Tiago. Seus amigos não precisavam apostar — brinquei.

— Tem razão. O Pontas bate todos os recordes. Mas como eu queria ter falado com você antes...

— Deixa isso pra lá. O que importa é o agora.

— Tem razão. Te amo muito, minha gata loira!

Nos beijamos e depois me encostei novamente em seu peito. Ele suspirou em meu pescoço, o que fez com que eu me arrepiasse.

Lílian, Tiago e Remo se aproximaram.

— Vamos entrar? Já está na hora do almoço — disse Lílian.

— Vamos — respondeu Sirius.

Nos levantamos e todos seguimos para o castelo.

— Hey, já que falamos nos dois... Estava pensando em dar um empurrãozinho no relacionamento do Pontas e da ruiva, o que acha, Rach? — sugeriu Sirius, no meu ouvido.

— Idéia brilhante! Como faremos?

— Eu tenho um plano, te conto depois.


Desculpem a demora...

Pra quem tentou adivinhar minha pergunta do capítulo anterior: caí do sofá e bati com a cabeça na mesa...

Fernanda Ginny: obrigada pelas reviews. Espero que curta esse capítulo também!

Barbarella Giorgion: Que bom que gostou! Espero que curta o próximo capítulo!

Muitas coisas ainda vão acontecer! Será que Sirius vai continuar com Rachel? Será que eles vão conseguir unir Tiago e Lílian?

Comentem, pleeeeeeeeease!

Caso não consiga atualizar até lá: Feliz Natal a todos!

Bjos