Cap. 8 Truth or Lie?
Abri meus olhos para logo ver que estava no jardim, coberta pela blusa do Inuyasha. E este estava com o braço em minha volta me segurando firmemente. Ambos estavam deitados de lado, só que eu estava de costas para ele. Um ventinho fresco passou por nós. As plantas estavam quietas...
-Acordada? – murmurou ele.
-Mais ou menos... – disse manhosa.
-Adorei a nossa noite. – sussurrou no meu ouvido me causando arrepios. – Podíamos repetir isso toda noite, tarde, manhã...
-Inuyasha! – podia se dizer que eu estava igual uma pimenta! – Não sabia que você era tão safado! – ri.
-Ué, você que desperta esse meu lado. Se alguém aqui tem culpa é você! – disse se espreguiçando.
Virei-me a tempo de contemplar aqueles braços se esticarem e contraírem os músculos. Ô Pai! Tenha dó de mim! Quer dizer, tenha dó não! Com um homem desses vou pedir dó? Tenho é que agradecer!
-Minha culpa nada! Nunca se quer te provoquei!
-Imagina! Só quando você ficou peladinha na minha frente. – disse com um sorriso travesso.
-Ei! Aquilo não foi por querer! Perai! Pensei que você tivesse tampado os seus olhos! e.é
-Querida, antes de tudo eu sou homem! Não resisto a essas coisas... E eu seria realmente louco de não dar uma espiadela. – piscou o olho.
-Seu... seu... Tarado! – comecei a dar tapas e socos. Claro que não fazia efeito nenhum nele. ¬¬
Depois de várias tentativas inúteis eu desisti e me levantei colocando minhas roupas.
-Quer ajuda?
-Você está muito engraçadinho, sabia? – joguei a blusa na cara dele.
-O que posso fazer? – disse colocando a blusa. – Você me deixa assim. Alegre, sorridente, brincalhão, embriagado... É como se fosse uma droga. Tipo orégano. – riu.
-Orégano não é droga seu besta! – ri junto com ele.
Mas mesmo assim as palavras dele me causaram grande efeito. Senti-me na obrigação de falar algo para ele também.
-Obrigada.
-Pelo que? Ô.õ
-Você está me proporcionando coisas que eu não sentia faz tempo. Quero aproveitar o máximo desse sentimento agora. Eu te amo tanto!
Inuyasha ficou sério.
-Eu também te amo! Agora não entendo porque você quer aproveitar só agora. – ambos já estavam vestidos. – Temos uma vida inteira pela frente para aproveitar!
Ótimo. Nossa primeira discussão.
-Olha depois que tudo aqui estiver voltado ao normal terei de voltar para casa.
-Sua casa é aqui!
-Inuyasha, tem pessoas no meu mundo que devem estar preocupadas comigo!
-Então vai lá e fala que tá tudo bem e pronto!
-Não é assim que as coisas funcionam! Lá eu construir o meu mundo! Tem pessoas que me amam e-
-Aqui você também tem. – ele me cortou. – Existem outras pessoas que se importam com você aqui também e te amam. Mas pensei que só o meu amor bastava.
-Obvio que basta! Só que você não entende o que eu quero dizer!
-Não é o que parece. – ele passou a mão no cabelo nervosamente.
-Nós temos mesmo que discutir sobre isso? – perguntei cansada.
-Sim, nós temos. – disse sério.
Respirei fundo.
-O que eu estou querendo dizer para você é que eu tenho uma mãe e um irmão lá no meu mundo. Eles se preocupam comigo e me querem bem, se de repente descobrem que eu sumi vão ficar desorientados! Não quero isso! Minha mãe está velha demais para suportar emoções fortes!
-Você é a Rainha Branca! Seu lugar é aqui! Seu mundo é esse!
-Posso ser a Rainha Branca, mas isso não muda nada! Para mim eles continuaram a ser minha família. Aliás, como pode ter tanta certeza de que sou ela? E se vocês estiverem errados?
Inuyasha ficou quieto. Pegou o seu chapéu na grama e veio até mim.
Depois ele simplesmente abaixou o vestido no meu ombro esquerdo.
-Por causa disso. – disse baixo. Era uma cicatriz que eu tinha adquirido quando criança de acordo com minha mãe. Mas reparando agora parecia um desenho apagado. Sim! Como se fosse uma tatuagem mal removida! Era o desenho de uma rosa, entretanto não tão perfeita e só tinha a sombra de que tinha algo ali.
-Eu nunca tinha reparado isso.
-Aqui o desenho fica mais proeminente. Você nunca deve ter olhado bem. Kikyou também compartilha do mesmo desenho. – disse mais calmo.
-Como sabe disso? e.é
-Ela simplesmente anda para cima e para baixo com um vestido que deixa a marca à mostra. Só que a dela é mais forte.
-Pelo visto você olhou bem, não? ÒÓ
-Não é o que você pensa. Quando vocês eram crianças viviam mostrando isso para todo mundo. Se bem que você era mais reservada. Não sei se era porque a sua era mais clara, devido ao seu nome.
-Nos conhece desde pequenas?
-Sim. Eu era uma criança também. Ou o que? Pensou que eu sempre fosse adulto? Ô.o – ele disse isso porque eu o olhei meio surpresa.
Bom, estava mais calma porque o rumo da conversa tinha ido para outro lugar.
-Sei lá! Esse seu mundo é tão maluco!
-Seu mundo também.
-Não vamos começar de novo, vamos?
Inuyasha ficou calado. Abaixou a cabeça e saiu.
Eu continuei parada aonde eu tava sem entender. Na verdade eu acho que entendia. Ele não queria que eu fosse embora. Entretanto o que eu podia fazer? Não posso jogar tudo pro alto e permanecer aqui! Entrei e fui atrás dele que não foi difícil de achar, afinal ele estava sentado na escada de entrada. Não queria ficar brigada com ele.
-Inu...
-Tudo bem Kagome.
-Então você não está bravo comigo?
-Não. Apenas chateado. Não teria o direito de ficar bravo com você! Se a sua decisão é voltar para o seu mundo tudo bem. Só que...
-O que? – perguntei me sentando ao seu lado. Não podia ver os seus olhos, pois a aba do chapéu não deixava.
-Eu nunca tive esse sentimento antes. Essa sensação de te perder, não te ver mais e não poder nada para que isso não aconteça me corroem por dentro. Tenho para mim que se você for não irá mais se lembrar de nós, nem de que um dia me amou. Como se eu fosse um fantasma na sua vida. Eu juro que estou tentando entender os seus motivos, mas meu coração não os aceita! É como se você estivesse arranjando desculpas para partir.
Respirei fundo. Ele estava fofo me dizendo aquelas coisas, pois demonstrava que realmente me amava. Que realmente se importava comigo.
Coloquei-me de frente para ele e o fiz levantar o rosto. Seus olhos estavam apagados e a cor por mais incrível que pareça mais clara.
Colei minha testa na dele e o encarei nos olhos.
-Nada, absolutamente nada irá me fazer esquecer todos aqui e principalmente de você. E acredite farei de tudo para tentar voltar quando toda minha vida estiver arrumada. Mas por favor, me dê um tempo. Infelizmente as coisas não se resolvem de um dia para outro. Mas nunca, nunca se esqueça que eu vou sempre pensar em você e estará sempre aqui. – peguei a mão dele e posicionei no meu coração. – Me ouviu bem?
-Promete voltar? – perguntou baixinho.
-Vou fazer o possível. Agora vamos entrar e comer. Parece que o Shippou deixou algumas frutas para nós na cozinha.
Entramos no castelo de volta e fomos para a cozinha. Inuyasha parecia mais conformado ou fingia estar. Jamais saberei o que se passa dentro dele.
Realmente Shippou tinha passado por lá mais cedo. Agora... Será que ele nos viu no jardim? O.O
Ele não seria tão bisbilhoteiro, seria?
Sentamos-nos na mesa e começamos a comer.
-Já tem uma ideia de como vai pegar a Vorpal? –Inuyasha perguntou me olhando.
-Não. Vai ser muito difícil... Entrar no Castelo Vermelho e ainda ter que descobrir aonde ela se encontra. Sem contar que a Rainha Vermelha tá atrás da minha cabeça.
-Hm... Realmente vai ser um pouco difícil. –disse pensativo. – Pensei num jeito de você entrar facilmente e sem problemas.
-Agora quero tomar um banho e relaxar.
-Quer ajuda no banho? – perguntou com sorriso maroto de lado.
-Não obrigada. É uma oferta tentadora, mas preciso mesmo relaxar.
-Ok. Como eu já tinha lhe dito irei sair por uns instantes logo volto.
-Certo.
Claro que antes dele sair me deu um beijo super caloroso.
-Confia em mim? – ele perguntou no meu ouvido.
-Sim.
-Ótimo. – me deu um selinho e saiu.
Eu arrumei a cozinha mais ou menos e depois fui tomar meu banho.
Certamente os banheiros eram parecidos com o do meu mundo, só que parecia mais dos anos 60, 70... A banheira branca era de pezinhos prateados. Obvio tudo ali era branco! Se bem que eu me sentia relaxada ali. Entrei na banheira e me ajeitei.
Acabei por dormir. Lá estava eu sonhando com um jardim imenso e cheio de rosas brancas. Eu estava vestida com um impecável vestido branco correndo envolta de uma árvore, até que eu me deparei com duas pessoas. Um casal. A mulher era esbelta, cabelos loiros meio esbranquiçados, porém era jovem. Seu sorriso era delicado e transmitia alegria. Os olhos eram escuros. O homem era alto, magro e robusto. Seu cabelo era preto e liso. Apesar de a sua cara ser séria ele também sorria. Eu era uma criança.
A mulher sussurrava palavras que eu não entendia e eu sorri. O homem me pegou pela mão e entramos no castelo.
Tinhas outra menina que brincava com a sua boneca. Quer dizer, arrancava a sua cabeça. Ela era muito parecida comigo só que tinha cabelos pretos e olhos negros enquanto eu tinha meu cabelo igual ao da mulher. Quando ela me encarou senti a inveja pelos seus olhos. Então a mulher deu a mão para ela que aceitou. Nós quatro fomos para a sala de jantar e por lá ficamos... Daí me veio outro sonho. Eu devia ter o que? 12 anos? Estava aguando as plantas e conversando com elas quando alguém me chamou. Me virei e vi a outra menina agora com a mesma idade que eu.
-Ouvi dizer que papai e mamãe iram te eleger ao trono.
-Não me importo com isso.
-Se você não o quer, dê para mim a coroa. – disse a menina séria.
-Não posso. Se os nossos pais querem dar a mim a coroa é por algum motivo. –oh! Então aquela menina era minha irmã? E aquele casal meus pais?
-Mas você acabou de dizer que não quer!
-Nem sempre o que queremos pode ser realizado. Carrego sangue real e com ele algumas obrigações. Se papai não quer dar a coroa para você é por algum motivo Kikyou. – Hm... ela se chamava Kikyou... Perai! Esse não é o nome da Rainha Vermelha?
-Nossos pais não sabem o que fazem! Esse trono é meu por direito! Sou mais velha que você 5 minutos!
-Me impressiona a diferença. ¬¬'
-Eu terei o trono! Você verá!
-Larga de ser imatura maninha. Tem coisas que você como se tivesse 8 anos de idade. Às vezes é por isso que papai não a quer no trono! É muito ambiciosa!
-Você sempre foi à preferida! Sempre! Não vou deixar você encostar um dedo na coroa que por direito é minha! – ela saiu batendo pé.
E então o cenário mudou de novo. O céu estava preto. Tudo se encontrava silencioso. Eu me encontrava em frente a dois caixões brancos que estavam dentro do buraco. Muitas pessoas estavam a minha volta. Kikyou não se encontrava. Vi na lápide os nomes: Rainha Miranda e Rei Humberto. Eu estava no enterro dos meus pais na vila. Só que depois que os enterrou um dragão sobrevoou por nós e começou a tacar fogo. Todos corriam para todos os lados! Então eu vi o Chapeleiro pequeno correndo para dentro de um túnel. Depois senti alguém me puxar pelo braço. Era a lebre. Corríamos a todo vapor! Então caiu minha ficha. Kikyou matou nossos pais e agora queria se livrar de mim. Ela queria o trono. Bankotsu desde pequeno tinha cara de retardado.
-Beba isto! – ele ordenou me dando um líquido vermelho.
-O que é?
-Confie em mim! É para o seu bem! Você tem que viver Rainha Branca! – ele olhou para cima e viu o dragão vindo na nossa direção.
Eu também vi e sem pensar eu bebi todo o líquido e na hora em que o dragão chegou bem perto de nós eu desapareci.
Acordei chorando e respirando rápido. Olhei em volta para me situar de onde estava.
-Oh, droga! Mas que merda de sonho foi esse? – eu estava nervosa.
-Lembranças... – sussurraram as plantas.
Eram lembranças? Por que não as tive quando dormi com Inuyasha no jardim?
Repassei todas as imagens na cabeça e lembrei-me de ter visto a marca no ombro de Kikyou. Juntando tudo, para eu ter essas recordações, marcas iguais e a garota que se denominava minha irmã era Kikyou então... Eu era mesmo a Rainha Branca. Todos estavam certos.
Sai da banheira me sequei e coloquei outro vestido de algodão branco e de alças grossas. Era longo e com um decote em U, atrás ele fazia um X. Deitei na cama, afinal a intenção era relaxar e não ficar mais tensa. Ouvi o barulho da porta se abrindo e deveria ser o Inuyasha, já que é o único que sabe que estou aqui, além do Shippou.
Desci para me encontrar com ele e quando eu estava na metade da escada eu a vi. A Rainha Vermelha. Com uma expressão superior e com um sorriso prepotente na cara. Logo vi os seus soldados em todos os lugares. Pronto. Estava definitivamente fudida.
Ela era parecida no meu sonho, porém mais velha. Sue expressão era fria e isso me dava náuseas.
Dois soldados vieram na minha direção e me seguraram pelo braço.
-Me larga! – me contorcia para ver se dava algum efeito e eu conseguia sair dali.
No meio de todos aqueles soldados de cartas aparece o seu braço direito, Naraku. Com um sorriso de quem tinha conseguido vitória.
-Ora, ora... Em fim a encontrei! – disse a Kikyou com desdém. – Estava te procurando a um bom tempo, querida! Gostaria muito de saber como veio para no meu mundo e quem é você?
Ela ainda não sabia quem eu era. Nem supunha? Ô.o
Ou ela é mais burra do que eu imaginava ou nem se lembra de mim quando pequena. Sim, eu estava convencida de que era a Rainha Branca.
-Sou apenas Kagome. Como vim parar aqui? Caindo num buraco, serve?
-Buraco? Ninguém simplesmente cai num buraco e vem parar no meu mundo! E se você fosse uma pessoa simples sem ligação com esse mundo jamais conseguiria entrar aqui!
-Então eu não sei! – dei de ombros. – Vai ver o portal que abre para vir para cá foi com a minha cara e me deixou entrar.
-Você está me irritando! Levem-na daqui! Direto para o calabouço junto com os outros!
Eu ia gritar em protesto, mas algo me impediu. O que? Inuyasha. Ele estava no meio dos soldados como se fosse um deles.
Eu não estava entendo nada! Será que ele estava disfarçado? Impossível, qualquer um notaria o chapéu. Eu não conseguia ver o seu rosto, pois a aba do chapéu não deixava.
Os soldados começaram a me puxar escada a baixo. Inuyasha não fazia absolutamente nada! Kikyou seguiu o meu olhar e sorriu. Foi até ele e apoiou uma mão no ombro dele em quesito de posse.
-Ah, sim! Creio que ele não te contou que na verdade está do meu lado no jogo. Ele é esperto, afinal fez a melhor escolha.
-Como é? – olhei indignada. – Você não vai falar nada Inuyasha? Nem uma explicação para isso?
Agora sim ele ergueu o olhar e este estava negro.
-É isso mesmo que você ouviu Kagome. Não há muito que se explicar.
-Desde quando? – perguntei rude.
-Um pouco antes de você chegar. Era eu que passava as informações para a Rainha... E bem, fui eu quem disse que você estava escondida aqui. - ele dizia sem emoção nenhuma! Isso me destruía por dentro... Os olhos dele estavam sem brilho nenhum. Era como um buraco fundo sem fim.
Será que ele disse também quem sou eu? Bem, acho que não já que a tapada perguntou quem sou eu. Inuyasha não fazia à menor ideia da cratera que estava abrindo no meu coração. Segurei para não chorar, não na frente de todos ali. A conversa que tivemos... À noite... Parece que tudo não passou de encenação! Mas o que ele ganhava com isso? Viver?
-Belo amigo você é! Garanto que foi você que acabou enfiando os seus amigos dentro do calabouço! Que fez deles escravos dessa coisa ai que se denomina rainha! EU TE ODEIO INUYASHA! Me fez acreditar em coisas que não sei se poderei acreditar de novo com outra pessoa! EU ME ENTREI DE CORPO E ALMA PARA VOCÊ SEU CRETINO! Eu amei você... E você ainda me perguntou se eu confiava em você. Fui tola ao dizer que sim. – essa última parte eu praticamente sussurrei.
Pude ter uma vaga visão dos olhos dele indo para o claro, só não vi claramente porque a Kikyou se encontrava na minha frente agora.
-VOCÊ O QUE? – ela disse com muita raiva. –SOMENTE EU POSSO AMAR O INUYASHA, ME ENTENDEU? ELE É MEU E DE MAIS NINGUÉM! – e simplesmente me deu um tapa na cara que ardeu e mais tarde além de ficar vermelho, doeria.
-Pode ficar. Eu não conheço mais esse Inuyasha. Levem-me daqui, por favor. – já fui me virando para os soldados me tirarem dali.
-Isso mesmo! Levem-na daqui!
Quando eu já estava no portão prateado de novo gritei para ela:
-Você não merece pisar nesse solo, Kikyou. A Rainha Branca era pura, quanto você é algo indefinido. Lembre-se que esse solo é sagrado, já do seu castelo é profano.
E sai. Pelo menos acho que a expulsei do meu castelo sem ela saber que eu... Bem... é estranho dizer ainda, mas que eu sou a Rainha Branca.
