Sai da residência dos Berry e era como se estivesse andando nas nuvens. Cheguei em casa bem mais tarde do que os esperado e tenho certeza que minha mãe falou alguma coisa, mas não consigo me lembrar exatamente o que. Provavelmente algo como 'Eu estava preocupada!' ou 'É dia de semana!'. Mas sinceramente eu não me importo. A única coisa em minha cabeça nesse momento é ela. Meu deus eu estou completamente apaixonada! Nunca achei que fosse chegar a esse ponto. É um pouco assustador perceber o efeito que Rachel tem sobre mim, como se sua presença (ou meramente a ideia de te-la ao meu lado) fizesse todo o mundo ao meu redor perder a importância.
Por outro lado isso me encanta totalmente. É tão bom amar e ser amada de volta. É tão bom saber que ela está disposta a ficar comigo independente do que o mundo vá pensar a nosso respeito. Estar ao seu lado entorpece meus sentidos da melhor forma possível. Nunca fiz grandes planos para o futuro, ele sempre pareceu incerto para mim, sempre achei que fosse acabar fazendo alguma faculdade que meu pai escolhesse e me casando com o homem que ele achasse mais apropriado. Ainda não sei o que vou fazer da minha vida depois do ensino médio, mas agora consigo imaginar o futuro mais claramente e ela esta comigo. Consigo vê-la comigo em todos os momentos importantes daqui para pra frente.
Estava pensando em como seria morar em Nova York e vê-la se tornar uma grande estrela da Broadway quando minha irmã entra sorrateiramente em meu quarto.
"Oh meu Deus! Você totalmente teve um encontro hoje!" disse ela sentando na minha cama e me trazendo (infelizmente devo dizer) de volta para a terra.
"O que você está fazendo acordada Ann?" Olho para o relógio na parede. "Já é quase uma da manha..."
"Exatamente por isso que eu estou acordada. Mamãe quase teve um ataque quando acordou para tomar água a meia hora atrás e você ainda não tinha chego." Ela cruza as pernas e se inclina em minha direção. "Eu fui acordada aos gritos! Por que você não atende o celular? Ela estava prestes a ligar para os hospitais quando você finalmente entrou pela porta."
Ela provavelmente esta exagerando, mas me sinto um pouco culpada por causa disso. "Eu perdi o horário... Nós estávamos conversando e quando eu me dei conta já era meia noite. Não sei por que os pais dela não nos avisaram." Isso não era exatamente uma mentira, eu realmente não vi o tempo passar e eu e Rachel realmente conversamos, entre outras coisas que minha irmã não precisa saber...
"Sei..."disse ela passando a mão pelos cabelos. "Pode ir falando Quinn, eu sei ler as pessoas. Sou uma psicóloga formada esqueceu?"
Respiro o fundo e olho para o teto. Por que ela não fez contabilidade ou qualquer outra coisa?
"Eu sei que foi um encontro. Um encontro muito bom a julgar pelo sorriso bobo que não sai da sua cara." Ela me joga um travesseiro. "Eu fui acordada aos gritos e não vou voltar para a minha cama até você me contar. Você me deve essa Quinnie." Ela cruza os braços em um gesto que me lembra Rachel e isso me faz sorrir involuntariamente.
"Eu não me importo em dividir a cama com você..." digo me levantando e abrindo o ziper da minha saia. "... ou eu posso dormir no seu quarto se você preferir."
"Arghhhhhh!" Grita ela em frustração.
Minha mãe entra no quarto. "Aconteceu alguma coisa?"
"Não mãe!" Digo vestindo uma camisola rapidamente.
"Aconteceu sim! Ela não quer admitir que teve um encontro hoje a noite." Ann pode ser tão infantil as vezes...
"Encontro? Você não ia jantar com a Rachel?"
"Eu fui jantar com a Rachel. Ann está delirando..."
"Quem é Rachel?" Ela pergunta se endireitando na cama.
"Creio que ela seja a atual melhor amiga da sua irmã." Minha mãe aponta para mim.
"Oh..." Ela levanta uma sobrancelha e me lança um olhar curioso. "E a San?"
"Eu não posso ter duas melhores amigas?" pergunto massageando as têmporas. Essa conversa pode tomar caminhos indesejados muito facilmente... "Olha, já está muito tarde e eu tenho aula amanha..."
"É verdade. E nós vamos ter uma boa conversa sobre horários quando você acordar moçinha!" minha mãe lança um olhar levemente reprovador. "Agora para a cama vocês duas!" Ela se vira e sai do quarto. "Boa noite."
Deito sob as cobertas e espero que Ann vá embora, mas ela não se move. Como eu vou conseguir dormir com alguém me olhado dessa forma? Mesmo que esteja escuro consigo sentir seus olhos me analisando. "Você realmente não vai sair até eu te contar não é?"
"Não."
Sento-me e ascendo o abajur, expirando com força. "Ok, você tem direito a cinco perguntas."
Ela levanta um dedo para começar a contagem. "Aonde você foi hoje à noite?"
"Na casa da Rachel."
Ela faz que sim com a cabeça. "Você não vai mentir para mim né?"
"Isso conta como uma pergunta?"
"Não. É uma regra que precisamos estipular antes de continuar."
Apoio minha testa nas mãos e sento sobre meus joelhos. "Eu não mentiria para você..."
"Bom... Segunda pergunta, você teve um encontro?"
"Mais ou menos..." não sei se hoje a noite pode ser definida como um encontro. Quero dizer, os pais dela estavam com nós...
"Vou aceitar isso como um sim." Ela levanta um terceiro dedo. "Presumo que você tenha ido se encontrar com o namorado misterioso, quem é ele?"
Mordo o lábio. Eu nunca menti para ela antes e não quero começar agora, mas também não sei se quero que ela saiba a verdade ainda. "É complicado..."
Ela suaviza o olhar e relaxa os ombros. "É a Rachel?"
Por algum motivo sinto vontade de chorar. Olho para minhas mãos e faço que sim com a cabeça ao mesmo tempo em que as lagrimas começam a rolar pela minha face. A aceitação dela é muito importante e eu não sei o que vou fazer se ela simplesmente der as costas e não falar mais comigo. Tenho medo que ela sinta vergonha de mim. Eu já perdi tudo o que tinha uma vez. Não quero passar por isso nunca mais... Quanto mais penso sobre isso, mais altos e desesperados meus soluços se tornam.
Sinto braços a minha volta e uma mão acariciando meus cabelos. "Shhh. Quinnie. Shhh, vai ficar tudo bem." Ficamos abraçadas por alguns instantes enquanto tento me acalmar.
"Como você sabia?" pergunto enxugando as ultimas lagrimas.
"Quando mamãe falou sobre ela os seus olhos brilharam e voaram para a foto em cima da escrivaninha." Ela desliza as costas de sua mão pela minha face carinhosamente. Nossos olhos se encontram. "Segui seu olhar e... bom, dizem que uma foto fala mais do que mil palavras..." Ela sorri um pouco, se esticando sobre mim e alcançando a moldura durada sobre a escrivaninha. Olho para a imagem. Eu e Rach segurando Beth. Ela tem razão... Qualquer um que olhasse essa foto veria um casal apaixonado e um bebe, mesmo que nada estivesse acontecendo entre nós quando a foto foi tirada.
"Annie..."
"É mesmo complicado. Mas você pode conversar comigo... Eu não vou te julgar irmãzinha." Diz ela beijando minha bochecha.
"Você não me odeia?" pergunto procurando seus olhos novamente.
"É claro que não! Eu nunca poderia te odiar... Posso fazer a ultima pergunta?"
Concordo.
"Você sabe o quanto essa escolha vai afetar a sua vida?"
"Sim..."
Ela respira fundo. "E você esta disposta a seguir em frente assim mesmo?"
"Sim..."
Ela me olha como se estivesse tentando entender, mas sei que deve ser difícil para ela. Se estivéssemos em posições opostas eu definitivamente não saberia o que fazer.
"Olha Annie, eu passei a semana inteira pensando sobre as conseqüências que vão acompanhar essa decisão. E eu conclui que vale a pena." Pego sua mão e aperto com força. "Sei que é estranho. Eu mesma nunca imaginei que isso fosse acontecer. Mas eu também nunca me senti dessa forma antes."
Ela sorri e começa a chorar também. "Eu não posso dizer que entendo, mas você é minha irmã e nada vai me fazer te amar menos ou te julgar de qualquer forma." Ela me abraça. "Eu só não quero que você sofra..."
"Eu sei."
"Ser gay é muito difícil. Eu vejo isso no consultório. As pessoas vão ser horríveis com você e..."
"Eu não me importo com as outras pessoas. Só ela importa agora. Se eu tiver que passar por tudo isso só para te-la ao meu lado pelo resto da minha vida, então eu aceito o que vier..."
Ela concorda com a cabeça. "Posso dormir com você hoje?"
Sorrio contra seu pescoço. "Pode."
Deitamos em baixo das cobertas de frente uma para a outra.
"Então, quando eu vou conhecer a minha cunhada?"
====/====
N/A: Oi. Esse capitulo tem seus motivos para existir. Queria explorar um pouco a relação da Quinn com a irmã e isso vai facilitar a aceitação da Judy também...
O próximo capitulo é o ultimo antes do dia dos namorados e teremos alguns problemas na escola (Karofsky)... ;)
Quero escrever um bom final e para isso preciso de motivaçao. COMENTÁRIOS servem para motivar as pessoas. Ficaria muito feliz em ouvir o que vocês tem a dizer...
COMENTEM!
Beijos e até amanha :)
