30 de janeiro de 2011

Acordo com o meu celular berrando na mesa de cabeceira, nova mensagem. Esfrego os meus olhos e leio o que está escrito na tela.

Bom dia! Está pronta? Chego aí em 30 minutos! – Sam

Meu Deus! Esqueci totalmente! Já é meio dia! Pulo da cama tirando meu pijama e corro para o banheiro. Ligo o chuveiro e sinto a água escorrer por meu pescoço enquanto imagens da noite anterior invadem a minha mente. Parece um sonho, mas eu sei que é real.

O que eu faço agora?

Sei exatamente o que quero, mas também sei que é muito cedo para afirmar qualquer coisa. Preciso de tempo e espaço. Não tenho a mínima vontade de ir almoçar com o Sam, não acho que possa encará-lo depois do que aconteceu ontem, mas não tenho escolha. Certas coisas precisam ser feitas.

Seco o cabelo com a toalha, escovo os dentes, escolho um vestido aleatório no armário, sapatilha cinza, casaco branco. Me olho no espelho. Não tenho tempo para maquiagem.

12:32, ele está atrasado. Passo pelo quarto de minha mãe, a porta está aberta e vejo que ela ainda não levantou. Desço as escadas, entro na cozinha escrevo um bilhete dizendo aonde vou estar e chego à sala bem a tempo de ouvir a campainha tocar.

Ponho a mão na maçaneta, respiro fundo e abro a porta.

"Oi" diz ele se inclinando para me beijar. Desvio o rosto e ele acerta o canto da minha boca. Sinto um calafrio desagradável.

"Oi"

"Aconteceu alguma coisa?" ele pergunta com olhos de cachorrinho, percebo que minha tarefa vai ser bem mais difícil do que eu gostaria.

"Vamos aonde?" pergunto saindo de casa sem olhar para ele.

"Quinn, o que houve?"

Entro no carro. Ele me observa pelo lado de fora com uma expressão preocupada. Forço um sorriso, acho que funcionou.

Agora estamos sentados lado a lado.

"Foi algo que eu fiz? Eu não te chamei de Beiste de novo, né?"

"Você não fez nada Sam." Minha cabeça já esta começando a latejar.

"Qual é o problema então?"

Começo a perder a paciência. "Sam. Só. Dirija." Falo entre os dentes. Tenho que acabar logo com isso, de um jeito ou de outro.

Ele me olha perplexo, mas o carro começa a andar.

====/====

Bread Stix, quanta originalidade... Penso, enquanto finjo analisar o cardápio. Ainda não trocamos uma palavra dês de que deixamos minha casa. Ele tem sido um cavalheiro hoje, abrindo portas e puxando minha cadeira como se quisesse se redimir. Isso só torna as coisas mais difíceis, não é culpa dele se a minha vida é uma bagunça total...

A garçonete anota nossos pedidos e eu limpo a garganta, estou picotando meu guardanapo com os dedos.

"E então..." ele começa passando uma mão pela nuca. "como foi o jantar ontem?"

"Foi bom" você realmente não quer saber sobre isso.

"Aconteceu alguma coisa ontem à noite?"

Sim, eu beijei Rachel Berry. "Bom, eu conheci minha filha... Acho que isso é uma grande coisa..."

"É..." Consigo ver seu desconforto com essa conversa. "Sabe, eu acho muito legal o que você esta fazendo com a Rachel nesses últimos dias." Obviamente ele só estava tentando amenizar o clima, mas minha reação a essas palavras não é das melhores.

"O que você quer dizer com isso?" Pergunto rapidamente, ouço minha voz tremer. Por um segundo penso que ele pode saber de tudo. Olho para ele e tenho quase certeza que a palavra 'culpa' esta estampada na minha testa.

"Você sabe, sendo gentil com ela e todo o mais..." ele agora me observa com uma sobrancelha arqueada. Preciso mudar de assunto.

"É, ela não é tão ruim quanto eu imaginava..." ela é muito melhor...

Mais uma vez caímos em silencio, eu estava meio que esperando uma piadinha sem graça sobre algum filme que eu não assisti, mas ele não disse nada.

Nosso almoço chega e eu decido puxar assunto novamente.

"Como está indo a tarefa do Glee? Já escolheram uma musica?"

Minha pergunta funciona como quebra-gelo e passo o resto da refeição ouvindo sobre o mash-up que ele e Mercedes estão montando. Não presto muita atenção, tudo o que consigo pensar é no quanto isso é errado... Acabei de trair o meu namorado com uma garota e a parte da garota não me incomoda nem um pouco. E o que isso faz de mim afinal? Gay? Bissexual? Sei que isso soa estranho, mas beijá-la pareceu tão natural...

Volto minha atenção para o garoto loiro na minha frente que fala sem parar.

"...demorei um pouco para convencer a Mercedes sobre as musicas, mas no final ela acabou concordando comigo..."

Isso parece tortura! Não sei por que, mas ele me irrita! Não agüento mais! Preciso terminar isso de uma vez! Mas ao mesmo tempo, ele tem sido tão bom pra mim e eu não quero magoá-lo. Só que aí tem a Rachel... Sei que só convivemos em paz por três dias, mas acho que posso estar me apaixonando... É tudo tão estranho e confuso... Por que eu não pude me apaixonar pelo Sam? As coisas seriam tão mais fáceis!

Quer saber? Foda-se! Eu já disse que não iria mentir para mim mesma e ficar com o Sam seria ir contra minha natureza. A ultima vez que fiz isso acabei sofrendo e fazendo o Finn sofrer também. Não quero mais machucar as pessoas.

"Sam... Isso não esta dando certo..." interrompo seu discurso cautelosamente.

"Você não acha que essas músicas combinam?"

"Que?... Eu não estou falando de musica nenhuma, Sam! Isso é sobre nós!"

"Não entendo..."

Tiro o anel de compromisso do meu dedo e seguro de modo que fique em sua linha de visão. "Eu realmente tentei me apaixonar... E por um momento eu até quis acreditar que o amor viria com o tempo, mas..."

"Você está terminando comigo?" Ouço o choque em sua voz.

Aceno a cabeça positivamente e suspiro.

"Por que Quinn?" Ele parece triste, mas não consigo olhá-lo nos olhos. "Eu tenho me esforçado tanto para que isso de certo, eu abri mão das minhas necessidades para que você não se sentisse pressionada..."

"Me desculpa Sam... Eu realmente queria que as coisas dessem certo para nós, mas você não escolhe por quem se apaixonar..."

"O QUE?" O súbito aumento de volume atrai meu olhar e vejo a incredulidade estampada na sua face assim como a dor pelo coração partido. "Isso significa que tem outro cara?"

Sim, mas não um cara... "Não sei... Acho que pode haver outra pessoa, preciso de espaço para descobrir. Eu não quero que você me odeie..."

Ficamos em silencio novamente, a garçonete traz a conta, ele paga e saímos do restaurante.

"Eu não te odeio" ele diz de repente "eu só estou surpreso, mas acho que concordo com você..."

Agora estou curiosa. Ele concorda?

"A gente não escolhe por quem se apaixona. Eu me apaixonei por você... Mas isso não significa que o sentimento seja recíproco." Ele para e pega a minha mão. "Espero que você consiga encontrar o amor com esse cara novo, mas eu vou estar sempre por perto caso isso não aconteça e você queira me dar outra chance."

Definitivamente não esperava por essa.

"Obrigada Sam, se as coisas não derem certo você será o primeiro, a saber." Não acredito na minha sorte. Acho que vamos conseguir manter uma amizade afinal.

"Certo..." diz ele meio sem jeito "Então... ele é alguém que eu conheço?"

"Sim." Não vejo por que mentir "Mas eu não quero falar sobre isso..." Imagino qual seria sua se soubesse que 'o cara' é ninguém menos que a nossa pequena diva Rachel Berry?

====/====

Fim Quinn's POV

====/====

Enquanto isso na casa dos Berry...

"Eu acho que a nossa filha pode estar doente." Diz Arthur para seu marido que seca a louça.

"E por que você acha isso?"

"Ela acordou depois das nove da manha, não encostou no Elíptico, não fez exercícios de dança e não cantou nada até agora."

"Você esqueceu de mencionar que ela mal falou durante o almoço." Responde Phill com um sorriso no rosto.

"E isso é engraçado por que...?"

"Caso você não tenha reparado," ele largou o pano de prato e foi caminhando na direção do homem alto que se escorava perto da porta. "nossa filha é uma adolescente. Esse tipo de comportamento é normal."

Arthur faz uma cara estranha "Não para os padrões da Rachel, acho que devíamos falar com ela..."

"Você que sabe... Ela está no quarto. Vou terminar a louça e já subo." Ele fica na ponta dos pés para um beijo antes de se voltar para a pia. "Mas ainda acho que você se preocupa demais."

====/====

Rachel está sentada na cama, totalmente imersa em pensamentos sobre certa loira, quando é trazida de volta a realidade por uma batida na porta.

"Posso entrar estrelinha?" Ela sorri ao ouvir o apelido.

"Sim"

O grande homem negro parece muito deslocado dentro daquele quarto extremamente feminino. Ele senta ao lado dela.

"Esta tudo bem Rachel?"

"Claro!"

"Você não sabe mentir estrelinha..." ele a abraça. "Agora me conte o que aconteceu. Aqueles meninos do colégio continuam a te incomodar?"

"Não pai... Eu acho que posso ter destruído a única chance de ter uma amiga de verdade."

Nesse momento Phill entra no quarto e puxa a cadeira da escrivaninha.

Rachel conta para eles tudo o que aconteceu na noite anterior.

"... como eu pude me apaixonar tão rápido? E justamente por ela, entre todas as pessoas? Eu não devia ter imposto esse beijo..."

"Mas não foi ela quem te beijou? Pelo que eu entendi, ela até falou que precisava disso." Disse Phill arqueando as sobrancelhas, normalmente esse tipo de conversa era responsabilidade de seu marido.

"Eu sei, mas também foi ela quem foi embora..."

"E se não me engano ela te deu um beijo de despedida e disse 'nos vemos segunda'." Arthur afagou os cabelos castanhos de sua filha.

"Eu sei, mas eu estou tão nervosa, só consigo pensar em tudo o que poderia dar errado... Já falei que ela tem namorado?"

"Sim, pelo menos 6 vezes..." Phill sorri e Arthur lhe lança um olhar reprovador.

"O que eu faço pai?" Pergunta Rachel a beira do choro olhando para o homem que a abraçava.

"Acho que você espera até segunda..."

====/====

A/N: Sem momentos Faberry (só em pensamento), mas prometo compensar no próximo!

Em alguns capítulos eu pretendo tornar essa fic mais musical, mas queria saber a opinião de vocês antes...

Sim ou não para capítulos musicais?

Comentem please!

Até mais!