Cap 9. Festa de Aniversário
Voltamos para o castelo. Tirando Pedro, que disse que estava com fome, seguimos direto para a Torre da Grifinória, pois estávamos cheios e não conseguiríamos comer mais nada.
Passamos um bom tempo na sala comunal. Remo sugeriu um "campeonato" de xadrez de bruxo. Fui a primeira a enfrentá-lo, mas perdi espetacularmente. Ele era muito bom nesse jogo e Sirius não colaborou comigo! Nem um pouco! Ficou falando no meu ouvido, dando dicas de jogadas, o que me desconcentrou, afinal, aquela voz rouca me arrepiava e eu não conseguia pensar em mais nada.
Como Remo ganhou a partida, ele jogou contra o próximo da fila: Sirius. Até que foi um jogo equilibrado, mas Sirius acabou por vencer Remo. Tiago foi o próximo e venceu sua partida. Depois Lílian, esse foi um jogo interessante. Ele tentou o tempo todo convencer a ruiva a sair com ele.
— Se você vencer, serei obrigado a ir com você a Hogsmeade da próxima vez, e se eu vencer, você tem que ir comigo — dizia Tiago.
— Tiago, cala a boca e joga! — reclamou Lílian.
Lílian venceu as partidas jogadas com Tiago e Sam, então jogou com Remo. E assim seguiu a noite.
Quando deu meia-noite, Pedro apareceu, Lílian se deu conta de que já estava tarde e a sala comunal ainda estava cheia. Ela começou a mandar todo mundo para cama. Alguns olharam para Tiago, como que esperando que ele dissesse que podiam ficar mais um pouco, mas, para surpresa geral, ele disse que era para fazer o que a Lílian mandou. Muitos foram sob protesto, outros foram calados.
— Six, adorei o dia! Obrigada — falei para ele.
— E você se negava a sair comigo antes! Está vendo o que perdeu esse tempo todo? — ele perguntou, me abraçando.
— Não queria ser mais um nome para você.
— Você nunca seria, nem nunca vai ser, mais um nome para mim! — ele sussurrou em meu ouvido e me deu um beijo de boa noite.
— Tchau, Marotos, tenham uma boa noite de sono — disse Lílian, me puxando com uma mão e com a outra puxando Sam.
— Tchau, meninas! — responderam eles.
Alice e Érica já estavam no quarto e quiseram saber como fora o passeio da Sam com o Remo. Como ela ficou o tempo todo com Lílian e Tiago, não teve um momento a sós com Remo, portanto, nada para falar.
— E o seu passeio com Sirius, Rach? Você parecia muito feliz quando nos encontramos no Três Vassouras! — quis saber a Sam.
Contei tudo. A praça, a demonstração de carinho e respeito, o romantismo...
— Nunca imaginei isso: Sirius Black é romântico? — brincou Lílian.
— Falei a mesma coisa para ele, Lily — respondi. — Mas ele disse que eu era importante demais para ele, que ele não queria me magoar.
Elas suspiraram.
Fomos dormir e sonhei, para variar, com ele: Sirius Black!
No dia seguinte acordei assustada, pois Alice pulou na minha cama me desejando feliz aniversário.
— Obrigada, Alice — resmunguei, tentando acordar de verdade.
— Parabéns, Rach! Agora já pode fazer magia fora da escola! — falou Sam.
— Quantos presentes, hein? — disse Érica.
— Abre logo! Estamos curiosas para saber o que Sirius te mandou! — disse Lílian.
Peguei o primeiro presente, era dos meus pais. Tinha um bilhete de minha mãe.
Minha linda bruxinha,
Quem diria! Maior de idade! Dezessete anos! Nem acredito! Parece que foi anteontem que você nasceu e ontem que você recebeu sua carta para Hogwarts. Estamos muito felizes com esse acontecimento em sua vida.
Parabéns, meu anjo! Muitas felicidades.
Mamãe.
P.S.: Seu pai mandou um recado para você, está dentro do embrulho, junto com o presente. Ele está começando a aceitar a idéia de que você é uma bruxa, graças a Deus, ou, como você diz às vezes, graças a Merlim!
Quando terminei de ler, tinha lágrimas nos olhos. Abri o embrulho e encontrei um lindo colar, com uma pedra de água marinha e mais um bilhete, dessa vez escrito por meu pai.
Minha linda,
Escolhi essa pedra para você. Descobri algumas coisas sobre ela, e achei perfeita para te mandar. Ela encontra-se há milhares de anos entre as mais apreciadas pedras de adorno e cura. Os antigos gregos apreciavam-na como símbolo da limpeza, amor e como proteção da sorte no matrimônio (não que seja o seu caso, agora, mas no futuro...). Eles designavam como pedra protetora das sereias (você sempre foi a minha pequena sereia, lembra?). Os árabes apreciavam essa pedra como símbolo da alegria, que trazia ao seus portadores paz, alegria e felicidade (coisas que você tem trazido incansavelmente para mim e para sua mãe, e que desejamos para você). Essa é uma pedra que preenche a vida com mais sorte e entusiasmo.
Espero que você goste e a use direto. Sei que tenho sido cabeça dura com a sua realidade (ser bruxa), mas... Acho que você está feliz com isso, e pode ser mais feliz ainda. Portanto... Estou, oficialmente, aceitando uma bruxa em casa!
Te amo, filha. Só quero que sejas muito feliz!
Papai.
Foi o que bastou para as lágrimas correrem livremente pelo meu rosto. Remo tinha razão, meu pai, um dia, aceitaria que eu era uma bruxa. Não via a hora de falar para ele, podia apostar que ele me diria "Não te disse?". Era bom demais!
— O que houve, Rachel? Alguma coisa errada? — perguntou Lílian, que ficou preocupada com meu choro.
— Não. Pelo contrário, tudo mais do que certo. Depois te conto, quero contar isso para o Remo também — falei, colocando o colar.
— Para o Remo? — ela piscou e entendeu o que eu quis dizer.
— Vamos para o próximo! — falei, antes que mais alguém perguntasse alguma coisa.
Abri o segundo pacote. Era o presente da Lílian: um livro. Bem a cara dela, dar um livro para alguém. Mas adorei! Era um livro sobre Animagia.
— Para te ajudar nas aulas com o Sirius — Lílian riu. — Não sei se você vai precisar, mas achei interessante.
— Obrigada, Lily! Amei! Vai me ajudar bastante, com certeza! — falei dando um abraço nela. Depois disso, Lílian disse que já voltava e saiu do quarto.
Continuei abrindo meus presentes. O terceiro era um vestidinho lindo, que Alice me falou que achou a minha cara. O quarto, era da Sam, um rolo de pergaminho magicamente protegido, ela disse que era para eu fazer um diário. O quinto era, no mínimo inusitado, uma coleira de cachorro, dada por Tiago, com um bilhete que dizia que era para eu gravar meu nome e colocar no pescoço do Sirius.
Nessa hora, Lílian entra no quarto com os Marotos. Quando viram o presente de Tiago, todos caíram na gargalhada, menos Sirius, que disse que não usaria aquilo.
— Six, você não usaria isso por mim? — perguntei manhosa. — Nem em ocasiões especiais? — dei ênfase em ocasiões especiais.
— Nesse caso, pode ser — ele falou entendendo o que quis dizer (lua cheia) e vindo me dar um beijo. — Feliz aniversário, minha gata! A propósito, você está linda com esse colar, realça seus olhos.
— Obrigada, meu cachorro! Por tudo.
As meninas não estavam entendendo nada daquilo, mas como Sirius tinha fama de galinha e cachorro, entre tantas outras, acharam que era a isso que se referia meu comentário.
Segui abrindo meus presentes. Uma caixa de Sapos de Chocolate, de Pedro. Uma pulseira, da Érica. E uma bolsa de pele de briba, do Remo.
— Sirius, você esqueceu da sua namorada? — perguntou Alice.
— Nunca! Mas meu presente será entregue na hora certa, e não é agora! — ele falou dando de ombros.
— Obrigada a todos pelos presentes, não precisavam se incomodar com isso — agradeci. Lembrei do bilhete do meu pai e lágrimas surgiram de novo em meus olhos. — Remy, preciso te contar uma coisa!
— O que foi, Rach? Alguma coisa errada? — Remo falou igual a Lílian.
— Te conto depois... — falei indicando discretamente, Alice, Sam, Érica e Pedro.
— Eu vou descer para tomar café! — Pedro falou. — Feliz aniversário, Rachel.
— Vamos também, meninas? — Alice falou para Sam e Érica.
— Bom... Eu tentei ser discreta... — falei depois que elas saíram. — Deixa pra lá! — eu não ligava para isso agora, só queria pensar no bilhete do meu pai. E mais lágrimas correram pelo meu rosto.
— O que houve, Rach? Estou ficando preocupado! — falou Remo.
— Pois não fique! — falei entregando para ele a carta de meu pai. — Esse foi o melhor presente que recebi! Agradeço muito a todos vocês, mas é que esse... Desde que entrei aqui, estou esperando por ele.
Remo terminou de ler e passou para Tiago. Lílian e Sirius leram sobre o ombro dele.
— Que máximo, Rach! — falou Lílian.
— Finalmente ele te entendeu! — falou Tiago.
— Eu te disse que isso ia acontecer! — falou Remo.
— Eu tinha apostado comigo mesma que você diria isso, Remo — falei. — "Eu te disse" — expliquei quando vi a cara de dúvida dele.
— É mesmo muito bom, gata! Seu pai te aceitar... É ótimo! Mas... — disse Sirius.
— Mas o que, cachorro? — perguntei já esperando uma resposta à altura dele, pois ele sempre tinha que ser o melhor em tudo.
— Você ainda não viu o meu presente, portanto, esse aí — ele apontou para o bilhete do meu pai —, pode ser um dos seus melhores presentes!
— O que você está aprontando, Six? — quis saber Lílian.
— Surpresa, minha cara, surpresa — disse Sirius, passando um braço no ombro da Lílian.
— Afasta, Almofadinhas! Vai agarrar a sua namorada! — falou Tiago, que tinha ficado desconfortável com o abraço de Sirius em Lílian.
— Rachel, estou muito feliz por essa conquista! Sei o que é ser aceito entre as pessoas — disse Remo. — Sabe que estou torcendo por você, não sabe? Sempre, cada dia mais!
Não resisti, deixei as lágrimas correrem por meu rosto. Estava muito feliz com a notícia do meu pai e emocionada com o que Remo me disse.
— Não se preocupem — falei antes que eles se preocupassem. — Estou assim de felicidade! Remo, obrigada pela força, obrigada por ser assim.
Fui me trocar para descermos para o café. Sirius tentou se oferecer para me ajudar, mas Lílian expulsou os Marotos do quarto.
Na mesa do café, todos pareciam extremamente animados, pois no final da tarde, teria a festa para comemorar o meu aniversário.
Sirius era o que estava mais extasiado com isso. De repente ele fechou a cara e me abraçou forte.
— Anjo! Feliz aniversário! Queria te dar o meu presente. Ele acabou de chegar para mim, por isso, não pude enviar hoje de manhã — disse Jonathan Hale, que se aproximava da mesa da Grifinória. — Uau! Você está linda com esse colar!
— Ah! Oi, Jonathan! Obrigada pelo presente, não precisava — falei me sentindo incomodada com a situação.
Ele tinha o costume de me chamar de "anjo", mas depois que parei de sair com ele era estranho continuar com isso. E na frente de Sirius? Era um pouco demais!
— Bom dia, Hale! — Sirius rosnou, chamando a atenção do garoto para si.
— Ah! Bom dia, Black! Não tinha te visto aí — mentiu ele. Não tinha como não ver Sirius, principalmente com ele estando grudado em mim. — Ah! Potter, Lupin e Pettigrew também!
— O que você tem aí? — perguntei antes que eles resolvessem brigar, pois Sirius já tinha aberto a boca para falar alguma coisa.
— Só uma coisinha que você vai gostar — ele falou me estendendo o embrulho.
Abri o presente. Nunca na vida imaginei uma coisa daquelas! Era o presente mais imbecil que alguém pode dar: um pergaminho com um vale encontro, com Jonathan Hale, para a noite do meu aniversário! Existe algo mais ridículo e sem noção?
Sirius bufou de raiva. Tiago e Remo seguraram Sirius, pois se ele fizesse qualquer coisa ali, no meio do Salão Principal, com todos os alunos e professores presentes, seria no mínimo uma detenção!
— Calma, Six, eu resolvo isso, está bem? — cochichei para ele, tentando acalmá-lo.
— Vou tentar me controlar, mas não prometo nada — ele respondeu.
— Hale — ele estranhou ser chamado assim por mim —, desculpe, mas tenho planos muito melhores para essa noite.
— Que tipo de planos? — ele perguntou.
— Não que isso seja da sua conta, mas... passar a noite com Sirius por exemplo — falei indicando Sirius. Os Marotos me olharam espantados. Fiz um mínimo movimento de cabeça, indicando que não era para falarem nada. — O seu presente, bom... você pode dar para outra garota. De preferência da sua Casa! — falei rápido, pois Hale estava esticando o olho para Lílian.
Ele não tinha noção do perigo mesmo! Brincar assim com dois Marotos? E logo os dois mais, como dizer, malucos?
Ele tomou o pergaminho da minha mão e saiu resmungando.
— Agora eu posso azarar ele, assim nunca mais ele se mete... — começou Sirius.
— Você não vai azarar ninguém! — interrompi. — Vamos esquecer que isso aconteceu! Não é porque ele é um idiota que vamos estragar nosso dia.
— Você tem razão. O dia é seu — falou Sirius. — Dá para os dois me soltarem? — ele reclamou, pois Tiago e Remo ainda seguravam ele. Eles o soltaram.
Depois do café, fomos para os jardins. O tempo estava começando a esfriar, mas ainda dava para ficar fora do castelo.
— Ora, ora, ora, vejo que o grupinho que se intitula Marotos, ganhou mais três membros! — falou uma voz às nossas costas.
— Cai fora, Ranhoso! — falou Remo.
— Duas sangues ruins e uma mestiça se juntaram ao grupo! Também com dois traidores do sangue e um lob... — ele começou.
— Cala a boca! — gritamos Lílian e eu.
Com um aceno de varinha Tiago fez com que Snape fosse erguido pelos pés, ficando de cabeça para baixo. Era a segunda vez, em menos de um mês, que ele ficava assim.
— Abre essa boca mais uma vez e você vai se arrepender de ter nascido, Ranhoso! — falou Tiago.
— Eu te pego, Potter! — Snape gritou.
— As moças aqui já mandaram você calar a boca, Ranhoso — falou Sirius, fazendo um movimento com a varinha e calando ele. — Vamos, vocês não merecem ver isso — ele completou, falando comigo, Lílian e Sam, que também estava com a gente.
— Vocês não vão deixar ele assim, vão? — perguntou Lílian.
— Depois do que ele falou? Vamos sim! Ele que se vire para sair daí! — disse Tiago.
— Pelo menos, deixa ele descer — falou Sam.
Com uma certa relutância, Tiago desceu Snape, mas não retirou o feitiço de Sirius.
— Vamos voltar para o castelo? Vamos para a sala comunal? — perguntei. Não queria mais ficar ali. Snape podia tentar alguma coisa.
De início, ninguém quis, mas Sirius disse que não precisavam se preocupar, pois de tarde ele me tiraria da Torre da Grifinória, para que pudessem arrumar a festa.
Quando chegamos à sala comunal, nos sentamos perto da lareira. Remo parecia arrasado. Seu segredo quase fora falado por Snape.
— Aluado, fica tranquilo. Aquele imprestável não pode falar nada! — falou Tiago.
— Não pode, mas quase falou. Não devíamos ter feito aquilo! — Remo exclamou.
— Aquilo o que? — quis saber Lílian.
— Nada, meu lírio — Tiago se apressou a responder.
— Nada, não, Tiago! O que vocês aprontaram? — ela insistiu.
— Lily, você sabe como são esses Marotos! — falei, cortando a resposta de Tiago. — Eles devem ter aprontado alguma coisa. E você acha que vão contar para você? A monitora chefe certinha? — brinquei, antes que alguém falasse demais.
— Mas o Tiago também é monitor chefe! Ele não pode mais fazer esse tipo de coisa! — ela exclamou.
— Lily, desde quando o Ti se preocupa com isso? Eles vivem falando que é uma vergonha para um Maroto ser monitor! — falei apontando os garotos. — Além do que, o Tiago é tão Maroto que ninguém nem lembra que ele é monitor chefe!
— Tem razão — ela se deu por vencida.
— Que tal uma partida de Snap Explosivo? — perguntou Remo.
— Obrigado pela força, gata! Acho que não conseguiríamos aplacar a curiosidade da Lílian com tanta perfeição — Sirius cochichou para mim.
— Não foi nada — cochichei de volta.
Ficamos jogando conversa fora e jogando Snap Explosivo até a hora do almoço. Quando estávamos saindo da sala comunal para o Salão Principal, Sirius ficou um pouco para trás, me mantendo com ele.
— A primeira fase do plano para unir aquela cabeça dura da Lílian com o Pontas, está dando certo! — disse Sirius.
A primeira fase do plano era convencer a Lílian a trabalhar ao lado do Tiago para a produção da festa do meu aniversário. Sirius tinha em mente que, até o final da festa, eles já estivessem juntos, mas até lá, muita coisa ia acontecer.
Depois do almoço, Lílian chamou Tiago, Remo, Pedro e Sam para preparar a minha festa, na sala comunal. Me levantei dizendo que ia ajudar, mas Sirius me impediu.
— Está na hora de você receber seu presente, Srta. Hobday — disse Sirius. — Você vai comigo e não vai se preocupar com a festa, isso é por conta deles.
— Onde vamos? — perguntei apreensiva.
— Você verá, gata, não se preocupe com nada. Apenas siga o magnífico Sirius Black — Sirius respondeu.
Meu coração deu um pulo! Merlim, onde ele ia me levar? O que ele estava aprontando?
Enquanto os outros Marotos, Lílian e Sam seguiam para a sala comunal, Sirius me levou para o lado oposto deles, mas ainda dentro do castelo.
Chegamos no corredor do sétimo andar e paramos em frente a uma tapeçaria onde Barnabás, o Amalucado, tentava ensinar balé a trasgos.
— Onde estamos, Sirius? — perguntei.
— Só um minuto e já te digo.
Ele andou de um lado para o outro na frente daquela tapeçaria, umas três vezes. Eu já estava começando a achar que ele tinha pirado completamente, quando ouvi um clique. Sirius parou de andar, abriu um sorriso enorme, se aproximou de mim, apontando a varinha e fez um feitiço, colocando uma venda em meus olhos.
— O que você está fazendo? — eu quis saber.
— Confie em mim, você vai gostar!
Ele me pegou no colo e me carregou para algum lugar. Quando ouvi um barulho de porta trancando, perguntei de novo:
— Onde estamos?
— Pode tirar a venda e ver você mesma.
Tirei a venda e me deparei com um lugar lindo. Parecia um imenso jardim, apenas com as flores que mais gosto: orquídeas. Fiquei admirando aquilo por algum tempo, antes de conseguir falar.
— Sirius... Eu... Eu não sei nem o que dizer!
— Só me diga se gostou.
— Amei! Que lugar é esse? Nunca soube desse lugar antes!
— Essa é a Sala Precisa, gata. Nem todo mundo conhece. Ela atende a quase todos os desejos.
— Quase?
— Ela não provém comida.
— Ah, tá! E você desejou esse jardim para mim?
— Sim. Descobri que você adora orquídeas e pensei que um lugar como esse seria especial para você. Aqui poderemos passar a tarde juntos, sem ninguém atrapalhar — ele falou com um olhar malicioso.
— Six, não sei o que você tem em mente, mas não vou fazer nada do que você possa estar planejando!
— Você mesma disse que não sabe o que estou planejando! — ele retrucou. — Vem comigo. Tem mais uma coisa que preparei para você.
— Você já veio aqui antes? — perguntei.
— Já. Vim para saber se ficaria bom... Vem comigo, gata — ele pegou minha mão e me levo por uma trilha. Fiquei meio desconfiada, mas o segui.
Tinha uma espécie de clareira, com umas almofadas colocadas na grama baixa. O lugar dos meus sonhos para se passar uma tarde.
— Que lindo! Obrigada por isso, Six.
Ele não disse nada, apenas me olhou profundamente e me puxou para um beijo. Um beijo carinhoso, suave, como aquele primeiro que ele me roubou na detenção. Passei meus braços em torno do pescoço dele e ele me pegou no colo pela segunda vez naquele dia. Me levou para o centro da clareira e me deitou no chão.
Ele deitou do meu lado, apoiando a cabeça em uma das almofadas, e me puxou para deitar em seu peito.
— Six, esse lugar é perfeito! Tem como vir aqui mais vezes?
— Sempre que você quiser, gata, sempre que você quiser — ele disse me dando um beijo na testa.
Ficamos deitados um tempo, eu com a cabeça no peito dele, ele afagando meu cabelo. Estava bom demais! Eu estava tendo sonhos realizados naquele momento: ficar assim com ele, sem interrupções, sem incomodações... Apenas sentindo o perfume dele, ouvindo ele murmurar alguma coisa no meu ouvido... Trocando um beijo e outro...
— Você está tão quieta. O que está pensando?
— Em como tudo isso parece um sonho. É bom demais estar aqui, com você... Só nós dois, assim, na paz e tranquilidade.
— Que bom que gosta de ficar sozinha comigo! — ele deu uma risada que mais parecia um latido.
Ele me pegou pela cintura e me puxou para seu peito.
— Está gostando do seu presente?
— Esse é o meu presente? Uma tarde em companhia de Sirius Black?
— Uma parte dele, a outra parte você vai ganhar na festa. Mas... Podemos fazer mais do que simplesmente ficar assim — ele disse com um sorriso cheio de malícia.
— Six...
— Shhh. Não fala nada, apenas curta o momento!
Suas mãos estavam em meu cabelo, seus lábios movendo-se delicadamente contra os meus, antes mesmo que eu percebesse o que ele havia dito e o que estava fazendo.
Se eu esperasse muito, não seria capaz de lembrar o motivo para impedi-lo. Eu já estava sem fôlego. Sem comando consciente, minhas mãos agarravam seus braços e o puxavam para mais perto, minha boca colada na dele.
Tentei clarear a mente, encontrar uma forma de falar.
Sirius rolou delicadamente, me apertando na grama.
Eu já estava desistindo de impedir que ele desse prosseguimento ao seu plano. Sacudi levemente a cabeça e sua boca passou para o meu pescoço, me dando a chance de falar.
— Sirius, não — minha voz saiu fraca.
— Por que? — ele sussurrou no meu pescoço.
Eu lutava comigo mesma para impor decisão na minha voz, mas era difícil.
— Não quero fazer isso agora!
— Não? — ele perguntou sorrindo. Levou os lábios aos meus, novamente me impedindo de falar.
Eu tinha que me concentrar. Me esforcei para soltar seu cabelo e levar minhas mãos ao seu peito, para empurrá-lo e tentar fazer com que ele se afastasse. Ele recuou um pouco para me olhar.
— Por que? — ele perguntou com a voz baixa. — Te amo. Te quero.
Fiquei momentaneamente sem fala, e ele se aproveitou disso.
— Espera! — eu disse nos lábios dele.
Ele gemeu e se afastou. Ficamos deitados alguns minutos até normalizar a respiração.
— Por que não? — ele perguntou.
— Ainda não é a hora. Quero fazer isso direito. Isso é importante para mim.
Ele se apoiou no cotovelo e me olhou.
— Se é tão importante para você... — ele suspirou. — Mas se mudar de idéia...
— Você será o primeiro a saber.
— Vem aqui, então. Vamos ficar mais um pouco deitados. Daqui a pouco está na hora da festa e teremos que sair daqui.
Deitei novamente em seu peito e curtimos aquele momento.
Cedo demais, ele me disse que já era hora da festa. Nos levantamos, saímos da Sala Precisa e voltamos para a Torre da Grifinória, que, assim que passamos pelo buraco do retrato, me pareceu pequena demais.
Assim que me viram, todos começaram a cantar parabéns e me desejar feliz aniversário.
Sirius me deixou ao lado dos Marotos, Lílian, Sam, Franco e Alice, dizendo que ia buscar uma cerveja amanteigada para a gente.
— Discurso! — gritou Pedro. Tive vontade de enforcar aquela coisinha insignificante.
— Bom, como sei que não adianta negar, pois vocês vão insistir tanto que vou ter que falar... Falo de uma vez.
Sirius se aproximou com duas garrafas de cerveja nas mãos. Me entregou uma e fez sinal para que eu prosseguisse com o discurso.
— Pessoal, não sei como agradecer todos que estão aqui. Sei menos ainda como agradecer meus amigos que organizaram tudo isso. Obrigada. Quando entrei aqui, eu fiz amigos excepcionais! — olhei para Lílian e Remo, que eram os meus amigos mais íntimos desde sempre. — Nos últimos tempos, descobri novas faces de pessoas que eu não tinha muito contato e percebi o que eu estava perdendo — dessa vez, olhei para Tiago e Sirius. Apesar de ser apaixonada pelo Sirius faz tempo, eu não convivia com ele, pois o achava um galinha, safado. — Obrigada a todos! Obrigada a vocês em especial, Lily, Tiago, Remo, Franco, Alice, Sam, Pedro e, mais especialmente ainda, Sirius.
Sirius me pegou em seus braços e me deu um beijo digno de cinema. As pessoas que estavam na festa aplaudiram. Senti que corei.
— Vamos dançar, galera! — gritei.
Estava tocando uma música agitada e todos foram para a pista improvisada. Tiago tinha conseguido arrastar Lílian para um canto e dançava com ela. Vendo isso, Sirius disse que era hora de trocar o estilo musical e, com um aceno de varinha, trocou para uma música lenta.
Lílian e Tiago nem pareceram perceber que a música tinha mudado, continuaram dançando e aproximaram os corpos, acompanhando o ritmo do novo som.
Remo e Sam se aproximaram de mim e do Sirius.
— Olha lá, Almofadinhas! — disse Remo.
Olhamos na direção que ele indicou e vimos que Tiago e Lílian tinham aproximado tanto os rostos, que seus lábios estavam quase se tocando. Paramos a nossa dança e ficamos observando a cena, torcendo para que acontecesse o beijo. E...
Eles se beijaram.
Todos que estavam na festa tinham parado de dançar para olhar os dois, e aplaudiram quando o beijo terminou.
Lílian corou violentamente e Tiago abriu um sorriso no melhor estilo "tenho 32 dentes e vou mostrar todos". Ele irradiava felicidade.
Animado com a cena, Remo puxou Sam pela cintura e deu um beijo nela também. Mais aplausos surgiram para esse novo casal.
Depois que a música lenta terminou, uma mais agitada começou. Fomos nos sentar e Tiago e Lílian se juntaram a mim, Sirius, Remo e Sam.
Os rapazes disseram que buscariam as bebidas e já voltavam. Ficamos ali esperando. Sam estava radiante. Lílian ainda parecia um pouco envergonhada. Eu estava muito contente com tudo aquilo.
— Lily? Tá com vergonha de que? — perguntei.
— De todo mundo aplaudindo — ela respondeu, corando, mas sorria. Estava feliz.
— Deixa de bobeira, menina! — disse Sam. — Você queria esse beijo tanto quanto ele.
— É, bem... É verdade... Passamos um tempão juntos preparando essa festa, que nos aproximamos bastante. Percebi que ele não era tão ruim quanto eu pensava antes...
— Te digo isso faz algum tempo, Lily — sorri para ela.
— Vamos mudar de assunto! Os meninos estão chegando e não quero que eles saibam o que falamos, pelo menos não agora — disse Lílian.
Remo e Sirius vinham carregando duas garrafas de cerveja amanteigada cada um.
Tiago vinha carregando duas garrafas e um buquê de lírios. Ele colocou as garrafas na mesa e entregou o buquê para Lílian. Tinha 10 flores verdade e uma que parecia de plástico.
— Vou te amar até que a última flor desse buquê morra — ele falou para Lílian.
— Que fofo! — falou Alice, que tinha se aproximado com Franco, e ouviu o que Tiago dissera.
Lílian olhou para o buquê, abriu um sorriso, levantou e deu um beijo em Tiago.
— Obrigada, Ti — ela falou.
— Sei que o aniversário é seu, Rach, mas não podia deixar passar em branco essa data — disse Tiago.
— Ti, esse presente foi um dos melhores que recebi! Você e a Lily juntos! — falei. Tiago sorriu, abraçando a ruiva dele.
— Eu sabia que ia dar certo! Nem precisei partir para a fase dois — Sirius deixou escapar.
— Como é? — perguntou Lílian.
— É isso mesmo! Armei para vocês se juntarem hoje! Chega de ouvir o Pontas choramingar porque você dá fora nele. E chega de ouvir você gritando com ele! Pronto! Agora tudo está resolvido — Sirius sorria.
— Essa é uma noite de casais! Até Remo e a Sam se acertaram! — deixei escapar.
Sam e Remo coraram, mas se abraçaram e deram mais um beijo. Tão bonitinho ver os dois juntos! Eles formavam um belo casal!
— Agora chegou a hora, minha gata! Seu presente! — Sirius me entregou uma caixinha.
Peguei a caixinha, que era do tamanho da minha palma, e fiquei um tempo olhando, sem abri-la. Tinha uma frase escrita na tampa "Para a dona do meu coração". Meus olhos encheram d'água. Abri a caixa e vi um par de brincos e uma pulseira bem delicada, ambos tinham uma pedra de água marinha.
— Para combinar com seus olhos. Melhor ainda que seu pai tenha te dado o colar, pois assim, forma um conjunto — disse Sirius, sentando do meu lado. — Não imaginava que seria tão perfeito, afinal, não sabia que ganharia o colar.
— Six... Obrigada! É lindo! — minha voz estava embargada. Sentia lágrimas nos olhos.
— Gostou? — ele perguntou.
— Amei, Sirius. É perfeito! Nunca imaginei isso vindo de você! — falei. — Você sempre pareceu arrogante, exibido... E de repente se mostra essa pessoa maravilhosa!
— Eu sou uma pessoa completa! — ele brincou.
Dei um beijo nele, em agradecimento, e coloquei meus presentes.
— Ficou perfeito! — Lílian exclamou, me olhando.
Fomos dançar de novo.
A festa foi encerrada quando a Profª McGonagall apareceu, ela me deu parabéns pelo aniversário, mas disse que já era tarde e deveríamos ir dormir, pois o dia seguinte era segunda-feira e teríamos aula.
Quando Lílian se despediu de Tiago, dando um beijo nele, a professora disse que estava entendendo o porquê da festa durar tanto tempo.
— Sam, precisamos conversar — disse Remo, quando se despedia dela. — Tenho uma coisa para te contar, antes de acontecer algo entre nós.
— Tudo bem, Remo. Conversamos amanhã — ela respondeu, e deu um beijo de despedida nele.
Sirius se despediu de mim me abraçando e me levantando um pouco do chão antes de me beijar.
No quarto, contei para as meninas quase tudo que aconteceu na Sala Precisa. Quase porque eu não queria dividir aquilo com Alice e Érica. Na verdade, não queria falar com a Sam, apenas com a Lílian. No dia seguinte falaria só com ela.
— Como Tiago conseguiu te dobrar, Lily? — perguntou Alice.
— Bom... Estávamos dançando. A música mudou de repente... Continuamos dançando, mas ele começou a fazer declarações... — ela começou.
— Que tipo de declarações? Alguma coisa que ele nunca tenha falado antes? — Sam zombou.
— Na verdade, não. Ele já tinha falado praticamente tudo — Lílian mordeu o lábio antes de continuar. — Ele disse "Te amo". Eu respondi "Quando me disser isso com o coração e não com a boca, vou acreditar" — ela alteou a voz porque começamos a protestar —, mas aí ele falou uma coisa diferente. Acho que foi o que me fez ver que ele não estava mentindo...
— E o que foi que ele disse? — eu estava ansiosa para saber.
— "Não te amei só por um olhar, mas por um simples gesto. O amor que sinto por você é como o som de uma lágrima: não se vê, não se escuta, apenas se sente". Bom... Depois disso, não tive como continuar duvidando do que ele me dizia! — ela suspirou.
— Que lindo! — Érica estava emocionada. — Um amor assim não se encontra fácil!
— Lily, estou muito feliz por você — falei. — Finalmente vocês vão ficar juntos! Só te prepara porque as meninas no castelo vão enlouquecer! Já têm pegado no meu pé por causa do Sirius, pense você, com o apanhador!
— Eu sei, mas quer saber... Acho que elas vão ter que se acostumar! — ela riu. — Você tinha razão, Rach. Eu gostava dele, mas não queria admitir, nem para mim mesma. Acho que você me entende, não é? Com a fama daqueles dois...
— Sei, amiga. Compreendo perfeitamente — eu ri.
— E você, Sam? — Perguntou Alice. — Se acertou com o Remo?
— Pode-se dizer que sim, mas... O que será que o Remo quer conversar amanhã? — quis saber Sam.
— Isso é com ele — falamos Lílian e eu, dando de ombros.
Provavelmente ele queria contar para ela sobre seu "problema peludo", mas nem eu, nem a Lílian, falaríamos nada. Quem tinha que contar para a Sam, era o próprio Remo. Não tínhamos o direito de nos meter nesse assunto.
Fui dormir, pensando que esse tinha sido o melhor aniversário que tive na vida. Passei uma tarde maravilhosa com Sirius, meu pai aceitou minha realidade, meus amigos se acertaram com o coração deles... Tudo estava perfeito!
Mais um capítulo no ar! Tá longo, mas... Espero que gostem!
Muita água ainda vai rolar! Muita coisa vai acontecer!
Fantasminhas que lêem, mas não deixa reviews, sei que estão aí! Espero que estajam curtindo a fic! Mas uma review sempre deixa a autora que voz escreve mais animada!
Mais uma vez, obrigada a minha beta, pela rapidez com esse capítulo! Valeu mesmo!
Bjos e, se eu não conseguir atualizar até lá... Feliz Ano Novo! Um 2011 maravilhoso a todos!
Lôra
