"A casa da Shelby não é muito longe, mas preciso pegar uma coisa no caminho se você não se importar" disse Quinn, sem desviar os olhos da estrada.

"Claro, sem problemas" respondeu Rachel que estava levemente distraída pela forma como o cabelo da loira se agitava com o vento vindo da janela. Ela olhou para o relógio no painel, seis e dez. "Não vamos nos atrasar?"

"Não." Dizendo isso ela estacionou em frente a uma casa de tijolos no meio de muitas outras casas exatamente iguais. "Você espera aqui?"

A morena concordou com a cabeça e aumentou o volume do radio enquanto observava Quinn tocar a campainha. Uma mulher idosa abriu a porta com um sorriso e fez sinal para a loira entrar. Quinn fez que não com a cabeça e apontou para o carro. A senhora seguiu o seu gesto e abanou para Rachel com um sorriso simpático nos lábios antes de entrar novamente, deixando a líder de torcida esperando do lado de fora.

Alguns segundos depois ela estava de volta segurando uma sacola. Quinn sorriu e abraçou a mulher em agradecimento, acenou e dirigiu-se de volta ao carro. Rachel lançou um sorriso para a senhora que as observava da porta.

A loira deu a partida sem dizer nada e a diva sentiu-se na obrigação de perguntar. "O que foi isso?"

Quinn respirou profundamente. "Eu queria que a minha filha tivesse algo meu..."

"E?"

"Você pode olhar dentro da sacola se quiser."

Rachel não pensou duas vezes antes de se virar e pegar a bolsa no banco de trás, ela pôs a mão dentro e sentiu algo macio contra seus dedos. Puxou o material e se deparou com um cobertor de bebê azul claro, desdobrou-o e reparou em três coisas. No canto inferior esquerdo, bordadas em azul marinho estavam as letras QF, no outro canto, bordado em rosa claro estava a frase 'Para Beth, com amor'. A morena sentiu lagrimas nos olhos. "É lindo Quinn... Beth vai amar!"

A loira sorriu. "Foi meu quando eu era bebê, minha avó bordou para mim..."

"Aquela senhora era sua avó?"

"Não... era uma amiga da família... Minha avó faleceu quando eu era pequena..."

"Sinto muito..." Rachel acariciou o joelho da líder de torcida antes de voltar sua atenção ao cobertor. Foi então que ela percebeu a terceira coisa, que a fez arquear as sobrancelhas e lançar um olhar questionador para a garota ao seu lado.

"O que foi?"

"Quinn, por que tem carrinhos estampados na barra do seu cobertor?"

A loira riu em resposta.

"Você tem alguma coisa contra azul e carrinhos para meninas Berry?"

"Não, eu só acho estranho que a sua família tenha comprado algo tão não de menina para você... Quero dizer, normalmente quando se é bebê a única coisa que define seu gênero são roupinhas e acessórios como esse."

"Relaxa Rachel, eu só estou pegando no seu pé." A morena parou de falar e lançou-lhe um olhar irritado. "Eu tenho uma boa explicação para os azul e carrinhos." Ela parou o carro em frente ao seu destino final e pegou uma ponta do tecido macio. "Está vendo as minhas iniciais?"

"Sim."

"Olhe mais de perto" a loira pegou a mão de Rachel e guiou seus dedos pelo bordado "você consegue ver que a metade direita da letra 'Q' foi feita em um tom mais claro de azul?"

"Por quê?"

"Se taparmos a parte mais clara..." ela posicionou os dedos da morena sobre a dita parte. "as iniciais seriam CF, Christopher Fabray."

"O que isso significa?"

"Significa que devido a uma confusão da obstetra, durante os três últimos meses de gestação, eu fui um menino. Foi uma surpresa e tanto quando eu finalmente nasci..." Ela riu com a ideia enquanto a cantora a observava sem saber ao certo o que dizer.

"O que foi agora Berry? Consegui te deixar sem palavras? Se eu soubesse que você reagiria dessa forma teria te contado essa historia muito antes!"

Rachel deu um soco de leve no braço da loira "É uma informação relativamente chocante pra mim Quinn. Não consigo te imaginar sendo um menino, como foi que a obstetra conseguiu ver um pênis em você?" Ela desviou os olhos para o meio das pernas da outra. "Seus pais não quiseram processar a medica ou algo assim?"

Quinn sorriu e soltou o cinto de segurança "Aparentemente eu estava em uma posição ruim... Os meus pais ficaram tão chocados com o fato que nem pensaram na possibilidade de processar. Minha mãe disse que nunca quis um menino de qualquer forma, mas meu pai ficou devastado." Ela solta o sinto da morena e recoloca o cobertor na sacola.

"Eu imagino..."

Quinn riu novamente, mas de uma forma diferente dessa vez, quase triste.

"O que foi Quinn?" Rachel a olhou preocupada.

"Acho que é meu destino ser um desapontamento para o meu pai..."

Silêncio. O relógio agora marcava seis e vinte e oito. Quinn suspirou novamente. "Pronta Berry?"

"Sinceramente? Não, e você?"

A loira abriu a porta. "Agora que estamos aqui acho que não faz diferença."

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Rachel's POV

Nada parecia real, os eventos desses últimos meses foram tão intensos que tudo parecia um sonho. Primeiro eu descubro que Finn perdeu a virgindade com a Santana e, em um lapso de insanidade, me jogo nos braços do primeiro homem que aparece na minha frente. Depois, durante as férias de inverno, não antes de me lavar em lagrimas, percebo que não sinto a menor falta de ter um namorado.

Então as aulas voltam e eu me sinto extremamente só. Ninguém fala comigo, nem mesmo as Cheerios se prestam a me insultar, como se eu não existisse. Isso até dois dias atrás quando uma certa Quinn Fabray me atropela na frente do auditório, de repente somos quase amigas (admito que é impossível sentir raiva pelo que houve entre nós no passado quando ela tem se mostrado tão vulnerável ultimamente) e estamos paradas na frente da porta de entrada da casa da minha mãe.

Meu estomago se contorce em nervosismo, nenhuma de nós tem coragem para tocar a campainha, em algum momento no meio co caminho entre o carro e a porta, nos damos às mãos. Precisávamos uma da outra, um lembrete de que não estávamos sós. Trocamos um olhar ansioso. Ela aperta o botão. Prendo a respiração.

"A porta está destrancada!"

Estico o meu braço e alcanço a maçaneta, passamos pelo hall de entrada e entramos na sala de estar. As paredes são em tons de verde e não consigo deixar de sorrir ao notar o tapete em forma de estrela dourada entre o sofá e a televisão.

"Shelby?" Quinn pergunta timidamente.

"Estou terminando de dar banho na Beth, fiquem a vontade meninas." A voz vem do fim do corredor.

Seguimos em direção ao sofá e nos sentamos. Começo a observar a mobilha, há um equilíbrio entre organização e bagunça que torna tudo mais aconchegante. Moveis escuros e brinquedos de criança contrastam drasticamente, como se estivassem competindo de alguma maneira.

Sinto um aperto esmagador na minha mão e minhas bochechas esquentam quando percebo que meus dedos ainda estão entrelaçados aos de Quinn, olho para ela, questionando o aperto. Ela está observando algo na mesinha de centro, sigo seu olhar e mais uma vez meu estomago se contorce.

Solto sua mão e (não sei exatamente por que fiz isso, mas parecia a coisa certa a fazer) passo meu braço em torno de seu pescoço, trazendo-a para perto em um abraço. Sua respiração em meu pescoço me causa arrepios. Olho por sobre seu ombro para a foto de minha mãe parecendo genuinamente feliz com um bebê sorridente nos braços.

Nos afastamos lentamente, ela estava com os olhos marejados e o lábio inferior preso entre os dentes. Uma única lagrima desliza por sua face e eu a capturo com o meu polegar. Ela suspira, se endireita ao meu lado e entrelaça nossos dedos novamente.

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N/A: Será que viajei muito com a historia do QF/CF?

Espero que não...

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Até amanhã!