Cap 11. Dia das Bruxas

Ficamos deitados ali por algum tempo. Os únicos sons eram nossa respiração e nossos corações batendo. Eu me sentia à vontade. Deitar atravessada em seu peito forte, com seus braços me envolvendo, era muito confortável.

Seus dedos acompanhavam, suavemente, os contornos de minha coluna. Fechei os olhos, curtindo aquele carinho, e passei meus braços em seu pescoço para me aproximar mais dele.

Ele não falou, seus dedos continuaram subindo e descendo por minhas costas, traçando leves padrões em minha pele.

Eu lembrei tudo que tinha acontecido. Relembrei seu olhar para mim quando viu que eu conseguira: eu virara animaga, e me transformara em uma onça. Ri dessa lembrança.

— Qual a graça? — ele murmurou com uma voz rouca e séria.

— Acho que você gostou da minha forma animaga — ri de novo.

Ele não riu comigo e isso fez com que eu me perguntasse o que estaria acontecendo. Abri meus olhos e vi o arco de seu queixo acima de meu rosto. Seu queixo estava rígido. Apoiei-me no cotovelo para vê-lo melhor. Ele não olhou para mim. Sua expressão foi um choque – provocou um tremor em meu corpo.

— Sirius — eu sentia um travo estranho na garganta —, o que foi? Qual é o problema?

— Você ainda pergunta? — sua voz era um pouco dura.

A primeira coisa que imaginei foi se tinha feito alguma coisa errada. Não conseguia encontrar uma nota amarga que fosse, enquanto percorria minhas lembranças do acontecido. Tudo fora muito mais simples do eu imaginava. Não consegui pensar em nada que pudesse tê-lo deixado daquele jeito. O que eu não havia percebido? Eu só me lembrava de querer que ele me abraçasse mais forte e de ficar contente quando ele fazia...

— Em que está pensando? — ele sussurrou.

— Estou tentando entender por que você está aborrecido. Eu fiz alguma coisa...? — não consegui terminar.

Ele franziu a testa.

— Você não fez nada errado. Eu... Me desculpe, Rach — ele sussurrou. — Não devia ter... — ele emitiu um som baixo e revoltado no fundo da garganta. — Lamento mais do que posso dizer. Você tinha dito que queria esperar, que ainda não era a hora... Mas simplesmente não consegui me controlar, fiquei extremamente extasiado com a sua transformação...

Sentei-me, enquanto compreendia o sentimento de culpa dele. Minha mente ficou oca. Não conseguia pensar no que dizer. Como eu poderia explicar para ele do jeito certo?

— Sirius? — ele me olhou. — Eu não lamento. Estou muito feliz, nem posso lhe dizer o quanto — sorri para ele. — Quando um não quer dois não brigam!

Ele sorriu.

— Talvez você tenha razão, mas... E quanto ao "esperar"?

— Eu te disse, aqui nessa mesma sala, no meu jardim, que se eu mudasse de idéia você seria o primeiro a saber. Acho que podemos dizer que cumpri minha promessa. E você criou um ambiente muito bom aqui — sorri para ele. — Eu senti que... Bom, que a hora tinha chegado... Então, não se preocupe com isso, ok? — mordi meu lábio.

— Você fica linda fazendo isso.

— Isso o quê? — mordi meu lábio novamente.

— Você já está começando a me provocar, Rachel! — ele deu um sorriso torto. — Acho melhor irmos andando, para não termos maiores problemas.

Maiores problemas? Estamos com problemas? — perguntei enquanto me levantava.

— Gata, já são onze e meia da noite.

— O que? Como? — falei espantada, permanecendo sentada na cama.

— O tempo passa rápido quando estamos nos divertindo — ele se aproximou de mim, me puxando pela cintura e me colocando deitada em seu peito novamente. — E nos divertimos muito essa noite!

Cenas do que tínhamos acabado de viver passaram pela minha mente de novo e senti que meu rosto corava.

— Six, temos que ir — falei sem vontade nenhuma.

— Eu sei. Mas não poderei te abraçar assim novamente tão cedo. É tão bom sentir a tua pele contra a minha!

Não sei como minha cabeça não explodiu, porque senti um calor enorme subindo pelo meu rosto. Eu devia estar queimando. Ele pegou meu queixo e levou meu rosto em direção ao seu. Nos seus olhos apareceram o mesmo brilho que eu vira mais cedo. Nossos lábios estavam se tocando quando ouvi alguém chamando por Sirius e me assustei. Não tinha mais ninguém ali, ou tinha?

Ele deu uma risada, parecida com um latido, se divertindo com meu susto, mas ao mesmo tempo parecia aborrecido, e se afastou de mim para pegar um pequeno espelho nas vestes dele.

— Que foi, Pontas? — ele falou demonstrando o aborrecimento pela interrupção do amigo.

— Onde vocês estão, Almofadinhas? A Lílian está enlouquecendo todo mundo aqui! Ela está preocupada com a Rachel! — ouvi a voz de Tiago dizer, ele parecia nervoso.

Quis me aproximar para ver, mas Sirius não deixou, me segurando pela cintura com um braço, enquanto afastava o espelho de mim.

— Estamos na Sala Precisa, Pontas. Mas já estamos voltando. Vê no mapa para mim se está tudo tranquilo.

— Está tudo bem. Os corredores que ligam a Sala Precisa à Torre da Grifinória então livres — Tiago respondeu depois de um tempo. — Mas recomendo que pegue os atalhos, para não correr riscos, sabe como as coisas aqui mudam depressa!

— Pode deixar, Pontas. Estamos voltando. Dá um jeito na tua ruiva, porque não vou aguentar se ela pegar no meu pé, hein? — Sirius falou antes de guardar o espelho. — Vamos. Você ouviu... Teremos problemas com a monitora certinha! — ele debochou.

Antes de sairmos da sala, Sirius se certificou que o corredor estava livre. Ele me guiou por atalhos que eu, com muita vergonha assumo, não conhecia.

— Six, onde estamos? — sussurrei. — Esse não é o corredor da Grifinória!

— Eu sei. Vamos dar um pulo na cozinha. Você deve estar com fome.

Depois que ele falou, ouvi meu estômago reclamar. Ele tinha razão: eu estava com fome, na verdade, eu estava com muita fome.

Entramos na cozinha e os elfos domésticos vieram em nossa direção fazendo reverências. Sirius pediu um lanche caprichado, afinal nós dois não tínhamos jantado, pois estivéramos muito ocupados com outras coisas, que por sinal, aumentaram nosso apetite.

Quando, finalmente, chegamos na sala comunal da Grifinória, vimos que a sala estava quase vazia. Apenas Tiago e Remo estavam ali. Quando nos viram, os dois levantaram das poltronas em que estavam sentados e vieram em nossa direção. Tiago cheio de perguntas no rosto, Remo parecia apreensivo.

— Onde vocês estavam? — atacou Tiago. — Tive que arranjar uma poção com Madame Pomfrey para fazer Lílian dormir! Ela estava enlouquecendo todo mundo por aqui, preocupada com a Rachel!

— Hey! — falou Sirius. — Falando assim, magoa! Até parece que sou perigoso! — ele fingiu mágoa. Eu ri nervosa. Como sairíamos daquela situação? — A aula demorou um pouco mais do que havíamos previsto! — Sirius olhou para Tiago. — Ela botou na cabeça que vai virar animaga, Pontas. Passei um bom tempo tentando entender o porquê disso. Acabamos perdendo a hora!

Tiago pareceu satisfeito com a resposta, mas Remo não.

— Rachel, se você quiser conversar... Estou aqui — Remo disse, olhando de canto de olho para Sirius. Ele desconfiava do amigo cachorro.

— Eu sei, Remy. Obrigada. Não acho que preciso conversar. Mas... Se eu sentir necessidade, sei onde te encontrar — falei antes de dar um bocejo. — Vou subir. Estou morta de sono. Tchau, rapazes!

Sirius me deu um abraço apertado e sussurrou no meu ouvido que aquela tinha sido a melhor noite da vida dele. Sorri com as palavras dele e me senti corando mais uma vez.

Quando entrei no dormitório, as meninas já estavam dormindo. O dia seguinte seria longo e complicado. Lílian me pegaria de jeito para pedir explicações sobre meu sumiço...

Na manhã seguinte, acordei com Lílian puxando meus cobertores.

— O que foi, Lily? — perguntei. Eu estava de muito bom humor.

— Onde você esteve a noite toda? — ela disparou, gritando, sem respirar. — Você saiu para a aula de Animagia e só apareceu de manhã! Fiquei preocupada com...

— Lily, calma! — eu a interrompi. — Não tem nada para se preocupar! Sirius e eu acabamos ficando na Sala Precisa até tarde. Só isso — ela não conseguiria estragar meu bom humor! Minha noite com Sirius seria contada para ela, mas não agora – eu estava com fome!

— Mas... — ela começou.

— E não apareci só de manhã. Quando cheguei você já estava dormindo, só isso! — retruquei, interrompendo ela. — E você e o Pontas, como estão? — aproveitei para mudar de assunto, antes que ela perguntasse mais alguma coisa.

— Bem. Estamos bem. Mas não é disso que estou falando agora, Rachel!

— Que pena! — retruquei, rindo.

Ela me olhou parecendo espantada pela minha resposta. Ergueu as sobrancelhas e abriu um pouco a boca.

— Ok, Lily — suspirei. — Mas só vou te contar mais tarde. Vamos tomar café. Estou morta de fome!

Parecia brincadeira, Sirius e eu tínhamos assaltado a cozinha e comido como o time de quadribol inteiro, depois de uma partida, e eu ainda estava com fome!

Quando chegamos na sala comunal, os Marotos estavam nos esperando. Sam já estava lá, pois terminara de se arrumar antes e descera logo para cumprimentar seu lobo.

— Bom dia, meu amor! — saudou Lílian.

— Bom dia, flor! — respondeu Sirius sorrindo, abraçando a mim e a Lílian. — Mas acho melhor você disfarçar e não ficar espalhando nosso caso por aí. O Pontas e a Manchinha aqui podem não gostar! — ele deu uma risada parecida com um latido.

— Manchinha? — perguntamos Lílian e eu. Ela curiosa, e eu indignada.

— Tira as mãos do meu lírio, seu cachorro pulguento! — falou Tiago tirando Lílian do abraço de Sirius, que continuou abraçado a mim. Ele olhou para nós dois e debochou: — Manchinha? De onde saiu isso?

Sirius ignorou Tiago.

— Bom dia, minha gata! — ele deu um sorriso de parar meu coração e me deu um beijo.

— Bom dia, meu cachorro — respondi, mordendo o lábio. Ele sorriu.

— Agora que estão namorando, esqueceram do amigo aqui? — questionou Remo.

— Bom dia, Remo — dissemos Lílian e eu, indo abraçar ele.

Tiago e Sirius bufaram.

— Eu ainda sou o rei! — brincou Remo.

— É. Tá certo! Agora chega! — retrucou Tiago.

Lílian e eu rimos.

— Não se preocupem, Remo é só um amigo para elas. Elas são apaixonadas por vocês dois — falou Sam.

— Vamos tomar café. Estou morrendo de fome — falei. Senti meu rosto corar e abaixei a cabeça.

Ainda? — Sirius perguntou com ar divertido.

Acenei com a cabeça, mordendo o lábio.

Descemos para o Salão Principal, que já estava arrumado para a festa do Dias das Bruxas.

Na mesa do café, Tiago voltou a questionar o apelido que Sirius tinha arranjado para mim.

— Não falo nada se ela não deixar — Sirius apontou seu garfo para mim.

— E então, Rach? Por que "Manchinha"? — dessa vez foi Sam quem perguntou.

— Hum — pigarreei. — Nem eu sei. Quando descobrir te conto — falei tentando disfarçar. Eu sabia muito bem porque "Manchinha", afinal, eu era uma onça-pintada, nada mais justo do que ele ressaltar minhas manchas.

Sirius impediu que Tiago fizesse mais perguntas, mudando de assunto e falando do Dia das Bruxas e dos boatos em torno da festa.

Depois do café, voltamos para a sala comunal. Estava frio lá fora para ficar nos jardins.

Já na sala, Sirius sentou em uma poltrona próxima a lareira e me puxou para o colo dele. Tiago sentou na poltrona ao lado e fez o mesmo com Lílian. Remo e Sam sentaram, comportadamente, no sofá, junto com Pedro.

Sirius estava ótimo. Mais carinhoso do que antes, mais atencioso comigo. Todo o medo que eu tinha de ser apenas mais uma para ele, havia se evaporado. Me aconcheguei no colo dele, encostando a cabeça em seu ombro.

O dia passou tranquilamente. Uma vez ou outra alguém perguntava o porque do apelido que Sirius me deu, mas ele desconversava. Aquele assunto pertencia a nós dois apenas, pelo menos por enquanto.

— Vamos nos arrumar, meninas? — perguntou Lílian. — Está quase na hora da festa.

Sam e eu concordamos. Nos levantamos e estávamos quase na escada quando Remo falou.

— Nos encontramos aqui, meninas.

— Vão indo para o Salão Principal. Podemos demorar — falou Lílian. Eu gemi, pois sabia que ela ia me interrogar no quarto.

— Vocês que mandam! — Tiago fez uma reverência enquanto dizia isso.

Quando chegamos no quarto, não deu outra: Lílian começou a atirar perguntas para mim.

— Por que demorou para voltar ontem? O que aconteceu? O que vocês andaram fazendo?

— Calma, Lily! — falou Sam. — Deixa a Rachel respirar!

— É, me deixa respirar! — suspirei e falei: — Vamos por partes, querida Lílian. Já te disse que fiquei na Sala Precisa até tarde ontem. Sirius e eu perdemos a noção do tempo...

— Por que? — quis saber Sam.

— Bom... Fomos para a aula de Animagia e... — contei quase tudo que aconteceu. Não contei que eu tinha conseguido virar animaga, apenas os momentos com Sirius, pois era isso que ela queria saber mesmo. Não entrei em detalhes. Os detalhes eram só meus!

— Mas você disse que ainda não estava pronta! — exclamou Lílian, chocada, quando terminei de contar.

— Lily, sei disso, mas as coisas mudam. Não sei... Me senti pronta, sei lá, amiga. Não dá para você ficar feliz por mim?

— Lily, se ela fez isso, é porque achou que já era hora! — Sam me ajudou.

— Obrigada, Sam — olhei para ela, transmitindo toda minha gratidão. — Vamos nos arrumar. Já estamos atrasadas para a festa.

Com a ajuda de Sam, consegui convencer a Lílian que era hora de descer. Os meninos deviam estar nervosos, nos esperando.

Quando chegamos ao Salão Principal, os Marotos estavam em um canto conversando. Eles nos viram e sorriram largo. Apenas Pedro não parecia muito contente, mas ele se virou para a mesa e começou a comer.

— Você está linda! — os três falaram ao mesmo tempo.

— Obrigada — respondemos juntas e começamos a rir.

Sirius passou a mão em minha cintura e me puxou em um abraço apertado, antes de me dar um beijo apaixonado. Tiago e Remo se dirigiram para suas namoradas e também deram um beijo nelas.

A festa estava muito animada. A banda tocava músicas agitadas e as pessoas dançavam ocupando todo o Salão. Sirius me puxou para dançar e saímos rodopiando pelo ambiente.

A cada volta eu percebia olhares cobiçosos de várias meninas por ali, todos dirigidos a Sirius, que parecia um dançarino profissional. Ele dançava com uma elegância, que era natural dele. Seus cabelos balançavam ao movimento e ele sorria. Estava muito feliz.

Eu já estava cansada de tanto dançar, principalmente porque não tinha dormido quase nada na noite anterior, tendo ficado com Sirius na Sala Precisa, e com Lílian me acordando cedo para me interrogar, quando fomos nos sentar um pouco. Os outros Marotos tinham acabado de se reunir em uma mesa quando Sirius e eu chegamos. Sentei, enquanto Sirius foi buscar uma bebida.

— Nossa! Vocês dois estavam arrasando! — Sam falou, olhando para mim e para Sirius, logo que ele voltou trazendo a bebida.

— Obrigada, Lua — ele respondeu cheio de si.

— Você quis dizer que ele estava arrasando, não é, Lua? — retruquei. — Eu sou apenas uma coadjuvante...

— Deixe de ser modesta, Manchinha! — Sirius falou.

— Ainda não entendi essa história! — falou Tiago. — Será que vocês podem explicar?

— Ainda não, Ti — respondi. — Quem sabe um dia vocês descubram... — coloquei uma nota enigmática na frase.

— O que importa é que esse é o apelido dela! — disse Sirius. — Vocês queriam um apelido para ela, o apelido já foi dado! Manchinha! E não se discute mais!

— Tudo bem! Mas sabemos o significado do apelido de cada um aqui, só o dela que não... — retrucou Remo.

— Vocês nunca estão satisfeitos! — eu reclamei. — Vamos dançar, cachorro?

— Seu desejo é uma ordem, gata! — Sirius me respondeu.

— Aí está uma parceria altamente improvável! Um cachorro e uma gata... — zombou Lílian.

— Não tanto quanto um cervo com um lírio! Cervos são animais que comem plantas, Lily, não esqueça disso — falei pegando a mão que Sirius oferecia para mim e me levantando.

Lílian ficou com o rosto tão vermelho quanto os cabelos. Tiago riu.

Voltei, com meu cachorrão, para a pista de dança que tinha sido improvisada no centro do Salão Principal.

— Sabe, nenhum dançarino é bom se seu par não for tão bom quanto ele — Sirius falou em meu ouvido, dando uma mordidinha no lóbulo de minha orelha. Me arrepiei e ele deu uma risada baixa no meu ouvido. — Você é a mulher mais linda desse Salão, gata. Não. Você é a mulher mais linda de todos os salões, de qualquer ambiente!

— Obrigada, Six — senti meu rosto queimar.

Dançamos por mais um longo tempo. Quando meus pés suplicaram por um descanso, avisei para ele, e fomos nos sentar novamente.

Os meninos disseram que buscariam nossas bebidas. As meninas resolveram ir ao banheiro e me convidaram para ir junto. Aceitei, pois seria uma ótima oportunidade para me refrescar.

— Nunca entendo porque as mulheres sempre vão juntas ao banheiro! — retrucou Pedro.

— Segredo de mulher — Sam sorriu, enigmaticamente, enquanto nos afastávamos.

No banheiro, aproveitei para jogar uma água no rosto e na nuca. Eu estava toda suada. Lílian e Sam estavam muito contentes com a festa e a companhia de seus "príncipes encantados".

— Rach — olhei para Lílian —, obrigada por ter insistido que eu estava sendo cabeça dura com relação ao Ti. Ele é perfeito!

— Que bom, amiga. Fico muito contente de te ouvir dizer isso — falei com sinceridade. — Vocês formam um belo casal!

— Concordo — disse Sam. — Vocês nasceram um para o outro!

— Você e Remo não ficam atrás! — falei. — Vocês também ficam lindos juntos. Remo parece muito feliz ao seu lado.

Sam corou.

— Obrigada, Rach — ela falou, abaixando a cabeça.

— Vamos voltar para a festa, nossos namorados, e nossas bebidas, estão nos esperando — falei.

— Ainda não, querida Manchinha — Lílian falou zombando um pouco do apelido. — Você vai me contar que história é essa de Manchinha?

— Lily, vou contar — o sorriso dela se abriu —, mas não agora! Quero voltar para a festa — falei, vendo o sorriso dela se desfazer.

Ao entrar no Salão vi um grupo de meninas rodeando os Marotos. Lílian e Sam bufaram, mas eu fiquei paralisada. No centro da roda estava Sirius com uma garota pendurada em seus lábios. Vi vermelho. Tudo a minha volta virou um borrão vermelho. Dei meia volta e saí do Salão ouvindo Lílian e Sam me chamando de volta.

As duas tentaram me segurar pelo braço, mas lhes lancei um olhar de pura raiva e elas me soltaram.

Corri pelo castelo ignorando os murmúrios dos quadros, que reclamavam e me chamavam atenção. Quando me dei conta, estava entrando na Sala Precisa, mais precisamente, na minha floresta particular.

Assim que entrei e fechei a porta, me transformei na onça adulta, pois não estava com espírito para um doce filhote, eu estava com muita raiva! Como animal, minha dor pareceu se atenuar, era como se a onça não pudesse sentir toda a dor que meu coração humano sentia...

Eu tinha sido mais uma para ele, afinal. A encenação dele foi perfeita: a culpa por não se controlar, os carinhos durante o dia, o beijo apaixonado no início da festa... Tudo fingimento.

Fiquei ali, deitada em um galho no alto de uma árvore, urrando de raiva e dor. Sentia raiva de mim mesma por ter acreditado nele. Sentia doer meu coração que se partia em pedaços ainda menores, cada vez que eu lembrava da cena que tinha presenciado a pouco no Salão.

Ouvi um barulho de porta abrindo. Ergui a cabeça e farejei o ar. Não era muito humano, havia um toque animal naquele cheiro. Alguém entrara na minha floresta. Era melhor que não fosse Sirius, com a raiva que eu estava, eu arrancaria a cabeça dele com muita facilidade.

Saltei da árvore e me orientei pelo ruído dos passos cautelosos, que rondavam por ali.

Percebi que era Remo e entendi o toque animal no cheiro que eu havia sentido antes. Como ele conseguira entrar ali?

Me camuflei entre as árvores, esperando que ele fosse embora e eu pudesse curtir minha dor.

— Rach? — ele chamou. — Sei que você está aqui. Apareça. Vamos conversar.

Bufei e saí do meu esconderijo.

Remo girou nos calcanhares e arregalou os olhos para mim. Com certeza ele não esperava me ver como uma onça. Talvez nem soubesse que eu era a onça. Ele ficou paralisado, parecia decidir o que faria.

Notei em seus olhos uma compreensão. Ele finalmente associara o apelido que Sirius me dera, com o animal diante de seus olhos.

— Manchinha?

Bufei novamente, arreganhando os dentes dessa vez. Não queria mais ouvir aquele apelido, pois me lembrava daquele cachorro do Sirius.

— Desculpe, Rach. Mas... Antes de mais nada... Uau! Você conseguiu! — ele sorriu para mim.

Olhei em seus olhos, mas não me transformei de volta em humana. Eu não queria falar.

— Rach, precisamos conversar...

Balancei a cabeça negativamente, minha cauda chicoteava o ar, demonstrando toda minha irritação. Ameacei me virar, mas ele se aproximou de mim rapidamente, não parecendo temer a onça que eu era.

— Imagino que você não esteja querendo falar com ninguém, mas você precisa ouvir! — ele gritou comigo. — Quer ficar dessa forma, não tem problema. Mas eu acharia melhor olhar para os seus olhos azuis em vez de para esses olhos amarelos!

Respirei profundamente. Eu precisava pedir para ele sair. Voltei a minha forma humana. Ele sorriu para mim.

— Remo, me desculpe. Não quero falar com ninguém agora. Me deixe sozinha — as lágrimas que não podiam escorrer dos meus olhos de onça, corriam agora pelo meu rosto humano.

Remo se aproximou mais de mim e me deu um abraço aconchegante.

— Rachel, tudo isso foi um tremendo engano.

— Engano? Eu vi tudo Remo.

— Você pensa que viu, Rach. Sirius ama você de verdade. Ele ficou muito abalado quando te viu saindo do Salão.

— Se ele ama tanto, por que beijou aquela menina, sabendo que eu poderia ver?

— Aí está o ponto da questão, Rach. Ele não beijou...

— Não me venha com essa! — interrompi. — Eu vi! — gritei, me afastando dele.

— Você viu uma garota agarrada a ele, mas não sabe tudo que aconteceu! Ela agarrou ele!

— Você quer me convencer de que seu amigo é inocente? Não vai conseguir, Remo.

Ele deu um suspiro exasperado.

— Você vive dizendo que a Lílian é cabeça dura, mas você está se mostrando bem pior! Me ouve.

— Como você entrou aqui? — perguntei depressa.

— Quando vimos você saindo do Salão, fomos atrás de você. Lílian nos contou que você parecia com muita raiva. Usamos o Mapa do Maroto...

— Usaram o quê?

— O Mapa do Maroto. É um mapa de Hogwarts que nós, os Marotos, fizemos. Nele aparece todas as passagens do castelo e todos os seus moradores. O único lugar que não aparece é esta sala, que, como muda dependendo da vontade de quem a usa, ela não é mapeável. Mas, como eu ia dizendo... Usamos o mapa para te encontrar. Você não estava em lugar nenhum dentro dos terrenos de Hogwarts. Sirius nos falou que, quando vieram aqui ontem, você desejou uma floresta e resolvemos tentar.

— Onde estão os outros?

— Do lado de fora. Achei que seria melhor se só eu falasse com você, porque, segundo o que Lílian falou, achei que você não iria querer falar com ninguém mais.

— Acertou. Ou melhor, quase acertou. Não quero falar com ninguém!

— Rach, somos amigos. Não estou aqui como Maroto, mas como seu amigo.

— Ele contou no que eu me transformo? — não consegui falar o nome dele.

— Não. Sirius — senti uma pontada no peito ao ouvir o nome — não me falou nada, a não ser da floresta. Ele está arrasado, Rach — bufei com ironia. — Você vai deixar eu contar o que realmente aconteceu?

Fechei meus olhos e suspirei. Quando os abri, vi que Remo me olhava ansioso.

— Fala, Remo — murmurei. Eu não tinha mais forças para gritar, apesar de ser essa minha vontade.

— Você lembra que vocês foram no banheiro e nós ficamos de buscar as bebidas, certo?

— Perfeitamente. E?

— Enquanto estávamos pegando as bebidas, aquele grupo de meninas se aproximou. A menina que beijou o Sirius queria uma dança com ele — Remo riu pelo nariz. — Ele disse que não precisava de uma parceira, já tinha a dele.

Rolei os olhos, balançando negativamente a cabeça, com descrença.

— Assim que elas viram que vocês saíram do banheiro, aquela menina pulou no pescoço dele e deu um beijo — Remo continuou. — Foi nessa hora que você viu e saiu do Salão. Ela deu um sorriso e exclamou "Consegui, você será meu, Sirius Black!". Ele virou as costas para ela e tentou te seguir. O resto já contei. Ele está aí fora, querendo falar com você — ele indicou a porta.

Eu não sabia se devia acreditar.

— Remo?

— Sim, Rach?

— Ele contou para vocês o que aconteceu nessa sala ontem?

— Não. E isso prova o quanto ele gosta de você. Se fosse outra garota, ele teria contado assim que entramos no dormitório. Dessa vez, ele simplesmente trocou de roupa e se jogou na cama para dormir. Pedro tentou perguntar alguma coisa, mas ele mandou que Pedro se calasse e dormiu.

Talvez eu devesse dar algum crédito para ele. Remo parecia um pouco curioso, mas não perguntou nada.

— Remo, ontem... — comecei. Senti meu rosto corando.

— Não precisa falar, Rach. Isso é entre vocês dois.

— Eu sei, Remy — suspirei. — Mas quero que você entenda a minha descrença nesse papo de "ele te ama de verdade".

— Ok. Se quer falar...

— Ontem nós... Bom... Nós...

— Tiveram uma noite inesquecível — ao era uma pergunta. — Tudo bem, Rach. Confesso que imaginei que algo parecido pudesse ter acontecido.

Olhei para ele espantada. Como ele poderia saber se Sirius não contara nada, como ele disse?

— Vocês estavam com uma cara muito contente para quem tinha passado aquele tempo todo estudando — ele falou, como se estivesse respondendo minha pergunta silenciosa.

Ele me deu um sorriso e me abraçou novamente. Deixei minhas lágrimas correrem soltas por meu rosto. Eu ainda não estava segura se devia acreditar nele.

— Posso chamar os outros aqui? — ele me perguntou depois de algum tempo.

Tentei secar minhas lágrimas com o dorso da mão. Remo conjurou um lenço e me entregou. Permanecemos em silêncio por tempo suficiente para que minhas lágrimas secassem completamente e eu conseguisse controlar minha respiração. Só então acenei com a cabeça, permitindo que ele chamasse os outros.

Ele abriu a porta e falou para entrarem. Todos, exceto Sirius, ficaram admirando a floresta que eu havia criado ali. Sirius olhava apenas para mim. Tinha os olhos úmidos, como se tivesse chorado também.

— Uau, Rach! — exclamou Lílian. — Estamos na Floresta Proibida?

— Não. Esta é apenas uma floresta — Sirius respondeu antes que eu pudesse fazer. Olhei para ele, ainda com raiva.

— Por que uma floresta? — perguntou Tiago.

— Por que não? — retruquei. — Achei que aqui ninguém me encontraria — lancei mais um olhar raivoso para Sirius.

— Manchinha — tremi ao ouvir Sirius me chamar daquele jeito. Sua voz rouca estava baixa —, você ouviu tudo o que Remo tinha para te dizer?

Acenei com a cabeça. Sirius deu um passo em minha direção, com os braços esticados para me abraçar. Recuei um passo para trás.

— Não significa que acredito — falei secamente.

— Rach, é verdade — falou Sam. — Ouvimos a menina falar para as amigas, que Sirius seria dela, enquanto ela passava por mim e por Lílian. Ele não teve culpa de nada.

Sirius me olhava com cara de cachorro que caiu da mudança. Percebi o quanto ele estava sofrendo com aquilo tudo. O quanto ele estava sentido com aquela história. E o quanto ele sentia por eu não acreditar nele.

— Sei que minha fama não é as melhores, mas já te disse que você é diferente, Rach — ele falou me olhando intensamente. Percebi que ele não usava o apelido com o que ele me chamara durante muito tempo "gata".

— É. Você disse — falei, pela primeira vez me dirigindo a ele. Seu rosto se iluminou um pouco.

— Não tenho culpa, meu amor. Ela me pegou de surpresa! — ele se aproximou mais um passo de mim. Dessa vez eu não recuei. Ele deu um sorriso torto. — Depois de tudo que passamos ontem, como você pode duvidar dos meus sentimentos por você?

— Fácil! Você sempre conquistou as meninas, conseguiu o que queria e caiu fora. Por que comigo seria diferente?

— Porque eu te amo! — ele respondeu pausadamente, como se explicasse para uma criança uma coisa muito difícil.

Não pude conter o sorriso que se espalhou em meu rosto. Ele já havia dito isso, mas apenas para mim, nunca na frente de outras pessoas.

— Rach, nunca vi o Sirius tão chateado — falou Lílian, torcendo as mãos nervosamente. — Ele ficou muito sentido. Dá uma chance para ele!

Sirius sorriu um pouco. Um sorriso suave, mais ainda sim lindo, como tudo nele. Ele deu um passo largo em minha direção, ficando próximo o bastante para segurar minha mão. Meu corpo se arrepiou com aquele toque, minha respiração ficou irregular. Ele se aproveitou da situação e me puxou para junto dele, colando seu corpo no meu.

Levantei um pouco a cabeça para poder olhá-lo nos olhos. Pude ver a verdade no fundo daqueles olhos cinzentos que eu tanto amava: ele era inocente. Sorri levemente e ele ofegou intensamente, antes de colar seus lábios nos meus.

Fui pega de surpresa. Mas era muito bom ter aqueles lábios se movendo junto aos meus. Ouvi alguém pigarrear. Sirius separou sua boca da minha, me abraçou mais apertado enquanto seus lábios percorriam a linha do meu queixo até minha orelha, onde ele sussurrou:

— Sou todo e apenas seu. Te amo, gata.

Sorri com o uso do apelido. Para falar a verdade eu já estava sentindo falta dele.

— Hum, hum — alguém pigarreou. — Certo, deixem para fazer as pazes e correr atrás do tempo perdido com a briga para depois! — era Tiago. — Algum de vocês pode explicar o por quê da floresta? — ele parecia impaciente agora.

— Manchinha, manda ver! Mostra para eles — Sirius falou, parecia orgulhoso.

Acenei com a cabeça e me afastei dele. Suspirei e me transformei no filhote de onça.

Ouvi a exclamação de espanto de Remo mais alta que a dos outros. Ele havia me visto como uma onça adulta, não um filhote.

Corri para longe do grupo, me escondendo entre algumas árvores e ouvi Sam perguntar:

— Por isso Manchinha? Porque ela é um animal pequeno?

— Não — respondeu Sirius, completamente orgulhoso agora. — Manchinha, preciso que você volte para explicar tudo.

Soltei um pequeno rugido, que saiu fraco, exatamente como um filhote faria. Voltei a minha forma humana e me transformei novamente em onça, desta vez adulta. Me aproximei lentamente, sem fazer nenhum ruído.

— Será que aconteceu alguma coisa com ela? — perguntou Lílian nervosa.

— Ela está bem, Lírio. Este é o lar dela! — Sirius falou com ar debochado. — Manchinha, anda logo — ele falou para mim.

Apareci diante deles. Tiago agarrou Lílian pela cintura e a puxou para trás. Sam pareceu desapontada por Remo não ter feito o mesmo para defendê-la. Sirius sorriu para Remo, que retribuiu o sorriso.

Me aproximei de Remo, fiquei em pé, sobre as patas traseiras e passei minhas patas dianteiras em seu ombro. Ouvi um grito, acho que era Sam. Soltei Remo e fiz o mesmo com Sirius, mas dei uma lambida em seu rosto. Assim que me coloquei nas quatro patas, me transformei de volta em humana.

Vi a boca e os olhos de todos, menos Sirius e Remo, tão abertos que tive medo que nunca mais conseguiriam fechar.

— Não me perguntem como, só sei que consegui essas duas formas — falei antes que as perguntas começassem.

Sirius me abraçou de novo e selou seus lábios nos meus, com a mesma vontade e determinação da noite anterior.

— Não queremos ver esse tipo de coisa! — ouvi Remo dizer. — Podem parar vocês dois. Temos que voltar para a festa! Vão sentir nossa falta lá e podemos nos meter em confusão.

— Vai ser muito bom ver Lílian Monitora Certinha Evans de detenção — zombou Sirius, que tinha recuperado todo seu bom humor.

— Sirius Black, acho melhor você calar essa boca, ou vou arranjar uma detenção para você! — retrucou Lílian. — Ou você acha que não sei que você chegou depois da meia noite na Torre da Grifinória?

Sirius fez cara de espantado e me olhou. Dei de ombros e o puxei para sairmos dali e voltarmos para a festa.

Entramos no Salão e a menina que beijara Sirius nos olhou espantada, pois fiz questão de entrar de mãos dadas com ele. Ver aquela cara de espanto não teve preço e me deu forças para dançar muito mais do que antes. Eu sentia que poderia virar a noite dançando com o meu namorado.

Quase no fim da festa, os meninos foram buscar mais bebidas para nós, e Hale se aproximou de mim.

— Não acredito que você ainda está com aquele sujeito! — ele exclamou ao se aproximar de mim.

— Hale, acho melhor você se afastar. Sirius não vai gostar nada de te ver aqui comigo e vai te azarar — ele me olhou como quem duvidava disso. — Não vou impedi-lo de se divertir. Se você tivesse visto o que fizeram na segunda aula de DCAT do ano com Snape, não duvidaria do que ele é capaz! — ameacei.

Sirius se aproximou de cara fechada e Hale saiu resmungando.

— O que ele queria? — perguntou Sirius um pouco irritado.

— Irritar você — respondi. — Se quiser azará-lo, vai em frente. Não vou te impedir. Só te peço para não fazer isso aqui, com toda a escola assistindo.

Sirius sorriu maldosamente.

Quando a festa finalmente terminou, à meia-noite, eu já tinha bolado um plano para me vingar da biscate que tentou roubar o Sirius de mim. Mas eu precisaria da ajuda das meninas e dos Marotos, principalmente deles, uma vez que eles eram os reis do caos.

Deixaria para falar meu plano com eles no dia seguinte. Estávamos muito cansados e queríamos dormir. Sirius e eu principalmente.

Já no dormitório, pronta para dormir, ouvi alguma coisa bater na janela. Fui até lá e vi uma coruja com um pergaminho amarrado na pata. Abri a janela e ela esticou a perna para que eu retirasse a carta.

Abri apressadamente, com medo de ser uma notícia ruim, pois uma coruja àquela hora...

Era um bilhete de Sirius.

Manchinha, minha gata

Não sei o que eu faria se te perdesse. Fico feliz por você ter acreditado na minha inocência. Você é muito importante para mim.

Quero ter outro momento a sós com você, o que acha?

Te amo muito.

Boa noite.

Almofadinhas, seu cachorro.

Sorri quando terminei de ler o bilhete. Peguei um pergaminho e respondi imediatamente ao convite dele.

Almofadinhas, meu cachorrão

Adoraria ter outro momento a sós com você. Amanhã marcamos o encontro.

Boa noite.

Também te amo.

Manchinha, sua gata.

Entreguei o pergaminho para a coruja e fui dormir contente com o desfecho do meu fim de semana perfeito.

Sirius mais uma vez povoou meus sonhos.


Pessoas amadas! Estão gostando? Está bom, está ruim?

Se quiserem dar sugestões para a vingança da Rachel... Será bem vinda, pode ter certeza!

Agradecimento para minha beta Manu Black, que deu a idéia de que a Rachel não fugisse, mas atacasse a "safachorra"! rsrs Pode ser que a Rachel ainda faça isso! rsrs

Agradecimento também para minha outra beta , que, apesar de estar prestando vestibular, ainda tirou um tempo par ler esse capítulo!

Façam uma autora feliz! Deixem reviews, please!

Bjos

Ju