Cap 10. Uma Noite Inesquecível
No dia seguinte, Lílian parecia um pouco preocupada com o que acontecera na noite anterior. Ela ainda duvidava do amor de Tiago por ela. Merlim, que amiga cabeça dura fui arranjar!
— Será que ele não fez aquilo só para conseguir o que queria? — Lílian me perguntou, parada na porta do banheiro.
— Lily, minha querida amiga, larga de ser cabeça dura! Ele te convida para sair tem, no mínimo, três anos! Isso não significa nada para você? — retruquei. — E as flores que ele te deu! "Vou te amar até que a última flor desse buquê morra"! Se isso não é amor, é o quê?
— Tem razão. Acho que estou um pouco paranóica — ela disse em voz baixa.
— Pelo menos você admite! — falei rindo.
Ela mostrou a língua e entrou no banheiro.
Sam tinha acabado de acordar e a primeira coisa que fez foi me perguntar sobre Remo.
— Rachel, você conhece o Remo praticamente desde que entramos em Hogwarts... — ela começou.
— Conheço. Nos demos bem desde o início — respondi.
— Você não tem idéia do que ele pode querer comigo? — ela perguntou, mas evitou me olhar.
— Samantha, não posso prever o que ele quer falar com você. Isso é com ele e...
— Mas você conhece ele muito bem! — ela me interrompeu.
— Sei disso... — suspirei. Ia ser difícil não responder nada para ela. — Sam, ele nunca me disse, mas ele gosta de você. Percebi isso quando ele ouvia as suas "histórias de noites românticas" inventadas. Mas, e eu já te disse isso, ele é tímido. Ele costuma achar que ninguém em sã consciência ficaria com ele.
— Mas por quê? Ele é uma gracinha! — ela retrucou.
— Porque ele é assim — respondeu Lílian, saindo do banheiro. — Se tudo der certo, e torço para que dê, ele te contará o motivo ainda hoje.
Aproveitei que a Lílian respondeu, e fui para o banheiro me arrumar, antes que eu falasse mais do que devia!
— Hoje o castelo vai entrar em choque! É só dar tempo para descobrirem que Lílian Evans e Tiago Potter estão juntos! — ouvi Alice dizer.
— E Remo Lupin finalmente encontrou a tampa do seu caldeirão! — emendou Érica.
— Querem parar, vocês duas! — disseram Lílian e Sam.
Assim que todas estávamos prontas, descemos para a sala comunal, quase no fim da escada, ouvimos os Marotos conversando e paramos.
— Você vai contar? — Pedro parecia chocado.
— Acho melhor contar de uma vez, ela é inteligente, vai descobrir tudo mesmo. Prefiro acabar logo com isso — disse Tiago.
— Calma, Lily! — sussurrei, pois Lílian ameaçou azarar o Tiago. — Você não sabe do que estão falando. Espera mais um pouco, depois deixo você fazer o que quiser.
Eu suspeitava que estivessem falando sobre serem animagos, pois eu tinha dito para Tiago que ele é que teria que contar para Lílian.
— Sabe, Pontas, foi a melhor coisa que fiz — falou Sirius, e tive certeza sobre o que eles estavam falando. — Depois que falei... — ouvi alguém pigarreando. — Falamos para Rachel, me senti muito mais leve! E ainda conseguimos cobertura para as noites de lua cheia.
— Você tem razão, Almofadinhas! De hoje não passa! — a voz de Tiago parecia mais aliviada. — E você, Aluado? Vai contar para a Sam, sobre seu segredo?
— Vou. Não quero dúvidas em torno da gente. Se ela quiser continuar comigo, ótimo, se não quiser mais me ver, pelo menos não terei ficado na expectativa — Remo respondeu.
Resolvi que era hora de aparecer, pois as meninas me olhavam espantadas desde que ouviram Sirius dizendo que eu sabia.
— Bom dia, rapazes! — falei terminando de descer as escadas. Os quatro deram um pulo.
— Bom dia, gata — Sirius se levantou e veio me dar um beijo.
— Bom dia — disseram os outros Marotos.
Tiago e Remo também tinham se levantado para cumprimentar Lílian e Sam. As duas coraram quando receberam um beijo deles.
— Vocês viram o Franco? — Alice perguntou.
— Ele ainda está no dormitório. Sobe lá e acorda ele. Tentamos do nosso jeito, mas acho que ele descobriu uma maneira de nos bloquear — falou Tiago, parecendo desolado por não ter conseguido acordar Franco.
— Bom... Vou indo para o Salão Principal, vou me encontrar com Miguel antes do café — disse Érica se afastando enquanto Alice subia para o dormitório dos meninos.
— Rabicho, seja cavalheiro e acompanhe a dama! — disse Sirius.
— Antes de descermos para o café... — começou Tiago, assim que eles saíram de perto. — Remo e eu temos umas coisas para falar para vocês duas — ele apontou para Lílian e Sam.
— Vamos indo, Six. Vamos deixar eles conversarem — falei, mas Sirius me segurou.
— Gata, acho que é melhor a gente ficar. Você já sabe de toda a história e pode ajudar com as duas — ele disse, me puxando para o sofá, e ignorando a cara de espanto das meninas.
— Não pode ser mais tarde? — quis saber Lílian, sem tirar os olhos de mim. — Temos aula logo depois do café...
— Não teremos tempo depois disso, só de noite. Queremos acabar com isso logo —retrucou Remo.
Olhei espantada para ele. Estava com um ar decidido, não ia deixar para depois.
Lílian e Sam, que continuavam me olhando de olhos arregalados, nem perceberam que Remo e Tiago tinham levado elas para as poltronas.
Remo foi o primeiro a falar. Seria mais fácil explicar sobre Tiago, Sirius e Pedro serem animagos, depois que Remo contasse a história dele.
— Sam... Eu preferia fazer isso sozinho com você, mas não temos tempo, então... Se você nunca mais quiser olhar para mim, vou entender, mas preciso falar isso de uma vez — Remo tomou fôlego e completou, sussurrando: — Sou um lobisomem.
Sam olhou para ele e ficou um tempo calada. Remo começava a parecer desconfortável quando ela abriu um sorriso e disse:
— Meu lobo! Então é você que tem uivado para mim toda noite de lua cheia?
— Hum... Sim? — parecia uma pergunta. Remo não estava acreditando no que ouvia, muito menos no sorriso que Sam dava para ele.
— Eu disse que você poderia se surpreender, Remy! — falei contente.
— Você disse... — ele me olhou e saiu do transe. — Sam, você entendeu o que eu disse? — perguntou se virando para ela de novo.
— Claro que sim! Você é um lobisomem! É só isso? — ela olhava intrigada para ele.
— Não... Se você não se importa com isso... Bem... — ele corou. Com certeza era melhor fazer aquilo a sós. Ele me olhou e o encorajei. Ele olhou para Sam novamente. — O que acha de namorar um lobo? — ele sorriu. Finalmente relaxando.
— Meu lobo! Meu lindo lobinho! — foi tudo que ela disse antes de dar um beijo nele. — Vou achar o máximo!
Alice e Franco apareceram e nos convidaram para ir para o café, dissemos que iríamos logo em seguida.
— Bom... Essa foi a parte fácil — falou Tiago. — Agora vamos para a parte em que precisaremos da ajuda da Rachel.
Todos olharam para mim.
— Apesar de ninguém ter me perguntado nada — falei olhando para os Marotos —, estou aqui apenas para ajudar, não para contar a história toda, portanto... Vocês falam! — retruquei.
Tiago começou contando quando eles descobriram que Remo era um lobisomem, a luta que foi para eles conseguirem virar animagos... tudo para ajudar um amigo. A cada hora os olhos e as bocas de Lílian e Sam abriam mais. Quando Tiago contou que eles acompanham Remo em todas as noites de lua cheia desde o quinto ano, Lílian estourou.
— Vocês por acaso são malucos? É perigoso! Muito perigoso! Desculpa, Remo, mas...
— Eu entendo, Lily — Remo falou, apoiando a cabeça no ombro da Sam.
— Lily, é perigoso para humanos, não para animais... — comecei a falar.
— Desde quando você sabe disso, Rachel Karen Hobday? — ela estava muito nervosa.
— Calma aí, Lílian! — se intrometeu Sirius. — Não faz muito tempo que ela descobriu tudo. Para falar a verdade, se você não estivesse admirando o corpo do Pontas — Lílian corou —, você teria descoberto junto com ela!
— Foi naquele dia que você dormiu com o Sirius? — fiz que sim com a cabeça, ela deu um tapa na testa. — Você me pediu para buscar a torrada por que...
— Queria explicações, mas não sabia como você reagiria — respondi a pergunta incompleta. — Quando você saiu, eles me contaram essa história toda que vocês duas ouviram agora. Prometi que não contaria nada — alteei a voz, pois Lílian ameaçou me interromper. — Quem tinha que contar alguma coisa, eram eles.
— Podia não ter prometido nada! — ela ainda estava indignada comigo.
— Lily, já te disse isso hoje, mas vou repetir: você é muito cabeça dura! — me levantei e olhei para o Sirius. — Você vem comigo, ou terei que tomar café com o Hale?
Ele não gostou disso. Se levantou resmungando e dizendo que se o Hale se aproximasse de mim novamente, ele iria azará-lo. Eu ri.
Lílian se levantou para sair também, mas Tiago falou:
— Espera um pouco! Tem uma coisa que quero te perguntar, Lílian — ela olhou para ele, que continuou: — Namora comigo, meu lírio?
O rosto dela ficou tão vermelho quanto os cabelos. Ela baixou a cabeça, respirou fundo e falou, olhando novamente para ele:
— Namoro.
Ele parecia criança! Deu pulos na sala comunal, gritando "Ela aceitou! Ela aceitou!".
Observamos Tiago com seu ataque de felicidade por um tempo. Depois, falei com Sirius para que descêssemos, pois a primeira aula começava logo em seguida e já tínhamos perdido grande parte do café. Ele concordou e saímos da sala comunal, deixando Tiago com seus pulos e gritos.
Lílian, Tiago, Remo e Sam, vieram logo em seguida.
Como faltava pouco tempo para o início da primeira aula, pegamos umas torradas e fomos para a fila em frente a sala de Transfiguração.
— Rach, foi mal... Eu estava nervosa... — começou Lílian, quando paramos no corredor.
— Não esquenta. Convivo com você há bastante tempo para te entender — respondi, sorrindo para ela.
A Profª McGonagall abriu a porta e entramos. Ela brincou com a quietude dos corredores, sem os gritos da Lílian com o Tiago, antes de começar a aula.
Eu estava tentando prestar atenção no assunto quando um pergaminho surgiu na minha frente.
S – Não esqueça da nossa aula particular.
R – Nunca, Six.
S – É hoje de noite, viu?
R – Eu sei. Pode ficar tranquilo, porque vou aparecer.
S – Se você não aparecer te busco! Estou louco para te ensinar Animagia.
R – Não tem como eu não aparecer! Temos aula o dia inteiro juntos, não tem nem como eu fugir de você! E estou louca para virar animaga!
S – Não vou discutir isso com você! Já te disse que é difícil.
R – Não estou discutindo.
R – Não me olha assim! Eu te disse que vou aprender e virar animaga, isso não tem volta!
S – Sim, senhora!
Quando acabou a aula de Transfiguração, percebemos que a notícia de que Lílian e Tiago estavam juntos, se espalhou bem rápido. Tão rápido que, quando chegamos para a aula de DCAT, todos ali já sabiam. Quem não gostou nada daquilo foi Snape. Ele olhava com desprezo para o novo casal.
Sam e Remo não precisavam se preocupar, pois a maior fofoca ficava por conta do casal que passou seis anos discutindo.
Foi assim o dia inteiro. Quando Lílian passava com Tiago, as pessoas cochichavam e apontavam, algumas meninas pareciam ter raiva da ruiva, provavelmente por ela ter fisgado o apanhador do time. Tiago não parecia se incomodar com aquilo, sorria sempre que via alguém de cochicho. Ele estava realizado, finalmente a ruiva era dele.
— Esse pessoal não tem mais nada para fazer, não? — Lílian perguntou na hora do jantar.
— Isso passa, Lily. Vai por mim — falei. Eu já tinha passado por algo parecido, quando viram que eu estava com Sirius. Mas antes que eu pudesse me irritar, surgiu a fofoca da detenção do Snape, então, fiquei livre. No caso dela era pior, pois ela deu fora em Tiago por muito tempo, para agora estar com ele.
— Eles não têm a menor educação! Ficam apontando... — ela bufou.
— Lírio, relaxa! Eles vão se acostumar com isso — disse Tiago.
— Lily, você queria o quê? Depois de séculos dizendo que não gostava do Tiago, de repente você aparece andando pelos corredores de mãos dadas com ele! É para chocar as pessoas! — falei rindo.
— Uma hora ela acostuma — Sirius piscou um olho para ela. — Pode demorar, mas ela acostuma!
Terminamos de jantar e subimos para a sala comunal. Sirius disse que ia guardar o material dele e me pediu que guardasse o meu, só levasse a varinha, e me encontrasse com ele ali na sala, para seguirmos para a aula particular de Animagia.
Quando desci, ele já estava me esperando.
— Sirius, onde vamos? — perguntei preocupada. — Só podemos ficar fora do dormitório até as nove, já são oito e meia, vamos acabar em detenção de novo!
— Não vamos, não. Pontas, me empresta sua capa?
— Claro! — Tiago respondeu, tirando uma capa de um dos bolsos das vestes. — Uma capa saindo no capricho! — ele brincou ao entregá-la para Sirius.
— Valeu! — Sirius falou guardando a capa, depois se virou para mim. — Vamos? — me pegou pela mão e me levou pelo buraco do retrato.
Seguimos pelos corredores do castelo, Sirius sempre me guiando, de vez em quando me amparando, pois andávamos depressa e eu tropeçava constantemente.
— Six, como uma simples capa vai nos ajudar? — perguntei quando ele parou. Olhei ao redor e me deparei com a tapeçaria de Barnabás, o Amalucado. — Vamos para a Sala Precisa de novo?
— Em primeiro lugar, essa não é uma simples capa. Você já vai ver — ele falou tirando a capa do bolso e jogando ela por cima de seu corpo, deixando apenas a cabeça de fora. Dei um grito de surpresa. — Calma, Rach! Assim você vai chamar atenção! Em segundo lugar, sim vamos para a Sala Precisa, mas não iremos para o seu jardim.
Ele guardou a capa novamente e começou a andar de um lado para o outro, até que um clique anunciou a abertura de uma porta. Ele abriu a porta que surgiu na parede lisa em frente à tapeçaria, pegou minha mão e me levou para dentro da sala.
Estava totalmente diferente da vez que estive lá. Tinha almofadas espalhadas pelo chão, prateleiras de livros de todos os tipos... parecia uma enorme sala de aula!
— Vamos começar! — ele fechou a porta e se transformou em um lindo cachorro preto, e de volta em humano.
— Uau! — foi tudo que consegui dizer.
Os cochichos sobre Lílian e Tiago diminuíram com o passar das semanas. Sam e Remo pareciam dois pombinhos apaixonados. Sirius continuou me dando aulas sobre Animagia. Sempre íamos para a Sala Precisa de noite, e usávamos a Capa da Invisibilidade de Tiago para voltar para a Torre da Grifinória.
O mês de outubro foi passando rapidamente. Tiago começou a puxar mais nos treinos de quadribol, pois o final do mês se aproximava e, junto com ele o primeiro jogo. Sirius e Tiago voltavam exaustos. Com Sam e Lílian sabendo do segredo dos Marotos, foi muito mais fácil cuidar dos dorminhocos quando a lua cheia chegou. Mesmo conhecendo a história toda, sabendo que Remo não seria perigoso para eles, enquanto estivessem na forma animal, ainda nos preocupávamos, especialmente quando eles apareciam com cortes e arranhões, que eles se negavam a nos deixar tratar. Eu seguia treinando Animagia sempre que possível. Como não tinha a capa de Tiago, pois eles a usavam para encontrar Remo na Casa dos Gritos, eu ia para a Sala Precisa, que Sirius me ensinou a usar, nos horários vagos. Eu tinha decidido que viraria uma animaga e era isso que eu faria! Sirius já tinha me ensinado bastante para eu tentar sozinha e, quem sabe, surpreendê-lo na próxima vez.
— Pronta para retomar as aulas de Animagia, gata? — Sirius me perguntou no jantar do primeiro dia depois que a lua cheia terminou.
— Acho que você vai se surpreender! — respondi enigmaticamente.
— O que quer dizer com isso? — ele perguntou, erguendo uma sobrancelha e inclinando um pouco a cabeça para o lado.
— Você verá! Dessa vez posso abrir a Sala Precisa? — perguntei, mordendo meu lábio.
— Pode, mas... Por quê? — ele falou franzindo a testa.
— Já disse, você verá! Quando iremos?
— Amanhã. Hoje quero descansar. Tudo bem para você?
— Você passou o dia dormindo na aula! Mas tudo bem. Melhor até que seja amanhã...
Depois do jantar, fomos, os Marotos, Lílian, Sam e eu, para a sala comunal. A sala estava cheia, todo mundo eufórico com a festa do Dia das Bruxas, no domingo. Tiago sugeriu que fôssemos para o dormitório dos Marotos, pois lá estaria mais tranquilo.
Concordamos e subimos. O quarto estava vazio. Realmente seria mais fácil conversar ali.
Tiago deitou na sua cama e puxou Lílian para deitar com ele. Remo, que era o mais comportado, sentou encostado no dossel da sua e deixou a cama toda para Sam, que deitou ali sem hesitar. Sirius me pegou pela cintura e se atirou na cama comigo. Claro que bati a cabeça no dossel.
— Foi mal, Rach — Sirius se desculpou, enquanto deitava de forma decente na cama.
— Não esquenta. Eu estava estranhando a demora em acontecer algo assim comigo — falei rindo e me encaixando em seus braços.
— Tem razão, Rach. Desde que você começou a sair com o Almofadinhas, não tem mais sofrido acidentes — falou Lílian, que já tinha se aconchegado no colo de Tiago.
— Como é? Desde que ela começou a sair com quem? — perguntou Remo, divertido.
— Almofadinhas! Vocês chamam ele assim, não é? — Remo e Tiago concordaram. — Então, nada mais justo que eu poder chamá-lo assim também! — Lílian deu de ombros.
— Ela tem razão — exclamou Tiago, abraçando ainda mais a ruiva dele.
— Acho que é porque agora tenho um cão de guarda, que não deixa esse tipo de coisa acontecer comigo, não é, meu cachorro? — falei, voltando ao assunto inicial: meu jeito desastrada de ser.
— Sempre, minha gata! — Sirius respondeu, me puxando para mais perto.
— Então, agora somos o quê? Marotas? — Sam perguntou rindo.
— Por que não? — retrucou Remo. — Assim vocês podem embelezar o grupo! Agora temos um lírio, uma gata e... — começou Remo.
— Pode parar por aí, Aluado! — interrompeu Sirius. — Só quem chama a Rachel de gata sou eu!
— Calma aí, seu cachorro pulguento! — exclamou Remo rindo.
— Pode parar! Não vamos nos meter nas suas confusões! — falou Lílian.
— A Sam seria o quê, Aluado? — perguntou Sirius, ignorando a Lílian.
— Bom... Pensei em... Sabe...
— Fala logo, Aluado! — falamos Lílian e eu. Tiago e Sirius riram.
— Tá bom! Eu pensei que ela seria a minha lua... — ele corou. — Afinal, a lua mexe muito comigo.
— Que fofo! — exclamou Sam, fazendo Remo corar ainda mais. — Eu achei ótimo!
Remo abraçou Sam e deitou ao lado dela, que se enroscou nele.
— Tudo muito bom, mas o Almofadinhas ainda não disse quem seria a Rachel... Como poderemos chamar sua gata? — falou Tiago.
— Amanhã, depois da aula de Animagia com ela, respondo, Pontas — Sirius respondeu dando de ombros.
Ficamos conversando. Sam acabou pegando no sono. Lílian e eu pensamos em levá-la para o nosso dormitório, mas Franco e Alice entraram no quarto e decidimos ir mais tarde, afinal o dia seguinte era sábado e não teríamos horário para acordar.
Lílian e Alice dormiram enquanto os Marotos e Franco se divertiam lembrando da detenção de Snape. Não sei dizer quando aconteceu, mas também peguei no sono.
Acordei mais uma vez abraçada com Sirius, a cabeça deitada em seu ombro. Como era gostoso dormir assim!
— Você tinha razão, Rach — Lílian falou me assustando. Levantei a cabeça para olhá-la. — Dormir abraçada é bom demais!
— Você disse isso, gata? — falou Sirius.
— Merlim! Vocês querem me matar do coração? — falei fechando os olhos. — Bom... É, falei para ela o quanto foi bom acordar abraçada com você naquele dia — corei.
— Que bom! Sou um travesseiro melhor que os de Hogwarts — brincou Sirius.
— Com certeza! — ri. Olhei para ele. Merlim, como ele podia parecer mais bonito a cada dia?
— Pombinhos! — chamou Tiago. — Aluado e a Lua ainda estão dormindo. O que vocês acham se...
— Fizermos o serviço de despertador? — concluiu Sirius com um sorriso maroto.
— Vocês não vão fazer isso! — briguei.
— Calma, gata. Aluado está acostumado! — falou Sirius.
— O Aluado está, mas a Sam, não! — retruquei.
— Do que vocês estão falando? — Lílian não estava entendendo nada.
— Você não viu como eles acordam uns aos outros! — respondi.
Tiago e Sirius resolveram acordar Pedro primeiro. Como não podiam fazer barulho, para não acordar Remo, pois Lílian e eu olhávamos para eles de cara feia, eles conjuraram dois baldes de água e jogaram em cima de Pedro, que deu um salto.
— Agora entendi... — comentou Lílian rindo. — Vamos deixar o Aluado e a Lua dormirem mais um pouco! Eles estão tão bonitinhos dormindo juntos.
Lílian e eu decidimos dar um pulo no nosso dormitório para trocar de roupa e nos arrumar, mas antes fizemos os três, Tiago, Sirius e Pedro, prometerem que não acordariam Remo.
Fomos rápido, pois suspeitávamos que eles não cumpririam a promessa. Antes de voltar ao quarto dos Marotos, pegamos roupas para Sam e Alice trocarem. Quando chegamos, vimos que Sam, Alice e Franco também tinha acordado. Elas agradeceram as roupas, e foram se trocar no banheiro dos garotos.
Os meninos ainda não tinham se trocado, portanto Tiago e Sirius ainda usavam apenas uma calça. Remo ainda dormia.
— Agora vocês não podem mais nos impedir de acordar ele! A Sam já está acordada, portanto... — começou Sirius.
— Hora do despertador Maroto! — completou Tiago.
Às vezes dava medo, o jeito como eles completavam as frases um do outro!
— Eu vou descer para o café! — resmungou Pedro, que já estava pronto para descer.
Tiago foi devagarinho até o lado da cama de Remo, e esperou. Sirius me puxou com ele e foi para o outro lado.
— Sam... Se o Aluado acorda e vê você fazendo isso com a gente... — falou Tiago, enquanto Sirius me agarrava e me beijava de forma bem barulhenta.
— Isso está bom demais — falou Sirius entre um beijo e outro.
— Vou matar vocês dois! — gritou Remo, sentando depressa na cama.
Sam, que acabava de sair do banheiro viu a cena e começou a rir. Lílian se segurava para não rir também.
— Almofadinhas, ele já acordou, pode parar! — disse Tiago.
— Ah, tá! Foi mal — Sirius falou, me dando mais um beijo. — Me empolguei.
Comecei a rir. Era típico dele, se aproveitar de uma situação para agarrar uma garota. Tudo bem que eu não podia reclamar, pois a garota em questão era eu mesma, mas...
Depois que todos estavam prontos, descemos para o café e dali voltamos para a sala comunal, pois estava muito frio para ficar nos jardins.
Lílian, Sam e eu convencemos os rapazes a fazer logo os deveres de casa passados pelos professores, pois eram muitos e eles não conseguiriam terminar tudo a tempo. Remo concordou com a gente.
A contragosto, Tiago e Sirius, sentaram para fazer os deveres, ou melhor, copiar os nossos. Quando eles terminaram estava quase na hora do almoço.
— Vocês não estavam brincando quando disseram que era muita coisa — resmungou Tiago.
— Não reclama! Vocês só copiaram — falou Lílian.
Descemos para o almoço. Eu estava um pouco nervosa. De tarde eu teria uma aula com Sirius e estava ansiosa pela reação dele com a minha evolução em Animagia. Quase não comi.
— Rach, o que houve com você? Não está comendo, parece nervosa... — falou Lílian.
— Nada demais... Última aula de Animagia... — resmunguei mais para mim mesma.
— Você tem se saído muito bem, segundo Almofadinhas fala — disse Tiago.
— Obrigada — foi só o que consegui responder.
Terminamos de almoçar. Sirius e eu nos despedimos do pessoal, pois íamos para a Sala Precisa.
Quando chegamos no corredor do sétimo andar, ele olhou para os lados, para ver se não vinha ninguém e fez sinal para que eu abrisse a sala.
Andei três vezes, de olhos fechados, em frente a parede lisa que escondia a porta da sala, pensando no ambiente que eu queria. Quando ouvi o tradicional clique da porta abrindo, abri os olhos. Antes de deixar Sirius entrar, enfiei a cabeça para ter certeza que dera certo.
— Por que todo esse mistério? — ele perguntou.
— Só quero ter certeza — respondi. — Certo. Pode entrar — indiquei a porta para ele.
— Uau! Você pediu uma passagem para a Floresta Proibida? — ele perguntou depois que eu entrei.
— Não. Apenas pedi uma floresta.
— Por quê? Não gosta da minha sala de aula? — ele deu um sorriso torto.
— Surpresa! — falei antes de me transformar em uma onça-pintada e voltar a forma humana.
— O-o... que...?
— Enquanto você se divertia na lua cheia, treinei bastante! Eu disse que ia conseguir!
— Mas... Uma onça?
Eu ri.
— É, cachorrão, uma onça. Algum problema? — ergui uma sobrancelha.
— Um cachorro com uma onça? Não, problema nenhum! Você é meio nervosa mesmo. Quando pegamos aquela detenção, você parecia uma onça cada vez eu me olhava...
— Pois é... Acho que a transformação ocorre de acordo com seu jeito... Tiago é um cervo, cervos resolvem seus problemas com a cabeça...
— Batendo com a cabeça no problema, você quer dizer.
— Que seja — sorri. — Você é um cachorro, bom... não preciso explicar isso, não é? Pedro é um rato, porque está sempre comendo e come de tudo. E eu... um felino.
— Você é uma onça!
— Não só uma onça. Veja — me transformei novamente, mas dessa vez em um doce filhotinho de onça.
Quando voltei a forma humana, Sirius estava boquiaberto.
— Como?
— Não sei, Six. Mas descobri que eu posso ser um doce filhote, ou uma onça adulta. O que achou?
— Por isso a floresta? Porque é o ambiente natural da onça?
— É. Mas... o que achou?
Ele abriu um sorriso e me respondeu.
— Maravilhoso! O aprendiz virou mestre!
Ele me puxou em um abraço e me deu um beijo, não um beijo comum, mas um beijo meio selvagem, forte, com muita vontade. Seus lábios esmagaram os meus, impedindo que eu dissesse qualquer coisa. Ele me beijou de modo rude, uma das mãos apertando minha nuca.
Segurei o rosto dele, tentando empurrá-lo, para respirar. Ele percebeu, e passou para o meu pescoço. Ele também parecia um pouco sem fôlego. Encostou sua testa na minha e afrouxou o abraço, colocando suas mãos na minha cintura.
— Você me surpreende — ele sussurrou. — Você não imagina o quanto... Estou tão encantado com você que não sei se vou me segurar...
Eu ainda tentava normalizar minha respiração. Não conseguia falar. Eu sabia que ele tiraria proveito do fato de eu estar sem palavras diante de sua reação. Ele já tinha feito isso uma vez. As mãos dele pegaram meu rosto e seus lábios encontraram os meus, mais uma vez, com uma ansiedade que não era muito diferente da violência.
Uma das mãos passou para minha nuca, se fechando em torno das raízes do meu cabelo. A outra mão agarrou meu ombro, me puxando mais perto dele. Sua mão seguiu por meu braço, que estava em sua cintura, até meu pulso. Ele passou meu braço em torno de seu pescoço.
Ele soltou meu pulso, a mão sentindo o caminho para a minha cintura. Sua mão encontrou a base de minhas costas e ele me puxou mais uma vez para mais perto dele, moldando seu corpo ao meu.
Eu sentia que precisava parar aquilo, precisava resistir. Eu sabia que se eu pedisse ele pararia, mas eu não tinha forças para pedir, essa era a verdade. O máximo que eu conseguia fazer era não devolver os beijos, mas eu já estava fraquejando.
Seus lábios desistiram dos meus por um momento e ele seguiu a linha do meu queixo, encontrou meu pescoço e o explorou. Ele soltou meu cabelo e passou o braço pela minha cintura, junto com o outro que já estava lá. Seus lábios encontraram minha orelha.
— Está pensando demais, gata — sussurrou ele com a voz rouca.
Tremi ao sentir seus dentes roçarem no lóbulo da orelha.
— É isso mesmo — murmurou ele. — Deixe fluir o que você sente. Deixe acontecer o que tem que acontecer.
Agarrei seus cabelos, como ele fizera com os meus, mas eu tentava afastá-lo, não aproximá-lo. Eu não podia deixar aquilo acontecer, não ali, não naquela hora. Com um ofegar intenso, ele voltou a colocar a boca na minha, os dedos se agarrando freneticamente à minha cintura.
Sua súbita alegria abalou minha determinação de interromper aquilo. Sem nenhum comando consciente, me vi retribuindo seus carinhos. Nossos lábios se moviam como nunca antes. Meus dedos agarraram novamente seus cabelos e, agora, eu o puxava para mais perto.
A pequena parte de meu cérebro que se manteve sã, gritava perguntas para mim. Por que eu não parava aquilo? Por que não conseguia encontrar em mim o desejo de parar? Significava que eu não queria que ele parasse? Que as mãos dele me puxassem apertado demais em seu corpo, e no entanto não fosse apertado o suficiente para mim?
Seus lábios ainda estavam nos meus. Abri meus olhos e ele me olhava intensamente, com um brilho que eu nunca tinha visto antes, nem mesmo na primeira vez que estivemos naquela sala.
— Vamos embora — sussurrou ele.
— Ainda não — mordi meu lábio, nervosa.
Ele sorriu com minha resposta.
— Não vou fazer nada que você não queira — prometeu ele.
Ele me beijou de novo. Dessa vez foi diferente. Suas mãos agora eram suaves em meu rosto, seus lábios inesperadamente gentis. Foi um beijo breve, porém muito doce. Seus braços se enroscaram à minha volta e ele me abraçou forte antes de me pegar no colo e me levar até uma cama, onde ele, gentilmente, me colocou sentada e sussurrou para mim.
— Se esta é a sua vontade... Este é o melhor lugar para isso — ele indicou a cama. — Esta é a melhor forma — disse ele, sentando ao meu lado, percebendo que eu não lutaria muito mais contra aquilo.
Tentei mais uma vez clarear minha mente, pensando nos motivos para não seguir adiante. Examinei o ambiente ao redor. A sala havia se transformado em um lindo quarto, iluminado por velas, com a cama bem no centro dele. Não sei dizer quando a transformação aconteceu. Ele deve ter desejado isso enquanto nos beijávamos.
Mais uma vez ele tirou proveito da situação. Quando olhei para ele, nossos lábios se encontraram novamente.
Gentilmente, ele se inclinou, fazendo com que deitássemos. Uma de suas mãos envolvia meu rosto, o outro braço estava firme em minha cintura e me puxava para mais perto dele. Precisei interromper o beijo, mais uma vez, para respirar. Seus lábios passaram para o meu pescoço e a mão que estava em minha cintura começou a passear pelo meu corpo.
Eu tremi. Senti um riso silencioso sacudir seu corpo. Ele puxou minha boca para a sua de novo. Coloquei minhas mãos em seu peito, tentando afastá-lo um pouco. Suas mãos buscaram as minhas, se fechando em meus pulsos e puxando-os para o alto da minha cabeça, que de repente estava em um travesseiro. Ele correu seus lábios pela linha do meu queixo, até minha orelha.
— Te amo, gata — ele murmurou com sua voz sedosa. — Muito.
Seus braços me envolveram e ele voltou a me beijar de uma forma muito convincente.
— Six... — tentei falar entre um beijo e outro. — Espera!
— O que foi, minha gata? — ele murmurou, passando a beijar meu pescoço.
— Não sei se isso está certo, Six. Ainda não sei se essa é a hora...
— Você ainda acha que vai ser mais uma em minha "lista"? — ele me olhou. Tinha uma expressão de diversão.
Eu o encarei. Tentei ignorar meu coração, que pulou no meu peito ao ver o sorriso dele.
— Então? — Sirius pressionou.
— Não é só isso — corei. — Eu nunca...
— Tudo bem, gata. Tudo bem.
Ele me beijou. Outro beijo extremamente convincente.
Não me matem por favor! Demorei para escrever esse, mas aí está! Espero que gostem!
Mais uma vez tenho que agradecer às minhas betas: Manu Black e N. Black (somos todas Black, hein? *risos*) pela rapidez em betar! Valeu!
Aos fantasminhas que lêem... Deixem reviews, galera! Anima a autora!
Estou precisando de ajuda para um apelido para a Rachel. Sugestões serão bem vindas!
Beijos e FELIZ ANO NOVO! Que 2011 seja repleto de felicidades para vocês!
Ju (Lôra)
